"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A Páscoa nossa de cada dia

domtotal.com
A Ressurreição de Jesus acalenta nossa esperança de um mundo melhor, de justiça e igualdade para todos.
A vida é uma força que sempre desponta
A vida é uma força que sempre desponta (Divulgação)
Por Felipe Magalhães Francisco*

Mesmo que não tomemos consciência disso, ou que até mesmo ignoremos por muitas questões, todos os dias vivemos uma páscoa. Páscoa é passagem: de uma situação a outra, de um estado a outro, de um sentimento a outro, de um modo de vida a outro. A cada amanhecer, o nascer do sol nos revela a pascalidade do mundo, que abandona as trevas e se ilumina. Páscoa é, tão logo, esperança: nenhum sofrimento, dor, tristeza, é sem fim!

 Aproximando-nos da festa da Páscoa, a mais importante para os cristãos e cristãs, somos chamados a perceber a pascalidade que se desvela, cotidianamente, em nossas vidas e na vida do mundo. Mesmo que a morte, e os muitos sinais dela, manifestem-se sempre, a vida é uma força que sempre desponta. A Ressurreição de Jesus, nesse horizonte, acalenta nossa esperança de um mundo melhor, de justiça e igualdade para todos.

Mas como perceber e viver essa pascalidade, como certeza e esperança, se ainda sofremos tanto, se o mundo ainda é tão marcado pelo mal e pelo desamor? É preciso que nos sensibilizemos com o que acontece ao nosso redor, percebendo as mazelas do mundo, mas, igualmente, o despontar e o reafirmar da vida, tão importantes para nos levar a seguir em frente. À luz da Páscoa, de Cristo e nossa, o sofrimento não é fim, mas passageiro.

Nesse horizonte, da percepção da pascalidade dos nossos dias, o primeiro, e fundamental, artigo de nossa matéria especial, Cristo, nossa páscoa!, de Daniel Reis, propõe-nos um olhar sobre as muitas passagens de nossa vida, lidas à luz da Ressurreição de Cristo. A solidariedade de nossa vida com a vida de Jesus se dá, sobretudo, por sua passagem da morte à vida, que toca e diz respeito a cada um de nós.

Curiosamente, a religiosidade mineira, tradicionalmente católica, acentua não o aspecto pascal da vida de Jesus, mas sua paixão e morte, que também dizem respeito à nossa própria vida. O instigante artigo Passio Domini: a religiosidade mineira no mistério da paixão, do Pe. César Thiago do Carmo Alves, ajuda-nos a perceber os motivos pelos quais a religiosidade mineira dá tanto enfoque para o sofrimento e morte de Jesus. Além disso, o artigo traz os desdobramentos teológicos-pastorais de tal enfoque.

Perceber a pascalidade de nossa vida, por meio da solidariedade com a Páscoa de Jesus, bem como nosso sofrimento e o sofrimento do mundo, associados à Sua paixão e morte, impulsiona-nos à solidariedade para com os crucificados da história. É o que nos ajuda a refletir o importante artigo Ressuscitados com o Crucificado para ressuscitar os crucificados, do Pe. Antônio Ronaldo Vieira Nogueira. A Páscoa só será plena, quando tocar, definitivamente, a todos e todas.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é doutorando em Ciências da Religião, pela PUC-MG, e mestre e bacharel em Teologia, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Coordena a Comissão Arquidiocesana de Publicações, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015)
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Pe. Geovane Saraiva

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