"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

terça-feira, 13 de junho de 2017

Há quase mil anos eles sustentam a vida ativa da Igreja com a contemplação, a abnegação e um silêncio repleto de eloquência Numa passagem do seu livro “A Estrela dos Reis Magos”, o educador brasileiro Julio Cesar de Mello e Souza, muito mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan, comenta que há na cidade espanhola de Burgos um pequeno mosteiro cartuxo em cuja igreja expõe-se uma imagem do fundador, São Bruno, aclamada como obra de rara perfeição. Quem observa a imagem tem a impressão de estar em frente a uma figura viva. Conta-se que, certa vez, um viajante visitou a igreja e, ao dar de rosto com aquela admirável imagem de São Bruno, foi incapaz de conter a admiração: – É perfeita! Só falta falar! – Engana-se o senhor – respondeu, respeitoso, o monge que o guiava – Esta imagem é perfeita precisamente porque não fala. A inspirada e singela anedota evoca um dos traços mais marcantes e fascinantes do monge cartuxo. A Cartuxa A Ordem dos Cartuxos, também conhecida como Ordem de São Bruno, foi fundada em 15 de agosto de 1084, solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu. É uma ordem religiosa católica semi-eremítica de clausura monástica e orientação puramente contemplativa: daí o silêncio absoluto como característica dessa vocação particularmente austera. O nome O nome peculiar, “cartuxos”, vem da região onde os primeiros monges da ordem se instalaram: uma montanha ao norte de Grenoble Chartreuse, na comuna francesa de Saint-Pierre-de-Chartreuse, em Isère. O nome francês “Chartreuse” era traduzido ao latim medieval como “Cartusia”, e daí derivam, em português, as palavras “Cartuxa”, para indicar tanto a ordem quanto cada um dos seus mosteiros, e “cartuxos”, o termo que se refere aos monges. A “Grande Cartuxa” (“Grande Chartreuse”, que se vê na foto abaixo) é a casa-mãe da ordem, situada na mesma região francesa da fundação. Quanto ao nome “Ordem de São Bruno”, ele vem, evidentemente, do nome do santo fundador. O governo cartuxo Assim com a Ordem de Cister (dos monges cistercienses, fundada por São Bernardo de Claraval), a Cartuxa é umas das primeiras ordens centralizadas da história da Igreja. Ela é governada pelo Capítulo Geral, uma assembleia que se reúne a cada dois anos. Cada mosteiro tem o seu prior, que é o superior da casa, eleito durante o Capítulo Geral. O prior pode ser mantido ou afastado do cargo conforme cumpra ou não os seus deveres satisfatoriamente, o que torna o governo da cartuxa um dos mais flexíveis e equilibrados de que se tem notícia entre instituições humanas de qualquer época e natureza. A vocação cartuxa Os cartuxos conciliam a vida comunitária com a própria vida contemplativa, transcorrendo os seus dias, semanas, meses e anos em silêncio absoluto. Eles, que praticam rígida abstinência e fazem frequentes jejuns, trabalham, estudam e oram, devotando a maior parte de todos os dias à adoração. Os cartuxos formam a comunidade religiosa comumente apontada como a que professa a maior austeridade dentre todas as ordens religiosas católicas no tocante ao exigente modo de vida. Ao longo dos seus mil anos de existência, a cartuxa sempre manteve um estrito e profundo espírito de pobreza e abnegação, meios que servem aos monges e monjas cartuxos para buscarem a maior intimidade com Deus na oração e na contemplação, livres ao máximo de todo apego material e mundano. Seu lema, que resume o espírito da vocação cartuxa, é eloquente: “Stat Crux dum volvitur orbis” O que significa? “A Cruz permanece em pé enquanto o mundo dá voltas”. A cartuxa em Portugal e no Brasil Entre as cartuxas que existem mundo afora, há uma no Brasil, a de Nossa Senhora Medianeira, em Ivorá, no Rio Grande do Sul, e uma em Évora, Portugal, que você pode “visitar” no seguinte vídeo de 3 minutos produzido pela revista Expresso em janeiro de 2007: Testemunho arrebatador Para conhecer mais sobre a fascinante vocação cartuxa à vida contemplativa, leia o seguinte artigo extraído do texto “Intimidade com Deus”, escrito por um cartuxo anônimo: Clausura cartuxa: uma vocação que estarrece e choca o mundo

Há quase mil anos eles sustentam a vida ativa da Igreja com a contemplação, a abnegação e um silêncio repleto de eloquência

Numa passagem do seu livro “A Estrela dos Reis Magos”, o educador brasileiro Julio Cesar de Mello e Souza, muito mais conhecido pelo pseudônimo Malba Tahan, comenta que há na cidade espanhola de Burgos um pequeno mosteiro cartuxo em cuja igreja expõe-se uma imagem do fundador, São Bruno, aclamada como obra de rara perfeição. Quem observa a imagem tem a impressão de estar em frente a uma figura viva.
Conta-se que, certa vez, um viajante visitou a igreja e, ao dar de rosto com aquela admirável imagem de São Bruno, foi incapaz de conter a admiração:
– É perfeita! Só falta falar!
– Engana-se o senhor – respondeu, respeitoso, o monge que o guiava – Esta imagem é perfeita precisamente porque não fala.
A inspirada e singela anedota evoca um dos traços mais marcantes e fascinantes do monge cartuxo.

A Cartuxa

A Ordem dos Cartuxos, também conhecida como Ordem de São Bruno, foi fundada em 15 de agosto de 1084, solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu. É uma ordem religiosa católica semi-eremítica de clausura monástica e orientação puramente contemplativa: daí o silêncio absoluto como característica dessa vocação particularmente austera.

O nome

O nome peculiar, “cartuxos”, vem da região onde os primeiros monges da ordem se instalaram: uma montanha ao norte de Grenoble Chartreuse, na comuna francesa de Saint-Pierre-de-Chartreuse, em Isère. O nome francês “Chartreuse” era traduzido ao latim medieval como “Cartusia”, e daí derivam, em português, as palavras “Cartuxa”, para indicar tanto a ordem quanto cada um dos seus mosteiros, e “cartuxos”, o termo que se refere aos monges. A “Grande Cartuxa” (“Grande Chartreuse”, que se vê na foto abaixo) é a casa-mãe da ordem, situada na mesma região francesa da fundação.
Quanto ao nome “Ordem de São Bruno”, ele vem, evidentemente, do nome do santo fundador.

O governo cartuxo

Assim com a Ordem de Cister (dos monges cistercienses, fundada por São Bernardo de Claraval), a Cartuxa é umas das primeiras ordens centralizadas da história da Igreja. Ela é governada pelo Capítulo Geral, uma assembleia que se reúne a cada dois anos. Cada mosteiro tem o seu prior, que é o superior da casa, eleito durante o Capítulo Geral. O prior pode ser mantido ou afastado do cargo conforme cumpra ou não os seus deveres satisfatoriamente, o que torna o governo da cartuxa um dos mais flexíveis e equilibrados de que se tem notícia entre instituições humanas de qualquer época e natureza.

A vocação cartuxa

Os cartuxos conciliam a vida comunitária com a própria vida contemplativa, transcorrendo os seus dias, semanas, meses e anos em silêncio absoluto. Eles, que praticam rígida abstinência e fazem frequentes jejuns, trabalham, estudam e oram, devotando a maior parte de todos os dias à adoração.
Os cartuxos formam a comunidade religiosa comumente apontada como a que professa a maior austeridade dentre todas as ordens religiosas católicas no tocante ao exigente modo de vida. Ao longo dos seus mil anos de existência, a cartuxa sempre manteve um estrito e profundo espírito de pobreza e abnegação, meios que servem aos monges e monjas cartuxos para buscarem a maior intimidade com Deus na oração e na contemplação, livres ao máximo de todo apego material e mundano.
Seu lema, que resume o espírito da vocação cartuxa, é eloquente:
“Stat Crux dum volvitur orbis”
O que significa? “A Cruz permanece em pé enquanto o mundo dá voltas”.

A cartuxa em Portugal e no Brasil

Entre as cartuxas que existem mundo afora, há uma no Brasil, a de Nossa Senhora Medianeira, em Ivorá, no Rio Grande do Sul, e uma em Évora, Portugal, que você pode “visitar” no seguinte vídeo de 3 minutos produzido pela revista Expresso em janeiro de 2007:

Testemunho arrebatador

Para conhecer mais sobre a fascinante vocação cartuxa à vida contemplativa, leia o seguinte artigo extraído do texto “Intimidade com Deus”, escrito por um cartuxo anônimo:

Clausura cartuxa: uma vocação que estarrece e choca o mundo

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Pe. Geovane Saraiva

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