segunda-feira, 20 de maio de 2019

Os maluquinhos da Auristela

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Membros da Infância e Adolescência Missionária da paróquia Santo Afonso, de Fortaleza - CE, arrecadaram alimentos em prol dos migrantes e refugiados.
Membros da Infância e Adolescência Missionária da paróquia Santo Afonso, de Fortaleza - CE, arrecadaram alimentos em prol dos migrantes e refugiados. (Reprodução/ Instagram: @iamsantoafonso)

Padre Geovane Saraiva*
Jesus, filho de Maria de Nazaré e do carpinteiro José, querendo, evidentemente, desmanchar a montanha da falta de esperança, do orgulho, do egoísmo que está dentro de nós, amparado pela tão visível simbologia do manto da paz, da justiça e da afável ternura, fala ao interior do coração das pessoas, querendo entrar na frágil existência humana. Ele quer que plantemos boas sementes no mundo. Mas quais sementes? Sementes de paz, amor e compreensão, do não ao egoísmo, de um ambiente leve, com bons e construtivos olhares e de um coração fértil, grande e largo. Numa palavra: sementes de esperança.


O Verbo de Deus, que se encarnou e veio se estabelecer entre nós (cf. Jo 1, 14), quer que nos coloquemos à sua disposição como seus generosos colaboradores, mas num ardente desejo de edificar seu projeto de amor, afastando-nos da intolerância, do preconceito e do ódio. Dom Helder Câmara nos ensina o sentido da verdadeira e autêntica fraternidade. Quando resolvemos buscar a referida e tão sonhada esperança, na fé a nós ensinada de que Deus é Pai de todos e que, vivendo a vida de irmãos, não nos afastaremos da promessa divina: de a terra se transformar em céu e de o céu se transformar em terra.

Na contemplação do mistério da encarnação, do Deus pequeno da estribaria de Belém, na expectativa de sua chegada, evidentemente, não de braços cruzados, sou levado a pensar e ao mesmo tempo a colocar diante dos olhos a imagem do Menino Maluquinho, de Ziraldo Alves, com quem Dom Helder tão profundamente se identificou e, abraçando-a com a força do seu vigor e de seus sonhos, com sua vida fecunda e seu inquestionável legado para a humanidade, de dom e graça, a partir da Feira da Providência em 1961, na cidade do Rio de Janeiro, ensina-nos a plantar, convenhamos, a boa semente: a esperançosa semente de que um mundo melhor é possível.

É por isso mesmo que neste Tempo do Advento, inspirados na profecia de Dom Helder Câmara, possamos aprender com as crianças da Infância e Adolescência Missionária e do Projeto Dom Helder, Arte e Missão de nossa Paróquia de Santo Afonso, "meninos e adolescentes maluquinhos da Auristela". Eles, a partir do olhar mais razoável para a árvore de Natal, chegam ao essencial, ao menino pobre da manjedoura, no mesmo questionamento: "Quais sementes desejo espalhar pela terra? Sementes de paz, amor, compreensão e esperança. Há tanto desespero, desengano, decepção, frustração e desesperança! Sementes de esperança, sem dúvida, chegariam em boa hora". Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Blogueiro, Escritor e Colunista, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
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2 comentários:

  1. Beleza. Parabéns por mais esta exortação, unindo a beleza do Evangelho à sonora língua do barroco Vieira, em construções mui acertadas, também no aspecto gramatical...
    Prof. Olímpio Araújo

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  2. Auristela, uma mãe de muito filhos! Seu coração comporta os MENINOS MALUQUINHOS e muito mais! É aquela mística e aquele elã, o de mãe na sua plenitude! Ela convence-nos, de verdade, que o “mundo é maior", no dizer de Dom Helder.

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