"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Papa deixou claro que não pensa em renunciar

 domtotal.com
Francisco rebate críticas de que bispos idosos formariam uma gerontocracia da Igreja.
Papa Francisco completa 25 anos de ordenação episcopal.
Papa Francisco completa 25 anos de ordenação episcopal. (Reprodução CTV)
Elisabetta Piqué

Em uma missa celebrada na manhã desta terça-feira (27), cercado de cardeais, para recordar o 25º aniversário de sua ordenação episcopal, o papa Francisco deixou claro que não tem nenhuma intenção de renunciar ao cargo.

“A nós, que temos uma idade avançada, o Senhor diz hoje que não é hora de fechar nossa vida, nossa história. O Senhor nos diz que a nossa história ainda está aberta, está aberta até o final e está aberta com uma missão”, disse Francisco, que, no dia 17 de dezembro próximo, completará 81 anos, ostenta boa saúde e tem uma atividade incessante.

“Alguns, que não gostam de nós, dizem que nós somos a gerontocracia da Igreja. É uma gozação. Não entendem o que dizem. Nós não somos gerontes, somos avós. E, por isso, não sentimos isso, devemos pedir a graça de senti-lo”, disse também, em uma missa transmitida ao vivo pelo Centro Televisivo Vaticano, na Capela Paulina do Palácio Apostólico, na presença de cerca de 40 cardeais.

Inspirando-se no Evangelho do dia, em sua homilia – que foi uma mensagem clara à hierarquia eclesiástica e aos setores que se opõem a ele e que esperam que seu pontificado termine logo –, o Papa evocou a figura do patriarca Abraão, que, quando foi chamado por Deus, estima-se estava com aproximadamente 70 anos. E, às vésperas do seu quarto consistório, que será precisamente nesta quarta-feira para “criar” cinco novos cardeais, além de deixar claro que seguirá levando em frente a sua missão, encorajou os seus máximos colaboradores a seguirem ativos e a sentirem-se como “avós” que devem ajudar os jovens a sonhar.

O ex-arcebispo de Buenos Aires recordou, de fato, que Abraão, quando recebeu o chamado divino “tinha mais ou menos a nossa idade, estava para se aposentar” e era um homem idoso, “com o peso da velhice, essa velhice que traz dores, doenças”.

“Como se fosse um jovem, levante-se e ande! Como se fosse um escoteiro, vai, olhe e espere! E esta palavra de Deus também vale para nós, que temos uma idade que é como a de Abraão, mais ou menos. Há alguns jovens aqui, mas a maioria de nós está nesta idade. E a nós, hoje, o Senhor diz o mesmo: ‘Levante-se! Olhe! Espere!”, disse Francisco. “Ele nos diz que não é hora de fechar a nossa vida, nossa história. O Senhor nos diz que a nossa história ainda está aberta, está aberta até o final e está aberta com uma missão. E com estes três imperativos nos indica a missão: Levante-se, olhe e espere’”, acrescentou.

E encorajou os cardeais para serem avós que, com sua experiência, saibam dar aos seus netos um sentido da vida, “não avós fechados na melancolia da sua história”. “Para nós, esse ‘levante-se, olhe e espere’ chama-se ‘sonhar’. Nós somos avós chamados a sonhar e a oferecer o nosso sonho à juventude de hoje, que dele tem necessidade. Porque eles tomarão dos nossos sonhos a força para profetizar e tocar em frente”, afirmou.

Francisco evocou, na sequência, as figuras de dois avós, Simeão e Ana, do Evangelho, que elogiou por sua “capacidade de sonhar”. “E é isto o que o Senhor nos pede hoje: ser avós, ter vitalidade para oferecer aos jovens, porque é isso que eles esperam de nós. Não nos fechar, dar o melhor de nós: eles esperam de nossa experiência, de nossos sonhos positivos para levar adiante a profecia e o trabalho”, disse.

“Peço ao Senhor que dê a todos nós esta graça. Também para aqueles que ainda não se tornaram avós. Vemos o presidente (dos bispos) do Brasil, é um jovenzinho... mas chegará!”, brincou, fazendo alusão a Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília, de 57 anos. “Peçamos a graça de sermos avós, a graça de sonhar e proporcionar este sonho aos nossos jovens, que dele tem necessidade”, concluiu.

Embora o Papa tenha dito várias vezes que, sendo o caso, não teria problemas para seguir o exemplo do seu predecessor, Bento XVI, papa emérito, com o vibrante sermão de hoje deixou claro que está longe de seguir seus passos.


La Nación/ IHU - 28.07.2017

Tradução: André Langer
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Pe. Geovane Saraiva

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