"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Papa emérito "desce do monte" e renuncia à renúncia

Alguns o acusam Bento XVI de romper o acordo e descer à montanha novamente para intervir nos assuntos eclesiásticos e ficar contra o seu sucessor, o Papa Francisco.
O “pecado” ratzingeriano não tem a ver tanto com escrever o prefácio de um livro, mas escrever um prefácio para um livro do Cardeal Sarah.
O “pecado” ratzingeriano não tem a ver tanto com escrever o prefácio de um livro, mas escrever um 
prefácio para um livro do Cardeal Sarah. (Reprodução)
José Manuel Vidal*

"O Senhor me chamou para 'subir ao monte', para me dedicar ainda mais à oração e à meditação em silêncio". Era o dia 25 de fevereiro de 2013 quando o Papa Bento XVI explicava às pessoas a sua histórica renúncia papal no último Angelus que presidiu desde a janela da Praça de São Pedro.

Durante todos esses anos ele manteve a sua palavra. Mas agora, alguns o acusam de romper o acordado e descer à montanha novamente para intervir nos assuntos eclesiásticos e ficar contra o seu sucessor, o Papa Francisco. Pelo menos indiretamente.

É o fim de um mito. "Ratzinger renuncia à renúncia", titula a RAI, cadeia italiana de televisão pública. Por que alguns dizem que Bento XVI quebrou o pacto de silêncio, mas ele está mesmo obrigado espiritual e eclesiasticamente a manter este silêncio por causa da sua renúncia? A pergunta fica aberta quando vemos o emérito papa escrevendo um prefácio para um livro do Cardeal Sarah, intitulado “A força do silêncio”.

O “pecado” ratzingeriano não tem a ver tanto com escrever o prefácio de um livro, mas escrever um prefácio para um livro do Cardeal Sarah, um dos cardeais mais resistentes ao papado e às reformas de Francisco. Além disso, no prefácio acima mencionado se exalta o prefeito da congregação para a Liturgia, que está causando muitas dores de cabeça ao Papa Bergoglio.

Sarah, o cardeal Africano, não é um cardeal qualquer. Junto com o cardeal alemão Müller, é prefeito da Doutrina da Fé, o par de cardeais resistentes com poder real na Igreja. Porque são “ministros” do Papa. Aliás, ministros que discordam, até mesmo publicamente das ordens do seu “chefe”.

Os outros cardeais (tanto os da “dúbia” como os da oposição à “Amoris Laetitia”) são idosos, não ocupam cargos na Cúria ou estão de saída. Por exemplo, Cafarra, Burke, Brandmüller, Meisner ou Rouco. Em vez disso, Sarah e Müller ainda ostentam o “poder” e estão ainda em idade suficiente para suceder ao sucessor de Ratzinger.

Na verdade, o setor mais extremista da Igreja (os rigoristas que acreditam e querem que o papado de Francisco seja "uma tormenta de verão"), aponta o cardeal Africano como seu candidato favorito para suceder o papa argentino.

De acordo com especialistas, com seu prólogo, o Papa emérito quebra "a consigna do silêncio" e coloca um conflito de autoridade na Igreja. "Abre-se um conflito perigoso que exigiria da parte de Bento XVI um comportamento mais sensato e palavras mais responsáveis", explica Andrea Grillo, professor de Teologia no Pontifício Ateneu Santo Anselmo, em Roma.

Daí que o teólogo italiano se mostre em favor de "regular de uma forma mais clara e precisa a 'morte institucional' do antecessor e a plena autoridade do sucessor", em casos de renúncia, como o que vivemos atualmente.

Além disso, ele diz que a "coabitação" entre dois papas não é possível. "É claro que a batina branca, o poder falar e a residência devem ser regulados em detalhe. O bispo emérito de Roma deve ficar longe do Vaticano e em silêncio para sempre".

Portanto, segundo o professor Grillo, "o prefácio é um ponto de viragem, porque as intenções de discrição e humildade foram abertamente violadas, de uma forma quase escandalosa". Mais ainda, o teólogo denuncia os "sonhos visionários interessados" daqueles que, como o secretário pessoal de Bento XVI, Georg Ganswein, continuam falando de um "ministério estendido".

Religión Digital
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Pe. Geovane Saraiva

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