"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sexta-feira, 24 de março de 2017

ORAÇÃO & VIDA INTERIOR: As 5 qualidades que toda oração deve ter, segundo S. Tomás de Aquino

  Aleteia Brasil | Mar 24, 2017
Kitja-Kitja
O Pai-Nosso é a oração por excelência, pois possui as 5 qualidades

A Oração do Senhor (ou seja, o Pai-Nosso), é, entre todas, a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta, ordenada, devota e humilde.

Confiante
A oração deve ser confiante, como escreve o autor da Carta aos Hebreus (4, 16): Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar a graça para sermos socorridos no tempo oportuno.

A oração deve ser feita com fé e sem hesitação, segundo São Tiago (Tg 1,6): Se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus… Mas peça-a com fé e sem hesitação.

Por diversas razões, o Pai-Nosso é a mais segura e confiante das orações. A Oração do Senhor é obra de nosso advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de sabedoria (cf. Cl 2, 3), daquele de quem diz São João (I, 2, 1): Temos um advogado junto ao pai: Jesus Cristo, o Justo. São Cipriano escreveu em seu Tratado da oração dominical: “Já que temos o Cristo como advogado junto ao Pai, por nossos pecados, em nossos pedidos de perdão, por nossas faltas, apresentemos em nosso favor, as palavras de nosso advogado”.

A Oração do Senhor parece-nos também que deve ser a mais ouvida porque aquele que a escuta com o Pai é o mesmo que no-la ensinou; como afirma o Salmo 90 (15): Ele clamará por mim e eu o escutarei. “É rezar uma prece amiga, familiar e piedosa dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras”, diz São Cipriano. Nunca se deixa de tirar algum fruto desta oração que, segundo santo Agostinho, apaga os pecados veniais.

Reta
Nossa oração deve, em segundo lugar, ser reta, isto é, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. “A oração”, diz São João Damasceno, “é o pedido a Deus dos dons que convém pedir”.

Muitas vezes, a oração não é ouvida por termos implorado bens que verdadeiramente não nos convêm. “Pediste e não recebeste, porque pediste mal”, diz São Tiago (4,3).

É tão difícil saber com certeza o que devemos pedir, como saber o que devemos desejar. O Apóstolo reconhece, quando escreve aos Romanos (8, 26): Não sabemos pedir como convém, mas (acrescenta), o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis.

Mas não é o Cristo que é nosso doutor? Não foi ele que nos ensinou o que devemos pedir, quando seus discípulos disseram: Senhor, ensinai-nos a rezar? (Lc 11, 1).

Os bens que ele nos ensina a pedir, na oração, são os mais convenientes. “Se rezamos de maneira conveniente e justa”, diz Santo Agostinho, “quaisquer que sejam os termos que empregamos, não diremos nada mais do que o que está contido na Oração do Senhor”.

Ordenada
Em terceiro lugar, a oração deve ser ordenada, como o próprio desejo que a prece interpreta. A ordem conveniente consiste em preferirmos, em nossos desejos e preces, os bens espirituais aos bens materiais, as realidades celestes às realidades terrenas, de acordo com a recomendação do Senhor (Mt, 6,33): Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça e o resto — o comer, o beber e o vestir — ser-vos-á dado por acréscimo.

Na Oração do Senhor, Ele nos ensina a observar esta ordem: primeiro pedimos as realidades celestes e em seguida os bens terrestres.

Devota
Em quarto lugar, a oração deve ser devota. A excelência da devoção torna o sacrifício da oração agradável a Deus. Em vosso nome, Senhor, elevarei minhas mãos, diz o Salmista, e minha alma é saciada como de fino manjar.

A prolixidade da oração, no mais das vezes, enfraquece a devoção; também o Senhor nos ensina a evitar essa prolixidade supérflua: Em vossas orações não multipliqueis as palavras; como fazem os pagãos, (Mt 6,7). S. Agostinho recomenda, escrevendo a Proba: “Tirai da oração a abundância de palavras; no entanto não deixeis de suplicar, se vossa atenção continua fervorosa”. Esta é a razão pela qual o Senhor instituiu a breve oração do Pai-Nosso.

A devoção provém da caridade, que é o amor de Deus e do próximo. O Pai Nosso é uma manifestação destes dois amores. Para mostrar nosso amor a Deus, o chamamos “Pai”, e, para mostrar o nosso amor ao próximo, pedimos por todos os homens justos, dizendo: “Pai nosso”, e empurrados pelo mesmo amor, acrescentamos: “perdoai-nos as nossas ofensas”.

Humilde
Em quinto lugar, nossa oração deve ser humilde, segundo o que diz o Salmista (Sl. 101, 18): Deus olhou para a prece dos humildes.

Uma oração humilde é uma oração que certamente será ouvida, como nos mostra o Senhor, no evangelho do Fariseu e do Publicano (Lc 18, 9-15) e Judite, rogando ao Senhor, dizia: Vós sempre tivestes por agradável a súplica dos humildes dos mansos.

Esta humildade está presente na Oração do Senhor, pois a verdadeira humildade está naquele que não confia em suas próprias forças, mas tudo espera do poder divino.

______________

Dos Sermões de Santo Tomás de Aquino sobre o Pai-Nosso e a Ave-Maria.

Nota: Muitas traduções da obra de Santo Tomás adotam a expressão “Oração Dominical” para se referirem àquela que chamamos de “Oração do Senhor”. Em latim, “dominicalis” significa “próprio de quem é senhor”, “senhorial”, “do senhor”. Vem de “dominus”, que quer dizer, exatamente, “senhor”. Aliás, vem também daí a palavra “domingo”, de “dies dominicus”, ou seja, “o dia do Senhor”. Para tornar o sentido da expressão mais claro, optamos pela tradução “Oração do Senhor” em vez de “Oração Dominical”, já que esta última poderia soar, para grande parte dos leitores atuais, como “oração de domingo”, o que não corresponde ao sentido preciso do texto original.

Temas deste artigo:
PAI NOSSOTOMAS DE AQUINO

http://pt.aleteia.org/2017/03/24/as-5-qualidades-que-toda-oracao-deve-ter-segundo-s-tomas-de-aquino/
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Pe. Geovane Saraiva

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