"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quarta-feira, 19 de julho de 2017

No duelo entre Temer e Globo, presidente já começa derrotado

Boatos de supostas ofensivas do Planalto contra a emissora dão tom novelesco à crise política
Jeff Benício Jeff Benício
19 JUL 2017 14h33 atualizado às 14h35

Nos últimos dias, sites registraram uma hipotética artimanha de Michel Temer para atacar sua nova inimiga número 1, a Globo, cujo jornalismo não tem poupado o presidente de críticas e contestações diárias.

 Michel Temer está irritado com a cobertura crítica do 'JN', ancorado por William Bonner e Renata Vasconcellos.
Michel Temer está irritado com a cobertura crítica do 'JN', ancorado por William Bonner e Renata Vasconcellos.
Foto: Alan Santos/Presidência da República e Reprodução/Facebook / Divulgação

Aparentemente impassível à possibilidade de revanche, a Globo renova a artilharia contra o presidente a cada telejornal.

O estrago maior é feito pelo Jornal Nacional , que chega a atrair 7 milhões de telespectadores a cada noite somente na Grande São Paulo, principal área de aferição de audiência do Ibope e da GfK.

Esta semana, uma das reportagens mais contundentes do JN condenou a liberação de emendas bilionárias aos parlamentares da base aliada que Temer, que pode salvá-lo da acusação de corrupção passiva lançada pelo Procurador da República, Rodrigo Janot.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, chegou a se reunir com a cúpula da Globo (leia-se família Marinho) na tentativa de entender a postura agressiva do canal e conseguir uma cobertura mais leve dos imbróglios do presidente.

Ele voltou a Brasília com um recado claro a Temer: o Grupo Globo vê a renúncia como melhor solução para o Brasil. Desde então, o chefe do Executivo e a emissora líder do País não disfarçam a rivalidade.

Qualquer ação da Presidência contra a Globo seria imediatamente rechaçada por entidades representativas da mídia e dos jornalistas, no Brasil e no exterior.

Ainda que tenha irregularidades fiscais, a empresa não pode ser punida por sua linha editorial, de acordo com o princípio básico da liberdade de imprensa.

Caso isso acontecesse, o Brasil se aproximaria do caos visto na Venezuela, onde os governos de Hugo Chaves e Nicolás Maduro fizeram intervenções em emissoras de propriedade privada para impor censura ao telejornalismo.

Se a Globo deve à Receita Federal, que seja cobrada exclusividade por essa dívida, e não por recusar apoiar esse ou aquele projeto de poder.

Qualquer atitude interpretada como arbitrária daria contorno de ditador a Michel Temer. Punir a imprensa ‘inimiga’ é o primeiro passo para sujar a biografia política de quem se diz democrata e estilhaçar o Estado de Direito.

A Globo não é um ícone de imparcialidade jornalística, mas precisa ter a independência garantida por quem ainda nutre esperança de um futuro digno a este melodramático País. 

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Pe. Geovane Saraiva

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