"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

terça-feira, 18 de abril de 2017

Bienal reuniu grande público no domingo

Com Ana Miranda, Paulina Chiziane, Valter Hugo Mãe, Marcelino Freire, Marcelo Gleiser, 
Bienal reuniu grande público no domingo.
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Bienal do Livro do Ceará começa nesta sexta-feira e vai até 23 de abril (Foto: Divulgação / Ricardo Boni)

Um domingo de decisões difíceis: assim poderia ser resumido o terceiro dia da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará. A imensa diversidade de opções e a qualidade dos debates, falas, entrevistas, pocket-shows e outras atividades desafiou os frequentadores que mais uma vez compareceram em grande número ao Centro de Eventos, no terceiro dia da Bienal, comprovando o gosto do cearense pela leitura e a ansiedade em dialogar diretamente com os grandes autores do Ceará, do Brasil e de vários países. A XII Bienal Internacional do Livro do Ceará é realizada pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), em parceria com o Instituto Dragão do Mar, e apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo Bradesco. A programação teve início na sexta, 14/4, e vai até o domingo, 23, no Centro de Eventos do Ceará e em múltiplos espaços de Fortaleza, com entrada franca em todas as atividades.Confira a programação completa da Bienal do Livro: http://bienaldolivro.cultura.ce.gov.br.

A escritora cearense Ana Miranda conversou com a escritora moçambicana Paulina Chiziane, com mediação da professora Vânia Vasconcelos, da Unilab. O diálogo aconteceu na Sala Moreira Campos. Chiziane é a primeira autora a publicar um romance no seu país e fez uma fala contundente. “O lugar onde o negro está é sempre subalterno. Com a literatura começo a denunciar minha identidade como negra e mulher. Escrever é uma espécie de confissão. A literatura que me escolheu e pude encontrar um espaço para tentar transformar sentimentos, opiniões e mudar o mundo. Minha arma é minha caneta”, disse ao público. Ana Miranda aproveitou para falar sobre o protagonismo feminino.

“Fui criada numa casa de mulheres, num universo feminino. Quem mandava era minha mãe, meu pai não apitava em nada. Também estudei num colégio de freiras. Quando fui crescendo e me falaram que quem manda no nosso mundo são os homens, eu disse não: são as mulheres”, comentou.

Foto: Jacques Antunes

Já na Sala Mágica, o carioca Marcelo Gleiser,  professor de física e astronomia do Dartmouth College trouxe ensinamentos a respeito de ciência e filosofia, reunindo grande público. “Fico feliz de ver tanta gente aqui, tantos jovens. Essa é uma das razões para fazer o que faço”. Gleiser mostrou que a ciência não se restringe apenas ao campo acadêmico e contextualizou- a dentro de um quadro maior, longe de todos os estereótipos.

O físico e astrônomo também falou em sua palestra a respeito das origens e da evolução do Universo, inserindo ali o ser humano. “Somos parte do universo, não somos mero acidente”. Foi destacado também a necessidade da curiosidade, pois só através da busca do conhecimento a vida se torna interessante. “O ser humano é inquieto, quer saber quem é, o que vai fazer. O importante é saber que tipo de vida você vai ter para, no futuro, olhar para trás e dizer que fez diferença não apenas no mundo, mas na vida das pessoas que conviveu”, ressaltou.

A programação com Gleiser aconteceu com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), reunindo o secretário da pasta, Inácio Arruda; o professor Marcos Vale; o professor Demerval Carneiro, responsável pelo planetário do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura; e um dos curadores da Bienal, Kelsen Bravos.

Tarde plural
Na programação infantil, a adaptação do espetáculo “É duro ter cabelo duro”, apresentado pelo ator, diretor, circense e instrutor de teatro, circo, palhaçaria e sapateado Cláudio Ivo, na Sala Literatura e Circo, arrancou a atenção, risadas e aplausos de crianças e adultos.

Sempre com trabalhos voltados à manutenção e valorização da cultura popular e negra, o espetáculo encenado por Cláudio foi marcado por música, dança, sapateado e transmissão de valores essenciais através da história de Severina, uma garota que sofre bullying na escola por ter cabelos crespos.

Através da diversão, foi transmitida uma lição sobre tolerância, respeito, amor ao próximo, generosidade e a beleza que existe nas diferenças. “As pessoas estão preocupadas com a crise financeira, mas muito mais preocupante é a crise existencial”, disse Cláudio no encerramento da apresentação.

Às 14h, em mais um dia do IV Encontro de Periódicos Literários Brasileiros, representantes de revistas do Ceará, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Norte discutiram sobre fenômenos pertinentes ao universo dos periódicos: a virtualização dos suplementos literários impressos no Brasil e a falta de políticas públicas e empresarias para este tipo de publicação.

Na ocasião, Moacir de Souza, no site Escambau, apresentou as possibilidades virtuais, como blogs, sites e podcasts para a disseminação da cultura leitora, enquanto Tânia Lima, da revista Mangues&Letras, reforçou a importância do suporte físico, sobretudo considerando as populações marginais que não possuem acesso à Internet.

Na faixa das 16h, o Auditório Mestres e Mestras da Cultura promoveu o segundo dia de Rodas de Saberes “O corpo é um texto, a vida e a alegria”, com o Mestre Gilberto Calungueiro (Teatro de bonecos – Icapuí) e o Mestre Palhaço Pimenta (Arte Circense – Fortaleza).

Foto: Leonardo Albuquerque

No mesmo horário, o escritor português Valter Hugo Mãe (que, na noite de sábado, extrapolou a lotação das salas 3 e 4 do mezanino 1) fez sua segunda participação na Bienal, em uma animada conversa com o autor pernambucano Marcelino Freire, do qual é amigo desde 2000. A relação de ambos inspirou a mediadora Socorro Acioli a mudar o tema da mesa para “amizade”. Para orientar o diálogo, selecionou algumas palavras como “encontro”, “generosidade” e “incômodo”, sobre as quais os autores tiveram que discorrer.

Questionado sobre sua relação com o Brasil, o escritor português foi enfático: “Eu me recuso a me sentir estrangeiro no Brasil. Em mim, há um ingrediente muito presente de Brasil”. Não muito longe dali, um Gero Camilo pequeno em estatura e gigante em talento falava também de lugares e sentimentos de pertença. O ator e poeta declamava do alto da bancada do Café Literário sobre os seus “Cearás”, que vieram do meio do mato, e de sua Fortaleza que jaz deserto, mas pode ser jardim.

No III Salão do Professor, o diálogo entre os escritores Jorge Pieiro e Luiz Ruffatorefletiu sobre o conto enquanto produção literária na escola. Ambos narraram suas histórias como alunos, vivências com professores e experiências escolares, e como tudo isso influenciou no gosto pela leitura e na produção literária.

Luiz Ruffato teve uma infância diferente da maioria dos escritores. Pobre, filho de mãe analfabeta e pai semianalfabeto, estudava em uma escola pública muito ruim na cidade de Cataguases (MG) e não tinha incentivo à leitura. Quando conseguiu uma vaga em uma escola frequentada por muitos alunos ricos, foi hostilizado. “Tentei resolver o problema sozinho, me tornando invisível naquele ambiente. Arranjei um esconderijo ótimo e ficava lá quieto. Era uma biblioteca. Fui então contaminado pela leitura, mesmo começando de uma forma estranha e tortuosa”, contou. Jorge Pieiro deve tudo a três grandes mestres que conheceu durante sua vida escolar, cada um deles despertando características específicas da literatura que passou a produzir. “Na escola, me pediam para escrever muito, mas eu não tinha ideias para as narrativas. Escrevia palavras que vinham à cabeça e nada fazia sentido, mas isso foi criando um hábito. Queria imitar escritores famosos e não conseguia. Então comecei a escrever por inveja, uma inveja boa”, ressaltou.

Manhã
Antes de abrilhantar o III Salão do Professor, Luiz Ruffato, autor que protagonizou, ao lado de Socorro Acioli, uma das mesas de maior audiência do dia anterior, abriu os trabalhos do terceiro de evento, conversando sobre personagens cotidianos. A mesa, pertencente à programação do Café Literário, no Pavilhão Térreo, foi mediada pela curadora geral da Bienal, Mileide Flores.

Ainda na manhã deste domingo, as cantorias e os recitais promovidos na Praça do Cordel amanheceram soando em tom de homenagem. O anúncio do falecimento do poeta Gonzaga Vieira, cujo último lançamento de folhetos aconteceu neste sábado (16), surpreendeu os companheiros de poesia, que prestaram a ele uma homenagem na tarde de hoje.

Natural de Canindé, o autor autodidata, com mais de duas dezenas de cordeis rimados no currículo, militou na imprensa escrita e falada, tendo sido correspondente de vários grêmios culturais de Fortaleza (CE), Natal (RN), Campina Grande (PB) e Brasília (DF).

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Pe. Geovane Saraiva

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