"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 29 de julho de 2017

A história do católico de El Salvador que salvou 4 mil judeus do holocausto

José Arturo Castellanos / Foto: Wikipédia (Domínio Público)

SAN SALVADOR, 29 Jul. 17 / 08:00 am (ACI).- José Arturo Castellanos foi um católico de El Salvador que, durante a segunda Guerra Mundial, serviu como diplomata na cidade de Genebra (Suíça), onde conseguiu salvar 40 mil judeus do extermínio dos nazistas.

Este gesto fez com que em julho de 2010 lhe fosse concedido postumamente o título de “Justo entre as nações”, outorgado aos não judeus por Yad Vashem, uma instituição do governo de Israel constituída para honrar a memória dos mártires e heróis do Holocausto. Este título também foi dado a sacerdote, religiosas e outros leigos que salvaram os judeus naquela época.

Em julho de 2016, o Papa Francisco teve um encontro no campo de concentração de Auschwitz (Birkenau), localizado na Polônia, com os representantes de alguns “justos entre as nações” que já faleceram.

José Arturo Castellanos nasceu em 1893 em El Salvador no seio de uma família católica e de militares. Em sua juventude, decidiu ingressar no exército como seu pai e começou a desenvolver uma brilhante carreira. Em 1930, viajou para a Europa para completar sua educação.

Uma biografia sua publicada no site de Yad Vashem indica que, aos 44 anos, o coronel Castellanos foi enviado como diplomata para a Inglaterra e, em 1938, foi designado para a Alemanha, onde foi testemunho da perseguição aos judeus pelo regime nazista.

Diante disso, perguntou a seus superiores se podia conceder vistos para que estes pudessem escapar do país, mas seu pedido foi negado.


Entretanto, Castellanos não se rendeu e, em 1939, enviou uma carta ao Ministro de Relações de El Salvador, na qual descreveu a situação dos judeus e lhe pediu ajuda. Este requerimento também foi negado.

O site do documentário “Castellanos Movie”, produzido por seus neto Álvaro e Boris Castellanos, assinala que o coronel desobedeceu as ordens recebidas do governo de seu país e começou a estender os vistos e nacionalidade salvadorenha aos judeus para evitar que fossem enviados pelos nazistas aos campos de concentração, onde eram obrigados a realizar trabalhos forçados em condições desumanas ou assassinados.

Em 1942, Castellanos assumiu o cargo de cônsul de El Salvador em Genebra, onde nomeou George Mandel-Mantello, um refugiado judeu de origem romena que era seu amigo, como primeiro secretário do consulado para realizar a “ação salvadorenha”.

O coronel autorizou Mandel-Mantello a entregar de forma clandestina passaportes e certificados de cidadania salvadorenha aos judeus. A instituição Yad Vashem explicou que os que obtiveram esses benefícios estavam a salvo porque El Salvador era considerado um país neutro, por não ser partidário de nenhum dos lados que combateram durante a Segunda Guerra Mundial.

Castellanos fez com que a expedição de mais de 13 mil documentos salvadorenhos não tivesse nenhum custo. Esses papéis foram enviados através de seus contatos aos judeus que residiam na França, Hungria, Alemanha, Holanda, Eslováquia e Romênia.

Segundo indica o site de “Castellanos Movie”, bastava a emissão de apenas um documento para salvar a família inteira.

Através deste trabalho desenvolvido entre 1942 e 1945, Castellanos conseguiu salvar a vida de cerca de 40 mil judeus. A instituição Yad Vashem assinalou que, após as eleições de 1944, o novo presidente de El Salvador, Salvador Castaneda Castro, fez com que, ao contrário de seu antecessor, seu país se envolvesse na proteção dos judeus em lugares como Hungria e deu apoio a Castellanos em sua missão de resgate.

Atualmente, milhares desses certificados que outorgam a nacionalidade salvadorenha aos judeus na Europa estão exibidos no Museu do Holocausto em Washington (Estados Unidos).

Castellanos se casou com Maria Schürmann, natural da Suíça, e o casal teve três filhos. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial em 1045, foi enviado a Londres e aposentou-se em 1972, aos 79 anos.

Regressou para El Salvador, onde levou uma vida tranquila até que faleceu em 1977, sem que lhe fosse outorgado nenhum reconhecimento por seu trabalho de resgate aos judeus.

Depois de sua morte, diversas instituições começaram a realizar homenagens em memória do coronel Castellanos.

Em 2010, quando foi anunciado que lhe seria outorgado o título de “Justo entre as nações”, o Ministro de Relações Exteriores de El Salvador, Hugo Martínez, disse que o diplomata salvadorenho se “destacou por seu humanismo e por seu trabalho em benefício de uma população que em seu momento era perseguida e que estava ameaçada existencialmente”.

Por sua parte, o embaixador de Israel no país centro-americano, Mattanya Cohen, indicou que Castellanos é o quarto latino-americano a receber esta homenagem.

No final de junho de 2017, as embaixadas de Israel e El Salvador ante a Santa Sé realizaram em Roma (Itália) um evento para honrar a memória e o trabalho de José Arturo Castellanos. Também foi exibido um vídeo do testemunho de um judeu que conseguiu a cidadania salvadorenha e pôde escapar com sua família.

Um comunicado de imprensa no qual foi anunciado este evento, publicado no site das Missões Diplomáticas de Israel no Mundo, descreveu que Castellanos, “em uma época quando muitos permaneceram indiferentes ante os sofrimentos do ser humano, foi um dos poucos heróis que enfrentaram um mal absoluto para salvar a vida de milhares de judeus”.
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Pe. Geovane Saraiva

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