"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

terça-feira, 18 de abril de 2017

Le Pen tenta deturpar a história

domtotal.com
Ela afirmou em alto e bom som que a França não era a responsável pela maioria das perseguições aos judeus em seu território, durante a Segunda Guerra Mundial.
Ilustração da Marguerita Bornstein, de New York.
Ilustração da Marguerita Bornstein, de New York. (Divulgação)
Por Lev Chaim*

A candidata à presidência na França, a populista da extrema-direita, Marine Le Pen, só fazia subir nas sondagens de opiniões entre os eleitores. Com seus jargões cuspidos da boca para fora, sem explicar como realizará os seus mirabolantes planos, tal qual Trump, tornou-se, infelizmente, uma possível candidata a passar do primeiro turno das eleições, que acontecerá no dia 23 de abril próximo. Além do que ela prometeu um referendo para verificar se os franceses ainda querem permanecer na União Europeia.  

Mas, após uma entrevista à televisão francesa, todos notaram que ela passou dos limites e ganhou a oposição de vários políticos, historiadores e meios de comunicação. Ela afirmou em alto e bom som que a França não era a responsável pela maioria das perseguições aos judeus em seu território, durante a Segunda Guerra Mundial. Le Pen exumou a culpa coletiva e histórica da nação francesa com relação à perseguição aos judeus, para depois mentir em causa própria. Foi como se ela dissesse: vocês já pagaram pelo antissemitismo de seus ancestrais e agora podem começar tudo de novo. Não tem como negar a história: a França colaborou com os nazistas e pronto.    

Se o que ela pleiteia fosse verdade, então o antigo presidente francês Chirac teria errado ao afirmar em 1995, que o Estado Francês foi o responsável pela razia aos judeus no país, tal qual a de 1942, em que 13 mil judeus foram presos e deportados da França. Chirac foi o primeiro presidente francês a reconhecer o fato e o atual presidente, François Hollande, em 2012, seguiu o seu exemplo ao dizer em alto e bom som: “os crimes contra os judeus aconteceram em território francês e contaram com a total colaboração do Estado Francês”. Com isto, Le Pen deixou ver sua outra cara que até o momento estava escondida. Já sabíamos que ela era corrupta, que recebeu dinheiro de Putin para a campanha, mas que tinha ideias antissemitas, como seu pai, foi uma surpresa. Basta ver a ira que ela provocou em todos e principalmente em Israel.

Ao tentar se explicar, ela abriu ainda mais a ferida que já havia secado. Ela disse que foi o Estado Francês que cometeu o erro de perseguir os judeus, mas não ‘a França’ (La France, com ênfase no La). E ai ela acrescentou mais um argumento da extrema-direita europeia, que parece ter se esquecido do que Hitler e os nazistas fizeram ao mundo: “a nação já pagou demais pelas suas faltas e agora tem que ter motivos para se orgulhar!”- disse ela. Com todos os protestos provocados por este último pronunciamento de Marine Le Pen, uma coisa parece ter ficado bem clara: ela é uma ‘digna’ filha de seu pai, Jean-Marie Le Pen, conhecidíssimo por seus pronunciamentos antissemitas, que até provocaram a sua expulsão do seu próprio partido, A Frente Nacional, pela própria filha. Foi uma questão de sobrevivência para o Partido na época. E agora? Espero que os historiadores e os políticos não deixem o fato por menos e alertem a opinião pública francesa desta nova cara de pau de Marine Le Pen, que tenta reverter a história de uma nação para angariar votos a qualquer custo.

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras para o Domtotal.

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Pe. Geovane Saraiva

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