"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Janot diz que pior momento na Lava Jato foi prisão de colega

domtotal.com
"Sou um sujeito experiente, tenho 33 anos de Ministério Público, e pouca coisa me afetou de maneira tão contundente".
O procurador-geral reclamou dos vazamentos das investigações e garantiu que não vai se candidatar a nenhum cargo político.
O procurador-geral reclamou dos vazamentos das investigações e garantiu que não vai se candidatar a nenhum cargo político. (Wilson Dias/ABr).

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, considera que o momento mais difícil por que passou durante a Operação Lava Jato foi a prisão de seu colega, o procurador da República Ângelo Goulart Villela, em 18 de maio, sob a acusação de vender informações sobre a investigação aos donos da JBS. "Vivi dias muito difíceis, mas um especificamente foi quando eu tive que pedir a prisão de um colega. Eu me emociono com isso. A gente acompanha essas diligências, monitora (...), e eu pedi para ser informado quando entrassem na casa dele para executar a prisão. Quando fui informado, eu vomitei quatro vezes", contou Janot em entrevista ao programa "Roberto D'Ávila", da Globonews, nessa quarta-feira (5). Ao iniciar esse relato, Janot quase chorou. "Sou um sujeito experiente, tenho 33 anos de Ministério Público, e pouca coisa me afetou de maneira tão contundente".

Questionado sobre as divergências com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Janot foi categórico: "Eu não brigo com ele, ele é que briga comigo. O ministro Gilmar não briga só comigo, briga com muita gente, e vocês podem constatar que eu não tenho nenhum protagonismo contra ele. O que eu tenho são respostas quando ele se refere a mim".

Sobre a reação do presidente Michel Temer (PMDB) diante da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, Janot afirmou que "é uma técnica que não é desconhecida pelo Ministério Público de as pessoas investigadas ou denunciadas não se referirem aos fatos, mas tentarem desconstituir ou desacreditar a figura do investigador". 

Janot defendeu o ex-procurador da República Marcelo Miller, sobre quem Temer levantou suspeitas: "Ele se demitiu da Procuradoria, depois foi contratado por um grande escritório de advocacia e jamais trabalhou um segundo sequer na questão da delação premiada dos réus colaboradores. É preciso distinguir leniência de delação premiada. Meu ex-colega não participou em nenhum momento da delação premiada com os réus colaboradores, e o escritório dele participou do início das negociações da leniência e depois se retirou".

Sobre as críticas à denúncia que apresentou contra Temer, Janot afirmou que "a narrativa é fortíssima": "Se isso é fraco, eu não sei o que seria forte".

O procurador-geral defendeu o acordo feito com o empresário Joesley Batista e negou que ele tenha gravado a conversa com Temer já sob orientação do Ministério Público. "Ele fez essa gravação para nos convencer, no futuro, a aceitar a colaboração dele. Em sã consciência, nenhum brasileiro iria acreditar em um sujeito que se apresenta para uma colaboração, é investigado em primeiro grau por ilícitos e diz assim: eu conversei com o presidente da República e nós acertamos um interlocutor para depois acertarmos ilícitos. Eu não acreditaria, e duvido que alguém acreditaria. A partir do momento em que ele mostra a gravação, aí sim". Janot disse que, ao ouvir a gravação pela primeira vez, ficou "chocado" e sentiu "náuseas".

O procurador-geral reclamou dos vazamentos das investigações, garantiu que não vai se candidatar a nenhum cargo político e fez elogios burocráticos a Raquel Dodge, que vai substitui-lo na função a partir de setembro. "(Espero) que ela tenha uma atitude de Ministério Público e acredito que terá. Somos todos formados na escola de Ministério Público. A responsabilidade dela será enorme, ela vai ter muito trabalho e desejo a ela sucesso. Nós interpretamos os procedimentos de forma diversa e a forma de trabalho minha é diferente da dela, mas somos todos Ministério Público".

Agência Estado
Compartilhe:

0 comentários:

Postar um comentário

Pe. Geovane Saraiva

Pe. Geovane Saraiva

POSTAGENS POPULARES

SIGA-ME

Siga por e-mail

Tecnologia do Blogger.
'; (function() { var dsq = document.createElement('script'); dsq.type = 'text/javascript'; dsq.async = true; dsq.src = '//' + disqus_shortname + '.disqus.com/embed.js'; (document.getElementsByTagName('head')[0] || document.getElementsByTagName('body')[0]).appendChild(dsq); })();
Copyright © F.G. Saraiva | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com