"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 27 de maio de 2017

Dom Lustosa: Um Pastor Mariano


Pe. Abimael F. do Nascimento, msc*
A devoção mariana é uma marca forte na identidade dos santos. No geral, sobretudo na Idade Média e na modernidade, como em nossos dias, Nossa Senhora é invocada como um dos maiores modelos de santidade, daí a sua presença na vida de tantos santos que olhando para ela, chegaram à glória de seu Filho.
Dom Antônio de Almeida Lustosa não se exclui da intimidade com Nossa Senhora, pelo contrário, sua vida é enriquecida pelo zelo mariano. E por sua vez, Nossa Senhora marca sua vida desde o nascimento. Ele nasceu exatamente no dia de Nossa Senhora de Lourdes, no centenário das aparições (11 de julho de 1886). Depois ingressou na família salesiana, que tem por patrona Nossa Senhora Auxiliadora, de quem dom Lustosa dizia ser “a mais ligeirinha” em atender as súplicas dos filhos de Deus. Na vida episcopal (como bispo), trabalhou em Belém, onde há a forte presença de Nossa Senhora de Nazaré, e se celebra o grande Círio. Dizem os relatos que Dom Lustosa deu ao Círio cada vez mais vigor espiritual, fazendo-o uma rica tradição local imbuída de espiritualidade. À frente da Igreja de Fortaleza o que o marca é a peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Em 1953 acontece a peregrinação da imagem de Fátima, que veio de Portugal para o altar-mor do santuário que estava sendo construído em Fortaleza. A peregrinação percorreu várias cidades do Ceará, deixando seus frutos mais vistos na Serra Grande, na cidade de São Benedito, onde se erigia um santuário a Nossa Senhora de Fátima. A passagem da imagem peregrina foi um evento marcante e enraíza ainda mais a devoção a Nossa Senhora naquela região. Essa peregrinação foi intuída na oração de Dom Lustosa e realizada com todo o seu empenho, como devoto da Virgem de Fátima.
Em Fortaleza, como um Pastor Mariano, incentivou e providenciou a construção do Santuário de Nossa Senhora de Fátima, onde celebrou diversas homenagens à mãe do Senhor. O santuário situado à 13 de Maio é uma fotografia do zelo e amor de Dom Antônio pela Virgem. Por ocasião da peregrinação de 1953, como um bom poeta, transformou em versos, canção, a experiência dos pastorzinhos com Nossa Senhora. Além dos poemas em versos, Dom Antônio dedicou dois livros à sua Mãe celeste, “Prece ao pôr-do-sol” e “Lâmpada Votiva”. Obras devocionais, surgidas de uma espiritualidade e inteligência repletas do carinho e amor pela Mãe de Jesus. O zelo de Dom Lustosa se fazia conhecer pela sua oração do santo terço, e o amor pelo mês de maio, sobre o que ele diz: “mês primaveril para nossa alma, que no amor à nossa mãe do céu, descobre o segredo de verdadeira felicidade” (Dom Lustosa). O mês de maio seria como o brotar das flores, o enverdecer dos campos, a vida novamente repleta de beleza, tudo vindo do amor de mãe, de uma mãe que leva ao seu Filho, Jesus nosso Salvador.
Como bispo titular em uma cidade dedicada a Nossa Senhora da Assunção, em uma ocasião escreve Dom Lustosa: “os apóstolos devem ter sentido profunda saudade da Virgem Santíssima, quando ela subiu para o céu; mas, bem depressa, sentiram que sua valiosíssima proteção não se havia ausentado, mas, ao contrário, se havia tornado mais eficiente” (Dom Lustosa). Reconhecendo o amor intercessor de Maria, que muito assiste a Igreja, como mãe que gera e cuida.
Dom Lustosa foi um pastor mariano, com zelo pela mãe do Senhor, transbordou esse amor como pastor, cuidando do rebanho com intensa dedicação. E para finalizar, partilho a oração do Anjo, parafraseada da oração revelada aos pastorzinhos de Fátima, transcrita por Dom Lustosa, feita melodia por monsenhor José Mourão:
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos
E vos quero adorar perenemente
Empolga-me, Senhor, e me extasia essa vossa grandeza aurifulgente
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos
Sim, espero, Senhor, que sede ardente
De ver-vos lá no céu que me alcançastes
Redimindo, na cruz, o penitente
Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos
Sim, vos amo, ó Divino Padecente
Sois bom, sois belo, sois três vezes santo
E sereis meu tesouro eternamente.
Que neste centenário de Fátima, rezando a tão amável e bela Senhora, vejamos o zelo de Dom Lustosa, tendo-o como modelo de amor e serviço à Virgem Mãe de Deus.

*Mestre em Teologia
Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração
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Pe. Geovane Saraiva

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