"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Medjugorje: conclusões da comissão Ruini

domtotal.com
Comissão encarregada por averiguar a veracidade das aparições de Nossa Senhora na cidade de Medjugorje conclui seu relatório.
Peregrinos em Medjugorje.
Peregrinos em Medjugorje. (Reprodução)

Treze votos para o reconhecimento do “sobrenatural” nas primeiras 7 aparições de Medjugorje, um voto contra e uma abstenção. Uma maioria de abstenções nas votações e muitas dúvidas sobre o fenômeno contínuo de aparições do final de 1981 até o momento. Este é o resultado final do trabalho da comissão sobre Medjugorje instituído em 2010 por Bento XVI e presidida pelo Cardeal Camillo Ruini. Um documento referido pelo Papa durante o diálogo com os jornalistas no seu regresso de Fátima, quando revelou a distinção entre as primeiras aparições e o fenômeno posterior, dizendo, "uma comissão composta por bons teólogos, bispos e cardeais. A relação da comissão é muito, muito boa". Como se sabe, a indicação das palavras do Pontífice é positiva sobre os frutos espirituais e conversões ("pessoas que se convertem, que encontram Deus, que mudam de vida. E isso não por causa de uma varinha mágica"), mas negativa sobre as aparições que continuam hoje: "Eu, pessoalmente, sou mais maldoso, eu prefiro a Virgem Mãe, do que à Virgem que se torna gerente de um escritório de telégrafo e envia uma mensagem a cada dia".

Uma comissão criada por Ratzinger.

Do dia 17 de Março de 2010 ao dia 17 de janeiro de 2014, pela vontade de Bento XVI, foi instituído um comité presidido por Ruini. Além do ex-presidente da Conferência Episcopal da Itália, também faziam parte dela os cardeais: Jozef Tomko, Vinko Puljic, Josip Bozanic e Angelo Amato Julián Herranz. Além disso, também foram o psicanalista Tony Anatrella, os teólogos Pierangelo Sequeri, Franjo Topic, Mihály Szentmártoni e Nela Gašpar, o mariólogo Salvatore Perrella, o antropólogo Achim Schütz, o canonista David Jaeger, o relator para as Causas dos Santos Zdzisław Józef Kijas, o psicólogo Mijo Nikić e o oficial da Doutrina da Fé Krzysztof Nykiel. Eles tinham a tarefa de "recolher e analisar todo o material" sobre Medjugorje e apresentar "um relato detalhado" com a votação do "sobrenatural ou não" das aparições, além de indicar as melhores "soluções pastorais". A comissão se reuniu 17 vezes, avaliando todos os documentos depositados no Vaticano, na paróquia de Medjugorje e nos arquivos do serviço secreto da antiga Iugoslávia. Esta comissão ouviu todos os videntes e testemunhas, e em abril de 2012 fez uma visita à pequena cidade da Bósnia-Herzegovina.

Juízo positivo sobre as primeiras aparições

A Comissão identificou uma diferença muito clara entre o início do fenômeno e seu desenvolvimento. Ele decidiu expressar dois diferentes votos em duas fases distintas: as primeiras 7 alegadas aparições que ocorreram entre 24 de junho e 3 de julho de 1981, e tudo o que aconteceu depois. Os membros e os expertos se expressaram com 13 votos a favor de reconhecer o caráter sobrenatural das primeiras visões. Um membro votou contra e um especialista expressou uma abstenção do seu voto. A Comissão sustenta que os sete meninos videntes eram normais psiquicamente, que foram surpreendidos pela aparição, e não houve nenhuma influência externa (nem dos franciscanos da paróquia ou de outros sujeitos) no que eles disseram que viram. Eles se recusaram a dizer o que tinham visto, embora a polícia os prendesse e os ameaçasse de morte. A comissão também descartou a hipótese de origem demoníaca das aparições.

As dúvidas sobre a evolução do fenómeno.

Quanto à segunda fase das aparições, a Comissão teve em conta a forte interferência causada pelo conflito entre o bispo e os franciscanos da paróquia, bem como o fato de que as aparições, preanunciadas e programadas exclusivamente para os videntes (e não em grupo) continuaram com mensagens repetitivas. Estas continuam, mesmo que os meninos tenham dito que iria terminar, fato que não foi verificado. E depois há a questão dos "segredos" de matizes apocalípticos que os videntes afirmam ter recebido da aparição. Nesta segunda fase, a comissão votou em dois momentos diferentes. A primeira tendo em conta os frutos espirituais da Medjugorje, mas deixando de lado o comportamento dos videntes. Nesta votação três membros e três especialistas afirmaram que houve efeitos positivos, quatro membros e três especialistas indicaram que tinham efeitos misturados, principalmente efeitos positivos, e outros três membros opinam que houve efeitos misturados (positivos e negativos). Se, além do fruto espiritual, leva-se em conta o comportamento dos videntes, oito membros e quatro expertos consideraram que não poderiam se pronunciar, enquanto outros dois membros votaram contra a sobrenaturalidade.

A solução pastoral.

Tendo verificado que os videntes de Medjugorje não foram acompanhados corretamente do ponto de vista espiritual e tendo notado que há algum tempo já não faziam parte de um grupo, a comissão decidiu em favor do levantamento da proibição de organizar peregrinações a Medjugorje (com os votos de 13 membros e 14 especialistas que estavam presentes). A comissão também votou a favor da criação em Medjugorje de "uma autoridade dependente da Santa Sé" e da transformação da paróquia em um santuário pontifício. Uma decisão motivada por questões pastorais (cuidado com os milhões de peregrinos que chegam lá, evitar a formação de uma "igreja paralela", esclarecer questões econômicas), mas isso não significaria reconhecer a sobrenaturalidade das aparições.

As dúvidas da Doutrina da Fé.

O Papa também falou sobre isso durante a entrevista na sua volta de Fátima. A Congregação para a Doutrina da Fé, liderada pelo cardeal Gerhard Ludwig Müller expressou dúvidas sobre o fenômeno e também sobre o relatório da Comissão Ruini, considerado um documento confiável, mas que deve ser comparado com outros pareceres e documentos. Em 2016 aconteceu a Feira IV, reunião mensal dos membros do Dicastério, convocada para discutir o caso de Medjugorje e o relatório da Comissão Ruini. Cada um dos cardeais e bispos membros recebeu o texto da Comissão, mas também outros documentos encontrados na Congregação para a Doutrina da Fé. Durante a reunião, pediu-se aos membros expressassem suas opiniões. O Papa Francisco, que não queria que o relatório da comissão Ruini fosse "leiloado" estabeleceu que lhe enviassem pessoalmente, todos os pontos de vista dos membros da Feira IV. E isso foi feito na hora.

A decisão de Francisco.

O Papa, depois de examinar o relatório da Comissão Ruini e os pontos de vista dos membros da Congregação para a Doutrina da Fé, decidiu enviar o arcebispo polonês Henryk Hoser em missão como "enviado especial da Santa Sé" para "adquirir uma compreensão mais profunda da situação pastoral" em Medjugorje e, "acima de tudo, as exigências dos fiéis que estão indo em peregrinação" para "sugerir possíveis iniciativas pastorais para o futuro". Antes do final deste Verão de 2017 o enviado da Santa Sé vai entregar os resultados de seu trabalho ao papa e o Pontífice tomará uma decisão.


Vatican Insider
Tradução: Ramón Lara
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Pe. Geovane Saraiva

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