"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sexta-feira, 31 de março de 2017

Amor onde não há amor

Padre Geovane Saraiva*
Como aprender do cego de nascença, homem excluído pela sociedade de seu tempo, quando todos o asseguravam que seria também esquecido por Deus? Quando experimentamos o sofrimento, mesmo desiludidos e desencorajados com nossa fé colocada à prova, surgem, providencialmente, muitas vezes, pessoas como se fossem a própria mão de Deus, com palavras de ânimo, consolo e esperança. Como o povo de Deus de outrora, devemos acolhê-las, confiantes de que é o mesmo Deus presente e escondido na dor e no sofrimento, revelando-se a seu povo. Jesus foi chamado por Deus para defender, acolher e curar precisamente aquela pessoa que fora excluída e humilhada. A luminosidade de Jesus faz de verdade a diferença naquele pobre homem, a ponto de resgatá-lo, tirando-o do hábito vergonhoso de mendigar.

Peçamos a Nosso Senhor Jesus Cristo que nos cure de nossas cegueiras físicas, sociais e espirituais, dando-nos a graça, sempre e cada vez maior, de aceitar e reconhecer, sem nunca excluir, o nosso irmão como um filho de Deus que merece respeito e dignidade. A profissão de fé do cego - "Senhor, eu creio" - é para que se compreenda que Jesus não abandona quem sinceramente O procura e O ama. Mesmo que seja excluído e sofra repreensão e grito de autoridades, comunidades e instituições religiosas, aquele que é contado como louco, não estando de acordo com muitas normas e leis; ele participa, com certeza, do privilégio de estar em um bom lugar, de experimentar a presença amorosa de Jesus.

Reflitamos sobre o texto do cego de nascença, profundamente marcado pela exclusão e marginalização religiosa e social, na dor da sua enfermidade, com a concepção da época, de que pessoas com tais enfermidades carregavam consigo um castigo de Deus. Essas pessoas eram eliminadas do convívio humano e social, não podendo se aproximar de seus semelhantes, causando-lhes grande dor e terrível sofrimento. O milagre de Jesus naquele cego de nascença, no gesto de misturar Sua saliva com a terra e fazer lama, rompe e ultrapassa barreiras, indicando-nos a saliva como uma energia que, ao se encontrar com a mãe terra, dom sagrado de Deus, percebe-se a manifestação de Sua generosa bondade.

O encontro com Jesus muda por completo sua vida, numa luminosidade tal que o leva a desfrutar de uma nova vida, tendo por base a dignidade de filho de Deus. Em Jesus, poder e vontade andam juntos e confundem-se. Na cura do cego de nascença, o Filho de Deus mostra e revela ao mundo, de um modo pedagógico, seu poder salvador. É a realização da vontade do Pai ensinando à humanidade o verdadeiro sentido da vida, ao nos assegurar que tudo foi feito por amor e para a felicidade de todos, e não para alguns. Jesus anuncia que o reino de Deus já chegou, manifestando-se nos mais distantes, excluídos e necessitados. Amém!

*Pároco de Santo Afonso, Jornalista, Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com 


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