"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

domingo, 23 de julho de 2017

Inácio de Loyola: a atualidade de um santo em filme

domtotal.com
Ator que interpreta Inácio de Loyola fala de sua experiência na pele do fundador dos jesuítas: "Creio que a conversão é algo que está ao alcance de qualquer mortal".
A produtora filipina JESCOM, da Companhia de Jesus, é a responsável pela realização do filme que narra a história de seu fundador.
A produtora filipina JESCOM, da Companhia de Jesus, é a responsável pela realização do filme que narra a história de seu fundador. (Reprodução/ JESCOM).

O filme “Ignacio de Loyola”, sobre o fundador dos Jesuítas, estreio sexta-feira passada em 100 salas de cinema em 44 cidades da Espanha e tem sido aguardado desde seu lançamento em 2016 em terras brasileiras. Trata-se de um biopic (filme de caráter biográfico) do fundador da Companhia de Jesus, a quem o ator espanhol Andreas Muñoz dá vida. Depois de interpretar o santo espanhol, ele se sente uma pessoa melhor e assegura que "o filme é atual" e que as pessoas gostarão.

Produzido pela Fundação de Comunicações dos Jesuítas das Filipinas (JESCOM), é o primeiro filme do diretor filipino Paolo Dy. Rodado principalmente em Navarra, o longa tem como centro a conversão de Íñigo do Loyola, de cavaleiro e bon vivant a seguidor de Jesus.

Andreas tinha nove anos quando começou na profissão e já trabalhou tanto com cinema como com teatro. Começou com o "Espinazo del diablo" de Guillermo del Toro e participou em muitos filmes de cinema espanhol e internacional, na Itália, na Argentina, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Agora encarna o fundador dos Jesuítas.

Segue abaixo a entrevista concedida pelo ator ao site Religion Digital.

Fala um pouco do filme, Andreas.

Trata-se de um biopic da história real de Íñigo de Loyola. É um drama histórico que começa em 1521, em Pamplona, e chega a Manresa, passando por Montserrat, acompanhando o personagem em um momento fundamental da sua vida.

O filme começa com a derrota da batalha de Pamplona, onde Inácio, soldado de Navarra, comanda um exército de 300 homens contra 12.000 franceses. Acaba sendo ferido gravemente e fica acamado durante alguns meses. O descanso forçado propicia a leitura de livros sobre os santos e a vida de Jesus. Estas leituras fazem com que sua vida dê uma virada repentina, fazendo com que Inácio inicie seu caminho como peregrino, sua aprendizagem como ser humano e a doação de sua vida aos outros.

O seu legado peremanece hoje: a Companhia de Jesus, ordem à qual também pertence Francisco, o primeiro papa jesuíta.

Que relação se percebe entre Íñigo de Loyola e o Papa Francisco? Que relação mostra o filme?

Francisco é Jesuíta e o fundador de sua ordem é Inácio de Loyola. A relação é direta.

Como se mostra esta relação? Em que você acredita que se percebe mais a identidade jesuíta do papa?

O que aprendi dos jesuítas é que eles sempre são pessoas abertas para escutar e que, sobretudo, respeitam muito o próximo.

Você achou muito difícil entrar na pele de Íñigo de Loyola?

Ele é um personagem complexo. Sua psicologia também. Começando pelo fato de ser o mais novo de treze irmãos e, ao nascer, sua mãe morre. O pai nunca o perdoou por isso.

Pertenceu a uma família nobre. Seus irmãos eram brilhantes como militares e como religiosos. Isso o fez sonhar em ser uma lenda como militar e herói nacional. Seu caráter é muito perfeccionista, vaidoso e é um líder nato, características que fazem dele uma pessoa bastante egocêntrica.

O passo desta personalidade completamente egocêntrica até chegar à fase de peregrino, despojar-se de roupas nobres e dar sua vida pelos outros é algo que acho admirável e que o divide praticamente em dois personagens muito diferentes, com a complexidade que supõe na hora de interpretar o papel.

O que mais te chama à atenção, então, é sua conversão?

Exatamente. A conversão que experimenta: de nobre, inclusive galanteador, vai até à doação de sua vida aos outros e a Deus. Chega mesmo a mendigar comida para ajudar aos mais pobres.

Em sua opinião, esse tipo de conversões é possível hoje? Às vezes, esse "cair do cavalo" como aconteceu a São Paulo, Santo Agostinho ou até o mesmo a Santo Inácio nos parecem impossíveis, fora do alcance dos humanos comuns.

Penso que está ao alcance de qualquer ser humano.

Passar de pecador a santo, imagino, custará muito, será um processo longo.

Sim, é um processo longo, mas não impossível, se você está disposto a isto. Vemos ocorrer em pessoas que se lamentam de coisas que fizeram no passado e que passaram a se dedicar pelos outros, a dar suas vidas por eles.

Quando se sentiu mais à vontade, interpretando o Íñigo pecador ou interpretando o Íñigo convertido, peregrino e santo?

Eles são dois papeis completamente diferentes e ambos muito ricos. Como ator, quanto mais cor e mais matizes apresenta um personagem, mais atraente resulta. Portanto, foram muito diferentes de interpretar, mas de uma imensa riqueza.

Qual você achou mais difícil?

Fisicamente o primeiro, espiritualmente o segundo.

Fisicamente o primeiro, por que?

Porque ele era um soldado e é necessário ser muito treinado para isto. Eu tive que trabalhar muito para chegar nesse grau militar.

Você teve que aprender a administrar as armas, eu imagino.

Eu fui formado em esgrima e sabre durante dois anos e sabia montar cavalo, mas são exercícios que você tem que praticar diariamente. Estive duas semanas antes treinando nas Canárias com meu bom amigo Gonzalo Hernández, especialista em cinema. Foi um trabalho intenso; do amanhecer até a noite com espada e cavalo.

Depois, para a fase peregrina, só tive que dar a mão a Inácio de Loyola e me deixar levar, porque já tinha o personagem bem amarrado. Falei tanto sobre ele e o estudei tanto que cheguei a interiorizá-lo.

Nesta segunda fase do filme, você achou difícil o momento de oração, o como rezar?

Durante a filmagem, quando tinha um momento de descanso (porque eram dias muito longos), eu comecei a rezar para entrar no contexto, entrar bem no papel e fazer uma introspecção.

Pode se afirmar então que você também se converteu de alguma maneira?

A coisa certa é que me dei completamente a este personagem.

Por que um biopic de origem filipina? Como surgiu todo isto?

Esta pergunta é mais para a produção filipina. Mas, o que eu sei é que os filipinos estavam muito interessados, porque lá a figura de Santo Inácio de Loyola é grande. Sobretudo, porque a Universidade El Ateneu, uma das mais notáveis, tem como fundador Inácio de Loyola.

O filme tinha sido filmado em 1949 na Espanha, com atores espanhóis também, e foi rodado em preto e branco. Eles perceberam que havia um buraco com uma grande história. Eles ousaram, escreveram o roteiro, começaram a produzir e vieram filmar na Espanha.

A filmagem se fez inteiramente na Espanha?

Praticamente.

Em que localidades?

Em Navarra, Aragão e Guipúzcoa, principalmente. Começamos em Loyola, na casa atual de Loyola, onde filmamos à noite porque durante o dia é um museu. Depois fomos para Artajona, onde rodamos a batalha de Pamplona.

Também filmamos em Sos del Rey Catolico e em Zugarramurdi nas cavernas onde foi filmado a cena mais importante do filme. E,finalmente, fomos para o Mosteiro do Olive e nos Pireneus.

Vai ser projetada em salas comerciais?

Sim. De fato estamos recebendo numerosas propostas de salas. Agora mesmo há entre 80 e 90 cinemas interessados.

Você acredita que vai pegar, que vai ser um sucesso?

Estou completamente convencido, porque é uma história muito atual. As pessoas se conectarão com ela desde o primeiro minuto.

Você acredita que representar Santo Inácio o fez um pouco melhor ou você já era assim?

Não, eu acredito que não fui uma pessoa ruim até agora. Mas sim, é verdade que os personagens sempre ensinam coisas novas. Neste caso, principalmente, ter mais paciência.

Por último, você gostaria de apresentar o filme ao Papa?

Já estivemos no Vaticano. Fizemos uma projeção na sala de cinema que eles têm e que, também, é a sala que mandou construir o papa João Paulo II. Projetamos o filme no ano passado, em 2016.

O papa estava na projeção?

Nesta não estava, mas posso dizer que é a história do seu fundador. Deixo isso para você.

Você gostaria de apresentar o filme pessoalmente ao papa?

Claro que sim.

E sem dúvida você fará isto, verdade?

Definitivamente.


Religión Digital
Tradução: Ramón Lara.
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Pe. Geovane Saraiva

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