"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

terça-feira, 20 de junho de 2017

O Salmo 1 é mais do que um salmo; é um poema

  Anna O'Neil | Jun 20, 2017
Shutterstock
Os versos deste salmo dizem mais sobre a nossa fé e a nossa vida do que você imagina

Salmos, 1

“Feliz o homem que não procede

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conforme o conselho dos ímpios,

não trilha o caminho dos pecadores,

nem se assenta entre os escarnecedores.

Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor

e medita sua lei dia e noite.

Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes:

dá fruto na época própria,

sua folhagem não murchará jamais.

Tudo o que empreende, prospera.



Normalmente, quando eu vou aos salmos, estou procurando conforto, ou uma lição, ou um exemplo de como rezar. Isso é perfeitamente legítimo, mas os salmos também são poesia, o que significa que as imagens que os sustentam podem nos mostrar uma nova dimensão da verdade que o salmista e o Espírito Santo queriam transmitir.

O primeiro verso mostra-nos o que não fazer – não tome o conselho de homens malignos, nem mantenha contato com eles. Mas há muito mais acontecendo aqui. O salmista poderia facilmente ter colocado o seu ponto positivo: “Ande segundo o conselho dos homens santos, e sente-se na companhia dos justos.” Mas ele não o fez.

De fato, ele ressalta uma diferença surpreendente entre homens bons e maus. Na primeira estrofe, ele usou imagens espaciais. Quando ele fala sobre homens doentios, ele usa o idioma da proximidade – trilhar, parar e sentar-se com os pecadores. Mas o homem abençoado não é apenas o oposto do homem maligno. Ele não apenas se mantém em companhia de pessoas boas. Ele é radicalmente diferente.

Em vez de simplesmente ficar ao lado do que é bom, ele o levanta. A lei do Senhor não está apenas diante de seus olhos, ela preenche sua mente; corre nas suas veias. Uma árvore plantada perto de um rio tem acesso constante à água de que ela precisa, e leva essa água diretamente em si mesma.

Você já se perguntou como uma árvore enorme tira água das raízes através de seu tronco maciço e a conduz até as folhas? Tem a ver com as células do xilema do organismo da planta. Ele é esponjoso e absorve a água, e por osmose, a água é elaborada célula por célula e levada para cada folha. À medida que a água se evapora das folhas, mais água é sugada do chão para substitui-la. A árvore realmente está bebendo água.

E, você sabe da melhor? As células do xilema são mortas. Se elas não estivessem mortas, não haveria espaço nem textura para a água circular na planta. Mortas e ocas, elas servem como vasos condutores.

Aqui, o salmista nos deu a imagem de uma árvore que é fortemente viva – ela dá frutos, ela nunca se seca. Só tem vida, por causa dessas células mortas. Milhares de anos depois, quando Cristo vem a nós em forma humana, ele diz: “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” 
(Jo 12:24).

O homem maligno não tem a capacidade de atrair o mal para o seu próprio ser. O mal não é o oposto do bem; é apenas a ausência do bem. Então, você pode se manter em companhia de homens doentios (e se machucar por isso), mas o mal nunca pode se tornar parte de seu próprio ser. O bem, porém, pode ser levado nas suas veias, se você quiser ser como a árvore, como o grão de trigo, e morrer para si mesmo, para abrir espaço para a fonte da vida, que por si só pode dar frutos.

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Pe. Geovane Saraiva

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