"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 30 de dezembro de 2017

Calendário paroquial 2017 – Paróquia de Santo Afonso (Fortaleza – Ceará)

 Os principais eventos da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Fortaleza – Ceará, organizados pelos movimentos e pastorais  para o ano de 2017.

















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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Pe. Geovane Saraiva na Revista digital mais completa do Brasil

http://domtotal.com/noticia/1176309/2017/08/tesouro-maior/








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sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Lula tem 42% das intenções de voto e lidera nova pesquisa para 2018

Jeová Rodrigues  17 de novembro de 2017 12:29
Levantamento realizado pela CUT/Vox Populi apontou ainda que ex-presidente venceria todas as simulações de segundo turno

Publicado em 17/11/2017

Foto: Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a aparecer na liderança, com 42% das intenções de voto, na nova pesquisa realizada pela CUT/Vox Populi. O resultado se soma ao dos institutos Ibope e Datafolha, que também mostram Lula na liderança e com vitória em todos os cenários simulados para o segundo turno. A pesquisa também apontou o Lula como o presidenciável com menor índice de rejeição entre os nomes testados.

O levantamento, realizado entre 27 e 30 de outubro, apontou em segundo lugar o deputado federal Jair Bolsonaro, com 16%. Os demais possíveis presidenciáveis aparecem com menos de 8%. De acordo com a Vox Populi, Lula tem 39% de rejeição, enquanto Bolsonaro alcançou a marca de 60%.

Na sondagem de intenções de voto, a ex-ministra Marina Silva alcança o terceiro lugar com 7%, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aparece em seguida com 5%, seguido por Ciro Gomes com 4%.

A pesquisa CUT/Vox Populi ouviu 2 mil brasileiros em 118 municípios.

Segundo turno

Lula venceria no segundo turno todos os adversários testados na pesquisa, alcançando 49% contra Bolsonaro, com 21%, e 48% contra Marina, com 16%. Contra Alckmin, Lula vence por 50% a 14%, contra João Doria ele registra 51% a 14%, e Luciano Huck, 50% a 14%.
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O FUTURO É DE ESPERANÇA

salaaulahor252Guie uma criança pelo caminho que ela deve seguir e guie-se por ela de vez em quando. (Josh Billings)
Por Nei Alberto Pies*

Nós adultos, que somos professores, pais, mães, avôs, avós, tios, tias e temos a responsabilidade de sinalizar que os dias de amanhã serão melhores, com mais esperança, amor, solidariedade, compaixão.

As crianças, por sua vez, nos animam com sua presença, singularidade e vida. Demonstram, todos os dias, sensibilidade, ingenuidade e doces encantos que não nos deixam desanimar. A responsabilidade de anunciar esperanças é sempre nossa, não podemos fugir desta responsabilidade.

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A recíproca das crianças é reconhecer que seus pais, seus professores, suas famílias e suas comunidades trabalham muito para lhes dar o melhor que podem. As crianças retribuem com o que de melhor possuem: seu carinho, seus abraços, seus inocentes pedidos e desejos de uma vida sem males e sem violência.

Precisamos treinar sensibilidades para sermos capazes de anunciar esperanças. Os movimentos que percebem a vida, o amor, a felicidade geram boas percepções de vida, de ser humano e de beleza. Estes movimentos são próprios daqueles que tem olhos para ver, ouvidos para ouvir e boca para falar, serenamente. O contrário é autosuficiência, arrogância e prepotência, qualidades que não cativam e não agregam mais ninguém.

Sejamos capazes de oferecer, todos os dias, o melhor do que somos, por amor às nossas crianças, adolescentes e jovens. Ofertemos a elas luzes de esperança, forjadas na luta cotidiana de nossa superação pessoal e profissional. Se os adolescentes sonham em transformar o mundo, mostremos a eles caminhos de saudável rebeldia, esta arrebatadora força que move causas, sonhos e desejos em todos nós. Se os jovens acreditam no poder do conhecimento, os estimulemos a fazerem suas buscas e suas escolhas, com liberdade.

Creiamos que cada ser humano possui as mais ricas e únicas possibilidades de superar-se. Como na educação, na política, nas igrejas e nas escolas só deveriam atuar aqueles que, acima de suas vaidades e interesses, são capazes de acreditar que todo ser humano é capaz de superar-se em todos os seus contextos, singularidades e peculiaridades. Para isto servem a política, a religião e a educação: propiciar instrumentos e possibilidades às pessoas para sua liberdade, sua felicidade e sua emancipação.

Afirmemos ainda a “política” para a vida não desesperar. As verdadeiras mudanças passam por soluções coletivas, não pelo desespero ou “mérito” individual. A política é regra para a solução dos problemas da humanidade, não exceção que se aplica quando esgotamos o nosso egoísmo.

“Quem luta, também educa”. Quem ama, também educa. Quem não se acovarda de suas responsabilidades, ganha mais vida na dignidade, justamente por assumir-se como é. Quem educa com amor segue acreditando que educação não é um fim, mas meio para estimular os mais loucos desejos do ser humano: a felicidade. E não aceita que o mundo será de desesperança, pois o mundo sempre será aquilo que sonhamos que seja.

*Nei Alberto Pies é professor e escritor.
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O julgamento de ex-coronel poderia trazer detalhes do massacre dos jesuítas em 89

domtotal.com
A impunidade neste caso prevaleceu por quase 30 anos.
A impunidade neste caso prevaleceu por quase 30 anos. (CNS photo/Edgardo Ayala).

Em 16 de novembro, 28 anos atrás, seis jesuítas espanhóis, sua cozinheira e sua filha foram assassinados na Universidade da América Central (U.C.A.) por militares salvadorenhos treinados e equipados pelos EUA. Após quase três décadas de impunidade, a próxima extradição e julgamento de um ex-coronel salvadorenho e vice-ministro da segurança pública, acusado como um dos autores do massacre, poderia trazer à luz os principais detalhes do caso e ajudar a trazer justiça às vítimas.

"Para mim, pessoalmente, é interessante ver como as estrelas estão se alinhando para melhorar a justiça em El Salvador", diz Almudena Bernabeu. A Sra. Bernabeu é a principal advogada internacional do caso de massacre jesuíta, co-fundadora e diretora da Guernica37 International Justice Chambers e ex-diretora do Programa de Justiça Transitório no Centro de Justiça e Responsabilidade.

"Nosso objetivo é defender as famílias das vítimas, mas também criar pressão sobre o sistema judicial de El Salvador", explica.

Em 2011, Madrid emitiu um pedido de extradição de 17 membros do Alto Comando das Forças Armadas de El Salvador, suspeito de ter desempenhado um papel no massacre. Pois vários dos jesuítas assassinados eram espanhóis. El Salvador recusou-se a cumprir, mas os Estados Unidos concordaram em extraditar um dos altos comandantes que esteve morando estes últimos anos em solo dos EUA: o coronel Inocente Montano, atualmente detido em uma prisão federal na Carolina do Norte.

O Sr. Montano veio aos Estados Unidos no início dos anos 2000 e trabalhou em uma fábrica de doces. Dez anos depois, ele foi detido e preso por fraude e perjúrio de imigração. Isso significa que se ele não for extraditado para a Espanha, ele pode ser deportado para El Salvador.

A Sra. Bernabeu vem fazendo esforços solicitando a extradição de Montano para a Espanha desde 2008. Ela tentou vencer o relógio e evitar que Montano seja enviado de volta para El Salvador. "Se ele for para El Salvador, não haverá justiça", diz ela, por corrupção e impunidade no sistema judicial de El Salvador.

A impunidade neste caso prevaleceu por quase 30 anos, já que muitos indivíduos de alto perfil e incriminados ainda estão ligados ao poder. O padre jesuíta José Maria Tojeira, testemunha do massacre, provincial e amigo dos últimos jesuítas, pressionou pela investigação sobre os assassinatos no início da década de 1990.

Dos nove membros do exército salvadorenho envolvidos no massacre, apenas dois foram condenados, cada um foi condenado a 30 anos de prisão. Eles foram liberados após cumprir apenas um ano, após a adoção do esforço de amnistia de El Salvador. "Aqui, em El Salvador, a justiça depende do poder executivo", diz o padre Tojeira à América.

A corrupção desse poder já existia em 1989 em El Salvador, quando a guerra civil ainda estava no seu ápice no país. Naquela época, os jesuítas "estavam trabalhando para negociar acordos de paz e também defendiam os direitos humanos dos mais pobres", diz o padre Tojeira.

O Padre Ellacuría, diretor da U.C.A. e uma das vítimas do massacre, desempenhou um papel crucial no processo de paz do país. "O Estado, e especialmente os militares, não gostaram do seu trabalho em negociações de paz, nem as denúncias de violações dos direitos humanos", explica o padre Tojeira. O exército salvadorenho alegou que as universidades U.C.A. estavam apoiando os rebeldes das F.M.L.N. e a agenda das guerrilhas.

Poucos dias antes do assassinato, as tensões cresceram em San Salvador depois que rebeldes lançaram um ataque à capital e as advertências de bombas se multiplicaram em todo o país. "A estação de rádio nacional, que pedia sistematicamente que o arcebispo e o bispo auxiliar, agora cardeal Rosa, fossem mortos, então pediram o assassinato dos jesuítas também", diz o padre Tojeira.

Na noite do dia 16 de novembro, um batalhão de elite do Exército salvadorenho entrou na U.C.A. e disparou contra sacerdotes e testemunhas civis. O massacre desmoralizou a maioria dos salvadorenhos - os jesuítas representavam a esperança de melhorar os direitos humanos e uma saída pacífica para a guerra.

Os assassinatos provocaram indignação internacional. Após o assassinato, os Estados Unidos reduziram seu apoio financeiro e treinamento militar das forças armadas de El Salvador. Isso, por sua vez, incentivou o governo a aceitar as negociações de paz.

A Sra. Bernabeu confia em que o Sr. Montano será julgado na Espanha nos próximos meses. Ao longo dos anos, os tribunais dos Estados Unidos rejeitaram os apelos de Montano e o Departamento de Estado assinou sua extradição.

"O último cartão da defesa de Montano foi apresentar um recurso extraordinário perante o Supremo Tribunal, mas todos sabem que isso tem poucas chances de passar", diz ela. Funcionários do Departamento de Justiça dos EUA dizem que esses tipos de recursos são rapidamente resolvidos. "Eu gosto de acreditar que ele estará na Espanha antes do final do ano", diz ela. Bernabeu acredita que não haverá mais obstáculos legais para sua extradição e julgamento.

Uma vez que a audiência começar, o tribunal superior da Espanha considerará os documentos desclassificados e o relatório da Comissão da Verdade das Nações Unidas para El Salvador. O caso também reunirá muitos testemunhos, incluindo o do padre Tojeira.

A Sra. Bernabeu espera que este caso leve a justiça a um crime contra a humanidade não resolvido, mas também ajude a lutar contra a impunidade em El Salvador. "Para um país, é difícil aceitar quando seus criminosos estão sendo julgados em outros tribunais...". Ninguém quer que seus criminosos sejam julgados em outro lugar", diz ela. "A pressão internacional para investigações, processos e extradições, neste caso, provenientes da Espanha e dos Estados Unidos, sacode as instituições de um país, inclusive quando a impunidade é desenfreada", explica. "Esperamos que as coisas melhorem em El Salvador".


America The Jesuit Review. Tradução: Rámon Lara
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Cúpula do Clima: países se comprometem a abandonar carvão

 domtotal.com
Cerca de vinte países, anunciaram na COP23, que pretendem abandonar o uso do carvão na próxima década.
Das energias de origem fóssil, o carvão é a primeira fonte de eletricidade do mundo, mas também é a mais nociva para o clima.
Das energias de origem fóssil, o carvão é a primeira fonte de eletricidade do mundo, mas também é a mais nociva para o clima. (Divulgação).

Liderados pelo Canadá e a Grã-Bretanha, cerca de vinte países anunciaram nesta quinta-feira, na conferência do clima da ONU (COP23), que pretendem abandonar o uso do carvão na próxima década.

Das energias de origem fóssil, o carvão é a primeira fonte de eletricidade do mundo, mas também é a mais nociva para o clima.

Além da Grã-Bretanha e Canadá, a "Aliança para o Abandono do Carvão" foi assinada, entre outros, pela Bélgica, El Salvador, Finlândia, França, Itália, Ilhas Marshall, Portugal, México e curiosamente vários Estados americanos (Havaí, Califórnia, Nova York, Oregon e Washington).

Além deste anúncio, a reunião de Bonn prossegue com os Estados Unidos no centro das atenções, pois uma representante do governo de Donald Trump deve defender a decisão de seu país de abandonar o Acordo de Paris contra as Mudanças Climáticas.

A subsecretária de Estado interina, Judith Garber, será a encarregada de explicar a política americana a respeito do clima.


AFP
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A eutanásia sempre é ilícita porque procura a morte, afirma o Papa Francisco

Por Álvaro de Juana


Papa Francisco. Foto: Daniel Ibáñez/ ACI Prensa - Imagem referencial: Wikipedia Calle amanhece CC-BY-SA-3.0)


Vaticano, 17 Nov. 17 / 10:00 am (ACI).- O Papa Francisco recordou a posição da Igreja em relação à eutanásia ao assegurar que “é sempre ilícita porque propõe interromper a vida, procurando a morte”.

O Papa fez esta declaração em uma mensagem ao presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Vincenzo Paglia, e aos participantes do Encontro Regional Europeu da World Medical Association, que analisa nesses dias o sentido da vida.

O Santo Padre assegurou que as questões sobre o sentido da vida terrena “são questões que sempre desafiaram a humanidade, mas hoje assumem novas formas devido à evolução das consciências e dos instrumentos técnicos que são possíveis graças à inteligência humana”.

“O remédio, de fato, desenvolveu uma maior capacidade terapêutica, que permitiu acabar com muitas doenças, melhorar a saúde e prolongar o tempo de vida”.

Também é possível “prolongar a vida em condições que, no passado, nem podíamos imaginar”. Entretanto, essas intervenções no corpo humano “podem sustentar funções biológicas insuficientes ou inclusive substituí-las, mas isso não significa promover a saúde”.

Francisco recorda que o Papa Pio XII afirmou que “não é obrigatório usar sempre todos os meios terapêuticos potencialmente disponíveis e que, em certos casos, é lícito abster-se”.

Portanto, “é moralmente lícito renunciar à aplicação de meios terapêuticos, ou suspendê-los, quando o seu emprego não corresponde àquele critério ético e humanista que será mais tarde após definido ‘proporcionalidade dos tratamentos’”.

“Consciente então, toma uma decisão qualificada moralmente como renúncia à ‘obstinação terapêutica’”.

O Papa recordou que o Catecismo assegura que “não se pretende dessa maneira procurar a morte: se aceita não poder impedi-la”. “Essa diferença de perspectiva devolve à humanidade o acompanhamento da morte, sem abrir justificativas à supressão da vida”.

“Vemos bem que não colocar em prática os meios desproporcionais ou suspender o uso é equivalente a evitar a ‘obstinação terapêutica’, ou seja, realizar uma ação que tem um significado ético completamente diferente da eutanásia, que permanece sempre ilícita, enquanto propõe interromper a vida, buscando morte”.

O Pontífice também se mostra consciente de que, para “estabelecer, seja uma intervenção médica clinicamente apropriada ou efetivamente proporcionada, não é suficiente aplicar mecanicamente uma regra geral”.

Para isso, é necessário ter um “atento discernimento que leva em consideração o objeto moral, as circunstâncias e as intenções dos sujeitos envolvidos”.

“A dimensão pessoal e relacional da vida – e do próprio morrer, que é sempre um momento extremo do viver – deve ter, no cuidado e no acompanhamento do doente, um espaço adequado à dignidade de ser humano”.

O Papa destaca também que “as decisões devem ser tomadas pelo paciente em diálogo com os médicos, de avaliar os tratamentos que lhe são propostos e julgar a sua efetiva proporcionalidade na situação concreta, renunciando a eles se tal proporcionalidade fosse reconhecida como ausente”.

Por outro lado, o Santo Padre denuncia que alguns tratamentos só podem ser pagos pelas pessoas que têm condições econômicas, algo que é “bem visível mundialmente, comparando os diferentes continentes”.

Além disso, convida a que cada um “dê amor na forma que lhe é própria: pai, mãe, filho, filha, irmão ou irmã, médico ou enfermeiro”. “Embora saibamos que nem sempre podemos garantir a cura da doença, devemos prestar atenção na pessoa que sofre”.

Francisco também assinala que a “medicina paliativa” “assume uma grande importância também no plano cultural, empenhando-se em combater tudo aquilo que torna o morrer mais angustiante e sofrido, ou seja, a dor e a solidão”.

O Estado “não pode renunciar a tutelar todos os sujeitos envolvidos, defendendo a fundamental igualdade pela qual cada um é reconhecido pelo direito, como ser humano que vive com os outros em sociedade”.
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Igreja peregrina na História

* Padre Geovane Saraiva
Agradecemos ao bom Deus por Martinho Lutero (1483-1546), que, durante alguns séculos, significou para a grande maioria dos católicos um rebelde, herege por excelência, aquele que provocou, na Igreja, o cisma do Ocidente e levou, com suas heresias, muitas almas à perdição. Mas, para os protestantes, pelo contrário, ele foi um "segundo Paulo", que redescobriu o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, tirando-o de baixo da mesa, colocando-o em um lugar de destaque bem elevado.

Imagem relacionadaUma Igreja “Povo de Deus”, peregrina na História, santa e pecadora, necessitada de conversão, não quer se distanciar da História da humanidade. Por isso mesmo, depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), num desejo de encontrar a unidade, o bispo católico de Copenhagen (Dinamarca), Hans L. Martensen, em uma Conferência sobre "Lutero e Ecumenismo hoje", também declarou que "católicos reconhecem hoje que Lutero, como outros, foi um teólogo genial e de grande influência na História”. Que a postura de Martinho Lutero permaneça sempre mais gravada na mente e no coração da criatura humana, com suas marcas indeléveis, homem sábio e corajoso; patrimônio da humanidade.

Martinho Lutero, há cinco séculos, aos 31 de outubro de 1517, fixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, o documento das 95 Teses, levando muitas pessoas de seu tempo a uma reflexão sobre o cristianismo e sua prática. Foi o início da vivência da fé no Deus do Livro Sagrado, mas no sentido do florescimento e crescimento dessa fé em um terreno bom e fértil.

Seu desejo era o de imprimir na mente e no coração do povo de Deus a mensagem da salvação, a fé e a graça do perdão para todos os filhos de Deus, com seu eixo em Jesus de Nazaré; na fé consequente, no sonho da igualdade diante de Deus. Quão grandioso para os cristãos é a facilidade de acesso à Bíblia, não deixando dúvida de sua grande relevância e importância, herança da sua iniciativa revolucionária.

Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
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Entre os monges

domtotal.com
O silêncio é tão intenso dentro de um mosteiro beneditino, que é possível ouvi-lo.
"Cultivar o passado, como fazem estes monges, é necessário em um presente tão caótico como o nosso".
Por Mario Vargas Llosa*

O mosteiro está cercado de montanhas e florestas que, neste pleno outono, exibem com orgulho suas cores acobreadas e douradas. A parte mais antiga do lugar, o altar, é românica, do século XI, e o resto da igreja é de estilo gótico do século XVI. O enorme edifício foi desfeito e refeito várias vezes, mas as antiquíssimas pedras estão sempre lá, enormes, imortais, preservando o silêncio.

É o que mais me impressiona, fora da regra de São Bento, escrita no século VI, que continua regulando o funcionamento deste e de todos os mosteiros beneditinos no mundo; com algumas adaptações à época, é claro, como a supressão dos castigos corporais e a exclusão das crianças abandonadas que, pelo visto, eram acolhidas pelas comunidades medievais. Há vinte e um monges, três deles noviços, neste onde passo quatro dias, uma experiência que desejava ter desde que li A Montanha dos Sete Círculos, de Thomas Merton, há muitos anos. O abade está feliz porque há três outros possíveis noviços em perspectiva. A continuidade do mosteiro parece, portanto, assegurada.

O silêncio é tão intenso que é possível ouvi-lo e, quando alguém fala dentro do recinto, apenas sussurra e sintetiza, com a má consciência de estar cometendo uma falta. Que os monges quase não falem entre eles não significa que estejam calados. É exatamente o contrário. Das seis da manhã às dez da noite eles cantam sem cessar, em latim, vigílias, laudes, terça, sexta e nona, vésperas e completas, além das missas diárias, todas cantadas, e os rosários vespertinos. Mas, nas tardes de quinta-feira, eles têm uma recreação; podem sair para passear no campo, sempre em grupo, e conversar entre eles. O silêncio é rigoroso no refeitório na hora das refeições, durante as quais um monge lê sempre em voz alta textos piedosos, vidas de santos ou informações religiosas.

A televisão e o rádio são proibidos, mas o mosteiro recebe dois jornais – não pude averiguar quais –, de modo que os monges não estão totalmente desinformados do que acontece do outro lado destas altas muralhas entre as quais escolheram passar o resto de suas vidas. No entanto, tive a impressão de que o que acontece longe, no século, não lhes interessa muito. Se eles se interessassem, talvez lhes fosse mais difícil aceitar essa existência feita de silêncio, pobreza e solidão, de rituais e orações sem fim, de tempo que não flui, mas que gira sobre si mesmo. São dias muito graves para a Espanha, talvez os piores de sua história, quando uma conjuração separatista parece estar prestes a provocar uma catástrofe sem precedentes no reino mais antigo da Europa; e, no entanto, aqui, ao meu redor, ninguém parece se alterar com essa perspectiva. Somente na missa de domingo o abade, com austeras palavras, pede orações pela Espanha e pela Catalunha.

Ninguém parece triste aqui e muito menos desesperado; é contagioso o entusiasmo e a alegria com que os monges entoam os salmos na igreja

Ninguém parece triste aqui e muito menos desesperado; é contagioso o entusiasmo e a alegria com que os monges entoam os salmos na igreja, as belas vozes que se distinguem durante a rica liturgia. Há alguns velhinhos entre eles – e um que “já perdeu a cabeça” –, mas a maioria está na flor da idade, como o bibliotecário que na biblioteca do claustro me mostra, feliz, dois incunábulos e uma primeira edição de San Juan de la Cruz. E como o abade, homem sábio, muito culto, o único com quem chego a ter uma ameaça de conversa. Na ordem, de acordo com ele, funciona uma genuína democracia; os monges escolhem seu abade e também podem depô-lo quando pensam que não está à altura de suas funções. Dentro da regra de São Bento, cada comunidade é organizada como melhor lhe convier, tomando as maiores liberdades, sem se sujeitar a um único modelo. Nesta, por exemplo, tanto para aceitar um noviço quanto para admiti-lo no mosteiro depois de dois anos de noviciado, é necessário que pelo menos três quartos dos monges o aprovem. Nem todos os monges são sacerdotes; aqueles que o são tiveram de seguir, depois do noviciado, um mínimo de seis anos de estudo de teologia, sempre longe do lugar aonde mais tarde irão se enclausurar.

Muitos desistem? Pouquíssimos. A razão, segundo o meu interlocutor, é que não é nada fácil ser admitido na comunidade; esta deve estar convencida de que existe uma verdadeira vocação no aspirante, uma consciência clara do que perderá e do que ganhará. Quando fica mais ou menos evidente que ele não está em condições de continuar, a comunidade se adianta para persuadi-lo a desistir, pois existem outras maneiras de buscar a Deus e servi-lo.

Um agnóstico como eu pode apreciar totalmente o que significa a entrega desses homens (e as mulheres, porque a regra de São Bento também regula muitos mosteiros de freiras de clausura) a sua fé? Certamente não. É provável que só se possa entender que existem aqueles que escolhem um destino de isolamento, frugalidade, rotina e espiritualidade tão extremos caso se acredite que há outra vida depois desta, na qual um ser supremo sanciona o mal e recompensa o bem, e que esse é o melhor caminho do aperfeiçoamento e da saúde.

Eles nos defendem da desintegração política e moral, do retorno à selvageria primitiva.

O que um agnóstico pode entender e admirar neste lugar e nessas pessoas é o que T.S. Eliot chamou de continuidade da cultura e da importância que as formas têm para a civilização. São Bento não foi apenas o expoente maior de uma crença religiosa, mas o precursor de uma forma de ser, de crer e agir que mudaria a história do mundo, lançando as bases de uma sociedade mais livre e mais justa do que a humanidade havia conhecido até então, de uma cultura que deixaria uma marca transcendente na história. Ela estava carregada de violência, é claro, e também de injustiças, como todas as histórias.

Mas evoluiu, foi deixando para trás o pior que havia nela, o fanatismo, a intolerância, os preconceitos, foi aprendendo a coexistir com aqueles que a criticavam e negavam e, ao mesmo tempo, deixando testemunhos nas artes, na literatura, na filosofia, nos costumes, de algumas formas que distinguiam o belo do feio e do horrível, o mau do bom, o aceitável do inaceitável. Essa cultura tornou o mundo mais fácil de viver para milhões de milhões de pessoas. Por isso é necessária a sobrevivência de tal passado em um presente tão confuso como o nosso; é uma maneira de evitar retroceder de novo à barbárie. Isso não é impossível. A Espanha esteve na iminência de viver nestes dias essa regressão à pura barbárie que é o nacionalismo, um retrocesso a tempos que pareciam

superados e que, no entanto, continuaram sempre aí, ameaçando das sombras ressuscitar ódios e inimizades, o velho fanatismo que está por trás de todas as matanças.

Estes monges talvez não saibam, mas, fazendo o que fazem, mantêm vivas as raízes da nossa civilização, nos defendem da desintegração política e moral, do retorno à selvageria primitiva, a esse mundo de instintos em liberdade no qual, segundo a metáfora de Georges Bataille, na jaula em que vivemos, todos os anjos poderiam ser devorados pelos demônios.

O apito soou. Dentro de cinco minutos, exatamente, o órgão começará a tocar, e os cantos gregorianos explodirão.

O canto gregoriano no mosteiro beneditino.

*Mario Vargas Llosa escreve para o jornal El País.
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Noivos que moram juntos, mas vivem castamente, podem comungar?

  O Catequista | Nov 16, 2017
Shutterstock

Este artigo responde à dúvida de uma leitora

Uma leitora nos enviou essa pergunta:

“Olá, gostaria de saber se um casal de noivos que decidem morar juntos antes do casamento, mas se propõem a viver a castidade ate o dia do casamento, eles podem comungar normalmente? Já que o que importa é a pessoa está em estado de graça para ser digna da comunhão.”

Em princípio, sim, podem comungar. Mas é preciso também dizer que essa é uma SITUAÇÃO RUIM, que precisa ser evitada a todo o custo. Morando junto, é bem difícil que um casal jovem segure a onda de não pecar contra a castidade (lembrando que a castidade no namoro exige não só que não haja penetração, mas outros tipos de carícias mais íntimas também).

E fugir das ocasiões favoráveis ao pecado é um dever cristão. Além disso, noivos nessa situação pecam por causar escândalo aos outros. Ainda que não transem, passam ao mundo a impressão de que não estão nem aí para a moral católica. Darão motivo para os não-católicos zombarem da Igreja e serão uma pedra de tropeço para os iniciantes na fé, que podem ter suas crenças abaladas pelo contra-testemunho.

escandalo
“Ah, mas é errado julgar os outros”. Sim, de fato. São Paulo diz que é errado julgar uns aos outros, mas também adverte que ninguém deve ser causa de escândalo para os irmãos (Rom 14,13). Por isso, é importante não só fugir do pecado, mas também evitar toda aparência de pecado.

Há uma situação, me parece, em que um casal de noivos poderia morar sob o mesmo teto, sem causar escândalo ou se colocar em ocasião de pecado: se moram na casa dos pais de um deles, e se esses pais são muito rígidos em manter a moralidade dentro da casa. Assim, zelarão para que os noivos não tenham muitas ocasiões de ficar sozinhos e para que durmam em quartos separados.

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Pe. Geovane Saraiva

Pe. Geovane Saraiva

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