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terça-feira, 27 de junho de 2017

Um simples gesto faz a diferença

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Ela lhe deu a mão após o seu esposo e fez uma rápida genuflexão. Foi o bastante para os holandeses esquecerem o resto da viagem e só comentar este gesto de Máxima.
A rainha Máxima é também argentina e nasceu católica.
A rainha Máxima é também argentina e nasceu católica. (L'Osservatore Romano)
Por Lev Chaim*

A visita dos reis da Holanda, Willem Alexander e Máxima, à Itália não passou nem um pouco despercebida do grande público do país e nem da imprensa local. Desde que assumiu o trono, no lugar de sua mãe, a princesa Beatrix, ele vem crescendo aos olhos de muitos. Agora por exemplo, nesta sua recente viagem a Sicília, para visitar campos de refugiados, ele deixou claro a sua mensagem: o rei também se importa com o destino dos desamparados. 

A Holanda é uma monarquia parlamentar e o rei, oficialmente, não decide nada, mas pode servir de referência para a vida política, tal qual a sua mãe o foi durante os seus 75 anos de reinado. Mas desta vez não foi a sua visita aos campos de refugiados que chegam à Itália que chamou a atenção de todos, mas a visita do casal real ao papa Francisco. A Holanda, um país de religião oficial protestante, nunca teve uma relação muito boa com o Vaticano. De tempos em tempos, sempre houveram atritos que esfriaram as relações diplomáticas entre os dois Estados. 

Mas desta vez, quando o rei Willem Alexander entrou na biblioteca papal, acompanhado de sua esposa Máxima, toda de preto e com o cabelo coberto com uma mantilha também preta, com um grande sorriso, todos os holandeses viram o gesto dela ao se aproximar do Sumo Pontífice. Ela lhe deu a mão após o seu esposo e fez uma rápida genuflexão. Foi o bastante para os holandeses esquecerem o resto da viagem e só comentar este gesto de Máxima, gesto que não foi feito por sua sogra, a rainha Beatrix, quando visitou João Paulo II. 

Não que a Holanda seja tão protestante que não admite tal coisa. Muito pelo contrário: o gesto da rainha foi elogiado por muitos e criticado apenas por alguns protestantes mais ortodoxos. Mas foi o professor de história da Igreja na Universidade Teológica de Tilburg, Paul van Geest, quem mais explicou a importância deste simples gesto de Máxima, ao fazer a genuflexão para o papa. 

Em primeiro lugar, ele lembrou que não se pode, de forma alguma, subestimar o poder do papa, principalmente deste carismático Francisco. O Vaticano não é nenhum poder econômico e tão pouco militar, mas pode ser um grande aliado da Holanda em muitas questões importantíssimas, já que existem mais de um bilhão de católicos espalhados pelo mundo inteiro e, em muitos desses países, eles estão no centro do poder. Dos arquivos papais, constata-se: 220 mil igrejas católicas; 1.358 Universidades católicas; 139 mil escolas; 5.200 hospitais; 12 mil orfanatos; e 165 organizações de ajuda humanitária espalhadas por 200 países. 

Com todo este aparato, mais os 181 países que mantém relações diplomáticas com o Vaticano, pode-se dizer que a rede de trabalho de um papa seja mesmo uma preciosíssima fonte de informação e ajuda para qualquer governo no mundo, principalmente em países onde a modernidade nem sequer chegou a se espalhar, tal qual no Sudão. E o professor van Geest destacou ainda que apesar das diferenças entre Holanda e o Vaticano, no que se refere à política holandesa de eutanásia e homossexualismo,  nada indica que esses dois estados não possam trabalhar juntos em muitos outros aspectos. 

Vejam vocês: a audiência papal aos reis da Holanda estava prevista durar quinze minutos e acabou se estendendo para quarenta e cinco minutos. Na verdade, foi um encontro também de dois conterrâneos de destaque: a rainha Máxima é também argentina e nasceu católica. Após o seu casamento com o rei da Holanda, ela adquiriu a nacionalidade holandesa e a religião oficial do rei – o protestantismo. Mas a genuflexão de Máxima ao apertar a mão do Santo Padre, ambos de origem argentina, só pode fazer bem aos dois e ao relacionamento da Holanda com o Vaticano. Mesmo porque, não tem líder mundial que nega a força deste papa querido e amado por milhares de pessoas em todo o mundo.

*Lev Chaim é jornalista, colunista, publicista da FalaBrasil e trabalhou mais de 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país onde mora até hoje. Ele escreve todas as terças-feiras para o Domtotal.
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Pe. Geovane Saraiva

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