domingo, 31 de julho de 2016

Como eu era antes de você (D)

Título original: Me Before You
Will (Sam Claflin) é um garoto rico e bem-sucedido, até sofrer um grave acidente que o deixa preso a uma cadeira de rodas. Ele está profundamente depressivo e contrata uma garota (Emilia Clarke) do campo para cuidar dele. Ela sempre levou uma vida modesta, com dificuldades financeiras e problemas no trabalho, mas está disposta a provar para Will que ainda existem razões para viver.
País: Eua

Ano: 2016

Gênero: Drama

Classificação: 14

Direção: Thea Sharrock

Elenco: Emilia Clarke, Sam Claflin, Janet McTeer

Duração: 1h50 min.

O sofrimento e a impotência dos pais de extremistas franceses

domtotal.com
Mãe de Abdel Petitjean concede uma entrevista à AFP em sua casa.
Mãe de Abdel Petitjean concede uma entrevista à AFP em sua casa.

Adel Kermiche e Abdel Malik Petitjean degolaram um padre no noroeste da França em nome do grupo Estado Islâmico. Contudo, seus pais haviam tentando, em vão, mudar sua conduta. Mas como fica a vida quando um filho se radicaliza?

Preocupada com a intenção de viajar à Síria do jovem Adel, a família Kermiche contactou as autoridades para sinalizar o seu desaparecimento no momento da sua primeira tentativa, em março de 2015.

Depois de tentar fazer a viagem uma segunda vez, em maio de 2015, sua mãe foi entrevistada pelo jornal suíço La Tribune de Genève, mencionando um "menino feliz, que foi enfeitiçado, como em uma seita".

A família tentou endireitar o jovem a qualquer preço. Em vão.

Mais de um ano depois, Adel Kermiche e Abdel Malik Petitjean, ambos de 19 anos, juraram fidelidade ao grupo extremista Estado Islâmico. Na terça-feira, eles entraram numa igreja de Saint Etienne du Rouvray (noroeste) e degolaram o padre Jacques Hamel, de 86 anos.

Mais de um ano antes do ataque, a mãe de Adel reconhecia sua impotência frente a situação: "não sabemos a quem recorrer para nos ajudar".

Mais e mais famílias se veem afetadas por fenômenos de radicalização ou pela partida repentina de um parente, e buscam associações de apoio.

De acordo com os números mais recentes, pelo menos 680 cidadãos franceses ou residentes na França estariam presentes na Síria e no Iraque.

"Totalmente impotentes, as famílias que buscam ajuda das associações passam por um grande sofrimento e um grande sentimento de culpa", explica à AFP Amélie Boukhobza, psicóloga clínica e membro da organização Entr'Autres, presente em toda a França.

O objetivo destes atores não é tanto ajudar os menores radicalizados, "que de toda forma não pedem [esta ajuda]", mas os pais.

Entre o amor e a injúria

"Não há perdão", reconhece a especialista, mas "o amor dos pais está presente o tempo todo", apesar de tudo.

"Eu amo você, eu sinto sua falta", dizia em uma mensagem de voz na quarta-feira a mãe de Abdel Malik Petitjean, segundo jihadista de Saint Etienne du Rouvray. Ela não podia acreditar no envolvimento de seu filho, que estava prestes a ser revelado.

Mesmo quando os filhos partem para se juntar às fileiras extremistas, as famílias tentam manter uma ligação, algumas têm um contato regular e até mesmo diário.

Trocam fotografias, vídeos, relatam sobre o seu dia, o tempo que passa, antes que apareçam as "injúrias": os filhos começam a tratar seus pais como "infiéis", repreendendo-os por continuar a viver no Ocidente, explica Amélie Boukhobza.

"Eu cortei todas as relações [com a minha filha] há cinco meses", diz Ivan Sovieri, cuja filha, A., de 29 anos, foi para a Síria com o marido e os filhos. "Sofria quando conversávamos, então não quis saber mais dela", relata.

Depois de algumas conversas tensas, A. chegou a rejeitar seu pai. "Para minha filha, a única coisa que importa é Alá e nada mais", afirma Ivan Sovieri, convencido de que "não a verá novamente."

"Para essas famílias, uma partida [para a Síria ou o Iraque] significa uma morte de qualquer maneira. É uma perda quase certa, diria 99% certa", diz Patrick Amoyel, psicanalista e responsável por Entr'Autres.

A isso, soma-se o pânico generalizado de que seu filho seja responsável por um ataque.

Cada vez que há um ataque na França, "as famílias têm apenas um medo: será que meu filho estava entre as pessoas e cometeu este ato?", indaga Amélie Boukhobza.

"Não há nada a fazer", lamenta Ivan. "Apenas cruzar os dedos para que nada aconteça".


AFP

domtotal.com Moratória da Soja completa dez anos Acordo é resultado de uma das mais bem sucedidas campanhas do Greenpeace no Brasil. Fim do desmatamento não é apenas possível, como extremamente vantajoso para o mercado. Fim do desmatamento não é apenas possível, como extremamente vantajoso para o mercado. Por Paulo Adario* Este acordo de mercado é resultado de uma das mais bem sucedidas campanhas do Greenpeace no Brasil e foi um divisor de águas na proteção da Amazônia, mostrando que o fim do desmatamento não é apenas possível, como também extremamente vantajoso para o mercado. Há dez anos a rápida expansão da cultura de soja na Amazônia representava uma séria ameaça para a maior floresta tropical do planeta e seus habitantes. Veja em detalhes a história e funcionamento da Moratória da Soja. Apesar de ser um grão conhecido na Ásia há mais de 2 mil anos, a soja só passou a ser cultivada em escala comercial no Ocidente – a começar pelos Estados Unidos – em fins do Século 19 e início do Século 20. O primeiro plantio comercial de soja no Brasil, no Rio Grande do Sul, data de 1914. Adaptada aos solos ácidos do Cerrado, a soja avança rumo norte nos anos 80, invadindo a Amazônia por Mato Grosso no início dos 90. E segue em frente, empurrando a fronteira agrícola, rumo ao coração da floresta Amazônica e deixando um rastro de desmatamento por onde passa. Entre 70% e 90% da produção mundial de soja destina-se à alimentação de animais; a crescente demanda global pela soja, que provocou um crescimento enorme no setor agrícola brasileiro, virou algoz da floresta, de seus povos e da estabilidade climática global. Com a implantação do terminal de soja da multinacional Cargill em Santarém, na confluência dos rios Tapajós e Amazonas (PA), no início dos anos 2000, agricultores do sul do país e de Mato Grosso promoveram uma corrida à região, comprando terras baratas de pequenos agricultores. Comunidades inteiras foram deslocadas graças a “febre” de compra de terrenos e, em alguns casos, corrupção e violência foram usadas para remover aqueles que não quiseram vender suas terras. Os recém-chegados trouxeram na bagagem novos desmatamentos. Em 2004/2005, a situação na Amazônia brasileira era alarmante, com a segunda taxa mais alta de desmatamento anual já registrada. Embora a principal inimiga da floresta fosse a pecuária (que hoje ocupa 65% das áreas desmatadas), a soja, destinada à exportação e muito mais rentável que o boi, se tornou a vanguarda da destruição. Precisava ser contida antes que fosse tarde demais. Para isso, era importante identificar quem era responsável, quem se beneficiava e quem tinha poder para parar a destruição da floresta. Em abril de 2006, o Greenpeace lançou o relatório “Eating up the Amazon” (Comendo a Amazônia), que mostrava o quanto a cadeia da soja amazônica estava contaminada pelo desmatamento. Empresas consumidoras como o McDonald’s foram expostas: a carne de frango que eles e outras empresas de fast-food serviam era alimentada com a soja cultivada a partir da destruição da Amazônia. A proposta do Greenpeace era simples como traçar uma linha no solo: uma moratória na compra de soja, que fechasse o mercado para o grão vindo de desmatamentos ocorridos a partir da data de assinatura do compromisso, que estivessem envolvidos com trabalho escravo e invasão de terras indígenas. Com protestos de ativistas mundo afora, focados no McDonald’s – maior comprador de soja da Cargill no Brasil naquela época, a campanha ganhou força. Depois de analisar as evidências e demandas apresentadas pelo Greenpeace, a McDonald’s preferiu deixar de ser alvo para ser parte da solução. Lideradas por ela, grandes empresas europeias que importavam soja do Brasil criaram o Grupo Europeu de Consumidores de Soja, passaram a pressionar seus fornecedores no Brasil: não queriam mais comprar soja contaminada com desmatamento, invasão de terras indígenas e escravidão. Poucos meses depois, em 24 de julho de 2006, a Moratória da Soja foi assinada por membros da ABIOVE(Associação Brasileira Indústrias Óleos Vegetais) e ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), que controlavam 92% da produção de soja no Brasil. Na mesma época, organizações da sociedade civil se juntaram à iniciativa e formou-se o Grupo de Trabalho da Soja – GTS. A moratória foi inicialmente proposta por dois anos, esse acordo voluntário garantiu que comerciantes não comprassem soja cultivada na Amazônia em terras desmatadas depois de 2006**. O compromisso foi mantido em 2008, já com a participação do governo brasileiro e desde então vinha sendo renovado anualmente. Em maio deste ano, o acordo foi renovado por tempo indeterminado ou “até que ela não seja mais necessária”, como diz o termo de renovação. E o que era visto como uma “afronta” para o mercado acabou convertido em um grande trunfo comercial. Afinal, produzir soja livre de desmatamento abriu as portas de mais mercados para o produto brasileiro. Desde de sua criação, em 2006, até hoje o desmatamento caiu 86% nos 76 municípios alcançados pela Moratória, que produzem 98% da soja no Bioma Amazônia, enquanto a área plantada aumentou em 170% no mesmo período. Em 2004, até 30% da soja plantada na Amazônia vinha de desmatamento recentes. Hoje, esse número não passa de 1,25%. Um estudo publicado em 2015 na revista Science pela professora Holly Gibbs, do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Wisconsin (USA), mostra que a Moratória da Soja foi cinco vezes mais eficiente em reduzir o desmatamento em comparação com o Código Florestal brasileiro. O sucesso da Moratória virou um “business-case” de repercussão mundial. Acabar com o desmatamento está entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, assinado por diversos países, incluindo o Brasil, e é o desejo de mais de 1,4 milhão de brasileiros que assinaram pelo projeto de lei do Desmatamento Zero, entregue no Congresso no ano passado. A Moratória da Soja é um dos melhores exemplos de como o Desmatamento Zero pode ser colocado em prática e a prova de que acabar com a destruição da Amazônia é vantajoso para todos, inclusive para os negócios. O Brasil não precisa de mais desmatamento, pelo contrário, para a segurança de produtores e populações, precisamos proteger nossas florestas e rios, há um longo caminho adiante. Experiências como a Moratória da Soja deveriam ser replicadas em outras culturas e regiões, como o Cerrado. Precisamos aprender com nossos acertos. ** Em 2013 a linha de corte foi alterada para 2008, em alinhamento ao Novo Código Florestal brasileiro. Envolverde, 25-07-2016. *Paulo Adario, ambientalista.

 domtotal.com
Acordo é resultado de uma das mais bem sucedidas campanhas do Greenpeace no Brasil.
Fim do desmatamento não é apenas possível, como extremamente vantajoso para o mercado.
Fim do desmatamento não é apenas possível, como extremamente vantajoso para o mercado.

Por Paulo Adario*

Este acordo de mercado é resultado de uma das mais bem sucedidas campanhas do Greenpeace no Brasil e foi um divisor de águas na proteção da Amazônia, mostrando que o fim do desmatamento não é apenas possível, como também extremamente vantajoso para o mercado.

Há dez anos a rápida expansão da cultura de soja na Amazônia representava uma séria ameaça para a maior floresta tropical do planeta e seus habitantes. Veja em detalhes a história e funcionamento da Moratória da Soja.

Apesar de ser um grão conhecido na Ásia há mais de 2 mil anos, a soja só passou a ser cultivada em escala comercial no Ocidente – a começar pelos Estados Unidos – em fins do Século 19 e início do Século 20. O primeiro plantio comercial de soja no Brasil, no Rio Grande do Sul, data de 1914. Adaptada aos solos ácidos do Cerrado, a soja avança rumo norte nos anos 80, invadindo a Amazônia por Mato Grosso no início dos 90. E segue em frente, empurrando a fronteira agrícola, rumo ao coração da floresta Amazônica e deixando um rastro de desmatamento por onde passa. Entre 70% e 90% da produção mundial de soja destina-se à alimentação de animais; a crescente demanda global pela soja, que provocou um crescimento enorme no setor agrícola brasileiro, virou algoz da floresta, de seus povos e da estabilidade climática global.

Com a implantação do terminal de soja da multinacional Cargill em Santarém, na confluência dos rios Tapajós e Amazonas (PA), no início dos anos 2000, agricultores do sul do país e de Mato Grosso promoveram uma corrida à região, comprando terras baratas de pequenos agricultores. Comunidades inteiras foram deslocadas graças a “febre” de compra de terrenos e, em alguns casos, corrupção e violência foram usadas para remover aqueles que não quiseram vender suas terras. Os recém-chegados trouxeram na bagagem novos desmatamentos.

Em 2004/2005, a situação na Amazônia brasileira era alarmante, com a segunda taxa mais alta de desmatamento anual já registrada. Embora a principal inimiga da floresta fosse a pecuária (que hoje ocupa 65% das áreas desmatadas), a soja, destinada à exportação e muito mais rentável que o boi, se tornou a vanguarda da destruição. Precisava ser contida antes que fosse tarde demais. Para isso, era importante identificar quem era responsável, quem se beneficiava e quem tinha poder para parar a destruição da floresta.

Em abril de 2006, o Greenpeace lançou o relatório “Eating up the Amazon” (Comendo a Amazônia), que mostrava o quanto a cadeia da soja amazônica estava contaminada pelo desmatamento. Empresas consumidoras como o McDonald’s foram expostas: a carne de frango que eles e outras empresas de fast-food serviam era alimentada com a soja cultivada a partir da destruição da Amazônia. A proposta do Greenpeace era simples como traçar uma linha no solo: uma moratória na compra de soja, que fechasse o mercado para o grão vindo de desmatamentos ocorridos a partir da data de assinatura do compromisso, que estivessem envolvidos com trabalho escravo e invasão de terras indígenas.

Com protestos de ativistas mundo afora, focados no McDonald’s – maior comprador de soja da Cargill no Brasil naquela época, a campanha ganhou força. Depois de analisar as evidências e demandas apresentadas pelo Greenpeace, a McDonald’s preferiu deixar de ser alvo para ser parte da solução. Lideradas por ela, grandes empresas europeias que importavam soja do Brasil criaram o Grupo Europeu de Consumidores de Soja, passaram a pressionar seus fornecedores no Brasil: não queriam mais comprar soja contaminada com desmatamento, invasão de terras indígenas e escravidão.

Poucos meses depois, em 24 de julho de 2006, a Moratória da Soja foi assinada por membros da ABIOVE(Associação Brasileira Indústrias Óleos Vegetais) e ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais), que controlavam 92% da produção de soja no Brasil. Na mesma época, organizações da sociedade civil se juntaram à iniciativa e formou-se o Grupo de Trabalho da Soja – GTS. A moratória foi inicialmente proposta por dois anos, esse acordo voluntário garantiu que comerciantes não comprassem soja cultivada na Amazônia em terras desmatadas depois de 2006**. O compromisso foi mantido em 2008, já com a participação do governo brasileiro e desde então vinha sendo renovado anualmente. Em maio deste ano, o acordo foi renovado por tempo indeterminado ou “até que ela não seja mais necessária”, como diz o termo de renovação.

E o que era visto como uma “afronta” para o mercado acabou convertido em um grande trunfo comercial. Afinal, produzir soja livre de desmatamento abriu as portas de mais mercados para o produto brasileiro. Desde de sua criação, em 2006, até hoje o desmatamento caiu 86% nos 76 municípios alcançados pela Moratória, que produzem 98% da soja no Bioma Amazônia, enquanto a área plantada aumentou em 170% no mesmo período. Em 2004, até 30% da soja plantada na Amazônia vinha de desmatamento recentes. Hoje, esse número não passa de 1,25%.

Um estudo publicado em 2015 na revista Science pela professora Holly Gibbs, do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Wisconsin (USA), mostra que a Moratória da Soja foi cinco vezes mais eficiente em reduzir o desmatamento em comparação com o Código Florestal brasileiro. O sucesso da Moratória virou um “business-case” de repercussão mundial.

Acabar com o desmatamento está entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, assinado por diversos países, incluindo o Brasil, e é o desejo de mais de 1,4 milhão de brasileiros que assinaram pelo projeto de lei do Desmatamento Zero, entregue no Congresso no ano passado. A Moratória da Soja é um dos melhores exemplos de como o Desmatamento Zero pode ser colocado em prática e a prova de que acabar com a destruição da Amazônia é vantajoso para todos, inclusive para os negócios.

O Brasil não precisa de mais desmatamento, pelo contrário, para a segurança de produtores e populações, precisamos proteger nossas florestas e rios, há um longo caminho adiante. Experiências como a Moratória da Soja deveriam ser replicadas em outras culturas e regiões, como o Cerrado. Precisamos aprender com nossos acertos.

** Em 2013 a linha de corte foi alterada para 2008, em alinhamento ao Novo Código Florestal brasileiro.


Envolverde, 25-07-2016.

*Paulo Adario, ambientalista.

Conheça os seis piores inimigos do coração

 domtotal.com
Muitas substâncias podem provocar danos ao nosso organismo.
O açúcar provoca hiperglicemia e aumento da quantidade de radicais livres no sangue.
O açúcar provoca hiperglicemia e aumento da quantidade de radicais livres no sangue.

A nutróloga Paula Vasconcelos, de São Paulo, selecionou as substâncias presentes nos alimentos da nossa rotina que mais danos podem provocar ao nosso organismo.

1) Gordura trans: Sintetizada durante o processo de hidrogenação dos óleos vegetais (conversão dos mesmos do estado líquido para sólido). Promove a diminuição do HDL (bom colesterol) e o aumento do LDL (colesterol ruim) e triglicérides, afetando os vasos sanguíneos. Isso abre portas para a aterosclerose, inflamação crônica dos vasos sanguíneos que pode provocar doenças como o acidente vascular cerebral (AVC), e para o acúmulo de gordura visceral. Principais fontes: salgadinhos, batatas fritas, biscoitos recheados, bolachas e congelados.

2) Açúcar: Uma das formas mais simples de carboidrato e uma das principais matérias-primas de doces em geral. Provoca hiperglicemia (elevação da taxa de glicose) e aumento da quantidade de radicais livres no sangue. Isso agride as paredes dos vasos sanguíneos. Principais fontes: bolos e doces em geral, como sonho e pavê 

3) Gordura saturada: Encontrada preferencialmente em alimentos de origem animal. Aumenta os níveis de LDL (mau colesterol) e a pressão arterial, também levando à aterosclerose e acúmulo de gordura visceral. Principais fontes: embutidos como mortadela, salame, presunto, salsicha e linguiça

4) Nitritos e nitratos: Conservantes que prolongam a vida útil dos alimentos. Os mesmos das gorduras saturadas: Principais fontes: também os embutidos 

5) Cloreto de sódio: Em pequenas quantidades, é útil para o organismo. É importante, por exemplo, na contração muscular. O problema é o excesso. Prejudica o bom funcionamento dos rins. Principais fontes: sal de cozinha e alimentos industrializados e processados como enlatados e conservas 

6) Óleos vegetais: Em estado normal, só fazem bem. Exemplo: o azeite que colocamos na salada. Mas, o aquecimento dos mesmos altera a estrutura dos ácidos graxos - o que é prejudicial. Elevação dos níveis do LDL (colesterol ruim) e aumento dos radicais livres que danificam os tecidos. Principais fontes: frituras em geral, como coxinha, rissoles e churros.

Agência Estado

Será preciso aumentar impostos em 10%

 domtotal.com
Em valores de hoje, seria um acréscimo de R$ 600 bilhões a um total de impostos.
Mesmo com o aumento o rombo continuaria do mesmo tamanho.
Mesmo com o aumento o rombo continuaria do mesmo tamanho.

Sem o endurecimento nas regras de concessão de aposentadoria no Brasil, a carga tributária terá de crescer o equivalente a 10% do PIB para pagar os benefícios previdenciários. Em valores de hoje, seria um acréscimo de R$ 600 bilhões a um total de impostos e contribuições pagos que já ultrapassa a casa dos R$ 2 trilhões. E, mesmo assim, o rombo continuaria do mesmo tamanho, diz o secretário da Previdência, Marcelo Caetano, escolhido pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para tocar o alicerce técnico da reforma da Previdência. 

"Qual o custo você prefere?", questiona. "Mesmo com esse aumento de tributos, continuaríamos com um rombo na Previdência em torno de 2% do PIB", disse, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Com as regras atuais, as despesas cresceriam 8,5% do PIB até 2060.

Caetano diz que esse cenário para os próximos 44 anos reforça a importância das mudanças nas regras de acesso à aposentadoria para garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário a longo prazo. O desafio, reconhece, vai ser convencer a população - e os parlamentares - que é preciso agir agora. 

"Quero uma aposentadoria não só para meus pais, que são aposentados; mas para mim, que ainda vou me aposentar; para os meus filhos, que nem entraram no mercado de trabalho; e para meus netos, que nem nasceram", afirma. "Para isso, são necessários ajustes."

Algumas dessas mudanças já foram abordadas pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, eleito o porta-voz político do governo sobre o tema. Aos poucos, ele vem testando a reação das pessoas ao divulgar, em redes sociais, algumas das possíveis alterações.

O ministro já antecipou três pontos que devem estar incluídos na reforma:

1) a fixação de uma idade mínima para a aposentadoria por tempo de contribuição (previamente estipulada em 60 e 65 anos para mulheres e homens, respectivamente); 2) um "pedágio" de 40% a mais no tempo que falta para aposentar como regra de transição; 3) a unificação de todos os regimes - da aposentadoria rural e urbana, de trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos, incluindo os militares. Ao mexer com a caserna, as resistências já foram endereçadas aos interlocutores do presidente.

Caetano diz que trabalha com cenários distintos, que envolvem mudanças nas condições de acesso, no cálculo do benefício e na forma como são corrigidas as aposentadorias e pensões para garantir, além da sustentabilidade, um sistema mais igualitário. "Tem de pensar numa consistência interna. O que vai ser feito em cada uma dessas três pilastras é uma decisão política", afirmou.

Prazo

No Ministério da Fazenda, a ordem é que se cumpra o compromisso de enviar a proposta até o fim deste ano. Do ponto de vista técnico, Caetano garante ser possível. A expectativa do governo é que a reforma já provoque um efeito nas contas públicas em quatro, cinco anos depois de ser aprovada.

Nesse intervalo, o governo ganha com a confiança dos investidores de que a dívida pública entrará numa trajetória mais "saudável". Com essas medidas, Meirelles e companhia esperam recuperar o grau de investimento do País - selo de bom pagador - e abrir caminho para uma queda mais consistente dos juros. 

O secretário da Previdência rebate o argumento das centrais sindicais de que a fixação de uma idade mínima na aposentadoria por tempo de contribuição prejudica os mais pobres, que entram mais cedo no mercado de trabalho. No entanto, estudo recente aponta que seis de cada dez aposentados por tempo de contribuição estão entre os 40% mais ricos da população. "No fundo, a aposentadoria por tempo de contribuição está mais direcionada ao público que ingressa de forma mais regular no mercado formal de trabalho", afirma. 

As centrais têm defendido também que o governo foque no lado das receitas, com o aumento de impostos para o "andar de cima" para bancar o déficit da Previdência. Para o secretário, porém, não há possibilidade de fechar as contas só pelo incremento nas receitas porque, qualquer que seja o tributo, a arrecadação continuaria no mesmo patamar ao longo dos anos, enquanto as despesas aumentariam, por questões demográficas.

O envelhecimento da população brasileira vai se dar em um ritmo muito mais veloz do que nos países que viveram esse fenômeno. A Europa levou cerca de 50 anos para passar de uma participação de pessoas de 60 anos ou mais na população total de 11,8% para 20 3%. Os países da América Latina, incluindo o Brasil, vão percorrer trajetória similar (de 11,2% para 21%), de 2015 a 2040 em apenas 25 anos. Em 2060, o Brasil terá cerca de duas pessoas em idade ativa para cada idoso de 65 anos ou mais. 

A aposentadoria por tempo de contribuição, sem exigência de idade mínima, é rara no cenário internacional. Apenas o Brasil e mais outros 12 países, a maior parte árabes, de um total de 117 nações, adotam esse tipo de benefício, segundo dados da Associação Internacional de Seguridade Social (AISS). Cinco desses 13 países impedem o acúmulo do benefício previdenciário com rendimentos de trabalho e 12 deles adotam regras de redução do valor de benefício para aposentadorias precoces.

Agência Estado

Yuriko Koike é primeira mulher eleita governadora de Tóquio

Integrante do Partido Liberal Democrata enfrentou outros 20 candidatos.
Governante assumirá preparativos para os Jogos Olímpicos de 2020.
Yuriko Koike (centro) e seus apoiadores celebram sua vitória como governadora de Tóquio neste domingo (31)  (Foto: Jiji Press/AFP)
Da France Presse

 Yuriko Koike (centro) e seus apoiadores celebram sua vitória como governadora de Tóquio neste domingo (31)  (Foto: Jiji Press/AFP)
Yuriko Koike (centro) e seus apoiadores celebram sua vitória como governadora de Tóquio neste domingo (31) (Foto: Jiji Press/AFP)
Pela primeira vez uma mulher, Yuriko Koike, foi eleita governadora da cidade de Tóquio, que se prepara para acolher os Jogos Olímpicos de 2020.
A política de 64 anos, integrante do Partido Liberal Democrata, enfrentou outros 20 candidatos, um número recorde, após a renúncia em junho de Yoichi Masuzoe, envolvido em um escândalo financeiro.
Com 62% dos votos apurados, Koike estava a 700 mil votos de seu rival mais próximo.
saiba mais
Tóquio vai às urnas para escolher governador
Yuriko Koike, ex-ministra do Meio Ambiente e da Defesa, assumirá o cargo por quatro anos e terá que supervisionar a preparação dos Jogos Olímpicos, mais de meio século depois que a cidade acolheu os jogos de verão pela última vez, em 1964.
"Dirigirei a política de Tóquio de uma maneira sem precedentes, será a Tóquio nunca vista antes", declarou Koike, após duas semanas de campanha. "Quero uma Tóquio onde cada um possa brilhar, das crianças aos idosos e as pessoas com deficiência, com o objetivo de que a vida de todos seja melhor."
O mandato de Koike terminará logo depois da abertura dos Jogos.
Orçamento dos Jogos
Os preparativos da cidade japonesa para as Olimpíadas já atravessaram vários episódios embaraçosos: a eleição da sede é atingida por suspeitas de corrupção investigadas pela justiça francesa; o primeiro projeto de estádio, muito caro, foi anulado após semanas de polêmica e a logomarca inicial foi retirada por acusações de plágio.
Os meios de comunicação japoneses evocaram a possibilidade de que o custo dos jogos poderia duplicar e inclusive triplicar o montante inicial, de 730 bilhões de ienes (mais de R$ 23 bilhões).
"Quero revisar as bases do orçamento para que os habitantes de Tóquio vejam claramente o que vão ter que pagar", declarou.
Koike também terá que gerenciar a economia de uma cidade do tamanho da Indonésia, enfrentar o problema da falta de creches e preparar uma população de 13,6 milhões de habitantes diante um possível terremoto grave, uma eventualidade que continua assombrando seus habitantes desde o terremoto e tsunami de março de 2011.
Da TV à política
Ex-apresentadora de televisão, a governadora se formou em Sociologia pela Universidade do Cairo em 1976 e trabalhou quando jovem como intérprete de árabe.
Tornou-se muito conhecida como apresentadora e entrou na política em 1992. Foi ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2006 e colocou em andamento uma campanha contra as mudanças climáticas, na qual encorajava trabalhadores a tirar o terno e a gravata em vez de aumentar a potência do ar condicionado em seus locais de trabalho.
Koike se converteu, em um país quase dominado pelos homens, na primeira ministra da Defesa do Japão, em 2007, mas precisou deixar o cargo em menos de dois meses devido a um escândalo no qual não esteve envolvida.

Panamá acolherá a JMJ em 2019

O Santo Padre anuncia o lugar da próxima Jornada Mundial da Juventude
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No final da celebração eucarística no Campus Misericordiae de Cracóvia, o Papa Francisco, na sua mensagem antes da oração do Angelus, anunciou que as próximas Jornadas Mundiais da Juventude serão no Panamá em 2019.

"Não sei se estarei no Panamá", Papa se despede de Cracóvia

Foto: Captura do Youtube

CRACÓVIA, 31 Jul. 16 / 02:18 pm (ACI).- No encontro com os voluntários da JMJ no Tauron Areia da Cracovia, o Papa Francisco improvisou seu discurso e assinalou que “não sei se vou estar no Panamá” para a seguinte Jornada Mundial da Juventude que se realizará em 2019 nesse país e lhes deixou uma tarefa para o futuro aos jovens presentes.

Falando em espanhol, o Santo Padre disse aos jovens presentes: "eu não sei se vou estar no Panamá, mas posso assegurar uma coisa, que Pedro (o Papa) vai estar no Panamá".

"Preparar uma JMJ é toda uma aventura, é meter-se em uma aventura e chegar, chegar, servir, trabalhar, fazer e depois despedir-se", indicou o Papa.


Francisco disse aos jovens que para ser a esperança do futuro necessitam duas condições: memória e coragem.

Para ter memória, explicou, "fale com seus pais, fale com os mais velhos, sobre tudo fale com seus avós, está claro? De tal maneira que se vocês querem ser esperança do futuro têm que receber a tocha do seu avô e da sua avó, está claro?"

A segunda condição, a coragem, consiste em "ser valentes, não assustar-se. Escutamos o testemunho, a despedida, deste nosso companheiro que o câncer venceu. Queria estar aqui e não chegou, mas teve coragem, coragem de enfrentar e coragem de seguir lutando mesmo na pior das condições".

O Papa se referia a Maciej Szymon, o jovem voluntário que faleceu de câncer no último 2 de julho, e que desenhou uma grande quantidade de materiais para a JMJ da Cracóvia assim como as imagens dos Santos patronos e o kit do peregrino.

"Esse jovem hoje não está aqui, mas esse jovem semeou esperança para o futuro. Então, para a presente coragem, valentia, está claro? E então, se tiverem, O que era o primeiro? Memória. E se tiverem? Coragem. vão ser a esperança do futuro. Está claro tudo? (Sim!)"

No Panamá 2019, disse Francisco, "Pedro lhes vai perguntar se falaram com os avós, se falaram com os idosos para ter memória, se tiveram coragem e valentia para enfrentar as situações e semearam coisas para o futuro e, a Pedro vão responder. Está claro? Que Deus os abençoe muito, obrigado, obrigado por tudo".

Gritar o Evangelho com a vida

Padre Geovane Saraiva*
A humanidade vive novos tempos envolvida em desconcertantes crises. Como filhos da Igreja, repletos de confiança, somos convidados a reavivar o dom da fé e a reaprender com Jesus de Nazaré, numa postura lúcida e responsável identificada com o seu Evangelho, a seguir os passos do nosso Mestre e Senhor, no sonho de dias melhores. Não temos dúvida das carências e necessidades do mundo, que a todo custo precisa sempre mais se convencer da urgência de bons e generosos passos, no sentido de não só ser ouvido, mas atendido em seus clamores.

Devemos aprender a pedir o que mais nos convém, o essencial à nossa vida de cristãos, a partir do nosso Deus, na sua terna misericórdia e constante acolhida. Todo o nosso viver, bem associado a Jesus, seria gritar, com toda a força, o Evangelho com a própria vida, unido ao sonho de Deus-Pai, na busca da imitação de seu filho: “Quem ama quer imitar; é o segredo de minha vida. Apaixonei-me por esse Jesus de Nazaré crucificado, e passo a vida tentando imitá-lo” (Charles de Foucauld – 1858-1916). Que as palavras do Papa Francisco, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro (23/07/2016), para a recitação da Oração do Ângelus, ajude-nos no íntimo diálogo, ao dizer que devemos insistir com Deus, não para convencê-lo, mas para fortalecer a nossa fé, nossa capacidade de lutar com Deus pelas coisas realmente importantes.

Nós, da Fraternidade Sacerdotal Jesus+Caritas do Nordeste, de 25 a 27 de julho, estamos reunidos em João Pessoa-PB, dentro do contexto do centenário do martírio do bem-aventurado Charles de Foucauld, em 1º de dezembro de 1916, que, segundo a espiritualidade do Irmão Universal, nossa súplica seja de uma confiança envolvente e inabalável no caminho da entrega e despojamento: “Dai-me, meu Deus, o que vos resta. Aquilo que ninguém vos pede. Não vos peço repouso nem tranquilidade, nem da alma nem do corpo. (...) Dai-me, Senhor, a certeza de que essa será a minha parte para sempre”.

Como é imprescindível para o nosso mundo o legado deixado por Charles de Foucauld, que nasceu na França. No dia 30 de outubro de 1886, submeteu-se à vontade de Deus: em Paris, encontrando o Padre Huvelin, vigário da Igreja de Santo Agostinho, em uma conversa com ele, confidenciou-lhe: “Padre, não tenho fé, peço-te que me instrua”. O padre foi ríspido: “Te ajoelha e confesse teus pecados! Então, crerá!”. Obediente, experimentou uma alegria indizível, a alegria do filho pródigo.

Que o centenário de seu martírio seja consequente e sensibilize nosso mundo, no sentido de se abraçar o grande sonho do Papa Francisco, o de um mundo solidário, de filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Guardemos, no mais íntimo do íntimo, a célebre expressão de Charles de Foucauld: “Tão logo que acreditei existir um Deus, compreendi que só podia fazer uma única coisa: viver só para Ele”.

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência  Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
Tumba del Beato – El Golea (Argelia) | Pregunta Santoral
 www.preguntasantoral.es

Festa de Santo Afonso 2016 – primeira noite (29/07)

Abertura da Festa de Santo Afonso 2016 com o tema: Santo Afonso e a Misericórdia do Santíssimo Redentor. Momentos do tradicional hasteamento da bandeira, Missa e parte social.
                   

En busca do último lugar

Semana de Teologia, PUC SÃO PAULO, junho 2016

Günther LEMBRADL*
gunter-lembradl
No dia 1 de dezembro de 1916, portanto cem anos atrás, em Tamanrásset, uma cidade da tribo dos Tuaregues no coração do Saara, foi morto o Pe. francês, Carlos de Foucauld, que agora em diante vou chamar simplesmente Ir. Carlos. Ele quis ser irmão de todos. Durante a sua vida ele quis fundar uma congregação, mas morreu sozinho, sem ver o seu projeto realizado. “Se o grão de trigo que cai na terra, não morrer, ficará só, mas se morrer produzirá muito fruto”. (João 12,24). Mais ou menos trinta anos após sua morte, veio a surgir a primeira congregação, os irmãozinhos de Jesus. Hoje ao redor do Ir. Carlos existe uma família espiritual muito numerosa. No dia 13 de novembro de 2005 Ir. Carlos foi declarado beato pelo Papa Bento XVI.

Quem é esta pessoa extraordinária cujo testemunho de vida atraiu tanta gente?

Carlos de Foucauld nasceu em 1858. Com 6 anos de idade era órfão de pai e de mãe. Com 14 anos fez a primeira comunhão e logo em seguida perdeu a fé. Com 28 anos, ele a recuperou. No mês de outubro ele é visto nas Igrejas de Paris rezando. A oração que repetia era: “Meu Deus, se você existir, eu gostaria de conhecê-lo”. No dia 29 ou 30 de outubro de 1886, ele tinha 28 anos de idade, entrou na Igreja de Santo Agostinho para pedir aulas de religião. O padre “Abbé Huvelin” o mandou ajoelhar e confessar. Logo depois lhe deu a santa comunhão. Carlos sai da Igreja tendo reencontrado a fé. Ele escreveu: “Logo que tinha a certeza de que Deus existe, só pude viver para ele”. Começa uma vida nova.

Charles de Foucauld
Numa homilia do Pe. Huvelin, ele escuta uma frase que iria “gravar-se indelevelmente em minha alma”, como afirmou. “Jesus tomou de tal maneira o último lugar que ninguém jamais pôde tirá-lo daqui.”

A partir de então Ir. Carlos inicia a aventura do seguimento de Jesus Cristo, a descida para o último lugar. Tema da minha colocação.
A pedido do Pe. Huvelin, que se tornou o seu guia espiritual, Ir. Carlos faz uma peregrinação para a Terra Santa. Ele chegou a Nazaré. Lá ele se defrontou com “a existência humilde e obscura do divino carpinteiro da Nazaré”. Ele descobriu o seu chamado: Viver a vida de Jesus de Nazaré. Mais tarde ele medita longamente sobre as palavras do Evangelho de Lucas. “Ele desceu com eles para Nazaré e lhes era submisso”. (Lc.2,51). “Vós descestes com eles (os pais) para viver, como eles viviam, a vida dos pobres artesãos, que vivem do próprio trabalho em Nazaré”. Ainda trinta anos após a sua conversão em 1916, ano de sua morte, Ir. Carlos medita em Tamanrasset: “Ele desceu com eles e foi para Nazaré: por toda a sua vida. Ele só desceu, desceu ao encarnar-se, desceu ao fazer-se filho, desceu ao obedecer, desceu ao fazer-se pobre, abandonado, exilado, perseguido, supliciado, ao colocar-se sempre no último lugar”. Buscar o último lugar para Ir. Carlos é o resumo de sua vontade em seguir Jesus Cristo. Aqui há uma intuição central da fé do Ir. Carlos, profundamente de acordo com o coração da revelação cristã.

Ir. Carlos tem a intuição de que ele encontra o último lugar no seguimento da vida de Jesus em Nazaré. Trinta anos de vida escondida, de trabalhador, desprezada. Natanael ao saber que Jesus é de Nazaré só sabe exclamar: “De Nazaré pode sair alguma coisa que presta”? (João 1,46)

Nazaré era uma cidade rejeitada, impura, pagã, sem importância, obscura e desconhecida. Não tinha história, referências, importância; não tinha voz. Foi em Nazaré que Jesus viveu trinta longos anos de vida escondida, sua infância, adolescência, sua juventude. Aqui ele entendeu o seu chamado, aqui encontrou a sua vocação, aqui amadureceu o projeto de sua vida.

A pergunta que Ir. Carlos se fez: como encontrar este último lugar? A busca deste último lugar leva Ir. Carlos primeiro para o Mosteiro da trapa. “Restava-me entrar na Ordem onde eu encontrasse a imitação mais exata de Jesus…sua vida privada de humildade e pobre artesão de Nazaré”. Em 1890, com 32 anos de idade ele entra no Mosteiro “Notre-Dame des Neiges”, com a previsão de ser enviado para uma nova fundação em Akbés na Síria. Ele escreve: “Por que entrei na trapa? Por amor, por puro amor…amo Nosso Senhor Jesus Cristo, embora com um coração que gostaria amar mais e melhor, mas, enfim, eu o amo e não posso suportar viver uma vida diferente da sua, uma vida doce e honrada quando a Dele foi a mais dura e desdenhada que jamais houve”. Mas a saudade de Nazaré não tardou. Na trapa não encontrou o que estava buscando, a sua inspiração profunda. “Aqui somos pobres na opinião dos ricos; não somos pobres como Nosso Senhor era…quanta diferença entre essa casa (de um morador do lugar) e as nossas moradas! Suspiro por Nazaré”.

Após sete anos de monge trapista e antes de fazer os votos perpétuos Ir. Carlos recebe a permissão de deixar a trapa, para viver a vida de Jesus em Nazaré. Ir. Carlos deixa a Trapa e vai para Nazaré. Lá ele fica num convento de Irmãs Clarissas. Durante três anos mora numa casinha dois por dois metros, para ler, rezar, meditar no silêncio e ao abrigo da clausura. Durante este tempo de deserto amadurece em Ir. Carlos uma nova convicção. Viver “a vida de Nazaré, minha vocação, não na Terra Santa tão amada, mas entre as almas mais doentes, as ovelhas mais desamparadas”. Seu pensamento volta á sua juventude quando percorreu Argélia como soldado e Marrocos como explorador, os dois países que somam dez milhões de habitantes, não havia nenhum padre no interior.

Em 1900 ele deixa Nazaré volta para França, se prepara para a ordenação sacerdotal. Em 09/06/1901 com 43 anos de idade, ele é ordenado padre pelo bispo da diocese de Viviers na França. A pergunta que Ir. Carlos se faz agora: Mas ir para onde? “É preciso ir não onde a terra é mais santa, mas onde as almas têm maior necessidade”. “Como nenhum povo me parecia mais abandonado do que esse, solicitei e obtive a permissão do prefeito apostólico do Saara de instalar-me no Saara argelino”. Foi em Beni Abbés,(1901) oásis mais próximo da fronteira marroquina, que Ir. Carlos foi construir seu eremitério. Em Beni Abbés Ir. Carlos é confrontado de transformar a sua vida monacal em vida de missionário. ”Não seguirei essa tendência, pois acredito que estaria sendo muito infiel a Deus, que me deu a vocação de vida reservada e silenciosa e não a do homem de palavras”. Fiel à sua vocação não queria viver outra vida senão essa imitação de Jesus de Nazaré, que era a sua vocação.

Ir. Carlos escolheu Beni Abbés pensando de ter encontrado o último lugar possível, mas esse último lugar o esperava ainda dois mil quilômetros no sul, no Hoggar, no coração do deserto do Saara. Numa carta seu amigo general Laperrine contou-lhe de uma mulher tuaregue que recolheu na sua casa e cuidou dos soldados franceses feridos numa batalha e não permitiu o seu extermínio. Desde então Ir. Carlos sentiu-se ser chamado para conhecer esta senhora no Hoggar. “Sinto calafrios, tenho vergonha em deixar Beni Abbés, de deixar a calma ao pé do altar para me lançar em viagens pelas quais tenho agora um horror tremendo… Apesar do que a razão opõe… sinto-me extremamente e cada vez mais impelido interiormente a viajar”. A razão porque Ir. Carlos quer ir para o Hoggar: “Vejo essas vastas regiões sem um padre, vejo-me o único padre que pode ir até lá”. Seu bispo, de início reticente, permitiu finalmente que Ir. Carlos partisse. Ao cabo de quatro meses de extenuantes caminhadas pelo deserto, ele chegou ao Hoggar em maio de 1904. Ir. Carlos agora tem 46 anos de idade. Foi uma nova etapa que ele encarou mais do que nunca, à luz de Jesus de Nazaré. “Escolhi Tamanrasset, povoado de vinte lares, em plena montanha no coração do Hoggar e dos Dag Rali, sua principal tribo. Escolhi esse lugar abandonado e nele me fixei e onde quero durante a minha vida, tomar por único exemplo a vida de Jesus em Nazaré”.

Em Beni Abbés Ir. Carlos ainda quis viver a vida monástica “um tipo de eremitério, humilde e pequeno…numa estreita clausura, na penitência e na adoração do Santíssimo Sacramento, não saindo do claustro” agora chegado em Tamanrasset (1905 com 47 anos de idade)ele mudou de ideia e se dá uma nova regra. “Tome como objetivo…levar a vida de Nazaré, em tudo e por tudo…nada de hábito como Jesus em Nazaré, nada de clausura como Jesus em Nazaré, nada de casas longe de lugares habitados, mas perto de um povoado como Jesus de Nazaré”. Para construir o seu eremitério não procurou um lugar solitário, como em Beni Abbés, mas, ao contrário um lugar acessível a todos. Ir. Carlos agora quer viver um apostolado de amizade. “Ao me verem, as pessoas devem dizer: Sendo esse homem tão bom, sua religião deve ser boa”.

Os anos passavam Ir. Carlos continuou seu caminho de descer para o último lugar, “sinto-me cada vez mais escondido e perdido como Jesus em Nazaré”. E como Jesus e com Jesus ele quer ser salvador. Para ser salvador “é preciso passar pelo sofrimento, pelo fracasso aparente, pela morte”.

No fim de sua vida Ir. Carlos se identifica com Jesus “Não somos mais nós que vivemos, mas Ele que vive em nós. Nossos atos não são mais atos nossos, atos humanos e deploráveis, mas são Dele, divinamente eficientes”. Como Jesus ele quer entregar a sua vida por amor. “Ninguém tem maior amor, do que aquele que dá a sua vida por seus amigos (João 15, 13)…desejo de todo o meu coração dar a minha vida por Vós”.

Este desejo se realiza. No dia 1 de dezembro de 1916 um grupo de Tuaregues rebeldes saqueou o eremitério, aonde Ir. Carlos se tinha retirado. Ele ficou sendo amarrado e vigiado por um rapaz de quinze anos. Num momento de pânico este rapaz ficou nervoso e atirou a queima-roupa em seu prisioneiro, que morreu na hora.

“Jesus tomou de tal maneira o último lugar que ninguém jamais pôde tirá-lo daqui.” Esta palavra marcou toda a vida de Ir. Carlos.

O último lugar

E nós? Aspirar ao último lugar para nós é um valor? Na nossa sociedade se presencia o contrário. A lei hoje é “Subir na vida a todo custo, conquistar um lugar ao sol, ser importante, sair da miséria”. Subir só pode quem está no chão, quem experimentou a dureza da miséria, quem tem fome de alguma coisa, quem ainda não encontrou a vida. Descer só pode quem já tem uma vida cheia; cheia de amor e de misericórdia, como Jesus Cristo que “estando na forma de Deus, mas renunciou ao direito de ser tratado como Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo e tomou a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens. E sendo encontrado na figura de homem, rebaixou-se ainda mais, fazendo-se obediente até a morte, à morte de cruz”. (Fil.2,5ss). O último lugar não é um lugar já definido e pronto, que alguém pode escolher, mas é a opção de vida de alguém de abandonar-se nas mãos de Deus, deixar guiar-se por ele. Ao último lugar se chega após uma longa caminhada de descer. Buscar o último lugar é para gente corajosa que não tem medo de enfrentar aventuras.

Falei que a lei de nossa sociedade é subir na vida. Esta luta acontece não apenas na sociedade cívica, mas também na nossa Igreja. O Papa Francisco o denunciou na carta Evangelii Gaudium (A alegria do Evangelho) o mundanismo religioso que “busca em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal”. Este obscuro mundanismo manifesta-se em muitas atitudes. “Há um cuidado exibicionista da liturgia, da doutrina, e do prestígio da Igreja” “encerra-se em grupos de elite” Dentro do povo de Deus, quantas ”guerras por inveja e ciúmes”, “busca pelo poder, prestígio, prazer ou segurança econômica e carreirismo” (EA 93-101).

Lembro-me, quando cursava o quarto ano de primário a nossa professora fez a cada um de nós a pergunta: “O que você quer ser na vida?” Um quis ser médico, outro quis ser motorista de caminhão, outro quis ser professor, outro quis ser advogado. Eu não me lembro de o que eu quis ser, mas nunca mais esqueci a resposta de um menino: “eu quero ser gari, varredor de rua”. Foi uma gargalhada só. Quando cheguei ao Brasil em 1967, conheci os irmãozinhos de Jesus, congregação que segue a espiritualidade de Ir. Carlos, que moravam numa periferia de Santo André. Guido, era padre, trabalhava como metalúrgico. Serafim tinha absolvido o estudo de música e era pianista, trabalhava como metalúrgico, Chico que era médico trabalhava como servente de pedreiro. Mais tarde encontrei em Manila nas Filipinas outro irmãozinho de Jesus, era professor da Universidade, depois que ingressou na Congregação dos irmãozinhos, virou vendedor de picolé. Os estudantes que o conheciam como professor vendo-o agora com seu carrinho de picolé, achavam que enlouqueceu. Como um médico, um professor universitário pode fazer isto? A resposta é: eles não se tornaram servente e vendedor de picolé porque são profissões tão atraentes, mas “por causa de Jesus e do seu evangelho” levaram a sério a palavra de Jesus: “Se alguém quer servir a mim, que me siga. E onde eu estiver, aí também estará o meu servo”. (João 12,26).

*gunter-lembradlGünther LEMBRADL,
fraternidade do Brasil

Para preparar esta colocação utilizei o livro:
Charles de Foucauld, Nos passos de Jesus de Nazaré
Editora Cidade Nova 2004
Escrito por
Irmãzinha Annie de Jesus

2016 é ano mais quente já registrado até hoje

Em parte, o aquecimento do primeiro semestre deste ano foi devido ao intenso El Niño.
Outro fator preocupante para a OMM é a elevada concentração de dióxido de carbono na atmosfera.
Outro fator preocupante para a OMM é a elevada concentração de dióxido de carbono na atmosfera.
Os seis primeiros meses deste ano registraram as mais altas temperaturas já verificadas em toda a história e quebraram o recorde de aquecimento de 2015 — que havia sido declarado o ano mais quente no início de 2016 —, segundo novo levantamento publicado na quinta-feira (21) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Imagem: ONU Brasil
De janeiro até junho de 2016, a média global foi estimada em 1,3 °C acima dos valores da era pré-industrial no final do século XIX e 1,05 °C mais quente do que a média do século XX. Este último valor é 0,2 °C mais elevado do que a alta da temperatura mundial observada em 2015 na comparação com os últimos 100 anos.
Os números são um forte indício de que 2016 poderá ser o ano mais quente já registrado. Em parte, o aquecimento do primeiro semestre deste ano foi devido ao intenso El Niño que afetou diversas regiões do planeta de 2015 até maio de 2016.
Embora o fenômeno climático já tenha se dissipado, “as mudanças climáticas causadas por gases do efeito estufa não vão passar”, alertou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. Isso significa mais ondas de calor e tempestades extremas e um risco maior de ciclones tropicais.
A agência das Nações Unidas também chamou atenção para o derretimento do gelo no oceano ártico, que começou mais cedo nesse ano e está destruindo as calotas mais rapidamente. Atualmente, a extensão do mar congelada no auge do verão é 40% menor do que a área coberta por gelo no final dos anos 1970 e início dos 1980.
Junho de 2016 foi o 14º mês seguido de calor recorde em terra e nos mares. O período também foi o 378º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século XX — os últimos 30 dias com temperatura estimada abaixo dessa média foram observados em dezembro de 1984.
Outro fator preocupante para a OMM é a elevada concentração de dióxido de carbono na atmosfera — que já ultrapassou a marca simbólica de 400 partes por milhão, chegando a 407 ppm em junho. O volume representa um aumento de 4 ppm na comparação com o mesmo mês do ano passado.
“Isso deixa mais evidente do que nunca a necessidade de aprovar e implementar o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas e de acelerar a mudança para economias de baixo carbono e energias renováveis”, ressaltou o chefe da OMM.
Também nesta semana, o chefe da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo a líderes mundiais para que ratifiquem o Acordo e compareçam a um evento especial na sede das Nações Unidas em 21 de setembro.
Chuvas irregulares pelo mundo
O levantamento da OMM também destaca que o volume de chuvas em junho de 2016 apresentou variações significativas pelo mundo.
Regiões, como o oeste e a porção central do território dos Estados Unidos, o nordeste do Brasil, a Espanha, o norte da Colômbia, o Chile, o sul da Argentina e partes do centro da Rússia, registraram índices de precipitação bem abaixo do normal.
Já o norte da Argentina, a Austrália, as regiões centrais e sul da Ásia e o norte e o centro da Europa foram afetados por chuvas acima da média.
De janeiro a início de julho, a China registrou um aumento de 21,2% no volume pluviométrico. Províncias ao sul do país entraram na estação de cheias em 21 de março, 16 dias antes do esperado. Mais de 150 condados quebraram recordes de chuvas e mais de 300 rios ultrapassaram marcas de elevação das águas.

EcoDebate, 26-07-2016.

Polônia, a viagem mais difícil de Francisco

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Mensagens do pontífice são ou inadmissíveis ou indesejáveis nesta parte do continente.
Nações como a Polônia opõem à
Nações como a Polônia opõem à "Europa dos direitos e das liberdades", das quais Bergoglio fala.

Por Alberto Melloni*
Francisco começou a viagem mais difícil do seu pontificado. A que leva ele e milhões de jovens reunidos em torno do coração doente da Europa doente. Na pasta, o papa carregou os discursos que estamos ouvindo, o breviário, o rosário; e também a memória do abbé Hamel, o padre que se tornou mártir em um gesto nada cego, pesando por mentes muitos refinadas que encontraram em uma pequena paróquia da Normandia o antípoda da grande festa de Cracóvia: mentes às quais podem ser dadas duas respostas: ou aquela que diz "the show must go on", ou aquela que faz os milhões de jovens se ajoelharem em um gesto de adoração do mistério do Cordeiro.

Francisco chega em um país que modifica as suas prioridades de viagem. Ele também, assim como seus antecessores, fez da peregrinação um púlpito (e não só por causa da esperadíssima "avião-encíclica", que também ontem ele concedeu).

No mundo, ele preferiu países esquecidos pelas superpotências (e, nos Estados Unidos, ele, que, como se sabe, "não se mete" na política, atacou Trump em nome dos direitos dos migrantes, jogando na primeira mão o seu curinga na corrida à Casa Branca).

Na Europa, com exceção da visita ao Parlamento, ele tocou os lugares da dor dos refugiados. Em Lampedusa, Tirana, Saraievo, Lesbos, ele repetiu aos cristãos que, se a Igreja não ouvir a voz do Cristo no pobre, corre o risco de se tornar uma medíocre agência de boas obras às expensas do Estado. E lembrou ao mundo que poder viver em alegre paz a um passo da tragédia da guerra é uma ilusão.

A viagem à Polônia é difícil porque essas mensagens do papa são ou inadmissíveis ou indesejáveis nesta parte do continente, onde antieuropeísmo e xenofobia escrevem a agenda política e religiosa. As nações como a Polônia, que estão pagando a última parcela da mentira do socialismo real, opõem à "Europa dos direitos e das liberdades", das quais Bergoglio fala, uma Europa dos muros e das rejeições; sentem falta de identidades étnico-religiosas, com o resultado de fazer crescer forças ora populistas, ora neonazistas, sempre sectárias, muitas vezes antissemitas; que, como também já acontece na Itália, limpam o campo das grandes coalizões e ridicularizam a esquerda que se despedaça cada vez mais.

Esse coração doente da Europa doente espera ser curado: não por um homem santo ou pela experiência de massa, mas por um "exorcismo consolador" que liberte a Igreja e a Europa do demônio que lhe faz ver os refugiados que fogem da guerra, e não a guerra, como um problema; que lhe impede de lutar contra a guerra como inimigo com a mesma dureza com que o terrorismo islamista ataca a paz e a socialidade simples da paz (uma danceteria, uma missa, um restaurante, um check-in, um metrô).

De fato, é evidente que hoje existe um Islã endemoninhado. Mas o cristianismo não é imune a nada. Auschwitz está aí para lembrar o silêncio dos homens com o seu silêncio ensurdecedor. Rumores de guerra ucranianas e cemitérios de guerra chechenos e balcânicos estão perto no tempo e no espaço para lembrar que esta não é uma guerra religiosa, somente até alguém não entre em guerra em nome da religião.

"O mundo está em guerra porque perdeu a paz", disse o papa nessa quarta-feira: para lembrar a todos que os refugiados não são um "brinquedo" seu, mas o resultado de uma catástrofe política na qual todos deram o pior: a superficialidade europeia, a volubilidade estadunidense, as extemporaneidades russas, o cinismo árabe, a ambiguidade wahhabita.

O pior também foi dado por um catolicismo fraco no plano intelectual e espiritual, satisfeito com conservadorismos de antiquário e com conformismos ideológicos de direita.

Adenauer, De Gasperi e Schuman, falando em alemão e pensando em católico, lançaram as bases de uma Europa que viveu em paz e democracia: se seu fruto foi a cultura do projeto, da providência ou da serendipidade, isso não muda. Para que essa Europa ainda possa desfrutar a democracia e a paz, enquanto vive em uma situação econômica, cultural, demográfica devastadora, é preciso que ela aprenda a derrubar os muros do medo. 

Não só a Europa que ele visita nestes dias, mas toda a Europa ampla, que vai e Moscou a Casablanca e de Jerusalém a Edimburgo, deve esperar que, na mala para esta viagem difícil, o papa tenha colocado também as trombetas de Jericó.

La Repubblica, 28-07-2016.
*Alberto Melloni: historiador italiano, professor da Universidade de Modena-Reggio Emilia e diretor da Fundação de Ciências Religiosas João XXIII, de Bolonha

Mudanças

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Pais que assumem seu papel são muito mais do que amigos.
Nessa Babel familiar, quase sempre são fecundados os germes da violência social.
Nessa Babel familiar, quase sempre são fecundados os germes da violência social.

Por Evaldo D´Assumpção*
Em 1901, Machado de Assis, certamente desencantado com as transformações que já ocorriam na época natalina, concluiu seu Soneto de Natal com esta frase: “Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Sem pretensões machadianas, tomo seu questionamento para refletir sobre os dias atuais. Tempo em que medicamentos antidepressivos e tranquilizantes assumem os primeiros lugares nas estatísticas de venda das farmácias. Tempo em que as relações familiares se tornaram tão frágeis quanto o fio diligentemente tecido pela aranha que constrói a sua teia. Tempo em que as religiões, outrora voltadas para o culto e o louvor ao Criador, transformaram-se em justificativas e motivações para agressões, guerras e assassinatos com crueldade a cada dia mais requintada. Tempo em que as outrora puras relações afetivas, transformaram-se em meras oportunidades para o exercício do instinto sexual liberado na totalidade de suas possibilidades, e por isso mesmo cada vez mais insatisfatório. Tempo em que a palavra empenhada, o compromisso firmado e até o contrato assinado e gravado em cartório passaram a valer simplesmente nada. Tempo em que o sucesso passou a ser medido pelos milhões, e até bilhões, que são conseguidos em corrupção e maracutaias realizadas à luz do dia, e sem qualquer pudor.

Poderia prosseguir desfiando as transformações ocorridas nas últimas décadas, mesmo correndo o risco de ser taxado de retrógrado conservador ou de iludido desconhecedor de que nada mudou, apenas se tornou explícito pela diversidade midiática. Mas interrompo a ladainha para aprofundar, um pouco que seja, naquilo que meus setenta e oito anos de vida se horroriza constatar.

Refiro-me às relações familiares, nas quais o amor e o respeito pelos ancestrais tornou-se objeto de galhofa. Filhos já não pedem a benção de seus pais, tanto pelo desconhecimento total do profundo significado deste pedido, e do que dele se recebe, quanto pela mutação da relação pais-filhos, que mudou do patamar de respeito visceral, para a mera condição de “amizade”. E não foram os filhos que promoveram esta ruptura, mas os próprios pais, que por comodismo e ignorância de seu papel, seguiram hodiernos conceitos, intitulando-se, com a boca transbordante do modernismo que obturou seus cérebros, de “amigão” dos seus pimpolhos. Esqueceram-se do princípio imutável e indispensável que afirma ser pai e mãe, os pais, e filhos e filhas, os filhos. Condição muito bem definida e distinta, e muito, mas muito mesmo, acima de uma simples e quase sempre irresponsável relação amistosa. Amigos são preciosidades, não há como negar, contudo a paternidade envolve, infinitamente mais, o conceito de compromisso, de seriedade e sobretudo de formação e educação do filho. Amigos somente substituem os pais em qualidade, quando os pais delegam suas funções a terceiros, desertando covardemente do seu compromisso formador e educacional. Amigos fazem concessões, apoiam irregularidades, ajudam nas transgressões que num futuro, às vezes até bem próximo, poderão destruir, quase sempre, os dois parceiros. Pais que assumem seu papel, são muito mais do que amigos, e por isso mesmo jamais podem se equiparar ao companheirismo de pouco compromisso, não por maldade, mas quase sempre por imaturidade, por cega fidelidade ao senso de se ser amigo. Pais e filhos não caminham nem devem caminhar no mesmo passo, pois aqueles têm de estar sempre vários passos à frente destes, para mostrar-lhes as armadilhas que a vida arma na estrada de todos, especialmente dos mais jovens e imaturos.

E é por comportamentos distorcidos desta relação, que irmãos se tornam inimigos de irmãos, competições se instalam entre eles, muitas vezes com requintes de violência. Traições são perpetradas, e a família acaba se tornando apenas uma linda lembrança numa foto coletiva de tempos passados e ultrapassados, mofando num porta-retratos.

Nessa Babel familiar, quase sempre são fecundados os germes da violência social, da disputa sem regras ou limites que irão se projetar e ampliar nas atividades futuras, profissionais, empresariais, políticas e sociais. E caberá a pergunta que hoje já ressoa na mente e nos corações de muitos: “Onde foi que eu errei?”  Caberá uma segunda parte.

*Médico e escritor

Panamá: JMJ retorna à América! Papa Francisco fez o anúncio oficial

CRACÓVIA, 31 Jul. 16 / 06:55 am (ACI).- A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) será realizada pela quinta vez em sua história no continente americano, anunciou o Papa Francisco nesta manhã, no Campus Misericordiae de Cracóvia, Polônia. O país escolhido é o Panamá.

Em suas palavras prévias à oração do Ângelus, o Santo Padre assinalou que “Providência de Deus sempre nos precede. Pensai que já decidiu qual será a próxima etapa desta grande peregrinação iniciada em 1985 por São João Paulo II”.

“E, por isso, é com alegria que vos anuncio que a próxima Jornada Mundial da Juventude – depois das duas a nível diocesano – será em 2019, no Panamá”, disse, seguido pelos aplausos dos jovens presentes no Campus Misericordiae.

A JMJ foi criada por São João Paulo II e acontece a cada ano nas dioceses ao redor do mundo. Mas, a cada certo tempo, em um evento especial, congrega jovens de todo o mundo em uma cidade para celebrar a alegria da fé e compartilhar com o Papa.

A primeira Jornada Mundial da Juventude foi realizada em Roma (Itália), em 1985. Dois anos mais tarde, celebrou-se a primeira JMJ no continente americanos, em Buenos Aires (Argentina).

A última JMJ que aconteceu na América foi a Denver (Estados Unidos), em 1993. A terceira foi em Toronto (Canadá), em 2002.

A última JMJ na América foi no Rio de Janeiro, em 2013. Esta foi a primeira JMJ que o Papa Francisco presidiu.

Jovem que venceu as drogas com a ajuda da fé dá seu testemunho na JMJ

Foto: Captura do Youtube

CRACÓVIA, 30 Jul. 16 / 05:30 pm (ACI).- Miguel é um paraguaio de 34 anos que durante muitos anos esteve imerso no mundo das drogas. Com muito esforço e com a força da fé em Deus, pôde seguir em frente e hoje ajuda outros que estão passando pelo mesmo problema.

Este é seu testemunho, compartilhado no Campus Misericordiae na JMJ Cracóvia 2016:

Meu nome é Miguel, tenho 34 anos e sou de Assunção, Paraguai. Somos 11 irmãos e fui o único com problemas com drogas. Recuperei-me na Fazenda da Esperança São Rafael, no Rio Grande do Sul, Brasil.

Durante 16 anos usei drogas, desde os 11 anos. Sempre tive grandes dificuldades na relação com a minha família, não me sentia amado nem próximo deles. Brigávamos constantemente. Não me lembro de ter sentado à mesa junto com eles. Para mim, a família era um conceito inexistente, a minha casa só era um lugar onde dormia e comia.

Aos 11 anos, fugi da minha casa, pois o vazio era muito grande. Naquele tempo ainda estudava, mas eu queria “liberdade”. Em poucos meses, estava experimentando drogas enquanto ia para a escola. Isto fez com que aumentasse este vazio dentro de mim, não queria voltar para a minha casa, enfrentar a minha família, enfrentar a mim mesmo. Ao mesmo tempo, abandonei a escola e meus pais tiveram que fechar as portas de sua casa, estavam perdendo a esperança.

Aos 15 anos, cometi um delito e fui preso. Na prisão, recebi a visita do meu pai e me perguntou se queria mudar e respondi “Sim”. Rapidamente, conseguiu tramitar minha liberdade. Saí e voltei a cometer outros delitos. Um dia, cometi um delito maior pelo qual fui preso seis anos, anos de muito sofrimento. Não conseguia entender porque nenhum dos meus irmãos me visitava. Deste modo, passaram-se os anos e cumpri a minha pena. Meus pais continuavam vinculados à Igreja.

Um mês depois de ter saído da prisão, um sacerdote, amigo da família, me convidou para conhecer um lugar chamado Fazenda da Esperança. Estava sem rumo na vida. Todos esses anos perdidos se refletiam fortemente no meu olhar, no meu rosto. Aceitei ir, pela primeira vez me senti em família. No começo era muito difícil a relação com os outros, a convivência.

Nesta comunidade, o método de cura é a Palavra de Deus, vivê-la. Durante o meu processo de recuperação, havia um companheiro que tinha muita dificuldade de perdoar, eu precisava de paz e de ser amado. No sétimo mês, me deram a responsabilidade de ajudar que a casa funcione melhor.

Deste modo, comecei a entender que Deus pedia algo para mim. Então, este companheiro recebeu uma carta da sua esposa, cuja relação estava desgastada, isto me ajudou a compreendê-lo melhor. Entreguei-lhe a carta e me disse "Irmão, me perdoa?" e lhe respondei com certeza. A partir desse momento, tivemos uma excelente relação. Realmente Deus nos transforma, Deus nos renova.

Recuperei-me há 10 anos e hoje sou responsável pela casa “Quo Vadis?” da Fazenda da Esperança em Cerro Chato – Uruguai, há 3 anos.

Pe. Geovane Saraiva na Revista digital mais completa do Brasil

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