"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

segunda-feira, 20 de março de 2017

Ensina-nos, Senhor, a contar os nossos dias!

domtotal.com
Todos os tempos são difíceis, mas, esse no qual estamos e porque nele estamos, é o mais difícil.
A vida é boa e são nos encontros que temos ao longo dela que a bercebemos como dom.
A vida é boa e são nos encontros que temos ao longo dela 
que a bercebemos como dom. (Divulgação)

Por Felipe Magalhães Francisco*

“A vida rui? A vida rola mas não cai. A vida é boa” (Adélia Prado). Esse verso da poeta mineira cala fundo no coração. Talvez seja característica dos mineiros a compreensão de que a vida seja essa poesia sem fim, marcada por tantas dificuldades e alegrias. Guimarães Rosa, no fundamental Grande Sertão: Veredas, escreveu que “viver é muito perigoso” e, ainda, que “é um descuido prosseguido”. Os dois mineiros têm razão!

Passamos por tantas dificuldades, sempre, e o tempo no qual vivemos não tem nos ajudado muito a nutrir a esperança, tampouco a estar saudáveis, com tudo o que isso significa. Todos os tempos são difíceis, mas, esse no qual estamos e porque nele estamos, é o mais difícil. Mas a vida é boa, e são nos encontros que temos ao longo dela é que vamos percebendo como ela é um dom.

Disse Cora Coralina não saber se a vida era longa ou curta demais, mas que o sentido dela estava em tocar o coração das pessoas. Não seria ousadia demais dizer que também encontramos seu sentido, quando temos o nosso próprio coração tocado, com gestos de delicadeza que demonstram um efetivo amor agápico. E é com o coração bastantemente agradecido, que louvo ao Senhor da vida por ter colocado, em minha vida, pessoas que têm sabido, com maestria evangélica, tocar minha alma.

Por ocasião de meu aniversário, celebrado na última semana, pude experimentar, com muita alegria, tantos gestos de carinhos, que a vida se revestiu de uma exuberante primavera, fora do tempo. Nas palavras, carregadas de sinceridade e afeto, e nos abraços, verdadeiros encontros de corações, vamos fazendo a experiência do cuidado de Deus, manifestado em tantas pessoas, de perto e de longe. E, se a vida se faz difícil, fazer memória do dom da amizade nos garante ânimo e coragem para seguir: “Em qualquer ocasião o amigo ama, e o irmão nasceu para o perigo” (Pr 17,17).

Nesse cuidado salvífico de Deus, que nos dispensa seu amor, também pelo dom da amizade, vamos percebendo a importância de trilhar um caminho de sabedoria, buscando contar nossos dias, segundo aquilo que Deus mesmo quer para cada um de nós. É a oração do salmista da qual hoje me aproprio: “Ensina-nos a contar nossos dias e assim teremos um coração sábio” (Sl 90,12). Que essa sabedoria, que torna o coração sábio, inspire-nos uma vida de muita poesia, reconhecendo e percebendo a salvação cotidiana que recebemos, a cada amanhecer. Que essa sabedoria, ainda, impulsione-nos a tocar o coração dos outros, para que sua vida também seja carregada de sentido!

*Felipe Magalhães Francisco é doutorando em Ciências da Religião, pela PUC-MG, e mestre e bacharel em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). Escreve ás segundas-feiras. E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.
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Pe. Geovane Saraiva

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