sexta-feira, 31 de maio de 2019

Ciro isolado: ataque contra Flávio Dino

Isolado, Ciro parte para o ataque contra Flávio Dino

: <p>Ciro Dino e Lula</p>
Evidenciando o seu inconformismo com a movimentação do campo progressista em torno de Lula, o ex-presidenciável Ciro Gomes (PDT) mostra que está isolado e parte novamente para o ataque, desta vez contra o governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB); o motivo é um encontro do governador maranhense com Lula no próximo dia 6.

Líder do governo Bolsonaro é delatado por donos de avião que caiu com Eduardo Campos

MARCELLOCASAL-ABR: <p>senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)</p>
Líder do governo Jair Bolsonaro (PSL) no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), foi delatado por dois agiotas de Recife; identificados como Lyra e Ventola, os dois são os proprietários do avião cuja queda culminou na morte de Eduardo Campos (PSB), candidato à Presidência da República em 2014; segundo os delatores, Fernando Bezerra teria recebido propinas de empreiteiras entre 2010 e 2014.

Roménia: Papa saúda país aberto ao mundo, 30 anos depois do fim do regime comunista

Francisco destaca questões ligadas à emigração e à liberdade religiosa, no seu primeiro discurso em Bucareste
Foto: Lusa
Bucareste, 31 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco iniciou hoje a sua primeira viagem à Roménia com elogios ao projeto democrático do país, 30 anos depois do fim do regime comunista, abordando questões ligadas à emigração e à liberdade religiosa.
“A Roménia libertou-se dum regime que oprimia a sua liberdade civil e religiosa e a isolava dos outros países europeus, levando-a também à estagnação da sua economia e ao exaurimento das suas forças criativas”, disse, no palácio presidencial de Bucareste, perante autoridades políticas, responsáveis religiosos e da sociedade civil, além de membros do corpo diplomático.
Francisco saudou a “terra formosa”, hoje construída “através do reconhecimento fundamental da liberdade religiosa e da plena integração do país no mais amplo cenário internacional”.
Foto: Lusa
O segundo pontífice a visitar a Roménia, 20 anos depois da viagem de São João Paulo II, foi recebido no aeroporto internacional de Bucareste pelo chefe de Estado, Klaus Werner Iohannis, acompanhado pela primeira-dama, tendo recebido um ramo de flores de duas crianças, em trajes tradicionais, antes de um primeiro cumprimento a vários representantes de comunidades religiosas.
A viagem de Francisco, que se prolonga até domingo, prevê passagens por várias regiões romenas e encontros com diversas minorias, num país de maioria ortodoxa, em que os católicos são cerca de 7% da população.
Na União Europeia desde 2007, a Roménia tem neste semestre, pela primeira vez, a presidência de turno do Conselho Europeu.
A cerimónia de boas-vindas ao Papa decorreu no complexo do Palácio Presidencial, onde Francisco foi recebido, em audiências privadas, por Klaus Werner Iohannis e, depois, pela primeira-ministra Vasilica Viorica Dancila.
No seu primeiro discurso, o Papa destacou os problemas gerados pela saída de milhões de romenos do seu país e pelo “despovoamento de tantas aldeias” no país.
Presto homenagem aos sacrifícios de tantos filhos e filhas da Roménia que enriquecem os países para onde emigraram, com a sua cultura, o seu património de valores e o seu trabalho e, com o fruto do seu empenho, ajudam a família que ficou na própria pátria”.
Foto: Lusa
Francisco defendeu uma “sociedade inclusiva”, que seja capaz de ouvir “os mais fracos, os mais pobres e os últimos”.
“Não é suficiente atualizar as teorias económicas, nem bastam – apesar de necessárias – as técnicas e capacidades profissionais. Com efeito, trata-se de desenvolver, juntamente com as condições materiais, a alma do vosso povo”, sustentou.
O Papa sublinhou, a este respeito, o papel das Igrejas cristãs na construção da vida comunitária e observou que os católicos são parte do “espírito nacional”, de forma plena.
“Deus abençoe a Roménia”, concluiu.
Após o discurso, o Papa cumprimentou o patriarca ortodoxo da Roménia, Daniel.
A agenda vespertina é totalmente ecuménica: um encontro privado com o patriarca Daniel, no Palácio do Patriarcado Ortodoxo Romeno (15h45, menos duas horas em Lisboa), seguido de uma reunião com o Sínodo Permanente e a oração do Pai-Nosso na nova catedral ortodoxa da Salvação do Povo; em 1999, o Papa João Paulo II fez um donativo para a construção do edifício.
O Patriarcado Ortodoxo da Roménia fez um inédito convite para que a população venha acompanhar o encontro, no adro da catedral.
O dia do Papa Francisco em Bucareste termina com a celebração da Missa na catedral católica de São José, pelas 18h10 locais.
OC

Roménia: Papa pede que Europa conserve raízes da «identidade cristã»

Francisco rezou pela reconciliação e a comunhão entre católicos e ortodoxos
Foto: Lusa
Bucareste, 31 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa rezou hoje na Roménia por um “caminho de fraternidade” que promova a “reconciliação e a comunhão” entre católicos e ortodoxos, desafiando-os a conservar as raízes cristãs da Europa.
“Suplicamo-Vos também o pão da memória, a graça de reforçar as raízes comuns da nossa identidade cristã, raízes indispensáveis num tempo em que a humanidade, particularmente as gerações jovens, correm o risco de se sentirem desenraizadas no meio de tantas situações líquidas, incapazes de fundamentar a existência”, declarou, num encontro de oração que decorreu na nova catedral ortodoxa da Salvação do Povo.
O templo, conhecido como “catedral nacional” de Bucareste, acolheu a recitação do Pai-Nosso em latim e romeno, pontuada pela execução de hinos de Páscoa católicos e ortodoxos, num simbólico gesto ecuménico.
Numa intervenção em forma de oração, Francisco invocou a “concórdia” para a humanidade.
Pedimo-la pela intercessão de tantos irmãos e irmãs na fé que moram juntos no vosso céu, depois de ter acreditado, amado e sofrido muito – mesmo em nossos dias – pelo simples facto de serem cristãos”.
O Papa convidou a rejeitar quaisquer dinâmicas guiadas pelas “lógicas do dinheiro, dos interesses, do poder”.
“Enquanto nos encontramos mergulhados num consumismo cada vez mais desenfreado, que cega com fulgores cintilantes, mas efémeros, ajudai-nos, Pai, a crer naquilo que rezamos: renunciar às seguranças cómodas do poder, às seduções enganadoras da mundanidade, à vazia presunção de nos crermos autossuficientes, à hipocrisia de cuidar das aparências”, acrescentou.
Francisco desejou que a oração comum dê voz ao “grito” dos mais pobres, perante o individualismo e a indiferença.

“Ajudai-nos, Pai, a não ceder ao medo, nem ver um perigo na abertura; a ter a força de nos perdoarmos e prosseguir, a coragem de não nos contentarmos com a vida tranquila, mas de procurar sempre, com transparência e sinceridade, o rosto do irmão”, rezou.
Centenas de pessoas acolheram o líder da Igreja Católica diante da catedral ortodoxa, onde se ouviram gritos de “unidade” e “viva o Papa”.
O patriarca Daniel falou de um edifício “simbólico”, que representa o renascimento espiritual da Roménia, após os anos do regime comunista, no século XX.
Este responsável explicou que a oração com o Papa quis ser uma forma de agradecimento pelos 426 lugares de culto colocados à disposição dos ortodoxos romenos, na Europa ocidental, pela Igreja Católica.
Daniel ofereceu a Francisco um mosaico com a figura de Santo André, padroeiro espiritual da Roménia; este discípulo de Jesus era irmão de São Pedro, o primeiro Papa.

A Igreja Católica e as Igrejas ortodoxas continuam separadas desde o Cisma de 1054, tendo estas últimas desenvolvido um modelo de autoridade próprio, de cariz nacional, pelo que os vários patriarcados são autónomos e o patriarca ecuménico de Constantinopla (atual Turquia) tem apenas um primado de honra, como ‘primus inter pares’.
A primeira visita do Papa Francisco à Roménia, 20 anos depois da viagem de São João Paulo II a Bucareste, iniciou-se esta manhã e decorre até domingo.
OC

Roménia: Papa encerra primeiro dia da visita junto da comunidade católica

Francisco destaca papel das mulheres na construção do futuro, em reflexão centrada na figura da Virgem Maria
Foto: Lusa
Bucareste, 31 mai 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco encerrou hoje o primeiro dia da sua visita à Roménia com uma celebração na catedral católica de São José, em Bucareste, destacando o papel das mulheres na construção do futuro.
“Contemplar Maria permite-nos estender o olhar sobre tantas mulheres, mães e avós destas terras que, com sacrifício sem alarde, abnegação e empenho moldam o presente e tecem os sonhos do futuro. Doação silenciosa, tenaz e despercebida”, declarou, na homilia da Missa, perante centenas de pessoas que lotaram o templo.
A celebração decorreu depois de uma série de encontros ecuménicos com responsáveis da Igreja Ortodoxa da Roménia.
A passagem do papamóvel pelas ruas da capital romena foi acompanhada por centenas de pessoas.
Francisco centrou a sua reflexão para a minoria católica (cerca de 7% da população do país) em três expressões “Maria caminha, Maria encontra, Maria rejubila”.
Falando das várias viagens realizados pela Virgem Maria, particularmente venerada pelos católicos romenos, o Papa sublinhou que “nunca foram caminhos fáceis, exigiram coragem e paciência”.
Foto: Lusa
A intervenção destacou a importância do encontro entre jovens e idosos, dando origem ao “milagre” da cultura do encontro, “na qual ninguém é descartado nem rotulado”.
“Cultura do encontro que nos impele, a nós cristãos, a experimentar o milagre da maternidade da Igreja que procura, defende e une os seus filhos”, acrescentou o pontífice.
Francisco afirmou que “o problema da fé é a falta de alegria”, que encerra as pessoas em si próprias e leva a esquecer Deus, “Pai, salvador e poderoso”.
Pensemos nas grandes testemunhas destas terras! Pessoas simples, que confiaram em Deus no meio das perseguições. Não colocaram a sua esperança no mundo, mas no Senhor, e assim continuaram em frente”.
No final da sua intervenção, o Papa desafiou os católicos a ser “promotores duma cultura do encontro que desminta a indiferença e a divisão e permita a esta terra cantar, com força, as misericórdias do Senhor”.
No sábado, o pontífice desloca-se a Bacau, na região da Moldávia, onde pelas 11h30 preside à Missa no Santuário de Sumuleu-Ciuc, destino histórico de peregrinação para os católicos de língua húngara da Roménia e de outros países; a celebração vai contar com a presença do presidente da Hungria, Janos Ader.
OC

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais

A imagem pode conter: Luis Sartorel, sorrindo, close-up

Queridos irmãos e irmãs!
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Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos. Com esta Mensagem, gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão.

As metáforas da “rede” e da “comunidade”

Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.

É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos. As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying. [1]

Na complexidade deste cenário, pode ser útil voltar a refletir sobre a metáfora da rede, colocada inicialmente como fundamento da internet para ajudar a descobrir as suas potencialidades positivas. A figura da rede convida-nos a refletir sobre a multiplicidade de percursos e nós que, na falta de um centro, uma estrutura de tipo hierárquico, uma organização de tipo vertical, asseguram a sua consistência. A rede funciona graças à comparticipação de todos os elementos.

Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis. Como rede solidária, a comunidade requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.

No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade. No melhor dos casos, tais comunidades conseguem dar provas de coesão e solidariedade, mas frequentemente permanecem agregados apenas indivíduos que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caraterizados por vínculos frágeis. Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo.

A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar.

Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, económico, e interpela também a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma.

Naturalmente não basta multiplicar as conexões, para ver crescer também a compreensão recíproca. Então, como reencontrar a verdadeira identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns para com os outros inclusive na rede on-line?

“Somos membros uns dos outros”

Pode-se esboçar uma resposta a partir duma terceira metáfora – o corpo e os membros – usada por São Paulo para falar da relação de reciprocidade entre as pessoas, fundada num organismo que as une. «Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25). O facto de sermos membros uns dos outros é a motivação profunda a que recorre o Apóstolo para exortar a despir-se da mentira e dizer a verdade: a obrigação de preservar a verdade nasce da exigência de não negar a mútua relação de comunhão. Com efeito, a verdade revela-se na comunhão; ao contrário, a mentira é recusa egoísta de reconhecer a própria pertença ao corpo; é recusa de se dar aos outros, perdendo assim o único caminho para se reencontrar a si mesmo.

A metáfora do corpo e dos membros leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos, todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo. Isto ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas. Já não tenho necessidade do adversário para me autodefinir, porque o olhar de inclusão, que aprendemos de Cristo, faz-nos descobrir a alteridade de modo novo, ou seja, como parte integrante e condição da relação e da proximidade.

Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as Pessoas divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente, comunicação, porque o amor sempre comunica; antes, comunica-se a si mesmo para encontrar o outro. Para comunicar connosco e Se comunicar a nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 2).

Em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. Como afirma São Basílio, «nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação uns com os outros, ter necessidade uns dos outros».[2]

O panorama atual convida-nos, a todos nós, a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da nossa humanidade. Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe.

É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa do indivíduo. Da fé num Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente pessoal, se me relacionar com os outros. Com efeito, o termo pessoa conota o ser humano como «rosto», voltado para o outro, comprometido com os outros. A nossa vida cresce em humanidade passando do caráter individual ao caráter pessoal; o caminho autêntico de humanização vai do indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece um companheiro de viagem.

Do “like” ao “amen”

A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.

Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho… Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amen» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.

Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2019.

FRANCISCUS

________________________

[1] Para circunscrever o fenómeno, será instituído um Observatório internacional sobre cyberbullying, com sede no Vaticano.

[2] Grandes Regras, III, 1: PG 31, 917. Cf. Bento XVI, Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais (2009).

Cortes de despesas

Bolsonaro se diz preocupado com a quebra de sigilo do seu filho



ABR:
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que está preocupado com a quebra do sigilo do seu filho Flávio Bolsonaro, senador pelo PSL-RJ; "Lógico. Se alguém mexe com um filho teu, não interessa se ele está certo ou está errado, você se preocupa".

PARTE DO TALUDE DE MINA DA VALE SE DESPRENDE EM BARÃO DE COCAIS

Reprodução Google Maps


Mineradora Vale informou que uma parte do talude norte da cava da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), se desprendeu durante a madrugada de hoje (31); segundo a Defesa Civil de Minas Gerais, não há indícios de que o incidente tenha causado danos à estrutura da barragem.

Espírito Santo: Dom Pascal

Padre Geovane Saraiva*
A imagem pode conter: 2 pessoas, área internaO Papa Francisco é criticado, até mesmo insultado, por alguns católicos, por causa do seu encantamento pelo Evangelho de Jesus, com seu enorme coração, num esforço de ser coerente e fiel ao projeto do Pai. Vemos, de verdade, a realização da profecia proclamada por Jesus de Nazaré. Essa profecia divide, sendo consequente e escandalosa. A reação se torna evidente, quando pobres, estrangeiros e os últimos da sociedade entram na mesma lógica: a de uma Igreja em saída, inclusiva e com sensível clamor dos empobrecidos, dos migrantes e dos refugiados. Que nossa oração chegue aos céus, unida à oração do Santo Padre: “Rezemos por aqueles que vivem em estado grave de enfermidade. Protejamos sempre a vida, dom de Deus, desde o início até a morte natural. Não cedamos à cultura do descarte”.

padre Geovane
Somos convencidos de que a criatura humana é para ser plenamente livre, a partir do mistério da redenção, tendo a compreensão de que, dentre os dons pascais, o maior é o do Espírito Santo. Jesus de Nazaré O anunciou, na força da obediência ao Pai, introduzindo-nos na verdade e no amor, enquanto preparava os discípulos para sua partida. Vemos intimamente ligadas as verdades do anúncio do Senhor Jesus, afirmando com clareza: Era preciso que Jesus morresse, ressuscitasse e subisse ao céu. No vigor da missão, a do seu Espírito a nós cristãos, acolhamos, pois, o interesse salvífico do Pai, a nos dizer: “É melhor para vocês que eu vá, pois, se eu não for, o Paráclito não virá” (Jo 16, 7).

Ó Jesus, permita-nos recordar o Santo Espírito em tudo por vós anunciado! Diante dos nossos olhos precisamos sempre colocar que, por ocasião do seu feliz retorno no final dos tempos, sejamos, evidentemente, reconciliados e pacificados no amor. Da nossa parte, devemos estar apropriados do Espírito da verdade, que é a mais absoluta clareza da paz que nos é dada já neste mundo e eternizada no mundo futuro. A paz de Deus, segundo Santo Agostinho, nos é oferecida, agora, com o claro fim de nela permanecermos, ficando para nós um único objetivo: vencer o mal e o inimigo com todos os seus frutos. Pela paz que vem de Deus como dom e graça, que reine o amor mútuo, com o céu já aqui na terra. Que possamos ser um mundo solidário, de justiça e paz, longe das contrariedades, angústias e frustrações.

Ao se encerrar o mês de maio de 2019, valemo-nos da Santa Mãe de Deus, no que disse nosso querido padroeiro, Santo Afonso Maria de Ligório, a seu respeito: “Ó Maria, crestes na palavra do Anjo e, permanecendo virgem, seríeis a Mãe do Senhor, e assim presenteaste o mundo com a salvação. Desse modo, vossa fé abriu-nos o Paraíso”. “Ó ditosa e bem-aventurada sois vós, ó Maria, porque crestes que se cumpriria em vós o que da parte do Senhor vos fora dito” (Lc 1, 45). Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e Colunista, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza

HviaM: Weintraub assassina o português de novo e diz que 'haviaM emendas'

Geraldo Magela/Agência Senado: <p> Abraham Weintraub</p>
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, além de agredir o bom senso, a democracia e a justiça, com ameaças a estudantes, professores e reitores e, ultimamente, com a proposta explícita de deduragem contra pais, alunos e mestres, é um contumaz violador da norma culta da língua portuguesa; no vídeo em que tenta fazer uma gracinha imitando Gene Kelly em "Cantando na Chuva", divulgado nas redes sociais, ele assassina a gramática ao dizer que "haviaM emendas".

CUT: SUCESSO DAS RUAS DÁ FORÇA INÉDITA À GREVE GERAL

Mídia Ninja | ABr | Reuters


Para o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, os atos em defesa da educação e contra os cortes de verbas em 15M e 30M, com a mobilização de mais de 1 milhão de pessoas, fortaleceram de maneira sem precedentes a organização da greve geral marcada para 14 de junho; "Foi muito bom porque foi um sucesso," afirma Cayres.

“A conversa com o presidente Bolsonaro foi amigável”, disse dom Walmor


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“A conversa com o presidente Bolsonaro foi amigável”, disse dom Walmor

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, visitou o Presidente da República, Jair Bolsonaro, na tarde desta quarta-feira, 29 de maio. Na saída do encontro, falando com a equipe da TV Canção Nova, o presidente da CNBB disse: “A conversa com o presidente Bolsonaro foi amigável. Viemos como presidência da CNBB fazer uma visita cordial e de cortesia. Dizer a importância do diálogo e da nossa proximidade, porque como Igreja Católica, a partir dos valores do Evangelho e do tesouro maior que nós temos, a nossa fé, olhamos o Brasil nos seus muitos desafios. Estamos aqui para dialogar, colaborar, com todos os poderes, com todos os segmentos da sociedade, porque a Igreja, quando anuncia o Reino de Deus, ilumina o coração e a mente de todas as pessoas buscando sempre promover a vida em todas as suas etapas”.

O encontro

Segundo a Canção Nova, a reunião foi a portas fechadas, sem autorização para imagens nem áudio da imprensa. O encontro entre as autoridades começou por volta das 14h e durou menos de uma hora, no Palácio do Planalto. Também estavam presentes os dois vice-presidentes, dom Jaime Spengler e dom Mário Antônio e o secretário-geral, dom Joel Portella.

Ao ser abordado pela reportagem, dom Walmor disse também que a visita não foi para ‘dar recados’, mas para caminhar juntos pelo bem da sociedade brasileira.
CNBB

Padre Geovane Saraiva: marcas da esperança

Próximo dos 31 anos de vida sacerdotal (14/8/1988)
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2 milhões foram às ruas neste 30 de maio, diz UNE, que convoca greve geral



Manifestação no Rio de janeiro. Foto: Divulgação UNE.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) contabiliza 2 milhões que foram às ruas nesta quinta-feira, 30 de maio, contra cortes de verbas da educação e reformas do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Pelo levantamento parcial da entidade estudantil, que organizou os protestos de hoje, 1,3 milhão de pessoas marcharam somente em oito capitais (São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Salvador, Belém e Natal). As manifestações foram foram realizadas em 26 estados e o Distrito Federal.

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De acordo com a UNE, o 30 de maio foi maior que as manifestações anteriores.

“Hoje os estudantes demonstraram mais uma vez a sua força e disposição de lutar pela educação. Assim como no dia 15 de Maio fomos milhões às ruas, em centenas de cidades e todos estados do Brasil e no Distrito Federal”, diz a entidade, que já iniciou a convocação da greve nacional no dia 14 de junho pela educação e contra a reforma da previdência.

A UNE afirma que São Paulo e Belo Horizonte registraram o maior número de manifestantes nas ruas: 350 mil e 300 mil, respectivamente.

Francisco chega a Bucareste



A viagem apostólica do Papa Francisco à Romênia, a 30ª do seu Pontificado, começa na capital do país. A alegria de católicos e ortodoxos.
Debora Donnini, Silvonei José - Bucareste

Vinte anos depois de João Paulo II, o Papa retorna à Romênia. Francisco visitará não só Bucareste, como ocorreu com Wojtyla, mas também diferentes regiões, cada uma com a sua própria história e cultura, onde encontrará as diferentes comunidades católicas. Um país com uma maioria ortodoxa, em que os católicos são cerca de 7%.
Francisco chega a um país que saiu do comunismo 30 anos atrás, que desde 2007 faz parte da União Europeia, e neste semestre tem a Presidência da União Europeia; um país que olha para o futuro. Este primeiro dia será todo dedicado a Bucareste, a "pequena Paris", assim chamada por causa dos belos edifícios do centro em estilo “liberty” e “art nouveau”. Uma cidade vivaz que recebe Francisco. Nas largas avenidas arborizadas ao longo caminho que do aeroporto leva o Papa até o coração da capital, bandeiras do Vaticano e da Romênia, e o povo que o espera.
O avião papal tocou terra às 05h09, hora de Brasília, 11h09 na Romênia. Francisco foi recebido pelo Presidente da Romênia, Klaus Werner Iohannis, de uma antiga família de saxões da Transilvânia, e sua esposa. Estes primeiros momentos serão marcados pela cerimônia de boas-vindas no complexo do Palácio Presidencial, ao Palácio Cotroceni, pela visita de cortesia ao Presidente, pelo encontro com a primeira-ministra da Romênia, Vasilica Viorica Dancila e, posteriormente, com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo Diplomático.
A alegria da Igreja Ortodoxa

O ecumenismo será uma das características essenciais do dia de hoje e entrando no vivo depois do almoço, quando o Papa irá ao Patriarcado Ortodoxo Romeno, onde João Paulo II também esteve com Teoctistas. Um acontecimento esse que permaneceu no coração e na história, tanto que uma placa recorda o evento. A acolher Francisco será o Patriarca da Igreja Ortodoxa romena, Daniel, estimado teólogo, que também estudou em Estrasburgo e Friburgo. Em seguida, o encontro com o Sínodo permanente, um dos mais altos órgãos de decisão da Igreja Ortodoxa romena. Momento importante, também para os fiéis, será a Oração do Pai Nosso na nova catedral ortodoxa, a Catedral da Salvação do Povo, inaugurada em novembro passado e ainda não concluída, com medidas imponentes e uma esplêndida iconóstase no seu interior. O Patriarcado fez um forte convite a todos  para participarem do evento, como confirmado por Ionut Mavrichi, arquidiácono e vice-diretor do gabinete de imprensa do Patriarcado Ortodoxo. "O Papa é bem-vindo à Romênia", disse, sublinhando que a Igreja Ortodoxa partilha a alegria da Igreja Católica pela visita de Francisco e recordando que a mensagem cristã de paz e unidade, de que a Europa precisa, pode contribuir para o futuro da sociedade.

O abraço da comunidade católica

O dia terminará com um encontro com a comunidade católica na catedral de São José, construída a partir de meados do século XIX. No interior, as relíquias do Beato Vladimir Ghika, sacerdote e mártir, e de São João Paulo II. O abraço com os fiéis católicos encerrará, portanto, este primeiro intenso dia de Francisco na Romênia, o "jardim da Mãe de Deus", como a chamou também João Paulo II, tão querida ao povo romeno. Hoje o povo romeno recebe novamente o Papa, que chega como peregrino "para caminhar junto com os irmãos da Igreja Ortodoxa Romena e com os fiéis católicos".

Papa na Romênia: uma sociedade é civil quando cuida dos mais pobres

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Em seu primeiro discurso em terras romenas, o Pontífice recordou a visita de São João Paulo II que esteve no país há 20 anos, e afirmou que a Igreja Católica quer se colocar ao serviço da dignidade e do bem comum
Jane Nogara – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco deixou o Vaticano, na manhã desta sexta-feira (31/5), para mais uma Viagem Apostólica do seu Pontificado, é a sua 30ª viagem, que o leva à Romênia.

Depois da acolhida no aeroporto de Bucareste o Papa fez uma visita de cortesia ao Presidente romeno Klaus Werner Iohannis no Palácio presidencial, local do encontro com as Autoridades, a Sociedade civil, os Representantes de várias confissões religiosas e o Corpo Diplomático.

Após as palavras de boas-vindas do Presidente, o Papa Francisco pronunciou seu discurso expressando sua alegria:

“ Estou feliz por me encontrar nesta "ţară frumoasă, terra formosa, vinte anos depois da visita de São João Paulo II e no semestre em que a Romênia – pela primeira vez desde que começou a fazer parte da União Europeia – preside ao Conselho Europeu ”

Depois de lembrar dos 30 anos passados desde que a Romênia se libertou do regime que oprimia a liberdade civil e religiosa, o Papa elogiou a reconstrução e o trabalho feito através “do pluralismo das forças políticas e sociais e do seu diálogo mútuo através do reconhecimento fundamental da liberdade religiosa e da plena integração do país no mais amplo cenário internacional”.

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31/05/2019
Fenômeno da emigração
Porém continuou Francisco,

“ É preciso reconhecer que as transformações, tornadas necessárias pela abertura de uma nova era, acarretaram consigo – juntamente com as conquistas positivas – o aparecimento de inevitáveis obstáculos que se devem superar e de consequências para a estabilidade social e a própria administração do território nem sempre fáceis de gerir ”

Neste ponto recordou o fenômeno da emigração da população à procura de novas oportunidades de trabalho, levando ao “despovoamento de muitas localidades” que pesa inevitavelmente “na qualidade de vida em tais terras e enfraquecimento das raízes culturais e espirituais que sustentam nas adversidades”.

Caminhar juntos
Para enfrentar estes problemas, afirma o Papa “é preciso aumentar a colaboração positiva das forças políticas, econômicas, sociais e espirituais"

“ É necessário caminhar juntos e que todos se comprometam, convictamente, a não renunciar à vocação mais nobre a que deve aspirar um Estado: ocupar-se do bem comum do seu povo ”

“Assim – continua o Pontífice – pode-se construir uma sociedade inclusiva, na qual cada um, disponibilizando os seus próprios talentos e competências (…) se torne protagonista do bem comum”. De fato, conclui “quanto mais uma sociedade se dedica aos mais desfavorecidos, tanto mais se pode dizer verdadeiramente civil”.

E para alcançar estes objetivos: "É preciso que tudo isto tenha uma alma, um coração e uma direção clara de marcha, imposta, (…) pela consciência da centralidade da pessoa humana e dos seus direitos inalienáveis”. E o Papa continua “para um desenvolvimento sustentável harmonioso (…) não é suficiente atualizar as teorias econômicas, nem bastam – apesar de necessárias – as técnicas e capacidades profissionais. Com efeito, trata-se de desenvolver, juntamente com as condições materiais, a alma de todo o povo”.

A Igreja Católica quer dar a sua contribuição
“ Neste sentido as Igrejas cristãs podem ajudar a reencontrar e alentar o coração pulsante de onde fazer fluir uma ação política e social que parta da dignidade da pessoa e leve a empenhar-se, leal e generosamente, pelo bem comum da coletividade ”

Por fim, falando do trabalho das Igrejas cristãs esclarece que “a Igreja Católica quer colocar-se neste sulco, quer dar a sua contribuição para a construção da sociedade, deseja ser sinal de harmonia, esperança de unidade e colocar-se ao serviço da dignidade humana e do bem comum”.

O Papa concluiu o seu discurso desejando à Romênia “paz e prosperidade” e invocando sobre “toda a população abundância de bênçãos divinas”.

Irmãos gêmeos de 26 anos são ordenados sacerdotes no mesmo dia

"Finalmente eu disse ‘sim’ ao Senhor de maneira definitiva. Sei que estou onde o Senhor quer. E tenho a graça de ter o meu irmão ao meu lado para compartilhar a profundidade e a importância de tudo o que estamos vivendo"

Os gêmeos Giacomo e Davide têm 26 anos de idade e, neste último 25 de maio, juntos como durante toda a vida, foram ordenados sacerdotes na diocese italiana de Treviso.
pe. Giacomo relata que, na 5ª série do ensino fundamental, aos 11 anos, conheceram a pastoral vocacional do seminário de Treviso com outras crianças da catequese, mas, na época, nem ele nem Davide tinham o sacerdócio em mente. Em entrevista à Famiglia Cristiana ele afirma:
“Aos 11 anos, eu não me perguntava se queria ser sacerdote ou não. Tudo começou como uma nova aventura. Conforme fomos crescendo, cada um começou o seu discernimento, aprofundando na teologia e na escolha de ser sacerdote”.
Os dois destacam, aliás, que o discernimento de cada um foi “pessoal, autônomo e livre”.
Eles enfatizam ainda, como fundamental, o apoio da família: da mãe, Agnese, do pai, Giampietro, e das irmãs Irene e Maria.
“Nunca nos sentimos sozinhos. Sempre fomos acompanhados, apoiados, principalmente pelos nossos pais. Graças ao primeiro ‘sim’ deles e ao testemunho de vida deles, nós também pudemos dizer o nosso ‘sim’. Quando fomos da pastoral de jovens para o seminário, tínhamos 15 anos de idade”.
Durante o período de estudos normais, Giacomo e Davide cursaram, respectivamente, os bacharelados científico e de comunicação, além, é claro, da teologia estudada no seminário.
pe. Davide testemunha que, agora, finalizada a parte do percurso que os trouxe até o sacerdócio ministerial, o “sim” dito a Jesus lhe traz “grande paz interior”:
“Finalmente eu disse ‘sim’ ao Senhor de maneira definitiva. Sei que estou onde o Senhor quer. E tenho a graça de ter o meu irmão ao meu lado para compartilhar a profundidade e a importância de tudo o que estamos vivendo”.
Que Deus os abençoe abundantemente e faça frutificar ao máximo o seu ministério sacerdotal!
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Resistir ao sistema com esperança!

Colocar Deus acima de tudo implica necessariamente em colocar a economia em função das pessoas, não sacrificar pessoas para o bem da economia.



“Vós não podeis servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon (Lc 16,13). Mamon é um ídolo personificado, que representa o dinheiro ou a cobiça.
“Vós não podeis servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon (Lc 16,13). Mamon é um ídolo personificado, que representa o dinheiro ou a cobiça. (Sharon McCutcheon/ Unsplash)
Por Junior Vasconcelos do Amaral*
Enfaticamente, o escritor moçambicano Mia Couto nos diz “A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos”. Em contrapartida, o Brasil, que pode ser considerado um país rico, gera cada vez mais pobres. Os dados atuais destacam que a pobreza aumentou vertiginosamente.
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Segundo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), na Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada no dia 05 de dezembro de 2018, em 1 ano, quase 2 milhões de brasileiros retornaram à situação de pobreza. A que se deve a isso? Certamente aos governos que pensam apenas em cifras econômicas, nas benesses de seus partidos e políticos, realizando cortes significativos em gastos públicos – caso da PEC 95 (Emenda constitucional de 2016), que limita por 20 anos os gastos públicos, como educação, segurança pública, moradia e assistência social, que poderiam viabilizar mudanças nas realidades.
Hoje, como em muitos outros episódios da história humana, assistimos ao enriquecimento de pessoas e não de nações. Vale lembrar que os discursos populistas e falaciosos esbanjam uma falsa e perversa moral, que não passa de idolatria do dinheiro em detrimento do bem estar social.
Não há como falar da crítica ao enriquecimento de uns em detrimento do empobrecimento de muitos sem falar do profeta Amós (6,1-7). No século 8º a.e.C. (antes da era Comum), Amós se levanta contra o sistema monárquico que se fartava da riqueza à custa da miséria dos campesinos, operários e artesãos. A monarquia é duramente criticada por Amós e por tantos profetas, pois converte a idolatria a Baal, o deus da Terra, em permissivismo ético sem escrúpulos, que permitia, por exemplo, trocar o “pobre por um par de sandálias” (Am 2,6) ou “adulterar as balanças” para o benefício próprio nas trocas de mercadorias. Tal sistema é condenado duramente, pois a idolatria que estava ligada à religião afetava diretamente as relações interpessoais, pois deixar de se relacionar com o Deus de Israel, o Deus libertador, era condição de possibilidade para relações humanas fraudulentas e pecaminosas.
No NT, Jesus de Nazaré condena veementemente a idolatria a Mamon: “Vós não podeis servir ao mesmo tempo a Deus e a Mamon (Lc 16,13). Mamon é um ídolo personificado, que representa o dinheiro ou a cobiça. Em hebraico, Mamon pode ser traduzido por “dinheiro”. O dinheiro torna-se, na compreensão do narrador do Evangelho de Lucas, um ídolo. Certamente, ambas realidades estão imbricadas: o enriquecimento e o dinheiro. Jesus e os profetas não condenam o dinheiro em si, mas o uso que o ser humano faz dele. O dinheiro move as relações e não há como abdicar dele para viver neste mundo. Para nascer (seja pelo SUS ou num hospital particular) e morrer (ser sepultado em um cemitério ou ser cremado) é necessário dinheiro. Contudo, não podemos fazer do dinheiro o fim último de nossa vida, mas um meio, como tantos outros para nos trazer a felicidade ou nos fazer felizes. A prática da partilha, nascida da compaixão para com os que nada têm, é o projeto querido por Deus. O Reinado de Deus passa pela prática da justiça, do direito, da misericórdia para com os que necessitam.
Vemos hoje no país um projeto de acelerar a economia cortando daqui e dali, sobremaneira afetando a vida dos pobres. Os pobres é que sofrem mais em tais injustiças. O corte de verbas públicas para a educação afeta diretamente aquele que não tem dinheiro suficiente para pagar uma pós-graduação, um mestrado ou doutorado. Quem não tem dinheiro para pagar um plano de saúde, tem que esperar muito mais para o atendimento do SUS e quem não tem como fazer um plano de capitalização ou previdência tem que contar com a sorte de uma previdência pública que parece hoje não dar muita esperança para o trabalhador pobre que terá que trabalhar mais tempo, correndo o risco de não conseguir um teto em sua aposentadoria.
Mediante as realidades que nos circundam e nos afetam diretamente, a mensagem da fé cristã é a esperança. É preciso, ou melhor é imprescindível, resistir na esperança, buscar de maneira consciente lutar por um mundo mais justo e solidário, no qual a fraternidade assuma a vanguarda. Para isso, é necessário resistir na fé. Trata-se de ficar firme, manter a esperança e a paciência. Como nos diz o Apóstolo Paulo: “posso enfrentar qualquer coisa com a força que Cristo me dá” (Fp 4,13). Deste modo, mesmo que tentem subtrair nossa alegria, com tantas loucuras e esquizofrenias por parte de fanatismos políticos, que justificam as injustiças atuais, somos convidados a manter nosso equilíbrio, nossa sensatez, pois este mundo é lugar para o advento do Reino de Deus, que já está no meio de nós, mas ainda não plenamente instaurado.
*Junior Vasconcelos do Amaral é doutor em Teologia Sistemática pela FAJE/BH (Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia), professor de Bíblia na PUC-Minas, presbítero a serviço da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG.