"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Papa sonha com uma Igreja que não passe longe das feridas do homem

domtotal.com
Papa Francisco quer famílias que continuem sendo 'uma boa notícia para o mundo de hoje'.
Papa escreve carta para VIII Encontro Mundial das Famílias.
Papa escreve carta para VIII Encontro Mundial das Famílias. (Reuters)
Por Jesús Bastante

“Sonho com uma Igreja em saída, não autorreferente, uma Igreja que não passe longe das feridas do homem, uma Igreja misericordiosa que anuncie o coração da revelação de Deus Amor que é a Misericórdia”. O Papa Francisco quer famílias que continuem sendo “uma boa notícia para o mundo de hoje”.

Foi o que manifestou, em uma carta enviada ao cardeal Farrell, como preparação para o Encontro Mundial das Famílias que ocorrerá em Dublin, em agosto de 2018. Um encontro do qual, como aponta o Papa, sairão “sinais concretos” para uma nova pastoral familiar, com a visão posta no foco da misericórdia.

Em sua carta, Bergoglio destaca o tema do Encontro de Dublin: “O Evangelho da família: alegria para o mundo”, e pede que o mesmo seja uma oportunidade para que “as famílias possam aprofundar a reflexão e o compartilhamento dos conteúdos da Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia”.

“Poderíamos nos perguntar: O Evangelho continua sendo alegria para o mundo? E também: A família continua sendo uma boa notícia para o mundo de hoje? Eu estou certo que sim!”, sustenta o Papa, que afirma “o compromisso de Deus com uma humanidade muitas vezes ferida, maltratada e dominada pela falta de amor”.

“A família, portanto, é o ‘sim do Deus amor”, esclarece Francisco, acrescentando que “sem amor não se pode viver como filhos de Deus, como cônjuges, pais e irmãos”. E o que significa viver no amor? “Significa concretamente doar-se, perdoar-se, não perder a paciência, antecipar-se ao outro, respeitar-se. Como melhoraria a vida familiar se todos os dias se vivessem as três simples palavras ‘licença’, ‘obrigado’, ‘desculpa’!”.

“Todos os dias experimentamos a fragilidade e a fraqueza, e por isso todos nós, famílias e pastores, necessitamos de uma humildade renovada que traduza o desejo de nos formar, de nos educar e de ser educados, de ajudar e de ser ajudados, de acompanhar, discernir e integrar todos os homens de boa vontade”, proclama o Papa, que revela seu sonho de uma Igreja “que não passe longe das feridas do homem, uma Igreja misericordiosa que anuncie o coração da revelação de Deus que é a Misericórdia”.

“É a mesma misericórdia que nos faz novos no amor; e sabemos o quanto as famílias cristãs são lugares de misericórdia e testemunhas de misericórdia. Após o Jubileu Extraordinário, serão ainda mais, e o Encontro de Dublin poderá dar sinais concretos”, insiste.

Para isso, o Papa convida Kevin Farrel a propor, de forma especial, “o ensinamento da Amoris Laetitia, com a qual a Igreja deseja que as famílias estejam sempre a caminho”.

Eis a carta.

Ao Venerado Irmão

Ao venerado cardeal Kevin Farrell

Prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Ao final do VIII Encontro Mundial das Famílias, celebrado na Filadélfia, em setembro de 2015, anunciei que o encontro seguinte com as famílias católicas de todo o mundo ocorreria em Dublin. Agora, com o desejo de começar sua preparação, tenho a satisfação de confirmar que acontecerá de 21 a 26 de agosto de 2018, com o tema: “O Evangelho da família: alegria para o mundo”. E em relação a este tema e seu desenvolvimento gostaria de oferecer algumas indicações mais precisas. Desejo, efetivamente, que as famílias possam aprofundar a reflexão e o compartilhamento dos conteúdos da Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia.

Poderíamos nos perguntar: O Evangelho continua sendo alegria para o mundo? E também: A família continua sendo uma boa notícia para o mundo de hoje? 

Eu estou certo que sim! E este “sim” está firmemente fundado no plano de Deus. O amor de Deus é seu “sim” a toda a criação e ao coração da mesma, que é o homem. É o “sim” de Deus à união entre o homem e a mulher, aberta à vida e ao serviço dela em todas as suas fases; é o “sim” e o compromisso de Deus com uma humanidade muitas vezes ferida, maltratada e dominada pela falta de amor. A família, portanto, é o “sim” do Deus Amor. Somente partindo do amor, a família pode manifestar, difundir e regenerar o amor de Deus no mundo. Sem amor não se pode viver como filhos de Deus, como cônjuges, pais e irmãos. 

Quero ressaltar a importância que as famílias questionem, muitas vezes, se vivem partindo do amor, pelo amor e no amor. Isto significa concretamente doar-se, perdoar-se, não perder a paciência, antecipar-se ao outro, respeitar-se. Como melhoraria a vida familiar se todos os dias se vivessem as três simples palavras “licença”, “obrigado”, “desculpa”! Todos os dias experimentamos a fragilidade e a fraqueza, por isso, todos nós, famílias e pastores, necessitamos de uma humildade renovada que traduza o desejo de nos formar, de nos educar e de ser educados, de ajudar e de ser ajudados, de acompanhar, discernir e integrar todos os homens de boa vontade. Sonho com uma Igreja em saída, não autorreferente, uma Igreja que não passe longe das feridas do homem, uma Igreja misericordiosa que anuncie o coração da revelação de Deus Amor que é a Misericórdia. É a mesma misericórdia que nos faz novos no amor; e sabemos o quanto as famílias cristãs são lugares de misericórdia e testemunhas de misericórdia. Após o Jubileu Extraordinário, serão ainda mais, e o Encontro de Dublin poderá dar sinais concretos.

Convido, pois, toda a Igreja a recordar estas indicações na preparação pastoral para o próximo Encontro Mundial.

A Você, querido irmão, junto com seus colaboradores, apresenta-se a tarefa de conjugar de uma forma especial o ensinamento da Amoris Laetitia, com a qual a Igreja deseja que as famílias estejam sempre a caminho, nessa peregrinação interior que é uma manifestação de vida autêntica.

Meu pensamento se dirige de maneira especial à Arquidiocese de Dublin e a toda a querida Nação irlandesa, pela generosa hospitalidade e o esforço que significa organizar um evento desta grandeza. Que o Senhor os recompense a partir de agora, concedendo-lhes em abundância favores celestes!

Que a Sagrada Família de Nazaré guie, acompanhe e abençoe seu serviço e a todas as famílias envolvidas na preparação do grande Encontro Mundial de Dublin. 

Vaticano, 25 de março de 2017.

Religión Digital/ IHU - Tradução: Cepat.
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Pe. Geovane Saraiva

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