"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 12 de agosto de 2017

Crônica: O semeador de tâmaras e a solidariedade cristã

Crônica: O semeador de tâmaras e a solidariedade cristã - REUTERS


Dubai (RV*) - Amigas e amigos da Rádio Vaticano, recebam uma saudação de paz das Arábias.

Morando e exercendo a atividade missionária nas Arábias, fico maravilhado como o conhecimento das Sagradas Escrituras das três religiões monoteístas que surgiram no Oriente Médio aumenta, em contato com a natureza e o povo dessa região desértica.

Entre a escassa vegetação do deserto é inevitável divisar, mesmo de longe, a imponente e bela tamareira. Crescendo lentamente, ela vai conquistando as alturas, infiltrando as raízes de sua touceira por entre as fendas das rochas à procura de água. Não possui uma raiz principal, insinuando supremacia, como nas demais árvores.  Todas são iguais e juntas vão à procura de umidade e nutrientes. Elas trabalham sem cessar para que o tronco se eleve bem alto e lá exiba a imensa copa de folhas azuladas, entremeadas de flores amarelas que darão origem as cobiçadas tâmaras.
A respeito do cultivo das tâmaras, o ditado árabe diz: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras.” Isso por que, antes dos avanços das tecnologias, uma tamareira demorava de 80 a 100 anos para produzir frutos.  Apesar de não viver o suficiente para saboreá-los, os antigos plantavam as sementes.
Conta-se que um jovem, vendo um adulto pondo na terra a semente da bela palmeira disse: “Mas por que o senhor perde tanto tempo plantando o que não irá colher?” Calmamente o senhor respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém no mundo jamais colheria tâmaras. Se hoje sei o sabor da tâmara é porque um dia alguém plantou uma tamareira”.
Contemplando a majestosa palmeira do deserto, apreciamos a solidariedade de quem a plantou, indicando que cada geração deve plantar as sementes para as gerações futuras. Assim, nas inóspitas terras das Arábias de antigamente, aprendemos que o cultivador de tâmaras não colhe seus frutos, mas dissemina a solidariedade.
Não importa se vamos colher o que plantamos. O importante é o que vamos deixar. Por isso é preciso plantar, cultivar, fazer crescer o bem não só para nós, mas para que as gerações futuras se beneficiem de nossa solidariedade.
*Missionário Pe. Olmes Milani CS. das Arábias para a Rádio Vaticano
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Pe. Geovane Saraiva

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