segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

TEMER NÃO ASSINA E AUMENTO DO SALÁRIO MÍNIMO FICA NAS MÃOS DE BOLSONARO

Adriano Machado - Reuters
Adriano Machado - Reuters


Michel Temer deixou para o sucessor, Jair Bolsonaro, definir a nova política para o salário mínimo e o reajuste que deixaria o salário no valor de R$ 1006 a partir desta terça-feira 1º; o valor atual do salário mínimo é de R$ 954; assessoria de Temer informou à Agência Brasil que ele não irá assinar mais nenhum ato que envolva impactos futuros.

Rússia envia presidente do parlamento para posse de Bolsonaro

31 de dezembro de 2018 por Esmael Morais

O presidente da Duma, Câmara dos Deputados da Rússia, Vyacheslav Volodin, chefiará a delegação em nome do presidente russo, Vladimir Putin, para participar da cerimônia de posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, segunda informa a Agência Brasil.

A delegação russa é integrada ainda pela vice-presidente da Duma, Olga Epifanova, e o parlamentar Vadim Denghin (LDPR).

Como o voo entre Moscou e Brasília pode durar de 10 a 11 horas, a expectativa é que delegação russa celebre o Ano-Novo na aeronave.

A precisão é que pelo menos 12 chefes de Estado (presidentes) participem da solenidade amanhã (1º) da posse, além de primeiros-ministros e chanceleres, assim como presidentes de parlamentos estrangeiros.

*Com informações da Tass, agência pública de notícias da Rússia

FELIZ 2019

Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert
"Hoje é o último dia para chorarmos derrotas e cicatrizarmos feridas do terrível ano que acaba. Amanhã tudo recomeça. Faremos o que sempre fizemos quando o inimigo avança: resistiremos, ao lado do povo, compartindo suas dores e alegrias. A esperança voltará a vencer o medo", escreve o jornalista Breno Altman, num artigo em que afirma acreditar que "mais cedo ou mais tarde, a classe trabalhadora voltará a tomar em suas mãos o fio da história"; "Venceremos! Feliz 2019"; leia a íntegra

A imagem pode conter: texto
A imagem pode conter: Luis Sartorel, sorrindo, pássaro

Sala de Imprensa da Santa Sé tem novo diretor interino

Como diretor da Sala de Imprensa, Greg Burke acompanhava as viagens do Papa Francisco
Como diretor da Sala de Imprensa, Greg Burke acompanhava as viagens do Papa Francisco  (Copyright 2018 The Associated Press. All rights reserved)
Como diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé foi nomeado Alessandro Gisotti, até então coordenador das redes sociais do Dicastério para a Comunicação.
Cidade do Vaticano

O Ano Novo começa com mudanças na Sala de Imprensa da Santa Sé.

O Papa Francisco aceitou a renúncia do diretor, Greg Burke, e da vice-diretora, Paloma García Ovejero.

Como diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé foi nomeado Alessandro Gisotti, até então coordenador das redes sociais do Dicastério para a Comunicação.

O estadunidense Greg Burke e a espanhola Paloma García Ovejero assumiram a diretoria da Sala de Imprensa em 1º de agosto de 2016.

Em sua conta no Twitter, Burke lembra que chegou ao Vaticano como jornalista em 2012. "A experiência foi fascinante. Obrigado, Papa Francisco. Un abrazo fuerte." O jornalista escreve ainda que neste período de transição da mídia vaticana, ele e Paloma acreditam que "é melhor que o Santo Padre esteja completamente livre para formar uma nova equipe". "Novo Ano, Novas Aventuras."

Alessandro Gisotti
Alessandro Gisotti nasceu em Roma e tem 44 anos, casado e dois filhos. Trabalha na Rádio Vaticano desde o ano 2000. Desde 2017, é coordenador das redes sociais do Dicastério para a Comunicação.

“Agradeço ao Santo Padre pela confiança depositada em mim num momento tão delicado para a comunicação da Santa Sé. Coloquei-me plenamente à disposição do prefeito Paolo Ruffini. Com Greg Burke e Paloma G. Ovejero tenho uma relação de estima e amizade”, afirma Gisotti em sua primeira declaração, acrescentando que assume o cargo com o espírito de serviço à Igreja e ao Papa que teve o “privilégio” de aprender ao lado do padre Federico Lombardi.

“Sei bem que meu cargo, mesmo interino, é particularmente difícil, mas me conforta o fato de conhecer o grande valor dos meus colegas da Sala de Imprensa, dos quais em muitas ocasiões pude apreciar o profissionalismo e a dedicação.”

Plena confiança
Por sua vez, o prefeito Paolo Ruffini também ressaltou o “profissionalismo, a humanidade e a fé” de Burke e Paloma. “Hoje, diante de uma escolha livre e autônoma, só posso respeitar a decisão que tomaram.”

O prefeito afirma ainda que o ano que se inicia será denso de eventos importantes, que requerem o máximo esforço de comunicação. “Tenho plena confiança que Alessandro Gisotti saberá guiar interinamente a Sala de Imprensa, à espera que seja definido uma nova direção.”

POSSE DE BOLSONARO PODE TER PASSE LIVRE PARA JORNALISTAS LEAIS E AMIGOS

Agência Brasil
Agência Brasil
Jornalista Mônica Bergamo informa: "rumores em Brasília de que jornalistas considerados AMIGOS poderão circular por todos os lugares na posse, até com PIN da Presidência da República", a partir de "critérios seriam de suposta 'lealdade'"; cerimônia de posse de Bolsonaro, nesta terça-feira 1º, será a primeira a não permitir que jornalistas circulem livremente por todas as áreas do evento, nem tenham contato com a população em todos os locais; "Quero dizer q não creio nos boatos. As alegações oficiais de restrição a parte da imprensa são de segurança.Não de amizade", diz a jornalista.

MILITARES A BOLSONARO: BRASIL PERDERÁ BILHÕES COM AGRADO A NETANYAHU



Leo Correa/Pool via REUTERS

Leo Correa/Pool via REUTERS
Reportagem da agência Reuters revela que integrantes do governo Bolsonaro estão perplexos com a decisão de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém – decisão que atende apenas aos interesses geopolíticos da extrema-direita de Israel e dos Estados Unidos. "Jair Bolsonaro tem sido alertado sobre a importância dos países árabes para o setor agrícola brasileiro", disse à Reuters a fonte, na condição de anonimato. "São bilhões por ano"

Papa: Jesus é 'concentrado' de todo o amor de Deus num ser humano

31.12.2018 Primeiras Vésperas e Te Deum
O próprio Jesus nasceu em condição de privação, “não por acaso nem por um incidente”, observou, mas “quis nascer assim, para manifestar o amor de Deus pelos humildes e os pobres e, deste modo, lançar no mundo a semente do Reino de Deus, Reino de justiça, amor e paz”, disse o Papa no Te Deum de ação de graças pelo ano transcorrido.
Raimundo de Lima - Cidade do Vaticano

“Também durante este ano que chega ao fim, muitos homens e mulheres viveram, e vivem, em condições de escravidão, condições indignas de pessoas humanas”: disse o Papa Francisco no final da tarde desta segunda-feira, 31 de dezembro, no Te Deum – celebração de Ação de Graças – na Basílica de São Pedro, durante as Primeiras Vésperas da Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, que a Igreja celebra em 1º de janeiro.

No final do ano, a Palavra de Deus acompanha-nos com estes dois versículos do apóstolo Paulo (cf. Gal 4, 4-5). São expressões breves e densas: uma síntese do Novo Testamento que dá sentido a um momento “crítico” como é sempre uma passagem de ano, ressaltou o Pontífice no início da homilia, atendo-se à liturgia das Primeiras Vésperas.

Plenitude do tempo
A primeira expressão que nos sensibiliza, disse Francisco, é “plenitude do tempo”. Assume uma ressonância particular nestas horas finais dum ano solar, em que sentimos ainda mais a necessidade de algo que encha de significado o transcorrer do tempo. Algo, ou melhor, alguém. E este “alguém” veio. Deus enviou-o: é “o seu Filho”, Jesus.

“Celebramos há pouco o seu nascimento: nasceu duma mulher, a Virgem Maria; nasceu sob a Lei, um menino judeu, sujeito à Lei do Senhor.” Mas, como é possível? Como pode ser isto o sinal da “plenitude do tempo”?, questionou o Santo Padre, acrescentando:

“Claro, por enquanto é quase invisível e insignificante, mas, dentro de pouco mais de trinta anos, aquele Jesus desencadeará uma força inaudita, que dura ainda e durará ao longo da história inteira. Esta força chama-se Amor. É o amor que dá plenitude a tudo, mesmo ao tempo; e Jesus é o ‘concentrado’ de todo o amor de Deus num ser humano.”

Para resgatar: fazer sair da escravidão e restituir a liberdade
São Paulo diz, claramente, o motivo porque o Filho de Deus nasceu no tempo, qual é a missão que o Pai Lhe confiou para realizar: nasceu “para resgatar”, frisou o Papa.

“Esta é a segunda palavra que nos sensibiliza: resgatar, isto é – prosseguiu –, fazer sair duma condição de escravidão e restituir à liberdade – à dignidade e à liberdade próprias de filhos.”

A escravidão que o apóstolo tem em mente é a da “Lei”, explicou Francisco, “entendida como um conjunto de preceitos que devem ser observados, uma Lei que certamente educa o homem, é pedagógica, mas não o liberta da sua condição de pecador”; antes, de certo modo “crava-o” a esta condição, impedindo-o de atingir a liberdade do filho, observou.

Convite à reflexão e ao arrependimento
“Deus Pai enviou ao mundo o seu Filho Unigênito para desenraizar do coração do homem a escravidão antiga do pecado e, assim, restituir-lhe a sua dignidade”, disse Francisco convidando à reflexão e ao arrependimento: “devemos deter-nos; deter-nos a refletir com amargura e arrependimento porque também durante este ano que chega ao fim, muitos homens e mulheres viveram, e vivem, em condições de escravidão, condições indignas de pessoas humanas”.

“Também na nossa cidade de Roma, há irmãos e irmãs que, por vários motivos, estão neste estado. Penso, de modo particular, naqueles que vivem sem um lar. São mais de dez mil. De inverno, a sua situação é particularmente dura. Todos eles são filhos e filhas de Deus, mas diferentes formas de escravidão, por vezes muito complexas, levaram-nos a viver no limite extremo da dignidade humana.”

Manifestação do amor de Deus pelos humildes e os pobres
Francisco disse ainda que o próprio Jesus nasceu em condição semelhante, “não por acaso nem por um incidente”, observou, mas “quis nascer assim, para manifestar o amor de Deus pelos humildes e os pobres e, deste modo, lançar no mundo a semente do Reino de Deus, Reino de justiça, amor e paz”.

“A Igreja que está em Roma não quer ficar indiferente às escravidões do nosso tempo, nem limitar-se a observá-las e prestar-lhes assistência, mas quer estar dentro desta realidade, próxima a estas pessoas e situações.”

A santa mãe Igreja eleva seu hino de louvor a Deus
“Apraz-me encorajar esta forma da maternidade da Igreja, ao celebrarmos a maternidade divina da Virgem Maria”, disse por fim o Papa, acrescentando:

“Contemplando este mistério, reconhecemos que Deus ‘nasceu de uma mulher’ para que nós pudéssemos receber a plenitude da nossa humanidade, ‘a adoção de filhos’. Pelo seu abaixamento, fomos solevados. Da sua pequenez, veio a nossa grandeza. Da sua fragilidade, a nossa força. De Ele Se fazer servo, a nossa liberdade.”

“Que nome dar a tudo isso, senão Amor? Amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo, a Quem a santa mãe Igreja eleva em todo o mundo, nesta tarde, o seu hino de louvor e agradecimento”, concluiu Francisco.

A liturgia encerrou-se com a exposição do Santíssimo Sacramento, o canto do tradicional hino Te Deum de ação de graças pelo ano transcorrido e a Bênção Eucarística, ao término da qual o Santo Padre, deixando a Basílica Vaticana, deslocou-se até a Praça São Pedro detendo-se em oração diante do Presépio montado no centro da praça.

Gaudí e o Natal: uma fachada da catedral de Barcelona

Cena do Nascimento de Jesus mostra o mistério da vida

Clique aqui para abrir a galeria de fotos

A Sagrada Família de Gaudí, esta imponente basílica em construção em Barcelona, tem duas fachadas: a do Nascimento e a da Paixão do Senhor. Veja as imagens desta grandiosa obra de arte.

Basilica de São Pedro -Vésperas e Te Deum

MICHEL ARTICULA ATÉ O ÚLTIMO MINUTO PARA SALVAR A PELE

 Marcos Corrêa/PR
Marcos Corrêa/PR
"Michel Temer já avançou, recuou, desistiu e desistiu da desistência várias vezes em seu governo, que acaba amanhã. Em quase todas, a ginástica teve o objetivo de salvar a própria pele, e foi bem sucedida", recorda Helena Chagas, em artigo para o Jornalistas pela Democracia; segundo ela, é a sobrevivência também "que está sendo levada em conta na decisão de não (pelo menos neste momento) assinar o indulto que poderia tirar milhares de presos da cadeia nessa virada do ano", para não "quer melindrar nenhum dos ministros do divididíssimo STF, que não decidiram ainda sobre o indulto de 2017".

Armas: Igreja é radicalmente contra o uso de armas, diz teólogo


:
O teólogo Fernando Altemeyer Junior, chefe do Departamento de Ciência da Religião da PUC São Paulo, salienta que "as igrejas são radicalmente contra o uso de armas"; "O papa Francisco agora deixou claro que essa indústria de armas norte-americana que financia o (Donald) Trump – e agora a brasileira, que financia o (Jair) Bolsonaro – é anticristã. A Igreja não tem nada a dizer quanto às armas senão um gigantesco não", completa o teólogo.

Datafolha: 61% são contra plano de Bolsonaro para facilitar posse de armas

BRASIL

Adriano Machado/Reuters: <p>bolsonaro armas</p>
Adriano Machado/Reuters: bolsonaro armas

A ideia anunciada por Jair Bolsonaro de facilitar a posse de armas por decreto enfrenta a oposição da maioria absoluta da população brasileira; de acordo com levantamento feito pelo Datafolha, 61% são contra a ideia e apenas 37% a defendem; especialistas em segurança pública veem como "erro grosseiro" a proposta dos bolsonaristas.

NA VÉSPERA DA POSSE, BOLSONARO DECLARA GUERRA À EDUCAÇÃO


Na véspera de sua posse como presidente, Jair Bolsonaro praticamente declarou guerra à Educação brasileira e aos professores e professoras; lançou um tweet na manhã desta segunda afirmando que uma das metas de seu governo será "combater o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino"; Bolsonaro afirmou que a educação no país forma "militantes políticos" e que passará a formar "cidadãos"; texto sinaliza início de um período de perseguição nas escolas e especialmente nas Universidades federais do Brasil.

POVO BRASILEIRO 2, BOLSONARO 0


"Antes mesmo da posse, Bolsonaro enfrenta oposição popular a duas medidas importantes de seu governo, a venda do controle de armas e a submissão da diplomacia brasileira aos Estados Unidos", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247; "A rejeição popular a essas propostas mostra que as contradições entre Bolsonaro e o eleitorado tendem a se acentuar com o tempo, na medida em que o novo governo for levado a mostrar as verdadeiras intenções, muito bem escondidas numa campanha presidencial sem debate político real, apoiada em fake news. A reforma da Previdência é o próximo ponto da lista", prevê PML.

O transumanismo ganha terreno apesar das objeções dos cientistas

 domtotal.com
O transumanismo surgiu 'quando nos demos conta de que poderíamos tomar decisões para intervir em nossa evolução biológica graças à técnica', explica Marc Roux.
Algumas empresas estão pesquisando o desenvolvimento de interfaces
Algumas empresas estão pesquisando o desenvolvimento de interfaces "cérebro-máquina" implantáveis para conectar humanos a computadores. (AFP).

Os avanços tecnológicos estão abrindo portas para o transumanismo, um movimento promovido até por gigantes como a Google que busca desenvolver um "hiperhumano" imortal, apesar da fortes objeções de muitos cientistas.

O transumanismo surgiu "quando nos demos conta de que poderíamos tomar decisões para intervir em nossa evolução biológica graças à técnica", explica Marc Roux, presidente da Associação Francesa Transumanista (AFT).

Um exemplo recente foi o anúncio polêmico de um pesquisador chinês sobre o suposto nascimento dos primeiros bebês geneticamente modificados, capazes de resistir ao vírus da Aids.

Quase 40 anos depois do surgimento entre um grupo de futurólogos da Califórnia, o transumanismo parece mais forte do que nunca: a Google, por exemplo, após ter contratado um de seus ícones mundiais, o engenheiro Ray Kurzweil, criou a filial Calico para pesquisar o controle do envelhecimento, enquanto o milionário Elon Musk aposta na pesquisa sobre implantes cerebrais.

"Alguns transumanistas assinam seus e-mails com slogans como "a morte agora é facultativa" ou "a primeira pessoa que viverá 500 anos já nasceu", diz Blay Whitby, especialista em informática e inteligência artificial da Universidade de Sussex, na Inglaterra. "São claramente mais otimistas do que eu!".

Direito à experimentação

A realidade é que, por exemplo, a medicina continua impotente diante das doenças neurodegenerativas, com pesquisas clínicas sobre Alzheimer fracassando uma após a outra, e este ano a expectativa de vida voltou a recuar nos Estados Unidos. Segundo alguns estudos, a longevidade, após ter aumentado até os anos 1990, poderia ter alcançado seu limite máximo.

"Continuam existindo verdadeiras barreiras para nossa compreensão do homem", segundo Nathanaël Jarrassé, do Instituto de Sistemas Inteligentes e Robótica de Paris. "Se diz que é questão de tempo e dinheiro e se nega que talvez nunca conseguiremos entender certas coisas, ou seja, se nega a impossibilidade científica".

Marc Roux lamenta que os transumanismo se reduza muitas vezes a seus partidários mais radicais.

Ele admite que o recente caso dos "bebês OGM" apresenta falhas de "protocolo científico", mas defende a visão dos transumanistas que não acreditam que modificar as gerações futuras seja "abominável".

"Por que tem que ser algo ruim? Já não há debate sobre esses temas. Se condena, mas no fundo esquecemos o por quê", afirma o historiador de formação.

O movimento pede o direito de experimentar, em pacientes voluntários, técnicas possíveis de realizar hoje, como implantes de retina que permitem perceber raios infravermelhos, próteses para rotações ilimitadas e implantes que atuam sobre o nervo auditivo com o fim de captar ultrassons.

"As teorias transumanistas se baseiam em um conceito muito materialista do corpo, da consciência...", lamenta Edouard Kleinpeter, engenheiro e pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. "Para essas pessoas, não há nenhuma diferença fundamental entre um cérebro e um microprocessador".

Mas o "ser humano não é unicamente uma ideia ou um 'espírito', e sim um ser de carne e osso, feito de células vivas, com vasos sanguíneos que nos alimentam", protesta o neurobiólogo Jean Mariani.

Política mercantil dos GAFA

Para Jarrassé, outro problema é que quem insiste na ideia de que as tecnologias salvarão a humanidade são muitas vezes, as mesmas pessoas que as vendem, como os GAFA (Google Apple Facebook Amazon). O corpo humano representa para eles um novo mercado.

"As decisões políticas, estratégicas ou econômicas não podem ser tomadas em função (...) dos interesses econômicos de empresas que prometem um futuro de ficção científica e de 'start ups' que fazem propagandas de produtos incríveis", diz Jarrassé, que adverte que esse setor poderia "indiretamente desviar a pesquisa das necessidades reais".

"O transumanismo é mais o reflexo do homem de hoje em dia do que do homem do futuro", segundo Kleinpeter: "Uma mistura de onipotência que se apoia nos avanços técnicos e de recusa da fragilidade e o azar que supõe o fato de serem seres biológicos que vivem em sociedade".

Mas se há algo que gera unanimidade é a necessidade de refletir sobre como deve ser o futuro e que lugares a tecnologia irá ocupar.

"No mundo há cada vez mais desigualdade. Essa tecnologia é o privilégio de um pequeno grupo de pessoas muito ricas. Temo que a utilizem para ganhar ainda mais dinheiro. É esse o futuro que queremos?", se pergunta Blay Whitby.


AFP

Os principais fluxos migratórios nos últimos anos

domtotal.com
O conflito na Síria deixou mais de 360.000 mortos desde março de 2011.
Criança síria em acampamento em Shamarin, perto da fronteira com a Turquia, em 6 de dezembro de 2018
Criança síria em acampamento em Shamarin, perto da fronteira com a Turquia, em 6 de dezembro de 2018 (AFP).

Os anos 2000 foram cenário de movimentos maciços de população que fogem dos conflitos, da pobreza e de perseguições. Abaixo, alguns casos:

Desde 2011: Síria

O conflito na Síria, que começou com a repressão das manifestações pró-democracia, deixou mais de 360.000 mortos desde março de 2011. Neste país de aproximadamente 23 milhões de habitantes antes da guerra, mais da metade da população se viu obrigada a fugir de seus lares por causa dos combates. No interior do país há cerca de 6,6 milhões de sírios deslocados.

O restante, mais de 5,6 milhões, fugiram para o exterior, a maioria a países vizinhos, segundo os últimos dados da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).

A Turquia é o país que acolhe mais sírios registrados pela Acnur, com mais de 3,6 milhões. Em seguida estão Líbano (menos de 1 milhão a 1,5 milhão, segundo Beirute) e Jordânia (de 673.000 a 1,3 milhão, segundo Amã).

Centenas de milhares de sírios se refugiaram também na Europa, sobretudo na Alemanha.

2013-2018: Sudão do Sul

O Sudão do Sul, que conquistou sua independência em 2011, foi cenário de uma guerra civil durante quase cinco anos, é caracterizado pelas atrocidades de caráter étnico. O conflito entre dezembro de 2013 e setembro de 2018 deixou mais de 380.000 mortos e obrigou cerca de 4,2 milhões de pessoas, um terço da população, a fugir.

Segundo o Acnur, quase 2,2 milhões de pessoas deixaram o país para ir a Uganda (785.000), Sudão (764.000) e Etiópia (422.000). Trata-se de uma das piores crises humanitárias do mundo.

2015: um recorde na Europa

A chegada maciça e continuada de migrantes por vários anos provocou uma grave crise migratória e política na Europa, onde os governos endureceram suas condições de acolhida e, em alguns casos, restabeleceram os controles fronteiriços.

Depois do recorde de mais de 1 milhão de migrantes em 2015, o número de chegadas pelo mar Mediterrâneo (de origem síria, iraquiana, afegã e da África subsaariana) tende a cair. Em 2016 foram mais de 362.000, e em 2017, 172.000. Desde o início de 2018, 132.500 migrantes chegaram à Europa, 108.400 deles pelo mar, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Cerca de 2.130 pessoas morreram nessa tentativa.

À medida que foram fechando as rotas migratórias no Mediterrâneo oriental (Turquia-Grécia) e central (através da Líbia ou da Tunísia para a Itália), a pressão foi sendo acentuada na rota ocidental, sobretudo no Marrocos. As redes de tráfico de migrantes aumentaram suas atividades rumo à Espanha que, com quase a metade das chegadas, se tornou neste ano a principal porta de entrada da imigração clandestina na Europa.

A partir de 2015: Venezuela

Segundo as Nações Unidas, cerca de três milhões de venezuelanos vivem no exterior, dos 2,3 milhões emigraram desde 2015, fugindo da grave crise econômica, política e social que atravessa o país. A Colômbia, que compartilha 2.200 km de fronteira com a Venezuela, acolhe mais de 1 milhão; o Peru, pelo menos 550.000; e o Equador, cerca de 300.000. Em agosto deste ano, uma estimativa divulgada em agosto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que cerca de 30,8 mil venezuelanos vivem no Brasil atualmente.

O Acnur acredita que esse êxodo de venezuelanos que escapam da hiperinflação e da escassez é o mais expressivo fluxo migratório da história recente da América Latina.

2018: Honduras

Uma caravana de milhares de migrantes, principalmente hondurenhos que saíram de seu país escapando da violência e da pobreza, alcançou em meados de novembro deste ano à fronteira com os Estados Unidos.

Outras caravanas procedentes de América Central se juntaram e os migrantes percorreram milhares de quilômetros a pé, de ônibus ou em veículos que os ajudavam, na esperança de obter o status de refugiados nos Estados Unidos.

Cerca de 6.000 pessoas se reuniram na cidade mexicana de Tijuana, mas não conseguiram cruzar a fronteira, para onde o presidente Donald Trump deslocou milhares de soldados.


AFP

Desastres causados por mudança climática custaram US$ 100 bi em 2018

domtotal.com
Eventos climáticos extremos provavelmente se tornarão muito mais comuns.
Incêndios florestais atingiram grande parte do sul da Europa e da Califórnia em 2018.
Incêndios florestais atingiram grande parte do sul da Europa e da Califórnia em 2018. (AFP/Arquivos).

Os desastres provocados pelas mudanças climáticas custaram às nações pelo menos US$ 100 bilhões em 2018, alertou uma agência britânica advertindo que a série de incêndios florestais, enchentes e supertempestades seriam uma "sombra" do que acontecerá se as emissões de gases do efeito estufa não forem reduzidas.

Este ano deverá ser o quarto mais quente já registrado e, à medida que os níveis de carbono e metano na atmosfera continuarem aumentando, eventos climáticos extremos, como os devastadoras incêndios que destruíram áreas da Califórnia, provavelmente se tornarão muito mais comuns.

O ano de 2018 "mostrou a ameaça catastrófica que a mudança climática representa para o mundo. E isso é apenas uma sombra do que virá se as temperaturas continuarem subindo", disse Kat Kramer, líder climática global da organização religiosa de assistência Christian Aid.

Sua equipe elaborou uma lista de 10 desastres ligados ao clima e usou dados de código aberto, estimativas oficiais e avaliações de empresas de seguros para determinar o custo de cada um.

No topo da lista estavam os furacões Florence e Michael, que causaram danos estimados em US$ 17 bilhões e US$ 15 bilhões, respectivamente.

"A única resposta é que haja esforços globais imediatos para reverter o aumento das emissões, para colocar o mundo a caminho da neutralidade de carbono até a metade do século", disse Kramer à AFP.

Os compromissos assumidos nas negociações da COP24 realizada na Polônia neste mês colocam a Terra no caminho para um aquecimento de 3ºC, considerado perigoso por especialistas.

Em 2018 houve pelo menos um grande desastre induzido pelo clima em cada continente habitado da Terra.

A Christian Aid descobriu que quatro eventos - incluindo os incêndios na Califórnia, a seca no sul da Europa e as inundações no Japão - custaram pelo menos US$ 7 bilhões cada.

"As inundações, secas, ondas de calor, incêndios e tempestades sem precedentes que vimos nos últimos anos são o rosto da mudança climática", disse Michael Mann, professor de Ciências Atmosféricas da Penn State University.

"O clima do mundo está se tornando mais extremo diante de nossos olhos. A única coisa que pode impedir que essa tendência destrutiva se intensifique é uma rápida queda nas emissões de carbono", acrescentou.

A Christian Aid disse que as estimativas de danos provavelmente são muito menores do que o custo real da maioria dos desastres, já que muitas vezes só mostraram perdas seguradas e não incluíram a perda de produtividade associada a negócios e residências fechadas ou danificadas.

AFP

2019: Igreja celebra Dia Mundial da Paz com atenção aos «vícios» da política

Mensagem do Papa Francisco defende visão de «serviço» à comunidade

Cidade do Vaticano, 31 dez 2018 (Ecclesia) – A Igreja Católica vai iniciar o ano de 2019 com a celebração do 52.º Dia Mundial da Paz, na qual o Papa alerta para uma política distante do “serviço à coletividade humana” que se torna “instrumento de opressão, marginalização e até destruição”.

Num documento intitulado ‘A boa política está ao serviço da paz’, Francisco reflete sobre as “virtudes” e os “vícios” da política, e abre também uma janela de reflexão para os atos eleitorais que vão acontecer ao longo do novo ano.

No seu documento, o Papa aponta 12 vícios que atualmente retiram “credibilidade aos sistemas dentro dos quais ela se realiza, bem como à autoridade, às decisões e à ação das pessoas que se lhe dedicam”.

“Estes vícios, que enfraquecem o ideal duma vida democrática autêntica, são a vergonha da vida pública e colocam em perigo a paz social”, considera Francisco.

O Papa refere em primeiro lugar “a corrupção – nas suas múltiplas formas de apropriação indevida dos bens públicos ou de instrumentalização das pessoas”.

Francisco prossegue depois com “a negação do direito, a falta de respeito pelas regras comunitárias, o enriquecimento ilegal, a justificação do poder pela força ou com o pretexto arbitrário da «razão de Estado», a tendência a perpetuar-se no poder, a xenofobia e o racismo”.

A mensagem para a celebração de 1 de janeiro de 2019 sublinha o impacto negativo que algumas decisões políticas têm tido ao nível da sustentabilidade do planeta, devido à “recusa a cuidar da Terra”, e à “exploração ilimitada dos recursos naturais em razão do lucro imediato”.

O último “vício” político enumerado por Francisco remete para a crise migratória que rebentou nos últimos anos, devido a fenómenos como a guerra e o terrorismo, a perseguição étnica e religiosa, a pobreza e a desigualdade social.

Uma situação que, segundo o Papa, mostrou em vários casos, por parte dos Estados e dos seus políticos, “o desprezo” que reina para com aqueles “que foram forçados ao exílio”.

“O terror exercido sobre as pessoas mais vulneráveis contribui para o exílio de populações inteiras à procura duma terra de paz. Não são sustentáveis os discursos políticos que tendem a acusar os migrantes de todos os males e a privar os pobres da esperança”, adverte.

Francisco indica uma ideia-chave para tornar o momento das campanhas eleitorais e de ida às urnas como um verdadeiro motor de renovação e de mudança.

“Cada renovação nos cargos eletivos, cada período eleitoral, cada etapa da vida pública constitui uma oportunidade para voltar à fonte e às referências que inspiram a justiça e o direito”, sustenta.

Ao longo da sua mensagem, o pontífice reforça que “a política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem”, mas quando a prioridade é “a busca do poder a todo o custo” ela “leva a abusos e injustiças”.

Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo”.

Recordando o centenário do fim da I Guerra Mundial, que tem vindo a ser assinalado este ano, Francisco avisa os políticos que “a paz não pode jamais reduzir-se ao mero equilíbrio das forças e do medo”.

“A escalada em termos de intimidação, bem como a proliferação descontrolada das armas são contrárias à moral e à busca duma verdadeira concórdia”, defende.

O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968 pelo Papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do novo ano.

Francisco vai presidir à Missa da solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, pelas 10h00 (menos uma em Lisboa), seguindo-se a recitação do ângelus, ao meio-dia de Roma.

JCP/OC

O 2018 de Francisco, um balanço à luz da alegria do Evangelho

Papa com um grupo de adolescentes na Audiência Geral
Papa com um grupo de adolescentes na Audiência Geral  (AFP or licensors)
Repassamos o ano de Francisco, com suas alegrias e aflições, olhando para os acontecimentos de 2018 através das lentes da Evangelii gaudium
Sergio Centofanti - Cidade do Vaticano
Este ano, como disse o Papa Francisco em seu recente discurso de felicitações de Natal à Cúria, foi difícil para a Igreja, "investida por tempestades e furacões". Precisamente por isso, podemos ler melhor o ano de 2018 do Papa, à luz de sua primeira Exortação Apostólica, a Evangelii gaudium, que no mês passado completou 5 anos. De fato - escreve Francisco - "é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo em meio às piores angústias".

Cristo no centro
Um texto programático do seu pontificado, fortemente cristocêntrico. Todas as reflexões do Papa deste ano, das 43 Audiências Gerais às 89 meditações na Santa Marta, dos Angelus às homilias das Missas públicas, estão centradas no encontro vivo com Jesus, como lemos no início da Evangelii gaudium:  “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”. O Papa convida os fiéis a "uma nova etapa de evangelização marcada por essa alegria".

Levar o frescor original do Evangelho para o mundo
Francisco indica dois caminhos. O primeiro é o apelo aos cristãos para levarem a todos, com renovado fervor e criatividade, a alegria de ter encontrado Jesus: trata-se de uma "nova saída missionária" que quer "recuperar o frescor original do Evangelho" e concentrar-se no essencial, evitando uma pastoral "obcecada pela transmissão desarticulada de uma multidão de doutrinas que se tenta impor pela força de insistir". No núcleo do anúncio "o que resplandece é a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo que morreu e ressuscitou". De fato, escreve Francisco, acontece que falamos "mais da lei que da graça, mais da Igreja do que de Jesus Cristo, mais do Papa do que da Palavra de Deus".

Uma Igreja de portas abertas
O segundo  caminho é o de uma Igreja aberta e acolhedora. "A Igreja - afirma - é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai (...) Mesmo as portas dos Sacramentos não se deveriam fechar por qualquer motivo". Assim, "a Eucaristia, embora constitua a plenitude da vida sacramental, não é um prêmio para os perfeitos, mas um generoso remédio e um alimento para os fracos. Essas convicções também têm consequências pastorais que somos chamados a considerar com prudência e audácia. Frequentemente nos comportamos como controladores da graça e não como facilitadores. Mas a Igreja não é uma alfândega, é a casa paterna onde há espaço para todos com sua vida dura".

O Papa já prevê as consequências dessa abordagem: "Eu prefiro uma Igreja acidentada, ferida e suja por ter saído para as ruas, em vez de uma Igreja doente pelo fechamento e a comodidade de apegar-se às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada em ser o centro e que acaba encerrada em um emaranhado de obsessões e procedimentos. Se algo deve santamente inquietar e perturbar a nossa consciência, é que muitos dos nossos irmãos vivem sem a força, a luz e o consolo da amizade com Jesus Cristo".

O Rosário para proteger a Igreja das divisões
Um dos momentos fortes deste 2018 foi o apelo do Papa para rezar o Rosário todos os dias, unidos como povo de Deus em pedir a Nossa Senhora e São Miguel Arcanjo para proteger a Igreja do diabo, “que sempre visa nos separar de Deus e entre nós".

Nestes tempos - afirma Francisco - "parece que o Grande Acusador tenha se soltado e persegue os bispos" para semear discórdia, escândalo e dúvidas entre os fiéis. O Papa olha com aflição àqueles que "traem" a sua consagração a Deus e a Igreja e "escondem-se por detrás das boas intenções para apunhalar os seus irmãos", encontrando "sempre justificativas, até mesmo lógicas e espirituais, para continuar a percorrer sem serem perturbados o caminho da perdição". "A Igreja não deve ser sujada" - disse o Papa ao final do Sínodo sobre os jovens – os seus filhos estão sujos, “todos, mas a Mãe não. E por isso é o momento de defender a Mãe; e a Mãe se defende do Grande Acusador com oração e penitência".

Deus não cessa de falar
Neste contexto, recordamos a mudança do Catecismo, aprovada pelo Papa, sobre a pena de morte: "A Igreja ensina, à luz do Evangelho – lê-se no novo texto - que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa", e se empenha com determinação para a sua abolição em todo o mundo".

Um desenvolvimento da doutrina católica sobre este tema, que somente em linha de princípio ainda admitia a pena capital. Um desenvolvimento que confirma como a tradição - disse Francisco - é "uma realidade viva, e somente uma visão parcial pode pensar no 'depósito da fé', como algo estático (...). Não pode conservar a doutrina sem fazê-la progredir, nem se pode liga-la a uma leitura rígida e imutável, sem humilhar a ação do Espírito Santo." Basta ler os desenvolvimentos doutrinais em 2000 anos de história cristã para perceber que Deus não deixa de falar e de nos fazer entender sempre melhor as verdades do Evangelho. Cresce a inteligência da fé.

A chaga dos abusos: homens da Igreja que comportam-se como senhores em vez de servir
2018 foi o ano em que o escândalo de abusos cometidos por expoentes da Igreja irrompeu em toda a sua virulência. Compreende-se melhor a invocação lançada em Evangelii gaudium: "Deus nos livre de uma Igreja mundana" que, sob "aparência de religiosidade", busca apenas poder, declinado em suas múltiplas formas.

Na Carta ao Povo de Deus de 20 de agosto, o Papa reitera o caminho da tolerância zero, da verdade, da justiça, da prevenção e da reparação. A Igreja está ao lado das vítimas ("as feridas nunca prescrevem") e está fortemente comprometida na proteção de menores.

Francisco fala de uma tríplice forma de abuso: de poder, de consciência e sexuais. Ele afirma que o "clericalismo" está entre as principais causas desse flagelo: é quando o sacerdócio perde sua vocação de serviço e se transforma em poder, anulando a personalidade dos cristãos. Falando à Cúria, ele disse basta ao acobertamento e define os abusadores como lobos atrozes, muitas vezes escondidos atrás de rostos angelicais, lançando a eles um apelo: "Convertam-se e entreguem-se à justiça humana e preparem-se para a justiça divina".

O Papa destitui do estado clerical bispos e sacerdotes e retira o cardinalato de Theodore McCarrick, 88 anos, arcebispo emérito de Washington. Agora há grande expectativa para o encontro sobre abusos convocado pelo Papa para o próximo fevereiro no Vaticano, no qual tomarão parte bispos de todas as Conferências Episcopais do mundo.

Uma Igreja que caminha em direção à santidade
No sínodo de outubro passado, o papa relançou seu convite contido no Evangelii Gaudium para "caminhar juntos" na Igreja, sem deixar ninguém à margem: o documento final pede um novo protagonismo dos jovens, mulheres e leigos. Ainda há um longo caminho a percorrer.

Caminhar todos juntos, especialmente para a santidade: com a Exortação Apostólica "Gaudete et exsultate", publicada em abril, Francisco refere-se por exemplo "aos santos da porta ao lado", as tantas testemunhas da fé que dão a vida no silêncio de todos dias. E com a canonização de Paulo VI e Romero,  indica que a santidade se manifesta de muitas maneiras diferentes, mas coloca juntas instituição e profecia.

Viagens internacionais, o abraço de pessoas e povos
Uma igreja sempre mais missionária e próxima às pessoas, pede a Evangelii gaudium. 2018 levou Francisco ao Chile, onde encontrou algumas vítimas de abusos: mais tarde, confessará em uma carta que incorrera em "graves erros de avaliação e de percepção da situação, especialmente pela falta de informações verdadeiras e equilibradas" e pediu perdão.  No Peru, ele abraçou o povo da Amazônia e na peregrinação ecumênica a Genebra, fez um apelo a todas as Confissões cristãs para testemunhar juntos Cristo, para além das diferenças, na lógica do serviço. Em Dublin, ele viveu o caloroso abraço com as famílias e nos três países bálticos recordou a perseguição nazista e comunista e a fidelidade de tantos mártires cristãos.

Viagens italianas, incluindo Padre Pio, don Tonino Bello e don Puglisi
Na Itália, Francisco foi a Pietrelcina e San Giovanni Rotondo: Padre Pio - disse ele - é um santo que amava Jesus e amava "incondicionalmente" a Igreja "com todos os seus problemas, com todas as suas dificuldades”, dando um grande testemunho de fidelidade e comunhão.

Em Alessano e Molfetta, recordou a exortação do padre Tonino Bello a uma vida desconfortável, "porque quem segue Jesus ama os pobres e os humildes." Seguiram-se as viagens a Nomadelfia (Comunidade fundada por Fr. Zeno Saltini) e Loppiano (Focolares) e depois a Bari para o encontro com os líderes das comunidades cristãs do Oriente Médio, onde o Papa denunciou violências, destruição, fundamentalismos e a migração forçada "no silêncio de tantos e com a cumplicidade de muitos": em risco é a própria existência dos cristãos na região. Última viagem italiana do ano, a Piazza Armerina e Palermo, no 25º aniversário da morte do Beato Pino Puglisi, sacerdote assassinado pela máfia, que tem continuado a espalhar bondade no meio do poder do mal.

Direitos humanos espezinhados e cristãos perseguidos
No 70º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, o Papa, no seu discurso ao Corpo Diplomático, afirmou que muitos direitos fundamentais são ainda hoje violados: "O primeiro entre todos, o da vida, a liberdade e a inviolabilidade de todo ser humano". Pensa nas "crianças inocentes, descartadas ainda antes de nascerem", "os idosos, também eles muitas vezes descartados, especialmente se estiverem doentes", "mulheres que frequentemente sofrem violências", nas vítimas de tráfico, muitas vezes fugindo da pobreza e das guerras.

O Papa também denuncia o surgimento de novos e controversos direitos que, com uma nova forma de colonização ideológica, os países ricos querem impor aos mais pobres. O pensamento vai às palavras da Evangelii Gaudium, onde Francisco pede para mudar o atual sistema econômico, porque "essa economia mata", gera famintos e descartes humanos, fazendo prevalecer "a lei do mais forte, onde o poderoso come o mais fraco".  Francesco sublinha que em muitos países a liberdade de religião e de consciência é espezinhada. Ele afirma em diversas ocasiões que os cristãos são mais perseguidos hoje do que nos primeiros séculos.

Acordo com a China: olhar para a história através dos olhos da fé
Em 22 de setembro passado, foi assinado em Pequim o Acordo Provisório entre a Santa Sé e a China sobre a nomeação dos Bispos (a última palavra pertence ao Papa), com o desejo que contribua positivamente para a vida da Igreja na China, em benefício dos chineses e à paz no mundo. O objetivo do Acordo é pastoral, não político. Em uma Mensagem, o Papa Francisco explica as razões que o levaram a assinar o acordo: promover o anúncio do Evangelho e alcançar a unidade da comunidade católica chinesa. Ele pede confiança neste passo: porque a fé muda a história.

As reformas: por uma Igreja profundamente missionária
Tiveram continuidade este ano as reformas estruturais iniciadas por Francisco em chave missionária, como desejado pela Evangelii gaudium. O Conselho de Cardeais entregou ao Papa uma proposta da Constituição Apostólica (intitulada Praedicate evangelium) sobre a reforma da Cúria Romana, para que responda mais às exigências de uma Igreja em saída. Com a Constituição Apostólica Episcopalis communio, Francisco transforma o Sínodo dos Bispos como “evento em processo", com o envolvimento de todos os batizados: se "inicia escutando o Povo de Deus", se "prossegue escutando os pastores”, culminando na escuta do Bispo de Roma, chamado a pronunciar-se como «Pastor e Doutor de todos os cristãos».

Com o Motu proprio "Aprender a despedir-se", modifica alguns aspectos da renúncia dos titulares de alguns ofícios de nomeação pontifícia, enfatizando a importância da preparar-se para a renúncia, "despojando-se dos desejos de poder e da pretensão de ser indispensável."

O Papa aprovou a Nova Lei do Governo do Estado da Cidade do Vaticano, em vigor a partir de junho próximo, com base em três princípios (racionalização, economicidade e simplificação) e quatro critérios (funcionalidade, transparência, coerência normativa e flexibilidade organizacional). Também continua o empenho da Santa Sé para melhorar a transparência financeira, confirmada pelo sim da Europa ao ingresso do Vaticano no circuito bancário SEPA (Single Euro Payments Area).

É a hora da misericórdia
Cinco anos atrás, Francisco concluía sua primeira Exortação Apostólica com um encorajamento aos "evangelizadores com  Espírito", crentes que vivem a missão como "uma paixão por Jesus" e "uma paixão por seu povo", em particular próximos aos mais sofredores, portadores da alegria do Evangelho que não se impõe mas atrai, com uma linguagem positiva, dialógica, que acolhe e não condena, cheios de esperança, atentos a "tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro".

Na Audiência Geral de 21 de novembro último, o Papa afirmou: "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus" (Mt 5,3). Sim, bem-aventurados aqueles que deixam de iludir-se, acreditando poder salvar-se da própria fraqueza sem a misericórdia de Deus, a único que pode curar. Somente a misericórdia de Deus cura o coração. Bem-aventurados aqueles que reconhecem seus próprios maus desejos e com um coração arrependido e humilde não estão diante de Deus e de outros homens como justos, mas como pecadores (...) Estes são aqueles que sabem ter compaixão, que sabem ter misericórdia dos outros, porque a experimentam em si mesmos".

O ano do Papa Francisco em imagens

Clip senza titolo 01.avi.00_33_43_08.Immagine005.jpg
Viagens, audiências, encontros... inúmeros eventos realizados dentro e fora do Vaticano imortalizaram a emoção do Papa Francisco no seu contato com os fiéis.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

Um ano para a Santa Sé e o Papa Francisco rico de viagens, eventos, encontros e acordos. Destes, um dos mais significativos foi com a República Popular Chinesa assinado em 22 de setembro. Trata-se de uma reaproximação entre os dois Estados, com o foco na nomeação de bispos, criando as condições para uma colaboração mais ampla em nível bilateral.

Perdão, justiça e verdade
Outro tema que dominou a agenda vaticana foi a reparação para os crimes de abusos, a ponto de o Papa convocar todos os presidentes das Conferências Episcopais para fevereiro próximo.

Em todas as viagens de 2018, Francisco se reuniu com as vítimas, fez um pedido de perdão público na Irlanda, por ocasião do Encontro Mundial das Famílias, e reiterou a linha “tolerância zero” que deve ser adotada por toda a Igreja no discurso de final de ano aos membros da Cúria Romana.

O Papa foi enfático ao pedir a conversão dos culpados e que os mesmos se entreguem à justiça terrena e se preparem para a justiça celeste. Crime, monstruosidade, ato abominável, vergonha: foram algumas das palavras usadas pelo Pontífice para tratar do assunto.

Abismo
No ano de 2018 Francisco não deixou de colocar no centro de suas preocupações os últimos: os descartados da sociedade, as vítimas das guerras, da violência e da fome, os cristãos perseguidos e os migrantes.

Foram inúmeros os pronunciamentos e, sobretudo, as homilias na Casa Santa Marta para denunciar a opulência de poucos em contraste com a miséria de muitos.

Uma doença séria, a do consumismo, de hoje! O consumismo, o gastar mais do que precisamos, uma falta de austeridade de vida: este é um inimigo da generosidade. A generosidade alarga o coração e o leva à magnanimidade.

Os jovens
A juventude foi protagonista este ano na Igreja com a realização do Sínodo dos Bispos em outubro, ápice de um caminho que teve fundamento um evento inédito: a reunião pré-sinodal em março com jovens de todo o mundo em Roma.

“Trabalhamos em comunhão e com ousadia, com o desejo de servir a Deus e ao seu povo. Que o Senhor abençoe os nossos passos, para podermos escutar os jovens, fazer-nos próximo e testemunhar-lhes a alegria da nossa vida: Jesus.”

Viagens
Em 2018, Francisco “reduziu” suas viagens internacionais para retomar a agenda das visitas ad Limina apostolorum em Roma. Mesmo assim, foram quatro etapas internacionais: Chile e Peru em janeiro, Genebra em junho, Irlanda em agosto e Lituânia, Letônia e Estônia em setembro. Dentro da Itália, foram cinco dioceses visitadas: Palermo, Bari, Florença, Lecce e San Giovanni Rotondo.

Crianças
As audiências no Vaticano e as visitas pastorais pela Diocese de Roma ofereceram inúmeras ocasiões para um contato próximo do Papa com os fiéis. As crianças foram as protagonistas em dois momentos especiais: a visita do Papa à paróquia São Paulo da Cruz, no dia 15 de abril, na periferia de Roma. Um garoto se comoveu ao perguntar ao Pontífice se o seu pai falecido, ateu, está no céu. Uma pergunta sussurrada no ouvido do Papa, que prontamente o consolou com um longo abraço.

Já na audiência geral de 28 de novembro, uma criança “indisciplinadamente livre” atraiu as atenções dos peregrinos, ao subir no palco da Sala Paulo VI e se entreter com o Guarda Suíço. O menino argentino levou o Pontífice à seguinte reflexão:

“Esta criança não consegue falar, é muda. Porém, sabe “comunicar”, sabe se expressar. E tem uma coisa que me fez pensar: é livre, indisciplinadamente livre. Porém livre. E me leva a pensar: também eu sou livre diante de Deus? Quando Jesus diz que devemos nos fazer como crianças, nos diz que devemos ter a liberdade que tem uma criança diante de seu Pai...esta criança...peçamos a graça de que possa falar”.

Da concepção ao nascimento: esculturas de uma “jornada milagrosa”



THE MIRACULOUS JOURNEY
AFP

Obras de arte gigantes revelam a evolução da vida humana dentro do útero

Clique aqui para abrir a galeria de fotos

Do lado de fora de um hospital para mulheres e crianças e um centro de pesquisa no Catar estão expostas 14 gigantescas esculturas de bronze. No começo, você não tem certeza do que está vendo, mas, depois, percebe que é um óvulo humano recém-fertilizado dividindo-se rapidamente. Cada escultura subseqüente mostra outro estágio da gestação. As obras foram feitas pelo artista Damien Hirst e a exposição recebeu o nome de “A jornada milagrosa”. A mostra detalha a jornada de uma vida recém-fertilizada – da concepção ao nascimento.
“Em última análise, a jornada pela qual o bebê passa antes do nascimento é maior do que qualquer coisa que ele venha a experimentar em sua vida humana”, disse Hirst. “Espero que as esculturas despertem no espectador um sentimento de espanto e admiração com este extraordinário processo humano.”
Na verdade, as obras tinham sido expostas em 2013, mas ficaram cobertas até novembro de 2018 por causa da controvérsia que causaram. Um bebê nu de 14 metros de altura não é exatamente uma visão comum na região. Agora, as esculturas estão se tornando rapidamente um marco no país. Turistas e visitantes sempre param para tirar foto da arte instigante. 
Clique em “Abrir a galeria de fotos” para conferir!  

Hoje é celebrado São Silvestre, que dá nome à tradicional corrida no Brasil



REDAÇÃO CENTRAL, 31 Dez. 18 / 04:00 am (ACI).- Neste 31 de dezembro, um grande evento para as ruas de São Paulo (SP) e já se tornou tradição no encerramento do ano no Brasil. É a Corrida Internacional de São Silvestre. Desde 1925, a corrida leva esse nome por conta do santo cuja festa é celebrada no mesmo dia, São Silvestre I.

Embora muitos ouçam todos os anos o seu nome associado ao evento esportivo, trata-se de um santo ainda pouco conhecido entre os brasileiros.

Natural de Roma, Silvestre foi eleito Papa em 314, a um ano do edito de Milão, por meio do qual o imperador Constantino concedeu liberdade de culto aos cristãos.

No período do seu pontificado, viu-se aflorar uma perigosa agitação doutrinária, com origem na pregação de Ario, sacerdote alexandrino que negava a divindade da segunda Pessoa e, consequentemente, o mistério da Santíssima Trindade.

Diante disso, Constantino convocou Bispos para abordar a questão. O Papa enviou seus representantes Ósio, Bispo de Córdova, e dois presbíteros.

Foi o primeiro Concílio Ecumênico (universal) que reuniu em Niceia, no ano 325, mais de 300 Bispos, com o próprio Imperador a presidir em lugar de honra.

Os Padres conciliares não tiveram dificuldade em fazer prevalecer a doutrina recebida dos Apóstolos sobre a divindade de Cristo, proposta energicamente pelo Bispo de Alexandria, Santo Atanásio. A heresia de Ario foi condenada sem hesitação e a ortodoxia trinitária ficou outorgada no chamado Símbolo Niceno ou Credo, ratificado por São Silvestre.

Constantino também doou ao Papa Silvestre o palácio imperial de Latrão, que foi a residência papal até Leão XI. Junto a esse palácio, mais tarde, foi construída a Basílica de São João de Latrão.

Foi também em seu pontificado que se ergueu a antiga Basílica de São Pedro.

São Silvestre I morreu em 31 de dezembro de 335 e foi sepultado no cemitério de Priscila. Os seus restos mortais foram transladados por Paulo I (757-767) para a Igreja erguida em sua memória.

Neste último dia do ano, agradeça a Deus pelo ano que passou e peça pelo que se inicia, por intercessão de São Silvestre, com esta oração.

Deus, nosso Pai, hoje é o último dia do ano. Nós vos agradecemos todas as graças que nos concedestes através dos vossos santos. E hoje pedimos a São Silvestre que interceda a vós por nós! Perdoai as nossas faltas, o nosso pecado e dai-nos a graça da contínua conversão.

Renovai as nossas esperanças, fortalecei a nossa fé, abri a nossa mente e os nossos corações, não nos deixeis acomodar em nossas posições conquistadas, mas, como povo peregrino, caminhemos sem cessar rumo aos Novos Céus e à Nova Terra a nós prometidos. Senhor, Deus nosso Pai, que o Vosso Espírito Santo, o Dom de Jesus Ressuscitado, nos mova e nos faça clamar hoje e sempre “Abba! Pai!”

Venha a nós o vosso Reino de paz e de justiça. Renovai a face da Terra, criai no homem um coração novo! Amém.

Vaticano emite primeira condenação por lavagem de dinheiro


POR MERCEDES DE LA TORRE

Praça de São Pedro Foto: Bohumil Petrik / ACI Prensa

Vaticano, 28 Dez. 18 / 09:30 am (ACI).- Pela primeira vez na história, o Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano emitiu uma sentença que condena a lavagem de dinheiro.

Segundou informou a Sala de Imprensa da Santa Sé em 27 de dezembro, "é a primeira vez que na jurisdição vaticana é aplicada a pena prevista no artigo 421-bis do Código Penal" reformado em 2013.

No último dia 17 de dezembro, o empresário italiano Angelo Proietti foi condenado a dois anos e seis meses de prisão.

Proietti tinha uma conta bancária no Instituto para as Obras da Religião (IOR), mais conhecido como "Banco do Vaticano". Esta conta tinha mais de um milhão de euros e tinha sido confiscada pela Autoridade de Informação Financeira (AIF) em 2014.

A investigação, que deu origem ao processo, é fruto da colaboração profícua entre o Gabinete do Promotor de Justiça, a Autoridade de Informação Financeira (AIF), a Gendarmaria Vaticana e o Estado Italiano.

Esta decisão do Tribunal Vaticano é de grande importância “na ótica do sistema de prevenção da lavagem de dinheiro e no combate do financiamento do terrorismo desenvolvido pelo Vaticano nos últimos anos”, assinala nota do Vaticano.

O caso de Proietti foi a primeira apreensão preventiva de uma conta no "Banco do Vaticano". No relatório do Comitê do Conselho da Europa Moneyval em 8 de dezembro de 2017 já aparecia embora sem indicar o nome. O número 13 indicava "uma companhia italiana, comprometida na reestruturação de imóveis, de um empresário italiano que tinha uma conta no IOR".

Este caso foi denunciado em 2013 pela AIF ao promotor de Justiça e à unidade de informação do Banco da Itália. Isso permitiu que as autoridades italianas prendessem o empresário por falso pedido de concordata e condená-lo a três anos e três meses de prisão.

Católicos devem acreditar nas previsões de futurólogos para 2019? Um exorcista responde

Imagem referencial. Foto: Flickr Agathe LM (CC BY-NC-ND 2.0)

REDAÇÃO CENTRAL, 31 Dez. 18 / 05:00 am (ACI).- Nos dias que antecedem a celebração de um Ano Novo, proliferam os prognósticos e adivinhações sobre o que acontecerá. Algo que muito poucos tomam em conta ao recorrer a estes supostos adivinhos é que nem sequer os demônios podem ver o futuro, tal como o explica o famoso exorcista José Antonio Fortea. Ele esclarece porque nós católicos não devemos acreditar nos gurus e adivinhos de fim de ano.

Em seu livro Summa Daemoniaca, uma obra de consulta sobre a questão dos demônios e o exorcismo, o Pe. Fortea adverte: “Nem precisa dizer que se o futuro não se pode conhecer nem mesmo invocando os demônios, muito menos com essas práticas de astrologia, cartomancia etc.”.

“Os demônios não sabem tudo, só o que podem deduzir, mas eles não veem o futuro”, assinala.

O Pe. Fortea indica que os demônios “com sua inteligência muito superior à humana podem deduzir por suas causas algumas coisas que acontecerão no futuro”, mas precisa que aquilo que pertence “à liberdade humana, está indeterminável e eles não o sabem”.

Além disso, o exorcista espanhol escreve que “os que praticam esses enganos são a prova viva de que por esse meio não se pode obter nenhum benefício”.

“Os únicos que sim obtêm algum benefício de tais adivinhações são os enganadores profissionais que são os primeiros a não acreditar nelas e que sabem dosar suas previsões para não serem descobertos”, assinala.

O exorcista espanhol é enfático em que “nunca nenhum cristão sob nenhum conceito deve consultar este tipo de pessoas”, pois “a consulta a um mago, vidente ou guru constitui sempre um pecado grave”.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Um mundo melhor é possível - Pe Geovane Saraiva



A hora da verdade chegou para o Brasil e Jair Bolsonaro

BOLSONARO
BOLSONARO
Fernando Frazão-Agência Brasil-CC

Agências de Notícias | Dez 30, 2018
O ex-militar, de 63 anos, chega com uma legitimidade conferida pela clara vitória nas urnas
Chegou a hora da verdade para Jair Bolsonaro, que poderá demonstrar a partir de terça-feira se tem tanta habilidade de governar o Brasil quanto de fazer ataques eleitorais contra a corrupção política, os partidos de esquerda e a “ideologia de gênero”.

O ex-militar, de 63 anos, chega com uma legitimidade conferida pela clara vitória nas urnas e por um cenário político devastado por anos de escândalos de corrupção, crise econômica e aumento da criminalidade.

A esquerda está dividida e os partidos de centro-direita estão reduzidos a forças inexpressivas.

O Partido Social Liberal (PSL) do presidente, com apenas 52 cadeiras de um total de 513, será o segundo maior em uma Câmara dos Deputados pulverizada.

Para garantir a governabilidade, deve manter a convergência dos lobbies transpartidários que deram a ele um suporte fundamental na campanha: os grandes produtores agrícolas, as igrejas ultraconservadoras neopentecostais e os defensores da flexibilização do porte de armas.

Ele também ganhou o apoio do mundo dos negócios, seduzido por suas promessas de reduções de gastos públicos, de impostos e privatizações.

– Retórica eleitoral –

A tarefa se anuncia complexa. A reforma da previdência, considerada essencial por sua equipe econômica, encontra resistência entre seus próprios aliados. E a reaproximação com Israel é vista com desconfiança pelos exportadores de carne, que temem represálias comerciais de países árabes.

Desde as eleições, Bolsonaro teve que recuar ou deixar em suspenso algumas de suas promessas, sem dar qualquer indicação de onde começará.

“Estamos às vésperas da posse do presidente eleito e ainda há uma grande incógnita sobre como será o governo”, afirma Rogério Bastos Arantes, professor de Ciências Políticas da Universidade de São Paulo (USP).

Um de seus poucos anúncios concretos foi a retirada do Brasil do Pacto Global das Nações Unidas sobre Migração. Além disso, alguns de seus comentários acabou precipitando o fim da cooperação médica com Cuba.

Essas medidas satisfazem seu eleitorado, mobilizado por uma forte campanha de ruptura com as idéias universalistas e com o legado do PT, que governou de 2003 a 2016.

Mas Bolsonaro ainda não emitiu nenhum sinal de que pretende ser, como prometeu perante o STF em 10 de dezembro, “o presidente dos 210 milhões de brasileiros (…) sem distinção de origem, raça, sexo, cor ou religião”.

Bastos Arantes afirma que se esses sinais demorarem muito, o Brasil poderá mergulhar numa “crise de governabilidade”.

“Bolsonaro tem que dizer à sociedade o que pretende fazer positivamente, não apenas negativamente”, destaca o analista político. E alerta: “É muito difícil governar e se relacionar com as instituições com base em sua retórica de campanha”.

– “Poder popular” –

Em seu discurso ante ao STF, Bolsonaro evocou a possibilidade de abalar o sistema atual de representação, através de “uma relação direta” com o povo graças às redes sociais, sua ferramenta de campanha preferida.

“As eleições de outubro revelaram uma realidade diferente das práticas do passado: o poder popular não requer mais intermediação e as novas tecnologias permitiram uma relação direta entre o eleitor e seus representantes”, afirmou.

Para Bastos Arantes, “o estímulo à beligerância pode continuar (…) porque existem mecanismos constitucionais que podem ser usados para apoiar o presidente por meio de referendos”.

“Há um cenário ainda muito aberto, com risco de investir em um inimigo interno, que também poderia ser externo”, continua ele, lembrando que Bolsonaro, diplomaticamente alinhado com o americano Donald Trump, multiplica as declarações hostis contra o fracassado regime socialista da Venezuela.

“Inventar um inimigo externo para se sustentar internamente é uma fórmula bem conhecida”, afirma.

– Ministros em batalha –

Bolsonaro, nostálgico da ditadura militar (1964-1985), formou uma equipe de 22 ministros, sete deles militares reformados. O Ministério da Economia foi confiado ao ultraliberal Paulo Guedes, o de Relações Exteriores a um diplomata convicto de que Trump pode “salvar o Ocidente” e o da Mulher, Família e Direitos Humanos a uma pastora evangélica.

Na Justiça, ele colocou o juiz do combate à corrupção, Sérgio Moro, figura emblemática da Operação Lava Jato que levou dezenas de políticos à cadeia, incluindo o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva.

O novo governo revelou nesta semana um plano para os primeiros cem dias para essa equipe díspar, com uma maioria de integrantes sem experiência política.

O texto estabelece quatro etapas para os 10, 30, 60 e 90 dias com a identificação e o encaminhamento de propostas prioritárias, bem como para eventual revogação de decretos e leis existentes.

Prevê, por fim, “uma cerimônia para comemorar 100 dias de governo, em 11 de abril”.

O mundo então terá, talvez, uma ideia do que é o Brasil de Bolsonaro.

(AFP)