"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

terça-feira, 9 de maio de 2017

Nada nos separa do amor de Deus!

 domtotal.com
A tentação nas dificuldades é a de crer que Deus não está conosco e ir atrás de outros deuses acreditando que seriam eles a nos oferecer estabilidade para adversidades.
É mais comum do que imaginamos, acreditar, em meio às dificuldades da vida, que Deus se apartou de nós.
É mais comum do que imaginamos, acreditar, em meio às dificuldades da vida, 
que Deus se apartou de nós. (Divulgação)
Tânia da Silva Mayer*

É mais comum do que imaginamos, acreditar, em meio às dificuldades da vida, que Deus se apartou de nós, de que não nos vela com seu auxílio e nem nos beneficia com sua misericórdia. É que algumas vezes, algumas situações podem apresentar-se de maneiras decididamente dilacerantes. O descobrimento de uma doença grave, a perda do emprego, a violência e as guerras, a morte de uma pessoa querida, uma traição inesperada, o fim de um relacionamento antigo, entre outras coisas, gera em nós um sentimento de instabilidade e solidão. É quando percebemos quão sozinhos e lançados à sorte estamos no universo. Para quem tem fé, essa sensação pode vir atrelada à ideia de que Deus se esqueceu de nós.

O povo de Deus caiu, por diversas vezes, nessa emboscada de acreditar que foram abandonados pelo seu Libertador. A experiência do êxodo da escravidão para a libertação revela um povo pronto a tombar na primeira dificuldade. “Por que nos trouxestes a este deserto? Para matar de fome toda esta gente?” (Ex 16,3) Era o questionamento dos que entendiam equivocadamente o processo para a liberdade. Com o pressuposto da dificuldade, a primeira intelecção é a de que Deus não está mais com a gente, que caminhamos errantes sem seu auxílio. A tentação maior nesse conflito é a idolatria de ir atrás de outros deuses, acreditando que seriam eles a nos oferecer estabilidade para adversidades que são consequência de nossa condição.

Por trás desses conflitos, os do povo da Bíblia e os nossos hoje, reside um pouco de teologia da retribuição e de teologia da prosperidade. A teologia da retribuição sempre afirmou que aos bons, aos que são justos, acorreriam coisas boas, e que aos maus, aos injustos, acorreriam os males. Na lógica da prosperidade, toda riqueza e bem é fruto da fidelidade a Deus, a pobreza, por sua vez, é resultado da infidelidade. Essas teologias e os seus sistemas lógicos serão, aos poucos, e desde o Antigo Testamento, denunciados, revelando seus limites e incoerências. Jó, que é justo, debaterá com seus amigos, apresentando sua justiça e revelando que aos justos pode ocorrer uma série de infortúnios. O rompimento com essas teologias nos coloca ainda mais defronte ao mistério que é a vida e aos seus acontecimentos. Despertando nossa consciência para a gratuidade desinteressada do amor de Deus.

Nisso tudo é importante notar a especificidade da graça de Deus e sua relação conosco: Deus fez-nos livres e de nenhum modo está disposto a revogar nosso estado de criaturas, mesmo em Jesus, somos novas criaturas. Não há um jogo Dele conosco e com nossa fraqueza, o que há é seu amor sempre presente, mesmo diante das situações e acontecimentos que nos fragilizam ainda mais. Deus é Deus com a gente! Paulo compreendeu isso muito bem. É a respeito disso que escreve aos Romanos: “Nada será capaz de nos separar do amor de Deus, que está no Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,39). Nada na natureza, nada da nossa condição humana, nada do jogo dos homens contra os homens, nada disso nos separa do amor de Deus. É a esta certeza que somos chamados a nos apegar, é esse o dogma que precisa ser anunciado aos que se encontram desamparados e abandonados, os em vias de sepultar a esperança do coração, porque diante dos muitos sofrimentos que se apresentam. Deus é por nós, sempre conosco, para sempre, nada e ninguém poderá mudar isso.

*Tânia da Silva Mayer é mestra e bacharela em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE; Graduanda em Letras pela UFMG. É editora de textos da Comissão Arquidiocesana de Publicações, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Escreve às terças-feiras. E-mail: taniamayer.palavra@gmail.com.
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Pe. Geovane Saraiva

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