"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Evite se tornar cristão "de direita ou de esquerda" insistiu o papa Francisco

domtotal.com
"Buscar a diversidade sem unidade" e "buscar a unidade sem diversidade" são tentações contrárias ao Espírito do Ressuscitado.
Papa celebrou a Missa de Pentecostes na Praça de São Pedro, que contou com a participação de 80 mil pessoas de todo o mundo.
Papa celebrou a Missa de Pentecostes na Praça de São Pedro, que contou com a participação de
 80 mil pessoas de todo o mundo. (AFP)
Por Gerard O'Connell

Durante sua incisiva homilia no domingo de Pentecostes, o Papa Francisco afirmou que a Igreja Católica está enfrentando duas "tentações recorrentes" no século XXI. A primeira consiste em "buscar a diversidade sem unidade", enquanto a segunda consiste em "buscar a unidade sem diversidade". Ele explicou que ambas são contrárias ao Espírito do Ressuscitado, Jesus Cristo, que faz da Igreja universal "um novo povo" de muitas nações e com "um novo coração".

Ele celebrou a Missa de Pentecostes na Praça de São Pedro, que contou com a participação de 80 mil pessoas de todo o mundo, incluindo dezenas de milhares de membros do movimento carismático católico. Ontem, o Papa Francisco também comemorou o 50º aniversário da fundação do grupo no Circus Maximus.

Usando paramentos vermelhos para a grande festividade do dia, Francisco explicou que a igreja celebra a festa de Pentecostes 50 dias após a ressurreição de Jesus, porque naquele dia, cerca de 2.000 anos atrás, o Espírito Santo, que é "o primeiro presente do Senhor ressuscitado" Veio "do céu" aos discípulos sob a forma de "línguas diversas, como de fogo" que "descansavam" em cada um deles "e eles" começaram a falar em "outras línguas".

Ele lembrou aos peregrinos na praça e a toda a audiência mundial de centenas de milhões que seguiram o evento pela televisão, pela rádio e, inclusive, pelas mídias sociais, que o Espírito "é o Espírito Criador, que constantemente traz coisas novas". As leituras das Escrituras do dia destacam duas dessas coisas novas, ele disse: O Espírito torna os discípulos "um novo povo" e cria neles "um novo coração"; "traz todos eles juntos em comunhão" e "dá um presente a cada um, e depois os reúne em unidade". Em outras palavras, "o mesmo Espírito cria diversidade e unidade", e desta maneira "formar um povo novo, diverso e unificado: a Igreja universal".

Francisco explicou que, tanto de maneira "criativa e inesperada", o Espírito Santo favorece a diversidade, e "em todas as épocas faz com que carismas novos e variados floresçam. Em seguida, traz a unidade: ele junta, reúne e restaura a harmonia. "O Espírito Santo" faz isso de maneira que aconteça a verdadeira união, de acordo com a vontade de Deus, uma união que não é uniformidade, mas unidade na diferença".

Ao longo de seu pontificado, Francisco destacou continuamente o papel do Espírito na igreja e advertiu repetidamente aos líderes da igreja, especialmente cardeais, bispos e sacerdotes na Cúria Romana e nas dioceses do mundo, contra o fechamento dos seus olhos, ouvidos e corações para o que o Espírito está comunicando à Igreja hoje. Em sua homilia, advertiu-lhes novamente, bem como a liderança dos novos movimentos (incluindo aqueles do movimento carismático presente na praça) "para evitar as duas tentações recorrentes".

O pontífice explicou que a primeira tentação: "buscar a diversidade sem unidade", acontece "quando queremos separar, quando tomamos partido e formamos bandos, quando adotamos posições rígidas e estagnadas, quando ficamos presos em nossas próprias ideias e maneiras de fazer as coisas, talvez pensando que somos melhores do que outros, ou que estamos sempre certos". Isso acontece quando "escolhemos a parte sobre o todo, pertencendo a este ou a esse grupo antes de pertencer à Igreja". Acontece quando "nos tornamos adeptos e fanáticos de um lado, ao invés de irmãos e irmãs no único Espírito. Acontece também quando nos tornamos cristãos de "direita" ou de "esquerda", antes de ficarmos do lado de Jesus, guardiões inflexíveis do passado ou da vanguarda do futuro antes de sermos filhos humildes e gratos da Igreja. O resultado é a diversidade sem unidade".

Ele descreveu a segunda "tentação recorrente" como a de "buscar a unidade sem diversidade". Quando isso acontece, "a unidade se torna uniformidade, onde todos devem fazer tudo juntos e devem sempre pensar da mesma forma". A unidade acaba sendo homogeneidade e não mais liberdade. Mas, como diz São Paulo, "onde está o Espírito do Senhor, há liberdade".

O papa pediu aos crentes que orem ao Espírito Santo "pela graça de receber sua unidade" de maneira que "deixemos as preferências pessoais de lado, abracemos e amemos a Igreja, a nossa Igreja". Isso também significa "aceitar a responsabilidade pela unidade entre todos, Para acabar com as fofocas que semeiam o joio da discórdia e o veneno da inveja, já que ser homens e mulheres da Igreja significa sermos homens e mulheres de comunhão".

Ele os encorajou a "pedir um coração que sinta que a Igreja é nossa Mãe e nossa casa, uma casa aberta e acolhedora, onde a alegria diversa do Espírito Santo é compartilhada".

Tendo advertido sobre essas tentações e lembrando que o Espírito de Jesus quer tanto a diversidade quanto a unidade na igreja, Francisco enfatizou que, para alcançar esse objetivo, o Espírito dá "um novo coração". Ele lembrou aos fiéis que quando Jesus apareceu pela primeira vez aos discípulos depois da sua ressurreição disse-lhes: "Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoares os pecados, ser-lhes-ão perdoados". Francisco sublinhou que "Jesus não os condena por terem-no negado e abandonado durante sua paixão, mas, em vez disso, lhes concede o espírito de perdão".

Em sua homilia, ele lembrou aos pastores e aos fiéis que "o Espírito é o primeiro presente do Senhor ressuscitado, e é dado, sobretudo, para o perdão dos pecados". Ao longo de seu pontificado de quatro anos, Francisco enfatizou a importância central do Perdão, e ele fez isso novamente hoje, enquanto lembrou aos fiéis que Jesus deu o Espírito "acima de tudo para o perdão do pecado". Aqui, ele disse: "nós vemos aqui o início da Igreja" porque o perdão é "o laço que nos mantém juntos, o cimento que liga os tijolos da casa". Ele descreveu o "perdão" como um "presente do mais alto grau; o maior amor de todos. Ele preserva a unidade apesar de tudo, evita o colapso, consolida e fortalece. O perdão liberta nossos corações e nos permite começar de novo".

Ele lembrou aos fiéis que "o perdão dá esperança; sem perdão, a Igreja não pode ser construída. O espírito de perdão resolve tudo em harmonia e nos leva a rejeitar qualquer outro caminho: o caminho do julgamento precipitado, o beco sem saída do fechamento de cada porta, a rua unidirecional da crítica aos outros. O Espírito nos pede que tomemos a rua nos seus dois sentidos, de perdão recebido e dado".

No final da Missa de Pentecostes, Francisco orou para que o Espírito Santo "possa sustentar a missão da igreja em todo o mundo e dar força a todos os homens e mulheres missionários".

Ele também rezou para que o Espírito do Ressuscitado "possa dar paz ao mundo inteiro e curar as feridas da guerra e do terrorismo, que a noite passada atingiu civis inocentes em Londres". Ele pediu a todos que orassem pelas vítimas e pelas Famílias que sofreram neste último ataque terrorista.


America
Tradução: Ramón Lara.
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Pe. Geovane Saraiva

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