"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Primeira Conferência da Sociedade de Cientistas Católicos em Chicago

domtotal.com
"Existiu um tipo de preconceito, dentro da cultura e dentro de círculos científicos", disse diretor do Instituto Lumen Christi
Cientistas que participam da sessão plenária da Academia Pontifical do dia 25 ao 29 de novembro, à espera do Papa Francisco no Salão do Sínodo, no Palácio Apostólico.
Cientistas que participam da sessão plenária da Academia Pontifical do dia 25 ao 29 de novembro, à espera do Papa Francisco no Salão do Sínodo, no Palácio Apostólico. (Casina Pio IV)

Ciência não se opõe à religião necessariamente. (Divulgação)
CHICAGO. "Origens", foi o nome da primeira conferência da Sociedade de Cientistas Católicos que deu a mais de 100 participantes a oportunidade de aprender sobre muitos temas, desde o nascimento das estrelas até os começos da linguagem humana. Os cientistas também refletiram sobre como a fé e o trabalho científico se apoiam um ao outro. Porém, talvez o benefício mais importante da conferência e da nova sociedade que promoveu este encontro, foi a oportunidade de reunir cientistas Católicos e propiciar o vínculo entre eles, como aconteceu nos dias 21 a 23 de abril.

Darlene Douglas professora da Academia de Salgueiros em Des Plaines, Illinois, com um doutorado em genética pela Universidade de Chicago, disse que teve que deixar a ciência como uma carreira depois que ficou muito difícil achar laboratórios nos quais ela poderia trabalhar sem violar a ética Católica no referente ao trabalho com células tronco embrionárias ou linhas de células humanas derivadas de fetos abortados. "Durante meus estudos, eu me encontrei com muitas coisas que colocavam em risco minha fé", Douglas disse, acrescentando que um dos seus professores de ética falou aos estudantes que era impossível acreditar em Deus e a evolução.

Essa não é a posição da Igreja Católica, mas muitos cientistas que não são Católicos não sabem isso. Parte do problema, disse Stephen Barr, presidente da Sociedade, é que cientistas Católicos, com muita frequência, não estão atentos de quantos dos seus semelhantes compartilham a fé deles.

Barr, diretor do Instituto de Pesquisa Bartol da Universidade de Delaware, fundou a sociedade com Jonathan Lundine, diretor do Centro para Astrofísicas e Ciência Planetáriada da Universidade Cornell, depois que ambos concluíram que seria uma coisa boa para a comunidade de cientistas e para a Igreja. "Eu tive várias motivações para formar uma organização como esta", disse Barr. "Muitos Católicos da ciência, especialmente os estudantes e os cientistas jovens, sentem-se isolados porque eles não percebem quantos outros cientistas compartilham a fé deles. Isso é porque a maioria dos cientistas religiosos estão acomodados a respeito da fé. Este senso de isolamento pode estar desmoralizando-os".

A conferência foi co-patrocinada pelo Instituto Lumen Christi que foi fundado por estudantes Católicos 20 anos atrás na Universidade de Chicago para reunir os pensadores Católicos por disciplinas acadêmicas. Thomas Levergood, diretor executivo do Instituto, disse que pensou em planos para a Sociedade quando Barr falou num evento da Lúmen Christi em 2015, em que o Instituto ofereceu seu apoio. "Isso ajuda fazer os cientistas Católicos mais visíveis", Levergood disse. "Intelectualmente, não há nenhum conflito entre catolicismo e ciência. Há realmente muita sinergia entre eles".

Os católicos fizeram contribuições enormes nas ciências, desde o Padre Gregor Mendel, um agostiniano que fundou a ciência moderna de genéticas, até o Monsenhor belga George Lemaitre que propôs a teoria de um universo expansível e o Big Bang.

Contudo, por causa de tensões entre algumas ideias que a humanidade aprendeu da ciência e que o cristianismo rejeita, Levergood destacou, há uma percepção em círculos científicos de que ciência e religião são incompatíveis. "Existiu um tipo de preconceito, dentro da cultura e dentro de círculos científicos", disse ele. "Este preconceito faz parte do mito de que ciência e religião são incompatíveis e estiveram historicamente em guerra", apontou Barr. "Este mito levou muitos Católicos jovens a perderem a fé, como recentes estudos mostram. Nós queremos mostrar ao mundo que há um grande número de cientistas Católicos devotos, inclusive aquelas grandes eminências nos seus campos científicos".

A sociedade se reuniu com grande entusiasmo, disse Barr. Ele e Lundine estavam surpresos pelo fácil que foi achar os membros para a Sociedade. Depois de afiançar o patrocínio da Arquidiocese de Filadélfia, assim como a participação do Arcebispo Charles J. de Chaput como conselheiro do grupo, começaram as adesões para a sociedade. Só está aberto aos cientistas profissionais e estudantes de nível universitário que cursam carreiras relacionadas às ciências físicas e naturais.

Em meados de abril, depois de funcionar por menos de um ano, a Sociedade conta com 350 sócios, Barr afirmou. Karin Oberg, uma astroquímica e professora associada do departamento de astronomia da Universidade de Harvard, falou à conferência sobre como são formados os planetas, quantos planetas fora do sistema solar poderiam ser habitáveis para a os seres vivos e como as pessoas poderiam continuar procurando. Ela também refletiu no que isso significa espiritualmente. "Se Deus se apresenta através da sua criação, o que significa que a criação de Deus esteja cheia de mundos habitáveis?" ela perguntou. O pensamento de que as estrelas que as pessoas veem representam cada uma um sistema solar com seus próprios mundos habitáveis faz o céu noturno parecer menos frio e "um pouco mais aconchegante" disse ela.


Crux

Tradução: Ramón Lara
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Pe. Geovane Saraiva

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