"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Card. Hummes: "É triste a realidade dos indígenas, de Norte a Sul do país"

IGREJA \ IGREJA NO BRASIL


Cidade do Vaticano (RV) - Há mais indígenas em São Paulo do que no Pará ou no Maranhão. O número de indígenas que moram em áreas urbanas brasileiras está diminuindo, mas crescendo em aldeias e no campo. O percentual de índios que falam uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas do que entre os que vivem em cidades.

As conclusões integram o mais detalhado estudo já feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre os povos indígenas brasileiros, baseado no Censo de 2010 e lançado nesta semana.
Segundo o instituto, há cerca de 900 mil índios no Brasil, que se dividem entre 305 etnias e falam ao menos 274 línguas. Os dados fazem do Brasil um dos países com maior diversidade sociocultural do planeta.  
Como anda a evangelização dos indígenas no nosso país? E principalmente, como estão vivendo estes povos, do Norte ao Sul? As comissões episcopais para a Ação Missionária e para a Amazônia, em parceria com a Comissão Bíblico-Catequética e a Pastoral para a Liturgia, decidiram avaliar o tema. Indígenas, missionários/as indigenistas, padres e padres indígenas, bispos e arcebispos do Brasil que contam com a presença de povos indígenas nas prelazias, dioceses e arquidioceses se reuniram em Brasília (DF), nos últimos dias de março, para refletir sobre a evangelização dos e entre os povos indígenas do Brasil.
Conosco, o Cardeal Cláudio Hummes, Presidente da Comissão para a Amazônia e da REPAM, Rede Eclesial Pan-amazônica. Ouça-o:

“É muito diferenciada a situação dos indígenas, como também a problemática em termos de evangelização: o que se está fazendo, de que modo se está fazendo ou não se está fazendo, etc. É uma problemática sob certos aspectos preocupante. Os próprios indígenas dizem que ‘a Igreja tem que estar mais presente’”.
“A Igreja acabou aos poucos perdendo o contato com as comunidades indígenas, e não há mais praticamente padres que moram dentro das comunidades, em suas áreas. Apenas vão e voltam. Isso torna muito difícil a sua caminhada católica, por causa da invasão das igrejas evangélicas e neopentecostais que estão muito agressivamente entrando nestas comunidades, por todo lado. Temos perdido muitas comunidades indígenas que passaram para as igrejas evangélicas”.
“Precisamos retomar muito mais intensamente e em novas formas a evangelização dos indígenas. Pelo Brasil afora, às vezes estão em situação muito pior do que os indígenas na Amazônia, sobretudo em termos sociais e econômicos. Enfim, há áreas grandes, onde existem algumas comunidades, inclusive no Sudeste, no Paraná, por exemplo, que vivem em acampamentos. Ao lado da estrada, vivem uma pobreza muito grande: subnutrição, doenças, falta de assistência… a assistência religiosa acaba sendo muito precária. Notamos que há situações extremamente necessitadas de uma atuação urgente em favor dos indígenas, seja em terras demarcadas, seja em outras situações. A situação daqueles que vivem às beiras das estradas é muito triste”.
Fonte: www.br.radiovaticana.va
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Pe. Geovane Saraiva

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