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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Em busca da fé

O nome de Jesus se tornou tão banal, que acabou virando brinde no transporte coletivo.
A banalização do nome de Deus se relaciona com a idolatria.
A banalização do nome de Deus se relaciona com a idolatria. (Tomaz Silva/ Agência Brasil)

Por Gilmar Pereira
Redação Dom Total

Fala-se muito de Jesus por todos os lados. Contudo, como diz a escritura "nem todo que diz 'Senhor! Senhor!' chega aos Céus". A difusão da fé parece que tornou seu conteúdo rarefeito, diluído. A pessoa de Jesus e o seu significado profundo na fé cristã costuma estar distante dos discurso cotidianos.

O nome de Jesus se tornou tão banal, que se tornou brinde no transporte coletivo da grande BH e de outros grandes centros. Vendedores ambulantes, que vão de ônibus em ônibus, dizem: "Amados, estou vendendo aqui esta batatinha chips ( ou qualqur outro produto). Quem pode estar me abençoando, levando para casa?". Você compra batatinha, caneta, bala, e ganha um discurso cristão de prosperidade, benção etc. O Reino de Deus e sua Justiça, centro do Evangelho, são tangenciados. Isso ocorre não só na boca do povo, mas também nas lideranças eclesiais que se perdem em mil doutrinas e práticas religiosas e abandonam o princípio e fundamente da fé. Para alguns, o fato do fiel dizer palavras que a rubrica do missal destina somente ao presbítero chega quase a ser pecado e heresia, tamanho o preciosismo liturgico.

Mas, o que significa crer? Seria substituir música e lazer secular pela indústria cultural que se apropria do conteúdo cristão? Ou quem sabe acoplar frases bíblicas a fotos sensuais nas redes sociais (caso dos soft sexy priests)? Quiçá seja compartilhar um gif de anjo ou um vídeo daquele gatinho que fala, o Tom, abençoando o seu dia? Seria tomar o Guaraná Jesus ou cortar cabelo em um dos inúmeros salões com nome "El Shaday" ou "Shalom"?

Uma das possíveis origens do termo religião estaria em relegere, que significaria reler. A religião seria a capacidade de olhar para as coisas e extrair novos sentidos, fazer uma releitura da realidade e encontrar mais que seu significado primário. Um olhar poético, dessa maneira, teria algo de religioso à medida que vê na rosa mais que a rosa; vê na pedra mais que a pedra. Uma "pedra no meio do caminho", religiosamente,  não é só uma pedra no caminho. O sentido que o religioso extrai da realidade, contudo, é a sacralidade do mundo e a presença do divino em todas as coisas.

Acontece que o maniqueísmo reinante nos pensamentos de muitas pessoas em suas igrejas se manifesta na crença da separação absoluta entre Deus e a realidade criada. Por isso têm a ânsia em sacralizar tudo, separar tudo para Deus, a fim de o mundo se tornar santo, já que ele seria mau, corrompido pelo pecado. Não conseguem encontrar Deus no cotidiano de modo simples. Têm que colocar nome relgioso em tudo e se cercar de signos religiosos. Resultado? Descumprem o mandamento "não tomar seu santo nome em vão". A difusão do nome de Deus sobre todas as coisas acaba o banalizando.

A banalização do nome de Deus se relaciona ainda com outra coisa, com a idolatria. Idolatria não é fazer a imagem de alguem que viveu santamente e tê-la como recordação de um modelo de vida. Idolatria é ter para si uma imagem fixa de Deus e viver em função dessa imagem. Criamos a imagem do Deus justiceiro, que vai me vingar dos meus inimigos; do Deus pedagogo behaviorista, que me compensa com reforços positivos se me comporto bem; do Deus imperador bizantino, que precisa de coisas preciosas em seu culto. Isso não é Deus, são imagens que criamos dele e pela quais vivemos. Pode-se ser idólatra sem ter imagens de gesso.

A fé é um fiar da própria vida na Palavra de Deus, traduz-se em viver a vida conforme o próprio Deus, ter em si "o mesmo pensar e agir do Cristo Jesus", segundo diz a carta aos Filipenses. Contudo, o que mais se vê são pessoas religiosas - no sentido de pertencer a uma instituição religiosa - do que gente que tem o agir e pensar moldados pelo olhar do Cristo. Ora, o olhar do Senhor tem como centro o amor, primeiro e mais importante mandamento. Amar a Deus e ao próximo é o sinal da verdadeira fé e se manifesta em obras, no cuidado dos que sofrem, promovendo o Reino de Deus na terra, um reino onde prevalece o direito e a justiça.

Olhares sobre o crer

Olhando a sociedade a partir do conceito de modernidade líquida (Bauman), César Thiago do Carmo Alves fala dos questionamentos sobre Deus na atualidade. A dinâmica entre dúvida e fé é ilustrada por ele a partir do quadro “A incredulidade de Tomé”, de Caravaggio, no texto Crer em tempo de modernidade líquida.

Em seu texto, Crer em Jesus Cristo hoje, Felipe Magalhães Francisco busca resgatar o essencial da fé cristã e propõe um retorno à centralidade do Cristo e o anúncio do Reino. O autor busca desenvolver o que seja crer na pessoa de Jesus Cristo buscando um significado perene.

A fé que a Igreja transmite é tema do texto de Daniel Reis, Crer no Credo de Cristo e da Igreja. Depositada no Cristo, mas advinda da comunidade dos crentes, a fé implica em crer no que a Igreja crê. Nesse sentido, o autor detém o olhar sobre a profissão de fé por meio do símbolo dos apóstolos, também chamado de credo.

Boa Leitura!
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Pe. Geovane Saraiva

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