sexta-feira, 31 de agosto de 2018

IGREJA FERIDA

papatempocomum
Um grupo expressivo, no interior da própria hierarquia da Igreja, não quer saber de um verdadeiro pastor.
Por Alfredo J. Gonçalves*
A Igreja Católica está universalmente ferida. Um vírus a corrói a partir das próprias entranhas e desde longas décadas. De um lado, emergem e clamam por justiça as centenas e milhares de vítimas de abusos por parte de tantos pastores que, em lugar de cuidar e garantir a proteção do “rebanho”, usaram as pessoas para satisfazer seus próprios instintos. De outro lado, alguns de entre os próprios pastores tratam de instrumentalizar tais fatos, misturando-os com boatos, contra o Pastor Supremo, o Papa Francisco. O pecado e o crime associa-se à difamação com fins nada evangélicos. Aliados aos expoentes da extrema direita, os pombos se transformam em corvos, para bloquear toda e qualquer mudança de rumo na Igreja. Trazem à tona o saudosismo do luxo ostensivo, do liturgismo formal, da solenidade principesca, da indumentária imponente, do dogma fossilizado e doutrinário... O saudosismo de uma Igreja medieval com poder e influência na sociedade.

capa_roxo_pp1O que está em jogo? Antes de mais nada um fato real e incontestável: milhares de pessoas, no interior das próprias estruturas eclesiais, sofreram abusos inaceitáveis. Os pastores com pele de cordeiro se revelaram verdadeiros lobos, atacando numerosos membros do “rebanho”, submetendo de forma particular as pessoas mais vulneráveis, como meninas e meninos, adolescentes, jovens e dependentes. A retórica do “chamado ou vocação, em lugar de um serviço ao povo de Deus, foi o mecanismo utilizado para exercer um poder efetivo e simbólico perverso e corrosivo. Feridas e cicatrizes dessa tirania em nome de Deus são denunciadas em várias partes do mundo. Tudo isso dentro de um corporativismo clerical (ou clericalismo), em que os membros tentam proteger-se reciprocamente. Daí a fusão nefasta e altamente danosa entre silêncio, cumplicidade, imunidade, influência e carreirismo. Mutatis mutandis, trata-se dos mesmos ingredientes que hoje fazem avançar os representantes, os grupos e os partidos de extrema direita em diferentes partes do globo. O poder em nome de Deus se une ao poder em nome do povo – para fechar as portas, as fronteiras e as leis aos “sem vez e sem voz”. Como o Papa Francisco vem fazendo com insistência, as vítimas de tantos abusos merecem um profundo e sincero pedido de perdão por que de toda a Igreja que, como repete o Pontífice, “não foi capaz de agir com pronta decisão para defender o “rebanho” dos lobos que o devoravam.

Mas está em jogo, além disso, um ataque frontal ao modo como o atual Pontífice tem procurado conduzir a “barca de Pedro”. Os conservadores saudosistas e retrógrados não suportam a presença de um Papa que, em lugar de pompas, privilégios e um toque de majestade, retorna à simplicidade límpida e transparente da fonte evangélica, onde a água é mais cristalina. Melhor dizendo, não suportam as páginas contundentes dos relatos bíblicos, notadamente os livros proféticos, onde o Deus de Israel, no Antigo Testamento, privilegia com clareza “o pobre, a viúva e o estrangeiro”. E o Pai de Jesus Cristo, no Novo Testamento, mostra predileção particular pelos “pobres, oprimidos, prisioneiros, indefesos, prostitutas, excluídos, pecadores” – como o Bom Pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para ir ao encontro daquela que se perdeu.

O que os incomoda é justamente a retomada da prática de Jesus: beber do Evangelho Vem à memória o episódio do Grande Inquisidor na obra do escritor russo Dostoiévski Os Irmãos Karamazov. O retorno de Jesus perturba o status quo, interpela os estabelecidos, comporta mudança de atitude, exige conversão. O retorno à denúncia corajosa e profética diante das injustiças e das assimetrias socioeconômicas, de uma “economia que mata”, bem como do modo como são rechaçados os migrantes e refugiados que, em fuga da própria terra natal, buscam desesperadamente uma nova pátria. Da mesma forma que a corte e o palácio, a cúria e a hierarquia eclesial sempre temeram a voz dos profetas. Pior ainda quando se juntam e se fundem os dois poderes, temporal e espiritual. Não raro, juntos ou separadamente, perseguiram, fizeram calar e mataram os opositores. Um grupo expressivo, no interior da própria hierarquia da Igreja, não quer saber de um verdadeiro pastor. Prefere um príncipe, com tudo o que isso significa de requinte, sofisticação e custos. Enquanto o pastor, pelo simples fato de sê-lo, questiona e interpela atitudes e privilégios duvidosos, a presença do príncipe no pico da pirâmide justifica e legitima o comportamento e os benesses dos demais príncipes que, na cúria romana e nas cúrias de toda a Igreja, se agarram com unhas e dentes a um modo de vida, ao mesmo tempo, longe do povo que chamam de “rebanho”, e longe das pegadas de Jesus de Nazaré.

*Alfredo J. Gonçalves, cs, é superior dos carlistas, Roma, Itália.

Padre Geovane: Jornal do Parque Araxá - JPA, por Juracy Mendonça, 3 décadas de sacerdócio

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UM TRISTE BRASIL PARA OS TRABALHADORES

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Importante lembrar que a terceirização não diminui custos, pelo menos não no serviço público. A empresa leva uma bolada de dinheiro enquanto paga uma mixaria para os trabalhadores, como é hoje com as empresas de limpeza.
Por Elaine Tavares

O jogo do toma-lá-dá-cá entre o governo de Temer e o Judiciário garantiu mais um gol de placa para a classe dominante: a terceirização irrestrita. Com isso, o Brasil volta ainda mais no tempo, alcançando a era em que os trabalhadores não tinham qualquer direito garantido e podiam ser movidos ao bel prazer dos patrões. A decisão do Superior Tribunal Federal, pouco depois de garantir aumento salarial de 16% para seus membros, permite que a partir de agora mesmo as atividades-fim possam ser terceirizadas. Até então apenas as atividades-meio como limpeza, transporte e segurança eram permitidas. Mas, agora, vale para qualquer função. Ou seja, uma empresa pode funcionar sem nenhum empregado contratado, com cada tipo de trabalhador vindo de uma empresa diferente.


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Essa decisão abre-se também uma porta gigantesca para o fim do serviço público tal como o conhecemos, com concurso para os trabalhadores e com estabilidade, evitando assim, os bota-fora a cada governo de plantão. Afinal, ali também a terceirização já vem sendo implantada, com empresas gerindo hospitais, creches e instituições de assistência. Logo, logo, a máquina pública também poderá terceirizar todos os trabalhadores.

Importante lembrar que a terceirização não diminui custos, pelo menos não no serviço público. A empresa leva uma bolada de dinheiro enquanto paga uma mixaria para os trabalhadores, como é hoje com as empresas de limpeza. O resultado é sempre o mesmo: os donos cheios de grana e os empregados na maior precariedade.

A votação no STF foi de sete votos a favor e apenas quatro contra. Os argumentos dos que votaram a favor seguem o mesmo padrão dos do governo: "com a terceirização aumentarão os empregos". O que eles não dizem é que os empregos que existirão serão quase uma escravidão, já que não contarão mais com qualquer amparo. A reforma trabalhista, aprovada pelo Congresso, já tratou de eliminar todos os possíveis “gastos” que a classe patronal possa ter com trabalhadores. Sobra então, o emprego precário, sem direitos, sem férias, sem 13º, sem nada. A pessoa pega ou larga, e pronto. Salários baixos, nenhuma garantia, é o salvem-se quem puder. Carteira assinada, nem pensar.

A terceirização está apta também a entrar no serviço público. Professores poderão ser contratados por hora, médicos, enfermeiros, dentistas, qualquer um. Não precisará mais de concurso, apenas contrato temporário. Viveremos a mais brutal exploração do trabalho humano, comparada talvez aos primórdios do capitalismo, quando as pessoas, apesar de trabalharem 15 ou 18 horas por dia, morriam de fome.

O cinismo dos togados, que recebem mais de 30 mil de salário e ainda gozam de imunidade sob todos os aspectos, inclusive de crítica, não tem mais limites. O ministro Celso Mello declarou que: “Pode a terceirização constituir uma estratégia sofisticada e eventualmente imprescindível para aumentar a eficiência econômica, promover a competitividade das empresas brasileiras e , portanto, para manter e ampliar postos de trabalho”. Tudo às claras. O que importa é garantir mais e mais lucros para os empresários. Os trabalhadores são mero detalhe. Como se não fossem eles, e somente eles, os que podem geral valor.

A vida vai ficar ainda bem pior para os trabalhadores, sejam eles qualificados pelo ensino formal ou não. O mundo “mad-max” ao vivo e a cores. Os “jogos vorazes” estarão abertos, com as pessoas que têm apenas sua força de trabalho para vender se digladiando entre si, enquanto o 1% que detém a riqueza assiste, inebriado pelo champanhe e pelo sadismo, em nome do lucro e da competitividade.

O capitalismo na sua fase mais perversa, da superexploração exacerbada. O paraíso do empresariado predador e especulador.

Todos os dias cai um direito. Todos os dias a classe dominante avança mais sobre os trabalhadores, sugando feito vampiro até a última gota.

E as ruas estão quietas. E alguns esperam as eleições.

*Elaine Tavares é jornalista.

Abusos: bispos do mundo inteiro manifestam apoio ao Papa Francisco

POPE FRANCIS
Marko Vombergar-ALETEIA

Conferências episcopais escrevem ao Papa assegurando apoio, em comunhão com o compromisso de combater os abusos
Comunhão, colegialidade, apoio, fidelidade, proximidade, colaboração: são os termos mais presentes nas cartas abertas que as Conferências episcopais do mundo enviaram e estão enviando nestas horas ao Papa Francisco.

As missivas têm lugar após a publicação do documento do arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, que acusa o Santo Padre e alguns purpurados de ter acobertado o caso do cardeal Theodore McCarrick. Acusado de abusos contra menores, em 27 de julho o Papa aceitou a renúncia do purpurado ao título de cardeal e dispôs a suspensão do mesmo de qualquer ministério público.

Apreço pela atuação do Papa
Os episcopados expressam sua proximidade ao Papa: os bispos do Peru, por exemplo, ressaltam seu “fraterno e episcopal apoio à lúcida, corajosa e firme modalidade” que o Papa tem “de conduzir a barca de Pedro”. Trata-se de um apoio necessário “diante da tentativa de desestabilizar a Igreja e seu ministério”.

Na mesma linha, também o Conselho episcopal latino-americano – Celam – que, numa carta de 26 de agosto, agradece ao Papa Francisco por seu “serviço repleto de abnegação pela Igreja” e oferece ao Pontífice “fidelidade, proximidade e colaboração a fim de que a verdade resplandeça acima de todo e qualquer pecado”.

Incansável trabalho pastoral
Também os bispos do Paraguai agradecem ao Santo Padre por sua guia e por dar continuidade “ao trabalho dos predecessores com muita humildade e firmeza” no combate aos abusos.

A conferência Episcopal Espanhola, presidida pelo cardeal Ricardo Blázquez Pérez, faz a mesma coisa ao manifestar proximidade a Francisco: “Santo Padre, o senhor não está sozinho”, escreve o purpurado, que dá graças a Deus pelo “incansável trabalho pastoral” levado adiante pelo Pontífice e por sua “dedicação ao ministério” petrino.

Reação dos bispos estadunidenses
“São dias difíceis e expressamos ao Papa nosso afeto fraterno – afirma o presidente do episcopado dos EUA, cardeal Daniel DiNardo –, ao tempo em que esta ferida aberta dos abusos nos desafia a ser firmes e decididos na busca da verdade e da justiça.”

O purpurado pede uma audiência ao Papa para obter seu apoio ao plano de ação dos bispos estadunidenses inspirado na recente carta de Francisco do Povo de Deus, em que se incluem “propostas mais detalhadas” para simplificar a delação de abusos e comportamentos incorretos por parte de bispos e para melhorar os procedimentos para resolver as recriminações contra os bispos.

Outros prelados estadunidenses, como o arcebispo de Philadelphia, Charles Chaput, e o bispo de Phoenix, Thomas Olmsted, disseram não ter conhecimento direto dos fatos, mas falam do ex-núncio em Washington de modo positivo.

Por sua vez, o bispo de San Diego, Robert McElroy, disse que o testemunho de Dom Viganò é uma distorção e que os ataques deste são inspirados por seu ódio ao Papa Francisco e a tudo aquilo que ensina. “Juntos com o Papa Francisco estamos confiantes de que a verificação das afirmações” de Dom Viganò “ajudará a estabelecer a verdade”, destaca por fim.

Virgem das Lágrimas: imagem do Imaculado Coração chorou “de dor e esperança”

Nossa Senhora das Lágrimas
© Alessandro Bonvini-CC

Celebra-se em 31 de agosto a devoção que recorda este milagre: lágrimas "de dor e de esperança pelo mundo", como disse São João Paulo II

Celebra-se em 31 de agosto uma devoção mariana surgida em Siracusa, na Itália, depois que uma imagem do Imaculado Coração de Maria derramou lágrimas “de dor e de esperança pelo mundo“, conforme a consideração do Papa São João Paulo II.
milagre, reconhecido pela Igreja, ocorreu na casa do jovem casal Angelo Iannuso e Antonina Giusto, que esperavam então o primeiro filho. Entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro de 1953, de uma imagem de gesso que representava o Imaculado Coração de Maria e que estava à cabeceira da cama do casal, brotaram “lágrimas humanas“, como foi confirmado pelas análises científicas.
Angelo Iannuso e Antonina Giusto
Santuario Madonna delle Lacrime

Angelo e Antonina teriam quatro filhos, dois meninos e duas meninas. É o segundo a nascer, Enzo, quem nos guia hoje pela casa da sua infância:
“Quando Maria escolheu chorar dentro da nossa família, foi porque ela quis que a sua mensagem fosse dada dentro de uma família. Às vezes, a mamãe nos mostrava os lenços com que tinha enxugado as lágrimas que caíam da imagem”.
Um gesto espontâneo de mãe. Hoje, alguns daqueles lenços são mantidos em um relicário, junto com lágrimas que desceram do quadrinho de gesso.
Em Siracusa, na Sicília, o local onde os pais e um tio de Enzo viviam se tornou um oratório, lugar de peregrinação e oração. Ainda é preservada, em uma sala, a cama do casal. No quarto original, local do milagre, há hoje um altar em que todo dia é celebrada a missa.
Voltar a esses lugares “de família” é motivo de gratidão para Enzo:
“Parece quase impossível estar envolvido em uma história como esta, mas esta é a realidade, e o sentimento é de serenidade e gratidão (…) Não tivemos nenhum mérito para que isto acontecesse conosco. Não é vaidade. Recebemos a dádiva de ser instrumentos, e, depois disso, podemos ficar de lado”.
Antonina contava aos filhos sobre aquela manhã de sábado em que tinha notado as lágrimas escorrendo pelo rosto de Maria.
Poucas palavras, porque, mais que palavras, reflete Enzo,
“…era um clima que se respirava dentro de casa. Um clima de serenidade. Havia também problemas, como em qualquer família, mas nós respirávamos serenidade”.
Marinheiro profissional, ele se mudou de Siracusa para a Apúlia, se casou e teve três filhos.
“Tive uma vida movimentada, mas isso não me impediu de viver e me envolver com a escolha de ser pai e marido”.
Enzo e a esposa levam, em suas palavras, “uma vida normal, como a de qualquer casal, com momentos de lágrimas e risos, com sacrifícios, mas, quando se vive uma alegria dessas, dá para enfrentar tudo com paz interior”.
Para viver bem, diz ele, “você tem que acordar todos os dias e decidir recomeçar. Temos um Pai e Nossa Senhora sempre perto; só precisamos ter um pouco de confiança”.
E, tal como ele respirou a fé e a serenidade dos pais quando menino, também seus filhos foram criados imersos nesse ambiente:
“Não é contando coisas que se transmite a fé, é vivendo. É uma riqueza que você tem e que você compartilha com naturalidade”.
Quando o relicário com as lágrimas de Maria chega a alguma paróquia da Apúlia, ele vai até lá:
“É como se viesse a minha mãe. E eu vou encontrá-la”.

8 maneiras de ajudar seu filho a evitar relacionamentos tóxicos e encontrar a verdadeira felicidade

  Javier Fiz Pérez | Ago 31, 2018
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Não existem livros para estas valiosas lições
Há coisas para as quais não existem manuais. O amor é uma delas. As crianças aprendem a amar quando recebem amor durante a infância, quando seus pais cuidam bem delas no dia a dia da vida.

O poder do exemplo

Ser um bom exemplo é sempre o melhor método de ensino. Aprendemos a caminhar, falar e amar com base no que vemos modelado pelos mais próximos de nós. Então, se você realmente quer que seu filho cresça amando de maneira saudável, você deve dar a ele ou ela esse exemplo em casa.

Princípios

Princípios saudáveis ​​nos permitem reconhecer o bem e o mal. Uma pessoa com bons princípios nunca tomará decisões que prejudiquem os outros – pelo menos não intencionalmente ou conscientemente. Essa é a base do respeito e do amor saudável.

Ensine o respeito

A melhor maneira de ensinar o respeito às crianças não é impor a obediência pela força, mas esforçar-se para mostrar por que o comportamento responsável é melhor. Coloque-se no lugar da criança e veja as coisas na perspectiva dela e, em seguida, motive-a a fazer o mesmo com os outros. Ensine seus filhos e a você mesmo o ideal de que todos nós merecemos amor e respeito. É assim que você constrói a autoestima e a independência das pessoas que sabem apreciar o valor de respeitar, amar e ser amado.

Compreender as emoções

Ensine-os a reconhecer e expressar suas próprias emoções, pois isso os ajudará a crescer em sua inteligência emocional. Reconhecer suas próprias emoções, positivas e negativas, desde a infância é fundamental para treiná-las para discernir entre um amor saudável e um amor pouco saudável. Em seu relacionamento como casal, as emoções desempenham um papel importante todos os dias: saber como reconhecer, canalizar e viver é essencial para um bom relacionamento e para ensinar amor como um casal.

Amor incondicional

Dê-lhes amor incondicional, porque apenas o amor incondicional alimenta uma autoestima saudável. Certifique-se de que seus filhos saibam que você os ama, mesmo quando cometem erros, mesmo que não atendam às suas expectativas, e mesmo quando se comportam mal. Nunca se canse de dizer-lhes que você os ama, especialmente depois de uma repreensão, porque será quando eles mais precisam ouvir essas palavras. Não se esqueça de que é possível disciplinar com amor. Aceite sua individualidade – cada criança é única. Dê-lhes o seu tempo, ouça-os, dê-lhes uma perspectiva positiva sobre a vida para motivá-los para boas ações, e não os controle com medo do que não devem fazer.

Empatia e abertura aos outros

Incentive e eduque-os na empatia e abertura aos outros. O egoísmo da infância é normal nos primeiros anos de vida por causa da falta de socialização e de um conhecimento limitado do mundo dos outros. Mas, à medida que crescem, encoraje-os a se envolverem em cooperação, a brincar com os outros; elogie seus momentos de compartilhamento para que eles cresçam em inteligência emocional e ensine-os a serem sensíveis aos outros como uma forma de predispô-los ao amor verdadeiro.

O verdadeiro amor é a melhor prevenção

A melhor maneira de evitar a dependência afetiva pouco saudável é dar e ensinar o amor verdadeiro, um amor que os leva a concentrar-se nos aspectos positivos da outra pessoa e cultivar a relação todos os dias para que ela possa melhorar. Ensine-os a cultivar interesses compartilhados, a serem tolerantes, a viverem no presente e a oferecerem o melhor de si mesmos. Ensine para eles um amor que leva a uma comunicação positiva, mesmo quando o tópico da conversa é sobre os problemas do dia, um amor que é mostrado respeitando o cônjuge, perguntando sua opinião nas coisas grandes e pequenas e um amor que sabe como oferecer um sorriso quando as circunstâncias não são particularmente agradáveis. Essa é a melhor defesa preventiva contra o amor tóxico.

Evitar a dependência pouco saudável

Os seres humanos precisam de outros seres humanos e desejamos sua aprovação e carinho. Em um relacionamento emocional, é normal e até desejável ter certa dependência da outra pessoa, pois isso ajudará a manter a relação ao longo do tempo. O medo e a sensação de culpa também são necessários em sua medida adequada, pois nos impedem de fazer coisas que seriam fatais para os outros.

O problema é quando essa dependência e esses sentimentos são tão desproporcionais e causam uma angústia tão profunda e desoladora na pessoa que a impedem de desenvolver e alcançar a liberdade. Quando esses sentimentos estão fora de controle, eles podem sujeitar uma pessoa ao controle de outros.

O importante é aprender a viver em paz consigo mesmo, sem depender demais do que os outros pensam, de ver a realidade tal como é, mesmo que não gostemos, e de tomar as rédeas da nossa vida.

Nós somos a melhor coisa que poderia acontecer conosco – sem dúvida – e é importante para nós sermos nossos melhores amigos, nos amarmos e nos compreendermos em profundidade, e desse núcleo nós poderemos amar e entender os outros: “Amar o próximo como a si mesmo”.

https://pt.aleteia.org/2018/08/31/8-maneiras-de-ajudar-seu-filho-a-evitar-relacionamentos-toxicos-e-encontrar-a-verdadeira-felicidade/

PRESIDENTE DO SENADO DIZ QUE BRASIL SÓ TERÁ ELEIÇÃO LIVRE SE LULA PARTICIPAR

Agência Senado | Jornalistas Livres

Agência Senado | Jornalistas Livres
"Eleições livres são eleições com Lula" - a frase, incisiva, é do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE); durante evento em Fortaleza, o parlamentar cravou: "eu sou eleitor de Lula"; senador não mencionou sequer uma vez o presidenciável do seu partido, o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB); também não citou o nome de Michel Temer, o mais impopular desde a redemocratização; enquanto isso, Lula, mesmo preso, lidera todas as pesquisas

"Eu, filho de lavrador, filho de agricultor, de família de homem pobre. Eu, com a mesma história de Lula. Só quem viu uma mãe carregar lata d’água na cabeça é que pode fazer o que fazemos", acrescentou ele, na convenção que oficializou sua candidatura no último final de semana.

O presidente do Senado não mencionou sequer uma vez o candidato do seu partido à Presidência, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB), oficializado na última semana. Também não citou o nome de Michel Temer, do mesmo partido.

Pesquisa CUT/Vox Populi, divulgada no final do mês passado, apontou vitória do ex-presidente Lula no primeiro turno com 58% dos votos válidos.

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, as intenções de voto do ex-presidente aumentaram para 41% contra 39% registrado em maio.

De acordo com o levantamento, a soma de todos os outros adversários alcançou 29%. Na segunda posição está Jair Bolsonaro (PSL), com 12%, seguido por Ciro Gomes (PDT), que alcançou 5%; Marina Silva (Rede) caiu de 6% para 4%, empatando com Geraldo Alckmin (PSDB), que também registrou apenas 4% (veja mais aqui).


URGENTE: Assista ao 1º comercial de Lula no horário eleitoral

31 de agosto de 2018 por Esmael Morais


O PT divulgou hoje (31), início do horário eleitoral, o 1º comercial de Lula e Haddad.


“É Lula, é Haddad, é o povo, é o Brasil Feliz De Novo!”, diz o texto.

ASSISTA TAMBÉM
URGENTE: Vaza o 1º programa de Lula para horário eleitoral na TV; assista

Lula e Haddad, pelo PT, terão direito a 2 minutos e 32 segundos (por bloco) e 189 inserções comerciais.

Assista ao 1º comercial:

Mais árvores na Amazônia úmida

domtotal.com
Estudo realizado por pesquisadores da Unesp de Rio Claro aponta que habitats úmidos da Amazônia contam com pelo menos 3.615 espécies de árvores.
Mas um novo trabalho científico revela que são locais muito mais ricos, com três vezes mais espécies de árvores do que se imaginava antes.
Mas um novo trabalho científico revela que são locais muito mais ricos, com três vezes mais espécies de árvores do que se imaginava antes. (Tamara Sare/ Fotos Públicas)

Entre as muitas fisionomias que existem na Floresta Amazônica, as chamadas áreas úmidas, que passam cerca de metade do ano embaixo d’água e a outra metade praticamente na seca, sempre foram consideradas locais de situação-limite, que somente abrigariam espécies capazes de tolerar essas condições. Mas um novo trabalho científico revela que são locais muito mais ricos, com três vezes mais espécies de árvores do que se imaginava antes.

O estudo, realizado por pesquisadores da Unesp de Rio Claro, aponta que hábitats como igapós, pântanos, campinas alagadas, mangues, além das várzeas ao longo de planícies inundáveis que margeiam nascentes, contam com pelo menos 3.615 espécies de árvores, configurando a maior diversidade em áreas úmidas no mundo.

O número resulta de um amplo trabalho de revisão de inventários florestais e dados de coleções biológicas que nunca tinham sido contabilizados juntos. Até então, eram somadas apenas espécies encontradas ao longo das planícies dos Rios Solimões e Amazonas.

O novo trabalho incluiu os Rios Purus, Juruá e Madeira. E surpreende porque revela que muito mais árvores da Amazônia têm a capacidade de se adaptar ao difícil regime hidrológico. O trabalho, publicado na revista PLoS One, calcula que o total de espécies das áreas úmidas amazônicas compreende 53% de 6.727 espécies da flora arbórea da Amazônia.

Isso chama a atenção porque as áreas úmidas compreendem apenas 30% dos 7 milhões de km2 da Amazônia, o que indica que há um intercâmbio entre as espécies de terras secas e as de terras úmidas.

Alerta

A descoberta já chega com um alerta de risco em um cenário futuro de mudanças climática. "Se a estação seca aumentar muito, pode começar a favorecer somente as espécies que ainda vivem em terra firme e toleram um pouco de inundação. Isso pode promover uma homogeneização da biodiversidade de árvores", afirma Thiago Sanna Freire Silva, professor no Departamento de Geografia da Unesp e coordenador da pesquisa. Essa ameaça já aparece em algum grau com as mudanças de regime hídrico promovidas pelas barragens de hidrelétricas.


Agência Estado

Leia a íntegra da defesa de Lula no TSE

31 de agosto de 2018 por Esmael Morais

A defesa do candidato Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral, por volta das 23h desta quinta (30), a contestação aos pedidos de impugnação de sua candidatura à Presidência da República. O documento rebate cada uma das 17 impugnações e sustenta que Lula pode ser candidato, com todos os direitos, com base na lei e em decisões anteriores da Justiça Eleitoral em casos semelhantes.

Além de argumentar com o artigo 26-C da Lei da Filha Limpa, que permite a suspensão da inelegibilidade mesmo de candidatos condenados em órgão colegiados da Justiça (que é o caso das decisões injustas e arbitrárias contra Lula), a defesa acrescentou o recente comunicado do Comitê de Direitos Humanos da ONU que obriga o Brasil a garantir os direitos políticos de Lula, inclusive o de disputar as eleições presidenciais.

“A inelegibilidade do ex-Presidente Lula foi suspensa pela decisão do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, como será demonstrado”, afirma a defesa. “Não tivesse sido, poderia ser suspensa a qualquer momento – conforme expressa previsão do art. 26-C da (assim chamada) Lei da Ficha Limpa.”

Os advogados reafirmaram que o Brasil está obrigado a cumprir o comunicado do Comitê da ONU, por ter assinado o Protocolo Facultativo do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, aprovado pelo Congresso Nacional. E argumentam que o Comunicado da ONU é um fato novo, que obriga o reexame da inelegibilidade.

A Contestação demonstra com números da própria Justiça Eleitoral que não pode ser tomada uma medida excepcional para impedir Lula de disputar as eleições. “Dos 145 candidatos que se elegeram em 2016 com o registro indeferido, 98 conseguiram uma alteração fática ou jurídica superveniente após a eleição, apenas antes da diplomação. Reverteram o indeferimento do registro, foram diplomados, tomaram posse e exercem o mandato”, diz o texto da defesa.

A defesa sustenta que Lula tem o direito de participar de todos os atos de campanha, inclusive debates e entrevistas, mesmo com sua candidatura sujeita a julgamento. É o que diz o art. 16-A da Lei Eleitoral: “O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral.”
Leia a íntegra da contestação

Espanha anuncia recursos da UE para ajudar em crise migratória venezuelana

VENEZUELANS
O chefe de governo espanhol destacou o "compromisso humanista" do governo colombiano
A UE vai aportar 35 milhões de euros a América Latina para enfrentar a crise migratória venezuelana, disse nesta quinta-feira (30) o chefe de governo espanhol, Pedro Sánchez, após propor à região uma “distribuição de cotas” de migrantes.

Ao fim de uma visita a Bogotá, no âmbito de sua primeira viagem à região, o dirigente socialista reconheceu o problema que representa para o “conjunto da América Latina” o “êxodo maciço” de pessoas que fogem da crise na Venezuela, apesar de o chavismo rejeitar que se trate de uma crise migratória.

“Hoje precisamente em Bruxelas foi acordado que vão ser 35 milhões de euros que a União Europeia (UE) coloca à disposição da América Latina para enfrentar” esta conjuntura, afirmou Sánchez durante coletiva de imprensa conjunta com o presidente colombiano, Iván Duque.

O chefe de governo espanhol destacou o “compromisso humanista” do governo colombiano perante o drama de centenas de milhares de venezuelanos que cruzaram a fronteira em busca de comida, remédios e produtos básicos que faltam em seu país, e defendeu “uma resposta multilateral” ao maior fluxo migratório registrado no continente em tempos de paz.

Embora não o tenha mencionado durante a coletiva, Sánchez havia proposto anteriormente que os governos latino-americanos adotem um sistema de “distribuição de cotas” para atender os venezuelanos.

De acordo com as Nações Unidas, 2,3 milhões de pessoas (7,5% da população venezuelana, de 30,6 milhões) moram no exterior, das quais 1,6 milhão partiu desde 2015, quando se aprofundaram as dificuldades no país com as maiores reservas de petróleo no mundo.

A maioria fugiu para Colômbia, Equador, Peru, Brasil, Chile e Argentina devido à falta de alimentos e medicamentos na Venezuela, uma hiperinflação que o Fundo Monetário Internacional projeta em 1.000.000% para 2018 e salários equivalentes a 30 dólares.

“Se concebemos a América Latina como uma comunidade solidária, é evidente que a distribuição de cotas poderia ser uma boa solução”, declarou Sánchez em entrevista à Blu Radio.

No entanto, Sánchez se distanciou das posições mais radicais sobre o trato com o governo de Nicolás Maduro e insistiu em um “diálogo” frente à situação política e econômica que conduziu a esta fuga em massa.

(AFP)

Acusações de Viganò: o que sabemos e que perguntas eles levantam?

domtotal.com
Peter Isely, um sobrevivente de abuso, disse ao The New York Times que a carta do arcebispo parece ser sobre a política da igreja.
O texto abaixo foi traduzido como postado no site America Magazine, incluindo os erros e notas de correção ao seu final.
O arcebispo Viganò sentou-se ao lado do então cardeal McCarrick, primeira fila à esquerda, junto com outros cardeais americanos, Glory e Thomas Sullivan e John Garvey, em um evento de arrecadação de fundos em 10 de maio de 2013.
O arcebispo Viganò sentou-se ao lado do então cardeal McCarrick, primeira fila à esquerda, junto com outros cardeais americanos, Glory e Thomas Sullivan e John Garvey, em um evento de arrecadação de fundos em 10 de maio de 2013. ((CNS photo/Edmund Pfueller, Catholic University of America)

Por Michael J. O'Loughlin*

No final da noite de sábado, uma carta de 11 páginas atribuída ao arcebispo Carlo Maria Viganò foi publicada pelo National Catholic Register, Life Site News e vários outros sites que informam sobre temas da igreja católica. Nessa carta, o ex-embaixador do Vaticano nos Estados Unidos sob o papado de Bento XVI e o papado de Francisco faz várias alegações sobre como os cardeais do Vaticano e dos EUA, bem como o Papa Francisco e o papa anterior, trataram acusações de má conduta sexual contra o ex-cardeal Theodore McCarrick. Ele também pede ao Papa Francisco que renuncie.

No domingo de manhã, o arcebispo Viganò confirmou a autenticidade da carta, mas disse ao The Washington Post que não queria comentar mais.

Perguntado sobre a carta durante sua conferência de imprensa enquanto retornava da Irlanda para Roma, o Papa Francisco confirmou que havia lido o escrito, mas se recusou a responder em detalhes, dizendo aos jornalistas no avião: “Leia a declaração cuidadosamente e faça seu próprio julgamento. Não vou dizer uma única palavra sobre isso”. Francisco também disse que eles tinham a “capacidade jornalística” de tirar suas próprias conclusões e que, uma vez que algum tempo tenha passado, ele poderia oferecer mais respostas.

O que o arcebispo alega

A carta alega que o Vaticano tomou conhecimento de alegações de má conduta sexual do então arcebispo McCarrick desde o ano 2000. Ele diz que altos funcionários da igreja fizeram a vista grossa para seus pedidos de que o então cardeal McCarrick deveria ser afastado do ministério, até 2009 ou 2010, quando, como ele alega, o Papa Bento XVI sancionou o cardeal, que já havia se aposentado como arcebispo de Washington, DC. Ele aponta que o Papa Francisco suspendeu essas sanções em 2013, apesar de ele ter informado verbalmente Francisco sobre o dossiê do então cardeal McCarrick e as sanções de Bento sobre seu ministério.

O arcebispo Viganò também diz que o cardeal Donald Wuerl, então sucessor do cardeal McCarrick em Washington, sabia das penalidades impostas ao ex-cardeal McCarrick, e assim acusa o cardeal Wuerl de mentir quando ele diz que não sabia sobre o suposto comportamento de seu antecessor.

A carta também alega que o arcebispo McCarrick foi o criador do reinado de Francisco, responsável pelas nomeações do Cardeal Blase Cupich para a Arquidiocese de Chicago, do Cardeal Joseph Tobin para a Arquidiocese de Newark e do Bispo Robert McElroy para a Diocese de San Diego.

O arcebispo também dedica várias páginas ao que ele alega ser uma “rede homossexual” na igreja, a qual ele culpa pela contínua crise de abuso sexual da Igreja e encobrimento dela.

Aqui está o que ele não alega

Nesse caso, o que o arcebispo Viganò não alega é quase tão importante quanto o que ele alega. Ele não diz que o Papa Francisco sabia sobre as alegações de que o arcebispo McCarrick abusou sexualmente de um menor. Essa alegação foi o que levou o Papa a retirar o ex-cardeal do ministério em junho, depois que um comitê de revisão em que a Arquidiocese de Nova York considerou as alegações críveis e suficientes. O arcebispo McCarrick renunciou ao Colégio dos Cardeais em julho.

Por que algumas pessoas acham credível

O arcebispo Viganò ocupou um cargo importante na igreja, representando a Santa Sé para os Estados Unidos sob dois papas. Ele teria conhecido intimamente o funcionamento interno da igreja dos EUA e teria estado em contato com os líderes da igreja aqui e em Roma regularmente. Ele diz em suas cartas que todas as suas alegações podem ser confirmadas por memorandos e arquivos mantidos na nunciatura, ou na embaixada do Vaticano, em Washington. As alegações na carta são detalhadas, incluindo datas e citações, que alguns sugeriram indicar que o arcebispo tomou notas cuidadosas que usou no que ele chamou de seu "testemunho".

Outros observam que o tratamento do Papa Francisco às alegações de abuso sexual na igreja tem sido fracas, apontando para a falta de progresso feito por sua própria comissão de abuso sexual, as dúvidas que ele expressou em relação às vítimas de abuso sexual clerical no Chile, assim mesmo, aponta-se para a falta de urgência da parte do Papa na implementação de novos procedimentos para responsabilizar os bispos. Eles dizem que as acusações apresentadas na carta do arcebispo Viganò se encaixam nesse padrão.

Por que outros não acreditam?

Alguns católicos expressaram ceticismo sobre as acusações na carta por diferentes razões.

Por um lado, o arcebispo Viganò tem uma história conturbada quando se trata de abuso sexual na igreja. Quando o arcebispo John Nienstedt, o ex-chefe da Arquidiocese de Minneapolis-St. Paul, que era um opositor público do casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi acusado de desonrar alegações de abuso sexual, o arcebispo Viganò, que era o representante do Papa nos Estados Unidos, usou o poder do seu escritório para anular um inquérito sobre as alegações, uma vez que investigadores descobriram acusações de conduta sexual imprópria contra o arcebispo Nienstedt, que acabou por renunciar.

Outros dizem que uma das principais afirmações da carta, de que o papa Bento XVI impôs sanções ao cardeal McCarrick, que foram mantidas em segredo, e que depois foram levantadas pelo Papa Francisco, não se sustenta. De acordo com o arcebispo Viganò, que diz ter tomado conhecimento delas com o cardeal Giovanni Battista Re, as sanções foram impostas em 2009 ou 2010. A reportagem do National Catholic Register disse que o Papa se lembra de ordenar as sanções, mas não da natureza exata delas. Mas o cardeal McCarrick continuou a manter um perfil público durante o pontificado de Bento XVI.

Em 2011, ele celebrou a missa e pregou publicamente, incluindo uma ordenação em junho e novamente em outubro na Catedral de Saint Patrick. Ele também pregou no Congresso dos EUA, apareceu no Meet The Press, e compareceu em eventos para aceitar pelo menos dois reconhecimentos.

No ano seguinte, o então cardeal McCarrick acompanhou outros bispos americanos em uma reunião em janeiro com o Papa Bento XVI no Vaticano. Durante a mesma viagem, ele concelebrou a missa com o Cardinal Wuerl e os outros bispos americanos no túmulo de São Pedro. Em abril, o então cardeal McCarrick estava de volta a Roma, como parte de uma delegação da Fundação papal, para desejar um feliz aniversário ao papa Bento XVI.

O cardeal McCarrick esteve presente na reunião final do papa Bento XVI com os cardeais em 2013, antes de deixar o cargo; eles foram vistos apertando as mãos.

Em maio de 2013, apenas dois meses depois de Francisco ter sido eleito papa, o arcebispo Viganò concelebrou uma missa, juntamente com o cardeal McCarrick e o cardeal Wuerl, antes do jantar anual dos cardeais da Universidade Católica de América, oferecido pelo diretor da instituição, John Garvey.

Outros ainda apontaram a percepção de hostilidade do arcebispo Viganò em relação ao Papa Francisco, observando que o Papa tirou o arcebispo de seu posto em 2016. A decisão foi tomada depois que o Vaticano decidiu que o arcebispo Viganò estava muito enredado nas guerras culturais dos EUA, particularmente em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele organizou o encontro entre o Papa Francisco e Kim Davis, o ex-funcionário do Kentucky que se recusou a assinar uma certidão de casamento para um casal do mesmo sexo, cegando o Papa durante sua visita aos EUA em 2015.

O momento da publicação da carta também levantou questões. Foi disponibilizado antecipadamente aos meios de comunicação nos Estados Unidos e na Itália, conhecidos por sua oposição ao Papa Francisco e aconteceu em meio à visita de dois dias do Papa Francisco à Irlanda para o Encontro Mundial das Famílias e na véspera de sua visita. A viagem de volta a Roma parecia destinada a forçar o Papa a confrontar as alegações durante sua costumeira coletiva de imprensa em voo.

O arcebispo Viganò também não explicou por que ele não expressou suas graves preocupações sobre o comportamento do então cardeal McCarrick, conhecido publicamente antes.

As alegações de que o então cardeal McCarrick agiu como “fazedor de reis” também podem ser exageradas, de acordo com alguns especialistas da igreja. David Gibson, diretor do Centro de Religião e Cultura de Fordham, que anteriormente trabalhava para o Vaticano como jornalista, disse aos Estados Unidos que essa afirmação parecia "altamente exagerada porque serve aos propósitos de Viganò", mas observou que também pode refletir "o senso de McCarrick". Ele também disse que, embora seja verdade que o arcebispo McCarrick compartilhou muitas das opiniões de Francisco e teve alguma influência sobre elas, "havia muitas outras pessoas com mais influência, particularmente no que diz respeito à seleção de bispos".

Como vítimas de abuso e defensores estão reagindo?

Peter Isely, um sobrevivente de abuso, disse ao The New York Times que a carta parece ser sobre a política da igreja. "Esta é uma luta interna entre as facções da cúria que estão explorando a crise dos abusos e as vítimas do abuso sexual do clero como alavancagem na luta pelo poder da igreja", disse ele. “A crise dos abusos sexuais não é sobre se um bispo é liberal ou conservador. É sobre proteger as crianças”.

O grupo de defesa Bishop Accountability não disse que Francisco deveria renunciar, mas esperava que a carta encorajasse o Papa a tomar medidas mais concretas sobre abuso sexual. Também discordou do arcebispo Viganò por implicar que a questão do abuso sexual foi mal administrada por bispos progressistas. "Ambos os bispos liberais e ortodoxos encobriram a crise dos abusos, assim como os sacerdotes liberais e ortodoxos abusaram de crianças, muitas vezes usando suas respectivas ideologias como cobertura e até mesmo como ferramentas de sedução", disse o grupo, segundo o The National Catholic Reporter.

Marie Collins, uma sobrevivente de abuso que anteriormente serviu na comissão de abuso sexual do Vaticano, disse ao National Catholic Reporter que Francisco condenou o arcebispo McCarrick durante uma reunião privada com ela e outras vítimas na Irlanda no fim de semana, mas acrescentou: eu não faço ideia se o que está na carta é verdade ou não.

Como algumas pessoas nomeadas no relatório estão reagindo?

Três dos personagens centrais do relatório - o Papa Francisco, o Papa emérito Bento XVI e o arcebispo McCarrick - ainda estão vivos, mas nenhum deles se importou com as acusações específicas. Durante seu voo da Irlanda para Roma, o Papa Francisco disse que pode comentar as alegações na carta em algum momento no futuro, mas pediu aos jornalistas que "leiam a declaração cuidadosamente e façam o seu próprio julgamento".

Entre outros citados no relatório, um porta-voz do cardeal Donald Wuerl nega as acusações no relatório. Ed McFadden disse ao The Post que: “O cardeal Wuerl não recebeu nenhuma documentação ou informação durante seu tempo em Washington a respeito de quaisquer ações tomadas contra o ex-arcebispo.

Em 27 de agosto, a Arquidiocese de Washington reiterou em um comunicado de imprensa que o cardeal Wuerl não recebeu informações do arcebispo Viganòo sobre as sanções impostas ao então cardeal McCormick.

"O arcebispo Viganò em nenhum momento forneceu ao cardeal Wuerl qualquer informação sobre um suposto documento do Papa Bento XVI com diretivas de qualquer espécie desde Roma sobre o arcebispo McCarrick", diz a declaração.

A arquidiocese também pediu uma investigação sobre a época do arcebispo Viganò como representante do Papa nos Estados Unidos, dizendo que a única maneira pela qual o cardeal Wuerl saberia sobre as razões da remoção de seu antecessor do ministério seria com informações do ex-núncio.

“Talvez o ponto de partida para uma revisão serena e objetiva deste testemunho seja a inclusão do mandato do Arcebispo Viganò como Núncio Apostólico nos Estados Unidos no mandato da Visitação Apostólica já pedida pelo Cardeal Daniel DiNardo, Presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos”, continua a declaração, referindo-se a um pedido ao Vaticano de bispos dos EUA no início deste mês para uma investigação de alegações de má gestão no caso do Arcebispo McCarrick.

O cardeal DiNardo divulgou um comunicado na segunda-feira, dizendo que convocou o comitê executivo da conferência dos bispos no domingo para discutir as últimas alegações.

"A recente carta do arcebispo Carlo Maria Viganò traz particular atenção e urgência a esse exame", disse o cardeal DiNardo, acrescentando que está buscando uma audiência com o Papa Francisco. “As questões levantadas merecem respostas conclusivas e baseadas em evidências. Sem essas respostas, homens inocentes podem ser contaminados por falsas acusações e os culpados podem ser deixados para repetir os pecados do passado”.

Dois outros cardeais dos EUA citados na carta também opinaram, chamando as alegações de falsas.

O cardeal Cupich divulgou um comunicado no domingo chamando a carta de "chocante" e reagindo ao que ele chama de erros factuais. Ele critica o pedido do arcebispo Viganò, que foi nomeado para o corpo vaticano que escolhe os bispos “logo depois de ele ter sido cardeal”, mas observa que foi nomeado para a Congregação dos Bispos em julho de 2016 e que não foi nomeado cardeal até outubro. Ele pediu uma "análise minuciosa" das alegações feitas na carta.

O cardeal Tobin também descartou as alegações na carta, dizendo em um comunicado em 27 de agosto que Viganò "não pode ser considerado como alguém que contribuiu para a cura de sobreviventes de abuso sexual".

A declaração diz que a carta está cheia de "erros factuais, insinuações e ideologias medonhas". Segundo ele, a igreja promete "avançar resolutamente" em seus esforços para proteger as crianças e derrubar as "estruturas e cultura que permitem o abuso".

"Junto ao Papa Francisco, estamos confiantes de que as investigações das reivindicações do ex-núncio ajudarão a estabelecer a verdade", diz o comunicado.

O arcebispo Charles J. Chaput, da Filadélfia, comentou através de seu porta-voz ao The New York Times que o serviço do arcebispo Viganò como núncio havia sido “marcado pela integridade da igreja”, mas disse que não podia comentar a carta “além de sua experiência pessoal”. Embora ele não seja mencionado explicitamente na carta, o arcebispo Viganò alega na carta que o Papa Francisco falou negativamente do arcebispo Chaput como alguém muito partidário de ideologias como para ser um bispo eficaz.

Algumas perguntas permanecem sem resposta

Até agora, o arcebispo recusou-se a falar à imprensa sobre as alegações de sua carta, a não ser para confirmar que ele a escreveu, de modo que uma série de questões permanece. Com muita urgência nos perguntamos, se Francisco sabia de denúncias de má conduta sexual contra o então cardeal McCarrick, mesmo assim insistia para que ele atuasse como diplomata global? Se sim, porque?

Além disso, por que então o Cardeal McCarrick continuou seu ministério público por todo o papado de Bento XVI se o Papa emérito sancionou o arcebispo de Washington D.C.? O que, se houve alguma coisa, Francisco contou especificamente sobre as alegações que o então cardeal McCarrick enfrenta? O cardeal Wuerl está dizendo a verdade quando diz que não estava ciente das alegações contra seu antecessor e que não estava ciente das alegadas sanções impostas por Roma?

Há outras questões sobre a natureza exata das sanções impostas por Bento XVI ao então cardeal McCarrick. O National Catholic Register informou que “confirmou independentemente que as alegações contra McCarrick eram certamente conhecidas por Bento XVI, e o Papa emérito lembra de ter pedido o Cardeal Bertone para impor medidas, mas não pode recordar sua natureza exata”. Devido a que o National Catholic Register não afirma que foi o próprio Bento XVI, que confirmou a emissão das sanções, que sabia dessas sanções e lembrava de sua natureza, e se os detalhes delas estavam documentados e disponíveis a Francisco, algumas questões permanecem em aberto.

A equipe da América contribuiu para este relatório.

Correção (26 de agosto de 2018): A incapacidade do Papa Bento XVI de lembrar a natureza específica das sanções foi erroneamente descrita como incluída na carta do Arcebispo Viganò; isso foi revelado no relatório inicial da carta. O encontro final do papa Bento XVI com os cardeais antes de deixar o cargo foi erroneamente descrito como sua audiência geral final. Lamentamos os erros.

Este artigo foi atualizado em 27 de agosto de 2018, para incluir as declarações dos cardeais dos EUA e da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.


America Magazine - Tradução: Ramón Lara

Michael J. O’Loughlin é correspondente nacional de America Magazine.

Caso Lula gera divisão interna no TSE

domtotal.com
A presidente Rosa Weber defende o respeito a ritos e prazos no processo de tramitação do registro de 
Há
Há "certa rota de colisão" entre Barroso e Rosa e Fachin, mas a maioria do tribunal deve apoiar o relator do caso de Lula, se ele não recuar. (Carlos Moura/Ascom/TSE)

O registro feito pelo PT da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Lava Jato, e a incerteza de sua presença no horário eleitoral no rádio e na TV provocaram uma divisão interna no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), opondo a presidente da Corte, Rosa Weber, e o relator do caso, Luís Roberto Barroso.

Segundo o Estado apurou, a ministra defende o respeito a ritos e prazos no processo de tramitação do registro de Lula, enquanto Barroso busca uma resposta rápida para a situação do ex-presidente, enquadrado na Lei da Ficha Limpa após ser condenado em segunda instância a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Em meio à divergência, o ministro Edson Fachin tenta costurar um consenso, servindo como uma espécie de conselheiro da presidente do TSE na busca por uma saída institucional. Rosa, Fachin e Barroso trataram do caso anteontem, antes da sessão do Supremo Tribunal Federal.

A expectativa no TSE é de que o caso Lula seja levado ao plenário hoje, durante a sessão extraordinária a partir das 14h30. O Estado apurou que Barroso deve aguardar a manifestação da defesa de Lula para decidir se leva ao plenário o pedido de medida liminar para barrar a presença do petista no horário eleitoral ou se já discute o mérito do registro da candidatura. O horário eleitoral no rádio e TV para candidatos à Presidência começa amanhã, mas, a partir de hoje, já serão divulgadas inserções dos candidatos.

"Eu faço as pautas a partir dos processos encaminhados pelos relatores. Os processos de registro de candidatura prescindem da publicação da pauta", disse Rosa, ao chegar ao STF ontem. Além do caso Lula, o TSE julgará os pedidos de registro dos candidatos ao Planalto Geraldo Alckmin (PSDB) e José Maria Eymael (Democracia Cristã). 

'Instabilidade'

Ontem, terminou o prazo de defesa de Lula. Os advogados eleitorais do petista encaminharam ao TSE uma manifestação de cerca de 200 páginas em que culpam, "em alguma medida", o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) "pela instabilidade político-jurídica" do julgamento do registro do petista e pedem respeito a compromissos internacionais de defesa dos direitos humanos. Os advogados também ressaltam que, de 145 candidatos eleitos em 2016 mesmo com o registro negado na Justiça Eleitoral, 98 conseguiram reverter o indeferimento, "cerca de 70% obtiveram sucesso em decisões judiciais após o pleito".

Para a advogada Maria Claudia Bucchianeri, que integra a defesa de Lula, a legislação garante ao petista a participação no horário eleitoral enquanto sua candidatura estiver sendo questionada judicialmente. Já a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse esperar que o TSE decida hoje sobre a participação dele na propaganda. Indagada se seria ideal uma definição o quanto antes, Raquel respondeu: "Com certeza". 

O registro de Lula é alvo de 16 contestações no TSE. Ontem, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, pediu para suspender o acesso da chapa do petista a qualquer valor público disponível aos partidos da coligação, seja do fundo eleitoral ou do Fundo Partidário.

Composição

O TSE é composto por sete ministros titulares, dos quais três são oriundos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados. Nos últimos meses, o tribunal passou por três alterações em sua composição, o que deverá resultar em julgamentos mais rigorosos com políticos, na avaliação de ex-ministros e advogados.

Para um ministro ouvido reservadamente, há "certa rota de colisão" entre Barroso e Rosa e Fachin, mas a maioria do tribunal deve apoiar o relator do caso de Lula, se ele não recuar.


Agência Estado

O convite do Papa Francisco a rezar pela nossa casa comum



O 1º de setembro foi proclamado como um dia de oração pela criação na Igreja Ortodoxa Oriental, pelo Patriarca Ecumênico Dimitrios I, no ano de 1989. A data passou a ser adotada por outras denominações cristãs europeias em 2001 e pelo Papa Francisco em 2015.
Cidade do Vaticano

"Convido todos a se unirem em oração no sábado, pela nossa casa comum, pelo cuidado da nossa casa comum."

No final da Audiência Geral, o Papa Francisco recordou que em 1° de setembro celebra-se o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, realizado em união com os ortodoxos e a adesão de outras comunidades cristãs.

Uma mensagem do Pontífice será publicada para esta ocasião, em que vai tratar do tema da água como bem primário a ser tutelado e colocado à disposição de todos.

Tempo da Criação
Enquanto isso, inúmeras iniciativas estão sendo organizadas em todo o mundo para celebrar este Dia, inclusive no Brasil. Na verdade, trata-se da primeira de uma série de eventos intitulada “O Tempo da Criação”.

Este “Tempo” é celebrado de 1º de setembro até 4 de outubro, Festa de São Francisco de Assis, santo padroeiro da ecologia em muitas tradições. O tema deste ano é: “Caminhando juntos”.

Patriarca Ecumênico
O dia 1º de setembro foi proclamado como um dia de oração pela criação na Igreja Ortodoxa Oriental, pelo Patriarca Ecumênico Dimitrios I, no ano de 1989. A data passou a ser adotada por outras denominações cristãs europeias em 2001 e pelo Papa Francisco em 2015.

Nas Filipinas, por exemplo, o arcebispo de Manila, card. Luis Antonio Tagle, celebrará uma missa pela criação; na Suíça, haverá uma celebração anglicana num riacho poluído; nos Estados Unidos, religiosas rezarão nas proximidades de região radioativa.

Assis
Para reforçar ainda mais o chamado à unidade entre os cristãos diante da atual crise ecológica, em Assis será divulgada no sábado uma Declaração ecumênica conjunta, com uma atenção especial aos mais vulneráveis. A Declaração será divulgada no âmbito de um evento inédito que unirá cristãos de todo o mundo em prol do meio ambiente.

Abusos: Conferências episcopais do mundo manifestam apoio ao Papa

Presidente dos bispos estadunidenses, cardinale Daniel DiNardo
Presidente dos bispos estadunidenses, cardinale Daniel DiNardo  (©CATHOLICPRESSPHOTO)
Várias Conferências episcopais do mundo escrevem ao Papa assegurando seu apoio, em comunhão com o compromisso do magistério de Francisco no combate aos abusos.
Cidade do Vaticano

Comunhão, colegialidade, apoio, fidelidade, proximidade, colaboração: são os termos mais presentes nas cartas abertas que as Conferências episcopais do mundo enviaram e estão enviando nestas horas ao Papa Francisco.

"Incansável trabalho pastoral" do Papa Francisco
As missivas têm lugar após a publicação do documento do arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos EUA, que acusa o Santo Padre e alguns purpurados de ter acobertado o caso do cardeal Theodore McCarrick. Acusado de abusos contra menores, em 27 de julho o Papa aceitou a renúncia do purpurado ao título de cardeal e dispôs a suspensão do mesmo de qualquer ministério público.

Apreço pela atuação do Papa
Os episcopados expressam sua proximidade ao Papa: os bispos do Peru, por exemplo, ressaltam seu “fraterno e episcopal apoio à lúcida, corajosa e firme modalidade” que o Papa tem “de conduzir a barca de Pedro”. Trata-se de um apoio necessário “diante da tentativa de desestabilizar a Igreja e seu ministério”.

Na mesma linha, também o Conselho episcopal latino-americano – Celam – que, numa carta de 26 de agosto, agradece ao Papa Francisco por seu “serviço repleto de abnegação pela Igreja” e oferece ao Pontífice “fidelidade, proximidade e colaboração a fim de que a verdade resplandeça acima de todo e qualquer pecado”.

Incansável trabalho pastoral
Também os bispos do Paraguai agradecem ao Santo Padre por sua guia e por dar continuidade “ao trabalho dos predecessores com muita humildade e firmeza” no combate aos abusos.

A conferência Episcopal Espanhola, presidida pelo cardeal Ricardo Blázquez Pérez, faz a mesma coisa ao manifestar proximidade a Francisco: “Santo Padre, o senhor não está sozinho”, escreve o purpurado, que dá graças a Deus pelo “incansável trabalho pastoral” levado adiante pelo Pontífice e por sua “dedicação ao ministério” petrino.

Reação dos bispos estadunidenses
“São dias difíceis e expressamos ao Papa nosso afeto fraterno – afirma o presidente do episcopado dos EUA, cardeal Daniel DiNardo –, ao tempo em que esta ferida aberta dos abusos nos desafia a ser firmes e decididos na busca da verdade e da justiça.”

O purpurado pede uma audiência ao Papa para obter seu apoio ao plano de ação dos bispos estadunidenses inspirado na recente carta de Francisco do Povo de Deus, em que se incluem “propostas mais detalhadas” para simplificar a delação de abusos e comportamentos incorretos por parte de bispos e para melhorar os procedimentos para resolver as recriminações contra os bispos.

Outros prelados estadunidenses, como o arcebispo de Philadelphia, Charles Chaput, e o bispo de Phoenix, Thomas Olmsted, disseram não ter conhecimento direto dos fatos, mas falam do ex-núncio em Washington de modo positivo.

Por sua vez, o bispo de San Diego, Robert McElroy, disse que o testemunho de Dom Viganò é uma distorção e que os ataques deste são inspirados por seu ódio ao Papa Francisco e a tudo aquilo que ensina. “Juntos com o Papa Francisco estamos confiantes de que a verificação das afirmações” de Dom Viganò “ajudará a estabelecer a verdade”, destaca por fim.

As acusações do monsenhor Viganò contra o Papa Francisco são verdadeiras?

POPE FRANCIS
Antoine Mekary | ALETEIA | I.MEDIA

Novas revelações nos permitem entender melhor a crise que a Igreja está passando

A carta do arcebispo Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico nos Estados Unidos, divulgada entre 25 e 26 de agosto, pedindo a renúncia do Papa Francisco, foi uma bomba para os católicos do mundo.
Centenas de artigos, publicados nos dias seguintes, serviram para gerar confusão, mas também para adicionar novos dados, inclusive revelações autênticas, que ajudam a entender melhor o valor da carta.
Oferecemos abaixo algumas conclusões que, no momento, podem-se extrair da informação publicada e verificada.
A suposta aprovação de Bento XVI, “fake news”
Jornalistas e outras pessoas próximas ao arcebispo Viganò declararam publicamente que a carta teria tido a aprovação, antes de sua publicação, do Papa emérito Bento XVI (Cf. New York Times, 27 de agosto de 2018 ).
Isso foi desmentido pelo secretário pessoal do Papa Bento XVI, o arcebispo Georg Gänswein: “A afirmação segundo a qual o Papa emérito teria confirmado essas declarações não tem fundamento. Fake News (Notícia falsa)”.
Em declarações ao jornal alemão Die Tagespost, o prelado alemão esclarece: “O Papa Bento não se pronunciou sobre o ‘memorando’ do arcebispo Viganò e não o fará”.
Perguntas que ainda precisam ser respondidas
O arcebispo Viganò pede a renúncia do Papa Francisco porque este não teria respeitado as supostas “sanções canônicas” que o Papa Bento XVI havia emitido em particular contra o ex-cardeal Theodore McCarrick, de 88 anos, que atualmente é acusado de abusos sexuais ocorridos no passado.
Em sua carta, Viganò afirma que essas sanções, pelas quais o Papa Bento pedia a McCarrick para retirar-se em uma vida de oração e penitência, foram comunicadas oralmente a ele mesmo, em novembro de 2011, pelo cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, no contexto de sua nova missão como núncio apostólico em Washington.
Surge, então, uma questão central: como é possível interpretar a participação do arcebispo Viganò em uma homenagem pública ao ex-cardeal McCarrick, em 2 de maio de 2012, no Pierre Hotel, em Manhattan?
Segundo o Catholic New York, jornal dessa arquidiocese, monsenhor Viganó participou da entrega ao então cardeal McCarrick da medalha com as chaves de São Pedro, que é o símbolo do Papa.
O evento foi organizado pelas Pontifícias Obras Missionárias que, como o nome sugere, dependem do Sumo Pontífice.
Neste Tweet, por exemplo, você pode ver uma foto da cerimônia:
Até agora, ninguém confirmou que o Papa Bento XVI tinha emitido tais sanções em particular contra McCarrick.
O mais interessado na aplicação destas disposições, o seu sucessor na arquidiocese da capital dos Estados Unidos, o cardeal Donald Wuerl, declarou publicamente que desconhece a existência de tais sanções, fato confirmado pela arquidiocese.
O próprio Papa Bento XVI teria desrespeitado suas disposições, caso as tivesse emitido, pois, como foi amplamente documentado por vários meios de comunicação, ele participou de celebrações públicas com McCarrick, após a sua suposta decisão.
Como exemplo, neste vídeo é possível ver a saudação fraterna, no Vaticano, em 28 de fevereiro de 2013, portanto, dois anos depois das supostas medidas que ele mesmo teria ordenado contra McCarrick.
A carta do arcebispo Viganò pede a renúncia do Papa Francisco por não ter respeitado as supostas sanções contra o cardeal McCarrick, sanções que o próprio Viganò teria desafiado, pois este participou de uma homenagem pública a McCarrick. Nesse contexto, até o próprio Papa Bento XVI teria desrespeitado suas supostas sanções.
A carta coloca uma segunda questão que o arcebispo Viganò terá de responder. Como ele pode justificar a violação de segredo pontifício, ao qual um núncio apostólico está obrigado?
Quando o arcebispo Viganò se comprometeu a representar o Papa Bento XVI nos Estados Unidos, a responsabilidade de manter o segredo pontifício foi assumida, em particular na questão da nomeação de bispos, como estabelece “Secreta continere”, a instrução sobre o segredo pontifício emitida com a aprovação de Paulo VI em 1974.
O documento em latim específica que o segredo pontifício, nestes cargos, deve ser mantido “já que se trata de esfera pública, que afeta o bem de toda a comunidade religiosa”.
Portanto, não se trata de algo que possa ser violado “segundo os ditames da própria consciência”, como Viganò parece querer justificar.
A quebra de segredo pontifício se trata do ato de infidelidade mais grave que um núncio apostólico pode cometer em seu serviço ao Papa.
No passado, monsenhor Viganó havia violado o segredo papal em seus vazamentos no caso de Vatileaks.
É importante esclarecer que, neste caso, o segredo pontifício não tem nada a ver com qualquer silêncio usado para ocultar crimes cometidos por clérigos.
Ao colocar este questionamento, não estamos julgando a pureza de intenção do monsenhor Viganò.
Mais clericalismo…
A publicação da carta levou alguns bispos dos EUA a adotarem duas posições: a de quem dá crédito ao arcebispo Viganò e a de quem ataca suas acusações.
Em geral, essas posições representam as duas tendências mais representativas no episcopado deste país.
Desta forma, um novo debate foi aberto entre os sucessores dos apóstolos, em que há muita “política” eclesial entre dois lados opostos.
A carta despertou uma nova polêmica entre clérigos (clericalismo) que não ajuda na reflexão objetiva e sincera sobre a busca das causas que levaram a uma crise tão séria.
E as vítimas?
Da mesma forma, toda essa controvérsia colocou em segundo plano a obrigação da Igreja de reparar o terrível dano cometido por alguns clérigos contra as vítimas de abuso.
As vítimas deveriam ser a prioridade em toda esta reflexão, tal e como declarou o Cardeal Di Nardo quando prometeu ir ver o Papa e tomar medidas para enfrentar esta questão ainda mais vigorosamente.
O importante gesto de reparação, que o Papa Francisco presidiu na missa no final de sua visita à Irlanda, foi totalmente ofuscado pela publicação da carta.
Dois jornalistas italianos que colaboraram na divulgação da carta explicaram que a escolha dessa data foi explicitamente acordada com Viganò.
E em todas as polêmicas desses dias, as vítimas deixaram de estar no centro: as controvérsias parecem servir aos interesses da política eclesiástica.
Necessidade de uma investigação confiável sobre o caso McCarrick
Mas, em toda esta polêmica, há uma exigência que une todas as partes envolvidas: a necessidade de fazer uma investigação confiável que permita responder a uma grande pergunta: como é possível que o cardeal McCarrick, que recentemente ficamos sabendo que era conhecido por seu histórico de abusos, poderia ter sido nomeado arcebispo de Washington e até mesmo cardeal por João Paulo II?
Não serão testemunhos como o de Viganò que darão uma resposta confiável à Igreja e ao mundo.
Como explicou o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, cardeal Daniel N. DiNardo, depois de ter consultado a Santa Sé, somente uma investigação independente, da qual fará parte uma comissão de leigos, poderá ser capaz de esclarecer a verdade e de devolver a credibilidade que está faltando hoje.
Somente “a verdade vos libertará” (João 8,31-38). Este é o único caminho, proposto por Jesus, para superar as divisões clericais e a crise que a Igreja enfrenta.
E todos os crentes, desde o Papa até os cardeais, passando pelos bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, até chegar ao último leigo, em meio a esse sentimento de naufrágio do seu barco, que é a Igreja, devemos clamar em oração, como fizeram os apóstolos de Jesus: “Senhor, salva-nos! Estamos afundado!” (Mateus, 8,24-26).
Aqueles que lêem o Evangelho já conhecem a resposta dada pelo Mestre.