terça-feira, 31 de julho de 2018

A expressão “vale de lágrimas” quer dizer que o cristianismo é pessimista?

Que tipo de visão de mundo pode ser compreendida a partir desse famoso trecho da oração Salve Rainha?

Após ler sobre a origem da oração Salve Rainha, um leitor nos escreveu questionando o sentido da expressão “vale de lágrimas” e nos perguntando se a visão cristã do mundo terreno é negativa e pessimista.
Não, não é. Mas também não é ingênua nem alheia aos angustiantes sofrimentos da humanidade.
Por isso, ao mesmo tempo em que reconhecemos, cantamos e louvamos as belezas da criação e desfrutamos saudavelmente das maravilhas da obra de Deus, também enxergamos que a nossa Casa definitiva não é neste mundo e que, antes de chegarmos a ela, somos convidados por Deus a escolhê-la livremente.
Deus poderia muito bem ter nos criado diretamente para o Céu, sem precisarmos passar por esta etapa material e mortal da nossa vida terrena. Mas Ele quis nos dar a oportunidade de aceitar ou recusar o Seu convite à eternidade com Ele, o que implica, de nossa parte, uma resposta livre, concretizada em nossas escolhas. Essas escolhas envolvem o bem e o mal e, por isso mesmo, nos colocam diante das consequências da escolha do bem ou do mal por parte dos nossos irmãos e por nossa própria parte. Além das consequências das nossas escolhas, a nossa experiência humana neste mundo transitório é imperfeita por sua própria natureza, já que não é esta a vida plena para a qual somos convidados: ela acaba – e o tudo que acaba é, necessariamente, imperfeito.
Uma vez entendida esta visão cristã do mundo terreno como uma experiência do bem e do mal em que nós temos a liberdade de escolher, também podemos entender melhor o sentido da expressão “vale de lágrimas“: ela não é uma imagem pessimista, mas sim realista deste mundo passageiro, no qual convivem as alegrias e as tristezas, assim como convivem o bem e o mal, permitindo-nos em meio a eles a experiência humana extraordinária de exercer a liberdade de escolha.
Para complementar esse entendimento, reproduzimos a seguir um texto de dom Nuno Brás da Silva Martins, bispo auxiliar de Lisboa. O texto foi adaptado à grafia e à sintaxe do português brasileiro. Diz ele:
Confesso que comecei por entender a expressão “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”, da Salve Rainha, como fruto de um cristianismo pessimista, vivido essencialmente com o pensamento na cruz do Senhor e com a ideia de que tudo, no mundo, era mau. Por isso compreendo tantos que têm dificuldade em rezar esta antífona que faz parte da nossa tradição mariana. Certamente, e digo isto sem qualquer tom de crítica, reconheço que muitos a rezarão naquele tom resignado e derrotado.
Mas devo confessar, igualmente, que hoje rezo essa oração como expressão grande da fé.
É que, por mais que nos esforcemos, de um modo ou de outro, todo ser humano vive momentos de sofrimento e de solidão, de abandono e até desespero, de morte. Não vale a pena criar a ilusão (nem sequer e muito menos nas crianças) de que a vida será sempre um caminho de vitórias e sucessos, de alegrias e conquistas. Mesmo as historinhas que terminam com o célebre “e foram felizes para sempre” começaram ou passaram por um ou vários momentos de dificuldade dos protagonistas.
Contudo, hoje (como sempre) não são necessárias “historinhas”. Basta ter os olhos abertos para o mundo humano que nos envolve. E se nós não estamos passando por algum momento difícil, olhemos à nossa volta – e não precisamos procurar muito: o desemprego, as famílias destroçadas e desunidas, a falta de sentido para a vida… todas as misérias materiais, morais ou espirituais estão bem ali, ao nosso lado. E, não raras vezes, nos sentimo impotentes para dar uma ajuda, pequena que seja, àqueles que passam por esses momentos difíceis.
É por isso que o grito cristão que se dirige a Deus, por intermédio da Virgem Maria, neste “vale de lágrimas” que é a vida humana, mais do que expressão de alguém resignado à sua sorte, é, antes, o reconhecimento de que apenas Deus pode, verdadeiramente, resolver as lágrimas humanas – nossas e de tantos que vivem conosco.
Também Deus, em Jesus de Nazaré, experimentou (e como!) o “vale de lágrimas” que quis tornar seu; mas, ao mesmo tempo que o vive de modo plenamente humano, Ele mostra que não será nunca a morte quem tem a última palavra. A última palavra será sempre pronunciada por Deus, e será sempre uma palavra de amor, de vida eterna!
JESUS ON THE CROSS
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Acólitos «invadiram» Praça de São Pedro para festa com o Papa

Francisco respondeu a pergunta de participante portuguesa e pediu empenho no serviço à Igreja e ao próximo
Foto: Lusa

Cidade do Vaticano, 31 jul 2018 (Ecclesia) – A Praça de São Pedro recebeu hoje mais de 60 mil acólitos de 18 países, incluindo Portugal, para uma celebração com o Papa Francisco, integrada na peregrinação

internacional a Roma organizada pela Coetus Internationalis Ministrantium (CIM).

“Alegro-me por ver-vos em tão grande número aqui, na Praça de São Pedro, adornada com as cores das vossas bandeiras. Oferecestes-me os símbolos distintivos da vossa peregrinação: agradeço-vos de coração, sou peregrino convosco que viestes de tantos países do mundo”, declarou o pontífice, durante o encontro.

Francisco gracejou com o calor que se faz sentir em Roma, chamando “corajosos” a todos os que acorreram ao Vaticano desde as primeiras horas da tarde.

O encontro internacional de acólicos teve início nesta segunda-feira e conclui-se na sexta-feira; o Serviço Nacional de Acólitos (SNA) participa com 325 portugueses, uma delegação recorde; o diretor do serviço, padre Luís Leal, teve a oportunidade de cumprimentar o Papa.

D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda e presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, foi um dos prelados que marcou presença na celebração, tendo orientado parte da oração.

Para além de Portugal, a Peregrinação Internacional de Acólitos a Roma 2018 conta com mais 17 países registados oficialmente: Antígua e Barbuda, Áustria, Bélgica, Croácia, República Checa, França, Alemanha, Hungria, Luxemburgo, Roménia, Rússia, Sérvia, Eslováquia, Suíça, Ucrânia, Reino Unido, EUA.

O Papa respondeu a cinco perguntas, incluindo a de uma participante de Portugal.

Santo Padre, somos acólitos. Servimos o Senhor junto do altar e contemplamo-Lo na Eucaristia. Como poderemos viver a contemplação espiritual a exemplo de Maria e o serviço prático a exemplo de Marta, procurando reconhecer concretamente, na nossa vida, aquilo que Jesus quer de nós?”

Francisco sublinhou a necessidade do “silêncio” na vida cristã, para conjugar “ação e contemplação”.

“Não tenhais medo de pedir um bom conselho quando vos perguntardes como poder servir Deus e as pessoas que têm necessidade de ajuda no mundo. Recordai-vos que quanto mais dais, tantos mais recebeis na vossa própria plenitude”, sublinhou.

Foto: Lusa

O Papa falou depois da ligação entre a celebração da Missa e a paz, a “unidade na comunidade da Igreja”, para “amar como Jesus ama”.

“Estou pronto a perguntar-me, em cada situação: o que faria Jesus no meu lugar? Se fazemos isto, e procuramos coloca-lo em prática, determinados, levaremos a paz de Cristo na vida de todos os dias e seremos construtores e instrumentos de paz”, assinalou.

Francisco convidou todos os acólitos a ser “amigos, com gratuidade”, de quem vive à sua volta, mais com os atos, com a proximidade, do que com as palavras.

“Procurai conhecer e amar cada vez mais o Senhor Jesus”, apelou.

Questionado sobre a necessidade da fé, sublinhou que esta é “essencial”, como o ar que se respeita, e permite captar o “sentido da vida”.

O Papa desafiou todos a perceber o que podem fazer pelos outros, “amigo ou desconhecido, da mesma nacionalidade ou estrangeiro”, dando como trabalho de casa o estudo das Obras de Misericórdia.

“O caminho para a santidade não é para preguiçosos”, observou.

Depois várias horas de festa, no Vaticano, com cânticos e apresentações dos vários grupos, os participantes rezaram a oração de Vésperas, durante a qual o Papa convidou todos a “reconhecer a vontade de Deus”.

“A glória de Deus é a agulha da bússola da nossa consciência”, disse.

Francisco destacou a importância de manter o “bom humor” e de testemunhar em todos os dias “o amor de Deus e a alegria da fé”.

Olhemos para os santos, que são o Evangelho vivido, porque souberam traduzir a mensagem de Cristo na própria vida. O santo de hoje, Inácio de Loiola – que pensava na sua própria glória, enquanto jovem soldado -, foi atribuído no momento certo para a glória de Deus e descobriu que ali está o centro e o sentido da vida”.

O Papa assinalou hoje a festa de Santo Inácio, fundador dos Jesuítas, na Cúria Geral da Companhia de Jesus, em Roma.

O CIM é uma associação europeia de acólitos, com mais de 50 anos de existência, que serve de elo de ligação entre os vários serviços diocesanos e nacionais do setor.

O grupo mais numeroso nesta peregrinação internacional era o proveniente da Alemanha, com cerca de 50 mil pessoas.

OC

Ricardo Cappelli: Distraídos venceremos

por esmael
O jornalista Ricardo Cappelli afirma que se o PT não oferecer a vice ao PCdoB e o PSB for para neutralidade, a tendência é que Manuela siga candidata até o final.


Ricardo Cappelli*

Para onde vai a esquerda? Faltando poucos dias para o registro das chapas, o cenário permanece indefinido.

A bola parece estar com o PT e com o PSB. O PDT já definiu seu rumo. Marchará com Ciro, mesmo que isolado. O PCdoB, o irmão menor, mais velho e mais responsável é o único que ainda clama por unidade.

A convenção comunista confirmará a candidatura de Manuela. A gaúcha responde a um antigo anseio do partido de construir identidade própria e sair das “barbas do PT”. Na vida real, nem sempre vontade e realidade andam juntas.

Se o PT colocar na mesa a vice de Lula, este deverá ser o destino dos marxistas. A direção petista aprova a ideia, mas ela não avança. Há duas hipóteses. Pra fora o discurso é que o PT ainda espera o PSB. Os socialistas são maiores, parece um argumento razoável.

O problema é que todos sabem que o partido de Arraes está entre a neutralidade e Ciro. Não existe hipótese de apoio ao plano B do PT. O governador de Pernambuco luta para que o partido fique neutro. Carlos Siqueira, presidente da sigla, afirma que esta hipótese não existe, “que o PSB não nasceu para ser satélite de ninguém”.

A segunda hipótese para a o PT não oferecer a vice parece mais verossímil. Quando a proposta foi levantada, Gleisi foi taxativa: “é preciso consultar Lula”. O cálculo do ex-presidente se relaciona com a estratégia definida pelo PT.

Se o objetivo central é fortalecer e proteger a legenda, faz sentido deixar Manuela (65) rodar o país durante 45 dias em nome de Lula? Com o candidato preso, o vice será a grande estrela até a provável troca.

Nos últimos dias cresceram os sinais de que o PSB pode apoiar Ciro. O jornal Diário de Pernambuco afirmou que será a primeira vez, desde que Arraes ingressou no PSB, que o diretório do estado será derrotado internamente. Os movimentos de Alckmin assustaram Márcio França, que teria se deslocado em direção ao pedetista.

A convenção do PSB será no domingo. Circula ainda que o mineiro Márcio Lacerda teria declinado da vice de Ciro e que o PSB pode defender que a vaga seja oferecida a Manuela.

Mesmo com a preferência pelo PT, se isto acontecer os comunistas estarão diante de um dilema. Não será fácil dizer não a uma Frente envolvendo PDT, PSB e PCdoB.

Se o PT não oferecer a vice ao PCdoB e o PSB for para neutralidade, a tendência é que Manuela siga candidata até o final. Prevalecendo a lógica do “cada um no seu quadrado” a esquerda irá para a eleição brincar de roleta russa.

Bolsonaro tem 11% na espontânea. Pode ter 15% dos votos? Alckmin com tempo de TV gigantesco e uma imensa máquina pode chegar a 15%? É razoável imaginar que um candidato do PT alcance 15%? Ciro, sem Lula, tem 9%. Se ampliar, pode chegar aos 15%?

Marina está isolada, parece fadada a desidratação. Entretanto, quem acompanha o noticiário percebeu que a Globo continua a bater no ex-governador paulista. Ela pode ser uma reserva?

Apesar das “vacas sagradas” da análise da política brasileira cravarem que será mais do mesmo, um segundo turno entre PT e PSDB, não me parece que o jogo será tão simples assim.

A “Aliança do Coliseu”, bloco liderado pela Globo com setores neopositivistas da burocracia estatal, por enquanto só observa. Os acontecimentos recentes recomendam não subestimá-los.

Possuem um canhão midiático e, tudo indica, munição estocada.

A unidade garantiria um candidato do campo “vermelho” no segundo turno. Com a divisão, a esquerda abriu mão da frieza do cálculo político e adentrou na linda poesia do anarquista curitibano Paulo Leminski: “Distraídos venceremos”. Será?

*Ricardo Cappelli é jornalista e secretário de estado do Maranhão, cujo governo representa em Brasília. Foi presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) na gestão 1997-1999.

Nicarágua: multidão nas ruas em defesa da Igreja atacada pelo governo


Nicarágua a favor dos bispos

...Mas a mídia mundial, para variar, fingiu que nem viu

ANicarágua está vivendo dramáticas convulsões sociais e políticas, com forças do governo ou ligadas a ele agredindo desproporcionalmente os milhões de manifestantes que exigem a renúncia do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo – que, aliás, é mulher dele. Ortega é ex-guerrilheiro e está no poder há 11 anos pelo partido socialista Frente Sandinista de Libertação Nacional, fundado em 1961 e do qual é líder. Em janeiro de 2014, a Assembleia Nacional da Nicarágua havia aprovado a sua reeleição sem limite de vezes. Ortega conseguiu assim ser reeleito em 2016 para o seu terceiro mandato, sob questionamentos da oposição.
Mais de 440 pessoas já foram mortas nos confrontos entre manifestantes, polícia e milícias pró-governo desde o começo dos protestos populares, em 19 de abril. Entre as vítimas fatais está a jovem brasileira Raynéia Gabrielle Lima, de 30 anos, morta a tiros na segunda-feira passada, 23.
Igreja católica tem sido um dos alvos principais do governo e dos grupos paramilitares, embora tenha sido convidada pela própria presidência nicaraguense a intermediar os conflitos no país. As milícias e o governo a acusam de incitar a população ao “ódio” – narrativa típica dessa orientação ideológica, para a qual o que é diferente da sua impositiva visão de mundo costuma ser midiaticamente vendido como “ódio”.
Foi nesse contexto que milhares de cidadãos saíram às ruas da capital Manágua neste último sábado, 28, a fim de prestarem apoio aos bisposdo país, vistos pelos participantes da marcha como “defensores da verdade e da justiça”.
cardeal Leopoldo Brenes, arcebispo de Manágua, agradeceu à multidão mediante mensagem via página arquidiocesana no Facebook:
“[Agradeço] aos leigos da nossa Igreja Católica, aos nossos fiéis, assim como a muitos membros de outras igrejas irmãs que se uniram a esta peregrinação, assim como a outros organismos, homens e mulheres de boa vontade que se uniram para apoiar a gestão de serviço que a Conferência Episcopal está realizando.
Sem dúvida, todos nós, bispos da Nicarágua, assumimos este pedido da Presidência de participar como mediadores e testemunhas e fazemos isto com uma atitude de serviço. Nós oferecemos um serviço, mas não buscamos ser reis, nem presidente, nem ministros, nem nada disso; apenas servidores.
“Queremos agradecer a todos estes irmãos que se manifestaram aqui em Manágua e em outras dioceses, mas pedimos especialmente as suas orações, pois isto nos fortalece”.
Confira algumas das imagens compartilhadas no Facebook pela página da Arquidiocese de Manágua:

Reportagens sobre os conflitos na Nicarágua têm sido frequentes no noticiário internacional. Para variar, porém, tanto as reiteradas agressões contra a Igreja quanto esta marcha popular de apoio a ela foram solenemente ignoradas pela maior parte da mídia mundial.

Flávio Dino: “Sarney sofre síndrome de abstinência de privilégios”

 por esmael

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), afirmou que o ex-presidente José Sarney sofre de síndrome de “abstinência de privilégios” e por isso o acusa de perseguição.

“Sarney está no poder há 50 anos, de Juscelino Kubitschek a Michel Temer. Imagina euzinho perseguir alguém? Não tem aderência, é meio jocoso ele dizer isso. Ninguém aqui leva a sério”, disse Dino à Folha.

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No domingo (29), o ex-presidente acusou o governador do Maranhão de perseguir o “coitado” do Zé Sarney.

“O governo atual, a minha impressão é que tem os olhos no retrovisor, só olha para trás e o escolhido é o Zé Sarney. Coitado de mim! Nesta idade, era para ser respeitado. Entretanto, só é acusado. Acusado de ter passado a minha vida a serviço do Maranhão”, discursou durante o lançamento de sua filha, Roseana Sarney, para concorrer com Dino na eleição de outubro.

Para Flávio Dino, a vitimização talvez seja um linha que o clã Sarney venha a adotar na sua retórica do desespero.

O governador do PCdoB não poupou o velho Sarney: “É síndrome de abstinência de dinheiro público, de privilégios. Eles sempre tiveram acesso amplo aos cofres públicos para seus negócios privados e para manter seus luxos”.

Recorde: 65 milhões de pessoas estão sem ocupação no Brasil

Revista Fórum


O dado mostra crescimento de 1,2% sobre o trimestre anterior e é recorde na série iniciada em 2012, fazendo a desocupação ser a maior da história


O número de pessoas sem ocupação ou sem procurar emprego chegou a 65 ,6 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2018, segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD), divulgada nesta terça-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado mostra crescimento de 1,2% sobre o trimestre anterior e é recorde na série iniciada em 2012.

Para o IBGE, desocupados são pessoas em idade para trabalhar, mas que desistiram de procurar emprego. A situação, chamada tecnicamente de desalento, acontece quando a pessoa deixa de procurar emprego após 3 semanas sem ocupação.

Já o número de ocupados chegou a 91,2 milhões de pessoas, uma alta de 0,7% em relação ao trimestre anterior. Nesses 3 meses foram criadas 675 mil vagas de trabalho – a maioria delas, informais. Também segundo a PNAD, ao menos 40% dos 91,2 milhões de ocupados estão em vagas informais. Isso significa dizer que 37 milhões de brasileiros têm ocupação precária.

Esses dois movimentos ajudaram a baixar a taxa de desemprego oficial. Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, a taxa caiu de 12,6% para 12,4% Na comparação com o segundo trimestre de 2017, a queda foi de 0,6% – no segundo trimestre de 2017, a taxa era de 13%

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“Aumento da população ocupada, com base na informalidade e na geração de vagas no setor público, ajudou na queda do desemprego. Por outro lado, o aumento das pessoas que deixaram de procurar emprego, por motivos que desconhecemos ainda, também ajudou a baixar a taxa”, afirmou o coordenador de Trabalho e Renda do IBGE, Cimar Azeredo.

Vídeo: Santo Inácio de Loyola


Vigário do Papa: “Há um projeto diabólico para destruir a família”



Por Yuganov Konstantin/Shutterstock

"Nós não inventamos a família. Deus inventou a família. A família é um projeto de Deus. Combatê-la é estar a serviço do demônio"

Ocardeal Angelo Comastri, Vigário Geral do Papa Franciscopara a Cidade do Vaticano, fez uma declaração forte e clara na paróquia vaticana de Sant’Ana, onde celebrou a Santa Missa de 27 de julho, dia de São Joaquim e Sant’Ana, pais da Santíssima Virgem Maria: ele afirmou que existe “um projeto diabólico para combater a família e, em suma, para combater o desejo de Deus“.
Comastri declarou:
“Combater a família significa estar a serviço do demônio. Considero decisivo sublinhar que nós não inventamos a família. Deus inventou a família. A família é um projeto de Deus. Nosso Senhor criou o homem e a mulher para serem o berço da vida e, depois, se tornarem o lugar em que as crianças possam crescer e aprender o alfabeto da vida. Temos que estar cegos para não enxergar isto”.
O cardeal observou que esse projeto diabólico para destruir a família já foi denunciado muitas vezes, citando como exemplo um discurso do poeta italiano Eugenio Montale em 1970, por ocasião dos 25 anos da explosão da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki. Montale disse naquele contexto:
“É justo recordar aquele momento dramático na esperança de que ele nunca mais se repita. Mas eu me sinto no dever de consciência de avisar que está explodindo a bomba atômica da família e que ela talvez deixe mais vítimas e feridos do que a explosão em Hiroshima e Nagasaki. E essa bomba está sendo colocada na mídia, apresentando falsos modelos de vida”.
Tais modelos falsos, para Comastri, estão desorientando os jovens. Em vista disso, ele propôs que meditemos as palavras de Maria durante a Anunciação:
“Maria, por meio do Anjo, recebe o chamado a uma missão que deixaria qualquer pessoa tremendo. E a resposta de Nossa Senhora é maravilhosa: disponibilidade plena. Tem raízes no ambiente espiritual da família, na educação e no exemplo dos seus pais. As famílias piedosas de Israel rezavam e meditavam os salmos todos os dias”.
Aprofundando nessa reflexão, ele mencionou o cântico do Magnificat, elevado por Maria em sua visita à prima Isabel:
“O Magnificat é uma leitura da história em que prevalece a certeza de que os humildes sairão vitoriosos. A vida é uma guerra, uma luta. Quem vencerá? Vencerão os humildes, os bons, os puros, os misericordiosos. Maria diz isso no Magnificat, porque tem certeza de que Deus tem a última palavra”.
Comastri recordou ainda uma constatação da Santa Madre Teresa de Calcutá:
“Faz algum tempo, aprendia-se na família sobre a generosidade, o altruísmo. Hoje se fortalece o egoísmo dos filhos e se colhem frutos amargos”.
E exortou:
“O que as crianças respiram em casa? Que sinais são dados às crianças? A vida é uma viagem: precisamos de sinalização no caminho. Comprometamo-nos a levar para a família um clima de fé convicta, para que as crianças, ao olharem para os seus pais, possam entender qual é a sinalização correta”.

Indígenas Xikrin abrem nova batalha judicial contra a Vale

domtotal.com
Etnia do sudeste do Pará processa mineradora por retirada de cobre em área de uso tradicional, corte irregular de castanheiras e poluição de rios que servem aldeias.
A comunidade Xikrin se divide oficialmente entre as terras Xikrin do Cateté e Trincheira-Bacajá.
A comunidade Xikrin se divide oficialmente entre as terras Xikrin do Cateté e Trincheira-Bacajá. (José Cícero da Silva/ Agência Pública)
Por Naira Hofmeister

No dia 10 de julho os indígenas Xikrin deram início a mais nova investida judicial contra a companhia mineradora Vale S.A., a terceira maior empresa do Brasil, que na semana passada anunciou volumes recordes de produção e distribuição de minério.

Parte desse resultado se deu graças ao sucesso das operações no sudeste do Pará: entre vários outros êxitos produtivos da Vale, o aumento nos volumes de cobre, no segundo semestre de 2018, ocorreu especialmente pelo “forte desempenho da operação de Salobo” − justamente o alvo da recente ação judicial dos Xikrin contra a companhia.

Salobo não é a mais antiga, nem a maior, nem a mais polêmica operação da Vale no entorno da Terra Indígena (TI) Xikrin do Cateté, mas, segundo os indígenas, está fazendo estragos consideráveis no cotidiano da etnia. Encravada no coração da Floresta Nacional de Tapirapé-Aquiri, de onde extrai 100 mil toneladas anuais de cobre, entrou em operação no ano de 2012, depois de ser alvo de denúncias dos Xikrin e de cobranças de explicações por parte do Ministério Público Federal (MPF).

Com a licença de operação de Salobo vencida, os advogados dos Xikrin querem evitar que a renovação aconteça após análise do Ibama. No xadrez jurídico que essa etnia joga nos tribunais federais contra a Vale, já existem 15 processos ativos entre as duas partes, incluindo Salobo:

“Em razão da ausência de estudos de componente indígena e pelo descumprimento de condicionantes, as licenças emitidas até agora são nulas. Apenas após a apresentação dos estudos e da oitiva das comunidades indígenas é que o Ibama deverá emitir ou não uma nova licença de operação, conforme julgue viável o empreendimento”, argumentam os representantes legais dos indígenas no processo.

Eles cobram o cumprimento de um princípio básico do direito indígena, inscrito na Constituição Federal e objeto de uma norma internacional (a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho), da qual o Brasil é signatário: serem ouvidos sobre qualquer empreendimento que incida sobre seu território, seu modo de vida ou sua cultura. Esse direito estaria representado no Estudo de Componente Indígena, que deveria ter sido feito, segundo argumentam os Xikrin, antes da emissão da primeira licença à Salobo, ainda nos anos 1990.

“A Constituição do Brasil não consagrou um estudo póstumo de impacto ambiental às comunidades indígenas; ela consagrou um estudo prévio de impacto ambiental, por meio de componente indígena específico (CF, art. 225, § 1º, IV) e os órgãos ambientais, infringindo o princípio da precaução, permitiram o funcionamento” de Salobo, lamentam os advogados na inicial da Ação Civil Pública, que tramita no Tribunal Federal da 1ª Região, em Marabá.

O processo acusa de negligência Ibama, Funai, ICMBio e Iphan por não terem exigido com suficiente ênfase que a Vale projetasse os impactos de Salobo sobre os indígenas Xikrin. Por isso são réus na ação, ao lado da Agência Nacional de Mineração (o antigo DNPM) e até do BNDES, que os Xikrin esperam impedir de financiar projetos da mineradora.

Procurados pela reportagem, os órgãos públicos enviaram notas oficiais. A do Ibama foi sucinta e citou a Funai: “No momento, o Ibama analisa o pedido de renovação da Licença de Operação (LO) do Projeto Cobre Salobo. O Instituto solicitou posicionamento técnico da Funai, órgão interveniente, sobre o cumprimento da condicionante 2.11 da LO 1.096/2012, que trata das comunidades indígenas Xikrin, e aguarda as informações”. A condicionante 2.11 impõe a “preservação da integridade física e cultural das comunidades Xikrin que apresentem interface com o empreendimento”. Para os indígenas, isso significa realizar o estudo de componente indígena; mas o texto da licença obriga a empresa apenas a “demonstrar o status” das tratativas nesse sentido em relatórios anuais.

Já a Funai defendeu que os indígenas sejam ouvidos adequadamente e que eles “têm autonomia para buscar seus direitos”. O órgão indigenista deixou explícita uma insatisfação com o processo licenciatório: “A Funai tem a obrigação de proteger e promover os direitos indígenas, buscando intervir em processos que possam afetar povos e terras indígenas. No caso, a Funai não foi consultada adequadamente ao longo do processo de licenciamento”, diz a nota.

A companhia Vale S.A. se manifestou em uma linha: “A Vale ainda não foi citada na ação”.

Cultura tradicional impactada

O fato de não haver estudo de componente indígena não é mero problema burocrático. No caso de Salobo, esse documento poderia ter alertado a companhia de que a área em que o projeto se instalou é considerada pelos Xikrin de uso ancestral, embora esteja de fato fora dos limites legais de suas terras.

Todos os anos, em novembro, os Xikrin deixam as aldeias no interior da TI Xikrin do Cateté e vão até o vértice dos rios Itacaiunas e Aquiri, onde está localizado um dos melhores castanhais da área, que eles chamam Piu Prodjô. Nesse local eles montam acampamento e permanecem até março, quando termina a safra da castanha-do-pará. Mas ao abrir as clareiras por onde passam as linhas de transmissão de energia, o mineroduto e a estrada de escoamento de Salobo, a Vale derrubou, segundo a nova ação, cerca de 300 castanheiras, que foram abaixo junto com o resto da mata que estava nesses trajetos, informação confirmada pelo ICMBio.

“Nesse ambiente de mata nativa, a mineração do Projeto Salobo se desenvolveu às custas de derrubadas de centenas de árvores castanheiras, prejudicando sobremaneira a subsistência física e cultural da comunidade Xikrin do Cateté”, ressalvam os advogados dos indígenas na peça jurídica que deu início à ação.

A Vale foi autorizada pelos órgãos ambientais [ICMBio e Ibama], o que não reduz o prejuízo indígena conforme admite o próprio ICMBio: “Todas as supressões vegetais no período de 2009 a 2018 impactam áreas de coleta dos indígenas dentro da Floresta Nacional Tapirapé-Aquiri. O fato dos indígenas da aldeia Xikrin coletarem castanha no interior da floresta é histórico e de conhecimento do órgão licenciador (Ibama), inclusive esta informação está presente nos estudos de impacto ambiental”, reitera o órgão em manifestação à reportagem.

Fora dos gabinetes de Brasília, o cacique Tunira Xikrin explicou com as suas palavras o tamanho do problema: “Lá tinha uma castanheira, todo o inverno a gente ia prá lá, mas agora já foi tudo acabado pela mineração de Salobo”.

Segundo o ICMBio, a mineradora já providenciou o plantio de 50 mil mudas de castanheiras para compensar as derrubadas e “atualmente está recompondo uma área de aproximadamente 500 hectares” − o que para os indígenas não é animador, pois a árvore demora 20 anos para começar a produzir.

Local de formação de guerreiros

O castanhal de Piu Prodjô está situado em uma área maior, que os mais velhos chamam Gnognhogô, que, além de ser referência para a coleta da castanha-do-pará abrigava, uma importante parte da preparação dos jovens Xikrin na dura caminhada para se tornarem guerreiros da etnia.

Se um menino é admitido como guerreiro, ele se torna liderança: pode assumir cargos de chefia nas aldeias e até nas associações, ganha responsabilidades perante os outros Xikrin e é respeitado de igual para igual pelos mais velhos. Mas para isso, passa por provas nas quais precisa demonstrar conhecimentos tradicionais e também resistência e valentia. Em Gnognhogô, as novas gerações recebiam ensinamentos sobre “elementos culturais e saberes tradicionais relacionados a caça, a pesca e a coleta de uma infinidade de espécies vegetais e não somente a castanha”, segundo anotou o antropólogo Waldenir Bernini Lichtenthaler, em um parecer encomendado pelo MPF em 2012 sobre o conflito.

Depois de ser treinado pelos mais velhos, um aspirante a guerreiro deve “caçar sozinho no mato sem medo de onça”, “braçar roça sozinho” e ser o último a voltar da pescaria tradicional indígena − que eles chamam “bater timbó”, em referência a um cipó abundante na região, que em contato com a água retira o oxigênio, obrigando os peixes a subir para a superfície, tornando-os mais vulneráveis às flechas dos Xikrin. Há provas mais ingênuas, como sentar sozinho no meio do nhobi (uma construção no centro da aldeia) e lá permanecer da tarde de um dia até a manhã seguinte sem comer nem beber água. Mas outras são assustadoras mesmo para os indígenas, como precisar derrubar uma casa de marimbondos da árvore e suportar sem chorar as picadas dos insetos, explicou à Pública um dos guerreiros da aldeia Djudje-kô, da TI Xikrin do Cateté, Bep-Krá.

Reduto da memória dos velhos

Os velhos, por sua vez, também se ressentem do que consideram uma invasão do território Xikrin pela Vale − eles sabem que existe uma área demarcada, mas sua memória tem registradas excursões que extrapolavam em muito esse domínio registrado oficialmente.

Em um relatório sobre a etnia, a antropóloga Isabelle Vidal anota esse fato: os Xikrin ocuparam e transitaram “por um vasto território que incluía o igarapé Sossego, o rio Parauapebas, percorrendo trilhas até o rio Bacajá”, além de terem chegado, ao sul, “até os limites da atual Terra Indígena Kayapó, chegando perto da cidade de Conceição do Araguaia”. “A oeste, transitavam por áreas que ultrapassam a região das serras do Onça e do Puma. Em toda essa região, há locais com referências históricas dos Xikrin”, completa.

Bem no ponto onde a Vale instalou Salobo, e que está fora dos limites oficiais das duas terras que a etnia habita, os velhos asseguram que estava assentada uma antiga aldeia Xikrin, a “aldeia grande” chamada Pukati ãgore.

“A aldeia Pukati ãgore está situada no caminho do Kakarekré para o Bacajá – tem um rio que chama Mruiaroti nho gnõ – rio Boto na língua de branco. Fica para lá do rio Aquiri, indo em direção ao Salobo”, registrou Bepkaroti Xikrin em entrevista a Isabelle Vidal.

Esse local guarda um cemitério indígena, e, embora os Xikrin não tenham costume de fazer culto aos ancestrais − conforme salienta o antropólogo Cesar Gordon, da Universidade Federal do Rio de Janeiro −, eles têm o hábito de fazer uma manutenção anual no local. Segundo o cacique Tunira, os indígenas limpam a área e assim prestam reverência aos mortos − é um ritual parecido com o que fazem os ocidentais católicos no Dia de Finados, quando é comum levar flores ao cemitério e limpar as lápides de entes queridos que já partiram. Mas no ano passado, quando os velhos se embrenharam na mata para essa missão, não reconheceram o caminho até o local e acabaram perdidos. “Ninguém não achou, só encontrou a estrada, tá tudo mudado, tem entrada pra trator, picada, essas coisas”, lamenta o cacique Tunira.

“Independentemente dessa ausência de elemento religioso, toda a área guarda um sentido histórico e identitário para os índios. Mesmo considerando que a região tem uma importância econômica para o país, era de se esperar da Vale e do órgão indigenista mais respeito à história dos Xikrin. Por que a Vale não ajuda a criar um projeto sério de estudo histórico e arqueológico daquela área, com produção de documentos e registros?”, provoca Gordon.

Encontro da paz

A comunidade Xikrin se divide oficialmente entre as terras Xikrin do Cateté, mais ao sul, e Trincheira-Bacajá, cujo limite norte chega quase até Altamira. No ponto em que estão mais próximas uma da outra, são cerca de 150 quilômetros de distância − exatamente pelo corredor onde foi aberta a mina de cobre e instalada a usina de beneficiamento de Salobo.

No passado, a etnia vivia toda junta, andando por esse vasto território. Mas, em algum momento do século XX, houve essa cisão e os Xikrin se dividiram entre as 13 aldeias ao norte e as três ao sul. A partir do projeto da Vale, os indígenas passaram a ser obrigados a fazer um desvio na rota tradicional para visitar os parentes. Tunira, que vive na aldeia Kateté, na TI Xikrin do Cateté, planejava visitar os avós em Trincheira Bacajá, e, mesmo se programando para sair cedo da manhã, chegaria apenas de tarde: “Vou ter de pegar a rota grande”, justificou.

Chegou a haver guerra entre os dois lados e, quando a paz finalmente se instalou, a região onde hoje está Salobo se transformou em espaço de convívio.

“É uma área reconhecida pelos mais velhos como a região de andança dos povos juntos, uma coisa que une esses povos, hoje separados por esta obra. Eles iam até esse lugar, conviviam e depois se separavam novamente”, revela a antropóloga Thais Mantovanelli, que pesquisa impactos da Usina de Belo Monte sobre os indígenas da Volta Grande do Xingu, os Xikrin de Bacajá inclusos.

Os índios se queixam ainda de que houve piora nas condições ambientais de vários rios no entorno do empreendimento e até de que os animais que caçam estão escasseando em razão do ruído provocado pela operação de Salobo. “Peixe virou punura [ruim, estragado] também. Nem dão coisa nenhuma para a gente, tão só tirando, tirando, acabando com tudo aqui”, se revolta o cacique Tunira.

A questão está em aberto até agora, conforme assinala o procurador da República Ubiratan Cazetta, que acompanha diversos processos judiciais que opõem os Xikrin e a Vale: “Há muito os Xikrin questionam essa operação. Não é difícil imaginar que é historicamente habitada por eles, embora do ponto de vista formal não esteja dentro da área demarcada. A questão toda acaba em uma pergunta: quanto o projeto influencia a área indígena? Esse é o parâmetro para se ter a consulta prévia, haver impacto comprovado. A legislação é complexa, é difícil dizer, mas eu não afastaria essa possibilidade”.

Estrangulados pela mineração

A frente contra Salobo não é a única batalha dos Xikrin contra a Vale na região da bacia do Itacaiunas, onde está localizada a TI Xikrin do Cateté. Eles questionam também a operação de Onça Puma, acusada de contaminar com metais pesados as águas do rio que é o centro da vida dessa comunidade e dá nome à sua terra − o Cateté. Esse processo está em fase de perícia técnica, que pode detectar com precisão os impactos da extração e beneficiamento de níquel sobre o rio.

Eles se voltaram também contra S11D, que a empresa apresenta na internet como “o maior projeto de mineração do mundo”, e discutem, ainda, na Justiça, um mecanismo capaz de garantir que as compensações financeiras que a Vale paga pelo empreendimento mais antigo na região − Ferro Carajás − sejam aplicadas segundo uma lógica comunitária pelos indígenas, com o objetivo de assegurar a futura autonomia produtiva e econômica da etnia.

Mas a Vale possui 14 empreendimentos em funcionamento no entorno da TI Xikrin do Cateté. Embora todos tenham impacto sobre o modo de vida tradicional dos Xikrin, não há nenhum cálculo sobre a ação em conjunto desses projetos na vida indígena. Eles se sentem estrangulados pela mineração, que reduz suas possibilidades de deslocamento fora dos limites estabelecidos e é fator de poluição de ar e água na região. No caso em questão, as vistorias do Ibama no igarapé Salobo e no rio Itacaiunas, em trechos próximos à lavra e à usina, revelaram turbidez maior nas águas, o que pode modificar as características de fauna e flora aquáticas. Também foram registrados níveis de elementos químicos e de metais acima dos permitidos − a empresa foi alertada para tomar providências. Os Xikrin temem que esses cursos d’água acabem como o próprio Cateté, rio que dá nome à TI e que apresenta volumes de metais pesados incomuns em seu leito desde que Onça Puma entrou em operação. Uma complexa perícia técnica está em andamento para estabelecer a responsabilidade da mineradora na contaminação.

“Os impactos como um todo são cumulativos. Há Onça Puma, Salobo, um conjunto de operações que não podem ser vistas autonomamente, porque fecham um bloco de influência que atinge a comunidade”, concorda o procurador da República Ubiratan Cazetta.

Entretanto, nem os estudos de impacto nem as decisões judiciais levam em consideração essa sinergia de projetos. “Nesse aspecto, eles estão invisibilizados”, lamenta o representante do MPF.

A profusão de jazidas minerais nessa região habitada pelos Xikrin foi, inclusive, responsável pela retirada de uma parcela de suas terras a oeste, onde hoje está localizada a Mineração Onça Puma, fatos já denunciados pelos indígenas.

“Se olhar o mapa de mineração, essa terra indígena está inteiramente requisitada pelas empresas: tanto dentro como fora de seus limites, no entorno, ela está todinha cheia de requerimentos”, alerta a coordenadora do programa de monitoramento de áreas protegidas do Instituto Socioambiental (ISA), Fany Ricardo.

De fato, o levantamento anual da entidade sobre interesses minerários em terras indígenas mostra que 99% do subsolo dentro da TI Xikrin do Cateté já possui protocolos formalizados na Agência Nacional de Mineração para extração de minérios. Onça Puma, por exemplo, que opera lavras a poucos quilômetros da borda da reserva, já possui alvos registrados dentro de seus limites − e eles são muito maiores do que os explorados atualmente.

Por enquanto, a mineração em terras indígenas está vedada porque falta regulamentar um artigo da Constituição Federal que organiza a atividade, assegurando a soberania dos povos silvícolas sobre a decisão e a participação deles nos resultados financeiros de mineradoras.

Agência Pública, 30-07-2018.

Hélio Bicudo, um dos autores do impeachment de Dilma, morre aos 96 anos

 por esmael
O jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, morreu nesta terça-feira (31) aos 96 anos.
Apesar de ser um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), Bicudo não titubeou em assinar a petição para derrubar a presidenta eleita juntamente com Janaina Paschoal e Miguel Reale Junior.

Após o golpe contra Dilma, Hélio Bicudo mostrou arrependimento. Na montagem do ministério por Michel Temer, o jurista disse que Geddel Vieira Lima (MDB-PR) jamais deveria ter cargo no governo.

Há mentes parvas dizendo que Bicudo ‘se foi’ ao saber que Janaina seria vice de Jair Bolsonaro (PSL).

Hélio Bicudo morreu na manhã de hoje em sua casa, nos Jardins, em São Paulo.

Netflix garante 'final à altura' para 'House of Cards' sem Kevin Spacey

 domtotal.com
A nova fase da série foca em Robin Wright, que interpreta a inescrupulosa esposa de Frank, Claire.
Cena da série House of Cards, quinta temporada.
Cena da série House of Cards, quinta temporada. (Divulgação)
Por Lisa Richwine

Uma executiva da Netflix prometeu no domingo um "final à altura" para a elogiada série política da plataforma "House of Cards", mas não divulgou como os produtores do programa vão explicar a saída do protagonista Kevin Spacey após escândalo sexual.

"House of Cards" fez o nome da Netflix como produtora de conteúdo original quando foi lançada em 2013, estrelando Spacey como o ambicioso político Frank Underwood. A nova fase da série foca em Robin Wright, que interpreta a inescrupulosa esposa de Frank, Claire.

"Estamos muito orgulhosos da série, e é um final à altura", disse Cindy Holland, vice-presidente de séries originais da Netflix, respondendo a uma pergunta durante evento da associação de críticos de TV, onde emissoras promovem novos programas.

"Sempre planejamos para a sexta temporada ser a última, e estamos orgulhosos do trabalho de Robin" e do resto do elenco e da equipe, acrescentou. A plataforma de streaming ainda não anunciou a data de estreia da nova temporada.

"House of Cards" foi um divisor de águas para a televisão, com a Netflix lançando todos os episódios da primeira temporada de uma única vez. A série foi amplamente elogiada pela crítica.

Em novembro de 2017, a Netflix cortou laços rapidamente com Spacey após alegações de assédio sexual. O ator foi acusado por mais de 20 homens e não fez nenhuma declaração pública desde que pediu desculpas sobre o primeiro caso em outubro de 2017.

Cinco anos após apostar em "House of Cards", a plataforma pretende lançar cerca de 700 séries, filmes e outros conteúdos originais em todo o mundo neste ano. A grande quantidade tem levantado dúvidas sobre se a Netflix pode continuar produzindo programas com alto nível de qualidade.

"Estamos mantendo a qualidade à medida que crescemos contratando talentos brilhantes que são apaixonados pelas histórias que querem contar e os dando espaço criativo".

Reuters

Lula poderá aparecer no horário eleitoral da TV, diz advogado

31 de julho de 2018 por esmael


O advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira afirma que a Lei Eleitoral garante a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no horário eleitoral gratuito.


Portanto, segundo o jurista, é falsa a ideia de que “ex officio” os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderão barrar a aparição do petista no programa de TV do PT.

Segundo Pereira, o artigo 16-A da Lei Eleitoral permite que candidato “cujo registro esteja sub judice” participe de “todos os atos” da campanha, inclusive na TV.

“Excluir o ex-presidente seria descumprir o rito processual”, rebate o advogado de Lula.

A propaganda no horário eleitoral começa no próximo dia 31 de agosto. O PT anunciou o registro do ex-presidente dia 15 de agosto, em Brasília, durante uma marcha até o TSE.

Inácio, o santo peregrino na busca da vontade de Deus

domtotal.com
Dia 31 de julho é a festa de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, (Jesuítas).
Inácio foi um peregrino de Deus, um buscador da vontade divina.
Inácio foi um peregrino de Deus, um buscador da vontade divina. (Reprodução)
Por Carlos César Barbosa, SJ*

A vida dos santos sempre nos provoca de algum modo. Seja pelo heroísmo, pelo martírio, pela humildade, pela audácia, ou pela síntese desses e outros tantos méritos. Contemplar a vida de um santo hoje deveria nos desafiar. Não se trata de começar por onde os santos terminaram, mas de trilhar um caminho próprio à luz do encontro pessoal com Cristo e seu projeto de Reino. Como seria bom se os muitos santos e santas que ostentamos em nossos altares nos inspirassem mais que apenas devoção e piedade. Contemplar a vida dos santos é aprender deles e fazer despertar em nós o desejo de viver a radicalidade do Evangelho, nas coisas simples do nosso cotidiano e frente às dificuldades de nosso tempo.

Dia 31 de julho é a festa de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, (Jesuítas). Ele foi um desses homens que em seu tempo, uma vez se encontrado com o Cristo pobre e humilde, desejou segui-lo.

Nascido em Azpeitia, Espanha, em 1491, Íñigo, que adotaria o nome de Inácio, seguiu carreira militar, mas ao cair ferido na batalha de Pamplona, em 1521, teve sua vida mudada radicalmente. Durante sua recuperação, em Loyola, quis ler livros de cavalaria, porém, na casa em que estava os únicos livros que havia eram a Vida de Cristo e a Vida dos Santos. Sem muito interesse, começou a ler e acabou tomando gosto pela leitura. O jovem Inácio sentiu-se provocado a tal ponto pela vida dos santos, que sentiu o desejo de imitá-los em suas façanhas. Ele pensava consigo: "E se eu fizesse isso que fez São Domingos? Ou isto que São Domingos praticou?”. A partir desse episódio, Inácio trilhará um longo caminho de conhecimento de si, de Deus e do mundo, que o transformará por inteiro, levando- o a se tornar o santo que conhecemos hoje. Passando os seus últimos anos em Roma, governando a Companhia de Jesus, Inácio morreu em 31 de julho de 1556 e, em 1622, foi canonizado pelo papa Gregório XV, no mesmo dia que outros grandes santos: Isidoro Lavrador, Teresa de Ávila, Felipe Neri e Francisco Xavier.

Olhando para a história de Inácio podemos nos perguntar o que a sua vida pode nos inspirar ainda hoje. Para ficarmos em apenas dois pontos, dos muitos que mereceriam ser destacados, deixemos nos provocar pelo Inácio Peregrino, que busca sempre encontrar a vontade de Deus em sua vida e em seus projetos.

Inácio foi alguém em constante peregrinação interior, acompanhada muitas vezes de uma peregrinação exterior, tanto que em sua autobiografia, ele é identificado como “o Peregrino”, pois a sua vida nova começa justamente com uma partida, com o pé na estrada. Em 1522, ele abandona sua casa em Loyola para ir a Jerusalém, passando por experiências significativas em Montserrat e Manresa. A peregrinação do santo continuou pela Itália, onde visitou Veneza e Roma, passando pelo Chipre e embarcando, por fim, para a Terra Santa.

Ao ler a experiência do peregrino, trazendo-a para os nossos dias, podemos dizer que peregrinar hoje é mais do que traçar longos caminhos e empreender grandes viagens. Ao exemplo de Inácio, é dar um passo a mais, encontrar o novo e estar sempre em busca da “maior glória de Deus”. O Inácio Peregrino contempla a novidade do caminho e vive com profundidade, até os limites extremos. Ele vive o despojamento radical de si e de tudo o que tem. Tornar-nos peregrinos é contemplar uma face nova da nossa vida, é sair da acomodação ou, ainda, como lembra Dom Helder Câmara, “é parar de dar voltas ao redor de nós mesmos, como se fossemos o centro do mundo, da vida; é não deixar bloquear nos problemas do pequeno mundo a que pertencemos, pois, a humanidade é maior”.

Um segundo ponto da vida de Inácio que pode nos iluminar hoje é buscar e encontrar a vontade de Deus, à luz do discernimento. Em 1538, Inácio e seus primeiros companheiros chegam a Roma para se colocarem à disposição do Papa para que ele os enviasse aonde julgasse mais útil. Eles, portanto, teriam que decidir se iriam permanecer unidos enquanto grupo de amigos e de qual modo se daria isso. Surge então um grande questionamento: qual será a vontade de Deus para cada um e para todo o grupo?

Nesse processo de descoberta da vontade de Deus esteve presente o discernimento, a oração e a escuta atenta de si, dos outros e de Deus. Tal processo de busca e discernimento culminou na fundação da Companhia de Jesus, que acabou sendo aprovada pelo papa Paulo III em 1527.

Nossa vida, igual a de Santo Inácio, também se vê envolta por questões que exigem discernimento e a busca da vontade de Deus, que nem sempre se apresenta de modo claro e explícito. Sucessiva e indefinidamente, as dificuldades surgem e devemos solucioná-las. Então também podemos nos perguntar: como buscar e encontrar a vontade de Deus, em meu cotidiano, em  meus projetos? Esse exercício de fé e confiança passa por nossa liberdade e por nossas decisões. Aqui, cabe o constante exercício do discernimento, da oração e da escuta: de si, do outro e escuta de Deus. Que espaço e protagonismo Deus tem tido em minhas decisões, dúvidas e questionamentos? Como tenho buscado e encontrado a sua divina vontade? É sempre oportuno nos perguntarmos.

Inácio foi um homem com os defeitos e qualidades próprios do seu povo e de sua época. Nós também o somos hoje. Inácio foi um peregrino de Deus, um buscador da vontade divina, alguém que escutou e discerniu constantemente, que transmitiu sua experiência, que se apaixonou por Cristo e inspirou outros tantos a fazerem o mesmo. E isso nós também podemos fazer, em nosso tempo, em nosso cotidiano, do nosso modo.

*Carlos César é graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Estudou na Universidad de La República (UdelaR), em Montevideo. Atualmente estuda na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte. (FAJE); é jesuíta. E-mail: carloscesarsj@outlook.com

Novo tour virtual nos Museus Vaticanos



Esta visita virtual à Capela Niccolina e à Sala dos “Chiaroscuri”, soma-se a outras já existentes no site dos Museus Vaticanos.
Cidade do Vaticano

A Capela Niccolina e Sala dos “Chiaroscuri” dos Museus Vaticanos estão agora acessíveis ao grande público, graças aos dois novos passeios virtuais a 360 ​​graus, recém disponibilizados no site oficial dos Museus do Papa.

Graças à moderna tecnologia, também os  espaços museológicos normalmente não visitados, serão acessíveis virtualmente aos visitantes de todo o mundo, que agora poderão chegar ao coração do Palácio Apostólico, para mergulhar na beleza arquitetônica e artística da Capela, obra-prima do Beato Angelico, e da Sala adjacente, usada no século XVI para "consistórios secretos" do Pontífice.

A presença de imagens de alta resolução, bem como a possibilidade de dar zoom nos detalhes, permitem ao visitante viver uma experiência envolvente e emocionante.

O tour virtual da Capela Nicolina e da Sala “Chiaroscuri” soma-se aos já há muito tempo disponível para muitos outros ambientes do museu, das Salas de Rafael à Capela Sistina, do Museu  Chiaramonti ao Pio Clementino e ao Braço Novo.

https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2018-07/museus-vaticanos-tour-virtual-capela-niccolina-sala-chiaroscuri0.html#play

Santo Inácio de Loyola: o jesuíta apaixonado por Deus

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Na celebração da memória do fundador da Companhia de Jesus, recordaremos a figura de Santo Inácio, o seu carisma e a grande atualidade dos Exercícios Espirituais.
Cidade do Vaticano

“Como Santo Inácio de Loyola, coloquemo-nos ao serviço do próximo”, esta é a essência da mensagem que Papa Francisco, o primeiro Pontífice jesuíta, escreveu no seu twitter, um ano atrás. O fundador da Companhia de Jesus era um homem que, antes do encontro com Jesus, amava o poder e a mundanidade, mas depois, com dedicação, estudo e ouvindo a Palavra de Deus entregou-se à sua vontade.
Obediência, liberdade do coração
Em Roma, na Igreja de Jesus, onde se encontra o túmulo de Santo Inácio, o padre Jean Paul Hernandez o descreve como “um homem que dá preferência ao processo e a dinâmica”, “em saída” como Papa Francisco gosta de afirmar. “O centro do carisma do jesuíta – afirma – é a obediência que é a liberdade do coração. O jesuíta é um homem entregue a Deus que aplica um estilo: analisa a realidade na qual se encontra, aprofunda-a, reza e faz o discernimento”. Neste processo são fundamentais os Exercícios Espirituais, codificados na metade do século XVI, ainda hoje de grande atualidade. “Praticado não só pelos religiosos – explica padre Hernandez – mas também pelos leigos que se inspiram na espiritualidade inaciana e pelos irmãos ortodoxos”.

Estilo jesuíta
“O estilo do jesuíta faz com que cada um se especialize no âmbito ao qual é chamado – acrescenta o religioso – por isso nos dedicamos à nova evangelização, aos desafios do saber atual, mas também aos migrantes que representam a emergência dos nossos tempos”.

O Centro Astalli (Serviço dos Jesuítas para os Refugiados) que se encontra próximo da Igreja de Jesus em Roma, é uma das muitas respostas colocadas em campo pelos jesuítas, cerca de 17 mil presenças em 100 nações do mundo.

Santo Inácio
Nasceu em Azpeitia, região basca ao norte da Espanha, em 1491 e faleceu em Roma em 1556. Caçula de 13 irmãos, era destinado à vida sacerdotal, mas o seu desejo era a carreira militar. Foi a Castilha onde recebeu esmerada formação tornando-se exímio cavaleiro na corte do ministro do rei Fernando II de Aragão, o Católico. Ferido em batalha em 1520, foi obrigado a uma longa convalescência no Castelo de Loyola, como não havia livros de Cavalarias – seus preferidos – Inácio começou a ler, com relutância, textos religiosos que o fizeram encontrar Deus.

Um momento que mudou a sua vida, levando-o mais tarde a fundar a Companhia de Jesus aprovada pelo Papa Paulo III em 1538. Por obediência ao Pontífice, Inácio permaneceu em Roma para coordenar as atividades da Companhia e para se dedicar aos pobres, aos órfãos e os doentes, a ponto de ser chamado de “apóstolo de Roma”. Seus restos mortais estão conservados na Igreja de Jesus.

Assim foi a ordenação de um sacerdote dentro de uma prisão no México [FOTOS e VÍDEO]

Por David Ramos
Arcebispo de Monterrey, Dom Rogelio Cabrera, ordenou Pe. Gabirel Zul Mejía no Centro de Reabilitação Social (CERESO) de Apodaca. Foto: Arquidiocese de Monterrey.

Cidade do México, 30 Jul. 18 / 03:00 pm (ACI).- O Arcebispo de Monterrey (México), Dom Rogelio Cabrera, ordenado sacerdote Gabirel Zul Mejia dentro de uma prisão na sexta-feira, 27 de julho.

A ordenação, celebrada ao meio-dia no Centro de Reabilitação Social (CERESO) de Apodaca, localizado no estado de Nuevo León, foi a primeira realizada dentro de uma prisão.
Ordenação de Pe. Gabirel Zul Mejía, presidida pelo Arcebispo de Monterrey, Dom Rogelio Cabrera. Foto: Arquidiocese de Monterrey.
Foi o próprio Pe. Zul Mejía que pediu para ser ordenado dentro de uma prisão. Conhecendo a dura história de vida do novo sacerdote, Dom Cabrera aceitou seu pedido.

Pe. Gabirel Zul Mejía cresceu em um bairro pobre de Monterrey, no norte do México, e desde pequeno se envolveu na violência das quadrilhas.

Esta violência o levou a permanecer alguns dias na prisão. Mas ali, no local menos esperado para ele, sentiu de perto a misericórdia de Deus.

“Foi onde eu tive o meu encontro com Deus”, disse há um mês o sacerdote recém-ordenado. “Os irmãos internos realizaram comigo o que eu conheço agora como obras de misericórdia”, assegurou.

Algum tempo depois, ele se aproximou da Igreja e sentiu o chamado da vocação. Depois de 10 anos de formação, finalmente chegou o dia da sua ordenação.

Ao presidir a Missa e a ordenação de Pe. Zul Mejía, Dom Cabrera destacou que, "de alguma maneira, este lugar é a Catedral de Monterrey que se transfere a este edifício, porque onde está a Igreja, está a Eucaristia, e onde está a Eucaristia, está o sacerdote".

O Prelado encorajou o novo sacerdote a lançar o olhar para longe com esperança, amar sem exclusões e celebrar a Eucaristia, “porque tudo o que você fizer deve se referir à Eucaristia".

Além disso, destacou que o seu amor deve ser “sem preconceito, sem condenações, não excludente, que olhe para as pessoa pelo valor que elas têm.

"Ânimo, Gabirel, Deus coloca nas tuas mãos tesouros inimagináveis", expressou.

Arcebispo de Monterrey, Dom Rogelio Cabrera, preside a Missa e a ordenação sacerdotal no Centro de Reabilitação Social (CERESO) de Apodaca. Foto: Arquidiocese de Monterrey.

Depois da celebração da Missa, Pe. Zul Mejía entregou bíblias e terços aos internos.

Dom Rogelio Cabrera anunciou em sua conta de Twitter que o novo sacerdote "dedicará grande parte do seu ministério à pastoral penitenciária" e encorajou os fiéis a "rezar por ele".