"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sabia que a tristeza também tem benefícios?

  Miriam Diez Bosch | Jul 27, 2017
Shutterstock
O insólito “valor” desse sentimento faz com que ele seja não apenas necessário, mas também positivo

A tristeza não é um sentimento desejável. A princípio, tentamos evitar qualquer sentimento de angústia, tédio ou depressão. Mas a tristeza é necessária e, inclusive, benéfica.

O jesuíta Giovanni Cucci S.J, escritor na Civiltà Cattolica, revista dos jesuítas na Itália e que agora também é editada em espanhol, acredita que “a tristeza faz parte da vida e ajuda a captar sua riqueza de matizes”.

E não é só isso: estar triste pode ser benéfico, pois traz ensinamentos valiosos. Suprimir a tristeza seria como excluir a noite da jornada. “Eliminar a tristeza significa fechar-se à possibilidade de acessar sentimentos e atitudes espetaculares, como a alegria, a paz, a criatividade e o prazer pela vida”.

A tristeza (com causa) não é o mesmo que a depressão (sem causa). O jesuíta aponta que a depressão deve ser objeto de atenção médica.

Sabe o que é a alexitimia?

Um sinal preocupante da marginalização da tristeza é a crescente difusão, entre jovens e adolescentes, da alexitimia, ou seja, da incapacidade de reconhecer e expressar seus sentimentos, uma situação de frigidez e superficialidade crônicas.

Essa tendência pode ser alimentada pela revolução digital, que, junto à indubitável gama de possibilidades e recursos, revelou novas formas de armadilhas para a mente.

A enorme oferta que propõem as redes sociais “pode ser uma maneira de fugir da tristeza” e da “incapacidade de ficar sozinho”.

Dedicar muitas horas por dia ao consumo dos meios de comunicação digital também pode ser uma estratégia para “fugir dos sentimentos desagradáveis, como a solidão e a tristeza”.

A parte positiva, como prossegue o artigo de Cucci, é que “o tédio, a tristeza e a solidão”, que são fontes de sofrimento, são também a “porta de acesso às mais altas possibilidades de si mesmo, como a criatividade, a verdade, a empatia e a compaixão”.

Recorrer, pois, à vulnerabilidade e à fragilidade pode ser um caminho para a criatividade.

São Tomás e a tristeza

A tristeza não é um tema recente. São Tomás de Aquino dedica quatro “quaestiones” de sua Summa Theologiae (I-II, qq. 35-39) ao assunto. A tristeza, para ele, é uma “modalidade de dor”, uma “dor da alma”.

Essa tristeza permite compreender também a dor dos outros e ajuda no processo de arrependimento.

Santo Inácio e a desolação

O artigo da Civiltà Cattolica também percorre a ideia de Santo Inácio de Loyola, que oferece uma valorização complexa do estado de tristeza. Ele qualifica esse estado com o termo “desolação”. Para Inácio, é relevante a existência de uma tristeza capaz de manter o espírito aberto, de “conservar a vigilância e convidar à humildade” – condições indispensáveis para o progresso na vida espiritual.

O autor considera, finalmente, que a tristeza serve para nos lembrar do “valor do tempo, das pessoas e das possibilidades que não estarão sempre à nossa disposição.”


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Pe. Geovane Saraiva

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