"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Minoridade, a arte de ser pequeno

Um franciscano nos fala da beleza de ser "menor"

Palavra nova esta! Dá a impressão de que foi Francisco de Assis quem inventou! Se não foi ele, o certo é que foi ele quem a encarnou e viveu! Vem do latim “minor” e pode ser traduzida como humildade, pequenez, serviço, despojamento, desapropriação, simplicidade. A minoridade se opõe a poder, prestígio, fama, status, aparência, deslumbre!

“O maior seja como o menor, e quem manda, como quem serve” (Lc 22, 26).

“Sendo de condição divina, não considerou o ser igual a Deus como algo a se apegar ciosamente, mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo. Humilhou-se e foi obediente até a morte e morte de cruz” (Epístola de São Paulo).
É uma característica essencial para quem quer levar uma vida franciscana! Pode-se dizer que MINORIDADE É A ARTE DE PASSAR DESPERCEBIDO. É como numa partida de futebol: quando não se fala do juiz, quando ele nem é percebido, é porque é um ótimo árbitro!

É A ARTE DA DESCOMPLICAÇÃO! É ser como a água, que procura sempre o lugar mais baixo, mais simples para passar, e ali escorre calma e tranquila; mesmo quando encontra um obstáculo, bate de leve, mas passa de lado sem criar maiores problemas.

“A minoridade nos faz solidários com os últimos da sociedade” (Regra Não-Bulada, 9).
A MINORIDADE É UM TESOURO DA ESPIRITUALIDADE!

Por isso podemos dizer que ela tem uma DIMENSÃO VERTICAL, isto é, uma confiança e um abandono radical ao Deus da Vida. Abandonar-se inteiramente na Grandeza de Deus! Deus dá e o humano recebe! Nada guarda para si, mas transforma o que recebe em serviço, doação, generosidade.

“É preciso que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).
Se no latim é “minor”, no hebraico é “anaw”, “anawin”, que quer dizer “os menores de Deus”. “Senhor, quem sois vós e quem sou eu? Vós o Altíssimo Senhor do céu e da terra e eu um miserável vermezinho, vosso ínfimo servo!”.

Se é para haver deslumbramento, que seja só diante da Potência de um Deus que Se faz pequeno. Francisco imitou esse Deus que se fez “menor” na pessoa de Jesus Cristo. O Verbo de Deus se humilhou para cumprir uma missão junto ao gênero humano. Deixou as riquezas e as glórias celestiais para experimentar os limites da terra dos humanos. Viveu simples com os simples, pobre com os pobres, transparente com todos. Por isso é que Francisco diz:

“A extraordinária condescendência do Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, que de tal maneira se humilha que, pela nossa salvação, se esconde debaixo de uma pequena forma de pão!”
E exclama também: “Ó sublime humildade! Ó sublimidade humilde!”. Um Deus que escolhe o menor lugar para servir e alimentar a todos!

“Nada desejem a não ser o louvor de Deus, o progresso da ordem, o bem de suas almas, a salvação de todos os irmãos” (Espelho da Perfeição, 80).
Francisco diz que o humano vale somente aquilo que é diante de Deus e mais nada! A minoridade é buscar a força de Deus e ser instrumento da bondade divina! É ser como a IRMÃ LUA: deixar passar a Luz do Grande Outro! Sem vida e sem água, a Lua podia ser nada… Mas, pelo contrário, ela reflete a luz oculta do Irmão Sol! Não é o centro focal do universo, mas não deixa de brilhar!

A MINORIDADE É UM TESOURO DA CONVIVÊNCIA!

Por isso podemos dizer que ela tem uma DIMENSÃO HORIZONTAL, isto é, uma atitude de acolhida, uma atitude de prontidão constante! É ser por demais acessível a todos! É ter uma disposição interior que nos exige aceitar-nos como nós somos, aceitar os outros do jeito que eles são… sem nos considerarmos superiores aos outros, ou mais dignos, ou mais capazes… Ser menor é não se prender a cargos, ofícios, títulos, honrarias…

MINORIDADE É O CONTRÁRIO DE PUBLICIDADE!

Não é uma disposição artificial de humilhação, mas sim uma apreciação justa, objetiva e precisa do bem e do mal que existe em nós! O verdadeiro menor sabe a justa medida de todas as coisas! Sabe tomar o lugar que lhe corresponde e se comporta com naturalidade! Não faz grandes exigências… Mas faz muito bem o que é para ser feito. Serve sem esperar recompensa.

A minoridade sabe conviver com gente desprezada, pobre, enferma, com os excluídos e os mendigos do caminho. Mas não agride ou julga os que se vestem com luxo, comem com abundância, tudo possuem… O menor examina-se a si mesmo antes de criticar os outros.

“A minoridade faz-nos solidários com os últimos da sociedade” (Regra Não-Bulada, 9).

“Todas coisas pequeninas da vida, quando postas em prática, concretizam o minorismo. Mas também fazer o gesto de que a outra pessoa precisa e que ninguém se lembra de fazer. Fazê-lo com delicadeza, de tal forma que a gente se complete com o outro, para que ele também se sinta bem de Deus” (Dom Paulo Evaristo Arns).
___________

Texto do frei Vitório Mazzuco, publicado em franciscanos.org.br

https://pt.aleteia.org/2017/09/22/minoridade-a-arte-de-ser-pequeno/
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Pe. Geovane Saraiva

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