sábado, 31 de março de 2018

URGENTE! Dono Da Rodrimar Se Contradiz E Complica Vida De Temer; SAIBA!

Por Redação Click Política  Em 31 mar, 2018

O depoimento do empresário do grupo Rodrimar Antônio Celso Grecco contradisse a versão do presidente Michel Temer (MDB) sobre os encontros que os dois mantiveram nos últimos anos. Grecco foi preso durante a deflagração da Operação Skala, na última quinta-feira (29), e disse que conversou com Temer sobre demandas de sua empresa no setor portuário. O problema é que, à Polícia Federal, Temer disse que nunca conversou sobre o tema com o empresário.

A Operação Skala investiga as suspeitas de que Temer tenha recebido vantagens indevidas em troca de favorecer empresas do setor portuário.

A Rodrimar é uma das operadoras do Porto de Santos. Na última quinta-feira, 13 pessoas foram presas pela Polícia Federal depois de a PGR (Procuradoria-Geral da República) pedir autorização ao STF (Supremo Tribunal Federal). Além de empresários do setor portuário, foram presos dois amigos do presidente Temer: o advogado e ex-assessor de Michel Temer, José Yunes, e o coronel da PM aposentado João Batista Lima.

Alberto Yunes com Temer, em 2013: amizade de mais de 50 anos

Na decisão do ministro do STF Luís Roberto Barroso, relator do inquérito que apura o caso, Grecco é suspeito de ser o “principal articulador” entre os interesses de empresas do setor portuário e o grupo político do presidente Michel Temer.

Em depoimento prestado à PF nesta semana, Grecco disse que se encontrou com Temer quando ele ainda era vice-presidente e que conversou sobre um projeto de adensamento (integração) de três áreas concedidas à Rodrimar no Porto de Santos para a construção de um terminal de celulose da Eldorado, empresa que pertencia ao grupo J&F, então comandado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Segundo Grecco, o governo federal estava barrando a transferência da área para a Eldorado Celulose.

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Grecco disse aos policiais que após essa conversa, Temer disse que avaliaria o pedido. “A resposta do presidente foi simplesmente: vou ver o que vou fazer”, afirmou o empresário.

O depoimento de Grecco à PF nesta semana contradiz a versão dada por Temer à PF em janeiro deste ano, quando ele respondeu, por escrito, a uma série de 50 questionamentos feitos pela investigação relativa ao caso.

A PF perguntou a Temer qual era o nível do relacionamento entre o presidente e Grecco e se os dois já haviam se encontrado para tratar de assuntos relativos ao setor portuário. Numa das respostas, Temer negou ter falado sobre esse tema com o empresário.

Empresário cai em contradição
A contradição às respostas de Temer não é a única decorrente do novo depoimento de Grecco à PF.

Ao afirmar que conversou com o presidente sobre demandas do grupo Rodrimar, Grecco contradisse a si próprio. Em dezembro do ano passado, o empresário admitiu ter se encontrado com Temer, mas negou que tivesse conversado com o então vice-presidente sobre demandas do setor portuário.

“Nessa ocasião, foi apresentado por (Rodrigo) Rocha Loures para o senhor Michel Temer e, entretanto, não conversaram sobre as questões do setor, tendo tratado apenas de amenidades naquela oportunidade”, diz um trecho do depoimento de Grecco à época.

Rodrigo da Rocha Loures é o ex-assessor de Temer que foi preso em 2017 durante a Operação Patmos, deflagrada após o acordo de delação premiada de executivos do grupo J&F. Rocha Loures foi flagrado carregando uma mala com aproximadamente R$ 500 mil entregue por emissários das empresas dos irmãos Batista.

CLICK POLÍTICA com informações de UOL


Redação Click Política

IMPUNIDADE DE PISTOLEIROS PREPARA NOVOS ATAQUES CONTRA LULA

Por Redação Click Política  Em 31 mar, 2018
 
POR PAULO MOREIRA LEITE

Mesmo num país no qual crimes políticos raramente são investigados, muito menos esclarecidos, a apuração sobre os três tiros contra dois ônibus da caravana de Lula já atinge um nível grotesco, justificando a certeza de que tudo será feito para que não se chegue a lugar nenhum — exatamente como ocorria nos piores momentos da ditadura militar.

Só para rememorar com três exemplos. Em 1971, quando o empresário Rubens Paiva foi torturado e morto, divulgou-se que havia escapado dos meganhas que o sequestraram e nunca mais fora visto. O assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, foi apresentado como suicídio, inclusive com foto forjada. Em 1981, o atentado a bomba do Rio Centro, que poderia ter custado a vida de milhares de pessoas reunidas num show de 1 de Maio, no Rio de Janeiro, foi atribuído a uma organização armada, VPR.


Em março de 2018, num lamentável sinal de que tempos sombrios ameaçam voltar, a linha adotada para se investigar os tiros que atingiram a caravana é uma opção que contraria opinião de autoridades do próprio Paraná e os principais dados disponíveis até aqui. Como caminho para chegar aos responsáveis, a hipótese de que tudo não passou de um “disparo de arma de fogo com dano provocado”, é uma opção sob medida para não se levar a lugar algum. Permite uma encenação investigatória que poderá resultar, no máximo, numa ação indenizatória — quem sabe para pagar o serviço de funilaria na lataria dos ônibus.

Sabemos que essa opção ignora o ambiente de tumulto, ameaças e atos de violência que marcaram a caravana desde o início. Também contraria opiniões tecnicamente respeitadas, como a delegado Wilkinson Fabiano de Arruda, o primeiro a cuidar do caso, e do próprio procurador de Justiça do Paraná Olympio Sotto Mayor Neto. Não se pode esquecer o que eles já disseram.

Para o delegado, “se há disparo de arma de fogo em direção a diversas pessoas num ônibus, isso será considerado, num primeiro momento, tentativa de homicídio, aqui e em qualquer parte do mundo”.

No mesmo raciocínio lógico, o procurador disse ao Valor Econômico: “Eu diria que quem atirou naquele ônibus assumiu o risco de matar alguém.”Olympio Sotto Maior Neto também apontou indícios anteriores deixados nas redes sociais. Apontou conversas em que se faz referência a ovos e “miguelitos” até que, “em determinados momentos, começou-se a falar em utilização de armas de fogo”.

Durante o regime militar, o esforço para acobertar crimes contra militantes de oposição era uma forma de proteger o aparato de repressão e seus integrantes. A divulgação de versões fantasiosas era sustentada sob um regime de força e intimidação, no qual a censura prévia garantia a última palavra a temas delicados. Assim, ninguém foi investigado, julgado ou punido.

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JORNALISTA ALERTA: PERIGO! Globo e fascistas armam a saída de Temer do…
31 mar, 2018
Na campanha de 2018, a proteção aos pistoleiros serve de escudo a violência.

É sintomático que a reação de Bolsonaro diante dos tiros contra caravana tenha sido colocar a responsabilidade no próprio PT: “para mim, é algo feito por eles, para buscar a vitimização, como se o outro fosse violento e eles os pacíficos”, disse.

Obviamente ninguém tem o direito de estranhar esse comportamento. Enquanto as hordas fascistas que atacaram as caravanas se apresentam como cabos eleitorais de Bolsonaro, ele próprio se coloca como o candidato que pretende submeter o país a um estado policialesco.

O lamentável é que meios de comunicação tradicionais, que se pretendem sérios, reproduzam essas palavras, sem comentários nem questionamentos. Sempre que se referem aos ataques, repetem a alegação de Bolsonaro, candidato que fez do gesto de disparar uma metralhadora a marca número 1 de sua campanha.

Com isso, os jornais contribuem para embaralhar a investigação e deixar no ar a impressão de que é possível atribuir uma gota de semelhança a uma declaração que obviamente não possui valor algum. Equivale, 43 anos depois, a dar credibilidade à tese de que Herzog havia cometido suicídio — ato de covardia que nem a imprensa da época, sob censura e a imensa pressão de um país sob ditadura, não cometeu.

Acobertar os pistoleiros que atacaram a caravana é fazer o mesmo jogo do passado, agora num sinal invertido.

Os inquéritos truncados da ditadura militar ajudavam a conservar um regime moribundo. A linha de investigação de 2018 abre caminho para um estado policialesco, do qual Bolsonaro pretende, assumidamente, ser a voz na eleição presidencial.

A proteção aos pistoleiros do Sul, a falta de interesse para apurar quem são, de onde vieram, num ambiente geral de tolerância e impunidade, é a melhor forma de deixar o terreno livre para novos ataques fascistas durante a campanha.

Alguma dúvida?


Redação Click Política

JORNALISTA ALERTA: PERIGO! Globo E Fascistas Armam A Saída De Temer Do Governo E O Adiamento Das Eleições 2018.

Por Redação Click Política  Em 31 mar, 2018


O jornalista Gil Silva diretor do site Click Política chamou a atenção da esquerda brasileira e do povo para um fato que desperta medo nos bastidores políticos.


Na opinião do jornalista, existem fortes rumores dando conta de que os fascistas pretendem adiar as eleições, com o objetivo de não permitir a participação de Lula no processo, pois sabem que o mesmo é imbatível para 2018.

Gil Silva, lembrou que tudo começou com entrevista do ministro Edson Fachin na Globo News, que se fez de vítima em uma entrevista exclusive e dramática, temendo ameaças a ele e sua família, querendo passar para a sociedade em’ tese’ de que o momento era de grande dificuldade, onde as instituições brasileiras não estariam tendo condições de exercer o seu papel com liberdade e isenção.

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O jornalista disse, que a Globo News por sua vez, procurou indiretamente ligar esse fato ao pedido de habeas corpus de Lula, deixando claro que o ministro Edson Fachin, se mostrou contrário ao não cumprimento da pena, depois da condenação em segunda instância.

Gil alertou ainda, esses atentados aos ônibus da caravana do ex-presidente Lula, onde a Globo decidiu fazer a cobertura de maneira exagerada, certamente botando mais lenha na fogueira, rumo ao seu intento de impedir o processo eleitoral de 2018, sempre alegando que o país sofre um momento de crise e violência nunca registrado na história.

Agora a denúncia contra o presidente Michel Temer, que vem ganhando espaços excessivamente gigantes na grade jornalística da Globo o que é espantoso, registra na sua conversa o jornalista Gil Silva.

Gil chamou a atenção: “Todos aqueles que admiram a democracia têm o dever de se preocupar com esses indícios de golpe nas eleições presidenciais desse ano, caso o contrário iremos amargar por dois anos a figura de um impostor que não o Temer e sim uma figura nomeada pela a Globo e o fascismo que juntos querem ditar as regras do jogo nesse país.”
Da Redação do Click Política
Por: João Arthur.

Redação Click Política

Estação espacial desacelera queda e só entra na atmosfera no domingo

A Agência Espacial Europeia (ESA) disse hoje que a estação espacial chinesa Tiangong-1 está a progredir mais lentamente do que o previsto e só deverá entrar na atmosfera terrestre entre domingo à tarde e segunda-feira de manhã.

Estação espacial desacelera queda e só entra na atmosfera no domingo
© Space.com

Notícias ao Minuto
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TECH ESA
   
De acordo com um comunicado citado pela agência de notícias francesa AFP, a nova janela de tempo para a queda da estação espacial chinesa situa-se agora entre as 13:00 de domingo (horário de Lisboa) e as 12:00 de segunda-feira.


A agência explica a desaceleração da queda da Tiangong-1 pela manutenção de um fluxo de partículas que devia ter aumentado de densidade na atmosfera superior e precipitado a queda, mas tal não aconteceu.

A janela de reentrada na atmosfera da Terra, no entanto, permanece "altamente variável", disse a ESA, salientando que também há uma grande incerteza sobre onde os detritos vão cair.

Na sexta-feira, a China já tinha minimizado as preocupações sobre o impacto da entrada na atmosfera, e prometeu mesmo que será um espetáculo magnífico, semelhante a uma chuva de meteoros.

"As pessoas não têm motivos para se preocupar", assegurou a entidade chinesa responsável pela conceção dos voos espaciais tripulados (CMSEO, na sigla em inglês), numa mensagem publicada nas redes sociais.

Este género de estação espacial "não cai violentamente sobre a Terra como nos filmes de ficção científica, mas desintegra-se como uma magnífica chuva de meteoros num belo céu estrelado, à medida que os respetivos destroços avançam em direção à Terra", explicou a entidade chinesa.

A Tiangong-1 foi colocada em órbita em setembro de 2011.

A estação espacial chinesa deverá efetuar uma entrada controlada na atmosfera terrestre, mas o facto de ter deixado funcionar em março de 2016 está a levantar preocupações sobre a sua queda na Terra.

O risco de um ser humano ser atingido por um fragmento espacial com mais de 200 gramas é de um em 700 milhões, segundo indicou a CMSEO.

Paixão do Senhor: com Jesus, ir contra a corrente

Papa presidiu à celebração da Paixão de Cristo
Na pregação da Sexta-feira Santa, Frei Cantalamessa exorta os jovens à ousadia. "A direção oposta não é um lugar, mas uma pessoa: Jesus."
Cidade do Vaticano

O Papa Francisco presidiu na tarde da Sexta-feira Santa, na Basílica Vaticana, a celebração da Paixão de Cristo, com a adoração da Cruz e a pregação do Frei Raniero Cantalamessa sobre o tema: “Quem vê, dá testemunho. 

"Ao verem que Jesus já estava morto, os soldados não lhe quebraram as pernas, mas um deles abriu-lhe o peito com uma lança do qual saiu, imediatamente, sangue e água. Quem viu este fato deu testemunho, - que é digno de fé, pois ele sabe que diz a verdade - a fim de que vós creiais".

Partindo desta citação do evangelista João, Frei Cantalamessa afirmou que “ninguém jamais será capaz de nos convencer de que este testemunho solene não corresponde à verdade histórica”. O autor, São João, - o discípulo a quem Jesus amava, - estava no Calvário, aos pés da cruz, junto com a Mãe Maria. Eles foram testemunhas oculares do fato!

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Ele "viu" e “descreveu, não apenas o que acontecia sob o olhar de todos, mas, sob a luz do Espírito Santo e dos eventos pascais, dando sentido ao que havia visto. Naquele momento, estava sendo imolado o verdadeiro Cordeiro de Deus e cumprido o sentido da Páscoa antiga: Cristo na cruz era o novo Templo de Deus, de cujo peito jorra a água da vida. Ele é o início da nova criação! Assim, João entendeu o profundo significado das últimas palavras de Jesus: "Tudo está consumado".

Crucifixos
Sobre os inúmeros significados, que brotam da cruz de Cristo, o pregador perguntou: Por que a grande presença do Crucifixo em nossas igrejas, nos altares e em todos os lugares frequentados pelos cristãos? E respondeu com uma chave de leitura deste mistério cristão: “Deus revela seu poder na fraqueza, sua sabedoria na loucura, sua riqueza na pobreza”.

Esta chave de leitura não se aplica à Cruz, na qual Deus se revela em sua realidade mais íntima e verdadeira, pois Deus é “ágape”, amor oblativo; somente na cruz se entende a magnanimidade da autodoação de Deus.

Juventude
Neste sentido, o Frei Capuchinho recordou o próximo Sínodo dos Bispos sobre os Jovens. A Igreja quer colocá-los ao centro da sua preocupação pastoral. A presença no Calvário do discípulo que Jesus amava representa uma mensagem especial. João seguiu Jesus quando era muito jovem. Este encontro pessoal e existencial foi sua verdadeira paixão! O mistério pascal da morte e ressurreição de Jesus, a sua Pessoa, representam o núcleo do pensamento do evangelista.

João era, quase certamente, um dos dois discípulos de Batista que, apareceu no início da vida pública de Jesus; o outro era André, irmão de Pedro, e lhe perguntaram: "Mestre, onde moras?". E Jesus respondeu: "Venham e vejam! Então, desde aquela tarde, foram e ficaram com ele”.

O que Cristo espera dos jovens
Neste Sínodo sobre a Juventude, disse Frei Cantalamessa, deveremos descobrir “o que Cristo espera dos jovens” e “o que eles podem dar à Igreja e à sociedade”. Mas, o mais importante, é levar os jovens a saber o que Jesus tem para lhes dar. João descobriu, ao ficar com Ele: Jesus é “vida em abundância”! Jesus é “alegria plena”!

Logo, encontrar-se pessoalmente com Cristo é possível também hoje, porque ele ressuscitou; ele é uma pessoa viva, não um personagem.

O evangelista João também deixou sua mensagem aos jovens, em sua primeira Carta: "Jovens, eu lhes escrevi, porque vocês são fortes e a Palavra de Deus permanece em vocês... não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele".

Devemos estar no mundo, - disse o Pregador da Casa Pontifícia -principalmente entre os pobres, os últimos, no mundo do sofrimento, da marginalização o do egoísmo, sem, porém, a ele pertencer.

Ir contra a corrente
Na conclusão da sua pregação, nesta Sexta-feira da Paixão, o capuchinho deixou um convite aos jovens cristãos: “Sejam como aqueles que vão à direção oposta! Atrevam-se a ir contra a corrente! A direção oposta não é um lugar, mas uma pessoa: é Jesus, nosso amigo e redentor!”. Mas, foi-lhes confiada também uma tarefa especial: “Salvar o amor humano”.

Na cruz, Deus se revelou como Ágape, o Amor que se doa. Por isso, não devemos renunciar às alegrias do amor, mas ter a capacidade de se doar ao próximo: "Há mais alegria em dar do que em receber", diz São Paulo.

Porém, é preciso preparar-se para a doação total de si, seja através do matrimônio seja da vida consagrada, começando com a doação do próprio tempo, do sorriso, da própria juventude em família, na paróquia, no voluntariado.

Jesus na cruz não nos deu apenas o exemplo de extrema doação por amor: a água e o sangue, jorrados do seu peito, chegam até nós pelos sacramentos da Igreja e pela Palavra. Contemplemos, com fé, o Crucifixo.

(Tradução Thácio Siqueira, Associação Marie de Nazareth)

A Paixão de Cristo prolongada na Paixão dos oprimidos e oprimidas

domtotal.com
Quando cristãos compactuam com o não cumprimento dos Direitos Humanos, engrossam o coro daqueles que gritaram: 'Crucifica-o! Crucifica-o!'
A morte de Jesus precisa nos fazer compreender que ninguém merece morrer!
A morte de Jesus precisa nos fazer compreender que ninguém merece morrer! (Santuário NS Piedade)
Por Felipe Magalhães Francisco*

Hoje é um dia marcante na espiritualidade cristã. Sobretudo para os católicos e católicas, que vivem bem intensamente a Semana Santa. Para os mineiros e mineiras, então, de piedade bastante barroca e contrita, a Sexta-Feira da Paixão é um dia mais que santo. De fato, na prática piedosa da sexta-feira santa, de forma inigual, os católicos e católicas vivem a dimensão memorial da fé: experimentam, com real sensibilidade, a paixão e morte de Jesus. Tanto a Ação Litúrgica Solene, quanto as Vias-Sacras e procissões com o Senhor Morto sinalizam quão forte é esse dia para a religiosidade cristã.

É preciso, porém, nunca deixar de perguntar se a Cruz de Jesus continua a fazer sentido, sobretudo quando o imperativo existencial é o de que precisamos ser sempre vitoriosos. Como um sinal de fracasso, que é a Cruz, pode se tornar sinal de salvação? Católicos e católicas têm o crucifixo em suas casas, penduram-no em seus pescoços: como a memória da entrega total de Jesus pode continuar a nos inspirar, hoje? Essas são questões às quais os cristãos e cristãs não devem se esquivar, pois trata-se de ter sempre vivo o sentido pelo qual nos assumimos seguidores e seguidoras de Jesus.

Na esteira do significado da crucifixão de Jesus, um dos elementos ao qual não devemos nos furtar de refletir, é o da solidariedade da Cruz de Cristo, com a cruz de milhares e milhares de empobrecidos e empobrecidas. Não romantizar a Cruz do Filho de Deus é tarefa necessária para todos os cristãos e cristãs, para que não fiquem alienados daquilo mesmo que a condenação e morte de Jesus representam: a condenação e a execração injusta de uma pessoa, que viveu inteiramente dedicada à missão que acreditava ser a vontade de Deus – e que, de fato, era.

A morte de Jesus precisa nos fazer compreender que ninguém merece morrer! Ninguém! Os cristãos e cristãs que acreditam no contrário disso, esqueceram-se daquele a quem dizem seguir. E há muitos os que, professando a fé cristã, dedicam-se à condenação de pessoas humanas, sejam elas justas ou injustas, às várias mortes diárias. É grave que cristãos e cristãs, que têm por lei o amor, condenem os Direitos Humanos bem como aqueles e aquelas que dedicam suas vidas à garantia desses direitos. Quando compactuam com o não cumprimento dos Direitos Humanos, esses que se dizem cristãos e cristãs, engrossam o coro daqueles que gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Condenam o Cristo, na carne dos condenados de toda a história.

Não aceitar essa diminuição de nossa humanidade, não se trata, pois, de comunismo, socialismo, serviço ideológico ao PT, como muitos leitores e leitoras insistem em qualificar os colabores deste portal. É, ao contrário, estar sempre com os olhos fixados naquele que é o autor e o consumador da fé, Jesus Cristo (cf. Hb 12,2). É a tentativa de fazer da vida e pregação de Cristo, um verdadeiro Evangelho, Boa-Notícia, que alcance os homens e mulheres de nosso tempo. É o que nos propomos a fazer, em mais esta matéria especial, quando refletimos sobre o prolongamento da paixão de Cristo, na paixão de três grupos de sofredores e sofredoras, de nossa história.

No primeiro artigo, Tânia Mayer reflete a respeito dA Paixão de Cristo na paixão das juventudes, sobretudo das juventudes negras, as maiores vítimas das muitas violências cotidianas que assolam nosso país. No texto, a autora chama a atenção para as vulnerabilidades que fazem com que as juventudes sejam, cotidianamente, crucificadas com o Cristo.

A Paixão de Cristo na paixão dos LGBT é o tema do segundo artigo, proposto por Luís Corrêa Lima. Sofrendo inúmeras formas de violência, inclusive por parte da religião, as pessoas LGBT estão associadas à cruz de Cristo, quando vivem, na própria carne, a exclusão e a marginalização, em suas muitas faces.

Por fim, Ana Maria Castro reflete sobre A Paixão de Cristo na paixão das pessoas encarceradas, tema tão urgente para uma sociedade que tem ódio daqueles e daquelas que cometeram crimes e que, por isso, estão relegados a uma segregação desumana e que desconhece a dignidade de todas as pessoas, as que cumprem ou não as leis.

Seja esta denúncia, também um grito de esperança: confiantes que a Cruz não é a palavra final, ansiamos por uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna, na qual todos e todas possam gozar da festa da Ressurreição, porque isso é o Reino de Deus!

 Feliz e abençoada Páscoa!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

Semana Santa: Vergonha, arrependimento e esperança na Via-Sacra do Papa, no Coliseu de Roma


Jovens autores das meditações e família da Síria entre as pessoas que transportaram a cruz na cerimónia

Cidade do Vaticano, 30 mar 2018 (Ecclesia) – O Papa Francisco presidiu esta noite de Sexta-feira Santa à Via-Sacra, no Coliseu de Roma, onde apelou a um “olhar carregado” de vergonha e esperança.

Na sua habitual oração do fim da Via-Sacra, Francisco falou da vergonha pela herança de divisões e guerras deixadas às gerações atuais.

“A vergonha porque as nossas gerações estão a deixar aos jovens um mundo partido pelas divisões e pelas guerras; um mundo devorado pelo egoísmo, onde os jovens, os pequenos, os doentes, os idosos são marginalizados”, apontou.

O Papa falou também da vergonha de “tantas pessoas, mesmo alguns ministros” da Igreja, que “se deixam enganar pela ambição e pela glória vã”.

Francisco invocou depois a esperança, onde “só o abraço fraterno pode dissipar a hostilidade e o medo do outro”. 

“A esperança, porque tantos missionários e missionárias continuam, ainda hoje, a desafiar a consciência adormecida da humanidade, arriscando a vida para te servir nos pobres, nos descartados, nos imigrantes, nos invisíveis, nos explorados, nos que passam fome e nos presos”, disse.

O Papa citou ainda a esperança para a Igreja e para que se faça acreditar, como “um modelo de altruísmo”.

“A esperança, porque a tua Igreja, santa e feita de pecadores, continua, ainda hoje, apesar de todas as tentativas de a desacreditar, a ser uma luz que ilumina, encoraja, alivia e testemunha o teu amor sem limites pela humanidade, um modelo de altruísmo, uma arca de salvação e uma fonte de certeza e de verdade”, acrescentou.

Ao terminar a oração Francisco pediu para se despojar “da arrogância do mau ladrão” e ter a possibilidade de personificar o “bom ladrão que viu com olhos cheios de vergonha, de arrependimento e de esperança”.

“Que personifiquemos o bom ladrão que te viu com olhos cheios de vergonha, de arrependimento e de esperança; que, com os olhos da fé, viu na tua aparente derrota a divina vitória e, assim, se ajoelhou diante da tua misericórdia e, com honestidade, roubou o paraíso”, concluiu o Papa.

A celebração da Via-Sacra no Coliseu foi seguida por milhões de telespetadores em todo o mundo, incluindo Portugal.
O texto das meditações deste ano foi escrito por um grupo de jovens e adolescentes de uma escola de Roma, sob a coordenação do professor e ensaísta Andrea Monda.

Além dos autores das reflexões, a cruz que percorreu o Coliseu foi transportada por responsáveis e famílias da Diocese de Roma, bem como por uma família da Síria, Riad Sargi e Rouba Farah, com os seus três filhos, duas religiosas iraquianas e franciscanos da Terra Santa.

OC/SN
Oração do Papa no final da Via-Sacra no Coliseu de Roma Senhor Jesus, o nosso olhar está voltado para ti, cheio de vergonha, de arrependimento e de esperança. Diante do teu supremo amor, atravessa-nos a vergonha por ter-te deixado só, a sofrer pelos nossos pecados: A vergonha por termos escapado diante da prova, apesar de … Continue a lerOração do Papa no final da Via-Sacra no Coliseu de Roma



Igreja celebra ressurreição de Jesus com água e fogo, em gestos simbólicos


Celebração central do calendário litúrgico é a mais antiga e importante na Igreja Católica

Lisboa, 31 mar 2018 (Ecclesia) – A Igreja Católica celebra nas últimas horas deste Sábado Santo e nas primeiras de Domingo de Páscoa o principal e mais antigo momento do ano litúrgico, a Vigília Pascal, assinalando a ressurreição de Jesus.

Esta é uma celebração mais longa do que habitual, em que são proclamadas mais passagens da Bíblia do que as três habitualmente lidas aos domingos, continuando com uma celebração batismal e a comunhão.

A vigília começa com um ritual do fogo e da luz que evoca a ressurreição de Jesus; o círio pascal é abençoado, antes de o presidente da celebração inscrever a primeira e a última letra do alfabeto grego (alfa e ómega), e inserir cinco grãos de incenso, em memória das cinco chagas da crucifixão de Cristo.

A inscrição das letras e do ano no círio são acompanhadas pela recitação da fórmula em latim ‘Christus heri et hodie, Principium et Finis, Alpha et Omega. Ipsius sunt tempora et sæcula. Ipsi gloria et imperium per universa æternitatis sæcula’ (Cristo ontem e hoje, princípio e fim, alfa e ómega. Dele são os tempos e os séculos. A Ele a glória e o poder por todos os séculos, eternamente).

O ‘aleluia’, suprimido no tempo da Quaresma, reaparece em vários momentos da missa como sinal de alegria.

A celebração articula-se em quatro partes: a liturgia da luz ou “lucernário”; a liturgia da Palavra; a liturgia batismal; a liturgia eucarística.

A liturgia da luz consiste na bênção do fogo, na preparação do círio e na proclamação do precónio pascal.

A liturgia da Palavra propõe sete leituras do Antigo Testamento, que recordam “as maravilhas de Deus na história da salvação” e duas do Novo Testamento: o anúncio da Ressurreição segundo os três Evangelhos sinópticos (Marcos, Mateus e Lucas), e a leitura apostólica sobre o Batismo cristão.

A liturgia batismal é parte integrante da celebração, pelo que mesmo quando não há qualquer Batismo, se faz a bênção da fonte batismal e a renovação das promessas.

Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a bênção da água, a aspersão de toda a assembleia com a água benta e a oração universal.

Nos primeiros séculos, as Igrejas do Oriente celebravam a Páscoa como os judeus, no dia 14 do mês de Nisan, ao passo que as do Ocidente a celebravam sempre ao domingo.

O Concílio de Niceia, no ano 325, apresentou prescrições sobre o prazo dentro do qual se pode celebrar a Páscoa, conforme os cálculos astronómicos (primeiro domingo depois da lua cheia que se segue ao equinócio da primavera): de 22 de março a 25 de abril.

Em 1951, o Papa Pio XII mandou celebrar a Vigília Pascal de novo como nas origens, isto é, na noite do Sábado Santo para o Domingo da Páscoa; a reforma do Concílio Vaticano II  confirmou esta disposição.

Atualmente, é ordenado que a Vigília seja celebrada à noite, pelo menos depois que o sol se ponha, e antes do amanhecer de domingo.

OC

Escombro cae perto da Pietà de Michelangelo ontem no Vaticano


La Pietà, obra de Michelangelo exposta na Basílica de São Pedro em Roma. Foto: Flickr Burn BCN (CC-BY-NC-ND-2.0)

Vaticano, 30 Mar. 18 / 12:20 pm (ACI).- Alguns escombros caíram na tarde de ontem dentro da Basílica de São Pedro no Vaticano, perto da capela onde se encontra a escultura de La Pietà, de Michelangelo.

Conforme informa a imprensa local, nenhum dos turistas presentes na igreja no momento da queda de escombros ficou ferido.

Este é o verdadeiro significado da Vigília Pascal

Vigília Pascal celebrada pelo Papa Emérito Bento XVI / Crédito: Vatican Media

REDAÇÃO CENTRAL, 31 Mar. 18 / 08:00 am (ACI).- A celebração da Vigília Pascal na noite do Sábado Santo é a mais importante de todas as celebrações cristãs, porque comemora a ressurreição de Jesus Cristo.

A Vigília, que significa passar “uma noite velando”, tem um sentido especial na véspera pascoal, porque recorda a passagem bíblica (Mc 16,1-7), na qual um grupo de mulheres chega ao sepulcro para terminar de embalsamar Jesus, mas não encontram seu corpo. Em seguida, um anjo aparece a elas e diz: “Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse” (Mc 16,6-7).

Na Vigília Pascal, celebra-se a Ressurreição que está adornada pelo cumprimento de todas as profecias e a recuperação vital da vida de Jesus para não morrer jamais, indicou Pe. Donato Jiménez ao Grupo ACI.

“Esta ressurreição é a que nos ensina, mais claramente do que qualquer outra coisa, o cumprimento das palavras de Jesus em nossa vida. Assim como Jesus Cristo morreu e ressuscitou ao terceiro dia, também o cristão que morre em Cristo ressuscitará no fim dos tempos”, indicou o sacerdote.

No início da Vigília, depois de acender o círio pascal, proclama-se a Ressurreição e recita-se a Proclamação da Páscoa.

Nela se relata brevemente a história da salvação desde a criação, a provação e queda de Adão, a espera e libertação do povo de Israel, até a entrega de Jesus Cristo, que morreu por nossos pecados e nos leva à salvação.

A Proclamação da Páscoa é dirigida a toda a humanidade, mas especialmente aos cristãos. Santo Agostinho nos convida a recordá-la constantemente, porque é uma mensagem de esperança e nos transmite a vitória da luz sobre a escuridão.

Após as leituras, segue a Liturgia Batismal ou, pelo menos, a bênção da água e a renovação das promessas batismais.

Finalmente, na celebração eucarística se entoam os cantos do Aleluia. Vive-se um ambiente festivo e de louvor, porque cumpriu-se as promessas de Deus, especialmente, por ter restaurado sua amizade com a humanidade e outorgar a salvação.

Papa Francisco preside a celebração da Paixão do Senhor no Vaticano



Papa Francisco durante a celebração da Paixão do Senhor. Foto: Daniel Ibañez/ACI Prensa

Vaticano, 30 Mar. 18 / 02:42 pm (ACI).- O Papa Francisco presidiu, na Basílica de São Pedro no Vaticano, a celebração da Paixão do Senhor nesta Sexta-feira Santa, 30 de março, que teve por homilista o pregador da Casa Pontifícia, Pe. Rainiero Cantalamessa.

Em uma Basílica completamente desprovida de ornamento e iluminada por uma luz suave em consonância com a sobriedade da cerimônia, em que não se celebrou a Eucaristia, o Santo Padre, vestido de paramentos vermelhos em lembrança do sangue de Cristo derramada na Cruz, assim como os outros celebrantes, prostrou-se no chão, diante do altar, para orar durante uns minutos.

Depois desses minutos de silenciosa oração, acompanhado de todos os fiéis ajoelhados presentes dentro da Basílica de São Pedro, o Pontífice ficou de novo em pé para começar com a proclamação da liturgia da Palavra.

Além da oração da Papa ante o altar, um momento de especial emotividade espiritual foi o descobrimento e adoração da Cruz aclamada três vezes com as palavras: “Eis o Lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde Adoremos!”.

O pregador da Casa Pontifícia, Pe. Rainiero Cantalamessa, pronunciou a homilia, como nas ocasiões anteriores deste pontificado. Nesta ocasião refletiu sobre o testemunho dos que presenciaram a crucificação.

A seguir, a íntegra da homilia do pregador da Casa Pontifícia, disponível no site oficial de notícias do Vaticano em Português (http://www.vaticannews.va/pt.html):

"Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais." (Jo 19, 33-35).

Ninguém jamais será capaz de nos convencer de que esta atestação solene não corresponda à verdade histórica, que quem afirma ter estado presente e visto, na realidade, não estava presente nem viu. Neste caso, vai depender da honestidade do autor. No Calvário, aos pés da cruz, estava a mãe de Jesus e, ao lado dela, "o discípulo a quem Jesus amava". Nós temos uma testemunha ocular!

Ele "viu" não apenas o que acontecia sob o olhar de todos. À luz do Espírito Santo, depois da Páscoa, ele também viu o sentido do que acontecera: que naquele momento estava sendo imolado o verdadeiro Cordeiro de Deus e era realizado o sentido da Páscoa antiga; que Cristo na cruz era o novo templo de Deus, de cujo lado, como o profeta Ezequiel predisse (47, 1 ss.), jorra a água da vida; que o espírito que ele emite no momento da morte dá início à nova criação, como “o espírito de Deus”, pairando sobre as águas, tinha transformado no princípio o caos no cosmos. João entendeu o significado das últimas palavras de Jesus: "Tudo está consumado" (Jo 19, 30).


Mas por que, nos perguntamos, essa ilimitada concentração de significado sobre a cruz de Cristo? Por que essa onipresença do Crucifixo em nossas igrejas, nos altares e em todos os lugares frequentados pelos cristãos? Alguém sugeriu uma chave para a leitura do mistério cristão, dizendo que Deus se revela "sub contraria specie”, sob o contrário daquilo que ele na verdade é: revela seu poder na fraqueza, sua sabedoria na loucura, sua riqueza na pobreza ...

Esta chave de leitura não se aplica à cruz. Na cruz Deus se revela como "sub propria specie”, pelo que ele é, na sua realidade mais íntima e mais verdadeira. "Deus é ágape", escreve João (1 Jo 4,10), amor oblativo, e somente na cruz se torna manifesto quão longe vai esta infinita capacidade de autodoação de Deus. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1); “De tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu (à morte) seu filho único” (Jo 3, 16); "Me amou e se entregou (à morte) por mim” (Gl 2, 20).

***

No ano em que a Igreja celebra um sínodo sobre os jovens e quer colocá-los no centro da sua preocupação pastoral, a presença no Calvário do discípulo a quem Jesus amava contém uma mensagem especial. Temos todos os motivos para acreditar que João aderiu a Jesus quando ainda era muito jovem. Foi uma verdadeira paixão. Todo o resto deixou, de repente, de ter importância. Foi um encontro “pessoal”, existencial. Se no centro do pensamento de Paulo está a obra de Jesus, o seu mistério pascal de morte e ressurreição, no centro do pensamento de João está o ser, a pessoa de Jesus. Daí todos aqueles "Eu sou" das ressonâncias eternas que abundam em seu Evangelho: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, “Eu sou a luz”, “Eu sou a porta”, “Eu sou”, e basta.

João era quase certamente um dos dois discípulos do Batista que, ao aparecer na cena de Jesus, foi atrás dele. À pergunta deles: "Rabino, onde você mora?", Jesus respondeu: "Venham e vejam". "Então eles foram e naquele dia ficaram com ele; era cerca de quatro horas da tarde" (Jo 1, 35-39). Naquela hora, ele decidira de sua vida e nunca o esquecera.

Neste ano, esforçar-nos-emos justamente por descobrir com eles o que Cristo espera dos jovens, o que eles podem dar à Igreja e à sociedade. O mais importante, porém, é fazer os jovens saberem o que Jesus tem para lhes dar. João descobriu ficando com ele: “vida em abundância”, “alegria plena”. Quem mais do que Jesus tem respostas para dar aos jovens de hoje e de todos os tempos?

Façamos de tal forma que em todos os discursos sobre jovens e aos jovens ressoem de fundo o sincero convite do Santo Padre na Evangelii gaudium: “Convido todo o cristão, em qualquer lugar e situação que se encontre, a renovar hoje mesmo o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito” (EG, n º 3). Encontrar-se pessoalmente com Cristo é possível também hoje porque ele ressuscitou; é uma pessoa viva, não um personagem. Tudo é possível depois deste encontro pessoal; nada mudará realmente na vida sem isto.

* * *

Além do exemplo de sua vida, o evangelista João também deixou uma mensagem escrita aos jovens. Em sua primeira carta, lemos essas comoventes palavras de um homem idoso dirigidas aos jovens das igrejas que ele fundou:

"Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno. Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai." (1 Jo 2: 14-15)

O mundo que não devemos amar e ao qual não devemos nos conformar não é, nós sabemos, o mundo criado e amado por Deus, não são os homens do mundo aos quais, na verdade, devemos sempre ir ao encontro, especialmente os pobres, os últimos. O “misturar-se” com este mundo do sofrimento e da marginalização é, paradoxalmente, a melhor maneira de "separar-se" do mundo, porque é caminhar exatamente para onde o mundo foge com todas as suas forças. É separar-se do próprio princípio que governa o mundo, que é o egoísmo.

Não, o mundo que não devemos amar é outro; é o mundo transformado sob o dominio de satanás e do pecado, “o espírito que está no ar”, o chama São Paulo (Ef 2, 1-2). A opinião pública tem um papel chave nisso, hoje também literalmente espírito “que está no ar” porque se espalha através do éter, através das infinitas possibilidades da técnica. "Se determina um espírito de grande intensidade histórica, ao qual o indivíduo dificilmente pode escapar. Deve-se seguir o espírito geral, é o óbvio. Agir ou pensar ou dizer algo contra isso é considerado insensato ou até mesmo uma injustiça ou um crime. Então já não se atreve a por-se diante das coisas e das situações e especialmente da vida de forma diferente de como tudo se apresenta[1]".

É o que chamamos de adaptação ao espírito dos tempos, conformismo. Um grande poeta crente do século passado, T.S. Eliot, escreveu três versos que dizem mais do que livros inteiros: "Em um mundo de fugitivos, a pessoa que toma a direção oposta parecerá um desertor[2]."  Queridos jovens cristãos, se é permitido a um ancião como João dirigir-se diretamente a vocês, eu lhes exorto: sejam daqueles que tomam a direção oposta! Atrevam-se a nadar contra a corrente! A direção oposta, para nós, não é um lugar, é uma pessoa, é Jesus nosso amigo e redentor.

Uma tarefa, especialmente, lhes é confiada: salvar o amor humano da deriva trágica na qual acabou: o amor que não é mais dom de si, mas somente possessão – muitas vezes violenta e tirânica – do outro. Na cruz, Deus se revelou como ágape, o amor que se doa. Mas o ágape nunca se separou do eros, do amor de busca, do desejo e da alegria de ser amado novamente. Deus não nos faz somente a “caridade” de amar-nos; nos deseja, em toda a Bíblia se revela como o esposo apaixonado e ciumento. Também o seu é um amor “erótico”, no sentido nobre deste termo. É o que explicou Bento XVI na encíclica “Deus caritas est”.

"Eros e ágape, - amor ascendente e amor descendente - nunca se deixam separar completamente um do outro [...]. A fé bíblica não constrói um mundo paralelo ou um mundo oposto ao fenômeno humano original que é o amor, mas aceita todo o homem intervindo em sua busca de amor para purificá-la, abrindo-lhes novas dimensões ao mesmo tempo "(7 -8).

Não se trata, portanto, de renunciar às alegrias do amor, da atração e do eros, mas de saber unir o ágape com o eros, o desejo do outro, a capacidade de se doar ao outro, recordando o que São Paulo comenta como uma fala de Jesus: "Há mais alegria em dar do que em receber" (At 20, 35).

É uma capacidade que não se inventa em um dia. É necessário preparar-se para fazer um dom total de si mesmo a outra criatura no matrimônio, ou a Deus na vida consagrada, começando com o doar o próprio tempo, o próprio sorriso e a própria juventude em família, na paróquia, no voluntariado. O que muitos de vocês fazem silenciosamente.

Jesus na cruz não nos deu apenas o exemplo de um amor de doação levado ao extremo; ele nos mereceu a graça de podê-lo atuar, em pequena parte, na noss vida. A água e o sangue jorrados do seu lado chegam a nós hoje nos sacramentos da Igreja, na Palavra, até só olhando com fé o Crucifixo. Uma última coisa João viu profeticamente sob a cruz: homens e mulheres de todos os tempos e de todos os lugares que olhavam para "aquele que foi transpassado" e choravam de arrependimento e consolo (ver Jo 19, 37; Zc 12,10). A eles nos unimos também nós nos gestos litúrgicos que daqui a pouco se seguirão".

_________________________

[1] H. Schlier, Demoni e spiriti maligni nel Nuovo Testamento, in Riflessioni sul Nuovo Testamento  Paideia, Brescia 1976, pp. 194 s.

[2] T. S. Eliot, Family Reunion, part II, sc. 2: “In a world of fugitives - The person taking the opposite direction - Will appear to run away”.

(Tradução Thácio Siqueira, Associação Marie de Nazareth)

Sábado Santo: Esta noite celebramos a Vigília Pascal



REDAÇÃO CENTRAL, 31 Mar. 18 / 05:00 am (ACI).- Hoje é realizada a celebração do Sábado Santo, a Igreja Católica medita sobre a paixão e morte do Senhor, assim como sua descida ao inferno, e espera em oração a sua ressurreição. Realiza-se também a Vigília Pascal que conclui com a Liturgia Eucarística.

Durante este dia, é dada atenção especial à Virgem Maria, acompanhando-a em sua solidão, que vela junto ao túmulo de seu Filho amado.

Na Vigília Pascal, são realizados três atos importantes que começam com a Celebração do Fogo, na qual o padre abençoa o fogo e acende o círio pascal. Neste ato, entoa-se a Proclamação da Páscoa, que é um poema escrito por volta do ano 300, que proclama que Jesus é o novo fogo.

Ocorre também a Liturgia da Palavra, na qual são feitas sete leituras, desde a criação até a Ressurreição também, sendo a leitura do livro do Êxodo a mais importante que narra a passagem dos israelitas através do Mar Vermelho, quando fugiam das tropas egípcias, sendo bem salvos por Deus. Da mesma maneira, recorda que Deus, esta noite, nos salva por seu Filho.

O terceiro ato é quando toda a Igreja renovou suas promessas batismais renunciando a Satanás, suas seduções e suas obras. A pia batismal ou um recipiente que a representa é abençoada e é recitada a ladainha dos santos, que nos une em oração com a Igreja militante e triunfante.

No Sábado Santo, esperamos com Maria



REDAÇÃO CENTRAL, 31 Mar. 18 / 07:00 am (ACI).- Hoje é Sábado Santo, dia de espera. Jesus está no sepulcro e Maria é quem acompanha a Igreja.

Maria é a mãe da paciente espera, embora esteja sofrendo pela morte de seu Filho. Ela foi a única que manteve viva a chama da fé quando Cristo foi sepultado.

Muitos seguidores de Jesus ficaram desiludidos, pois acreditavam que Ele seria o Grande Messias de Israel. Eles esperavam um guerreiro que os libertasse do domínio romano com punho de ferro e um exército numeroso.

Entretanto, quando viram que Cristo deixou que o crucificassem e morreu, ficaram tristes e desiludidos. “Jesus fracassou, voltemos para nosso trabalho ordinário”, disseram os discípulos de Emaús. Os apóstolos também estavam com medo e ficaram escondidos.

Inclusive as mulheres que estiveram ao pé da Cruz, foram embalsamar o corpo do Senhor porque estava morto. Elas não tinham acreditado na ressurreição de Cristo e, quando encontraram o sepulcro vazio, ficaram surpresas. Sem entender porque o corpo de Jesus não estava lá, começaram a duvidar do que Ele lhes havia dito sobre a ressurreição. Ao aparecer o anjo, uma delas pergunta: Para onde levaram o Senhor? Somente quando Cristo lhes aparece, acreditam.

Maria, muito pelo contrário, não foi ao sepulcro, pois tinha acolhido a palavra de Deus em seu coração. E por ser uma mulher de fé profunda, havia acreditado. Portanto, Ela não estava desiludida, nem assustada e desconfiada. Mas esperava plenamente a ressurreição do seu Filho.

Apesar de ter vivido toda a dor do dia anterior, sua fé e sua esperança são muito maiores. Permaneceu firme ao pé da cruz, embora profundamente dolorida. Nesses momentos, a única coisa que a sustentou foi a sua fé e também a esperança de que se cumpririam as promessas de Deus.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Deus no rosto dos crucificados

Padre Geovane Saraiva*
O assunto volta, no sentido da renovação da nossa fé, numa parada diante da liturgia da Quinta-Feira Santa, quando os sacerdotes - ministros da Igreja - ficam cingidos com uma toalha, para lavar os pés de pessoas de suas comunidades. É claro que pode surgir a pergunta, que vale para todos: Estamos dispostos, no exemplo de Jesus, a lavar os pés uns dos outros, isto é, a ajudar na cruz dura e pesada de cada dia de muitos irmãos? Também temos disposição interior num mundo tão complexo e diverso quanto o nosso, no sentido de diminuir preconceitos, intolerâncias e intransigências para com nossos irmãos, vendo neles o rosto do Filho Amado do Pai? Que Maria ajude nosso olhar, sem nunca fugir do rosto de tantos irmãos crucificados, e neles contemplar a face terna de Deus.

A oração da Igreja, após a celebração da noite de Quinta-Feira Santa, quer revelar a face do nosso Deus, todo despojado, convidando-nos a envolvermos por seu amor. A salvação da humanidade está no indizível mistério do serviço, pela disposição interior de Maria, aqui, no contexto da Semana Santa, vale recordar as sete dores da Virgem Maria. Fiquemos ao seu lado, unidos na mesma fé, nas imensas dores vivenciadas pela Santa Mãe de Deus. Não são apenas sete, segundo retrata a arte inaudita de Michelangelo, na representação do quadro da virgem dolorosa com o corpo de seu filho Jesus, após a crucifixão, morto e ensanguentado nos seus braços.

Aprendamos com Dom Helder: “Que eu aprenda afinal, com a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, a cobrir de véus o acidental e efêmero, deixando em primeiro plano apenas o mistério da Redenção". Será que é vontade de Deus a segurança dos cristãos instalados, vivendo de braços cruzados, sabendo que milhões de seres humanos nascem só para sofrer? Que a liturgia da semana supracitada possa, de verdade, permear nosso imaginário do Sagrado, numa ardorosa busca e sempre maior da nossa intimidade com o bom Senhor, Jesus Cristo, culminando, evidentemente, na conversão do coração.

A voz de Deus nos crucificados dos nossos dias adéqua-se na afirmação do teólogo José Antônio Pagola: “Não podemos adorar o Crucificado e viver de costas ao sofrimento de tantos seres humanos destruídos pela fome, pelas guerras ou pela miséria”. Somos todos convidados a refletir, de um modo consequente, do mais íntimo do íntimo, sobre a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Eu me entrego, Senhor, em tuas mãos, e espero pela tua salvação”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza -geovanesaraiva@gmail.com

As sete palavras de Jesus na Cruz

domtotal.com
Reflexão sobre a liturgia da Sexta-Feira Santa
Só podemos crer no Crucificado se estivermos dispostos a tirar da Cruz aqueles que estão dependurados nela (Jon Sobrino).
Só podemos crer no Crucificado se estivermos dispostos a tirar da Cruz aqueles que estão dependurados nela (Jon Sobrino). (Reprodução/ Free Bible Images)
Por Adroaldo Palaoro*

São sete expressões ditas por Jesus na Cruz e recolhidas pelos evangelistas; elas condensam a vida do Crucificado. Nestas expressões  revela-se a identidade de  Jesus: quem Ele é e sua missão.

Vamos contemplar o significado das “palavras pronunciadas por Jesus na Cruz”, deixando-nos impactar e iluminar por elas. São palavras densas, carregadas de vida; palavras “ex-cêntricas”, onde Jesus sai de si e se dirige aos outros.

1. PERDÂO. “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23,34)

Jesus, na sua vida pública, sempre revelou o perdão do Pai; no encontro com os pecadores deixou transparecer a misericórdia reconstrutora de Deus. O perdão foi a marca de sua vida e deve ser também a marca dos seus seguidores.

É difícil perdoar: a dor, o orgulho, a própria dignidade, quando é violentada, grita pedindo “justiça”, buscando “reparação”, exigindo “vingança”... Mas, perdão?

Surpreende-nos que Jesus na Cruz seja capaz de continuar vendo humanidade em seus verdugos; Ele é capaz de continuar crendo que há esperança para aqueles que cravam seus semelhantes na Cruz.

Porque, esta palavra de perdão, dita a partir do madeiro, é sobretudo uma declaração eterna: o ser humano, todo homem e toda mulher, conserva sua capacidade de amar nas circunstâncias mais adversas. E todo ser humano, até aquele que é capaz das ações mais atrozes, continua tendo um germe de humanidade em seu interior e que permite que haja esperança para ele.  Perdoar é atrever-se a ver o que há de verdadeiro, de beleza em cada um. O perdão é capaz de ver dignidade e faísca de humanidade escondida no coração do verdugo. O perdão abre futuro, destrava a vida e não se deixa determinar pelos erros do passado; ele quebra distâncias, nos faz descer em direção à fragilidade do outro, ao mesmo tempo que revela nossa fragilidade. É enquanto pecadores que somos chamados a perdoar e não enquanto justos. Por isso, no perdão é onde mais nos assemelhamos a Deus, pois só Ele podia inventar o perdão.

Deus também continua me perdoando hoje, pelas atitudes pecaminosas em minha vida que destroem, rompem, ferem os outros e o meu mundo.

Deixar ressoar esta expressão de Jesus: Fiz experiência de perdão? Sou capaz de perdoar e acolher o perdão?
2. CONTIGO. “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43)

Jesus sempre viveu “em más companhias” e agora morre entre dois ladrões. Mais uma vez, não assume o papel de juiz sobre dos outros mas oferece uma nova chance de salvação. O moribundo que dá vida: presença solidária, que, mesmo em meio ao pior sofrimento, oferece companhia a outros sofredores.

Um dos ladrões, impactado pela serenidade e testemunho de Jesus “rouba o paraíso”.

Jesus revela uma promessa que muitas pessoas precisam ouvir hoje, sobretudo aqueles que carregam cruzes injustas e pesadas, que vivem realidades atravessadas pela dor, pela solidão, dúvida, incompreensão ou pranto... Como soarão estas palavras no interior de cada um de nós: “Hoje estarás comigo no Paraíso”

Hoje: porque as mudanças, a nova criação, a humanidade reconciliada, não tem que esperar mais; hoje, agora, já...; talvez esse “hoje” não chega é por causa de tantas pessoas que não decidem, não optam, esperam sentadas...

Comigo: promessa de viver em sua companhia e desperta ecos de uma plenitude que não conseguimos entender.

No paraiso: que não é um mítico Eden, mas lugar de plenitude de vida, onde não haverá mais pranto, nem dor; realidade já presente onde habitará a justiça e a paz.

Deixar ressoar esta expressão de Jesus para construir, hoje, o Paraíso em nosso cotidiano.
Como viver hoje no paraíso? Neste momento, a quem podemos despertar a esperança?
3. APOIO. “Mulher, eis o teu filho; filho, eis a tua mãe” (Jo 19,26)

Maria, mulher do “sim”; “sim” que se prolonga até à Cruz, onde, de pé, revela sua presença materna e consoladora junto a seu Filho Jesus.

A presença de Maria na vida de Jesus não é acidental: foi aquela que mais amou, conheceu e seguiu Jesus. Ela agora é nossa referência fiel no seguimento do seu Filho.

Despojado de tudo, Jesus tem um tesouro a nos dar: entrega sua própria mãe para que ela seja presença cuidadora e de ternura junto aos seus filhos sofredores.

Jesus não nos deixa órfãos; sempre precisamos dos cuidados e do consolo de uma mãe; alguém para nos acompanhar nas horas mais obscuras e difíceis; alguém que nos sustenta nos momentos trágicos; alguém que

compartilha nossas perdas... e que também está presente nas horas boas, que chegarão.

É como se Jesus nos dissesse: “Para viver o meu seguimento, inspire-se nela, tenha-a como referência”.

Não estamos sozinhos: muitas presenças marianas em nossas vidas – amigos, pais, filhos... São tantas pessoas junto ao pé da cruz, inumeráveis homens e mulheres de Igreja que foram e são companheiros de caminho, de esforço, de apoio, de buscas e de amor.

João, também de pé junto à Cruz, representa todo seguidor fiel de Jesus, mesmo nos momentos de crise.

Deixar ressoar estas palavras de Jesus: ser presença materna e cuidadora junto aos sofredores; prolongar o modo solidário de Maria junto aos crucificados.
4. SOLIDÃO. “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” (Mt 27,46)

O grito de Jesus na Cruz condensa o grito da humanidade sofredora; é o próprio Deus que grita seu abandono.

Esse grito de Jesus revela uma Presença no próprio abandono, embora, de imediato não se sinta esta presença. Grito que não fica no vazio, mas aponta para a Vida.

Todos perguntamos: “Onde está Deus no sofrimento, na violência, na morte...?” E Deus responde, perguntando: “Onde está você no meu sofrimento, na violêncio que sofro, na morte... de meus filhos/as?”

O sofrimento da humanidade é o sofrimento de Deus; Deus não é insensível e distante da dor dos seus filhos.

Quem não passa por momentos de noite escura, de insegurança, de absoluta incerteza...?

Quem não viveu experiências de abandono, de falta de sentido na vida, de solidão, de rejeição...?

Quem não tem momentos de ceticismo, de amargura, de medo, de dúvida...?

Quem não se pergunta, talvez por um instante fugaz mas pungente, onde está Deus agora?

Nesses momentos temos a impressão de que todas as nossas opções foram equivocadas, que cada decisão nos levou por um caminho sem saída... Nesses tempos nos remorde o fracasso, a miséria, própria e alheia.

É do meio desta situação que brota um grito desesperador, como o de Jesus... No entanto, nos atrevemos a seguir adiante, com nossos projetos, compromissos e esforços em seu nome.

O desafio está em não ceder, em não crer que tudo tem sido uma mentira. O desafio é não abandonar, não render-se, não capitular nesses momentos.

Entende-se, assim, o grande “grito” que brotou das profundezas da dor de Jesus na Cruz e que continua ecoando como clamor angustiado. Não são poucos os gritos dos mais pobres e excluídos. É um clamor forte pela intensidade de suas carências. Um clamor surdo porque não consegue impactar de modo a conseguir respostas prontas e imediatas aos graves problemas que os afligem.

O grito dos sofredores é sempre forte. Forte pela violência das necessidades e das urgências para a garantia de uma vida mais digna. Em Cristo se condensam todos os gritos da humanidade sofredora.

Sua força, no entanto, não consegue incomodar a todos os que precisam ser interpelados pela exigência  deste clamor. Um grito, pois, é a expressão do mais forte sentimento que está no centro do próprio coração; é, também, a expressão mais concreta do que aflige o coração.

Um grito é, na verdade, um convite a um compromisso solidário.

O grande grito de Jesus é a certeza de tudo o que sustenta o seu coração; ao ecoar junto aos cruxificados, provocará grandes novidades. Um grito que não fica no vazio mas aponta para a vida.

Deixar ressoar este grito de Jesus: quais são os gritos surdos que brotam da realidade hoje?
5. SEDE. “Tenho sede...” (Jn 19,28)

Jesus sempre foi um homem “sedento”: fazer a vontade do Pai, realizar o Reino, compromisso com a vida, presença solidária junto aos sofredores, fazer conhecido a Deus como Pai/Mãe...

Agora grita sua derradeira sede: um mundo sem dor, sem exclusão, sem violência

Grita o homem com a garganta ressequida: sede na garganta e sede no coração. Sede expansiva, sede que descentra.

Grito que se multiplica em milhares de gargantas espalhadas pelo mundo: quero “justiça”, clamam os injustiçados deste mundo; quero “pão”, pede a criança com a barriga inchada de ar e de fome; quero “paz”, exclama a testemunha de atrocidades sem fim; quero “amor”, pede o jovem solitário por ser estranho; quero “moradia”, sonha o morador de rua que dorme em um banco da praça; quero “trabalho”, suspira uma jovem que se sente fracassar; quero liberdade escreve o presidiário em seus poemas; quero saúde, recita o enfermo em seu leito... Vozes de compaixão, vozes de pranto, vozes que refletem as dores do mundo.

Há alaridos, e também sussurros, todos carregados de sensibilidade dolorida.

O grito de Jesus na Cruz recolhe todos esses brados da humanidade quebrada. E não há explicação; não há sentido; não há justiça. Só um grito a mais.

A sede de Jesus desperta em nós outras “sedes”: de quê tenho sede? Sede de sonhos, de mundo novo...

Sede mobilizadora que ativa as melhores energias dentro de nós, que desperta nossa criatividade...

Sede que purifica nossa capacidade de escutar os gritos, de perto e de longe. O quê fazer?

“Quem tem sede venha a mim e beba”. Quem não tem sede não busca, não cria.

Deixar ressoar essa súplica de Jesus: A quem precisamos nos atrever a escutar?
6. COMPROMISSO. “Tudo está consumado” (Jo 19,30)

Parece contradição alguém dependurado na Cruz afirmar que tudo está consumado; tem-se a impressão de fracasso total. Mas na Cruz Jesus leva até às últimas consequências sua Encarnação: mergulha e se faz solidário com todos os crucificados da história. “Desce” até às profundezas do sofrimento humano e ali revela a presença do Deus compassivo.

No alto da Cruz, Jesus tem consciência que não viveu em vão; sua presença fez a diferença; viveu para os outros. Jesus morre com as mãos cheias de vida; gastou a vida a serviço da vida; deixou pegadas nos corações de quem encontrou pela vida. “Jesus morreu de tanto viver”. Morreu de bondade, de compaixão, de justiça.

Jesus teve um “caso de amor” com a vida; viveu intensamente.

Uma vida consumada faz fecunda a morte. Uma história consumada de Amor. Vida consumada quando se consome no serviço aos outros. Jesus desencadeou um movimento de vida.

Deixar ressoar esta afirmação de Jesus: quão plenificante é poder dizer a cada dia: tudo está consumado. É poder dizer como Pablo Neruda: “Confesso que vivi”.
7. SENTIDO. “Pai, em tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23,46)

Só quem viveu intensamente uma vida expansiva pode acolher a própria morte com paz, confiança, serenidade e abandono nos braços do Pai. Jesus morre como tinha vivido: ancorado na confiança do Pai.

Jesus, que sempre prolongou as mãos do Pai, agora entrega-se confiadamente nos braços do mesmo Pai.

Jesus sempre viveu em profunda sintonia com o Pai; agora Ele dá um “salto vital” nos braços do Pai.

Ao “entregar seu espírito” Jesus é “aspirado” para dentro de Deus.

A morte nos inspira medo; mas na morte, somos todos iguais, sozinho diante de Deus.

A morte é a última ponte que nos conduz ao Pai. Seremos abraçados do outro lado da ponte. Nosso destino é o coração de Deus.

Não só na hora da morte, mas a cada dia somos chamados a “entregar o espírito”; num mundo em que todos buscam seguranças, que em tudo querem ter “salva-vidas”, num mundo que nos convida a ter as costas cobertas... queremos arriscar, apostar pelo Reino; queremos nos sentir confiados, atravessar tormentas ou espaços serenos, sentindo-nos protegidos pelas mãos do Pai. Mãos que curam, acariciam, sustentam...

Deixar ressoar em nosso interior as palavras de entrega de Jesus: vivemos amparados pelos mãos providentes e cuidadosas do Pai; sentir-nos movidos a prolongar as mãos do Pai.
Estas palavras, proferidas por Jesus no alto da Cruz, causam um profundo impacto em nosso coração.

Tal impacto nos faz ter os olhos fixos no Crucificado; a partir do Crucificado ativar um olhar comprometido com os crucificados da história. Só podemos crer no Crucificado se estivermos dispostos a tirar da Cruz aqueles que estão dependurados nela (Jon Sobrino).

Após a oração universal faremos a chamada “adoração da Cruz”; não se pode contemplar a Cruz isolada daquilo que nela aconteceu. A Cruz nela mesma não tem sentido.

O que vemos ao contemplar o Crucificado?

A Cruz é expressão da máxima compaixão e comunhão, com Jesus e com os sofredores. Ela aponta para Aquele que foi fiel ao Pai e ao Reino. Por isso, a Cruz não é um “peso morto”.

 A partir da Cruz de Jesus, iluminamos e damos sentido às nossas cruzes.

*Adroaldo Palaoro é padre jesuíta e atua no ministério dos Exercícios Espirituais

Prelazia do Xingu se posiciona após prisão de padre Amaro

Carta de apoio ao Padre Amaro



Divulgação

Sexta-feira Santa: Igreja lembra morte de Jesus

Mar 30, 2018 - 5:25


Jejum e adoração da cruz marcam celebrações em dia sem Missa, um dia alitúrgico no qual os fiéis podem comungar na celebração que decorre durante a tarde


Lisboa, 30 mar 2018 (Ecclesia) – A Sexta-feira Santa, que evoca hoje a morte de Jesus, é um dia de jejum para os fiéis católicos, que não celebram a Missa, mas uma cerimónia com a apresentação e adoração da cruz.

Este é um dia alitúrgico, no qual os fiéis podem comungar na celebração que decorre durante a tarde, perto da hora em que se acredita que Jesus terá morrido, nas igrejas desnudadas desde a noite anterior.

A parte inicial da celebração, Liturgia da Palavra, tem um dos elementos mais antigos da Sexta-feira Santa, a grande oração universal, com dez intenções que procuram abranger todas as necessidades e todas as realidades da humanidade, rezando pelos seus governantes, pela unidade entre os cristãos, pelos que não têm fé ou os judeus, entre outros.

A adoração à cruz e os vários momentos de oração apresentam-se como momentos de penitência e de pedido de perdão.

O sacerdote que preside à celebração está paramentado com a cor vermelha, que a liturgia católica associa aos mártires.

Ao final do dia, decorrem em muitos locais as procissões do enterro do Senhor e a Via-Sacra, que reproduz os momentos da prisão, julgamento e execução de Jesus, os quais inspiram recriações da Paixão, as Procissões do Encontro e do Senhor Morto.

OC

Os símbolos da Quinta-feira Santa



REDAÇÃO CENTRAL, 29 Mar. 18 / 09:00 am (ACI).- Com a Santa Missa da Ceia do Senhor, nesta Quinta-feira Santa, tem início o Tríduo Pascal. Ao recordar a Última Ceia de Jesus com os discípulos, celebra-se a instituição da Eucaristia. Além disso, ocorre o rito do lava-pés, repetindo o gesto de Cristo que lavou os pés dos seus discípulos, deixando a todos um testemunho da vocação ao serviço do mundo e da Igreja. Conheça alguns símbolos da liturgia desta Quinta-feira Santa:

O pão e o vinho

São os elementos naturais que Jesus toma não para que simbolizem, mas sim para que se convertam em seu Corpo e seu Sangue e o façam presente no sacramento da Eucaristia.

Jesus os assume no contexto da ceia pascal, onde o pão ázimo da páscoa judaica que celebrava com seus apóstolos fazia referência a essa noite no Egito em que não havia tempo para que a levedura fizesse seu processo na massa (Ex 12,8).


O vinho é o novo sangue do Cordeiro sem defeitos que, posto na porta das casas, evitou aos israelitas que seus filhos morressem na passagem de Deus (Ex 12,5-7). Cristo, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29), ao que tanto se refere o Apocalipse, salva-nos definitivamente da morte por seu sangue derramado na cruz.

Os símbolos do pão e o vinho são próprios da Quinta-feira Santa quando, durante a Missa vespertina da Ceia do Senhor, celebramos a instituição da Eucaristia, da qual encontramos alusões e alegorias ao longo de toda a Escritura.

Mas como esta celebração vespertina é o princípio do Tríduo Pascal, é necessário destacar que a Eucaristia dessa Quinta-feira Santa, celebrada por Jesus sobre a mesa-altar do Cenáculo, era a antecipação de seu Corpo e seu Sangue oferecidos à humanidade no “cálice” da cruz, sobre o “altar” do mundo.

O lava-pés

O Evangelho de São João é o único que nos relata este gesto simbólico de Jesus na Última Ceia e antecipa o sentido mais profundo do “sem-sentido” da cruz.

Um gesto incomum para um Mestre, próprio dos escravos, converte-se na síntese de sua mensagem e dá aos apóstolos uma chave de leitura para enfrentar o que virá.

Em uma sociedade onde as atitudes defensivas e as expressões de autonomia se multiplicam, Jesus humilha nossa soberba e nos diz que abraçar a cruz, sua cruz, hoje, é estar a serviço dos outros. É a grandeza dos que sabem fazer-se pequenos, a morte que conduz à vida.