sexta-feira, 20 de outubro de 2017

O ódio contra Lula e o PT não nasce de seus limites, mas do que fizeram de melhor.

 Por Luis Felipe Miguel
Publicado no Facebook de Luis Felipe Miguel, professor da UnB.

Votei em Lula em 2002, como havia feito nas eleições anteriores. Mas votei ressabiado com seu discurso insosso e suas alianças ilimitadas. Embora tenha continuado a votar nos candidatos presidenciais do PT nas eleições seguintes, ao menos no segundo turno, fui crítico de seu governo desde o começo do primeiro mandato.

Acho que resumo meu sentimento dizendo que o PT no poder trabalhou para que o Brasil deixasse de ser o país dos nossos pesadelos, mas fez muito pouco para que ele pudesse vir a ser o país dos nossos sonhos. 

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Há quem justifique isso em nome das “possibilidades reais”, mas quem faz política sem se preocupar em ampliar o horizonte de possibilidades está fazendo má política. E, como já disse aqui mais de uma vez, se esse possibilismo exacerbado realmente fosse o caminho certo para assentar garantias mínimas num país tão brutal, não teríamos chegado à derrota histórica a que chegamos.

Dito isso, quero fornecer meu depoimento sobre os testemunhos que tenho recebido, sem sequer pedi-los, a respeito do impacto que as mudanças introduzidas pelos governos do PT, ainda que tão moderadas, tiveram na vida de tantas pessoas.

Como professor universitário, já há anos encontro estudantes contando como, sem as políticas implantadas nos anos de Lula e Dilma, jamais teriam chegado àquela sala de aula. Estudantes que muitas vezes foram os primeiros de suas famílias a alcançar o ensino superior e que agora estão, talvez, cursando um doutorado.

Estudantes que teriam sido condenados ao trabalho precoce sem as políticas de transferência de renda, estudantes cujas residências por vezes não tinham acesso à energia elétrica. Não há dúvidas de que o combate à privação extrema, que foi a prioridade dos governos petistas, fez para essas pessoas toda a diferença.

E conta muito a favor delas o fato de reconhecerem que, sem demérito nenhum para elas, o esforço pessoal provavelmente não seria suficiente se as condições sociais não estivessem mudadas.

Conta ainda mais o fato de que muitas, quase todas, se empenham na luta contra o retrocesso social, para que as oportunidades de que puderam desfrutar sejam estendidas a mais e mais brasileiros, em vez de revogadas.

Sei que essa postagem despertará a indignação tanto dos petistas apaixonados, que não concordarão com as críticas no primeiro parágrafo, quanto dos antipetistas radicais, insatisfeitos com os elogios no segundo. Mas creio que o legado lulista merece tanto nossa crítica quanto nosso respeito.

Os depoimentos espontâneos que ouço repetidas vezes na universidade ampliam esse respeito e ajudam a controlar a tendência de, por vezes, minimizar a importância que pequenos avanços têm na vida de quem carece de quase tudo.

E tenho certeza de que o ódio feroz de nossas classes dominantes contra Lula e o PT não nasce de seus limites, mas daquilo que fizeram de melhor.

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