sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Indígenas dizem sofrer ataques a tiros da Força Nacional, de Sergio Moro


Foto: povo Guarani e Kaiowá BRASIL

O caso aconteceu nesta quarta-feira (29) e teria sido motivado pela retomada da Avae’te, terra indígena no Mato Grosso do Sul

Por Redação
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‌‌Um vídeo que circula nas redes sociais mostra indígenas Guarani Kaiowá, da reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul, se protegendo de disparos que eles acusam ser da Força Nacional. O ministro da Justiça, Sergio Moro, responsável pelo departamento, teria autorizado o envio dos agentes à região na semana passada atendendo a pedidos do governo do estado.

O caso aconteceu nesta quarta-feira (29) e teria sido motivado, de acordo lideranças do local, pela retomada da Avae’te, terra próxima à reserva de Dourados. Por volta das 22 horas, os agentes tentaram derrubar alguns barracos. No conflito, um Guarani Kaiowá foi ferido no braço por um disparo.
“No dia seguinte, às 9 horas da manhã, a Força Nacional se dirigiu a uma das fazendas. De lá veio um dos donos da fazenda, seguranças privados, todos em uma caminhonete preta, e quatro viaturas da Força Nacional. Chegaram no Avae’te atirando. Não chegaram para conversar”, diz um dos indígenas que presenciou a cena.

A violência na região aumento em outubro de 2018, especialmente quando Jair Bolsonaro foi eleito. Na época, 15 Guarani Kaiowá foram feridos por disparos feitos com balas de borracha e de gude.

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Homem mexendo no lixo

domtotaol.com

Pobreza e poluição estão juntas no mesmo saco. E não podem ser separadas e coletadas seletivamente


Eis, novamente, a pobreza na sua triste interface com a ecologia
Eis, novamente, a pobreza na sua triste interface com a ecologia (REUTERS/CHINA STRINGER NETWORK)
Fernando Fabbrini*
Semana passada contei aqui o caso do Tamar, das tartarugas e da estratégia adotada na implantação do Projeto. Ilustrei com isso a frase do ministro Paulo Guedes que, com sabedoria e coragem, associou também a pobreza às causas agravantes dos problemas ambientais. O assunto é extenso, delicado e polêmico, e hoje trago mais uma reflexão a respeito.
Nas terças-feiras a Prefeitura de Belo Horizonte faz a coleta seletiva de lixo em alguns bairros, incluindo o nosso. Há anos vejo moradores separando cuidadosamente suas latas, plásticos, embalagens e demais itens não-orgânicos e colocando-os em sacos nas calçadas, bem amarrados. Já virou um bom hábito, felizmente.
Saio sempre pelas manhãs – antes da passagem dos caminhões da coleta, com certeza – para a costumeira voltinha no quarteirão sob as ordens do Bruno, nosso civilizado vira-latas que não vira nenhuma. No mesmo horário, até antes do nascer do sol, já circularam pelas ruas outros cidadãos em situações bem diferentes da minha. Às vezes cruzamo-nos, em silêncio. Em outras, sou ainda testemunha do descontentamento velado e dos palavrões dirigidos a eles por moradores e porteiros.
Tais cidadãos anônimos compõem o retrato de nossa vergonhosa miséria social. Na surdina, eles percorrem as ruas antes da coleta, em busca de sobras dos jantares da véspera, de latinhas recicláveis e de um ou outro item capaz de ser transformado em dinheiro. Rasgam os sacos, reviram os dejetos, separam o que lhes interessam e deixam tudo espalhado – lixo novamente disperso pelas calçadas e sarjetas. Trabalho perdido.
Tente dizer a eles que isso não pode, que é feio, que é pouco civilizado, que polui o bairro. Tente abordar um desses cidadãos para uma conversa particular. Experimente dizer a ele que, por exemplo, bandejas de isopor ou garrafas pet largadas na calçada são levadas pelas chuvas e entopem os bueiros, causando enchentes do tipo que estamos vendo nessa temporada. Ele vai rir de você.
Ou pondere, respeitosamente, alegando que ele não deveria contribuir para essa sujeira urbana, uma vez que canudinhos plásticos, igualmente levados pelas águas do verão, vedam as narinas das tartarugas lá do litoral nordestino, matando-as. Ele vai rir ainda mais.
Eis, novamente, a pobreza na sua triste interface com a ecologia. Antes de tudo, essa gente tem fome. E pela escala de necessidades prioritárias do ser humano, o pessoal está primeiramente interessado em saciar a compulsão primitiva. Na sequência, esperam pelo menos descolar algum, vendendo objetos ou sucatas que compõem nosso valioso saco preto de lixo.
O Brasil tem um longo, difícil e complicado caminho até poder orgulhar-se de sustentabilidade, equilíbrio ambiental e outras conquistas essenciais. No centro dramático da questão está o resgate das promessas dos governos populistas que conversaram muito e fizeram pouco, além de se enriquecerem na corrupção.
Será uma nova etapa após a garantia de educação, emprego e renda para muita gente. Aí, sim: depois da dignidade e do prato de comida, cobraremos de todos – democraticamente - a responsabilidade de também cuidar do planeta. Só então poderemos falar de ecologia com realismo, consistência e sem fantasias.*Fernando Fabbrini é roteirista, cronista e escritor, com quatro livros publicados. Participa de coletâneas literárias no Brasil e na Itália e publica suas crônicas às sextas-feiras no Dom Total

A revelação de Deus

Padre Geovane Saraiva*
Pensemos, como São Paulo, no ocaso da vida a penetrar na escuridão da noite, sem jamais se afastar da aurora, indicador e anúncio do dia, dia este que nos ajuda a imaginar a vida envolvida em mistérios, pedindo-nos disposição para acolher, num abraço esperançoso, os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, encontrando-O no ápice da crucifixão, morte e ressurreição. Os apóstolos foram verdadeiros continuadores da missão iniciada por Jesus Cristo, confiando-lhes essa missão, e iam de comunidade em comunidade, querendo, na fidelidade, sensibilizar o coração das pessoas, no sentido de viverem virtuosamente a ascese cristã, ou mesmo os ideais apostólicos.


Com um olhar de fé e confiança em Jesus de Nazaré, o apóstolo Paulo tão bem anunciou o Evangelho, e revelou-o às pessoas sedentas e desejosas de mudança de vida, ao mesmo tempo voltadas à Justiça divina, que significa paz em abundância. Semelhante sinal nos faz compreender o anúncio do Reino, que se tornou visível pelo nosso modo de pensar, de agir e de ver o mundo, mas segundo a vontade do nosso bom Deus, que quer superação de todas as forças contrárias ao poder do mal, como na convicção do apóstolo: “Pela graça de Deus, sou o que sou, e a graça que Ele me deu não tem sido inútil” (cf. 1 Cor 15, 10).


Foto: Padre Geovane Saraiva,
vista da estrada na Serra de Baturité –
 de Aratuba a Mulungu Ceará
Neste dia 25 de janeiro, voltemo-nos para o apóstolo Paulo, pelo fato de ele ser chamado à conversão, e por o luminoso mistério ter sido ao meio-dia. Gosto muito de recordar Dom Helder Câmara, ao externar, numa metáfora terna e mística, como São Paulo, a partir de sua vida coberta de mistérios, numa nítida visão do Sol da Justiça: “Há pessoas que, independentemente de idade, pelo que são, pelo que dizem e pelo que fazem, são sempre meio-dia”. Nesse sentido, pode-se adaptar tal pensamento ao Apóstolo dos Gentios, seja no anúncio do Evangelho e nos carismas, seja na missão e nas viagens, identificado com o pacifismo de Dom Helder, em sua disposição, sabedoria e esforço de imitá-lo.

Viver a vida, como na conversão de São Paulo, é reconhecê-la como um dom maravilhoso. Temos consciência de que não é fácil correspondê-la, mesmo tendo, com grande nitidez, seu “sim” corajoso e profético, a partir do momento luminoso de sua conversão, acima citado. Nele a luz verdadeira brilhou; aquela, que desceu do céu e se encarnou no meio do povo de Deus, conforme a profecia que se realiza, de uma vez por todas, no povo que vivia nas trevas, mas que, categoricamente, recebeu esse mesmo convite: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo” (cf. Mt 4, 12-17). Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).


Desemprego em 2019 fecha em 11,9% e precarização cresce, diz IBGE


A taxa média de desemprego fechou em 11,9% em 2019 segundo informação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgada nesta sexta-feira (31) pelo IBGE. Os dados confirmam a continuidade do elevado desemprego e o avanço sem precedentes da precarização e informalidade. A política econômica de Bolsonaro e Guedes não aponta para uma reversão deste quadro.

A pesquisa revelou também um contingente de 12,6 milhões de pessoas desocupadas, no ano passado, 1,7% a menos do que em 2018. Porém, na comparação com o menor ponto da série, quando atingiu 6,8 milhões em 2014, a população sem trabalho quase dobrou, crescendo 87,7% em cinco anos.

A informalidade – soma dos trabalhadores sem carteira, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar – atingiu 41,1% da força de trabalho, o equivalente a 38,4 milhões de pessoas, o maior contingente desde 2016. “Houve um aumento de 0,3 ponto percentual e um acréscimo de um milhão de pessoas”, avalia a analista da PNAD Contínua, Adriana Beringuy.

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A população subutilizada na força de trabalho – inclui pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial -, chegou a 27,6 milhões em 2019, o maior valor da série e 79,3% acima do menor patamar (15,4 milhões), apurado em 2014.

*As informações são da Agência IBGE  https://www.esmaelmorais.com.br/

Bolsonaro supera Temer e joga 38,4 milhões na informalidade

O número de brasileiros com trabalho informal representa 41,1% da força de trabalho, sendo a maior desde 2016, quando Michel Temer assumiu o poder após o golpe contra Dilma Rousseff. Os dados foram divulgados pelo IBGE, na PNAD Contínua
31 de janeiro de 2020, 11:30 h Atualizado em 31 de janeiro de 2020, 11:31
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(Foto: Esq.: Alan Santos - PR)

247 - Sem emprego com carteira de trabalho, 38,4 milhões de trabalhadores sobrevivem atualmente na informalidade. São pessoas que executam atividades sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem carteira, empregador sem CNPJ, conta própria sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar. O número de brasileiros com trabalho informal representa 41,1% da força de trabalho, sendo a maior desde 2016, quando Michel Temer assumiu o poder após o golpe contra Dilma Rousseff. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

De acordo com a pesquisa, 11,6 milhões de trabalhadores trabalham sem registro em carteira no setor privado, alta de 4% em relação a 2018 e maior patamar da série histórica iniciada em 2012. O número de trabalhadores por conta própria atingiu o maior nível da série. São 24,2 milhões, sendo a maior parte (19,3 milhões), sem CNPJ. 

A partir de 2016 passou a vigorar no País uma política baseada na entrega de setores estratégicos para estrangeiros, corte de direitos e de investimentos. O governo fechou 2019 com 12,6 milhões de desempregados, uma taxa de 11,9%.

Lula recebe homenagem da comunidade judaica


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (30) de ato em São Paulo promovido por judeus e judias de diversos coletivos da capital paulista. Com o tema “Judias e Judeus com Lula pela Paz e Contra o Nazismo”, o encontro ocorre justamente na semana que marca os 75 anos da libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz (Polônia).

Durante o evento, que contou com a presença de diversas lideranças petistas como Gleisi Hoffmann, Fernando Haddad, Clara Ant e Celso Amorim, também foi entregue uma carta de apoio e solidariedade ao ex-presidente assinada por mais de 450 integrantes da comunidade judaica . O documento reafirma a luta contra a perseguição política que o levou ao cárcere e que ainda está em curso.

“Apoiamos o presidente Lula porque o vemos, antes de tudo como um democrata e uma pessoa que sempre lutou consistentemente por justiça social, igualdade e direitos humanos a todos os brasileiros e brasileiras”, diz trecho do documento.

Em seu discurso, Lula lembrou da solidariedade que teve durante os 580 dias em que foi sequestrado pela justiça por meio de uma farsa sem precedentes na história do país e agradeceu o apoio que se mantém firme e forte para que seja inocentado. Lembrou também de quando esteve em Israel, em 2010, e se colocou à disposição para colaborar com os diálogos de paz na região. “Historicamente nós sempre tivemos dois lados: queremos o estado de Israel e o estado Palestino”, reiterou o ex-presidente.

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Com a habilidade que lhe é habitual, Lula também fez análise do atual cenário político mundial, criticou o tratado de paz proposto por Donald Trump para a região, as ameaças nazistas que rondam o Brasil a partir do governo claramente autoritário de Jair Bolsonaro e, mais uma vez, exaltou o poder absoluto do diálogo para resolver conflitos. “Nenhuma guerra é vencida com intolerância. Nós amamos a liberdade, nós amamos a cultura, nós amamos a paz e é por isso que vamos continuar lutando”, finalizou.

*Da Redação da Agência PT de Notícias  https://www.esmaelmorais.com.br/

Governo decide acelerar queima de reservas internacionais para segurar o dólar

A equipe econômica comandada por Paulo Guedes decidiu acelerar a venda de reservas internacionais, acumuladas nos governos Lula e Dilma, para tentar fazer frente à disparada do dólar, que ontem chegou a bater em R$ 4,27; só nesta sexta-feira serão vendidos mais US$ 3 bilhões
31 de janeiro de 2020, 06:09 h Atualizado em 31 de janeiro de 2020, 06:41
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(Foto: Reuters)

247 - O Banco Central fará nesta sexta-feira (31) um leilão extraordinário de US$ 3 bilhões. 

Chamado de leilão de linha, esse tipo de venda caracteriza-se pelo caráter temporário. Os dólares vendidos são recomprados pelo Banco Central depois de alguns meses, retornando para as reservas internacionais.

A última vez em que o BC tinha feito um leilão de linha tinha sido em 18 de dezembro, quando a autoridade monetária vendeu US$ 600 milhões com compromisso de recompra.

Em meio ao receio do impacto do coronavírus sobre a economia global, o dólar tem subido nos últimos dias. Hoje, a moeda norte-americana chegou a ultrapassar R$ 4,27, mas fechou o dia em R$ 4,259. Esse foi o maior valor nominal desde 1994, quando o real foi criado, informa a Agência Brasil.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Itália bloqueia cruzeiro com 6 mil passageiros perto de Roma por possíveis casos de coronavírus

Dois passageiros chineses, que apresentam sintomas como febre e dificuldades respiratórias, estão isoladas em uma cabine do navio Costa Smeralda, que está atracado no porto de Civitavecchia, próximo à cidade de Roma

O navio Costa Smeralda (Foto: reprodução)
Por Redação  
O navio Costa Smeralda chegou nesta quinta-feira (30) ao porto de Civitavecchia, próximo à cidade de Roma, onde se encontra bloqueado pelas autoridades italianas, devido a dois possíveis casos de infecção pelo coronavírus.

As duas pessoas suspeitas de terem a doença são cidadãs chinesas e se encontram isoladas do restante dos passageiros, em uma cabine da embarcação. Elas apresentam alguns sintomas da gripe, como febre muito alta e dificuldades respiratórias.

O porta-voz da empresa que administra o Costa Smeralda afirmou que ambas estão sendo monitoradas pelos médicos do navio e que será publicado um comunicado com um diagnóstico preciso sobre sua situação nas próximas horas.

A Itália ainda não registra casos de coronavírus em seu território, mas outros países europeus já o fizeram, como a França (5 casos), Alemanha (4) e Finlândia (1).

Chico Buarque: temos um país governado por loucos

O compositor Chico Buarque elogiou o documentário Democracia em Vertigem, da cineasta Petra Costa, que concorre ao Oscar, sobre os bastidores do golpe de 2016. “O que a gente vê ali dá a impressão que eles estavam brincando com a democracia. E o resultado está aí: temos hoje um país governado por loucos”, disse o compositor
30 de janeiro de 2020, 17:48 h Atualizado em 30 de janeiro de 2020, 17:50
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(Foto: Divulgação)


247 - O cantor e compositor Chico Buarque defendeu nesta quinta-feira, o documentário Democracia em Vertigem, da cineasta Petra Costa, que concorre ao Oscar de melhor documentário. 

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Chico avalia que Petra Costa retratou com precisão os bastidores do golpe de 2016. 

“A cineasta Petra Costa soube captar, com sensibilidade os bastidores da cena política, principalmente a partir de 2014, quando os derrotados não aceitaram o resultado das urnas e passaram a tramar, com apoio de grande parte da classe política, com a grande mídia e com a complacência da Justiça, começaram a tramar contra o governo de Dilma Rousseff. Não souberam esperar mais quatro anos, quando talvez pudessem implantar um governo liberal”, afirma Chico Buarque.

“O que a gente vê ali dá a impressão que eles estavam brincando  com a democracia. E o resultado está aí: temos hoje um país governado por loucos”, disse o compositor.

PT 40 anos: crise e derrota

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A maioria de 83% que apoiava Lula passou a rejeitar o PT e seu candidato


"A queda de Dilma permitiu que um grupo de insanos medievalistas chegasse ao Planalto".
Tarso Genro*
Na transição da globalização econômica do pós-guerra para uma economia de sentido liberal-rentista, aceleraram-se os efeitos tendentes a uma maior desigualdade social nos países fora do núcleo orgânico do sistema-mundo.
A quebra do contrato socialdemocrata teve efeitos particularmente perversos nos países com experiências tardias de combate à miséria e a desigualdade, como no Brasil. Tanto nos governos do Presidente Lula como nos governos da Presidente Dilma, a esquerda socialista e socialdemocrata desenvolvimentista não estava preparada para conduzir novas alternativas de gestão política e “técnica”, que bloqueassem essas inibições de forma duradoura.
Neste contexto, por variados motivos – tanto de âmbito nacional como de âmbito internacional– o sistema das alianças partidárias no Brasil, se é verdade que ele ensejou algumas alianças importantes para a promover certas políticas de redução das desigualdades sociais e regionais, também mostrou os seus limites.
Principalmente os governos do Presidente Lula, sustentados nos preços das commodities, consagraram um ciclo de sucessos no combate à miséria e à pobreza absoluta, mesmo sem ter realizado reformas estruturais. A reforma tributária e a reforma política, que poderiam abalar – pelo menos na superfície – o sistema de poder das oligarquias regionais e do grande capital, não puderam ser implantadas por falta de apoio no Poder Legislativo e nas instituições participativas e/ou burocráticas do Estado Social.
O “bloco histórico” permaneceu o mesmo e o projeto de integração do país no sistema global, baseado na cooperação interdependente com soberania (que começara de forma expressiva já no primeiro Governo Lula) não conseguiu redefinir as relações de poder internas e não ensejou condições políticas favoráveis para dar maior efetividade aos direitos fundamentais do pacto de 1988. O resultado foi a manutenção, não só do velho sistema burguês-oligárquico de governabilidade, mas também – em termos ideológicos – a sobrevivência dos valores conservadores e antidemocráticos históricos, presentes tanto na origem escravista como na tradição autoritária do Estado brasileiro.
Este sistema sempre funcionou moldado por uma elite política conservadora e de direita que, em momentos críticos – mesmo quando afastada apenas parcialmente dos Governos – soube promover situações de ingovernabilidade para aumentar suas posições reais de força no próximo período de dominação. O atual período, por exemplo, foi reciclado conforme o assessoramento e planejamento dos think thanks americanos e nacionais, financiados por grandes empresários nacionais e globais, implicitamente acordados com uma nova direita agressiva e ultrarreacionária.
No quadro de golpismo em curso os novos e velhos sujeitos – inclusive alguns originários do modelo “lulopetista” de governabilidade – promoveram uma “cruzada” de conteúdo político manipulado, por meio de duas narrativas tradicionais largamente difundidas: (a) a luta contra a corrupção, que seria uma característica fundamental do Estado Social, do petismo e da esquerda; (b) a luta contra o “comunismo”, na forma de uma guerra contra o “marxismo cultural”, que estaria representado pela esquerda e pelo PT, na academia, na área da educação e nas instituições de luta por direitos na sociedade civil.
A impossibilidade política dos governos petistas realizarem reformas estruturais de cunho democrático e social, ainda que parciais, deixou intactos os núcleos de poder autônomo (inclusive dentro do Estado), que se articularam a partir de junho de 2013 para derrubar o governo Dilma. A campanha orquestrada pelo oligopólio da mídia, ungido à condição de corregedoria dos bons costumes políticos – articulada com a direita política de todo os matizes (inclusive apoiada em vários erros cometidos por parte dos nossos governos) permitiu que um grupo de insanos e medievalistas chegasse ao Governo Nacional e ao Palácio do Planalto.
O Governo Dilma era atravessado por ambiguidades originárias tanto do sistema político-eleitoral e partidário, como vindas das flagrantes dificuldades de lidar com a crise fiscal, para enfrentar um sistema tributário regressivo, historicamente mantido no Brasil. Às dificuldades políticas para governar nesta situação se somaram às características da própria Presidenta – como liderança política – com suas notórias dificuldades para formar um núcleo dirigente operativo e coeso no seu entorno.
A oneração de impostos sobre os mais pobres e de menor renda média, o aparato estatal coercitivo (burocratizado e atravessado por lutas corporativas) manteve – assim – plenamente as velhas estruturas de poder intactas. Elas deram vazão ao ativismo do Poder Judiciário e à politização (pela direita) do Ministério Público, que, aliás, passou – por meio da operação Lava-jato situada no Juizado de Curitiba– a controlar a pauta política do país e a personificar com seus Magistrados e Procuradores, o pólo orientador da direita e do conservadorismo privatista, abrindo uma etapa da luta política de novo tipo em âmbito nacional.
O oligopólio da mídia, os think-thanks do liberal-rentismo e os políticos conservadores (ou simplesmente reacionários) dos diversos partidos tradicionais formaram, assim, um formidável arco de alianças destinado a expurgar – por qualquer meio – os resquícios do que era uma moderada esquerda socialdemocrata presente na gestão do Estado.
“Faltou-nos a energia, o heroísmo e a inteligência de Allende (foto) ,Mujica e Mandela”.“Faltou-nos a energia, o heroísmo e a inteligência de Allende (foto) ,Mujica e Mandela”.
Os velhos partidos do campo liberal e neoliberal foram neutralizados ou enquadrados neste movimento histórico, no qual o bolsonarismo protofascista veio ocupar um papel de destaque e tornar-se, nas eleições – com seus novos partidos liberais – uma “reserva de valor” da maioria do empresariado, cujo objetivo era não permitir a volta do PT ao Governo, no momento que suas políticas sociais e educacionais já começavam a ter um razoável efeito de concretização do Estado Social.

As insuficiências do governo da Presidente Dilma no plano da gestão do Estado e as limitações políticas da própria Presidenta, mulher honesta que jamais se curvou à corrupção – mas que não soube montar nem coordenar um “grupo dirigente” no seu entorno – agravaram a situação já tensa na economia, em função da crise mundial.
Este agravamento ocorreu, tanto pela subestimação do caráter corrosivo da crise de 2013, como pela incapacidade de o governo reconhecer que – no transcurso das manifestações daquele ano – estavam sendo finalizadas as redes de relacionamento da direita golpista e as condições de infâmia e manipulação da opinião pública, para a aceitação da “exceção”. A regressão democrática e a renovação (pela direita) da elite política conservadora e ultraliberal já estava em pleno voo.
Todos estes fatos convergiram para um desarmamento político do PT e para a prisão arbitrária do Presidente Lula (através de processos de “exceção”) bem como para as dificuldades eleitorais que nos levaram à derrota nas eleições presidenciais. A maioria da mesma sociedade que consagrara Lula com 83% de apoio no final do seu segundo mandato passou majoritariamente a rejeitar o PT e o seu candidato, elegendo um obtuso militar, de carreira duvidosa com tendências neofascistas, oito anos depois.
Mergulhado na dogmática do sistema de poder tradicional o PT foi incapaz de avaliar a dimensão corrosiva do tema da corrupção (o que lhe incapacitou para conceber uma estratégia de mobilização social e de disputa de valores) porque não atentou para o que já estava em debate, no início do Governo Dilma: não era, novamente, quem fez mais ou faz menos para os pobres; ou quem criou mais ou menos empregos. Estas respostas já estavam claras no cotidiano do povo, que absorvera suas conquistas e transitara para outras pautas, marteladas pelo oligopólio da mídia: a pauta que subliminarmente romantizava o passado “limpo” do Brasil, como se o PT fosse o “fundador” da corrupção e idealizava o futuro, como se o combate à corrupção só fosse eficaz a partir da demonizarão de Lula e do aparelhamento das instituições de Estado pelos dogmas da direita.
Desde a crise do “mensalão” as pautas a serem respondidas no plano político tinham os seguintes sentidos, que foram gradativamente infiltrados na consciência popular: quem tinha se corrompido e corrompido o Estado? E quem seria o moralizador de uma nação que fora pura (que só existia como imaginário) e estava maculada por um Estado indiferente, agora medido em termos de valores exclusivamente morais, os mesmos que o próprio PT despertara como esperança e mito!
As dificuldades para a reforma do sistema político, tentada pelo Presidente Lula no seu segundo governo – reforma esta rejeitada pela maioria da base do Governo e inclusive pela maioria petista – colocou neste fim do segundo Governo um dilema difícil de ser resolvido: tentar fazer a reforma política dispensando a base de apoio do Governo, que dava sustentação às políticas de renda e inclusão social e que levaram Lula à plena aceitação pública em todas as camadas sociais; ou: não forçar quaisquer reformas sobre o tema e manter a “base” unida, girando ainda mais ao centro fisiológico para manter a estabilidade e assim eleger Dilma como sucessora (escolhida diretamente pelo Presidente) com o mesmo sistema de alianças?
A opção pela manutenção do mesmo sistema de alianças, medida apenas pela possibilidade de reeleição do “projeto” foi correta quanto ao seu resultado imediato, mas foi um desastre nas suas pretensões estratégicas. Como se viu, em junho de 2013 o que estava sendo armado – de fora para dentro do Governo (e deste para “fora”) – produziria o golpe e a sufocante derrota eleitoral que se seguiu.
Aquelas mesmas alianças que proporcionaram capacidade de governar com estabilidade, agora se tornaram feitoras de um governo refém da sua eficácia imediata. E também se demonstraram incapazes de estimular a construção de uma sustentação – dentro e fora do parlamento – através de uma forma frentista nova, que considerasse a governabilidade não somente a partir dos humores do mercado financeiro e das opiniões dos “especialistas” da mídia, mas se sustentasse num novo bloco de poder.
A maioria do povo, que em 2013 já processava certo desencantamento com seu Governo – que a seu ver não dava respostas para a questão de fundo em pauta (a corrupção e seus tentáculos em todos os níveis de poder) – concluiu que se ela era histórica e reiterada tinha que ter sido debelada pelo PT. Era o que pensava o cidadão comum, aceitando implicitamente que ela, no mínimo, fora muito aumentada nos governos petistas.
“O governo Dilma não fez a leitura adequada da conjuntura de golpe que viria”.“O governo Dilma não fez a leitura adequada da conjuntura de golpe que viria”.
A concepção básica que passa a guiar as “reformas” que se espalharam por todo o globo (no contexto em que o governo estadunidense passara a exigir solidariedade com bancos falidos – 2009) pretendia garantir os fundos para o pagamento da rolagem das dívidas dos Estados nacionais. Passara a ser exemplar, neste particular, a situação da Grécia, um “case” que indicava, de forma impiedosa, que as reformas do liberal-rentismo em breve se tornariam universalmente imperativas. Como mostraram vários estudos dos economistas mais sérios, a crise econômica mundial “encurtara” o espaço de acumulação de capital da burguesia financeira internacional, o que exigiria – segundo a ideia neoliberal – um controle mais fino do processo de “sobreacumulação” e a transferência dos prejuízos às contas públicas em todo o mundo.

O Governo Lula apostou no caminho oposto. Desenvolveu políticas anticíclicas com maciços investimentos em obras públicas, aumentou o crédito para investimento e consumo, criou uma dinâmica virtuosa de crescimento do mercado interno de massas. A queda manipulada dos preços das commodities em geral e a manipulação dos preços do petróleo, em especial, solaparam a capacidade de manutenção dessa estratégia, diminuindo o potencial de investimento público do Estado Nacional. A opção para “segurar” esta situação econômica e fiscal, no governo Dilma, foi a saída recessiva e neoliberal, com a presença de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, expressão máxima da nossa “rendição à objetividade” financeira global.
A nomeação de Levy mais do que um ato depressivo de um Governo cercado e sem uma estratégia econômica convincente foi uma declaração implícita de rendição ao “caminho único”. O Governo Dilma tentou aplicar o mesmo receituário liberal ortodoxo dos grupos conservadores que perderam a eleição, sem ter condições (como nos governos Lula) de permitir que “ganhassem todos”. Nestas condições, portanto, não foram recriados os momentos “gloriosos” em que os trabalhadores assalariados e os pobres em geral melhoraram as suas condições de vida – de consumo e de fruição de bens de primeira necessidade – com os “ricos” sendo parceiros dos “pobres”.
O tema da segurança esteve e está profundamente integrado na disputa política no Brasil e sobre ele, durante o Governo Lula, foi desenvolvida a percepção que seria fundamental “entrar” nesta agenda. Ao encerrar um programa Segurança Pública bem-sucedido e ainda “jovem”, o Pronasci, o Governo Dilma finalizou um diálogo organizado e produtivo que vinha sendo encetado com os estados e os municípios sobre o tema.
Com os demais entes federados o Governo Federal começara a compartilhar soluções para este grave problema de Estado, através de uma nova experiência que fora consolidada após uma exaustiva negociação com o Congresso Nacional, que então dera luz verde quase unânime a ela! O Pronasci foi um programa que adquiriu prestígio internacional e que vazava as barreiras dos preconceitos ideológicos e partidários.
A gravidade da situação da segurança pública no Brasil já se mostrava como pauta universal e assim dotada de alta possibilidade de concertação institucional para enfrentá-lo. O encerramento das respostas dadas pelo Governo Lula nesta área – num contexto posterior de aposta no ajuste fiscal como saída para a crise – foi o que mais evidenciou as manifestas dificuldades políticas do Governo Dilma para uma leitura adequada da complicada conjuntura de golpe que viria.
Com a proposta do Pronasci o Governo Lula passara a oferecer forte apoio institucional e aportes financeiros para o desenvolvimento de uma política nacional de segurança pública, que combinava políticas preventivas de proteção social com repressão seletiva, focada no crime organizado; combate às milícias através de convênios da Polícia Federal com a Segurança dos Estados, nos territórios locais mais sensíveis; encaminhamento de um rigoroso programa de construção de presídios para jovens adultos (visando separá-los das velhas escolas de crime do atual sistema penal); aparelhamento das Polícias através de uma contrapartida em armas e equipamentos pela disponibilidade de pessoal à Força Nacional; implantação, conveniada com os estados de 5.000 postos se Policiamento Comunitário; instituição de um efetivo permanente da Força Nacional com equipamentos de alto nível; formação continuada e remunerada de Policiais em todos os Estados; introdução de Laboratórios para reprimir a lavagem de dinheiro; aumento da capacidade de investigação criminal da Polícia Federal.
Tudo fora feito objetivando “cortar” o vínculo do crime – em especial do crime organizado dominante em muitos territórios – com a juventude, as crianças e adolescente, as mulheres, os precários, os desempregados e semi-empregados.
A retirada do governo federal desta pauta diminuiu a eficácia do combate à criminalidade, estrangulou as UPPs no Rio de Janeiro, secou seus programas preventivos e permitiu que a responsabilidade sobre a crise da segurança pública recaísse sobre o PT e seus candidatos. Esta “retirada” da União – na condução da pauta da segurança – foi importante para a vitória de Bolsonaro, que brandiu este tema como relevante “para as pessoas pobres viverem melhor”, autorizando a Polícia – prometeu ele demagogicamente – “matar bandidos”, fazendo da violência irracional uma política de Estado.
"A vitória de Bolsonaro cai sobre nossos ombros como a maior derrota nos últimos 50 anos”
A vitória de Bolsonaro no Brasil – mais além das manipulações midiáticas e das simplificações sinistras que foram feitas pela direita sobre os erros do PT – cai sobre os ombros da nossa geração como a derrota mais significativa nos últimos 50 anos. Ela foi também gerada pela nossa incapacidade de defender a democracia, a ética republicana e os valores de uma utopia democrática socialista.

Faltou-nos a energia, o heroísmo e a inteligência legada pelos nossos melhores exemplos – como os de Allende, Mujica e Mandela – para mudarmos no próprio curso das nossas lutas, sem mudar os princípios e a essência emancipatória dos nossos ideais. Que os próximos tempos sejam de muito esforço, inteligência e energia, para reafirmarmos a memória e os exemplos destes heróis.
* Tarso Genro, ex-governador do Rio Grande do Sul (PT), em artigo publicado por A Terra é Redonda.

População em ‘situação de rua’ cresce 60% em São Paulo em 4 anos


São Paulo SP 19 06 2018 Cena Paulistana- minha casa minha vida de moradores de rua sob o elevado João Goulart(Minhocão) Foto Alan White /Fotos Publicas

O Censo da População em Situação de Rua, realizado pela Prefeitura de São Paulo, aponta um crescimento de 60% do número de moradores de rua na capital paulista. O levantamento demonstra a relação entre o salto no número de moradores de rua e a alta na taxa de desemprego — que era de 13,2% na cidade em 2015 e agora chega a 16,6%, informa Mônica Bergamo na coluna Painel, da Folha de São Paulo.

A população de rua da cidade de São Paulo chegou a 24.344 pessoas em 2019, aumentando 60% em quatro anos, período em que o Brasil passou a ser governado pelo governo giolpista de Michel Temer e, há um ano, por Jair Bolsonaro, que pratica uma política econômica de exclusão social.

Em 2015, os moradores em situação de rua em São Paulo eram 15,9 mil.

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Os dados do Censo da População em Situação de Rua serão divulgados oficialmente na sexta-feira (31).

Bolsonaro faz palhaçadas em frente ao Taj Mahal e internautas chamam ação de "vergonha alheia"

No encerramento de sua viagem à Índia, nesta segunda-feira (27), Jair Bolsonaro fez uma sequência de fotos com poses "vergonha alheia" na frente do Taj Mahal. Postagem viralizou nas redes e internautas criticaram a ação
30 de janeiro de 2020,
Jair Bolsonaro durante visita ao Taj Mahal
Jair Bolsonaro durante visita ao Taj Mahal (Foto: Alan Santos/PR)

247 - No encerramento de sua viagem à Índia, nesta segunda-feira (27), Jair Bolsonaro fez uma sequência de fotos com poses inusitadas na frente do Taj Mahal, considerado um templo sagrado dos indianos.

Internautas chamaram as poses de "vergonha alheia" e lembraram que, enquanto o Brasil enfrenta o caos, Bolsonaro viaja e se diverte com a família no exterior.

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Greta Thunberg protege seu nome e registra marca 'Fridays For Future'

domtotal.com

Jovem, seguida por milhões de pessoas do mundo todo em seu movimento, também anunciou a criação de uma fundação com fins não lucrativos centrada na ecologia e no bem-estar


Fundação busca
Fundação busca "promover a sustentabilidade ecológica, climática e social, bem como a saúde mental", explicou (Lionel Bonaventure/AFP)
A jovem ativista sueca Greta Thunberg anunciou nesta quarta-feira no Instagram que registrou a marca "Fridays For Future", como se chama o movimento ambientalista fundado por ela, e seu próprio nome, para protegê-los.
"Meu nome e o movimento #FridaysForFuture estão sendo utilizados constantemente com fins comerciais sem nenhum acordo", justificou a adolescente de 17 anos, em sua conta no Instagram. Na publicação, ela lamentou a venda de produtos ou coletas de dinheiro em seu nome e no do movimento.
"Pedi para registrar como marca meu nome, Fridays For Future, Skolstrejk för klimatet ["greve escolar pelo clima" em sueco], detalhou, e afirmou que tinha feito apenas por necessidade, para impedir qualquer usurpação e não com fins comerciais.
A jovem, seguida por milhões de pessoas do mundo todo em seu movimento, também anunciou a criação de uma fundação com fins não lucrativos centrada na ecologia e no bem-estar, "necessária para gerir o dinheiro (direito autoral, doações, prêmios etc) de forma totalmente transparente".
A fundação busca "promover a sustentabilidade ecológica, climática e social, bem como a saúde mental", explicou, embora não tenha informado como ela se chamará.
Descrita como uma adolescente tímida, Greta Thunberg foi alçada a porta-voz de uma geração preocupada com as mudanças climáticas desde que começou a realizar protestos em frente ao Parlamento sueco em agosto de 2018 com um cartaz que pedia "Greve escolar pelo clima".
AFP

JPA: O MENINO DORME EM PAZ

Padre Geovane Saraiva
(Titular da Paróquia de Santo Afonso, blogueiro, escritor)

Na noite do dia 24 de dezembro de 2019, o Menino Jesus, tendo nascido pobre no coração dos seres humanos, foi dormir em paz, de acordo com a célebre canção natalina. Já no dia 25, me dispus a encontrar o recém-nascido, que ainda dormia na manjedoura da nossa Igreja de Santo Afonso, na Parquelândia. Ele dormia de verdade, revelando-nos uma profunda serenidade, ternura e grande paz! Mesmo assim, voltei-me para a estrebaria, no sentido de despertá-lo, sem perder a oportunidade de fazer-lhe um pedido: que eu mesmo possa acordar e ajudar a abrir os olhos de muitos irmãos que gostam de dormir.
Ó Senhor, abençoe a todos os que percebem vossa divindade e se sensibilizam, num olhar terno e afável, diante da manjedoura! Ela é sagrada e nos recorda, não só o humilde e vulnerável nascimento da criança de Belém, mas faz-nos elevar aos céus nossos pensamentos, solidários, para multidões enormes de seres humanos que nascem e vivem nas mesmas condições. Nossa esperança está no Emanuel, Deus Conosco, Senhor e Salvador de todos, que vive e reina para todo o sempre!
Fomos criados, pela proposta do nosso bom Deus, para imitar Jesus de Nazaré, tendo seu início no mistério luminoso da verdadeira luz. Acolhamos o anúncio do Anjo do Senhor, na real e radical simplicidade, humildade e ternura da manjedoura. Agradecidos, diante de Deus Menino, coloquemos a nossa vida de mãos elevadas, porque, com Jesus, nascemos para Deus. A esperança e a consolação chegaram para a humanidade, as quais pedem respostas, na nossa acolhida generosa e sensível atenção ao dom maravilhoso da vida, associados ao sim da Mãe de Deus.
Que neste ano de 2020, que se inicia, tenhamos um espírito de abertura, convidados que fomos a refletir e a pensar na nossa vida, que é dom e graça, a partir da criança de Belém, sem esquecer sua e nossa querida mãe. Enormemente, ela está, de uma maneira muita discreta, em toda parte, na ação salvífica de seu filho redentor, a qual jamais podemos rejeitá-la. Assim seja!
(Transcrito do JPA, edição de janeiro/2020)

Rodrigo Maia detona Weintraub: 'com esse ministro da Educação, nosso país não tem futuro'


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e afirmou que o Brasil “não tem futuro” com uma pessoa como ele no comando do Ministério
29 de janeiro de 2020, 22:07 h Atualizado em 30 de janeiro de 2020, 06:26
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247 - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o ministro da Educação, Abraham Weintraub, e afirmou que o Brasil “não tem futuro” com uma pessoa como ele no comando do Ministério.

Maia participou de um evento promovido pelo Credit Suisse, em São Paulo, e disse que Weintraub prejudica a imagem do país e disse que não tem condições de atrair investimentos para o Brasil com um “ministro da Educação desses”.

A reportagem do jornal Valor destaca que "o presidente da Câmara criticou também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e afirmou que o titular da Pasta “perdeu condições de ser interlocutor” com investidores. “Não sei o que o governo vai fazer com o ministro do Meio Ambiente”, declarou. “Perdeu condições de ser interlocutor. Radicalizou demais”, reforçou."

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

PODCAST: A Felicidade é uma conquista



Por Pe. Geovane Saraiva

Silêncio rompido na Igreja

domtotal.com

'Broken Silence' é uma contemplação musical sobre os abusos sexuais na Igreja Católica


O padre John Geoghan molestou 160 crianças ao longo dos anos
O padre John Geoghan molestou 160 crianças ao longo dos anos
Maggi Van Dorn*
Craig Shepard e eu temos algo em comum: estivemos trabalhando na crise de abuso sexual na Igreja Católica e tornamos isso um ponto focal do nosso trabalho criativo. Craig desde 2014, eu desde 2018. Ele é um compositor, eu sou produtor de podcasts. A primeira vez que ouvi sua meditação musical, chamada “Broken Silence” (Silêncio rompido) foi no calor opressivo de agosto, mas agora, em tarde fria, escura e tempestuosa de dezembro, nós finalmente nos encontramos em uma cafeteria no Brooklyn para discutir este projeto, de cinco anos em construção.
“Broken Silence” é uma contemplação musical de 75 minutos que “ajuda os que ouvem a se envolver com o texto extraído de depoimentos proferidos em tribunais ligados ao escândalo em curso na Igreja Católica”. Mais especificamente, o conjunto de violão acústico de cordas de aço e o saxofone é composto com base na carta de 1982, escrita por Margaret Gallant e enviada ao Cardeal Humberto Medeiros.
“Broken Silence” é uma contemplação musical de 75 minutos sobre uma famigerada carta endereçada às lideranças católicas de Boston por terem fracassado no caso do Pe. John Geoghan
Em suas quatro páginas, escritas à mão, vemos Gallant repreender o cardeal por não impedir o Pe. John Geoghan, que molestou sete meninos da família Gallant e, como viria mais tarde ser descoberto pela equipe do jornal The Boston Globe, outras 150 crianças no total.
A carta é inspiradora; lembro-me bem dela a partir de uma pesquisa que eu mesmo fiz. Gallant escreve na qualidade de católica devota, esforçando-se para balancear o seu amor à Igreja com a agonia pessoal que sua família vivenciou e com uma obrigação de proteger outras crianças. Até mesmo sobre o padre abusador ela escreve: “Honestamente, o meu coração dói por ele e por ele eu rezo, porque sei que [o que fez] deve despedaçá-lo também; mas não posso permitir que a minha compaixão por este padre obscureça o meu juízo em agir pelo Povo de Deus e pelos menores”.
Um sentimento de traição, raiva e desgosto na carta é palpável. E os problemas que Gallant sublinha permanecem conosco ainda hoje: os danos causados por continuarmos silentes, a falha de algumas lideranças eclesiásticas a agir com clareza e determinação, a persistência do clericalismo e a necessidade de uma corresponsabilidade na Igreja.
A carta de Gallant foi usada em relatórios investigativos e em depoimentos nos tribunais, mas também está escrita com a força moral de Santa Catarina de Siena, ou São Tomás More, repreendendo aqueles em cargos de poder por “ficarem sentados” e admoestando-os a proteger o Corpo Místico de Cristo.
O padre Geoghan foi assassinado na prisão por Joseph DruceO padre Geoghan foi assassinado na prisão por Joseph Druce
Agora, Shepard apresenta a carta como um texto sagrado para que contemplemos: “O texto por si só é maravilhoso. Para mim, é um texto inspirado”.

Craig Shepard é familiarizado com textos sagrados. Quando estudou na Northwestern University, pediram-lhe que fizesse uma composição em contraponto renascentista e músicas sacras. Assim, enquanto tomo o meu café, interrompo Shepard para uma rápida lição em teoria musical. Ele explica pacientemente o que é um contraponto com uma música de Ariana Grande:
“Se lembrarmos as missas de antigamente, que são cantadas com múltiplas vozes, o contraponto significa apenas que existe mais de uma melodia se desenrolando ao mesmo tempo”.
A carta é lida em um ritmo lento, contemplativo por Shepard e acompanhada por cinco músicos reunidos em um círculo
No começo, Shepard não gostou da ideia de estudar música coral renascentista porque isso significava tentar criar dentro de regras preestabelecidas. Mas, segundo ele mesmo, estas regras também produzem “alguns dos exemplos mais belos em música”. E se ouvirmos as obras de Palestrina, perceberemos o contraponto e veremos que essa experiência pode ser completamente transcendente.
Através do estudo da música renascentista, Shepard acabou versado em textos sagrados. A maior parte da literatura vinha diretamente das Escrituras, mas uma parte veio dos místicos medievais, como Hildegard de Bingen. Hoje ele acrescenta a carta de Margaret Gallant à lista de textos sagrados para a contemplação.
Essa carta é lida em ritmo lento e contemplativo por Shepard e acompanhada por cinco músicos reunidos em um círculo: Erin Rogers (saxofone tenor), Kristen McKeon (saxofone alto) e Dan Joseph, Dev Ray e Alex Lahoski (violonistas). A música é esparsa, aumentando e diminuindo para sustentar as palavras pronunciadas. Um único tom é introduzido e passado entre os músicos; então, como um contraponto, tons diferentes se unem para criar uma ressonância impressionante.
Com toda essa beleza musical, poderíamos nos perguntar, por que alguém iria querer se sentar e contemplar uma carta cheia de dor?
No entanto, com toda essa beleza musical, poderíamos nos perguntar, por que alguém iria querer se sentar e contemplar uma carta cheia de dor? É uma pergunta parecida com a que ouvi quando produzi “Deliver Us”: Por que produzir um podcast em 12 episódios sobre este tema agonizante?
Albert DeSalvo, outra vítima da pedofilia de GeoghanAlbert DeSalvo, outra vítima da pedofilia de Geoghan
“Primeiro temos de ouvir o que aconteceu antes de nos movermos através da carta”, explica Shepard. Isso vale não só para a Igreja Católica, mas para qualquer governo ou instituição que precisa acertar as contas com uma história de violência e corrupção. E vale para cada um de nós. Não podemos nos mover através da crise sem primeiro ouvir o que aconteceu.

O segundo grande insight que Shepard compartilha é que “quando nos reunimos, podemos fazer aquilo que ninguém de nós conseguiria fazer sozinho”. Ele quer dizer tanto em sentido místico quanto em sentido científico. No sentido espiritual, ele se volta ao Evangelho de Mateus: “Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles” (Mateus 18,20). Neste encontro de corações e mentes, que guardam espaço para a angústia das palavras de Margaret Gallant, algo mais se torna possível.
A outra forma como Shepard olha para aquilo que está acontecendo é através das lentes da terapia da experiência somática. Mais uma vez, peço que explique a ideia.
“A terapia da experiência somática é uma modalidade criada pelo doutor Peter Levine. A sua eficiência serve para todas as formas de traumas. A ele ocorreu a ideia de que o trauma não está no evento, mas sim no sistema nervoso e que todo sistema nervoso tem uma capacidade de cura”.
Em resumo, quando as forças são grandes demais (como acidentes de carro ou um combate militar) ou quando o sistema nervoso não se desenvolve plenamente (como com crianças que sofrem abuso), “o corpo fica preso e incapaz de completar a resposta natural ao trauma e voltar ao funcionamento normal”. Com a ajuda de um profissional treinado em experiência somática, a pessoa pode processar por completo ou “completar o trauma” e, então, sintomas como a ansiedade, a depressão ou o estresse pós-traumático geralmente desaparecerão.
Shepard deixa claro que “Broken Silence” não é terapia. No entanto, após três anos de formação em terapia somática, diz que esta abordagem influiu na composição musical.
Vejamos o próprio arranjo espacial dos músicos. Eles, todos altamente treinados em seus instrumentos e tendo certo tipo de prática espiritual, sentam-se em um círculo ao centro. O público fica ao redor deste círculo, e espalhadas entre o público estão pessoas que já meditaram sobre esta carta várias vezes antes e que desenvolveram uma capacidade de prestar auxílio a quem necessitar. Elas chegam meia hora antes de as portas abrirem para “aquecerem a sala”. Essa prática foi tirada do culto Quaker, mas também se baseia na ideia de ressonância desenvolvida na experiência somática. Ressonância é um conceito que diz que o nosso sistema nervoso pode entrar em sincronia com aqueles que estão ao nosso redor. Assim, acrescentamos dez sistemas nervosos na sala que já passaram um tempo em harmonia com o material, criando um ambiente diferente dentro do qual ouvimos a carta.
Spotlight, filme que conta os crimes de pedofilia acobertados pela Igreja de Boston'Spotlight', filme de 2016 que conta os crimes de pedofilia acobertados pela Igreja de Boston
“Broken Silence” é mais que um concerto. É uma meditação musical que mergulha diretamente no cerne do trauma coletivo humano

Quanto a Shepard, ele conduz, como regente, mais do que palavras e a música. Constantemente ele anda pela sala, observando como a plateia responde e se adapta à velocidade da música para melhor sustentar o que acontece ao redor.
Para mim está claro que “Broken Silence” é mais que um concerto. É uma meditação musical sobre um texto inspirado que mergulha diretamente no cerne do trauma coletivo humano e aumenta a nossa capacidade de nos movermos nele.
Ao final de nossa conversa de duas horas e meia, Craig Shepard e eu cobrimos muita coisa, desde o contraponto renascentista à experiência somática, passando pela forma como podemos aspirar vida nova para dentro de uma igreja traumatizada.
Ele não precisa me contar do valor que há em contemplar coisas difíceis. Na verdade, o simples fato de sentar aqui e conversar sobre a nossa luta comum com a crise de abusos já me conforta. Não porque tudo se resolveu, mas porque posso começar a ver caminhos de cura, onde antes só havia escuridão.
Falar dos males sociais por si só é desmoralizante e pior ainda com o nosso consumo frequentemente solitário das mídias. Somos bombardeados por frases de efeito, distraídos por notificações e atormentados pelo desespero que vem quando não conseguimos resolver problemas complexos do dia para a noite. Nada disso nos faz bem, não são nenhum pouco construtivos.
Mas aqui temos algo que Craig Shepard e eu descobrimos: quando nos distanciamos ou tentamos silenciar o nosso trauma, as coisas só pioram. Sempre que reservamos um tempo e espaço para contemplar a nossa dor e sempre que confrontamos os nossos demônios em nossa comunidade com os demais, saímos com uma sensação duradoura de esperança.
É como Shepard diz: “Quando nos reunimos, podemos fazer aquilo que ninguém de nós conseguiria fazer sozinho”. Então, para aqueles que estiverem se debatendo com esta crise, dentro ou fora da Igreja, eu recomendaria “Broken Silence”. A obra estreia na cidade de Nova York nas noites de 6 a 8 de janeiro. A entrada não é cobrada; no entanto, o número de lugares é limitado.
‘Spotlight – Segredos revelados’. Veja o trailer.

*O comentário é de Maggi Van Dorn, criadora e produtora de "Delivery Us", publicado pela revista America. A tradução é de Isaque Gomes Correa.