"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

quinta-feira, 23 de março de 2017

O manuscrito que o Papa Francisco leu antes de sua eleição no conclave

HAVANA, 22 Mar. 17 / 12:00 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Arcebispo de Havana (Cuba), Cardeal Jaime Ortega, divulgou um discurso que o então Cardeal Jorge Mario Bergoglio ofereceu durante as congregações gerais antes do Conclave em 2013.

Algumas horas antes de ser eleito Papa, o Cardeal Bergoglio entregou ao Cardeal Ortega o manuscrito do discurso que leu nas congregações gerais, reuniões dos cardeais antes do Conclave.

O texto foi lido pelo Purpurado cubano em 23 de março de 2013 durante a Missa na catedral local e foi publicado na revista ‘Palabra Nueva’ deste mês, da Arquidiocese de Havana, tudo coma a autorização do Pontífice.

No discurso e sem pressagiar que seria eleito, o então Cardeal Bergoglio pediu um Papa que ajude a Igreja a sair de si mesma e a evangelizar o que chamou de “periferias existenciais” da dor, da ignorância e do pecado.

Confira a seguir o discurso intitulado “A doce e confortadora alegria de evangelizar”:

Fez-se referência à evangelização.

É a razão de ser da Igreja.

“A doce e confortadora alegria de evangelizar” (Paulo VI)

É o próprio Jesus Cristo que, desde dentro, nos impulsiona.

1. Evangelizar supõe zelo apostólico. Evangelizar supõe na Igreja a parresia de sair de si mesma. A Igreja está chamada a sair de si mesma e ir às periferias, não só às geográficas, mas também às periferias existenciais: as do mistério do pecado, da dor, da injustiça, da ignorância e prescindência religiosa, do pensamento, de toda miséria.

2. Quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar, torna-se autorreferencial e então adoece (Cf. A mulher encurvada sobre si mesma do Evangelho). Os males que, ao longo do tempo, se dão nas instituições eclesiais têm raiz de autorreferencialidade, um tipo de narcisismo teológico. No Apocalipse, Jesus diz que está à porta para entrar… Mas penso nas vezes em que Jesus bate desde dentro para que o deixemos sair. A Igreja autorreferencial quer Jesus dentro de si e não o deixa sair.

3. A Igreja, quando é autorreferencial, sem se dar conta, crê que tem luz própria; deixa de ser o “mysterium lunae” e dá lugar a esse mal tão grave que é a mundanidade espiritual (segundo De Lubac, o pior mal que pode acontecer à Igreja). Esse viver para se dar glória uns aos outros. Simplificando. Há duas imagens de Igreja: a Igreja evangelizadora que sai de si, a Dei Verbum religiose audiens et fidenter proclamans, ou a Igreja mundana que vive em si, de si, para si. Isso deve iluminar as possíveis mudanças e reformas que tenha de fazer para a salvação das almas.

4. Pensando no próximo Papa: um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo e da adoração a Jesus Cristo, ajude a Igreja a sair de si rumo às periferias existenciais, que a ajude a ser a mãe fecunda que vive da “doce e confortadora alegria de evangelizar”.
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Pe. Geovane Saraiva

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