quarta-feira, 31 de outubro de 2018

PAÍS É IGNORANTE A RESPEITO DA DITADURA

Seguimos na negação da história recente, o que tende a piorar e legitimar alguns acontecimentos da ditadura.
Por Gabriel Brito*
bolsonaro23
Jair Bol­so­naro será o pró­ximo pre­si­dente da Re­pú­blica, eleito no do­mingo, 28, com 55% dos votos vá­lidos. Se de lado um o des­gaste que so­freu na úl­tima se­mana de cam­panha pa­rece ter es­friado a eu­foria com sua vi­tória, por outro aqueles que o re­pu­di­aram se­guem atô­nitos. Ainda é di­fícil fazer qual­quer ava­li­ação sobre uma pos­sível mu­dança de pa­tamar da his­tória bra­si­leira com uma chapa de en­tu­si­astas da di­ta­dura mi­litar. Dessa forma, o Cor­reio pu­blica en­tre­vista com Ivo Herzog, en­ge­nheiro e filho de Wla­dimir, uma das ví­timas mais lem­bradas do pe­ríodo mi­litar, a fim de tentar uma pri­meira re­flexão.

“O país não es­co­lheu nada nesse sen­tido (de voltar a algo pa­re­cido com a di­ta­dura). O país é to­tal­mente ig­no­rante a res­peito da di­ta­dura. Ne­nhum go­verno, desde FHC, passou a limpo este pas­sado. Não es­cre­vemos as pá­ginas desta his­tória. Es­cre­vemos al­guns pre­fá­cios apenas. Pra usar pa­lavra da moda, nunca houve uma re­flexão mais pro­funda, nem do go­verno e nem dos bra­si­leiros”, ana­lisou.

igor herzog
Assim, a eleição de Bol­so­naro pa­rece co­roar um mo­mento em que as mais im­por­tantes ins­ti­tui­ções e re­pre­sen­ta­ções po­lí­ticas do pós-di­ta­dura per­deram sua cre­di­bi­li­dade, a úl­tima delas o ju­di­ciário e mais es­pe­ci­fi­ca­mente o Tri­bunal Su­pe­rior Elei­toral (TSE).


“Os grandes par­tidos, que foram os prin­ci­pais pro­ta­go­nistas da his­tória re­cente – PT e PSDB – tem que ajudar a re­cons­truir nossa es­tru­tura de­mo­crá­tica. Des­carto o PMDB aqui pois sempre se pre­o­cupou em colar em quem es­ti­vesse no poder”, afirmou.

De toda forma, o quadro é obs­curo e há poucas ra­zões para se apegar ao oti­mismo, numa eleição em que, mesmo di­ante de ou­tras op­ções con­ser­va­doras, o país es­co­lheu a mais tru­cu­lenta dessas. “Virou uma per­cepção po­si­tiva na so­ci­e­dade se dizer de di­reita”, la­mentou.

A en­tre­vista com­pleta com Ivo Herzog pode ser lida a se­guir.

Cor­reio da Ci­da­dania: Como você está di­ge­rindo a vi­tória de Jair Bol­so­naro? O que ela re­pre­senta numa pers­pec­tiva his­tó­rica?

Ivo Herzog: A ex­pec­ta­tiva é a pior pos­sível, ob­vi­a­mente. Luto com minha fa­mília há mais de 40 anos por jus­tiça e a cons­trução de uma agenda so­ci­al­de­mo­crá­tica, e nesse sen­tido Bol­so­naro re­pre­senta 50 anos de re­tro­cesso.

Não dá pra saber o que vai dar, mas temos de ob­servar o que ele fala. Desde o co­meço da cam­panha ele usou uma es­tra­tégia de se apre­sentar como uma pessoa mais mo­de­rada. Mas essa “mo­de­ração” sempre foi di­ante da câ­mera e da im­prensa. Quando falou para seus se­gui­dores e redes so­ciais, não teve nada de mo­de­rado. É fas­cista, pra usar uma pa­lavra bem sim­ples. Faz dis­curso de ex­clusão, de per­se­guição ide­o­ló­gica, a exemplo desse ab­surdo de es­ti­mular alunos a filmar pro­fes­sores em sala de aula, o que con­fi­gura quase um Es­tado de sítio.

Mas ainda é tudo novo, não sa­bemos quem serão os mi­nis­tros e suas pautas prá­ticas. Sa­bemos de seu pas­sado e um dis­curso, em es­pe­cial da pri­meira fase da cam­panha, muito ruins. A ex­pec­ta­tiva é a pior pos­sível.

Cor­reio da Ci­da­dania: É pos­sível falar deste re­sul­tado sem atrelá-lo à re­lação que o país aceitou es­ta­be­lecer com o seu pas­sado re­cente de di­ta­dura mi­litar?

Ivo Herzog: O país não es­co­lheu nada nesse sen­tido. O país é to­tal­mente ig­no­rante a res­peito da di­ta­dura. Ne­nhum go­verno, desde FHC, passou a limpo este pas­sado. Não es­cre­vemos as pá­ginas desta his­tória. Es­cre­vemos al­guns pre­fá­cios apenas.

Pra usar pa­lavra da moda, nunca houve uma re­flexão mais pro­funda, nem do go­verno e nem dos bra­si­leiros. Temos apenas al­gumas ma­ni­fes­ta­ções iso­ladas das forças ar­madas, sempre no pior sen­tido. Assim como foi pés­sima a ma­ni­fes­tação do mi­nistro do STF, Dias Tof­foli, ao dizer que não houve di­ta­dura, mas um pro­cesso de­mo­crá­tico.

Se­guimos na ne­gação da his­tória re­cente, o que tende a pi­orar e le­gi­timar al­gumas coisas que acon­te­ceram na época, já que te­remos um re­pre­sen­tante desta ala da so­ci­e­dade na pre­si­dência.

Mas não é que a so­ci­e­dade deu um aceite à di­ta­dura. Deu um aceite ao des­co­nhe­cido. No en­tanto, não tem a vaga ideia do que foi a di­ta­dura mi­litar.

Cor­reio da Ci­da­dania: Já que você men­ciona a de­cla­ração re­cente do mi­nistro Dias Tof­foli, como en­xerga o papel das ins­ti­tui­ções de­mo­crá­ticas neste úl­timo pe­ríodo? O que co­menta do papel do TSE nas elei­ções?

Ivo Herzog: Vou tentar con­si­derar um marco tem­poral mais amplo. O Es­tado é for­mado por três po­deres e o pri­meiro, a meu ver, a des­res­peitar sua fi­na­li­dade foi o le­gis­la­tivo, com cor­rupção, ações em causa pró­pria, des­monte da Cons­ti­tuição, falta de pre­sença no pró­prio Con­gresso...

A se­guir veio o Exe­cu­tivo, em forte pro­cesso de des­cons­trução, o que se in­ten­si­ficou no breve go­verno Temer, que des­pa­chou no Pa­lácio do Ja­buru, o do vice, e se guiou por in­te­resses ab­so­lu­ta­mente an­tir­re­pu­bli­canos. Por úl­timo, in­fe­liz­mente, aquele que antes se pro­tegia bem e se pre­ser­vava me­lhor, o ju­di­ciário, en­trou na mesma ló­gica.

Sobre o TSE, vol­temos ao ano pas­sado: quando houve o voto de mi­nerva na questão da cas­sação Dilma-Temer, vimos o mi­nistro dizer que foi contra a cas­sação total (o que exi­giria a saída de Temer da pre­si­dência) “porque acho me­lhor para o Brasil”. Ali já vimos um desvio. Não cabe esse tipo de de­cla­ração ao ju­di­ciário. Este pre­cisa in­ter­pretar a lei. Todo mundo acha al­guma coisa em re­lação ao que é me­lhor para o Brasil, co­me­çando pelos di­fe­rentes re­pre­sen­tantes do Le­gis­la­tivo. Se ele se pres­tasse a con­correr a um cargo neste poder teria mais le­gi­ti­mi­dade em afirmar o que con­si­dera me­lhor para o Brasil.

A questão do ju­di­ciário é séria. O ápice talvez seja a de­cla­ração do Dias Tof­foli, ao negar o ca­ráter do golpe de 1964, algo ab­so­lu­ta­mente grave.

Vol­tando ao TSE, me­lhor aguardar. Acho que houve muitas ame­aças do can­di­dato eleito du­rante todo o pro­cesso, mas o tri­bunal só se ma­ni­festou quando a ameaça foi contra sua pre­si­dente. Quando as ame­aças se di­ri­giram a mim, a você, a se­tores vul­ne­rá­veis do povo bra­si­leiro a re­ação foi ver­go­nhosa.

De todo modo, as in­ves­ti­ga­ções se­guem abertas. Ele não é pre­si­dente ainda, pre­cisa ser di­plo­mado. Aliás, a im­prensa se equi­voca em usar essa forma. Não dá pra ter dois pre­si­dentes ao mesmo tempo, ele é um pre­si­dente eleito, não em exer­cício.

Cor­reio da Ci­da­dania: Por que as elites econô­micas e po­lí­ticas não pu­deram apre­sentar uma di­reita menos tru­cu­lenta e be­li­cista em seus modos de fazer po­lí­tica?

Ivo Herzog: Elas apre­sen­taram. Tinha Alckmin, Mei­relles e Amoêdo. A po­pu­lação que não foi no dis­curso deles. E seus par­tidos man­ti­veram grandes es­paços no poder. O can­di­dato ven­cedor vem tra­ba­lhando sua can­di­da­tura desde 2014, quando de­cidiu con­correr, im­por­tante des­tacar isso, pois temos de re­co­nhecer que ele foi ab­so­lu­ta­mente eficaz no uso das mí­dias so­ciais. E, pra fazer um pa­ra­lelo, foi por aí que o Trump pa­vi­mentou sua vi­tória nos EUA. As di­reitas ti­nham até mais can­di­datos que a es­querda.

Uma coisa que se in­verteu é que na minha época de jovem, tenho 52 anos, as pes­soas ba­tiam no peito pra dizer que eram de es­querda. Hoje fazem isso pra se di­zerem de di­reita. Não se in­verteu tal ló­gica com­ple­ta­mente, mas virou uma per­cepção po­si­tiva na so­ci­e­dade se dizer de di­reita.

Cor­reio da Ci­da­dania: O que fazer para co­meçar a res­ponder a isso? Voltar à carga pela aber­tura total da do­cu­men­tação re­la­tiva ao pe­ríodo mi­litar seria um bom co­meço?

Ivo Herzog: Já se tentou tra­ba­lhar nesse sen­tido e deve con­ti­nuar a ser feito, na cul­tura, nas es­colas, nas artes etc. Mas é uma questão po­lí­tica maior. Os grandes par­tidos, que foram os prin­ci­pais pro­ta­go­nistas da his­tória re­cente – PT e PSDB – têm de ajudar a re­cons­truir nossa es­tru­tura de­mo­crá­tica. Des­carto o PMDB aqui, pois sempre se pre­o­cupou em colar em quem es­ti­vesse no poder.

O PSDB, a partir da as­censão de Doria, pra­ti­ca­mente acabou. Um su­jeito que se elege com um dis­curso de ex­trema-di­reita num par­tido que nasceu sob o ideal da so­ci­al­de­mo­cracia, uma ori­en­tação hu­ma­nista, é triste. So­brou o quê? FHC, Serra, que não se ma­ni­festam mais? Goldman, que era do PCB, se ma­ni­festa de forma mais fiel ao par­tido e quando faz isso é ame­a­çado de ex­pulsão.

O pró­prio PT passa por um mo­mento muito sério. Tem um cara lú­cido e res­pei­tador das ins­ti­tui­ções, como o Haddad, e tem a Gleisi Hoffman, que quando se ma­ni­festa as de­safia. In­clu­sive não ajudou na cam­panha, só atra­pa­lhou, como quando disse que ga­nha­riam a eleição pra tirar Lula da ca­deia, o que o pró­prio Haddad teve de des­mentir, res­pon­dendo que Lula seria jul­gado pelas ins­tân­cias se­guintes – STJ e STF.

Fora isso, existem vá­rios porquês na vi­tória do Bol­so­naro. Um deles a re­jeição ao PT. Ba­si­ca­mente dois terços da po­pu­lação re­pu­diam o par­tido de forma in­tensa, e in­cluo aqui os que vo­taram nulo ou dei­xaram de votar. O es­tigma do par­tido foi cons­truído ao longo dos anos, sem en­trar no mé­rito de ser bom ou ruim, mas com um dis­curso muito ra­dical em vá­rios as­pectos, o que pegou em cheio a po­pu­lação. Eu não con­cordo com a ideia de que o PT é o par­tido mais cor­rupto, pra deixar bem claro, mas não é essa a dis­cussão, e sim o es­tigma que se criou. E nesse sen­tido era muito di­fícil ter uma can­di­da­tura ma­jo­ri­tária en­ca­be­çada pelo PT.

Todas as si­mu­la­ções já in­di­cavam que o par­tido que tinha menos chance de bater Bol­so­naro era o PT. O PT tinha de de­sistir da can­di­da­tura? Não ne­ces­sa­ri­a­mente, mas o fato era esse.

Sobre a aber­tura de ar­quivos, não temos acesso àquilo que está sob poder das forças ar­madas e, se­gundo elas, foi des­truído. Re­al­mente, pouco foi re­cu­pe­rado. Mas tem uma quan­ti­dade mo­nu­mental de ar­quivos pu­bli­cados, como o re­la­tório final da Co­missão da Ver­dade, o site Me­mó­rias da Di­ta­dura, com fil­mo­grafia e li­vros, que já dão uma noção enorme do que foi o pe­ríodo etc.

Cor­reio da Ci­da­dania: Como acha que fi­cará o Es­tado bra­si­leiro di­ante da cha­mada co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal?

Ivo Herzog: Não está bem na foto, né? E faz tempo. Não se­guiu as re­co­men­da­ções do caso Ara­guaia e outra série de coisas. Agora pi­orou bas­tante. Mas pi­orou em função dos dis­cursos e da tem­pe­ra­tura de tais dis­cursos. Há um de­safio para o ano que vem, quando será apre­sen­tada de­núncia do caso Herzog em função da sen­tença da OEA, a partir da aber­tura de in­ves­ti­ga­ções pelo Mi­nis­tério Pú­blico.

Vamos ver como res­pondem as ins­ti­tui­ções res­pon­sá­veis pelo Es­tado de­mo­crá­tico de di­reito no país. Não con­deno nada nem nin­guém por an­te­ci­pação, po­demos nos sur­pre­ender pelo lado bom também.

Ga­briel Brito é jor­na­lista e editor do Cor­reio da Ci­da­dania.

CIRO QUER ESCONDER RESPONSABILIDADE

 NA DERROTA REUTERS/Ueslei Marcelino
REUTERS/Ueslei Marcelino
"Incapaz de cumprir seu dever como homem público e engajar-se na luta em defesa da democracia, Ciro Gomes tenta uma missão impossível: apontar um argumento racional para o descanso na Europa enquanto milhões de brasileiros se mobilizaram no segundo turno para tentar impedir a vitória de um candidato de extrema-direita", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247; "Numa fase na campanha na qual a transferência de votos é essencial para criar um ambiente de virada, ele não apareceu, não mandou vídeo nem empregou sua retórica para confrontar Bolsonaro".

Condenado à extinção por Bolsonaro, Meio Ambiente pede socorro

31 de outubro de 2018 por Esmael Morais

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já sentenciou o Ministério do Meio Ambiente à morte. Ele vai atender o “clamor” da bancada ruralista e juntar com o Ministério da Agricultura. Mas, até para os golpistas do ilegítimo Michel Temer (MDB), isso é um verdadeiro “crime ambiental”.

Anexar o meio ambiente à agricultura é o mesmo que colocar as cabras para cuidar da horta, ou a raposa para cuidar do galinheiro, se preferirem.

Mas para quê cuidar do meio ambiente se o Brasil só tem a maior diversidade biológica e a maior floresta do planeta?

Ciente do disparate, o atual ministro Edson Duarte publicou uma nota para tentar demover o futuro governo dessa ideia suicida.

Confira:

NOTA OFICIAL DO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

O Ministério do Meio Ambiente preparou um detalhado e volumoso trabalho para dar plena ciência de tudo o que tem sido feito na pasta e daquilo que é de nossa responsabilidade à equipe de transição, com a qual pretendemos estabelecer um diálogo transparente e qualificado. Por isso, recebemos com surpresa e preocupação o anúncio da fusão com o Ministério da Agricultura.

Os dois órgãos são de imensa relevância nacional e internacional e têm agendas próprias, que se sobrepõem apenas em uma pequena fração de suas competências. Exemplo claro disso é o fato de que dos 2.782 processos de licenciamento tramitando atualmente no Ibama, apenas 29 têm relação com a agricultura.

O Brasil é o país mais megadiverso do mundo, tem a maior floresta tropical e 12% da água doce do planeta, e tem toda a condição de estar à frente da guinada global, mais sólida a cada dia, rumo a uma economia sustentável. Protegemos nossas riquezas naturais, como os biomas, a água e a biodiversidade, contra a exploração criminosa e predatória, de forma a que possam continuar cumprindo seu papel essencial para o desenvolvimento socioeconômico.

Nossa carteira de ações abrange temas tão diferentes como combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, energias renováveis, substâncias perigosas, licenciamento de setores que não têm implicação com a atividade agropecuária, como o petrolífero, homologação de modelos de veículos automotores e poluição do ar. O Ministério do Meio Ambiente tem, portanto, interface com todas as demais agendas públicas, mas suas ações extrapolam cada uma delas, necessitando, por isso, de estrutura própria e fortalecida.

O novo ministério que surgiria com a fusão do MMA e do MAPA teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas. A economia nacional sofreria, especialmente o agronegócio, diante de uma possível retaliação comercial por parte dos países importadores.

Além disso, corre-se o risco de perdas no que tange a interlocução internacional, que muitas vezes demanda participação no nível ministerial. A sobrecarga do ministro com tantas e tão variadas agendas ameaçaria o protagonismo da representação brasileira nos fóruns decisórios globais.

Temos uma grande responsabilidade com o futuro da humanidade. Fragilizar a autoridade representada pelo Ministério do Meio Ambiente, no momento em que a preocupação com a crise climática se intensifica, seria temerário. O mundo, mais do que nunca, espera que o Brasil mantenha sua liderança ambiental.

Edson Duarte
Ministro do Meio Ambiente

BOLSONARO: CHINA FAZ DURA ADVERTÊNCIA

QUE SEGUE TRUMP E PODE ISOLAR BRASIL
 A China fez uma duro advertência a Bolsonaro e indicou que, se seu governo seguir a linha de Trump e romper acordos com Pequim, quem sofrerá será a economia brasileira; a China expressou sua posição num editorial em seu principal jornal estatal, o China Daily; o editorial advertiu que se Bolsonaro resolver meter-se numa aventura de hostilizar a China, "o custo econômico pode ser duro para a economia brasileira" -a China é o maior parceiro comercial do Brasil.

MPSC entra com ação contra deputada eleita pelo PSL que incitou alunos a denunciarem professores

Órgão estadual pede a condenação de Ana Caroline Campagnolo por danos morais coletivos e a garantia do direito dos estudantes à educação.
Por G1 SC

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) entrou na Justiça com ação civil pública nesta terça-feira (30) contra a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL). O órgão quer a condenação por danos morais coletivos e pede que seja dada liminar (decisão temporária) para que ela se abstenha de manter qualquer tipo de controle ideológico das atividades dos professores e alunos de escolas públicas e privadas do estado.

A defesa da deputada afirmou que vai aguardar citação formal para se manifestar sobre o caso.

Ana Caroline, de Itajaí, fez uma publicação em redes sociais na noite de domingo (28) oferecendo um contato telefônico para alunos enviarem vídeos de professores em sala de aula que estejam fazendo "manifestações político-partidárias ou ideológicas". O Ministério Público Federal (MPF) também investiga o caso e instaurou um inquérito sobre o assunto na segunda (29).

Ana Caroline Campagnolo foi eleita deputada estadual em SC — Foto: Reprodução/Facebook
Ana Caroline Campagnolo foi eleita deputada estadual em SC — Foto: Reprodução/Facebook

No pedido de liminar enviado nesta terça, o MPSC pede à Justiça ainda que a deputada eleita seja obrigada a retirar das redes sociais o post que motivou a ação civil pública e que a operadora de celular bloqueie o número divulgado pela parlamentar para o envio das manifestações.

Ação civil pública
Conforme o MPSC, a ação civil pública tem como objetivo "garantir o direito dos estudantes de escolas públicas e particulares do estado e dos municípios à educação segundo os princípios constitucionais da liberdade de aprender e de ensinar e do pluralismo das ideias".


Na ação, o promotor de Justiça Davi do Espírito Santo argumenta que a deputada "implantou um abominável regime de delações informais, anônimas, objetivando impor um regime de medo" e cita a Constituição Federal.

"O direito à crítica pode e deve ser exercido na escola, sem cerceamentos de opiniões políticas ou filosóficas", afirma o promotor.
O promotor ainda explicou que o uso de canais informais e privados para o recebimento de denúncias de supostas faltas de funcionários públicos não tem suporte na legislação nacional. "É ilegal o uso de qualquer outro canal de comunicação de denúncias que não esteja amparado em uma ato administrativo válido", disse.

Em relação aos danos morais coletivos, o MPSC pede que o valor seja calculado com base no número dos seguidores dela em uma rede social (71.515) multiplicado por R$ 1 mil. A escolha é pelo potencial de compartilhamento de cada seguidor. A quantia deve ser destinada ao Fundo para Infância e Adolescência (FIA), segundo a denúncia.

Manifestações
Diversos órgãos e entidades repudiaram as declarações da deputada nessa segunda. Em nota, a Secretaria de Estado de Educação afirmou que a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases asseguram a liberdade de ensino e aprendizagem.

A Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina (OAB/SC) emitiu uma nota em que repudia a manifestação da deputada.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Regional São José (Sinte SJ), além de emitir uma nota de repúdio, protocolou no início da tarde de segunda uma representação na Promotoria de Justiça da Capital, em que pede 'medidas cabíveis'.

Após o episódio, um abaixo-assinado online criado por professores foi feito para pedir a impugnação da candidata. Até as 22h de segunda, já eram mais de 170 mil assinaturas online.

No final da tarde de segunda, um grupo de entidades que representam os trabalhadores em educação de Santa Catarina, também emitiu nota de repúdio.


Veja mais notícias do estado no G1 SC

MORO DEVE ACEITAR CONVITE E SERÁ UMA ESPÉCIE DE XERIFE DO BRASIL


O juiz federal Sérgio Moro deverá aceitar o convite para integrar o governo de Jair Bolsonaro; segundo os jornalistas Domingos Fraga e Marc Sousa, do R7, Moro assumirá o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, uma fusão entre duas pastas que existem hoje; "Com isso, a Polícia Federal ficará subordinada a ele. Outra condição era receber o ministério com 'porteira fechada' – ou seja, sem qualquer indicação política", dizem eles.

Índia inaugura estátua mais alta do mundo

domtotal.com
A estátua de bronze, concreto e aço, que mede 182 metros de altura e representa Sardar Vallabhbhai Patel, o primeiro-ministro do Interior da Índia e uma das figuras da independência do país.
A
A "Estátua da União", fotografada em 30 de outubro de 2018, em Gujarat. (AFP).

A Índia inaugurou nesta quarta-feira a estátua mais alta do mundo em Gujarat, o estado natal do primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi, sob fortes medidas de segurança por temer manifestações de comunidades tribais locais.

Narebdra inaugurou pessoalmente a estátua de bronze, concreto e aço, que mede 182 metros de altura e representa Sardar Vallabhbhai Patel, o primeiro-ministro do Interior da Índia e uma das figuras da independência do país, que o partido no poder quer transformar em modelo.

A obra, que é duas vezes mais alta que a Estátua da Liberdade em Nova York, com o pedestal incluído, mostra Sardar Vallabhbhai (1875-1950) vestido com um tradicional dhoti e um xale nos ombros.

"Hoje é um dia que será lembrado na história da Índia", declarou Narendra Modi em seu discurso. Vários helicópteros jogaram flores sobre a "Estátua da Unidade", construída às margens de um rio, na remota região do estado ocidental de Gujarat.

A estátua custou 29.900 milhões de rupias, cerca de 404 milhões de dólares (358 milhões de euros). As comunidades tribais da região se opuseram à sua construção, criticando seu alto preço e seu impacto no meio ambiente.

Diante da ameaça de manifestações durante a inauguração, as autoridades implantaram um grande dispositivo policial com mais de 5.000 policiais em um raio de 10 quilômetros ao redor da estátua.

Estátuas gigantes

Parte da escultura, cerca de 100.000 toneladas, foi feita na China, e foram necessários quatro anos de trabalho e o envolvimento de mais de 3.000 trabalhadores para erguê-la.

O governo nacionalista hindu também planeja inaugurar em 2021 uma outra enorme estátua na Baía de Bombaim, em homenagem ao guerreiro rei hindu Chhatrapati Shivaji.

O tamanho dessas estátuas e a escolha dos personagens que representam, duas figuras históricas celebradas pelos hindus nacionalistas, não são coincidência, a meses das eleições legislativas no próximo ano.

O Partido Bharatiya Janata (BJP), a formação que dirige a Índia desde 2014, considera que a história tem esquecido injustamente Patel, concentrando-se em Jawaharlal Nehru, o primeiro chefe de governo do país e figura-chave do Partido do Congresso, que está atualmente na oposição.

"Patel foi usado para apagar o legado de Nehru. O BJP quer mudar a forma como a história é percebida e mostrar que a direita foi tão importante na luta da Índia pela liberdade" contra a colonização britânica, declarou recentemente Sudha Pai, do Conselho Indiano de Pesquisa em Ciências Sociais.

Modi afirma que a estátua de Patel, o "Homem de Ferro" que negociou a união dos estados principescos à jovem nação independente, vai atrair "hordas" de turistas apesar da sua localização.

A cidade mais próxima fica a 100 quilômetros do local escolhido, e não há trens ou hotéis naquela remota região rural.

A maior estátua do mundo era até então o Buda do Templo Manantial, no centro da China, que mede 128 metros sem pedestal, de acordo com o Guinness Book, em comparação com os 157 da escultura indiana sem suporte.


AFP

Vaticano: Papa convida a valorizar sexualidade e afetividade humanas (c/vídeo)

Francisco fala em «revolução» cristã na visão sobre o Matrimónio

Cidade do Vaticano, 31 out 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco defendeu hoje no Vaticano a valorização da sexualidade e da afetividade humanas, à luz do “verdadeiro amor”.

“A criatura humana, na sua unidade inseparável de espírito e corpo, e na sua polaridade masculina e feminina, é uma realidade muito boa, destinada a amar e a ser amada. O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o lugar que mostra o nosso chamamento ao amor: no amor verdadeiro, não há espaço para a luxúria e a sua superficialidade, os homens e as mulheres merecem mais do que isto”, disse, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

A reflexão deu continuidade às catequeses sobre os 10 Mandamentos, neste caso sobre “não cometer adultério”.

Francisco sublinhou que a afetividade é “um chamamento ao amor, que se manifesta na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia”.

A relação entre marido e mulher, proposta por São Paulo (séc. I), foi considerada pelo Papa como uma “revolução” na forma de pensar o Matrimónio.

“É revolucionário pensar, com a antropologia daquele tempo, que o marido deve amar a mulher como Cristo a Igreja, é uma revolução. Talvez, naquele tempo, fosse a coisa mais revolucionária dita sobre o amor”, sustentou.

O pontífice destacou que o “mandamento de fidelidade” é para todos na Igreja, uma “palavra paterna de Deus” dirigida a cada homem e mulher.

“Por isso, para casar-se, não basta celebrar o Matrimónio. É preciso fazer um caminho do eu ao nós”, acrescentou.

Francisco afirmou depois qua todas as vocações cristãs têm uma dimensão “esponsal”, porque são fruto do “laço de amor em que todos fomos regenerados, o laço de amor com Cristo”.

O Papa deixou saudações em várias línguas, incluindo aos peregrinos de língua portuguesa: “Faço votos de que esta peregrinação reforce em vós a fé em Jesus Cristo, que chama cada homem e mulher a fazer dom de si mesmo ao próximo. Regressai aos vossos lares com a certeza de que o amor de Deus, derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo, fará que nos tornemos sempre mais generosos! Que Deus abençoe a cada um de vós!”.

Francisco recordou a celebração da solenidade de Todos os Santos, a 1 de novembro, e a evocação dos fiéis defuntos, no dia seguinte.

“Que o testemunho de fé de todos os que nos precederam reforce em nós a certeza de que Deus acompanha cada um no caminho da vida, nunca abandona ninguém a si mesmo e quer que todos sejamos santos, como Ele é santo”, concluiu.

OC

Bolsonaro não atacou a liberdade de expressão, mas Folha de S. Paulo não terá mais publicidade oficial

MEDALHÕES DA MÍDIA DEFENDEM A FOLHA E SÃO HOSTILIZADOS
O anúncio feito pelo presidente eleito Jair Bolsonaro de que a Folha de S. Paulo não terá mais publicidade oficial, por supostamente difundir 'fake news', despertou uma onda de solidariedade de profissionais da imprensa, mas a resposta nas redes sociais foi negativa para o jornal; de um lado, os bolsonaristas dizem que Bolsonaro não atacou a liberdade de expressão; de outro, o campo progressista lembra da atuação da Folha na defesa do golpe contra a presidente Dilma Rousseff; o mundo atual parece muito mais hostil para os meios de comunicação tradicionais.

JUSTIÇA PARCIAL: LULA USARÁ CONVITE DE BOLSONARO A MORO

LULA USARÁ CONVITE DE BOLSONARO A MORO PARA APONTAR JUSTIÇA PARCIAL 
O convite público de Jair Bolsonaro a Sergio Moro para ser ministro da Justiça ou ministro do Supremo Tribunal Federal e a sinalização de Moro de que pode aceitá-lo são mais uma evidência de que a Lava Jato foi instrumento da perseguição política a Lula; a defesa do ex-presidente pedirá novamente a suspeição do juiz apontando interesses pessoais na perseguição judicial de que foi vítima; mesmo analistas conservadores reconhecem a trama; segundo todas as pesquisas, mesmo preso, Lula venceria em primeiro turno.

https://www.brasil247.com/

Ciro: críticas ao PT, a Lula e Haddad; chama teólogo Leonardo Boff de 'bosta'

CIRO DIZ QUE O PT ELEGEU BOLSONARO E CHAMA LEONARDO BOFF DE 'BOSTA'
O terceiro colocado nas eleições presidenciais, Ciro Gomes (PDT), quebrou o silêncio e voltou a fazer duras críticas ao PT, a Lula e a Fernando Haddad; ele nega ter 'lavado as mãos', diz que Gleisi Hoffmann e Frei Betto são 'bajuladores' e que negou ser vice na chapa do ex-presidente Lula porque aquilo "era uma fraude"; em tom de ressentimento e demonstrando ainda estar com a cabeça nas eleições, Ciro chegou a chamar o teólogo Leonardo Boff de 'bosta' - sic - e se queixou do acordo firmado entre PT e PSB que o deixou isolado na disputa; ele ainda diz que "o PT elegeu Bolsonaro" e que foi "traído por Lula"; sobre ter deixado o país em pleno segundo turno das eleições, ele diz que se sentiu "impotente".

Documento final do Sínodo adverte contra as 'respostas pré-embaladas', pede 'acompanhamento' e apoia as mulheres na liderança da igreja

domtotal.com
O documento final endossa a necessidade de maiores papéis de decisão para as mulheres na igreja e diz que
O documento final endossa a necessidade de maiores papéis de decisão para as mulheres na igreja e diz que "os jovens pediram um maior reconhecimento e consideração da importância das mulheres na sociedade e na Igreja". (Pexels/ 9162 imagens/ Pixabay)
Por Gerard O'Connell

No documento final do Sínodo sobre os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional; os padres sinodais escreveram sobre a grande diversidade de situações dos jovens em um mundo globalizado marcado por graves injustiças, pobreza e violência, bem como as oportunidades e os desafios que enfrentam no novo mundo digital. O documento aborda também o fenômeno da migração, a sexualidade na vida dos jovens, os vários tipos de abusos na igreja, o papel das mulheres na igreja, a sinodalidade e o que significa construir uma igreja sinodal junto com a importância do discernimento na vida da igreja e dos jovens à medida que procuram encontrar a sua vocação.

O documento final foi aprovado na noite de 27 de outubro por maioria de votos. Mas nem todos ficaram felizes com o resultado, que foram divulgados para a imprensa em italiano no final da sessão, juntamente com os resultados da votação. Uma maioria de dois terços (166 votos) foi exigida para sua aprovação, e o texto foi aprovado por uma votação de 191 (a favor) a 43 (contra). A oposição ao texto não foi uma surpresa completa, já que muitos padres sinodais estavam claramente infelizes com o fato de o texto estar disponível apenas para eles em italiano, uma língua em que nem todos são fluentes, enquanto outros não querem mudanças na abordagem da Igreja sobre algumas questões.

Os padres sinodais votaram no texto final parágrafo por parágrafo, com 167 parágrafos ao todo. Uma minoria considerável votou contra vários parágrafos, por várias razões. Alguns não estavam satisfeitos com o conteúdo ou linguagem relacionada a abusos na igreja (nº 29 e 30), mulheres na igreja (nº 55 e 38), ou “a condição de pessoas solteiras” (nº 90). Outros estavam insatisfeitos com os parágrafos sobre a sinodalidade (nº 119-124) porque o tema não havia sido muito discutido. Havia descontentamento, também, sobre as questões relativas à sexualidade e especialmente à homossexualidade (No. 150), que trouxe 65 votos contra, o tema com maior votação negativa no sínodo.

Quando o Papa falou no término da sessão de trabalho final, Francisco começou defendendo o processo do sínodo contra aqueles que criticavam a percepção de falta de transparência em relação aos procedimentos dentro do sínodo. Ele explicou que “o sínodo não é um parlamento; é um espaço protegido no qual o Espírito Santo pode agir”. Ele descreveu o texto final como “um texto martirizado” e a comissão de redação como parte desse martírio também. Mas disse que agora cabe a todos estudarem, orarem e trabalharem com suas conclusões.

Como ler o documento final?

A introdução do texto final de 55 páginas oferece uma importante chave interpretativa para a leitura deste texto. Explica que o documento final e o documento de trabalho, conhecido como instrumentum laboris, devem ser vistos como “complementares”; eles foram feitos “para serem lidos juntos, porque há uma referência contínua e intrínseca entre os dois”.

Deve-se notar, também, como vários padres sinodais disseram à America, que, uma vez que o texto procura ser universal, ele não aborda em profundidade as questões de um dado país ou região. Destina-se como um trampolim ou base para ser adaptado a nível nacional e local em diferentes países.

Um padre do sínodo explicou à America que é necessário entender bem essa chave interpretativa, porque há algumas coisas no documento de trabalho que não são encontradas no documento final, e os leitores podem chagar a criticar o texto final por não terem lidado totalmente com o documento final. Inclusive, por não levar em conta o que também está escrito no documento de trabalho, eles correm o risco de chegar a conclusões injustificadas.

Os mais de 260 padres sinodais de todos os continentes e da maioria dos países do mundo declararam que o documento final é “oferecido” ao Papa Francisco e a toda a igreja como “o fruto do sínodo”. Ele decidirá se escreve uma Exortação Apostólica como ele fez depois do sínodo sobre a família.

O que o documento final diz

O documento final toma como texto paradigmático a história evangélica do encontro de Jesus com os dois discípulos no caminho para Emaús (Lc 24,13-35), e enfatiza o que tem sido o mantra deste sínodo: “Os jovens querem ser ouvidos”. O sínodo também reconhece que ‘muitos’ jovens sentem que o mundo adulto, tanto secular como na igreja, não os reconhece, e há “falta de atenção ao seu clamor, em particular àqueles que são os mais pobres e aqueles mais explorados. O texto fala contra o fornecimento de “respostas pré-embaladas” e enfatiza a importância dos pastores ouvirem os jovens e prepararem as pessoas para “acompanhá-los”.

O documento final endossa a necessidade de maiores papéis de decisão para as mulheres na igreja e diz que "os jovens pediram um maior reconhecimento e consideração da importância das mulheres na sociedade e na Igreja". Reconhece que "muitas mulheres desempenham um papel insubstituível" nas comunidades cristãs, mas em muitos lugares é uma luta para dar-lhes um lugar nos processos de tomada de decisão, “mesmo quando esses processos não exigem responsabilidades ministeriais específicas”. O documento declara que “a ausência da voz e do ponto de vista das mulheres empobrece a discussão e o caminho da igreja, e remove uma preciosa contribuição do discernimento”. O Sínodo recomendou “tornar todos mais conscientes da urgência de uma mudança necessária e inevitável, partindo também de uma reflexão antropológica e teológica sobre a reciprocidade entre os homens e as mulheres”.

Ele fala novamente sobre as mulheres no contexto de uma “igreja sinodal” (No. 148) e diz que “uma igreja que procura viver um estilo sinodal não pode deixar de refletir sobre a condição e o papel das mulheres dentro dela, e consequentemente também em sociedade. Jovens mulheres e homens estão fortemente pedindo isso”. O documento pede mudanças “através de uma corajosa conversão cultural e uma mudança na prática pastoral diária”. Ele diz que “uma área de particular importância neste aspecto é a presença de mulheres em corpos eclesiais em todos os níveis, inclusive em funções de liderança, e a participação das mulheres nos processos de tomada de decisões eclesiais, respeitando o papel do ministro ordenado. Este é um dever de justiça, inspirado tanto pela maneira como Jesus se relacionou com os homens e mulheres de seu tempo, como pelo importante papel que algumas mulheres desempenharam na Bíblia, na história da salvação e na vida de a Igreja".

Falando sobre o mundo digital, o documento final reconhece que oferece aos jovens “uma grande oportunidade de diálogo, encontro e troca entre pessoas, bem como acesso à informação e ao conhecimento”, mas também contém um lado negativo envolvendo “a solidão, a manipulação, a exploração e a violência, o cyberbullying e a dark web”. O documento destaca os “gigantescos interesses econômicos” que operam no mundo digital e que criam “mecanismos para manipular as consciências e o processo democrático”. Ele aponta para “a proliferação de notícias falsas o que gerou uma cultura na qual a verdade parece ter perdido sua força para persuadir". Expressa também a preocupação de que "as reputações das pessoas sejam prejudicadas por meio de ações nas plataformas online".

O documento final fala sobre o fenômeno da migração como “um problema estrutural em nível global, e não uma emergência transitória” e diz que a Igreja está particularmente preocupada com “aqueles que fogem da guerra, da violência, da perseguição política ou religiosa, desastres naturais devido também à mudança climática e da pobreza extrema”. Aponta-se, também, que os jovens são a maioria dos migrantes e frequentemente são explorados por “traficantes inescrupulosos”. Destaca-se “a vulnerabilidade particular” dos migrantes menores desacompanhados e a situação daqueles que são forçados a passar muitos anos em campos de refugiados ou que permanecem presos em países de trânsito por um longo tempo. Ele observa que a igreja deve reagir a "uma mentalidade xenofóbica de fechamento e atenção exclusiva a si mesma".

O documento final dedica três parágrafos (números 29 a 31) ao abuso na igreja. Ele trata do escândalo do abuso sob o título “Reconheça e reaja a todos os tipos de abuso” e defende que a igreja deve “agir com a verdade e pedir perdão” (nº 29). Reconhece “o sofrimento que os diferentes tipos de abusos cometidos por alguns bispos, sacerdotes, religiosos e leigos causam naqueles que são vítimas, o que inclui muitos jovens: sofrimentos que podem durar a vida toda e que nenhuma contrição pode remediar”. “O fenômeno do abuso é generalizado na sociedade e afeta a Igreja também, e representa um sério obstáculo à sua missão”. Reafirma o sólido compromisso de adotar medidas rigorosas de prevenção para garantir que esses abusos nunca se repitam, começando com a seleção e a formação daqueles a quem serão confiadas tarefas de responsabilidade e educação na igreja.

O parágrafo 30 reconhece diferentes tipos de abuso: abusos de poder, econômicos, de consciência e sexuais. Apela para “desenraizar as várias formas de exercício da falta de responsabilidade e transparência com que muitos casos foram tratados”. Diz o “desejo de controlar, a falta de diálogo e transparência, as formas de vida dupla, o espiritual o vazio, assim como a fragilidade psicológica, são o terreno em que a corrupção prospera”.

Denuncia o clericalismo citando o Papa Francisco, dizendo que “surge de uma visão de vocação elitista e exclusivista que interpreta o ministério recebido como um poder a ser exercido, e não como um serviço livre e generoso a ser dado. Isso nos leva a acreditar que pertencemos a um grupo que tem todas as respostas e não precisa mais ouvir ou aprender nada, ou que finge escutar”.

O Sínodo agradeceu às vítimas por sua “coragem em denunciar o mal a que foram submetidas” e por “ajudar toda a Igreja a tomar consciência do que aconteceu e da necessidade de reagir com decisão”. Conclui dizendo: “o Senhor Jesus, que nunca abandona a sua Igreja, ainda hoje oferece a força e os instrumentos para uma nova jornada”. Confirma a linha de “ações e sanções necessárias” e “reconhece que a misericórdia exige justiça” e que “abordar a questão do abuso em todos os seus aspectos pode, com a preciosa ajuda dos jovens, ser uma oportunidade para uma reforma da missão da igreja hoje”.

Referindo-se à questão dos jovens e da sexualidade, observa que “frequentemente” o ensinamento da igreja sobre a moralidade sexual “é a causa da incompreensão e distanciamento da igreja, porque é percebida como uma área de julgamento e condenação”. As pessoas são sensíveis aos “valores de autenticidade e dedicação”, mas estão desorientadas e “querem discutir aberta e claramente as questões relacionadas às diferenças entre identidade masculina e feminina, reciprocidade entre homens e mulheres e homossexualidade”.

Reconhece (No.149) que "no atual contexto cultural a Igreja está lutando para transmitir a beleza do conceito cristão de corporeidade e sexualidade" e diz que "há, portanto, uma necessidade urgente de encontrar formas melhores de comunicação, que serão traduzidas concretamente em propostas de caminhos de formação renovados e apropriados”.

Abordando a orientação sexual (No.150), o documento final diz: “há questões relacionadas ao corpo, à afetividade e à sexualidade que requerem uma elaboração antropológica, teológica e pastoral mais profunda, que deve ser realizada da maneira mais conveniente a nível local e universal da igreja”. O texto menciona entre essas questões, “aquelas que se relacionam em particular com a diferença e a harmonia entre identidade masculina e feminina e com orientações sexuais (inclinações)”. A esse respeito “reafirma que Deus ama todas as pessoas e a Igreja, renova seu compromisso contra toda discriminação e violência baseada na orientação sexual”.

Ao mesmo tempo, “reafirma também a decisiva relevância antropológica da diferença e a reciprocidade entre homem e mulher e considera redutora a definição da identidade das pessoas unicamente com base na sua orientação sexual”. Reconhece que “já existem muitas comunidades cristãs que são verdadeiros exemplos de caminhos de acompanhamento na fé para pessoas homossexuais”. Aponta-se também que “esses caminhos podem ajudar na leitura da história pessoal, na adesão à liberdade e à responsabilidade de seu próprio chamado batismal, no reconhecimento do desejo de pertencer e contribuir para a vida da comunidade e discernir as melhores maneiras de conseguir isso”.

O documento final enfatiza que os jovens, através das diferentes vocações, são chamados à santidade. Ele retorna ao chamado à santidade de maneira muito impressionante quando se refere aos escândalos de abuso (No. 166). Diz: “Devemos ser santos para convidar os jovens a se tornarem santos. Os jovens pediram em voz alta uma Igreja autêntica, luminosa, transparente e alegre: só uma Igreja de santos pode viver de acordo com estas exigências! Muitos deles deixaram a Igreja porque não encontraram santidade lá, mas sim mediocridade, arrogância, divisão e corrupção. Infelizmente, o mundo está mais indignado com o abuso cometido por alguns membros da Igreja do que com a santidade de seus membros: por essa razão, a Igreja como um todo deve fazer uma mudança de perspectiva decisiva, imediata e radical! Os jovens precisam de santos para formar outros santos, mostrando assim que "a santidade é o rosto mais belo da Igreja" (cf. “Alegrem-se e sejam felizes” nº 9). Há uma linguagem que cada pessoa, de cada época, lugar e cultura pode entender, porque é próxima e luminosa: é a linguagem da santidade”.

O documento final (nº 118) fala da necessidade de conversão em todos os níveis da igreja e declara: “Sabemos que, para sermos críveis, devemos viver uma reforma da Igreja, o que implica purificação do coração e mudanças de estilo. O documento final também fala sobre o desemprego juvenil, a violência e a perseguição, a marginação social, a cultura descartável e, em alguns países, os sofrimentos psicológicos e o fenômeno do suicídio. Dedica muita atenção à “espiritualidade e religiosidade” e ao interesse dos jovens por estes (nº 48 e 49), o encontro com Jesus e o desejo “por uma liturgia viva” também são parte dos destaques da reflexão.

O documento final reconhece que “um número considerável de jovens, por diferentes razões, não pede nada da igreja, porque eles não a consideram significativa para sua existência”. Ela diz que uma das razões para isso são os “escândalos sexuais e econômicos”. ”E o “despreparo dos ministros ordenados”.

Os padres sinodais enfatizaram que o sínodo não terminará com a missa dominical conclusiva na Basílica de São Pedro; eles preveem uma importante “fase de implementação” nas igrejas locais em todo o mundo nos próximos meses e anos, e apresentam o documento final como um “mapa para guiar os próximos passos que a igreja é chamada a tomar”. O sucesso ou fracasso do sínodo depende dessa fase de implementação.


America Magazine - Tradução: Ramón Lara

O novo presidente em cinco entrevistas

domtotal.com
Causa apreensão a ideia de 'liberdade de imprensa' nos termos autoritários defendidos por Bolsonaro.
Ontem pudemos ver, pela primeira vez, o tom presidencial do candidato eleito.
Ontem pudemos ver, pela primeira vez, o tom presidencial do candidato eleito. (Tânia Regô/ABr)
Por Alexis Parrot*

Segunda-feira foi um dia de ressaca eleitoral, tanto para derrotados quanto para vitoriosos. Enquanto uns comemoravam, outros juntavam cacos dos sonhos e esperanças que se esparramaram pelo chão a partir da noite de domingo, quando o TSE confirmou Bolsonaro como o presidente eleito do país.

A cruzada que levou o capitão reformado ao Palácio do Planalto começou solitária, há quatro anos, sob olhares gerais de incredulidade. Mas, se no inicio, a pretensão presidencial do deputado parecia uma piada, é inegável que o discurso extremista que sempre assumiu, encontrou eco junto a grande parte da população.

Não era piada - e erramos todos nós que rimos e subestimamos o apelo que poderia ter uma plataforma moralista, pretoriana e pseudo-cristã nos tempos estranhos em que vivemos. Junte a isso o ódio ao PT, fomentado pela atuação tantas e tantas vezes arbitrária da Lava Jato; e a ausência no pleito do principal competidor, o ex-presidente Lula (julgado em segunda instância em tempo recorde, só para não poder ser candidato).

No caos institucional que vive o Brasil, com um presidente invisível, um judiciário político e um legislativo sem credibilidade, um aventureiro lançou mão e acabou levando o prêmio. A terra que sempre amou os salvadores da pátria, encontrou no Jair o seu messias da vez: Jair Messias Bolsonaro.

Na noite de ontem, pudemos ver pela primeira vez o tom presidencial do candidato eleito em entrevistas dadas para as quatro principais emissoras de nossa TV aberta (Record, BAND, SBT e Globo), mais a Rede TV!.

O fanfarrão apoplético de até semana passada não compareceu. O que vimos foi um homem sereno, que sabe-se dono da situação. Continuou a dizer os mesmos absurdos de sempre ("a arma de fogo garante a liberdade de um povo", por exemplo), mas agora sem precisar de berros e ofensas - porque dono do respaldo das urnas, não precisa mais "mitar".

Pelo declarado nas cinco entrevistas, segue firme a implantação da agenda liberal do economista Paulo Guedes, com a ideia de Estado mínimo. Esta receita traz duas consequências inevitáveis: menos dor de cabeça para os patrões e menos garantias para os trabalhadores, com uma já prometida "flexibilização das relações de trabalho" na pauta - a justificativa é para que haja mais empregos, porém, com salários e condições piores.

Em uma jogada de mestre, revelou que Moro será convidado para o Ministério da Justiça ou para o STF, quando abrir uma vaga, o que ele preferir entre as duas opções.

O anúncio público, antes de qualquer conversa, pressiona para que a convocação seja aceita e reafirma para o público o compromisso do novo presidente contra a corrupção. Se o homem não topar, fazer o quê? Lavam-se as mãos, segue-se com a vida e o ônus da recusa fica com o justiceiro de Curitiba. É o famoso "cara eu ganho, coroa você perde".

As privatizações também estarão na pauta do dia. A começar pela da EBC, Empresa Brasil de Comunicação (que Bolsonaro nem sabia o nome certo). Para ele, uma TV que dá traço de audiência não justifica sua existência. A medida é tão extrema e equivocada que nem o repórter da BAND, Rodrigo Tortoriello, conseguiu esconder a surpresa ao ouvir a decisão.

Com essa intenção expressa, é mais um prego fixado no caixão em que querem enfiar a comunicação pública no país. Na cabeça do nosso próximo mandatário, jornalismo que vale é apenas o da grande mídia. (Além disso, muito provavelmente, o que a sua campanha e seus apoiadores enviavam para os grupos de whatsapp.)

Podemos antever um recrudescimento na luta pela democratização dos meios de comunicação. Se sob o governo Temer a questão mereceu o descaso puro e simples, os próximos capítulos da discussão serão marcados pela absoluta ignorância do poder executivo sobre o tema.

Na entrevista do Jornal Nacional, de longe a melhor entre todas (apesar de William Bonner ter se derretido demais pelo candidato eleito), foi declarada uma vendetta contra a Folha de São Paulo.

Para dar troco à perseguição de que se julga vítima, supostamente orquestrada pelo jornal, prometeu que a torneira de publicidade do governo estará fechada para a organização dos Frias.

Perguntado por Bonner se gostaria que a Folha acabasse, a resposta saiu assim: "Por si só esse jornal se acabou. Não tem prestígio mais nenhum."

Reclamou (com dados totalmente trocados) sobre o furo que a Folha deu sobre o provável caixa 2 de sua campanha, além de citar a história da Wal, a funcionária que mantinha com verba de seu gabinete parlamentar, reclamando que o jornal "foi lá... e fez uma matéria e a rotulou de forma injusta como 'fantasma'. É uma senhora, mulher, negra e pobre".

Este é o estilo Bolsonaro: para se defender da acusação, distorce a realidade, como se o jornal estivesse denunciando não ele, mas a funcionária fantasma (na verdade, empregada de sua casa de veraneio no estado do Rio cujo salário era pago com dinheiro público).

Mesmo se posicionando "totalmente favorável à liberdade de imprensa", está claro que, a partir de janeiro, de tudo que a imprensa publicar, só será verdade aquilo que o novo presidente estiver de acordo. O que não seguir a cartilha bolsonariana de interesses, será declarado mentira ou fake news e ponto final - uma lição bem aprendida com o ídolo Trump, aliás, com quem pretende se encontrar antes de assumir a presidência.

Causa apreensão a ideia de "liberdade de imprensa" nos termos autoritários defendidos por Bolsonaro, uma das muitas contradições de seu discurso. Nas entrevistas dadas ontem, fez questão de repetir querer ser o presidentes de todos, mesmo os que não votaram nele, porque, afinal, "estamos todos no mesmo barco".

Estamos. Mas o capitão é ele.

Vamos todos ter que bater continência?

*Alexis Parrot é diretor de TV e jornalista. Escreve sobre televisão às terças-feiras para o DOM TOTAL.

A advertência da China e o desconcerto da Argentina ante os sinais de Bolsonaro

 domtotal.com
Futuro presidente deve visitar primeiro o Chile, e não Argentina; Jornal estatal chinês 'China Daily' 
Não há razão para que o 'Trump Tropical' revolucione (disrupt) as relações com a China
Não há razão para que o 'Trump Tropical' revolucione (disrupt) as relações com a China", disse jornal estatal. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Por Flávia Marreiro, Javier LaFuente e Federico Molina

Jair Bolsonaro reservou um momento de seu curto discurso da vitória no domingo para prometer libertar o "Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos". Era mais uma arenga com os Governos do PT, cujo antagonismo lhe ajudou a chegar à Presidência. Se analisados os primeiros sinais da diplomacia do futuro governo, no entanto, a guinada se projeta mais profunda e, em alguns aspectos, inédita, a ponto de desconcertar a Argentina, país estratégico para Brasília no pós-ditadura, e provocar advertência da China, principal parceiro comercial do Brasil.

Nas primeiras horas como presidente eleito, Bolsonaro celebrou um trunfo: um imediato telefonema de boas-vindas de Donald Trump. O presidente dos EUA ainda escreveria horas depois um tuíte efusivo descrevendo como "excelente" a conversa com Bolsonaro. Era tudo que desejava o futuro mandatário de extrema direita, cuja meta é explorar, apesar das grandes diferenças, a ideia de que é um "Trump tropical" e construir uma relação preferencial com os norte-americanos como não havia desde os anos 60. Como essas sinalizações vão evoluir, ainda não se sabe, mas parece ser o prenúncio da volta da diplomacia com marca presidencial animada pela afinidade com outros líderes populistas no poder.


Ao movimento se seguiu um da China. Além das felicitações protocolares, Pequim enviou um duro recado ao futuro Governo brasileiro, com o peso de quem manteve um intercâmbio comercial da ordem de 75 bilhões de dólares no ano passado com o país (20 bilhões de superávit brasileiro) e é a origem de vultuosos de investimentos. O jornal estatal China Daily, espécie de braço de relações públicas controlado pelo Partido Comunista chinês, dedicou um editorial a Bolsonaro chamado "Não há razão para que o 'Trump Tropical' revolucione (disrupt) as relações com a China". O texto afirma que Bolsonaro foi "menos que amigável" na campanha – o brasileiro já defendeu que a China não compra no Brasil, mas “o Brasil”.  Os chineses cobram que, como presidente, Bolsonaro aplique uma avaliação "objetiva e racional" das relações porque, do contrário, "o custo pode ser árduo para a economia brasileira". O Global Times, outra publicação chinesa considerada porta-voz informal, chamou distanciamento de Bolsonaro de "inconcebível". 

Não foi o primeiro ruído com o Governo chinês. “Pequim vê a ascensão de Bolsonaro com muita preocupação. Ninguém na equipe do futuro Governo tinha consciência do custo político que poderia ter a visita que o presidente eleito fez a Taiwan em março”, diz Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e colunista do EL PAÍS. À época, Pequim reagiu com "indignação" porque considera a ilha taiwanesa uma parte rebelde do território chinês. 

Stuenkel aposta que, nos bastidores, os chineses convencerão à futura gestão brasileira a agir de forma pragmática. Já um diplomata brasileiro, que preferiu não de identificar, avalia que há diferenças internas da equipe bolsonarista que vão se refletir na política externa: de um lado, há o receituário liberal do Paulo Guedes, que será o superministro de economia, e, de outro, a postura mais soberanista que o próprio Bolsonaro costumava defender. "As relações com a China darão a senha para compreendermos qual dessas visões prevalecerá", diz o funcionário.

Argentina e a crise na Venezuela

Como em quase tudo relacionado aos planos de Bolsonaro, em política externa os detalhes também são poucos, e as idas e vindas, muitas. No final da campanha, o presidente eleito elogiou a China, por exemplo. Bolsonaro também conversou com os parceiros de Mercosul: o presidente da Argentina, Mauricio Macri, e com Mário Abdo Benítez, presidente do Paraguai, ambos com visões de economia afins à de Paulo Guedes. Entretanto, logo após a vitória, Guedes foi rude com uma jornalista argentina, afirmando que o bloco sul-americano "não era prioridade" e que tinha "viés ideológico". Além disso, integrantes da equipe de Bolsonaro afirmam que sua primeira viagem ao exterior será ao Chile de Sebastián Piñera, e não à Argentina, como de praxe na diplomacia brasileira.

Tudo foi lido como um alerta para o conservador Macri – que tinha simpatia por Fernando Haddad, com quem manteve uma relação cordial quando o candidato derrotado do PT era prefeito de São Paulo e Macri de Buenos Aires. O relacionamento com o Brasil, primeiro destino de suas exportações argentinas, é fundamental para o país. A Argentina vendeu 58 bilhões de dólares ao mercado brasileiro, o equivalente a 20% do total exportado para o mundo. Por isso, Buenos Aires tomou cautelosamente as declarações bolsonaristas, esperando que os fatos deem uma dimensão real às ameaças. A incerteza é o que mais preocupa o governo argentino, especialmente porque o Mercosul está em arrastadas negociações com a União Europeia para um acordo de livre comércio. Macri foi o condutor dessas conversas, ainda que, na avaliação da diplomacia brasileira, aconteça o que acontecer com o Governo Bolsonaro, é o lado europeu que trava a negociação por causa do protecionismo no agronegócio. O chanceler argentino, Jorge Faurie, pediu que esperem para avaliar o que dizem os ministros de Bolsonaro "fora da campanha". E ele concordou com Guedes na avaliação de que a integração regional "deveria se afastar de processos que têm um alto contexto ideológico".

Além do comércio, no lado latino-americano, todas as expectativas estão colocadas no papel que Bolsonaro terá na crise e na deriva autoritária da Venezuela. Durante a campanha —como em tantas outras—, o país vizinho se transformou em munição para atacar seu rival, Fernando Haddad. Bolsonaro, da mesma forma que milhões de seus seguidores, criticou a proximidade que o Partido dos Trabalhadores (PT) teve com o regime chavista, mesmo que o apoio dado por Lula em sua época a Hugo Chávez seja bem diferente do que teve Maduro em anos posteriores. É evidente que Bolsonaro cortará qualquer tipo de relação com o chavismo e se alinhará a outros Governos, como o da Colômbia do conservador Iván Duque. Mas precisará assumir a crise migratória dos venezuelanos que procuram refúgio no Brasil, com uma fronteira cada vez mais quente.

Acordo de Paris e Israel

No plano global, Bolsonaro sinaliza que quer seguir os passos de Trump, e no movimento ganha o reforço do ex-assessor da campanha do presidente norte-americano Steve Bannon. Oferecendo-se como ideólogo a ligar nomes de uma onda populista de global de direita, Bannon, que se reuniu com um dos filhos de Bolsonaro há alguns meses, declarou sua simpatia pelo político brasileiro. O problema é que ser "Trump tropical" pode ter custos altos para um emergente como o Brasil. Bolsonaro chegou a ameaçar retirar o país do Acordo de Mudança Climática de Paris —algo que depois condicionou— e do Conselho dos Diretos Humanos da ONU. Se concretizado, isso poderia provocar reações, sobretudo na Europa.

Oliver Stuenkel, assim como outros analistas, dão como certo que Bolsonaro mudará a Jerusalém a embaixada do Brasil em Israel, alinhado a Trump e para cumprir uma promessa eleitoral que contentaria grande parte dos líderes evangélicos que o apoiaram e à comunicada judaica direitista, também crucial em sua campanha. Isso marcaria um antes e um depois na história da diplomacia brasileira, que até durante a ditadura manteve suas diretivas em relação ao conflito na região. Há inquietação com o passo, especialmente entre grandes produtores brasileiros de carne e frango que vendem parte expressiva da produção para o mundo árabe e temem uma retaliação.

Nesta quarta, começa formalmente a transição de Governo, e as bolsas de aposta para o nome do próximo chanceler estão abertas. A dúvida é se será nomeado alguém da carreira ou outra liderança. Entre os nomes que circulam está o da embaixadora Maria Nazareth Azevedo, que está atualmente em Genebra.


El País

Família tradicional e patriarcal

Quer dizer que vai voltar
aquele modelo de família que foi determinante no Brasil Colonial!
A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas sorrindo, texto

Papa: é revolucionário amar o cônjuge assim como Cristo amou a Igreja

2018-10-31-udienza-generale-1540976776771.JPG
Na Audiência desta quarta-feira, Francisco completou sua reflexão sobre o sexto mandamento , "não cometer adultério". "Amar é sair de si, é descentralizar", afirmou.
Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

Quarta-feira é dia de Audiência Geral no Vaticano. Cerca de 20 mil fiéis participaram na Praça São Pedro do encontro semanal com o Pontífice.

Nesta quarta-feira (31/10), o Papa Francisco completou a catequese sobre o sexto mandamento, “não cometer adultério”, evidenciando que o amor fiel de Cristo é a luz para viver a beleza da afetividade humana. O amor se manifesta na fidelidade, no acolhimento e na misericórdia.

Revolução
Este mandamento, recordou o Papa, refere-se explicitamente à fidelidade matrimonial. Francisco definiu como “revolucionário” o trecho da Carta de São Paulo aos Efésios lido no início da Audiência, em que o Apóstolo afirma que o marido deve amar a esposa assim como Cristo amou a Igreja. Levando em consideração a antropologia da época, disse o Papa, “é uma revolução. Talvez, naquele tempo, é a coisa mais revolucionária dita sobre o matrimônio”.

Por isso, é importante refletir profundamente sobre o significado de esponsal, estando ciente, porém, de que o mandamento da fidelidade é destinado a todos os batizados, não só aos casados.

Amar é descentralizar
De fato, o caminho do amadurecimento humano é o próprio percurso do amor, que vai desde o receber cuidados até a capacidade de oferecer cuidados; de receber a vida à capacidade de dar a vida. Tornar-se adultos significa viver a atitude esponsal, ou seja, capaz de doar-se sem medida aos outros.

O infiel, portanto, é uma pessoa imatura, que interpreta as situações com base no próprio bem-estar. “Para se casar, não basta celebrar o matrimônio!”, recordou o Papa. É preciso fazer um caminho do eu ao nós. De pensar sozinho, a pensar a dois. A viver sozinho, a viver a dois. Descentralizar é uma atitude esponsal.

LEIA TAMBÉM
 Audiência Geral de 31 de outubro de 2018
31/10/2018
Audiência Geral de 31 de outubro de 2018
Por isso, acrescentou Francisco, “toda vocação cristã é esponsal”, pois é fruto do laço de amor com Cristo mediante o qual fomos regenerados. O sacerdote é chamado a servir a comunidade com todo o afeto e a sabedoria que o Senhor doa.

A Igreja não necessita de aspirantes ao papel de sacerdotes, “é melhor que fiquem em casa”, mas homens cujo coração é tocado pelo Espírito Santo com um amor sem reservas para a Esposa de Cristo. No sacerdócio, se ama o povo de Deus com toda a paternidade, ternura e a força de um esposo e de um pai. O mesmo vale para quem é chamado a viver a virgindade consagrada.

O corpo não é um instrumento de prazer
“O corpo humano não é um instrumento de prazer, mas o local da nossa chamada ao amor, e no amor autêntico não há espaço para a luxúria e para a sua superficialidade. Os homens e as mulheres merecem mais!”

O Papa concluiu recordando que o sexto mandamento, mesmo em sua forma negativa – não cometer adultério – nos oriente à nossa chamada originária, isto é, ao amor esponsal pleno e fiel, que Jesus Cristo nos revelou e doou.

Dia de Finados
Ao final da Audiência, o Papa recordou a celebração do Dia de Finados. “Que o testemunho de fé dos que nos precederam reforce em nós a certeza de que Deus acompanha cada um no caminho da vida, jamais abandona alguém a si mesmo, e quer que todos sejamos santos, assim como Ele é santo.”

Papa celebrará os fiéis defuntos no cemitério romano Laurentino

Papa no cemitério Nettuno em 2017. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

VATICANO, 30 Out. 18 / 10:00 am (ACI).- O Papa Francisco presidirá uma celebração eucarística por ocasião do Dia dos Fieis Defuntos, no próximo dia 2 de novembro, no cemitério Laurentino, em Roma.

A Missa, começará às 16h (horário local) e será concelebrada pelo Vigário de Roma, Cardeal Angelo Donati, Bispo Auxiliar da região setor sul, Dom Paolo Lojudice, e o capelão da Igreja de Jesus Ressuscitado, dentro do cemitério, Mons. Caludio Palma.

Além da celebração eucarística, Francisco visitará o “Jardim dos Anjos”, que tem uma área dentro do cemitério Laurentino onde estão enterrados bebês falecidos antes de nascer.

O Laurentino é o quarto cemitério romano no qual o Santo Padre celebrará a Missa no Dia dos Fieis Defuntos. Nos anos de 2013, 2014 e 2015 celebrou a eucaristia no cemitério monumental de Verano. Em 2016, no cemitério de Prima Porta e, em 2017, no cemitério Americano, na cidade de Nettuno (sul da capital italiana).

A cidade de Roma se prepara para diferentes celebrações religiosas por ocasião da Solenidade de Todos os Santos e a Celebração dos Fiéis Defuntos. Além da Missa presidida pelo Pontífice, haverá outras Missas em diferentes cemitérios de Roma.

Além disso, jovens voluntários distribuirão na entrada dos cemitérios romanos um subsídio que contém a oração do Pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Descanso Eterno.

Do mesmo modo, a Diocese de Roma propôs uma catequese para preparar-se para a Comemoração dos Fieis Defuntos com o Cardeal Luis Francisco Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, sobre o tema "Chamados à vida eterna e á santidade". O evento aconteceu no dia 29 de outubro, na Sala da Conciliação do Palácio de Latrão.

O cemitério Laurentino, fundado em 2002, é o terceiro maior da cidade de Roma, com 21 hectares. O “Jardim dos Anjos” foi criado em 2012 e tem uma área de 600 metros quadrados.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Movimentos sociais bloqueiam trecho da Av. Paulista em ato contra Bolsonaro

Grupo está em frente ao MASP e bloqueia via no sentido Consolação. Protesto cobra a manutenção dos valores democráticos, liberdade de manifestação e expressão.
Por G1 — São Paulo

Manifestantes ligados à diversos movimentos sociais realizam um protesto contra o fascismo na Avenida Paulista, em São Paulo, após concentração no vão livre do Museu de Arte de São Paulo — Foto: Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo
Manifestantes ligados à diversos movimentos sociais realizam um protesto contra o fascismo na Avenida Paulista, em São Paulo, após concentração no vão livre do Museu de Arte de São Paulo — Foto: Kevin David/A7 Press/Estadão Conteúdo

Movimentos sociais, sindicais e estudantis protestam na noite desta terça-feira (30), na Avenida Paulista, região central de São Paulo, contra o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

O ato é organizado pelo Povo Sem Medo, MTST, UNE, sindicatos entre outros. Os manifestantes estão em frente ao vão livre do Masp e ocupam faixas da via sentido Consolação.

Divulgado nas redes sociais, o protesto cobra a manutenção dos valores democráticos, a liberdade de manifestação e expressão por conta das declarações feitas pelo presidente eleito a seus opositores.

Protesto na Avenida Paulista contra Jair Bolsonaro  — Foto: Reprodução/TV Globo
Protesto na Avenida Paulista contra Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução/TV Globo

"Bolsonaro foi eleito presidente. Mas não imperador. Não pode passar por cima dos valores democráticos, da liberdade de manifestação e expressão. Precisa respeitar a oposição e os movimentos sociais, não ameaça-los. Por isso estaremos nas ruas, pelas liberdades democráticas e por nossos direitos. Essa resistência é legítima e não iremos silenciar diante de qualquer ataque. Vamos sem medo!", afirma Guilherme Boulos em postagem no Facebook. O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) concorreu à presidência da república pelo PSOL.

Em entrevista ao Jornal Nacional, na noite desta segunda-feira (29), Bolsonaro foi questionado sobre a declaração: "os marginais vermelhos serão banidos da nossa pátria", feita feitas no dia 21 de outubro, por telefone, a apoiadores que se manifestavam a seu favor em São Paulo.


"Foi um discurso inflamado, com a avenida Paulista cheia, e logicamente eu estava me referindo à cúpula do PT e cúpula também do PSOL", disse Bolsonaro.

BOLSONARO TURBINA GUEDES E FUNDIRÁ FAZENDA, PLANEJAMENTO E INDÚSTRIA


O superministério da Economia, que será comandado por Paulo Guedes, reunirá as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio; "Nós vamos salvar a indústria brasileira. Está havendo uma desindustrialização há mais de 30 anos. Nós vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros", disse Guedes, que indicou afastamento do Mercosul, que recebe a maioria das exportações da indústria brasileira; cotado da Casa Civil, Onyx Lorenzoni confirmou a fusão do Meio Ambiente com a Agricultura.

https://www.brasil247.com/

O fim das aposentadorias está próximo

30 de outubro de 2018 por Esmael Morais


O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), após a euforia, manda mais uma ducha de água fria em seus eleitores. O Coiso anunciou que realizará, ainda este ano, em aliança com Michel Temer, a reforma da previdência (o fim das aposentadorias).


A primeira grande traição de BolsoTemer se deu em menos de 24 horas com o desabamento da Bolsa de Valores e a alta do dólar nesta segunda-feira (29).

Parcela significativa de pequenos investidores foram enganados pelos especuladores que prometiam, sob a direção do ex-militar, moeda norte-americana barata e as ações na altura dos céus. Aconteceu o inverso.

Agora o Coiso mira nas aposentadorias e pensões de nossos velhos brasileiros para pagar a fatura ao mercado financeiro, isto é, para bancos privados que querem oligopolizar a previdência.

“Semana que vem estaremos em Brasília e buscaremos junto ao atual governo, de Michel Temer, aprovar alguma coisa do que está em andamento lá com a reforma da Previdência, se não com todo, com parte do que está sendo proposto, o que evitaria problemas para o futuro governo”, avisou ontem (29) Bolsonaro durante entrevista na RecordTV.

A privatização da previdência social será mais uma das tragédias anunciadas tal qual aquela insana proposta de armar os cidadãos para que uns se matem aos outros.

Bem-vindo ao inferno. Bem-vindo aos tempos do Coiso. Bem-vindo aos tempos de BolsoTemer, que também atende pelo nome de Jair Bolsonaro