domingo, 31 de março de 2019

Papa despede-se em clima de festa, junto da comunidade católica, com mensagem contra o ódio

Foto: Lusa
Rabat, 31 mar 2019 (Ecclesia) – O Papa Francisco encerrou hoje a sua visita de dois dias a Marrocos com uma Missa para a comunidade católica, que tem cerca de 25 mil pessoas no país (0,07% da população), junto dos quais deixou uma mensagem contra o ódio e a violência.
“A experiência diz-nos que a única coisa que conseguem o ódio, a divisão e a vingança é matar a alma da nossa gente, envenenar a esperança dos nossos filhos, destruir e fazer desaparecer tudo o que amamos”, disse, perante milhares de pessoas reunidas no complexo desportivo ‘Principe Moulay Abdellah’, na homilia da celebração, em espanhol e francês.
Perante migrantes de várias proveniências, membros do clero e de institutos religiosos, Francisco admitiu que muitas circunstâncias podem alimentar a divisão e o conflito, levando a acreditar no ódio e na vingança como “formas legítimas de obter justiça de maneira rápida e eficaz”.
“Só se formos capazes diariamente de levantar os olhos para o céu e dizer Pai Nosso, é que poderemos entrar numa dinâmica que nos possibilite olhar e ousar viver, não como inimigos, mas como irmãos”, acrescentou.
O Papa centrou a sua reflexão na passagem do Evangelho que foi lida hoje nas igrejas de todo o mundo, conhecida como a parábola do ‘filho pródigo’, convidando todos a aceitar “um pai capaz de perdoar, disposto a esperar e velar para que ninguém fique de fora”.
“No limiar daquela casa, parece manifestar-se o mistério da nossa humanidade: por um lado, temos a festa pelo filho reencontrado e, por outro, um certo sentimento de traição e indignação por se festejar o seu regresso”, assinalou.
Francisco retomou a passagem do primeiro livro da Bíblia, sobre Caim e Abel, em que o primeiro, após assassinara o seu irmão, se recusa a ser questionado como seu “guardião”.
Segundo o Papa, o desígnio de Deus é que “todos os seus filhos tomem parte na sua alegria” e que ninguém viva em condições desumanas” nem “na orfandade, isolamento ou amargura”.
Em vez de nos medirmos ou classificarmos com base numa condição moral, social, étnica ou religiosa, podemos reconhecer que existe outra condição que ninguém poderá apagar ou aniquilar, pois é puro dom: a condição de filhos amados, esperados e festejados pelo Pai”.
O pontífice agradeceu aos presntes pelo seu “testemunho do Evangelho da misericórdia” e desafiou-os a permanecer “ao lado dos humildes e dos pobres, daqueles que são rejeitados, abandonados e ignorados”.
Foto: Lusa
“Que o Misericordioso e o Clemente – como tantas vezes o invocam os nossos irmãos e irmãs muçulmanos – vos fortaleça e faça frutificar as obras do vosso amor”, concluiu.
A primeira viagem do Papa Francisco a Marrocos começou este sábado, com apelos ao diálogo inter-religioso e ao respeito pelos migrantes, tendo sido assinada uma declaração conjunta, com o rei Muhammed VI, sobre o estatuto de Jerusalém; o domingo foi dedicado à minoria católica, com novas mensagens contra a intolerância.
OC
“Quero mais uma vez encorajar-vos a perseverar no caminho do diálogo, com os nossos irmãos e irmãs muçulmanos, colaborando também para que se torne visível aquela fraternidade universal que tem a sua fonte em Deus. Possais ser, aqui, os servidores da esperança, de que o mundo tanto precisa! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim”
Mensagem de despedida do Papa Francisco, Marrocos, 31.03.2019

PLANALTO DIVULGA VÍDEO QUE EXALTA O GOLPE MILITAR

BOLSONARO ABRE ESCRITÓRIO EM JERUSALÉM E FERRA O AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

Alan Santos - PR

O ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, anunciou que o governo Jair Bolsonaro abrirá um escritório diplomático em Jerusalém como extensão da embaixada em Tel-Aviv; iniciativa pode prejudicar o Brasil porque na prática o Bolsonaro reconhece Jerusalém como território de Israel; postura do chefe do Planalto pode afetar as exportações para todos os países árabes, que defendem um estado palestino na região; além disso, trata-se de desperdício de dinheiro público porque toda a atividade empresarial de Israel se concentra em Tel Aviv.
https://www.brasil247.com/

OLP: JERUSALÉM ORIENTAL É TERRITÓRIO PALESTINO E VISITA DE BOLSONARO É 'INACEITÁVEL'

PADRE GEOVANE SARAIVA: um pouco de sua história


Geovane Saraiva - Padre, jornalista/0003721/CE, blogueiro, escritor e colunista.

Biografia:
Padre Geovane Saraiva, nascido aos 30 de outubro de 1956, em Capistrano-CE, filho de Agapito Saraiva Costa e de Maria Eliete Saraiva. Sacerdote de origem simples e humilde, iniciou o estudo das primeiras letras na Escola Pública de Mazagão, na mesma cidade. O menino Geovane, desde cedo, manifestou sua vocação para o sacerdócio, postergado pelas circunstâncias, uma vez que, como bom filho que era e é, de ajudar os pais nos trabalhos da propriedade da família, que o obrigaram a permanecer em sua terra natal. A providência divina tarda, mas não falha, diz a sabedoria popular. Aos 17 anos, deixa a casa de seus queridos pais, no sonho de dedicar-se à messe do Senhor. Esse desejo do seminário falou mais alto.

Geovane Saraiva é cidadão de Fortaleza, desde abril de 2007. Condecorado com a Medalha Boticário Ferreira em 1º de abril de 2011, fundou em parceria com Marcos Medina o site: http//www.paroquiasantoafonso.org.br e mantém os blogs: http://blogsantoafonsoce.blogspot.com.br; http://fgsaraiva.blogspot.com.br. Escreve para jornais, revistas, diversos sites e blogs.
Publicou os livros:
“O Peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (por ocasião do centenário de Dom Helder, 1909-2009);
“A Ternura de um Pastor” (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
“A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
“Dom Helder: Sonhos e Utopias” (o pastor dos empobrecidos);
“25 Anos sobre Águas Sagradas” (coletânea de artigos e fotos);
“Francisco, um sinal para o mundo” (coletânea de artigos);
“Voz dos que não têm voz” (crônicas);
“Rezar com Dom Helder” (orações e súplicas);
“Francisco, o Futuro do Mundo” (oração e profecia).
“Francisco, o Futuro do Mundo” (oração e profecia).

Integra a Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará representando o Município de Redenção, na cadeira de Nº 71 e a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), ocupando a cadeira Nº 8, cujo patrono é Olavo Oliveira. Exerce a função de Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal. No dia 21 de novembro do ano de 2011, foi-lhe outorgada pela Câmara Municipal de Fortaleza a Medalha de Defesa dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara e, no dia 22 de dezembro do mesmo ano, a Medalha Dom Helder Câmara, o Artesão da Paz, pela Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE).

Fotos




Livros - capa

O dom gratuito e inalienável de ser filhos amados e esperados


Papa Francisco termina neste domingo visita ao Marrocos
Papa Francisco termina neste domingo visita ao Marrocos  (ANSA)
Na homilia da missa celebrada em Rabat, o Papa Francisco comentou a parábola evangélica do Filho pródigo, ícone da infinita misericórdia do Pai. A “maior riqueza do cristão é participar deste amor”
Andrea Tornielli

“’Tudo o que é meu é teu’ (Lc 15, 31), diz o pai ao filho mais velho. E não se refere apenas aos bens materiais, mas a ser participante do seu próprio amor e da sua compaixão. Esta é a maior herança e riqueza do cristão. Com efeito, em vez de nos medirmos ou classificarmos com base numa condição moral, social, étnica ou religiosa, podemos reconhecer que existe outra condição que ninguém poderá apagar ou aniquilar pois é um puro dom: a condição de filhos amados, esperados e festejados pelo Pai”.

Este é um dos comentários que o Papa Francisco propôs durante a sua homilia em Rabat depois da proclamação do Evangelho com a parábola do pai misericordioso, mais conhecida como a do Filho pródigo. Uma parábola incômoda tanto para nós hoje, como para os homens e as mulheres dos séculos passados. Uma parábola difícil de entender e ainda mais de aceitar. Por que o Pai espera com ânsia o filho menor que desperdiçou e dissipou a metade das riquezas da sua herança obtida antecipadamente? Por que o Pai acolhe de braços abertos aquele filho malcheiroso que tinha acabado como pastor de porcos depois de levar uma vida dissoluta? Por que organiza para o seu retorno uma grande festa? Por que quase não o deixa falar, acusar-se dos seus pecados, humilhar-se citando-os? Por que não o coloca em isolamento, não o obriga a uma justa penitência, não lhe impõe um período de reabilitação como faríamos nós?
Na resposta a estas perguntas está o coração da mensagem da misericórdia divina, gratuita e superabundante. A de um Deus para o qual não há puros e impuros, mas todos são ajudados a se levantar, somente deixando-se abraçar. Um Deus que não tem medo de entrar no escuro do pecado, que busca toda a ocasião para perdoar. A misericórdia é uma característica divina, longe das nossas mesquinharias e dos nossos cálculos.
Podemos dizer: todos nós nos reconhecemos no comportamento do filho mais velho, que reage mal diante deste amor gratuito e transbordante do Pai pelo outro filho. Aquele irmão menor que conheceu o abismo do pecado, voltou com a esperança de ser readmitido não na casa paterna, mas entre os servos da casa. E ao invés, se encontrou abraçado, voltando a ser – sem méritos segundo os cálculos humanos – plenamente filho, alvo de um amor que nunca se interrompeu e do qual ele, somente ele, quis se separar.

Nesta parábola tão difícil de aceitar por todos nós “filhos maiores”, que nos consideramos superiores, corretos, obedientes, diversos com relação aos “impuros” pecadores, há um grande ensinamento. O filho maior é chamado a participar da festa pelo irmãos reencontrado e é chamado principalmente a reconhecer que a sua maior herança e riqueza é justamente participar – procurando fazer sua  – desta misericórdia sem fim.
Papa Francisco termina neste domingo visita ao Marrocos  (ANSA)

Charge: 64, #ditaduranuncamais


https://www.brasil247.com/pt/247/charges/388738/64.htm

CHARGES: Golpe militar de 64


http://domtotal.com/charge/2540/2019/03/golpe-militar-de-64/

DILMA NOS 55 ANOS DO GOLPE: DIA DE LUTO E DE LUTA

Irmã morte

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Trágica é a morte quando fruto da imprudência, da violência, da irresponsabilidade dos humanos.
A morte, em si, não é uma tragédia. Trágicas são certas formas pelas quais ela acontece.
A morte, em si, não é uma tragédia. Trágicas são certas formas pelas quais ela acontece. (Pixabay)
Por Evaldo D' Assumpção*

No penúltimo verso do Cântico das Criaturas, composto por São Francisco de Assis, ele exalta: “Louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã nossa, a morte corporal, da qual nenhum homem vivente pode escapar”. E por ela ser um fato humano, uma realidade inexorável, em seu cântico ele a coloca junto com seus outros “irmãos e irmãs”, porquanto obras do mesmo criador: o sol, a lua, a terra com suas flores e frutas, as estrelas e o vento, a água cristalina e cantante. Para ele, a morte não é um mal, nem uma inimiga execrável, da qual não se deve nem falar. “Dá azar!” alguns acreditam. “Falar dela, a atrai”, afirmam outros.                      

Quando em 1978 tive meu primeiro contato com a Tanatologia, ciência que estuda os comportamentos diante da morte, com aplicação prática no cuidado dos enfermos em fase terminal de sua doença e na assistência aos enlutados, fiquei fascinado com esse trabalho, especialmente na importância que tinha para a melhora significativa da relação médico-paciente, e nos cuidados dos médicos para consigo mesmos. Aprofundei-me no seu estudo e tornei-me um dos pioneiros nesse campo, em nosso país. Nos Estados Unidos e na Europa, ele já era feito e crescia geometricamente, desde o final dos anos 60.

Comecei a divulgá-lo através de artigos publicados em revistas leigas e médicas, em palestras e cursos, e em diversos livros, como o “Sobre o viver e o morrer” e “O Luto” (Ed. Vozes). Pouco tempo depois, alguns colegas passaram a comentar jocosamente essa minha dedicação à Tanatologia (tanatos = morte, logia = estudo), apelidando-me de “Doutor Morte” ou então de “O médico amigo da morte”. Uma evidente ironia para disfarçar seus próprios medos. Descobri então que médicos e sacerdotes costumam ser mais temerosos da morte do que qualquer outro. Fazendo palestras em hospitais, com auditórios lotados de enfermeiras e assistentes sociais, observava a pequena presença de médicos. Geralmente estavam ausentes aqueles dos comentários irônicos. Perguntando-lhes por que não participavam, sempre tinham uma desculpa. E, como o desconhecimento é o maior responsável pelos medos e angústias, eles se privavam de superar o verdadeiro pânico de que padeciam com relação a nossa irmã morte. Por outro lado, os que estavam presentes nos seminários e palestras, frequentemente davam-me gratificantes retornos, dizendo o quanto aprenderam, e como fora libertador para eles eliminar preconceitos e temores, em sua convivência quase diária com situações de perdas e morte.

A morte, em si, não é uma tragédia. Trágicas são certas formas pelas quais ela acontece. Trágicas são as mortes precoces; trágicas elas são quando fruto de omissões dos poderes públicos, da carência ou ausência de cuidados médico-hospitalares adequados; trágicas são as decorrentes da fome e da miséria. Enfim, trágica é a morte quando fruto da imprudência, da violência, da irresponsabilidade dos humanos. Já a morte como fase final do transcorrer da vida, essa não deve ser estigmatizada, pois a vida é um dom imensurável, contudo já vem com data de vencimento. Não falo de destino nem de predeterminação, pois neles não acredito, mas das naturais etapas que temos de percorrer. Nascemos, aproveitamos nossa infância, saboreamos a juventude com suas dúvidas e naturais limitações, chegamos à fase adulta, quando podemos compartilhar tantos frutos que colhemos das semeaduras feitas ao longo de nossa caminhada. Entramos então no período da envelhecência, quando desfrutamos da sabedoria que somente os anos conseguem nos proporcionar, até chegar à senescência, que para alguns pode durar vários anos, e para outros nem tanto. Mas toda forma de vida tem, natural e inevitavelmente, as etapas do nascer, desenvolver e morrer. Sendo assim, não devemos encarar nenhuma delas como anormal. Pelo contrário, devemos aproveitar intensamente cada uma, e quando completar o ciclo, abraçar a irmã morte como a plena realização de uma vida. Quem o faz, tem uma passagem, uma transformação, um encantamento, como disse Guimarães Rosa – dê a ela o nome que quiser – tranquila e sem maior sofrimento pela sua ocorrência. O sofrimento, geralmente é devido a enfermidades dolorosas, deformantes, limitantes, mas não pela morte em si.

Sofrimentos maiores decorrem do apego desmedido que muitos desenvolvem, acreditando que são donos de tudo, controladores de tudo, senhores de tudo. Mas a morte não toma o menor conhecimento de nossa tecnologia sofisticada, de nossas veleidades, desse nosso pavor de perder o que tolamente julgamos ser posse inteiramente nossa. Ela reina absoluta, no seu tempo.

Mas existe também o sofrimento pela perda do outro. Esse, também causado pelo apego – pois temos o péssimo hábito de confundi-lo com o amor – e quanto maior o sentimento de posse, maior será a dor da perda. Para quem assimilou a essência do amar, quem tem a certeza de que amar é querer o bem do outro, é fazer o possível para que o outro seja feliz, tendo a certeza de que a felicidade do outro é a minha felicidade, esse sofre sim, a perda de quem ama. Mas é um sofrimento que rapidamente se transforma, de uma saudade dolorosa, numa saudade gostosa. Iremos nos lembrar sim, da pessoa amada, mas nem por isso deixando de usufruir plenamente a nossa própria vida que continua, pois para sermos felizes é que fomos criados, e existimos.

Nesse tempo de quaresma, em que os que creem meditam sobre o maior ato de amor da história, que foi o doar da própria vida pela vida dos outros, temos uma ótima oportunidade para refletir sobre tudo isso. Refletir sobre qual é o nosso relacionamento com a irmã morte, superando assim nossos medos e angustias, nossa dor e sofrimento pelas perdas que tivermos.

*Evaldo D' Assumpção é médico e escritor

Com os braços sempre abertos

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A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 15,1-3.11-32.
O relato descreve com todos os detalhes o encontro surpreendente do pai com o filho que abandonou o lar.
O relato descreve com todos os detalhes o encontro surpreendente do pai com o filho que abandonou o lar. (Pixabay)
Por José Antonio Pagola*

Para não poucos, Deus é tudo menos alguém capaz de colocar alegria na sua vida. Pensar nele traz-lhes más recordações: no seu interior se desperta a ideia de um ser ameaçador e exigente, que torna a vida mais fastidiosa, incômoda e perigosa.

Pouco a pouco prescindiram dele. A fé foi “reprimida” no seu interior. Hoje não sabem se acreditam ou não acreditam. Ficaram sem caminhos para
Deus. Alguns recordam ainda a “parábola do filho pródigo”, mas nunca a ouviram nos seus corações.

O verdadeiro protagonista desta parábola é o pai. Por duas vezes repete o mesmo grito de alegria: ”Este meu filho estava morto e voltou à vida: estava perdido e nós o encontramos”. Este grito revela o que está no coração de seu pai. Esse pai não se importa com a sua honra, os seus interesses ou com o tratamento que os seus filhos lhe dão. Nunca usa uma linguagem moral. Pensa apenas na vida do seu filho: que não seja destruído, que não fique morto, que não viva perdido sem conhecer a alegria da vida.

O relato descreve com todos os detalhes o encontro surpreendente do pai com o filho que abandonou o lar. Estando ainda longe, o pai ”viu-o” chegar
cheio de fome e humilhado, e comoveu-se até às entranhas. Esse olhar bom, cheio de bondade e compaixão é o que nos salva. Só Deus nos olha assim.

Então ”começa a correr”. Não é o filho que volta para casa. É o pai que sai a correr e procura o abraço com mais ardor que o próprio filho.
”Atirou-se ao pescoço e começou a beijá-lo”. Assim está sempre Deus. Correndo com os braços abertos para aqueles que voltam para Ele.

O filho começa a sua confissão: preparou longamente no seu interior. O pai interrompe-o para poupá-lo de mais humilhações. Não lhe impõe qualquer
castigo, não lhe exige nenhum rito de expiação; não lhe impõe nenhuma condição para recebê-lo em casa. Só Deus acolhe e protege assim os pecadores.

O pai só pensa na dignidade de seu filho. Tem de agir depressa. Manda trazer o melhor vestido, o anel do filho e as sandálias para entrar em casa.
Assim, será recebido num banquete realizado em sua honra. O filho deve conhecer junto com o seu pai a vida digna e feliz que ele não pôde desfrutar
longe dele.

Quem ouve esta parábola do lado de fora não entenderá nada. Continuará a caminhar pela vida sem Deus. Quem a escuta no seu coração, talvez chore
de alegria e gratidão. Sentirá pela primeira vez que o mistério final da vida é Alguém que nos acolhe e nos perdoa porque só quer a nossa alegria.

*José António Pagola é padre e tem dedicado a sua vida aos estudos bíblicos, nomeadamente à investigação sobre o Jesus histórico. Nascido em 1937, é licenciado em Teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (1962), licenciado em Sagradas Escrituras pelo Instituto Bíblico de Roma (1965), e diplomado em Ciências Bíblicas pela École Biblique de Jerusalém (1966). Professor no seminário de San Sebastián (Espanha) e na Faculdade de Teologia do Norte de Espanha (sede de Vitória), foi também reitor do seminário diocesano de San Sebastián e vigário-geral da diocese de San Sebastián.

FOLHA ANTECIPA ANO PERDIDO E ADIA 'RETOMADA' QUE VIRIA APÓS GOLPE CONTRA DILMA

 PR | Reuters
PR | Reuters
A tal 'confiança empresarial', que voltaria com o golpe de 2016, também não retornou ao Brasil após a eleição de Jair Bolsonaro. É o que aponta a manchete principal da Folha de S. Paulo neste domingo. "Passado o primeiro trimestre do ano, o setor empresarial abandona a expectativa de viver uma retomada vibrante em seus negócios ainda em 2019. Sedimenta-se a certeza de que o crescimento vai ficar para 2020, principalmente no setor industrial", aponta a reportagem.

Papa visita no Marrocos instituto de formação de imãs e pregadores muçulmanos


Papa Francisco visita um centro de formação para imãs e pregadores. Foto: Captura de vídeo

RABAT, 30 Mar. 19 / 03:00 pm (ACI).- O Papa Francisco visitou neste sábado, 30 de março, o Instituto Mohammed VI dos Imãs, Pregadores e Pregadoras do Marrocos, tornando-se assim o primeiro Pontífice a entrar em um centro de formação de imãs.

O Santo Padre foi recebido pelo rei Mohammed VI, pelo ministro dos Assuntos Religiosos, pelo diretor do instituto e pelo presidente do Conselho dos Ulemas.

O Marrocos tem cerca de 35 milhões de habitantes e a minoria católica é composta por apenas 23 mil fiéis.

O Instituto Mohammed VI foi inaugurado em 27 de março de 2015 pelo atual rei do Marrocos e recebe estudantes de várias partes da África e da Europa para serem formados como imãs e pregadores. Como indicado, seu objetivo é promover um islamismo tolerante.


Durante a visita de Francisco, houve a exibição de um vídeo e o testemunho de um estudante europeu e de uma africana da Nigéria.

No Marrocos, o rei é quem garante a religião islâmica e também é chamado de "comandante da fé".

Neste instituto há uma formação contínua para os 52 mil imãs que dirigem as mesquitas do reino. Até hoje, foram formados 2.100 imãs e cerca de 900 instrutoras.

Atualmente tem 1.300 estudantes entre marroquinos e estrangeiros. Desde a sua inauguração, cerca de 1.200 estudantes estrangeiros já retornaram aos seus países de origem.

Embora nesta atividade não tenha sido realizado um discurso oficial, no encontro das 15h com o povo marroquino, as autoridades e o corpo diplomático, o Papa se referiu a este instituto que "vossa Majestade desejou para proporcionar uma formação adequada e sadia contra todas as formas de extremismo, que levam muitas vezes à violência e ao terrorismo e constituem, em todo o caso, uma ofensa à religião e ao próprio Deus".

 “Na realidade, sabemos como é necessária uma condigna preparação dos futuros guias religiosos, se quisermos reavivar o verdadeiro sentido religioso no coração das novas gerações", disse.

Francisco, que chegou a Rabat, capital do Marrocos, às 13h50 (horário local), em seu primeiro discurso encorajou as autoridades a que se contraponham ao fanatismo e fundamentalismo através da solidariedade entre todos os fiéis.

Também lembrou a importância da liberdade de consciência e religião, que não se limita apenas à liberdade de culto, mas a viver de acordo com as próprias convicções.

O Papa, que também visitou o Mausoléu de Mohammed V, tem um encontro com os migrantes na sede da Cáritas diocesana de Rabat.

Papa Francisco: Os migrantes não são "descarte humano" e estão no coração da Igreja

Papa Francisco no encontro com migrantes na sede da Cáritas, no Marrocos. Foto: Captura de vídeo / 
RABAT, 30 Mar. 19 / 04:00 pm (ACI).- No último compromisso do primeiro dia de sua viagem apostólica ao Marrocos, o Papa Francisco se encontrou com cerca de 80 migrantes africanos atendidos pela Cáritas Diocesana, em Rabat, e assegurou-lhes que não são um "descarte humano", mas estão "no coração da Igreja".

Assim que chegou à sede, o Santo Padre escutou o testemunho de Abena Banyomo Jackson, jovem nascido em uma pequena aldeia dos Camarões, que chegou ao Marrocos depois de atravessar vários países e passar por diferentes espaços para refugiados com a esperança de chegar à Europa para conseguir um futuro melhor e recursos para ajudar sua família.

Mas sua vida mudou quando conheceu um sacerdote, que "me acolheu em sua casa, a Igreja, e me deu um novo ânimo". Com o passar do tempo, decidiu ficar no Marrocos e, depois de regularizar sua situação, começou a trabalhar com a Cáritas para ajudar outros migrantes.

"Hoje eu quero te agradecer do fundo do meu coração, a Igreja me acolheu e cuidou de mim como uma mãe, com paz e com amor", disse ao Papa.

O Santo Padre também viu a apresentação de danças de um pequeno grupo de crianças africanas.


Falando aos migrantes, o Papa desatacou que este encontro é "ocasião para expressar a minha proximidade a todos vós e, juntamente convosco, debruçar-me sobre uma ferida, grande e grave, que continua a afligir os inícios deste século XXI".

Esta ferida, reafirmou, "brada ao céu, e por isso não queremos que a indiferença e o silêncio sejam a nossa resposta".

"E, mais ainda, quando se constata que são muitos milhões os refugiados e outros migrantes forçados que pedem a proteção internacional, sem contar as vítimas do tráfico e das novas formas de escravidão nas mãos de organizações criminosas. Ninguém pode ficar indiferente perante este sofrimento".

O Papa destacou que "muitos passos positivos foram dados em diferentes áreas, especialmente nas sociedades desenvolvidas, mas não podemos esquecer que o progresso dos nossos povos não se pode medir apenas pelo desenvolvimento tecnológico ou econômico".

"Como se torna deserta e inóspita uma cidade, quando perde a capacidade da compaixão! Uma sociedade sem coração... uma mãe estéril", expressou.

O Santo Padre destacou aos migrantes: "Não estais marginalizados, mas no centro do coração da Igreja".

"Queridos amigos migrantes, a Igreja é sabedora das angústias que marcam o vosso caminho e sofre convosco. Ao encontrar-vos nas vossas situações tão diferenciadas, ela pretende lembrar que Deus quer vivificar a todos nós”, assinalou.

"Ela deseja estar ao vosso lado para construir convosco o que for melhor para a vossa vida. Com efeito, todo o ser humano tem direito à vida, todo o ser humano tem o direito de ter sonhos e poder encontrar o seu justo lugar na nossa ‘casa comum’! Toda a pessoa tem direito ao futuro".

O Papa também agradeceu "a todas as pessoas que estão ao serviço dos migrantes e refugiados em todo o mundo, e hoje particularmente a vós, operadores da Cáritas, que tendes a honra de manifestar o amor misericordioso de Deus a tantos nossos irmãos e irmãs em nome de toda a Igreja".

"O Senhor, que durante a sua vida terrena viveu na própria carne a angústia do exílio, abençoe a cada um de vós, vos dê a força necessária para não desanimardes e para serdes uns para os outros ‘porto seguro’ de acolhimento", concluiu.

O Santo Padre presenteou a Cáritas com uma imagem de Nossa Senhora esculpida em ônix rosa, artesanato toscano.

Domingo da Quaresma


REDAÇÃO CENTRAL, 31 Mar. 19 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 31 de março, a Igreja celebra o quarto Domingo da Quaresma. No Evangelho de hoje, retirado de Lucas 15,1-3.11-32, Jesus conta a parábola do Filho Pródigo.

A seguir, leia e reflita o Evangelho deste quarto Domingo da Quaresma:

Lc 15,1-3.11-32

Naquele tempo, 1os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então Jesus contou-lhes esta parábola:

11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles.


13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade.

15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam.

17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’.

20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos.

21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’.

22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa.

25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.

27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’.

28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’.

31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’”.

sábado, 30 de março de 2019

PAULO COELHO NARRA TORTURA E ESTRAGA A “FESTA” DE BOLSONARO

BOLSONARO EM ISRAEL: UMA VIAGEM INÚTIL

Papa Francisco já está no Marrocos

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O pontífice acabou de chegar no aeroporto da cidade de Rabat, no Marrocos, onde inicia a sua viagem apostólica de número 28.
O Papa Francisco chegou ao Marrocos, embaixo de chuva, mas com o sorriso de "Servidor da Esperança". O avião decolou do Aeroporto Internacional de Fiumicino pouco antes das 11h (horário italiano) e chegou às 13h50 no aeroporto de Rabat. O Núncio Apostólico Dom Vito Rallo e o chefe do Protocolo subiram a bordo do avião para saudar o Pontífice que, ao descer, foi acolhido pelo Rei Mohammed VI e por crianças que estavam vestidas com trajes típicos - que ofereceram flores. No Salão Real do aeroporto, para um momento rápido, foram oferecidos produtos típicos locais ao Pontífice, como tâmaras e leite de amêndoas.

Uma cerimônia oficial de boas-vindas também será realizada na praça diante do Palácio Real, com a apresentação das delegações e os primeiros discursos oficiais. Depois, Francisco fará uma visita de cortesia ao rei Mohammed VI e, então, irá se deslocar à esplanada da Mesquita Hassan para encontrar a comunidade local e autoridades.
https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2019-03/papa-francisco-viagem-marrocos-papmar0.html

AGRESSÃO E VIOLÊNCIA INOMINÁVEIS

Charge: Discrepâncias


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VÉLEZ RODRÍGUEZ A GRIPAR

Papa aprova nova lei sobre proteção de menores e pessoas vulneráveis

Orientações para o Estado do Vaticano e Cúria Romana sublinham obrigatoriedade da denúncia e afastamento de pessoas envolvidas em casos de abusos

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

Cidade do Vaticano, 29 mar 2019 (Ecclesia) – O Papa aprovou a primeira nova lei sobre a proteção de menores e pessoas vulneráveis no Estado do Vaticano e na Cúria Romana, com normas que sublinham a obrigatoriedade da denúncia e afastamento de pessoas envolvidas em casos de abusos.

“Que amadureça em todos a consciência do dever de denunciar os abusos às autoridades competentes e de cooperar com eles em atividades de prevenção e combate”, apela Francisco.

O ordenamento jurídico, acompanhado por um conjunto de diretrizes, surge na sequência da cimeira mundial convocada pelo pontífice, entre 21 e 24 de fevereiro, com responsáveis de conferências episcopais e institutos religiosos.

O Papa assina uma Carta Apostólica, na forma de ‘Motu Proprio’ (documento de iniciativa pontifícia), para acompanhar a Lei CCXCVII sobre proteção de menores e pessoas vulneráveis no Estado da Cidade do Vaticano e na Cúria Romana, sublinhando a necessidade de “criar um ambiente seguro” para todos.

“Isto requer uma conversão contínua e profunda, na qual a santidade pessoal e o compromisso moral podem contribuir para promover a credibilidade do anúncio do Evangelho e renovar a missão educativa da Igreja”, escreve.

Francisco assume a intenção de “reforçar ainda mais o quadro institucional” para prevenir e combater qualquer forma de violência física ou mental ou abuso, negligência, abuso ou exploração.

As novas orientações determinam que “qualquer abuso ou maus-tratos” contra menores ou contra pessoas vulneráveis sejam “eficazmente” investigado, respeitando o direito da vítima e suas famílias a ser “acolhido, ouvido e acompanhado”.

Francisco determina que as vítimas tenham o devido “apoio espiritual, médico, psicológico e legal” e recorda a importância de que aos acusados seja garantido o direito a um “julgamento justo e imparcial”, em conformidade com a presunção de inocência, bem como aos “princípios de legalidade e proporcionalidade entre o crime e a sentença”.

A pessoa condenada por ter abusado de uma criança ou de uma pessoa vulnerável seja removida de suas funções e, ao mesmo tempo, receba apoio adequado para a reabilitação psicológica e espiritual, também para fins de reintegração social”.

O Papa sublinha a obrigatoriedade de “apresentação de denúncia promotor de justiça no tribunal do Estado da Cidade do Vaticano” a todos aqueles que, no exercício das suas funções, tenham “notícia ou motivos razoáveis para acreditar que uma criança ou uma pessoa vulnerável” foi vítimas de abusos.

“Na seleção e recrutamento de pessoal da Cúria Romana e de instituições ligadas à Santa Sé, bem como daqueles que colaboram numa base voluntária, deve ser verificada a idoneidade do candidato para interagir com menores e pessoas vulneráveis”, acrescenta o texto.

O alargamento da prescrição para 20 anos, “em caso de ofensa a um menor”, a partir do momento em que este completa 18 anos de idade, seguindo o Direito Canónico, é uma das novidades no ordenamento jurídico do Estado da Cidade do Vaticano.

A lei prevê sanções para responsáveis que omitam a denúncia às autoridades judiciais, com exceção do “sigilo sacramental”, isto é, do segredo de Confissão.

Essa obrigação estende-se a todos os funcionários do Estado do Vaticano e da Cúria Romana, bem como diplomatas ao serviço das nunciaturas (embaixadas da Santa Sé).

As normas preveem a criação de um “serviço de acompanhamento” para as vítimas, com assistência médica e legal.

O ‘Motu Proprio’ e a Lei CCXCVII são acompanhados por um conjunto de diretrizes pastorais, as quais assinala, que “os agentes, colaboradores e voluntários que souberem de abusos devem informar o vigário-geral”, por escrito, a fim se de comunicar essa denúncia ao promotor de justiça do tribunal do Estado da Cidade do Vaticano.

Quando a denúncia não for “manifestamente infundada”, o vigário-geral comunica-a diretamente ao tribunal e afasta o alegado autor dos factos “das atividades pastorais do Vicariato”.

O novo quadro jurídico entra em vigor a 1 de junho de 2019.

OC

Notícia atualizada às 11h55

No decorrer dos procedimentos, ter-se-á o cuidado de:
a) trabalhar para a cura de todas as pessoas envolvidas;
b) recolher o depoimento da pessoa ofendida, sem demora e segundo as modalidades adequadas ao fim;
c) encaminhar a pessoa ofendida para o Serviço de Acompanhamento administrado pelo Departamento de Saúde e Higiene;
d) ilustrar à parte lesada quais são os seus direitos e como aplicá-los, incluindo a possibilidade de apresentar provas e pedir para ser ouvido, diretamente ou através de um intermediário;
e) informar a parte lesada, se assim o solicitar, dos resultados das várias fases do processo;
f) encorajar a pessoa lesada a recorrer à assistência de conselheiros civis e canónicos;
g) preservar a pessoa lesada e sua família de qualquer intimidação ou retaliação;
h) proteger a imagem e a esfera privada, bem como a confidencialidade dos dados pessoais da parte lesada.
Diretrizes do Vicariato do Vaticano para a proteção de menores e pessoas vulneráveis

Ceará: Estado de homenagear torturadores

POLÍTICA
Resultado de imagem para Ceará proíbe o Estado de homenagear torturadoresCeará possui uma lei que proíbe o Estado de homenagear torturadores

 DE ALEXANDRE PUTTI   28 DE MARÇO DE 2019

A maior polêmica da semana, até agora, se deu pelo fato de o presidente Jair Bolsonaro incentivar os quartéis do exército a comemorar o dia em que aconteceu o golpe militar no Brasil. Aquele 31 de março de 1964 que o país recorda justamente para que nunca mais se repita.

Após 21 anos de ditadura e com o processo de redemocratização, é a primeira vez que um chefe do Executivo ousa incentivar esse tipo de comemoração. Jair Bolsonaro é um ex-militar e sempre fez elogios ao regime. “Não houve ditadura, mas alguns probleminhas”, disse o presidente na quarta-feira 27.

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➤ Leia também: Vítimas da ditadura querem barrar homenagens de Bolsonaro ao golpe

No Ceará, porém, o tom é outro. O Estado tem uma lei, de janeiro deste ano, que proíbe a administração pública de homenagear qualquer pessoa que tenha seu nome no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, documento divulgado em 2014 com os envolvidos nas torturas e mortes do regime.

O autor do projeto foi o deputado federal Renato Roseno (PSOL). Ele conta que ficava indignado ao ver prédios públicos, como escolas, levando nome de ditadores. “Ter acesso à verdade, cultivar a memória e realizar a reparação dos crimes de Estado é pressuposto para a democracia. Um dos elementos é a memória do que deve ser celebrado ou não”, afirmou.

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O projeto foi aprovado na Assembleia Legislativa no final de dezembro e sancionado pelo governado do estado, Camilo Santana (PT), em janeiro. Roseno conta que a matéria passou por resistência dentro da casa. A  ideia inicial era rebatizar os locais que traziam nomes de torturadores, mas esse ponto foi retirado e a lei aprovada sem essa cláusula.

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Que fique claro: o projeto proíbe o Estado de prestar homenagens a torturadores. O caso sugerido por Bolsonaro não se encaixa nesta lei, porque seria uma homenagem ao regime como um todo. Mas o fato de não ser ilegal não diminui o absurdo. “É um desrespeito, inclusive aos mais de 7 mil militares cassados e perseguidos pelo regime por não concordarem com a ditadura”, diz o deputado.

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