"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 30 de dezembro de 2017

Calendário paroquial 2017 – Paróquia de Santo Afonso (Fortaleza – Ceará)

 Os principais eventos da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Fortaleza – Ceará, organizados pelos movimentos e pastorais  para o ano de 2017.

















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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Livro: Rezar com Dom Helder

Pe. Geovane Saraiva lançou seu novo livro,  na Comunidade da Cruz Missionária,
 após a missa do setor 7,  no dia de seu aniversário, 30/10/2015,
Parquelândia - Fortaleza - CE.
A lavra literária do pároco de Santo Afonso, na sua nona  obra.
Nosso novo livro já se encontra na Paróquia Santo Afonso, 
Avenida Jovita Feitosa, 2733 - Cep. 60455-410, 
telefone (85) 32238785 - Parquelândia, Fortaleza - CE.
 Nosso muito obrigado e forte abraço!


Pe. Geovane Saraiva com Dom Helder, na Catedral de Brasília,
 em julho de 1980, aguardando o Papa João Paulo II.


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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Pe. Geovane Saraiva na Revista digital mais completa do Brasil









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domingo, 23 de julho de 2017

A História fecundada por Deus

Padre Geovane Saraiva*
A Igreja está inserida neste imenso mundo, que é o campo de ação, onde se encontram plantados o trigo e o joio. Na verdade, ela nasce do Evangelho, no abraço do projeto confiado a Jesus de Nazaré, sem medo de errar, mas que precisa estar de acordo com a Parábola da Boa Semente. Sabemos que a Igreja é santa, pecadora, sempre estando necessitada de conversão, além de ser pobre, servidora, despojada e missionária. Segundo o Papa Francisco, “a nós cristãos, cabe o discernimento entre o bem e o mal, conjugando decisão e paciência. Nesse sentido, devemos evitar julgar quem está ou não no Reino de Deus, pois todos somos pecadores”. Fica claro o convite de se inserir na realidade das pessoas mais identificadas com os empobrecidos, sendo fermento de uma vida de irmãos, digna e fraterna, sinal definitivo do Reino de Deus.

Resultado de imagem para campo trigo e joioEsse sinal chega a ser esperança de fecundar a história - esperança sendo a palavra de ordem -, protegendo-nos de todo mal e desânimo, que, de acordo com o apóstolo Paulo, “é para nós qual âncora da alma, segura e firme” (cf. Hb 6, 19), que indica para a humanidade a consciência de filhos de Deus e irmãos uns dos outros, como protagonistas e destinatários do Reino, no sonho de uma vida digna, justa e fraterna, antecipação da glória futura.

Esperança quer dizer não desanimar, pois o projeto do Reino de Deus deve ser um compromisso de todas as pessoas de boa vontade em semear a boa semente e fermentar o mundo pela mensagem do Evangelho. É necessário, mais do que nunca, perceber que os gestos de Jesus semeiam bondade e justiça, distantes da ilusão do espetáculo e do aparente triunfo. Nossa esperança no projeto do Reino, profundamente humano, que o Filho de Deus instarou na Galileia foi introduzido no mundo por seu poder: o de transformar a história da humanidade.

Nosso bom Deus nos faz o convite de exercer a paciência, a tolerância e a misericórdia, sem nunca perder de vista a beleza e a preciosidade do seu Reino. Como exemplo, temos o Santo Padre totalmente envolvido com o cuidado da casa comum, campo vastíssimo, na busca de bons resultados, no sonho de um mundo restaurado e reconciliado com Deus: “Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado, porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta por justiça, amor e paz”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a  Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
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'Reforma Trabalhista é a vitória do Brasil colônia sobre o Brasil do desenvolvimento', diz ex-diretor do Ipea

domtotal.com
'Vai cair toda a arrecadação, não só previdenciária', alerta João Sicsú, ex-diretor de Política e Assuntos Macroeconômicos do IPEA. Confira entrevista:
Enquanto os países avançados continuarão a produzir tablets, chips e outros produtos sofisticados, Brasil ficará apenas com setores primários.
Enquanto os países avançados continuarão a produzir tablets, chips e outros produtos sofisticados, Brasil ficará apenas com setores primários. (Agência Brasil).

O governo Temer, apesar de ser o mais reprovado da história, conseguiu aprovar um projeto crucial para o redesenho das relações sociais e econômicas brasileiras. Sobre a Reforma Trabalhista que engendra o processo, o Correio da Cidadania, 19-07-2017, entrevistou o economista João Sicsú, ex-diretor de Política e Assuntos Macroeconômicos do IPEA, que não tem dúvidas: acima de tudo, trata-se da reafirmação do Brasil Colônia sobre o Brasil do Desenvolvimento.

“A ideia é especializar o Brasil na divisão internacional da produção, a respeito de itens como petróleo bruto, açúcar, carne bovina e suína, minério de ferro, madeira. Essa será a participação do Brasil, enquanto os países avançados continuarão a fazer produtos sofisticados. Gosto muito da seguinte comparação: imagine um contêiner cheio de soja; vale muito pouco. Imagine outro cheio de tablets e chips; vale muito. É a diferença entre ser colônia e metrópole no século 21”, explicou.

Diante da chuva de falácias midiáticas e a inexplicável paralisia dos representantes oficiais do mundo do trabalho, pouco vale o debate político e ideológico. Basta nos atermos às questões econômicas para compreender aquilo que alguns especialistas já chamaram de rearranjo geral a serviço de uma base econômica de padrões neocoloniais, ancorada na superexploração do trabalhador e da natureza. Pela frente, uma quase certa destruição do mercado interno e rebaixamento do padrão médio de vida.

“Vai cair toda a arrecadação, não só previdenciária. Vai acontecer que o mercado doméstico ficará mais fraco pela queda generalizada dos salários, o que significa que os estados da federação vão sofrer, já que o ICMS será menor. Os lucros de quem produz para o mercado interno serão menores, portanto, PIS, COFINS, também irão cair. Vamos demorar muito para recuperar a posição que tínhamos em 2014”, sintetizou.

Eis a entrevista.

Como analisa a aprovação da reforma trabalhista?

A Reforma Trabalhista é apenas uma das propostas deste governo para realizar um projeto maior, no caso, a transformação do Brasil em colônia moderna. Uma colônia moderna é aquela que faz diversos produtos básicos, diferentemente das colônias do século 16, que giravam em torno de um produto. Hoje, com o território todo ocupado e explorado, são vários produtos, mas todos eles básicos.

A ideia é especializar o Brasil na divisão internacional da produção, a respeito de itens como petróleo bruto, açúcar, carne bovina e suína, minério de ferro, madeira. Essa será a participação do Brasil, enquanto os países avançados continuarão a produzir tablets, chips e outros produtos sofisticados.

Assim, vamos entrar no jogo pelo lado dos trabalhadores de baixa qualificação e baixos salários. Nossos produtos têm baixo valor agregado e muito peso. Gosto muito da seguinte comparação: imagine um contêiner cheio de soja; vale muito pouco. Imagine outro cheio de tablets e chips; vale muito. É a diferença entre ser colônia e metrópole no século 21.

A proposta da Reforma Trabalhista reduz os custos do trabalho aqui, justamente para o Brasil ficar mais competitivo na exportação dos produtos básicos. Isso enfraquece demais nossa economia, pois a Reforma Trabalhista no fim das contas reduz salário, reduz a remuneração do trabalhador e enfraquece o mercado doméstico. Nenhum empresário vai ficar mais competitivo que o outro que produz no mercado doméstico, pois todos terão seus custos reduzidos. Mas em relação a quem produz para o exterior foi um ganho, através da redução de custos, o que deixa o Brasil mais competitivo na exportação de produtos básicos.

Tem partes específicas também importantes, como trabalho intermitente, contrato do trabalhador autônomo exclusivo etc. Mas é preciso entender a proposta como projeto de transformação do Brasil em colônia moderna com três características: latifúndio, trabalho semiescravo e produção de itens básicos, não só agricultáveis, mas minerais e extrativistas.

Como responder as alegações a respeito da antiguidade das leis trabalhistas? Tendo um lado verdadeiro, o que poderia ser feito nesse sentido para atualizá-las de acordo com as nuances do mundo atual?

A ideia de atacar as leis de trabalho é assim. Tais leis existiam de forma fatiada desde antes dos anos 40, mas foram consolidadas na referida década, tendo sofrido inúmeras mudanças desde então. É inadequado partir dessa coisa de falar que é bom porque é antigo, ou é ruim por ser antigo. Não quer dizer nada, não é argumento.

Temos de pensar o seguinte: o século 21 tem de ser o do desenvolvimento, da superação da miséria, da igualdade de oportunidades, do desenvolvimento civilizatório. E as leis trabalhistas deveriam ser reformadas para consolidar e ampliar direitos dos trabalhadores. Esse é o sentido moderno de desenvolvimento, que visa superar todo o atraso brasileiro e mundial, como a fome, algo inaceitável no século 21, assim como a ausência de educação de qualidade, moradia digna. Isso é inaceitável.

Portanto, deve se modernizar as leis trabalhistas neste sentido. Um exemplo é que deveria se reduzir a jornada de trabalho, para, aí sim, se criarem mais empregos. Uma reforma que reduzisse a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais geraria mais empregos. Questão aritmética. Se o trabalhador tem menos expediente, é necessário contratar outro.

Outra bobagem sem fim é a ideia da manutenção de direitos gerar desemprego e barrar o crescimento. Basta olhar para poucos anos atrás, com as mesmas leis trabalhistas que agora chamam de entrave: o Brasil cresceu, reduziu a pobreza e gerou milhões de empregos com carteira assinada. O Brasil precisava de ampliação de direitos trabalhistas e sociais. Essa reforma vai jogar o Brasil para o atraso, para a vida do mercado doméstico fraco. O país pode crescer, mas será para fora, não para usufruto da população.

Acredita que haverá aumento da formalização, como se alega nos setores empresariais?

Não há relação alguma entre uma coisa e outra. Uma coisa é certa: haverá precarização das relações trabalhistas. Nada pode ser mais precário do que a relação intermitente. É a coisa mais precária que pode existir. O trabalhador iniciar o mês sem saber da sua renda ao final, pois depende de demanda empresarial.

O autônomo exclusivo é a escravidão formalizada. “Você é de um só dono e trabalha apenas quando teu patrão deseja”. Mas o mais grave é a ideia do negociado sobre o legislado. É vale tudo. Tem muita gente achando que vai se dar bem porque poderá negociar diretamente com o patrão. Mas não existe negociação individual com patrão. Patrão estabelece regra geral. Quem quiser se adéqua, quem não quiser vai embora, porque tem outro querendo a vaga.

No mesmo pacote, vem a Lei da Terceirização. Por exemplo, um tempo atrás, surgiu uma categoria nova de pessoas, os “concurseiros”, pessoas que estudavam pra passar em concursos, ou depois de passarem em um continuavam estudando para passar em outros melhores. Pois bem, no último final de semana participei de uma reunião dos bancários, onde foi falado que hoje em dia a pessoa entra no Banco do Brasil e não se importa muito com o que acontece dentro do banco, porque só quer ganhar seu dinheirinho enquanto não passa no próximo concurso.

Bom, agora não vai haver mais concurso algum. O Banco do Brasil e a Caixa vão contratar empresas que prestarão serviço de caixa, por exemplo. A quantidade de bancários será muito reduzida. O caixa, tal como o vigilante e a limpeza, vai ser terceirizado.

Essa possível formalização se daria em que condições? Muita pejotização e terceirização?

É só precarização. Formalização só se for junto com a precarização, só assim para ter alguma chance de se concretizar. Antes se podia ter uma empregada doméstica informal, ainda que se corresse algum risco, já que a lei é mais clara e objetiva hoje em dia, mas de qualquer maneira o patrão podia ter uma doméstica informal. Agora basta formalizar como prestadora de serviços na forma de Pessoa Jurídica.

Pode até aumentar a formalização da precarização, mas não a formalização com direitos trabalhistas e sociais. Bem ao contrário, isso certamente vai diminuir. É possível que as domésticas não formalizadas virem PJ, portanto, formaliza-se a precarização. Pessoa jurídica é uma empresa; empresas não tiram férias, não têm 13º salario, não têm licença maternidade, empresas não ficam grávidas.

Como isso deve incidir na arrecadação previdenciária? A porteira da Reforma da Previdência foi aberta de vez?

Vai cair toda a arrecadação, não só previdenciária. Vai acontecer que o mercado doméstico ficará mais fraco pela queda generalizada dos salários, o que significa que os estados da federação vão sofrer, já que o ICMS será menor. Os lucros de quem produz para o mercado interno serão menores, portanto, PIS, COFINS - que deveriam ser previdenciários, mas entram no bolo da arrecadação do Tesouro - também irão cair.

Não é só a Previdência, mas toda a máquina publica sofrerá queda de arrecadação. O trabalhador quando formalizado em carteira faz uma série de recolhimentos. Quando ele passar para PJ, arrecadará muito menos impostos, o que significa queda de receitas em todos os níveis, municipal, estadual e federal. O Brasil vai ser um mundo de milhões de trabalhadores precarizados e pauperizados, a receber e consumir menos.

Bem ou mal, poderá haver alguma recuperação do emprego e da renda? O que você prevê para a economia brasileira no próximo período?

A economia brasileira, se houver algum tipo de recuperação, como indicou o primeiro trimestre, é no sentido que mencionei. O Brasil colônia crescendo, o Brasil em desenvolvimento decrescendo. O que houve no primeiro trimestre: cresceram as exportações, as atividades de transporte e armazenagem, e a agropecuária. Uma amostra do que o Brasil pode ser quando “crescer”, pois crescimento depende de estímulo a demandas, de alguém que compre o que é vendido, alguém que tenha vontade e poder de compra.

Isso depende muito das iniciativas do governo. Mas o governo não tem nenhuma iniciativa. Mantém a taxa de juros alta, só corta gastos de Previdência, do Minha Casa Minha Vida, que significam deixar de botar dinheiro na economia, deixar de gerar consumo e de gerar lucro empresarial. A política fiscal (de estímulo aos gastos) e a monetária (de altos juros) estão invertidas, o que estagna a economia na depressão.

Caímos em torno de 8% no último período, de modo que vamos demorar muito para recuperar a posição que tínhamos em 2014. Estacionamos no fundo do poço, descemos a ladeira e paramos lá embaixo. Ainda que haja crescimento voltado para fora, não recuperará o nível do produto de 2014. Portanto, as perspectivas para a economia brasileira são extremamente negativas e, com a possibilidade de crescimento do Brasil colônia, certamente haverá regressividade do Brasil do desenvolvimento.

Como um governo tão desmoralizado consegue aprovar projetos tão cruciais para a vida da população? O que dizer do papel das centrais sindicais em meio a isso, após esvaziarem a própria greve e não incentivarem nenhum tipo de protesto ou forma de resistência nos dias que antecederam a votação?

Algumas centrais fizeram o enfrentamento que podiam, e houve aqueles que fazem o que sempre houve nesse universo, que é o papel de pelego. O enfrentamento dos que tinham mais combatividade e interesse na luta está muito limitado. Temos de repensar o papel, a forma de organização, as formas de luta dos movimentos sociais e dos trabalhadores.

O fenômeno que vemos no Brasil aconteceu na Europa. Os movimentos sociais vão à rua, se manifestam, tomam porrada e o Congresso aprova o que deseja. Estão completamente desligados do clamor social. Essa experiência toda é muito negativa, mas tem de ter como resultado uma profunda reflexão e transformação.

A questão não é saber quem é combativo e quem não é, quem tem agressividade e quem não. Temos de repensar de forma muito mais profunda como agir nas democracias e a favor das maiorias nestes tempos modernos. Temos de pensar em formas de luta, organização, comunicação e busca de hegemonia na sociedade. Frisemos: não é só no Brasil que grupos tomam o poder e realizam seus projetos. Apesar de a sociedade rejeitá-los, eles continuam dando a linha. É assim na Grécia, na Espanha...

Todas as manifestações e formas de luta dos trabalhadores e da sociedade do século passado e dos anos 90 não dão mais nenhum resultado. Basta lembrar a ofensiva neoliberal no mundo nos anos 80 e 90. Primeiramente foi barrada, ainda que parcialmente, e eleitoralmente sofreram diversas derrotas. Porém, voltaram agora de forma bastante renovada, e aquelas formas de luta dos anos 90 têm resultados nulos.


Instituto Humanista Unisinos
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Temer violenta direitos indígenas para tentar impedir seu próprio julgamento

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Parecer do Governo Federal considera que só têm direito às suas terras aquelas comunidades indígenas que estavam na posse delas até 5 de outubro de 1988.
Parecer da AGU toma partido numa discussão que ainda está em curso na Suprema Corte para impor restrições administrativas às demarcações de Terras Indígenas
Parecer da AGU toma partido numa discussão que ainda está em curso na Suprema Corte para impor restrições administrativas às demarcações de Terras Indígenas (Marcelo Camargo/Agência Brasil).

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil - Apib e dezenas de organizações indígenas e indigenistas divulgaram uma nota pública em que condenam e denunciam a adoção de um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que ataca o direito dos povos indígenas às suas terras. O parecer foi publicado também no Diário Oficial da União (DOU) e, entre outros pontos, obriga todos os órgãos da administração federal a considerar que só têm direito às suas terras aquelas comunidades indígenas que estavam na posse delas em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.

Segunda a nota,  o parecer da AGU toma partido numa discussão que ainda está em curso na Suprema Corte para impor restrições administrativas às demarcações de Terras Indígenas e ao usufruto exclusivo dos povos indígenas sobre os recursos naturais dessas áreas.

Eis a nota.

O presidente Michel Temer aprovou e mandou publicar no Diário Oficial da União o parecer 001/2017 da Advocacia-Geral da União (AGU), que obriga a administração pública federal a aplicar, a todas as Terras Indígenas do país, condicionantes que o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu, em 2009, quando reconheceu a constitucionalidade da demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. O parecer simula atender uma orientação do STF, mas, na verdade, os ministros da corte já se manifestaram pela não obrigatoriedade da aplicação daquelas condicionantes a outros processos de demarcação.

Importante lembrar que, em 2010, quando a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou proposta de súmula vinculante sobre o tema, o STF rejeitou o pedido por entender que não seria possível editar uma súmula sobre um tema no qual ainda não havia reiteradas decisões que pudessem demonstrar a consolidação de entendimento sobre o assunto.

A aplicação daquelas condicionantes a outras situações resulta em graves restrições aos direitos dos povos indígenas. Por exemplo, a autorização que o STF deu para a eventual instalação de infraestrutura para a defesa nacional naquela terra indígena de fronteira poderá, com o parecer da AGU, ser aplicada em qualquer outra região para desobrigar governos, concessionárias e empreiteiras a consultar previamente os povos indígenas, na abertura de estradas, instalação de hidrelétricas, linhas de transmissão de energia ou quaisquer outros empreendimentos que poderão impactar as Terras Indígenas.

O parecer pretende institucionalizar e pautar as decisões do STF sobre a tese do "marco temporal", que restringe o direito às terras que não estivessem ocupadas pelos povos indígenas em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Isso representa uma ampla anistia à remoção forçada de comunidades indígenas praticadas durante a ditadura militar. Decisões do próprio STF rejeitaram mandados de segurança contra demarcações fundamentados nessa tese. O parecer da AGU toma partido numa discussão que ainda está em curso na Suprema Corte para impor restrições administrativas às demarcações de Terras Indígenas e ao usufruto exclusivo dos povos indígenas sobre os recursos naturais dessas áreas.

O parecer aprovado por Temer foi anunciado previamente pelo deputado federal ruralista Luis Carlos Heinze (PP-RS) pouco antes da votação na Câmara do pedido de autorização para que o STF julgue o presidente por corrupção passiva, deixando claro que os direitos dos povos indígenas estão sendo rifados em troca dos votos ruralistas para manter Temer no poder. Heinze é o mesmo parlamentar que, em 2013, afirmou publicamente que índios, quilombolas e gays são "tudo o que não presta".

As organizações signatárias manifestam o seu veemente repúdio ao parecer 001/2017 da AGU, que será denunciado em todos fóruns e instâncias competentes. Temos consciência dos inúmeros danos que estão sendo causados ao país e a todos os brasileiros na "bacia das almas" desse governo, mas pedimos o apoio dos demais movimentos sociais e da sociedade em geral contra mais esta violência.

Solicitamos ao Ministério Público Federal (MPF) que requeira a suspensão dos efeitos do parecer da AGU, cujas proposições são consideradas inconstitucionais por juristas de renome. Solicitamos, ainda, que o STF ponha fim à manipulação das suas decisões pelo atual governo, a qual tem o objetivo de desobrigar o reconhecimento do direito constitucional dos povos indígenas sobre suas terras e impor restrições aos outros direitos desses povos.

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)
Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME)
Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (ARPINSUDESTE)
Articulação dos Povos Indígenas do Sul (ARPINSUL)
Grande Assembléia do Povo Guarani (ATY GUASU)
Comissão Guarani Yvyrupa
Conselho do Povo Terena
Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
Articulação dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP)
Associação Agroextrativista Puyanawa Barão e Ipiranga (AAPBI)
Associação Apiwtxa Ashaninka
Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC)
Associação do Povo Arara do Igarapé Humaitá (APAIH)
Associação dos Povos Indígenas do Rio Envira (OPIRE)
Associação dos Produtores Kaxinawa da Aldeia Paroá (APROKAP)
Associação dos Produtores Kaxinawá da Praia do Carapanã (ASKPA)
Associação Indígena Katxuyana, Kahiana e Tunayana (Aikatuk)
Associação Indígena Nukini (AIN)
Associação Nacional de Ação Indigenista-Bahia (Anai-Bahia)
Associação Sociocultural Yawanawa (ASCY)
Associação Terra Indígena Xingu (ATIX)
Associação Wyty-Catë dos povos Timbira do MA e TO (Wyty-Catë)
Centro de Trabalho Indigenista (CTI)
Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP)
Comissão Pró-índio do Acre (CPI-Acre)
Conselho das Aldeias Wajãpi (APINA)
Conselho Indígena de Roraima (CIR)
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Federação das Organizações e Comunidades Indígenas do Médio Purus (Focimp)
Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)
Federação dos Povos Indígenas do Pará
Hutukara Associação Yanomami (HAY)
Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB)
Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepe)
Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN)
Instituto Socioambiental (ISA)
Rede de Cooperação Amazônica (RCA)
Operação Amazônia Nativa (Opan)
Organização dos Agricultores Kaxinawá da Colônia 27 (OAKTI)
Organização dos Povos Indígenas Apurina e Jamamadi de Boca do Acre Amazonas (Opiajbam)
Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi de Pauini (Opiaj)
Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ)
Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC)
Organização Geral Mayuruna (OGM)


Instituto Humanista Unisinos



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Importância do pequeno

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Comentário a Mateus 13,24-43, que corresponde ao 16º Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico.
O reino de Deus sempre é algo humilde e pequeno nos seus inícios.
O reino de Deus sempre é algo humilde e pequeno nos seus inícios. (Divulgação Pixabay)
Por José Antonio Pagola*

Ao cristianismo foi muito prejudicial ao longo dos séculos o triunfalismo, a sede de poder e a ânsia de impor-se aos seus adversários. Todavia há cristãos que anseiam por uma Igreja poderosa que encha os templos, conquiste as ruas e imponha a sua religião a toda a sociedade.

Temos de voltar a ler as pequenas parábolas em que Jesus deixa claro que a tarefa dos seus seguidores não é construir uma religião poderosa, mas colocar-se a serviço do projeto humanizador do Pai - o reino de Deus - semeando pequenas «sementes» de Evangelho e introduzindo-as na sociedade como pequeno «fermento» de uma vida humana.

A primeira parábola fala de um grão de mostarda que se semeia na horta. Que tem de especial esta semente? Que é a mais pequena de todas, mas, quando cresce, converte-se num arbusto maior que as hortaliças. O projeto do Pai tem um início muito humilde, mas a sua força transformadora não podemos agora nem imaginar.

A atividade de Jesus na Galileia semeando gestos de bondade e de justiça não é nada de grandioso nem espetacular: nem em Roma nem no Templo de Jerusalém são conscientes do que está sucedendo. O trabalho que realizamos hoje seus seguidores parece insignificante: os centros de poder o ignoram.

Inclusive os mesmos cristãos podemos pensar que é inútil trabalhar por um mundo melhor: o ser humano volta uma e outra vez a cometer os mesmos horrores de sempre. Não somos capazes de captar o lento crescimento do reino de Deus.

A segunda parábola fala de uma mulher que introduz um pouco de levedura numa grande massa de farinha. Sem que ninguém saiba como, a levedura vai trabalhando silenciosamente a massa até a fermentar inteiramente.

Assim sucede com o projeto humanizador de Deus. Uma vez que é introduzido no mundo, vai transformando silenciosamente a história humana. Deus não atua impondo-se a partir de fora. Humaniza o mundo atraindo as consciências dos seus filhos para uma vida mais digna, justa e fraterna.

Temos de confiar em Jesus. O reino de Deus sempre é algo humilde e pequeno nos seus inícios, mas Deus está já a trabalhar entre nós promovendo a solidariedade, o desejo de verdade e de justiça, a ânsia de um mundo mais ditoso. Temos de colaborar com Ele seguindo Jesus.

Uma Igreja menos poderosa, mais desprovida de privilégios, mais pobre e mais próxima dos pobres sempre será uma Igreja mais livre para semear sementes de Evangelho e mais humilde para viver no meio das pessoas como fermento de uma vida mais digna e fraterna.


IHU

*José Antonio Pagola é padre e teólogo espanhol.
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Papa no Angelus: confiar na ação de Deus que fecunda a história

2017-07-23 Rádio Vaticana
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Cidade do Vaticano (RV) – “Confiar na ação de Deus que fecunda a história”, pois somente Ele pode separar o bem do mal e extirpá-lo, e o fará no juízo final. A nós cristãos, cabe o discernimento entre o bem e o mal, conjugando decisão e paciência. Neste sentido, devemos evitar julgar quem está ou não no  Reino de Deus, pois todos somos pecadores.

No Angelus deste XVI Domingo do Tempo Comum, o Papa dirigiu sua reflexão aos milhares de fieis presentes na Praça São Pedro, inspirado na Parábola do joio e do trigo.

Eis a reflexão na íntegra:

“A leitura do Evangelho de hoje propõe três parábolas com as quais Jesus fala às multidões do Reino de Deus. Vou me concentrar na primeira: aquela do trigo bom e do joio, que ilustra o problema do mal no mundo e destaca a paciência de Deus. Quanta paciência Deus tem! Também cada um de nós pode dizer isto: “Quanta paciência Deus tem comigo!”.

A narrativa se desenvolve em um campo com dois opostos protagonistas. De um lado o dono do campo que representa Deus e semeia a boa semente; por outro o inimigo que representa Satanás e semeia a erva ruim.

Com o passar do tempo, em meio ao trigo cresce também o joio, e diante deste fato o dono e os seus servos têm comportamentos diferentes. Os servos querem intervir arrancando o joio; mas o dono, que está preocupado sobretudo com a salvação do trigo, se opõe dizendo: “Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo”.

Com esta imagem, Jesus nos diz que neste mundo o bem e o mal estão totalmente entrelaçados, que é impossível separá-los e extirpar todo o mal. Somente Deus pode fazer isto e o fará no juízo final.

Com as suas ambiguidades e o seu caráter eclético, a situação presente é o campo da liberdade, o campo da liberdade dos cristãos, em que se concretiza o difícil carácter do discernimento entre o bem e o mal.

E neste campo trata-se, portanto, de conjugar, com grande confiança em Deus e na providência, dois comportamentos aparentemente contraditórios: a decisão e a paciência. A decisão é aquela de querer ser trigo bom – todos nós o queremos - , com todas as próprias forças, e portanto, tomar distância do maligno e de suas seduções.

A paciência, significa preferir uma Igreja que é fermento na massa, que não teme sujar suas mãos lavando as roupas de seus filhos, antes que uma Igreja de “puros”, que pretende julgar antes do tempo, quem está e quem não está no Reino de Deus.

O Senhor, que é a Sabedoria encarnada, hoje nos ajuda a compreender que o bem e o mal não se podem identificar com territórios definidos ou determinados grupos humanos: “Estes são os bons, estes são os maus”.

Ele nos diz que a linha de separação entre o bem e o mal passa no coração de cada pessoa, passa no coração de cada um de nós, isto é: todos somos pecadores. Me vem o desejo de pedir a vocês: “Quem não é pecador levante a mão!”. Ninguém! Porque todos o somos, todos somos pecadores.

Jesus Cristo com a sua morte na cruz e a sua ressurreição, nos libertou da escravidão do pecado e nos dá a graça de caminhar em uma vida nova; mas com o Batismo nos deu também a Confissão, porque sempre temos a necessidade de sermos perdoados de nossos pecados. Olhar sempre e somente o mal que está fora de nós, significa não querer reconhecer o pecado que existe também em nós.

E depois Jesus nos ensina um modo diferente de olhar o campo do mundo, de observar a realidade. Somos chamados a aprender os tempos de Deus – que não são os nossos tempos - e também o  “olhar” de Deus: graças ao influxo benéfico de uma trepidante espera, aquilo que era joio ou parecia joio, pode tornar-se um produto bom. É a realidade da conversão. É a perspectiva da esperança!

Nos ajude a Virgem Maria a colher na realidade que nos circunda não somente a sujeira e o mal, mas também o bem e o belo; a desmascarar a obra de Satanás, mas sobretudo a confiar na ação de Deus que fecunda a história"

(from Vatican Radio)
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Julho-Agosto

Título original: Juillet Août
As irmãs Laura (Luna Lou) e Josephine (Alma Jodorowsky) vão passar as férias de julho na casa de praia do padrasto. Enquanto a primeira se esforça para esconder uma grave travessura, a mais velha vive a dor e a delícia de uma intensa paixão de verão. No mês seguinte elas vão visitar o pai em outra região da França e os problemas mudam de figura: enquanto Josephine lida com as consequências inimagináveis de seu caso, Luna se afasta a cada dia da infância.
País: França
Ano: 2017
Gênero: Comédia
Classificação: 12
Direção: Diastème
Elenco: Alma Jodorowsky, Luna Lou, Patrick Chesnais
Duração: 1h36 min.
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Inácio de Loyola: a atualidade de um santo em filme

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Ator que interpreta Inácio de Loyola fala de sua experiência na pele do fundador dos jesuítas: "Creio que a conversão é algo que está ao alcance de qualquer mortal".
A produtora filipina JESCOM, da Companhia de Jesus, é a responsável pela realização do filme que narra a história de seu fundador.
A produtora filipina JESCOM, da Companhia de Jesus, é a responsável pela realização do filme que narra a história de seu fundador. (Reprodução/ JESCOM).

O filme “Ignacio de Loyola”, sobre o fundador dos Jesuítas, estreio sexta-feira passada em 100 salas de cinema em 44 cidades da Espanha e tem sido aguardado desde seu lançamento em 2016 em terras brasileiras. Trata-se de um biopic (filme de caráter biográfico) do fundador da Companhia de Jesus, a quem o ator espanhol Andreas Muñoz dá vida. Depois de interpretar o santo espanhol, ele se sente uma pessoa melhor e assegura que "o filme é atual" e que as pessoas gostarão.

Produzido pela Fundação de Comunicações dos Jesuítas das Filipinas (JESCOM), é o primeiro filme do diretor filipino Paolo Dy. Rodado principalmente em Navarra, o longa tem como centro a conversão de Íñigo do Loyola, de cavaleiro e bon vivant a seguidor de Jesus.

Andreas tinha nove anos quando começou na profissão e já trabalhou tanto com cinema como com teatro. Começou com o "Espinazo del diablo" de Guillermo del Toro e participou em muitos filmes de cinema espanhol e internacional, na Itália, na Argentina, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Agora encarna o fundador dos Jesuítas.

Segue abaixo a entrevista concedida pelo ator ao site Religion Digital.

Fala um pouco do filme, Andreas.

Trata-se de um biopic da história real de Íñigo de Loyola. É um drama histórico que começa em 1521, em Pamplona, e chega a Manresa, passando por Montserrat, acompanhando o personagem em um momento fundamental da sua vida.

O filme começa com a derrota da batalha de Pamplona, onde Inácio, soldado de Navarra, comanda um exército de 300 homens contra 12.000 franceses. Acaba sendo ferido gravemente e fica acamado durante alguns meses. O descanso forçado propicia a leitura de livros sobre os santos e a vida de Jesus. Estas leituras fazem com que sua vida dê uma virada repentina, fazendo com que Inácio inicie seu caminho como peregrino, sua aprendizagem como ser humano e a doação de sua vida aos outros.

O seu legado peremanece hoje: a Companhia de Jesus, ordem à qual também pertence Francisco, o primeiro papa jesuíta.

Que relação se percebe entre Íñigo de Loyola e o Papa Francisco? Que relação mostra o filme?

Francisco é Jesuíta e o fundador de sua ordem é Inácio de Loyola. A relação é direta.

Como se mostra esta relação? Em que você acredita que se percebe mais a identidade jesuíta do papa?

O que aprendi dos jesuítas é que eles sempre são pessoas abertas para escutar e que, sobretudo, respeitam muito o próximo.

Você achou muito difícil entrar na pele de Íñigo de Loyola?

Ele é um personagem complexo. Sua psicologia também. Começando pelo fato de ser o mais novo de treze irmãos e, ao nascer, sua mãe morre. O pai nunca o perdoou por isso.

Pertenceu a uma família nobre. Seus irmãos eram brilhantes como militares e como religiosos. Isso o fez sonhar em ser uma lenda como militar e herói nacional. Seu caráter é muito perfeccionista, vaidoso e é um líder nato, características que fazem dele uma pessoa bastante egocêntrica.

O passo desta personalidade completamente egocêntrica até chegar à fase de peregrino, despojar-se de roupas nobres e dar sua vida pelos outros é algo que acho admirável e que o divide praticamente em dois personagens muito diferentes, com a complexidade que supõe na hora de interpretar o papel.

O que mais te chama à atenção, então, é sua conversão?

Exatamente. A conversão que experimenta: de nobre, inclusive galanteador, vai até à doação de sua vida aos outros e a Deus. Chega mesmo a mendigar comida para ajudar aos mais pobres.

Em sua opinião, esse tipo de conversões é possível hoje? Às vezes, esse "cair do cavalo" como aconteceu a São Paulo, Santo Agostinho ou até o mesmo a Santo Inácio nos parecem impossíveis, fora do alcance dos humanos comuns.

Penso que está ao alcance de qualquer ser humano.

Passar de pecador a santo, imagino, custará muito, será um processo longo.

Sim, é um processo longo, mas não impossível, se você está disposto a isto. Vemos ocorrer em pessoas que se lamentam de coisas que fizeram no passado e que passaram a se dedicar pelos outros, a dar suas vidas por eles.

Quando se sentiu mais à vontade, interpretando o Íñigo pecador ou interpretando o Íñigo convertido, peregrino e santo?

Eles são dois papeis completamente diferentes e ambos muito ricos. Como ator, quanto mais cor e mais matizes apresenta um personagem, mais atraente resulta. Portanto, foram muito diferentes de interpretar, mas de uma imensa riqueza.

Qual você achou mais difícil?

Fisicamente o primeiro, espiritualmente o segundo.

Fisicamente o primeiro, por que?

Porque ele era um soldado e é necessário ser muito treinado para isto. Eu tive que trabalhar muito para chegar nesse grau militar.

Você teve que aprender a administrar as armas, eu imagino.

Eu fui formado em esgrima e sabre durante dois anos e sabia montar cavalo, mas são exercícios que você tem que praticar diariamente. Estive duas semanas antes treinando nas Canárias com meu bom amigo Gonzalo Hernández, especialista em cinema. Foi um trabalho intenso; do amanhecer até a noite com espada e cavalo.

Depois, para a fase peregrina, só tive que dar a mão a Inácio de Loyola e me deixar levar, porque já tinha o personagem bem amarrado. Falei tanto sobre ele e o estudei tanto que cheguei a interiorizá-lo.

Nesta segunda fase do filme, você achou difícil o momento de oração, o como rezar?

Durante a filmagem, quando tinha um momento de descanso (porque eram dias muito longos), eu comecei a rezar para entrar no contexto, entrar bem no papel e fazer uma introspecção.

Pode se afirmar então que você também se converteu de alguma maneira?

A coisa certa é que me dei completamente a este personagem.

Por que um biopic de origem filipina? Como surgiu todo isto?

Esta pergunta é mais para a produção filipina. Mas, o que eu sei é que os filipinos estavam muito interessados, porque lá a figura de Santo Inácio de Loyola é grande. Sobretudo, porque a Universidade El Ateneu, uma das mais notáveis, tem como fundador Inácio de Loyola.

O filme tinha sido filmado em 1949 na Espanha, com atores espanhóis também, e foi rodado em preto e branco. Eles perceberam que havia um buraco com uma grande história. Eles ousaram, escreveram o roteiro, começaram a produzir e vieram filmar na Espanha.

A filmagem se fez inteiramente na Espanha?

Praticamente.

Em que localidades?

Em Navarra, Aragão e Guipúzcoa, principalmente. Começamos em Loyola, na casa atual de Loyola, onde filmamos à noite porque durante o dia é um museu. Depois fomos para Artajona, onde rodamos a batalha de Pamplona.

Também filmamos em Sos del Rey Catolico e em Zugarramurdi nas cavernas onde foi filmado a cena mais importante do filme. E,finalmente, fomos para o Mosteiro do Olive e nos Pireneus.

Vai ser projetada em salas comerciais?

Sim. De fato estamos recebendo numerosas propostas de salas. Agora mesmo há entre 80 e 90 cinemas interessados.

Você acredita que vai pegar, que vai ser um sucesso?

Estou completamente convencido, porque é uma história muito atual. As pessoas se conectarão com ela desde o primeiro minuto.

Você acredita que representar Santo Inácio o fez um pouco melhor ou você já era assim?

Não, eu acredito que não fui uma pessoa ruim até agora. Mas sim, é verdade que os personagens sempre ensinam coisas novas. Neste caso, principalmente, ter mais paciência.

Por último, você gostaria de apresentar o filme ao Papa?

Já estivemos no Vaticano. Fizemos uma projeção na sala de cinema que eles têm e que, também, é a sala que mandou construir o papa João Paulo II. Projetamos o filme no ano passado, em 2016.

O papa estava na projeção?

Nesta não estava, mas posso dizer que é a história do seu fundador. Deixo isso para você.

Você gostaria de apresentar o filme pessoalmente ao papa?

Claro que sim.

E sem dúvida você fará isto, verdade?

Definitivamente.


Religión Digital
Tradução: Ramón Lara.
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Pe. Geovane Saraiva

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