"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

terça-feira, 11 de julho de 2017

Tratado antinuclear na ONU. Mons. Tomasi: ‘Mais un passo para a paz’

Os países que têm armas nucleares boicotaram a votação, aprovada por 121 dos 193 Estados membros

REDACAODICASTÉRIOS E DIPLOMACIA VATICANA
 
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ZENIT – Roma, 10 Jul. 2017).- Mais de 120 países aprovaram sexta-feira, o primeiro tratado que proíbe formalmente o uso das armas nucleares, numa votação que sofreu a sabotagem das potências nucleares como os EUA e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte, que não participaram e definiram os objetivos ingênuos e inalcançáveis, sobretudo num momento em que a Coreia do Norte quer lançar mísseis nucleares contra outros territórios.

Este é o primeiro instrumento vinculativo multilateral de desarmamento nuclear negociado em 20 anos, desde 1968 com o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

O tratado, que foi aprovado por 122 votos a favor de um contra (Holanda), com uma abstenção (Cingapura), proíbe as atividades relacionadas com armas nucleares. A ONU é integrada na atualidade por 193 países.

O secretário delegado do Dicastério para o serviço do desenvolvimento humano integral, Mons. Silvano Maria Tomasi considerou que “esta votação muito importante é um passo por parte de alguns Estados, incluindo a Santa Sé, para se chegar a banir não somente o uso, mas também a posse das armas nucleares”.

Precisou que “este caminho partiu de modo particular depois do encontro de Viena em novembro de 2014, quando com uma mensagem do Papa Francisco se insistiu que não é mais aceitável do ponto de vista racional fazer com que a segurança dependa da posse de armas nucleares; é verdadeiramente inaceitável adquirir e possuir armas nucleares ou dispositivos explosivos nucleares! E com esse Tratado não se pode mais fazê-lo.”

Reconheceu que “a decisão de votar um Tratado dessa natureza acaba sendo considerada pelos países que possuem bombas atômicas um gesto idealista. Mas se considerarmos que as armas químicas e as armas biológicas, as minas antipessoais, as bombas de fragmentação são todas armamentos que são expressamente proibidas pela Convenção internacional e não havia nada, quase um vulnus jurídico no que tange às armas nucleares que são ainda mais destrutivas das que são proibidas por estas outras convenções internacionais”.

Por isso considerou “que está sendo feito um caminho para se criar uma mentalidade que eventualmente leve à consciência de que a segurança de um país e de todos os países não está no ter a bomba atômica, mas que nenhum país a tenha.”

“Durante a guerra fria, a dissuasão fora aceita como uma solução para estabelecer um equilíbrio que prevenisse o uso prático das armas atômicas”, disse o Núncio. Mas assegurou que “circunstâncias mudaram: apesar do ‘Tratado de não-proliferação’ tivemos alguns países que acrescentaram a bomba atômica a seus arsenais, como o Paquistão, a Índia, Israel e agora a Coreia do Norte. Porém, devemos considerar que essa ameaça recíproca de morte não é o caminho que a família humana deve tomar; o caminho a ser tomado é o da colaboração e de buscar um diálogo permanente através de estruturas internacionais eficazes. A segurança é garantida pelo diálogo e não pela força.”

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Pe. Geovane Saraiva

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