terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Decálogo dos símbolos da Quaresma

Ainda dá tempo de viver uma Quaresma santa
Chetan Kunte  REVISTA ECCLESIA  28 DE FEVEREIRO DE 2017   SALVAR EM MINHA LISTA DE LEITURAS
Decálogo dos símbolos da Quaresma
© Moyan Brenn

1. A Quaresma é DESERTO. É aridez, solidão, jejum, austeridade, rigor, esforço, penitencia, perigo, tentação.

2. A Quaresma é PERDÃO: As histórias bíblicas de Jonas e de Nínive e a parábola do filho pródigo são exemplos disso.

3. A Quaresma é ENCONTRO: É abraço de reconciliação, como na parábola do filho pródigo, na conversão de Zaqueu ou no diálogo de Jesus Cristo com a mulher adúltera.

4. A Quaresma é LUZ. Como se põe em evidência, por exemplo no evangelho do cego de nascença. É passagem das trevas à luz. Jesus Cristo é a luz do mundo.

5. A Quaresma é SAÚDE. Símbolo manifestado em textos como a cura do paralítico ou a cura do filho do centurião.

6. A Quaresma é ÁGUA. É a passagem da sede da nossa insatisfação para a água viva, como a água de Moisés ao povo de Israel no deserto ou Jesus à samaritana.

7. A Quaresma é superação vitoriosa das provas e dificuldades. É LIBERTAÇÃO, TRIUNFO. Algumas figuras bíblicas que sofrem graves perigos e vencem as provas da vida, são: José, o filho de Jacó, a casta Susana, Ester, o profeta Jeremias e, sobretudo, Jesus tentado e transfigurado.

8. A Quaresma é CRUZ. Sinal e presença permanente durante toda a Quaresma. Prefigurada no Antigo Testamento e patenteada com o exemplo de Jesus Cristo e com o seu chamado a carregá-la como condição de seguimento.

9. A Quaresma é TRANSFIGURAÇÃO. É a luz definitiva do caminho quaresmal, prenunciada e pregustada na cena da transfiguração de Jesus: “Pela cruz á luz”.

10. A Quaresma é o esforço para retirar o fermento velho e incorporar a NOVA LEVEDURA DA PÁSCOA RESSUSCITADA E RESSUSCITADORA, agora e para sempre.

Leia também: Como viver a melhor Quaresma da sua vida.

Jornalistas, os inimigos do Povo?

domtotal.com
Sistema político norte-americano não permite que Trump recorra a instrumentos como censurar jornais ou prender jornalistas.
Foi o próprio Trump, que falou com a sua franqueza habitual: “Os órgãos da mídia são os inimigos do povo!”
Foi o próprio Trump, que falou com a sua franqueza habitual: “Os órgãos da mídia são os inimigos do óprio Trump, que falou com a sua franqueza habitual: “Os órgãos da mídia são os inimigos do povo!”
 (Reprodução/Affinitymagazine)
Por José Couto Nogueira*

Já durante a campanha eleitoral, Donald Trump tinha uma relação complicada com a Mídia. A seu favor, as sondagens a mostrar que os jornalistas estão entre as classes com menor cotação entre os eleitores. Contra ele, a atitude de que quem não o elogia é desonesto ou mentiroso.

Desde que existe imprensa, as relações entre o Poder e a Mídia nunca foram fáceis, nem estão destinadas a sê-lo. Como dizia George Orwell: “Jornalismo é dizer aquilo que alguém não quer que seja dito; o resto é Relações Públicas”. De fato, a Mídia, o “quarto poder”, que só indiretamente é reconhecido constitucionalmente (através da figura da liberdade de expressão e de informação) tem um papel fundamental em relação aos três poderes democráticos – legislativo, executivo e judicial – e que consiste, basicamente, em expor ao público a atividade desses poderes. Muitas vezes, só por levantar questões, tem um papel crítico, indispensável para que os governados saibam o que fazem os governantes.

Os jornalistas são parciais? Certamente. A imparcialidade não existe. Só a escolha de um certo número de notícias, de entre as milhares diariamente à disposição, já implica uma opinião. Mas, ao serem parciais, a favor ou contra, os órgãos da CS informam sobre situações que assim podem ser conhecidas e discutidas por toda a gente. É no equilíbrio precário entre a parcialidade de uns e a parcialidade de outros que se pode avaliar onde estará a verdade.

Nas sociedades com liberdade de informação, o poder político vê o poder jornalístico como um incômodo, mas um incômodo que precisa tem de ser aceite, pelo papel que tem junto da opinião pública. Quando um político é criticado por um órgão da CS, geralmente opta por uma atitude conciliatória, para não prolongar a questão e para mostrar que aceita democraticamente opiniões divergentes ou notícias incômoda. Nos bastidores, muitos políticos tentam calar a CS, comprando, intimidando, suplicando. É sabido.

Também é da História que a primeira preocupação de todos os regimes autoritários é controlar a CS. Quanto chegam ao poder absoluto, simplesmente censuram, perseguem e/ou eliminam. Quando querem ter uma aparência mais suave, compram e intimidam. Todos conhecemos casos de várias épocas e de todos os continentes; Hitler, Estaline, Salazar, Fidel, Pinochet, Erdogan, Putin... A lista é extensa.

Mas, independentemente do que o Poder considera, a opinião pública também se queixa da CS. Simplificando as muitas nuances, quem é de esquerda acha que a CS está vendida à direita, e quem é de direita vê a CS como esquerdista. Estamos numa época em que as pessoas classificam as notícias segundo as suas percepções pré-concebidas; se um artigo é favorável ao que pensam, está certo, se é desfavorável é “fake news”. Parece que a pertinência dos argumentos já não faz ninguém mudar de idéias.

O que nos leva de volta a Donald Trump. Logo a seguir à tomada de posse, entrou em confronto com a CS por causa do número de pessoas que assistiu à cerimônia – o maior de sempre, segundo ele, enquanto as fotografias publicadas nos jornais mostravam o contrário – e pela sua afirmação de que muitos eleitores votaram ilegalmente – um dado que a CS questionou, sem que o Presidente apresentasse um único caso concreto.

Trump e o seu ideólogo principal, Steve Bannon, afirmaram várias vezes, peremptoriamente: “a CS é o nosso inimigo”. Numa conferência de imprensa que ficou para a história, na semana passada, Trump acusou a mídia de ser mentirosa e desonesta, recusou-se a responder a jornalistas dos órgãos considerados hostis e até mandou calar alguns.

Este foi o primeiro degrau de uma escalada de hostilidade; depois de se queixar na generalidade, passou a atacar especificamente as publicações (e televisões) que não lhe agradavam.

Insistindo que apenas estão a fazer o seu papel, essas publicações não desistem das suas pautas desfavoráveis ao Presidente, até porque ele lhes fornece diariamente material, com as sua mentiras (facilmente comprovadas), evasivas e afirmações muito discutíveis.

Ari Fleischer, um republicano que foi assessor de imprensa de George W. Bush, afirma que “a relva está tão seca dos dois lados, que basta um fósforo para pegar fogo”.

Na Conferência de Ação Política Conservadora, que decorreu agora, a 15 e 16 de Fevereiro, a hostilidade subiu outro patamar. A CPAC é um evento anual que reúne cerca de cem organizações conservadoras, unidas em torno de uma plataforma “cristã” que inclui, entre outras exigências, a educação religiosa obrigatória nas escolas e negação da Teoria da Evolução, a ilegalização da interrupção voluntária da gravidez e do casamento entre pessoas do mesmo gênero. É também uma coligação anti-imigração e anti-islâmico. Acontece anualmente desde 1973 e tem endossado todos os candidatos republicanos, começando com Ronald Reagan em 1976. Convém notar, a talhe de foice, que embora se trate da associação mais conservadora do panorama político norte-americano, com apresentações de estrelas como Ann Coulter ou Rush Limbaugh, nunca aceitara cordialmente as franjas mais reacionárias e racistas; Steve Bannon, por exemplo, nunca tinha conseguido apresentar as suas teses e muito menos discursar.

Este ano, muita coisa mudou. Bannon foi um dos oradores mais aplaudidos, assim como Reince Priebus. E Bannon falou da CS em termos inequívocos: “Vocês acham que ELES (a CS) vão devolver o pais (ao povo) sem lutar? Estão tristemente enganados!” Seria, portanto, na ótica de Bannon, o povo contra a CS. Mas o orador mais aplaudido e a estrela do encontro foi o próprio Trump, que falou com a sua franqueza habitual: “Os órgãos da mídia são os inimigos do povo!”

Ou seja, os jornalistas já não são os adversários do Governo; são os adversários do país inteiro, representado por ele, Donald Trump.

A mudança de discurso, não tão subtil, e apoiada entusiasticamente pelos participantes da CPAC, abre caminho para o passo seguinte, que é uma ação mais ativa em relação aos órgãos de informação.

Coincidentemente, no mesmo dia em que Trump fazia esta declaração de guerra, ocorreu um fato inédito na política norte-americana: numa conferência “informal” de Sean Spicer, o Assessor de Imprensa da Casa Branca, alguns órgãos de informação foram impedidos de entrar. Concretamente, o jornal “New York Times”, a televisão CNN e o site da Internet “Politico”. Os jornalistas da revista “Time” e da Associated Press recusaram-se a participar, solidários com os colegas. Mas os correspondentes da ABC, CBS, “The Wall Street Journal,” Breitbart, One America News Network, “The Washington Times”, Bloomberg e a Fox News nada disseram. Contudo o “The Wall Street Journal”, que é conservador, já afirmou que não participará no futuro, a manter-se acesso seletivo às conferências de imprensa.

Não há como ignorar esta escalada. O sistema político norte-americano não permite que Trump recorra a instrumentos como censurar jornais ou prender jornalistas; além disso há muitos republicanos, inclusive membros do legislativo, que não se sentem nada bem com esta situação. São conservadores e têm maioria nas duas câmaras, mas não estão dispostos a aceitar que se ultrapassem certos limites.

A questão concreta que está a incomodar Trump, para lá de todas as atitudes da CS que ele considera hostis – ou seja, as que não são laudatórias – é a famigerada e inexplicada “conexão Moscou”. Com efeito, uma investigação bastante complexa de vários serviços de segurança vai mostrando cada vez mais ligações entre próximos de Trump e funcionários russos. Há também a inexplicável recusa de Trump em criticar Putin, acompanhada por uma tendência para o elogiar. Trump teve contactos mal explicados com os russos – o mais exótico terá sido ir a Moscou para a apresentação de Miss Universo, um dos seus negócios.

Dizem as más línguas que este ataque de Trump é já a antecipar novas revelações incriminatórias com a gente de Putin. Mas isso são especulações. O fato concreto é que a guerra do Maior Presidente de Todos os Tempos com os Inimigos do Povo está apenas a começar. Haverá vítimas, e talvez a liberdade de expressão e de imprensa seja uma delas. Os direitos fundamentais, por mais antigos que sejam e consolidados que pareçam, nunca estão garantidos.

*O jornalista José Couto Nogueira, nascido em Lisboa, tem longa carreira feita dos dois lados do Atlântico. No Brasil foi chefe de redação da Vogue, redator da Status, colunista da Playboy e diretor da Around/AZ. Em Nova Iorque foi correspondente do Estado de São Paulo e da Bizz. Tem três romances publicados em Portugal.

Horários de Celebrações na Quarta-feira de Cinzas em algumas paróquias

Arquidiocesedefortaleza • Celebração • Cinzas • Quaresma
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Foto: Quarta-feira de cinzas de 2016
na Paróquia Santo Afonso
Estamos disponibilizando os horários de Celebrações em algumas Igrejas na Quarta-feira de Cinzas dia (1º de março). Na medida que novas Igrejas nos enviarem os horários acrescentaremos na lista. 
“A Quarta-feira de Cinzas foi instituída há muito tempo na Igreja; marca o início da Quaresma, tempo de penitência e oração mais intensa. Para os antigos judeus se sentar sobre as cinzas já significava arrependimento dos pecados e volta para Deus. As Cinzas bentas e colocadas sobre as nossas cabeças nos fazem lembrar que vamos morrer; que somos pó e que ao pó da terra voltaremos (cf. Gn 3, 19) para que nosso corpo seja refeito por Deus de maneira gloriosa para não mais perecer.”
Paróquia da Catedral  – Centro (85) 3231.4196
12h – Padre Clairton Alexandrino e 18h30 – Dom José Antonio A. Tosi Marques.
Paróquia N. Sra. de Fátima – Bairro de Fátima (85) 3227.5215
7h, 9h, 12h, 17h e 19h.
Paróquia São Francisco / Navegantes – Jacarecanga (85) 3238.0978
8h e 17h30.
Paróquia Santa Luzia – Meireles (85) 3254.1444
17h.
Paróquia Nossa Senhora da Saúde – Mucuripe (85) 3263.1538
7h, 8h30, 17h e 19h.
Paróquia Nossa Senhora da Paz – Aldeota (85) 3224.2398
17h e 18h30
Paróquia São Vicente – Dionísio Torres (85) 3224.6489
6h30, 11h30, 17h30 e 19h30.
Paróquia de Cristo Rei – Aldeota (85) 3231.6600
6h30, 17h e 19h.
Paróquia Santo Afonso de Ligório – Parquelândia (85) 3223.8785
8h30 e 19h.
Paróquia Bom Jesus dos Aflitos – Parangaba (85) 3245.1980
6h30 e 19h.
Paróquia Coração Imaculado de Maria – Henrique Jorge (85) 3290.2107
17h e 19h.      
Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Conjunto Ceará (85) 3294.6410
7h e 19h.
Paróquia Nossa Senhora das Graças – Pirambu (85) 3214.4634
19h.
Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Carlito Pamplona (85) 32366429
19h.
Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Messejana (85) 3045.0103
7h e 19h.
Paróquia São Francisco – Dias Macedo (85) 3295.0621
19h.
Paróquia Nossa Senhora da Glória – Cidade dos Funcionários (85) 3279.4500
11h, 17h, e 19h com lançamento da CF.
Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Mondubim (85) 3296.1565
19h30
Paróquia Nossa Senhora das Graças – Manoel Sátiro (85) 3483.0908
19h.
Paróquia Santíssima Trindade – José Walter (85) 3291.1835
8h e 19h.
Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Montese (85) 3225 8677
8h e 18h30.
No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB,  lança  a Campanha da Fraternidade, CF.
Tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”  e Lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2, 15).
Quarta-feira de Cinzas: Início da Quaresma.
Quaresma: Tempo de penitência e conversão.
O significado das cinzas
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. Por exemplo, no livro de Ester, Mardoqueu se veste de saco e se cobre de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I (Xerxes, 485-464 antes de Cristo) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó (cuja história foi escrita entre os anos VII e V antes de Cristo) mostrou seu arrependimento vestindo-se de saco e cobrindo-se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 antes de Cristo) ao profetizar a captura de Jerusalém pela Babilônia, escreveu: “Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza” (Dn 9,3). No século V antes de Cristo, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei, que além de tudo levantou-se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática estabelecida de utilizar cinzas como símbolo (algo que todos compreendiam) de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que se recusavam a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Nosso Senhor proferiu: “Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas. (Mt 11,21) A Igreja, desde os primeiros tempos, continuou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro “De Poenitentia” , Tertuliano (160-220 DC), prescreveu que um penitente deveria “viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas”. O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar-lhe perdão. Sabe-se que num determinado momento existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram colocadas quando o penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII, àquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo-lhe: “Recorda-te que és pó e em pó te converterás”. Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: “Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?” O moribundo então respondia: “Sim, estou de acordo”. Se podem apreciar em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua igreja.
Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo da Quaresma; o período de preparação de quarenta dias (excluindo-se os domingos) antes da Páscoa da Ressurreição. O ritual para a Quarta-feira de Cinzas já era parte do Sacramental Gregoriano.
As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na nossa liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos de palmas distribuídos no ano anterior no Domingo de Ramos. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz: “Recorda-te que és pó e em pó te converterás” ou então “Arrepende-te e crede no Evangelho”.
Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É um tempo para examinar nossas ações atuais e passadas e lamentarmo-nos profundamente por nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações genuinamente para Nosso Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação.
Além do mais esse tempo nos serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e começamos uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com a firme esperança no futuro e a plenitude do Céu.
BÊNÇÃO E IMPOSIÇÃO DAS CINZAS NO INÍCIO DA QUARESMA
Aceitando que nos imponham as cinzas, expressamos duas realidades fundamentais:
1) Somo criaturas mortais; tomar consciência de nossa fragilidade, de inevitável fim de nossa existência terrestre, nos ajuda a avaliar melhor os rumos que compete dar à nossa vida: “você é pó, e ao pó voltará” (Gn 3, 19). Somo chamado;
2)Somos chamados a nos converter ao Evangelho de Jesus e sua proposta do Reino, mudando nossa maneira de ver, pensar, agir.
Muitas comunidades sem padre assumiram esse rito significativo como abertura da quaresma anual, realizando-o numa celebração das Palavras.
Veja mais embasamentos bíblicos sobre as cinzas através das seguintes passagens: (Nm 19; Hb 9,13); como sinal de transitoriedade (Gn 18,27; Jó 30,19). Como sinal de luto (2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19). Como sinal de penitência (Dn 9,3; Mt 11,21). Faça uma pesquisa através de todas estas passagens bíblicas, prestando  atenção ao texto e seu contexto, relacionando com a vida pessoal, comunitária, social e com o rito litúrgico da Quarta-feira de cinzas.
(FONTE – MISSAL DOMINICAL, página de 140, © Paulus, 1997).

Comércio de Açaí no Mercado da Rampa de Santa Inês

domtotal.com
Exploração petrolífera na foz do Amazonas ameaça comunidades locais
Comércio de Açaí no Mercado da Rampa de Santa Inês
Comércio de Açaí no Mercado da Rampa de Santa Inês (Greenpeace)

Antes da expedição que fez as primeiras imagens dos Corais da Amazônia, o navio Esperanza recebeu a bordo, ainda no porto de Santana, em Macapá, cerca de 40 representantes da sociedade civil, entre comunidades, organizações socioambientais e lideranças do Amapá. Em comum, o grupo compartilha o esforço de proteger a Floresta Amazônica.

A intenção do encontro foi iniciar com eles as discussões sobre atividades que geram grandes impactos socioambientais na região, entre elas a exploração petrolífera planejada, a partir do ponto de vista de quem está na floresta e faz parte dela. Em breve, o Greenpeace realizará um seminário na região, com parceiros, para discutir temas como o uso da terra, a barragem do Rio Araguari, os impactos da mineração, além da própria exploração de petróleo.

Em tempos de ataques aos direitos das comunidades tradicionais por parte do Governo e do Congresso Federal, as iniciativas que estimulam o empoderamento e a autogestão dessas populações se tornam cada vez mais importantes. Nesse sentido, foi muito interessante conhecer a brilhante experiência de organização local do Bailique, por meio dos protocolos comunitários.

Qualidade e sustentabilidade na Foz do Amazonas

O Bailique é um arquipélago de oito ilhas a leste do estado do Amapá, onde vivem cerca de 11 mil habitantes distribuídos em 52 comunidades, e cujo acesso é exclusivamente fluvial. A principal atividade econômica é a pesca artesanal e o açaí.

Há cerca de três anos, a rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), em parceria com diversos colaboradores, como a Regional GTA do Amapá; o Conselho Comunitário do Bailique (CCB); a Colônia Z-5 de Pescadores; o Instituto Estadual de Florestas (IEF) do Amapá; e o DPG / CGEN) / MMA), iniciaram um projeto para desenvolver um “Protocolo Comunitário” no Bailique, a partir da aprovação da maioria das comunidades que habitam o arquipélago.

Segundo a Rede GTA, protocolos comunitários “são regras internas criadas pela própria comunidade que definem os procedimentos, critérios e instrumentos de gestão territorial e de manejo e uso de recursos naturais na região”. Os protocolos norteiam as atividades econômicas que serão desenvolvidas, mas o ponto mais importante é que eles devem refletir as características tradicionais, o modo como a comunidade se relaciona interna e externamente, o conhecimento local popular.

Assim, como explica a cartilha produzida pelo GTA, a construção de protocolos comunitários visa empoderar os povos e comunidades tradicionais para dialogar com qualquer agente externo de modo igualitário, especialmente na hora de fazer negócios com terceiros, fortalecendo o entendimento da comunidade sobre seus direitos e deveres e estabelecendo a importância da conservação da biodiversidade e de seu uso sustentável. Além disso é uma importante ferramenta de gestão de territórios, assim como do controle e da forma de uso de recursos naturais.

Depois de três anos do início desta articulação, muitas iniciativas caminham em direção à consolidação do Protocolo Comunitário, como a criação da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique (ACTB). Ela é a instância comunitária responsável pela participação social e a execução das ações estabelecidas no território.

Uma dessas iniciativas é a capacitação técnica para o bom manejo florestal na produção do açaí. Com o apoio da Associação, do GTA, e da Oficina-Escola de Lutheria da Amazônia, 79 produtores de açaí da região receberam, em novembro do ano passado, a certificação FSC, após serem auditados pela equipe do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (IMAFLORA). Isso atesta que o seu produto não está vinculado a degradação florestal.

Em janeiro deste ano, o Greenpeace foi convidado a participar do 9° Encontrão do Protocolo Comunitário. Foi um momento muito importante para os produtores, pois foi quando receberam em mãos o certificado emitido pela FSC.

Para o presidente da Associação das Comunidades Tradicionais do Bailique, Geová de Oliveira Alves, isso é importante pois o processo como um todo faz com que os produtores de açaí adotem uma postura diferente na forma de tratar seus recursos, sua cultura e meios de vida. “Eles passam a valorizar mais ainda o que cada um tem de melhor nas suas terras. E tendem a se capacitar mais para manter isso. É um processo de aprendizagem contínuo e com resultados excelentes, tanto para o homem quanto para a floresta”, avalia Alves.

Para ele, outra vantagem da certificação é que o processo produtivo como um todo ganha outro status: há maior agregação de valor. “O mundo passa a reconhecer que você tem um produto de altíssima qualidade, que respeita os valores comunitários, a natureza e os direitos de todos”.

Neste encontro, outras questões importantes foram discutidas, como a criação de uma cooperativa para garantir a melhor inserção do produto no mercado. Com a certificação em mãos, alguns desafios ainda preocupam os produtores, como o escoamento da produção, à procura de um mercado diferenciado para a aquisição do seu açaí certificado.

Benefícios para quem?

No modelo de desenvolvimento seguido em nosso país, a comunidade do Bailique pouco conhece seus bônus. Já os ônus são diariamente vivenciados pelos habitantes. O abastecimento de energia, por exemplo, é inadequado e deficiente, apesar de a população estar ao lado da barragem do Rio Araguari. Desta grande obra para a geração hidroelétrica, construída há três anos, o efeito mais marcante sentido pelos moradores locais do Bailique é a aceleração do processo de erosão na região.

A deficiência no abastecimento de energia, inclusive, afeta as duas principais atividades econômicas da região, a pesca e a produção de açaí, afetando a segurança alimentar dos habitantes.

O desenvolvimento a todo custo que é perseguido pelo país, traz agora uma nova ameaça socioambiental para a região: a possibilidade da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. No caso de um acidente com vazamento, ele poderia ter graves consequências para o Bailique, que depende totalmente dos recursos naturais.

Porém, apesar dos desafios e da deficiência do Estado em garantir os direitos fundamentais dessa população, a comunidade do Bailique é um excelente exemplo de como uma população tradicional pode usar ferramentas e mecanismos para fazer a gestão de seu território. Ao mesmo tempo em que assegura a reprodução física e cultural do seu modo de vida e transmite seus saberes tradicionais, também conserva o seu meio, que é a Floresta Amazônica. São comunidades que estão buscando uma inserção diferenciada no mercado, mostrando que é possível, sim, produzir e se desenvolver economicamente em sintonia com o meio ambiente. Um sopro de esperança em tempos tão difíceis.

Greenpeace

O Chamado 3 (D)

Título original: Rings
Julia (Matilda Anna Ingrid Lutz) fica preocupada quando seu namorado, Holt (Alex Roe), começa a explorar a lenda urbana sobre um vídeo misterioso. Lenda esta que diz que quem assiste morre depois de sete dias. Ela se sacrifica para salvar seu namorado e acaba fazendo uma descoberta terrível: há um "filme dentro do filme" que ninguém nunca viu antes.
País: Eua
Ano: 2017
Gênero: Terror
Classificação: 12
Direção: F. Javier Gutiérrez
Elenco: Matilda Lutz, Alex Roe, Vincent D'Onofrio
Duração: 1h42 min.

Microplásticos de roupas e pneus poluem oceanos e afetam a saúde

 domtotal.com
Essas medidas são vitais para limitar os danos, disse Lundin.
Os microplásticos, que são difíceis de detectar, podem prejudicar gravemente a vida selvagem marinha.
Os microplásticos, que são difíceis de detectar, podem prejudicar 
gravemente a vida selvagem marinha. (AFP)

Partículas invisíveis de produtos como roupas sintéticas e pneus de carros representam até um terço dos plásticos que poluem os oceanos, afetando os ecossistemas e a saúde humana, alerta um órgão conservacionista.

Essas partículas microplásticas constituem uma parte significativa da "sopa de plástico", que representa entre 15% e 31% das 9,5 milhões de toneladas de plásticos lançadas nos oceanos a cada ano, de acordo com um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que será divulgado na quarta-feira.

A organização descobriu que em muitos países desenvolvidos da América do Norte e da Europa, que têm uma gestão eficaz de resíduos, minúsculas partículas plásticas são uma fonte maior de poluição plástica marítima do que os resíduos plásticos.

"Os resíduos plásticos não são tudo o que há para os plásticos nos oceanos", disse a diretora da IUCN, Inger Andersen, em um comunicado, alertando que "devemos olhar muito além da gestão de resíduos para enfrentar a poluição oceânica na sua totalidade".

"Nossas atividades diárias, como lavar roupas e dirigir, contribuem significativamente para a poluição que asfixia nossos oceanos, com efeitos potencialmente desastrosos para a rica diversidade de vida dentro deles e para a saúde humana", afirmou.

Os microplásticos, que são difíceis de detectar, podem prejudicar gravemente a vida selvagem marinha e, conforme penetram no fornecimento global de alimentos e água, podem representar um risco significativo para a saúde humana.

A IUCN pediu aos fabricantes de pneus e vestuário, especialmente, que mudem seus métodos de produção para fazer produtos menos poluentes.

Karl Gustaf Lundin, que lidera o Programa Marinho e Polar Global da UICN, disse à AFP que os fabricantes de pneus poderiam, por exemplo, voltar a usar principalmente borracha, enquanto os fabricantes de têxteis poderiam parar de usar revestimentos de plástico em suas roupas.

Essas medidas são vitais para limitar os danos, disse Lundin, alertando que a situação é particularmente preocupante no Ártico - a maior fonte de frutos do mar da Europa e da América do Norte.

"Parece que o microplástico está congelando dentro do gelo marinho, e visto que o ponto de fusão do gelo diminui quando há pequenas partículas nele, isso provoca um desaparecimento mais rápido do gelo marinho", acrescentou.

Lundin apontou, ainda, que quando o gelo derrete, ele libera o plâncton que atrai os peixes, permitindo que as partículas plásticas "entrem diretamente na nossa cadeia alimentar".


AFP

Logan

Título original: Logan
Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine, para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente, esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men. Ao mesmo tempo em que ele se recusa a voltar à ativa, Logan é confrontado por um mercenário, Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina Laura Kinney / X-23, sob a guarda de Gabriela.
País: Eua
Ano: 2017
Gênero: Ação
Classificação: 18
Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Boyd Holbrook
Duração: 2h16 min.

Google cria arma de inteligência artificial contra comentários maliciosos

 domtotal.com
Esta API permite que os editores criem programas que detectarão as mensagens "tóxicas".
O objetivo é facilitar o trabalho das equipes de moderadores
O objetivo é facilitar o trabalho das equipes de moderadores (Reprodução)

O Google lançou "Perspectiva", uma ferramenta baseada na inteligência artificial que ajudará os meios de comunicação a moderar automaticamente os comentários na internet, bloqueando as mensagens maliciosas dos "trolls", anunciou o grupo americano.

Esta API (interface informática), proposta gratuitamente, permite que os editores criem programas que detectarão as mensagens "tóxicas" antes de sua publicação, determinando eles mesmos o nível de tolerância, disse a empresa na quinta-feira.

"Perspectiva" está sendo testada por vários sites o do New York Times, The Guardian e Wikipedia, com uma aprendizagem automática a partir de mensagens consideradas provocativas ou fora de tema por parte de moderadores humanos.

O objetivo é facilitar o trabalho das equipes de moderadores, frequentemente sobrecarregadas com o fluxo de comentários injuriosos que impedem manter as conversas em condições normais, algo que levou muitos jornais a fechar suas páginas de comentários.

"Os meios de comunicação querem encorajar as conversas sobre seus conteúdos, mas detectar entre milhões de comentários aqueles que os sabotam leva muito tempo, trabalho e dinheiro", ressaltou no blog do Google Jared Cohen, presidente do Jigsaw, que construiu a ferramenta.

O programa está disponível para os meios membros da "Iniciativa Digital de Notícias" do Google, mas também para as plataformas de redes sociais como YouTube, Twitter e Facebook.

Por sua vez, o Twitter anunciou no início do mês que atuará contra as mensagens abusivas, frequentemente anônimas, permitindo identificar seus autores e impedindo que criem novas contas.

Google, Facebook, Twitter e Microsoft assinaram no ano passado um "código de boa conduta" com a Comissão Europeia, pelo qual se comprometeram a examinar em um prazo de 24 horas a maioria dos conteúdos injuriosos apontados pelos usuários e suprimi-los caso necessário.


AFP

Sertão nordestino enfrenta pior seca em um século

domtotal.com
Desde 2012, praticamente não chove no sertão.
Restos de animais no sertão de Quixeramobim, Ceará
Restos de animais no sertão de Quixeramobim, Ceará (AFP)

O crânio de uma vaca jaz exposto sob o sol escaldante do sertão. Ao seu lado, um bezerro se decompõe recostado a um arbusto ressecado. É a imagem da desolação no Nordeste do Brasil, que enfrenta a pior seca em um século.

É neste local empoeirado que pecuaristas do semiárido cearense deixam seus animais mortos. Em meio a cactus e arbustos, contam-se ao menos trinta esqueletos de vacas, burros e cabras.

"A maioria dos animais morreu de sede ou porque o alimento não foi suficiente. Infelizmente, essa é a realidade, é o resultado destes cinco anos de seca", conta à AFP Kerginaldo Pereira, um agricultor de 30 anos, que deixou uma de suas vacas e vendeu três bezerros e dez ovelhas "esqueléticas" porque não conseguia mantê-las.

Clique aqui e veja o vídeo!

Ainda que a seca acompanhe a história desta região castigada, a memória coletiva não registra outra seca pior ou mais longa que a atual.

A explicação dada pelos climatologistas é que uma série de fatores combinaram-se perversamente: a predominância do fenômeno El Niño no Pacífico, o aquecimento do Atlântico Norte e as mudanças climáticas, que no Ceará se traduziram em aquecimento de 1,3º nos últimos 50 anos.

Desde 2012, praticamente não chove no sertão. Prova disso é que quilômetros de sua vegetação - a caatinga - está desmatada e escura, como se tivesse acontecido um grande incêndio.

Os rios e açudes que abasteciam as populações rurais não estão em situação melhor. As autoridades consideram que as represas trabalham com 6% de sua capacidade, mas algumas literalmente evaporaram.

A dramática situação traz, muitas vezes, uma difícil escolha para os moradores da região: conseguir água para os animais ou para as pessoas.

E, com muita dor, Kerginaldo e as 70 famílias do remoto assentamento de Nova Canaã, polo leiteiro de Quixeramobim, foram enterrando vacas enquanto procuram alternativas para sobreviver.

Dependentes de ajuda

Atividades cotidianas como fazer a higiene pessoal, lavar roupa ou, inclusive, beber água se tornaram um luxo no sertão, que se estende por oito estados do país.

Dos 25 milhões de habitantes, pelo menos três milhões sofrem com o desabastecimento total de água, um milhão deles no Ceará, segundo cifras do governo deste estado.

Distante da recomendação da Organização Mundial de Saúde - que considera necessário 100 litros de água ao dia por pessoa - a água chega a conta-gotas nestas comunidades ligadas por estradas de terra como Nova Canaã, onde as torneiras já são decorativas.

Desde que a seca se intensificou, o governo começou a levar água gratuitamente para estes locais em caminhões-pipa, estimando um consumo de apenas 20 litros diários por pessoa.

Como esta água acaba rápido, os vizinhos se organizam para pagar eles próprios os caros caminhões-pipa, ir com seus burros até poços públicos onde as filas demoram horas ou cavar seus próprios poços em casa para conseguir uma água tão salobra que nem os animais querem beber.

Porém, em outras tantas vezes, também compram água mineral em galões.

Isso representa uma fortuna para famílias que, com o gado morto ou raquítico e seus pequenos cultivos de feijão e milho secos, sobrevivem da ajuda do governo.

A única renda vem do Bolsa Família - que temem ver reduzida pelos ajustes do governo de Michel Temer - e uma modesta ajuda para cultivos perdidos nos meses mais secos do ano. Uma família ganha, dessa forma, 420 reais. Um caminhão-pipa custa 150 reais.

"Um ano (de seca) a gente superava tranquilo, porque os açudes tinham muita água guardada, mas agora a cada dia estamos economizando mais", resume Clara Carneiro, uma pecuarista de 67 anos, que economiza durante o banho e reutiliza a água ao lavar a louça e limpar o chão para manter vivas suas duas vacas, que bebem cerca de 100 litros por dia.

Entre a 'Lava Jato' e o esquecimento

Se a meteorologia não foi generosa com o sertão, tampouco tem sido o clima político e econômico do Brasil.

Em meio a uma profunda recessão, os fundos federais para lidar com a seca atrasaram e o megaescândalo de corrupção entre o governo e diversas empreiteiras, investigadas na Operação 'Lava Jato', paralisou as obras da esperada e polêmica transposição do Rio São Francisco em seu trecho até o Ceará.

"Não tenho dúvidas que mudanças políticas bruscas e a crise econômica agravam o problema de uma crise hídrica", afirma o ministro de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira.

Com previsões pouco alentadoras para 2017, ano em que são esperadas chuvas mas não o suficiente para reabastecer os açudes, nas comunidades de Quixeramobim muitos só confiam em Deus.

"Temos que rezar porque os políticos, depois das eleições, se esquecem de nós", diz Sebastião Batista, um agricultor de 66 anos, enquanto olha desconfiado para o céu.

CONFIRA O VÍDEO: A tragédia da seca


AFP

União em favor da vida

domtotal.com
Uma das questões assinaladas na declaração conjunta pelo papa e o patriarca de Moscou em Havana, além da paz no Oriente Médio foi a proteção do 'não nascido'.
Francisco e Krill assinaram declaração comum em Havana.
Francisco e Krill assinaram declaração comum em Havana. (Igor Palkin/Russian Orthodox Church Press Service)
Por Eva-Maria Kolmann

Ortodoxos e católicos na Rússia estão desenvolvendo ações em conjunto para a proteção da vida. Assim, transformando o que compartilham na fé em programas concretos, eles atendem ao apelo feito por seus líderes. A Fundação Pontifícia ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) promove essa cooperação.

Eva-Maria Kolmann (Jornalista ACN): No final de janeiro, o Departamento de Relações Exteriores no Patriarcado de Moscou organizou um seminário internacional em que a Igreja Ortodoxa e a Católica Apostólica Romana trataram conjuntamente a questão do aborto. Você também esteve presente como representante da ACN. O que se falou no seminário?

Peter Humeniuk (Coordenador de projetos da ACN para a Europa do Leste e Rússia): Ambas as Igrejas compartilham de uma profunda angústia em relação ao assassinato de milhões de crianças ainda no ventre materno. Quando o Papa Francisco e o Patriarca Kirill de Moscou se reuniram em Havana um ano atrás, uma das principais questões assinaladas na declaração conjunta, além da paz no Oriente Médio que provoca a perseguição aos cristãos, foi a proteção do "não nascido". O seminário que ocorreu em Moscou foi, assim, uma consequência direta desse encontro histórico, pois o documento final não pode ficar só no papel, mas ser um guia para o futuro. Tem de ser traduzido na vida prática da Igreja e dar frutos. Na verdade, o seminário se tratou de uma única coisa: salvar a vida das crianças não nascidas.

O que isso significa concretamente?

A proteção da vida é uma questão na qual ambas Igrejas concordam completamente, inclusive teologicamente. Isso favorece que passos em conjunto sejam dados de fato num espírito ecumênico. O seminário focou na análise da situação, mas também, particularmente, na procura de soluções. O evento foi uma plataforma para o encontro pessoal e para o intercâmbio de experiências. Há bastante tempo, em vários países, a Igreja católica tem vivido ricas experiências no campo da proteção à vida. Um dos convidados de destaque foi um grupo de Milão que aconselha mulheres grávidas que já salvaram a vida de quase 20 mil crianças desde o início de sua existência. A Igreja Ortodoxa na Rússia deseja aproveitar estas experiências, apesar dela ter criado várias iniciativas nas suas eparquias (dioceses) para ajudar a tantas mulheres a dizerem “sim” ao bebê. As seções do seminário, nas quais os participantes deliberaram e refletiram juntos, ilustraram plasticamente, como apresentação de casos, como uma mulher grávida em risco de cometer o aborto pode ser assessorada. A ávida troca de experiências foi interrompida entretanto por momentos profundos, tristes as vezes. Durante esse processo, foi um grande prazer ver como amizades se desenvolvem rapidamente ao trabalharem num mesmo objetivo.

Porque essa é uma questão importante para a Igreja na Rússia nesse momento?

Infelizmente, o aborto na Rússia está muito difundido. Se trata de uma consequência da era soviética, quando para muitas pessoas o aborto era, de um certo modo, um meio “normal” de planejamento familiar. Lamentavelmente, essa ideia está bastante enraizada em muita gente. É claro que a Igreja Ortodoxa foi, e é, contra o aborto desde sempre, como também a sua irmã Igreja Católica, mas tem crescido a consciência de que é preciso fazer algo concreto para ajudar as mulheres. Além disso, o povo russo está começando a se atentar a esse problema, porque a curva demográfica na Rússia – e também no ocidente – apela para um crescimento no número da população.

Por que razão a ACN, representada por você, participou do evento?

Nossa instituição promove iniciativas que tratam destas questões. A ACN está envolvida no diálogo com a Igreja Ortodoxa Russa faz uns 25 anos: o próprio Papa João Paulo II deu esse encargo a nosso fundador Werenfried van Straaten em 1992. Este desejo nasceu dos sacrifícios silenciosos pelos quais passou a Igreja Ortodoxa na Rússia durante a época soviética. Depois da mudança política, a Igreja Ortodoxa teve que começar praticamente do zero. E esse foi o momento dar início a um “ecumenismo solidário” para suceder o “ecumenismo do martírio” vivenciado pelos cristãos de várias denominações nos campos e prisões soviéticas.

Nós não podemos nos esquecer que o Concílio Vaticano II descreveu a Igreja ortodoxa como uma “igreja irmã”. Nossa Obra já dava suporte a Igreja Ortodoxa clandestina durante o período soviético. Após a mudança política, se pôde finalmente dar os primeiros passos comuns, depois de um cisma de mil anos, e dar a mão à Igreja irmã com atos de caridade e, em fim, também iniciar novas vias de atividades comuns.

Como você enxerga o papel da ACN no futuro?

A ACN tem o privilégio de continuar seu papel, por assim dizer, de “ponte”. Se criou uma confiança ao longo de uma cooperação de décadas. O histórico encontro entre o Papa e o Patriarca de Moscou, no ano passado, é o momento de maior relevância até hoje nesse caminho de aproximação entre as igrejas. Não será, entretanto, um ponto final, mas o início de uma nova etapa.

Temos o prazer de, como consequência e continuação desse encontro, colaborarmos com a Igreja Ortodoxa na Rússia especialmente em dois pontos: o comprometimento para com os cristãos que sofrem e são perseguidos no Oriente Médio, especialmente na Síria, e no campo da família, do qual faz parte a proteção do não nascido. Se tratam de questões de grande repercussão, que preocupavam muito o nosso fundador. Ou seja, aqui podemos combinar vários elementos do nosso trabalho para os colocar a serviço de um ecumenismo vivo. Quando tentamos encontrar conjuntamente, no espírito do Evangelho, respostas e soluções para as questões preocupantes no presente e, para isso, nos reunimos numa mesma mesa, o ecumenismo acontece quase que por ele mesmo. Essa experiência é para nós um incentivo para continuar nosso caminho.

CF2017: "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida"

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Foto. vista a partir da Serra de Baturité (Guaramiranga)
2017-02-28 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - Com o tema "Fraternidade: biomas brasileiros e a defesa da vida", a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente, na Quarta-feira de Cinzas, dia primeiro de março, a Campanha da Fraternidade 2017 (CF 2017). O lançamento será na sede da entidade, em Brasília (DF), e será transmitido ao vivo pelas emissoras de TV de inspiração católica, a partir das 10h45.
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A campanha, que tem como lema “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2.15), alerta para o cuidado da Casa Comum, de modo especial dos biomas brasileiros. Segundo o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, Dom Leonardo Ulrich Steiner, a proposta é dar ênfase à diversidade de cada bioma e criar relações respeitosas com a vida e a cultura dos povos que neles habitam, especialmente à luz do Evangelho. Para ele, a depredação dos biomas é a manifestação da crise ecológica que pede uma profunda conversão interior. “Ao meditarmos e rezarmos os biomas e as pessoas que neles vivem, sejamos conduzidos à vida nova”, afirma.

Ainda de acordo com o bispo, a CF deseja, antes de tudo, levar à admiração, para que todo o cristão seja um cultivador e guardador da obra criada. "Tocados pela magnanimidade e bondade dos biomas, seremos conduzidos à conversão, isto é, cultivar e a guardar”, salienta.

A cerimônia de lançamento contará com as presenças do arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, do secretário geral da Conferência, Dom Leonardo Steiner, e do secretário de articulação institucional e cidadania do Ministério do Meio Ambiente, Edson Duarte.

No Brasil, a Campanha já existe há mais de 50 anos e sua abertura oficial sempre acontece na Quarta-feira de Cinzas, quando tem início a Quaresma, época na qual a Igreja convida os fiéis a experimentarem três práticas penitenciais: a oração, o jejum e a esmola.

Material

Para ajudar nas reflexões sobre a temática, são propostos subsídios, sendo o texto-base o principal. Dividido em quatro capítulos, a partir do método ver, julgar e agir, o documento faz uma abordagem dos biomas, suas características e contribuições eclesiais na defesa da vida e cultura dos povos originários de cada bioma brasileiro. Também são apresentadas considerações ecológicas sob a perspectiva de São João Paulo II, Bento XVI e o papa Francisco. Ao final, são apresentados os objetivos permanentes da Campanha, os temas anteriores e os gestos concretos previstos para esta edição, sendo o principal a Coleta Nacional de Solidariedade.

Os subsídios da CF 2017 estão disponíveis no site da editora Edições CNBB. É possível fazer o download do arquivo com todas partituras das músicas da CF 2017 e da Quaresma, entre elas o Hino Campanha, de autoria do padre José Antônio de Oliveira e Wanderson Freitas. Os interessados poderão baixar ainda o cartaz da CF e os spots de rádio, TV e internet preparados para a ocasião.

Ouça Dom Leonardo, entrevistado pela Província Franciscana da Imaculada Conceição, clicando acima.

(CM-CNBB)

(from Vatican Radio)

Francisco: escolher Deus, não as riquezas

2017-02-28 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – Seguir o Senhor que nos doa tudo, e não buscar as riquezas. Foi o que afirmou o Papa na missa matutina na Casa Santa Marta (28/02). Comentando o Evangelho do dia, o Papa ressaltou a “plenitude” que Deus nos doa: uma plenitude “aniquilada” que termina na Cruz.

“Não se pode servir a dois senhores”, ou servimos Deus ou as riquezas. Na vigília da Quarta-feira de Cinzas, Francisco falou que nesses dias antes da Quaresma a Igreja “nos faz refletir sobre a relação entre Deus e as riquezas”. E recorda o encontro entre o “jovem rico, que queria seguir o Senhor, mas no final era tão rico que escolheu as riquezas”.

O Papa observou que o comentário de Jesus assusta um pouco os discípulos: “Quanto é difícil que um rico entre no Reino dos Céus. É mais fácil que um camelo passe pelo buraco de uma agulha”. Hoje, prosseguiu, o Evangelho de Marcos nos mostra Pedro que pergunta ao Senhor o que será deles já que deixaram tudo para trás. É como se Pedro pedisse contas ao Senhor”:

“Não sabia o que dizer: ‘Sim, este foi embora, mas nós?’. A resposta de Jesus é clara: ‘Eu vos digo: não há ninguém que deixe tudo sem receber tudo’. ‘Pois bem, nós deixamos tudo’. ‘Receberão tudo’, com aquela medida transbordante com a qual Deus oferece os dons. ‘Receberão tudo. Quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho receberá cem vezes mais agora, durante esta vida - casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições - e, no mundo futuro, a vida eterna’. Tudo. O Senhor não sabe dar menos do que tudo. Quando Ele doa algo Ele doa a si mesmo, que é tudo”.

Todavia, acrescentou o Papa, “há uma palavra” neste trecho do Evangelho “que nos faz refletir: receber já agora neste tempo cem vezes mais em casas, irmãos, com perseguições”.

Francisco explicou que isto é “entrar” em “outro modo de pensar, em outro modo de agir. Jesus dá todo si mesmo, porque a plenitude, a plenitude de Deus é uma plenitude aniquilada na Cruz”:

“Este é o dom de Deus: a plenitude aniquilada. E este é o estilo do cristão: buscar a plenitude, receber a plenitude aniquilada e seguir este caminho. Não é fácil, isso não é fácil. E qual é o sinal, qual é o sinal deste ir avante em doar tudo e receber tudo? É o que ouvimos na primeira leitura: ‘Faze todas as tuas oferendas com semblante sereno, e com alegria consagra o teu dízimo. Dá a Deus segundo a doação que ele te fez, e com generosidade, conforme as tuas posses. Semblante sereno, alegria… O sinal que nós estamos neste caminho do tudo e nada, da plenitude aniquilada, é a alegria”.

Ao invés, o jovem rico, disse o Papa, “ficou com o semblante fechado e foi embora triste”. “Não foi capaz de receber, acolher esta plenitude aniquilada – advertiu – assim como os Santos, o próprio Pedro, a acolheram. E em meio às provações, às dificuldades, tinham o semblante sereno, o olhar alegre e a alegria do coração. Este é o sinal, evidenciou Francisco, que concluiu a homilia recordando o Santo chileno Alberto Hurtado:

“Ele trabalhava sempre, dificuldade atrás de dificuldade... trabalhava pelos pobres.... Foi realmente um homem que abriu caminhos em seu país… A caridade para a assistência aos pobres… Mas foi perseguido, muitos sofrimentos. Mas ele, quando justamente estava ali, aniquilado na cruz, a frase foi: ‘Contento, Señor, Contento’, ‘Feliz, Senhor, feliz’. Que ele nos ensine a caminhar nesta estrada, nos dê a graça de caminhar nesta estrada um pouco difícil do tudo e do nada, da plenitude aniquilada de Jesus Cristo e dizer sempre, sobretudo nas dificuldades: ‘Feliz, Senhor, feliz’”.

(from Vatican Radio)

Francisco: A Palavra é um dom. O outro é um dom

Papa Francisco 07 de Fevereiro de 2017, às 11:00        
Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), para não se contentar com uma vida medíocre, mas crescer na amizade com o Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificar a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui gostaria de me deter, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma sincera conversão.


1. O outro é um dom

A parábola começa com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se levantar, jaz à porta do rico e come as migalhas que caem da sua mesa, tem o corpo coberto de chagas que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio e o homem é degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, se se considera que o pobre se chama Lázaro: um nome carregado de promessas, que literalmente significa «Deus ajuda». Assim, este personagem não é anónimo, tem traços muito precisos e apresenta-se como um indivíduo a quem podemos associar uma história pessoal. Enquanto que para o rico ele é invisível, torna-se conhecido e quase familiar para nós, torna-se um rosto; e, como tal, um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer com gratidão o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e a mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja o nosso vizinho seja o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.


2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que se encontra o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas que usa, de um luxo exagerado. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por isso estava reservada para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, até porque era exibida todos os dias de modo habitual: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e fonte de invejas, litígios e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exortação apostólica Evangelii gaudium, 55). Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico torna-o vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência mascara o vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um rei, simula a posição de um deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não entram no seu olhar. Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando este personagem, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).


3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda-nos a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: «Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no além. Os dois personagens descobrem subitamente que «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o além, onde o rico tem um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se tinha dito da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No além restabelece-se uma certa equidade e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

A parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E face à objeção do rico acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se manifesta o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não escutar a Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e de orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos no encontro com Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que nos quarenta dias passados no deserto venceu as ciladas do Tentador – indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos ajude a realizar um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrir o dom da Palavra de Deus, ser purificados do pecado que nos cega e servir Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, participando também nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer a cultura do encontro na única família humana. Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.


Vaticano, 18 de outubro de 2016, Festa do Evangelista São Lucas
Papa Francisco

Convite: presença junto do Papa Francisco


Agência Ecclesia 28 de Fevereiro de 2017, às 09:00      

Bispo de Leiria-Fátima fala em «momento de graça»


Leiria, 28 fev 2017 (Ecclesia) – O bispo de Leiria-Fátima convidou “todos” a marcar presença na visita do Papa Francisco à Cova da Iria nos dias 12 e 13 de maio, por ocasião do Centenário das Aparições.

“Desde já apelo, de todo o coração, a todos os diocesanos para que nesses dias peregrinem a Fátima para viver esta experiência ao vivo com o Papa Francisco, para o acolher com o calor do nosso afeto e para manifestar aquele amor ao Papa que é uma dimensão profunda da mensagem de Fátima e do catolicismo português”, escreve D. António Marto, na sua mensagem para a Quaresma de 2017, enviada à Agência ECCLESIA.

O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa refere que a visita do Papa tem como tema ‘Com Maria, peregrino na esperança e na paz’, apresentando a peregrinação de Francisco como “momento culminante do Centenário das Aparições de Nossa Senhora”.

“Esta peregrinação põe em evidência como de Fátima irradia para todo o mundo uma mensagem de misericórdia, de esperança e de paz, que temos vindo a aprofundar ao longo deste ano pastoral”, acrescenta D. António Marto.

O bispo de Leiria-Fátima fala na visita do Papa como “um momento de graça e uma significativa experiência cristã para a Igreja em Portugal” e, de modo particular, para esta diocese.

“Que Nossa Senhora de Fátima nos guie e acompanhe com a sua solicitude materna na nossa caminhada quaresmal”, conclui.

OC

Quaresma 2017: Papa apela à defesa da vida «frágil» e alerta para obsessão pelo dinheiro

Agência Ecclesia 28 de Fevereiro de 2017, às 09:00      

Mensagem de preparação para a Páscoa apresenta o outro como um «dom»


Cidade do Vaticano, 28 fev 2017 (Ecclesia) - O Papa Francisco apela na sua mensagem para a Quaresma de 2017, que se inicia esta quarta-feira, à defesa da vida “frágil” e alerta para as consequências negativas de uma vida centrada no “dinheiro”.

“Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil”, escreve, num texto intitulado ‘A Palavra é um dom. O outro é um dom’.

Francisco questiona em particular a utilização do dinheiro, contestando a “lógica egoísta” que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz.

“Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode subjugar-nos, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta”, alerta.

Segundo o Papa, o “homem corrompido pelo amor das riquezas” não vê nada além de si próprio.

“Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação”, precisa.

A mensagem parte de uma passagem do Evangelho, sobre um homem rico e um pobre, chamado Lázaro, que lhe pede ajuda mas é ignorado.

“Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer com gratidão o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho importuno, mas um apelo a converter-se e a mudar de vida”, assinala Francisco.

O Papa deixa votos de que a Quaresma represente “um novo começo” e recomenda as práticas tradicionalmente ligadas a este tempo de preparação para a Páscoa, “o jejum, a oração e a esmola”, como forma de combater a “corrupção do pecado”.

A mensagem assinala a importância da “Palavra de Deus” como força de “suscitar a conversão” no coração de todos.

“Fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão”, observa Francisco.

O Papa pede que as comunidades católicas promovam a sua “renovação espiritual”, participando também nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais promovem.

“A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho”, recorda.

A Quaresma, que começa com a celebração de Quarta-feira de Cinzas, é um período de 40 dias marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão.

OC

O que são os sacramentais na vida cristã? Conheça alguns deles

Medalha Milagrosa (sacramental) / Foto: Flickr de Dome Poon (CC-BY-NC-ND-2.0)

REDAÇÃO CENTRAL, 28 Fev. 17 / 06:00 am (ACI).- Amanhã, a Igreja celebra a Quarta-feira de Cinzas, quando se impõe um sacramental, isto é, as cinzas que são colocadas na cabeça como sinal de penitência. Saiba o que são os sacramentais e o seu sentido na nossa vida cristã.

A blogueira católica Jenny Uebbing escreveu um recente artigo no qual explica o sentido e o uso dos sacramentais na vida cotidiana do cristão.

No blog “Mama needs coffee” de CNA – agência em inglês do grupo ACI – Uebbing explica que a palavra “sacramental” é “utilizada pela teologia para designar aqueles artigos aparentemente normais, aos quais temos acesso durante nossa batalha contra o mal ao longo de nossa vida”.

Segundo o Catecismo, os sacramentais “são sinais sagrados por meio dos quais, imitando de algum modo os sacramentos, se significam e se obtêm, pela oração da Igreja, efeitos principalmente de ordem espiritual”.

“Por meio deles, dispõem-se os homens para a recepção do principal efeito dos sacramentos e são santificadas as várias circunstâncias da vida”.

Uebbing explicou que, “embora a fé da Igreja impregnada nesses elementos comuns (água, sal, ícones, medalhas etc.) é uma bênção eficaz em si mesma, esta só se concretiza plenamente quando combinada com a fé pessoal e uma vida reta e ordenada”.


Fazendo referência ao Evangelho de São João sobre a passagem de Jesus na qual aplica barro nos olhos de um homem para que recuperasse a visão, Uebbing indicou que este milagre “não ocorreu por uma superstição ou por qualidades inerentes da matéria, mas pela reação primordial entre a graça de Cristo e a fé do homem”.

A seguir, alguns exemplos de sacramentais propostos pela blogueira católica:

1. Crucifixos

Uebbing assegurou que, “com um crucifixo em cada lar, tem-se um poderoso recordatório para todos os que vivem, trabalham e dormem sob o mesmo teto, de que o lar pertence a Cristo”.

“Não, o crucifixo não é Jesus, mas é sua imagem, representada com amor e destacada proeminentemente”, precisou.

2. Água benta

A blogueira detalhou que “cada paróquia deve ter (a maioria tem) uma pia de água benta em cada porta e uma pia principal para o batismo”.

“Mantenhamos água benta em nossa casa todos os momentos e usemo-la todos os dias para abençoar nosso filhos, seus quartos e nossa casa, sobretudo se alguém está doente ou teve um sonho ruim, ou depois de uma grande festa ou quando muitas pessoas entraram e saíram”.

Jenny assegurou que “vivemos em uma falsa dicotomia entre o espiritual e o mundo material neste século, entretanto, o Deus que vem a nós em um pedaço de pão, sem dúvida, confere a graça sacramental através da água”.

3. Sal bento

A autora manifestou que o sal é bom “para abençoar as portas e lançar ao longo do perímetro da casa como uma barreira entre a família e o mundo”.

Assinalou que isso também é “um ato de fé que reclama a terra, o lar e todo o espaço” para Cristo.

4. Medalhas

“Tanto a Medalha Milagrosa como o escapulário são poderosas devoções à Virgem e a Igreja ensina que, usados com fé e em concordância com uma vida de virtude, levará promessas poderosas unidas a eles”.

Finalmente, Jenny Uebbing assegurou que “Maria intercederá por nós particularmente no momento da morte, uma vez que Jesus não negará à sua querida mãe tudo o que ela pede”.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Bispo de Yei, Sudão do Sul: "Rezamos para que o Papa venha!"


2017-02-27 Rádio Vaticana

Juba (RV) -  As palavras do Papa Francisco pronunciadas na Igreja anglicana de Todos os Santos em Roma (26/2), sobre uma possível visita ao Sudão do Sul, tiveram ampla repercussão no país martirizado pela guerra civil e onde cerca de 100 mil pessoas passam fome.

Na realidade, foram três os bispos sudaneses – um anglicano, um presbiteriano e um católico – a fazerem o convite a Francisco para visitar o país, mesmo que por um dia, acompanhado pelo Arcebispo de Cantuária, Justin Welby. Foi o próprio Papa a revelar o convite e a falar da possível viagem, ainda em estudo. Mas, sobre as repercussões às palavras do Pontífice, ouçamos o Bispo de Yei, Sudão do Sul, Dom Erkolano Lodu Tombe:

“Estou entusiasmado e feliz em ouvir que o Papa poderia vir ao Sudão do Sul! O Santo Padre não prometeu: espera isto. Por esta razão as pessoas disseram: rezemos pela vinda do Santo Padre ao Sudão do Sul. A sua vinda teria um grande significado para a nossa fé e para a nossa vida, até mesmo para os não-cristãos, para toda a população do Sudão do Sul”.

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wwwcamacarimagazine.blogspot.com:
 Foto Destaque : Fome no Sudão
RV: Após decênios de sangrento conflito, o Sudão do Sul, cristão ou animista, conseguiu sua independência em 2011 do norte árabe e islâmico. Porém, logo após, em 2013, o Sudão do Sul cai no pesadelo de uma nova guerra civil, que depois, não obstante os acordos de paz, reacende em julho de 2016. A combater entre si, os grupos que apoiam o Presidente Salva Kiir, da etnia Dinka, e aqueles ligado ao seu ex-Vice, Riek Machar, da etnia Nuer.

Assim perpetuam-se as mortes de civis, os estupros, torturas e saques. Já são mais de 100 mil as pessoas submetidas à fome e à carestia, e são entre 2 e 3 milhões os sudaneses deslocados ou fugidos aos países limítrofes. Sobre esta dramática situação, eis o relato de Dom Lodu Tombe:

“Neste momento, o Sudão do Sul vive a condição de uma guerra civil. Existem assassinatos, existem pessoas que fogem para os países vizinhos, agressões e destruições de igrejas estão na ordem do dia, mas as pessoas do país ainda estão convencidas de que cedo ou tarde tudo isto acabará. Nós todos temos esperança de que esta difícil situação acabe logo. Não sei quantificar o tempo, mas acabará, porque quer a Igreja, quer as pessoas, quer o governo, querem colocar fim a esta difícil situação em nosso país”.

O Papa Francisco havia lançado um apelo em favor do país na Audiência Geral da última quarta-feira. Havia pedido para se fizesse chegar ajuda alimentar às populações sofredoras. Em uma recente mensagem pastoral, também os bispos sudaneses lançaram um veemente apelo ao mundo, para que as partes envolvidas no conflito voltasse à mesa de negociações, reiterando a sua disponibilidade de mediar este diálogo. Qual, portanto, o empenho da Igreja neste momento?

“A nossa intervenção, antes de tudo, tem por objetivo fazer com que o apelo que o Papa Francisco lançou, em 22 de fevereiro passado à comunidade internacional, chegue realmente também às populações do Sudão do Sul. A crise atual é muito dura e o Papa disse que a comunidade internacional deve olhar para o sofrimento da população do Sudão do Sul. Portanto, também a nossa voz lança um apelo e o próprio governo do Sudão do Sul declarou que existem milhares de pessoas que estão passando fome no país. Por isto o nosso empenho é, antes de tudo, o de tomar consciência do sofrimento das pessoas. A catástrofe humanitária requer uma resposta urgente e nós pedimos à comunidade internacional para vir em ajuda das pessoas que no Sudão do Sul estão morrendo de fome”.

E tudo isto com a esperança de que o Sudão do Sul volte, finalmente um dia, a respirar a paz.

(dd/je)

(from Vatican Radio)