"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Papa a Cardeais: Somos os avôs da Igreja, chamados a dar-lhe sentido

Por Miguel Pérez Pichel
Papa Francisco durante sua homilia. Foto: L'Osservatore Romano

VATICANO, 27 Jun. 17 / 11:00 am (ACI).- O Papa Francisco negou que a Igreja seja uma instituição governada por idosos e encorajou os Cardeais e Bispos que já são mais velhos a viver na Igreja “como avôs que cuidam e ensinam os seus netos”.

O Santo Padre fez esta afirmação durante a Missa, celebrada junto com os Cardeais presentes em Roma, presidida na Capela Paulina do Palácio Apostólico no Vaticano, por ocasião dos 25 anos da sua ordenação episcopal, realizada em 27 de junho de 1992.

Durante a homilia, refletiu sobre os três imperativos inseridos no diálogo entre Deus e Abraão, e que os outros Cardeais, Bispos e pastores da Igreja podem assumir: “levante-se, olhe e espere”.

O Papa começou a sua homilia recordando que “na primeira leitura ouvimos como o diálogo entre Deus e Abraão continua, este diálogo que começou com ‘deixa a tua terra’”.

Explicou que, neste diálogo se encontram três imperativos: levante-se, olha e espere. “Três imperativos que mostram o caminho que Abraão deve percorrer e também como fazer: levante-se, olhe, espere”.

Levante-se

”Levantar-se significa não ficar parado”, isto é o que Deus disse a Abraão, “e a todos nós”. “Você tem uma missão, uma obrigação, e deve fazer o caminho. Levante-se, fique de pé”.


Abraão escutou este mandato sem protestar, apesar de sua idade, “e começou a caminhar. Sempre em caminho, e o símbolo disso é a tenda. O livro do Gênesis diz que Abraão andava com a tenda e, quando parava, montava-a. Abraão nunca construiu uma casa para ele. Em certas ocasiões, construía um altar para adorar aquele que o mandava levantar-se e seguir o caminho com a tenda”.

Olhe

O segundo imperativo é “olhe”, “levante o olhar e, onde estiver, dirija o olhar em meio ao oriente e o ocidente, olha o horizonte. Não construa muros. Sempre olhar e seguir em frente. É a mística do horizonte: quanto mais você caminha, mais distante está do horizonte. Dirija o olhar, adiante, sempre caminhando em direção ao horizonte”.

Espere

Finalmente, Deus lhe pede para ser paciente, para esperar, “e disse para um homem idoso que não podia ter filhos. Disse-lhe: ‘A tua herança será como o pó da terra, e se alguém puder contar o pó da terra, você poderá contar o número dos seus descendentes’”.

“Em seguida, disse: ‘Levante o olhar para o céu, conte as estrelas: Assim será a tua descendência’. E Abraão acreditou e o Senhor lhe concedeu a justiça”.

“Nunca muros, horizontes: levante-se, olhe, espere. A esperança é sem muros, sempre com horizontes”.

Avôs da Igreja

Em seguida, depois de refletir sobre estes três imperativos, Francisco se dirigiu aos Cardeais da Cúria para explicar que, embora a maioria já tenha, assim como ele, muitos anos de vida, devem seguir o exemplo de Abraão, que assumiu a vocação e a missão que Deus lhe confiou quando já era idoso.

O Pontífice explicou que quando Abraão recebeu o chamado de Deus, “tinha mais ou menos a nossa idade. Na verdade, estava na idade de se aposentar, para descansar. Ele era um homem idoso, com o peso da velhice, esta velhice traz a dor, as doenças, mas ele como se fosse um homem jovem, um ‘escoteiro’: Levanta-se e vai. Olha e espera”.

“Essa palavra de Deus vale também para nós, que temos quase a mesma a idade de Abraão, o Senhor hoje nos diz o mesmo: levante-se, olhe e espere. Diz-nos que não é hora de fechar a nossa vida e a nossa história. O Senhor nos diz que a nossa vida ainda está aberta, em missão, uma missão que se resume em três palavras: Levante-se, olhe e espere”.

O Bispo de Roma rechaçou as acusações de “gerontocracia”, governo dos anciãos, na Igreja, e assinalou que os Cardeais e Bispos, sobretudo aqueles que já são mais velhos, devem ser como “avôs” que ensinam aos seus “netos”.

“Quem não nos quer bem, diz: ‘somos a gerontocracia da Igreja’. É uma zombaria, não sabe o que diz. Não somos gerontes, somos avôs. E se não sentimos isso, devemos pedir a graça de senti-lo. Avôs para os quais os netos olham e esperam de nós a experiência sobre o sentido da vida. Avôs não fechados, mas abertos”.

“Para nós, ‘levante-se, olhe e espere’ se chama sonhar. Somos avôs chamados a sonhar e dar o nosso sonho à juventude de hoje, que necessita disso, porque tirarão dos nossos sonhos a força para profetizar e levar avante a sua missão”.

E concluiu insistindo que o que Deus lhes pede é ser “avôs” do seu povo. “Isso é o que o Senhor nos pede hoje: ser avôs da Igreja que tenham a vitalidade para oferecer à juventude o melhor, sem fechar-nos. Eles esperam da nossa experiência e de nossos sonhos positivos para levar avante a profecia e o trabalho”.
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Pe. Geovane Saraiva

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