"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

domingo, 23 de abril de 2017

Papa evocou mártires do século XX e XXI e disse que fechar as fronteiras é um «suicídio»


Agência Ecclesia 22 de Abril de 2017, às 20:39       
«A Igreja é Igreja se é Igreja de mártires» afirmou Francisco na Comunidade de Santo Egídio

Roma, 22 abr 2017 (Ecclesia) – O Papa Francisco evocou hoje os cristãos perseguidos no século XX e XX, denunciou tratados internacionais que contrariam os direitos humanos e disse que fechar as fronteiras aos migrantes é um “suicídio”.

Francisco presidiu à Liturgia da Palavra com a Comunidade de Santo Egídio, em memória dos “novos mártires” do século XX e XXI, onde afirmou que “a Igreja é Igreja se é Igreja de mártires”.

Os mártires tiveram a graça de “confessar Jesus até ao fim, até à morte”, sublinhou o Papa.

“Eles sofrem, dão a vida e nós recebemos a bênção de Deus pelo seu testemunho”, acrescentou.

Para o Papa Francisco, “a causa de todas as perseguições é o ódio” manifestado pelos “príncipes deste mundo” diante “dos que foram salvos e redimidos por Jesus com a sua morte e com a sua ressurreição”.

“Com a sua morte e ressurreição resgatou-nos do poder do mundo, do poder do diabo, do poder dos príncipes deste mundo. E a origem do ódio é esta: depois de termos sido salvos por Jesus, e porque os príncipes deste mundo não o queriam, odeiam-nos e suscitam a perseguição, que continuam desde os tempos de Jesus e da Igreja nascente até aos nossos dias”, lembrou o Papa.

“Quantas comunidades cristãs são hoje perseguidas! Porquê? Por causa do ódio do espírito deste mundo”, sublinhou Francisco.

Para o Papa, “a Igreja tem necessidade de mártires, de testemunhas”, ou seja, de “santos de todos os dias”, da “vida quotidiana, vivida com coerência.

O Papa referiu-se aos refugiados perseguidos por causa da religião e disse que os acordos internacionais parecem “mais importantes do que os direitos humanos”.

O Papa recordou os refugiados que chegam à costa do Mediterrâneo de barco e são acolhidos em “países generosos como Itália e a Grécia”, mas depois “os tratados internacionais não deixam” que sejam encaminhados para as comunidades que os desejam integrar.

“Se em Itália se acolhessem dois, dois migrantes em cada município, estavam todos colocados”, lembrou o Papa.

Francisco agradeceu o acolhimento de refugiados, sobretudo no sul da Europa, em Lampesuda, Sicília e Lesbos, desejando que “contagie um pouco o norte”.

“É verdade: nós somos uma civilização que não faz filhos e mesmo assim dechamos a porta aos migrantes. A isto chama-se suicídio. Rezemos!”, concluiu Francisco.

A evocação dos "novos mártires" decorreu na Basílica de São Bartolomeu, no bairro de Trastevere, em Roma, Itália, onde a Comunidade de Santo Egídio foi fundada por Andrea Riccardi, professor de história contemporânea, em 1968; tem reconhecimento da União Europeia e do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), pelo trabalho em prol dos direitos humanos e da paz, a nível internacional.

PR
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Pe. Geovane Saraiva

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