"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 10 de junho de 2017

Não seja uma mulher católica estereotipada; seja você mesma

  Jola Katoliczka | Jun 09, 2017
© Shutterstock
Roupa modesta, sorriso amável, caráter inocente... Este é o estereótipo de mulher católica?

Há tempos, na universidade, um amigo me disse: “você não tem pinta de católica”. Comecei a rir e pensei: “Bem, é verdade que uso calça, dou risada da vida, leio o filósofo [polonês] Witold Gombrowicz e, às vezes, eu me desespero com as pessoas. Além disso, tenho cabelo curto.

Passaram-se três anos. Mudei de Gombrowicz para Szymborska [escritores poloneses] e comprei duas saias. Mas não importa o quanto eu tente. Não sou um modelo de feminilidade católica, de acordo com as pessoas.

Se o mundo estivesse dividido em dois lados, branco e preto (que simples seria vida!), em um lado estariam as feministas (de olhos sombreados, com jeans rasgados, lutando pelos direitos das mulheres) e, do outro lado, estariam as católicas (versão sem maquiagem, com saias dos anos 80, aliança de casamento, filhos e um livro de oração na mão). No meu caso, provavelmente estaria entre um lado e o outro. Uma mão lá, um pé cá e a cabeça no lixo.

Mas estes estereótipos não nascem para o bem.

Há muitos estereótipos sobre as mulheres católicas, estereótipos sobre sexo, inteligência, vestuário, estilo pessoal e independência de pensamento. De onde eles saíram? De uma falta de conversação, das aparências midiáticas e, no meu caso, do pátio do recreio, na minha infância.

Lembro-me bem de como duas amigas de escola minhas destacavam, aberta e ruidosamente, a fé que elas tinham, subestimando totalmente a feminilidade. Graças a elas eu soube do movimento católico juvenil Oasis. Mas, devido a outras colegas, nunca o encarei.

No entanto, à medida que fomos crescendo, muitas de nós caímos nos estereótipos traçados por familiares, amigos ou colegas de trabalho. As palavras ferem nossa autoestima e dignidade e nos fazem pensar se realmente podemos ou não viver do nosso modo, com Deus, e se realmente importa tanto aos outros a forma como vivemos. Por isso, o que devemos fazer? Primeiro, deixar de nos preocuparmos. Depois…

Tentar não idealizar nossas escolhas

Idealizar nossa vida de devoção é compreensível, pois queremos dar testemunho de que uma vida com Deus é linda…. porque realmente é! Mas dar testemunhos é compartilhar a verdade, não contar um filme. Na realidade, o estilo de vida cristã não é fácil. O planejamento familiar natural não é fácil. O trabalho é duro. Requer paciência e compromisso das duas partes.  

A abstinência sexual antes do casamento também não é como cozinhar e cantar; é mais parecido com um passeio debaixo de um aguaceiro no campo – e a única coisa garantida é que você não vai ficar grávida. Mas é assim que expressamos nosso amor a Deus e nossa confiança em seu conselho.

Viver em harmonia com Deus nos dá uma felicidade autêntica, um sentimento de realização, uma paz de coração inestimável e a amizade com o Ser mais incrível do universo. Mas não é fácil. Por isso, não vamos tentar melhorar nosso Cristianismo no Photoshop quando o mostrarmos aos outros.

Sem desculpas

Os estereótipos católicos, geralmente, estão ligados a perguntas sobre nossas atitudes em relação ao sexo e à contracepção. A Igreja, vista de fora, pode passar a impressão de que estamos limitadas por normas: não sabemos nada sobre nossos corpos, pois somente confiamos na opinião dos padres, usamos o “método do calendário” – que consiste em contar os dias entre uma menstruação e a outra – e passamos toda a nossa juventude negando nossa sexualidade.

Mas todos têm a escolha de ver e experimentar o mundo do seu próprio jeito. Para as mulheres católicas, a sexualidade é um assunto muito íntimo e, por isso, não precisamos explicá-lo para todo mundo. É nossa escolha pessoal.

Temos direito de tomar nossas decisões na vida e na fé. Nem todo mundo tem de entendê-las, nem todo mundo tem de aceitá-las. O importante é falarmos sobre elas com Deus.

Você não tem que ser a melhor

É legal ser a melhor aluna, sentar na primeira fila da sala e tirar notas boas. Mas, se já se passaram anos da sua graduação, você tem de deixar de pensar em tudo como se estivessem te avaliando.

Os valores cristãos não são um concurso sobre a vida mais nobre. Nosso objetivo não é ganhar pontos por boas ações, mas sim chegar à salvação. A maternidade não é melhor que a solidão, e ter muitos filhos não é um cupom de plenitude espiritual. Seja o que for, o que conseguimos fazer na vida é um presente.

E, falando sobre decisões, pergunte-se o que significa para você uma boa ou uma má decisão. Enfatizar a validade de suas escolhas melhora seu bem-estar? Você procura justificativas? Ou, talvez, em algum lugar de seu interior tem inveja de alguém?

Às vezes, o melhor testemunho é admitir nossa fraqueza e nossa simultânea confiança em Deus.

Seja você mesma

Eu comprei uma boina vermelha e sempre me misturo com as senhoras mais velhas ao sair da Igreja. E quer saber? Eu gosto disso. A Igreja é tão diversa que é uma total perda de tempo lutar contra moinhos de vento.

Enquanto eu respirar, ler bons livros e me divertir com as notícias, eu estou bem. E, desde deixei de me idealizar para mim mesma e para os outros, não trato de demonstrar nada a ninguém. Por fim, sinto que minha prioridade é a opinião de Deus (e não a dos outros).
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Pe. Geovane Saraiva

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