"Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como minha sombra" (Dom Helder Câmara).

sábado, 30 de dezembro de 2017

Calendário paroquial 2017 – Paróquia de Santo Afonso (Fortaleza – Ceará)

 Os principais eventos da Paróquia de Santo Afonso Maria de Ligório, em Fortaleza – Ceará, organizados pelos movimentos e pastorais  para o ano de 2017.

















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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Livro: Rezar com Dom Helder

Pe. Geovane Saraiva lançou seu novo livro,  na Comunidade da Cruz Missionária,
 após a missa do setor 7,  no dia de seu aniversário, 30/10/2015,
Parquelândia - Fortaleza - CE.
A lavra literária do pároco de Santo Afonso, na sua nona  obra.
Nosso novo livro já se encontra na Paróquia Santo Afonso, 
Avenida Jovita Feitosa, 2733 - Cep. 60455-410, 
telefone (85) 32238785 - Parquelândia, Fortaleza - CE.
 Nosso muito obrigado e forte abraço!


Pe. Geovane Saraiva com Dom Helder, na Catedral de Brasília,
 em julho de 1980, aguardando o Papa João Paulo II.


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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Teresa D’Ávila: oração e contemplação

Padre Geovane Saraiva*
No dia 15 de outubro recorda-se na Igreja uma mulher totalmente voltada à contemplação e ao absoluto de Deus que, como Maria, escolheu a melhor parte e não lhe será tirada. Trata-se de Santa Teresa de Jesus, religiosa carmelita espanhola (1515-1582), que marcou uma época, sobretudo por sua talentosa sabedoria e inteligência, identificada e configurada com Jesus de Nazaré, levando uma vida de oração, oferecendo um dadivoso e restaurador banho de fé à humanidade, legado espiritual de graças e bênçãos para a nossa civilização cristã. Igualmente, consciente de que a oração é o bem maior e a porta de entrada para a perfeição, exatamente quando o mundo se alargava através das grandes navegações, conquistas e descobertas humanas, é que surge Santa Teresa como dádiva, dom e graça de Deus.

Resultado de imagem para nada te perturbe santa teresaTeresa D’Ávila, uma criatura humana exemplar, descomunal e atemporal, bem que pode ressoar, hoje, na vida dos cristãos como um verdadeiro milagre do inefável mistério de amor. Não tenho dúvida alguma de tratar-se de uma mulher fortemente movida pelo Espírito de Deus. É assim que percebo o interior de nossa Irmã D’Ávila, nas suas surpreendentes aventuras pelo misterioso caminho do mundo interior, tendo por base o Livro Sagrado: “Como a corça que suspira pelas águas da torrente, assim minha alma suspira por vós, Senhor. Minha alma tem sede do Deus vivo”. Ela é considerada fundadora dos Carmelitas Descalços, juntamente com São João da Cruz, aquele da célebre frase, a saber: “No entardecer desta vida, sereis julgados segundo o amor”.

Teresa D’Ávila, com seus escritos “Castelo Interior” e “Caminho de Perfeição”, ofertou ao mundo sua própria experiência de vida contemplativa e, pela literatura, seu lado místico imorredouro. Como soube ela colocar diante dos olhos, na mente e no coração o Deus grande, glorioso e esplêndido, sendo a razão do seu viver, indicando-nos o caminho da transcendência e da benevolência divina. A seu exemplo, fixemos nosso olhar no mistério a envolver, no sentido mais profundo, a suma felicidade: “Nada te perturbe. Nada te amedronte. Tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta!”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso e vice-presidente da Previdência Sacerdotal, integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza - geovanesaraiva@gmail.com
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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Catedral de Notre-Dame precisa urgentemente de reparos

  Zelda Caldwell | Out 16, 2017
Tobias | CC BY 2.0

Arquidiocese de Paris lançou uma campanha para salvar a igreja mais visitada da “Cidade Luz”

A Catedral de Notre-Dame – a igreja gótica do século XII construída em uma ilha do rio Sena e visitada por mais de 14 milhões de pessoas por ano – está em apuros.

Depois de sobreviver à Revolução Francesa e duas guerras mundiais, Notre-Dame enfrenta a maior ameaça à sua existência. De acordo com a revista Time, a ação do tempo, a poluição e alguns trabalhos de restauração de baixa qualidade feitos no século XIX deixaram a catedral em péssimo estado e precisando urgentemente de reparos.

“A poluição é o maior culpado”, disse Philippe Villeneuve, arquiteto-chefe de monumentos históricos da França, à Time. “Precisamos substituir as pedras arruinadas e as juntas por materiais tradicionais”, acrescentou Villeneuve.

Quando ficou claro que a catedral precisava de muitos reparos, o governo francês alegou que não estava preparado para financiar as obras. Por isso, a Arquidiocese de Paris criou uma campanha para arrecadar os 100 milhões de dólares necessários para salvar o templo.

Entre os problemas que afligem a Notre-Dame estão os pináculos, as gárgulas e os vitrais. Mas a preocupação maior é com a estrutura que sustenta os contrafortes.

De acordo com o site da campanha, “o pior estado é o das pedras dos contrafortes. Se um desses pilares estruturais falhar por causa das pedras danificadas, as consequências seriam desastrosas”.

Faça um tour em 360 graus para conhecer mais desta relíquia gótica ver o que pode ser salvo na Notre-Dame:

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Temer corta verba de combate à seca no Nordeste e em Minas

17 de outubro de 2017Escreva um comentário!
 NP Online


Temer corta verba de combate à seca no Nordeste e em Minas
O semiárido sofrerá com o corte de verbas e a redução de 95% do orçamento para combater a seca em áreas do nordeste e em parte de Minas Gerais.


Do Uol:

Um dos principais e mais reconhecidos programas federais contra seca no semiárido sofre com cortes de verbas e tem uma previsão de redução de 95% no orçamento do próximo ano, o que ameaça inviabilizar a construção de cisternas nas zonas rurais do Nordeste e norte de Minas Gerais.

A fila de espera por uma cisterna de primeira água –destinada para consumo doméstico–, segundo a ASA (Articulação do Semiárido, entidade que reúne 3.000 organizações sociais dos nove Estados da região semiárida), chega a 350 mil famílias. Nos últimos 15 anos foram construídos mais de 1,2 milhão desses equipamentos.

Já para as cisternas de segunda água –destinada à pequena agricultura e à criação de animais– há uma necessidade de 600 mil equipamentos. (…) segundo a PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) enviada pelo governo federal ao Congresso Nacional, a previsão para 2018 é de que haja investimento de R$ 20 milhões, o que significa um corte de 95% em relação ao orçamento deste ano –quando a verba prevista foi de R$ 248 milhões.

Levando em conta que uma cisterna de primeira água custa em média R$ 3.100, em tese o valor daria apenas para construir 6.451 equipamentos, ou seja, menos de 2% da demanda –isso se todo orçamento previsto for executado. Já uma cisterna de segunda água custa em torno de R$ 13 mil. Os valores incluem o curso obrigatório que é feito pelos beneficiários do programa. (…).

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Alemanha: entregues Prêmios Católicos para a mídia


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Bonn (RV) – “A digitalização permeia tudo e diz respeito realmente a todos. Ao progresso indiscutível e ao aumento das liberdades, se somam difíceis desafios”, entre os quais, “a perda da segurança e da orientação, o aumento do medo”.
A afirmação é do Bispo de Rottenberg-Stoccarda e Presidente da Comissão publicitária da Conferência Episcopal Alemã, Dom Gebhart Fürst, durante a entrega do Prêmio católico para a mídia,  evento realizado em Bonn na segunda-feira (16/10).
Em sua saudação – refere uma nota da Conferência Episcopal citada pela Agência SIR – o prelado insistiu na necessidade de uma “cultura do encontro”, alimentada por uma “comunicação construtiva”, para “olhar para a realidade com uma confiança consciente”.
O Bispo encorajou os vencedores dos prêmios a esta “comunicação construtiva”.
Na categoria “mídias eletrônicas”, o reconhecimento foi para Jeanne Turczynski pela sua transmissão “O risco do aborto tardio. Uma decisão entre a vida e a morte”.
Claas Relotius com o seu artigo “O filho do rei” - publicado no Der Spiegel em julho de 2016 - venceu o Prêmio Imprensa. O jornalista narra os acontecimentos envolvendo duas irmãs de 12 e 13 anos que deixaram Aleppo para se refugiar na Turquia, dando assim “um rosto a um evento que envolve 60 milhões de pessoas”.
O Prêmio Especial do Júri foi para Christina Fee Moebus pelo documentário “Processo para o navio dos fantasmas”, que revela uma parte da trágica história de Bremen nos anos do nacional-socialismo “sem comentários moralistas”, imbuída de “respeito pelas vítimas”, mas também honesta sobre “a culpa do Levita que passa além” e depois até mesmo “perjura não ter sentido nada”.
Fonte: www.br.radiovaticana.br
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Câmara tornou público celular de Temer

Brasil  16.10.17 19:59
Resultado de imagem para câmara torna público celular de Temer: ‘Estou falando com o presidente?’; 'Está, perfeitamente’
O site da Câmara tornou público o número de um celular de uso pessoal de Michel Temer, relata O Globo.

O registro estava num iPhone de Geddel Vieira Lima apreendido pela Polícia Federal e foi divulgado pelo site da Casa em meio a outros documentos, como os vídeos de Lúcio Funaro.

O repórter Vinicius Sassine ligou para o celular hoje à tarde. Foi atendido pelo presidente, que ainda tentou disfarçar:

“Liga aqui para o gabinete do presidente e fala com a dona Nara [de Deus, chefe de gabinete de Temer].”

“Eu estou falando com o presidente, não estou?”

“Está, perfeitamente.”

Mais tarde, Temer disse a O Globo não se importar com a divulgação do número.

“Acho que centenas de pessoas têm esse número. (…) Aliás, umas das críticas que eu recebo é que eu atendo o meu celular.”

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Um padre na Amazônia e o Sínodo: povos indígenas precisam ir a Roma

O padre Luis Miguel Modino (no destaque) e o Rio Negro.

O padre Luis Miguel Modino (no destaque) e o Rio Negro. (Reprodução)
Por Mauro Lopes
Luis Miguel Modino é um padre espanhol que deixou seu país para o desafio de ser missionário no Brasil no século 21. Hoje é pároco na diocese de São Gabriel da Cachoeira, uma das maiores do Brasil, com 293 mil quilômetros quadrados. É o coração da Amazônia, no Estado do Amazonas. Na diocese mais de 90% são indígenas; são 23 povos indígenas e 18 línguas, sendo  o município de São Gabriel da Cachoeira o único a ter quatro línguas reconhecidas como oficiais.
Ele é voz mais que autorizada a falar sobre o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia, que reunirá em 2019 bispos de todo o mundo, com especialistas e assessores e, espera-se, representantes dos povos indígenas da região. “Não imagino um Sínodo sem a presença dos povos indígenas. O Papa Francisco nunca ia deixar isso acontecer. Ele tem cheiro de ovelha e suas ovelhas na Amazônia são os povos indígenas”, diz o padre Modino. Para ele, a surpreendente convocação do Sínodo “pode mudar decisivamente a presença da Igreja na Amazônia” a partir da escuta “do grito da floresta e seus povos” –leia a entrevista dele ao Caminho Para Casa, concedida inicialmente há pouco mais de uma semana e completada neste domingo depois da surpresa do Sínodo(15).
Para o sacerdote espanhol apaixonado pelo Brasil e a Amazônia, o Sínodo é uma “oportunidade” que a Igreja da região “não pode perder”. Alguns dos pontos da agenda do Sínodo, segundo ele, devem ser as “questões gritantes que hoje estão presentes na Igreja da Amazônia, como a celebração eucarística sem a presença de um ministro ordenado e uma maior e melhor presença nas comunidades indígenas”. Duas questões cruciais para o Sínodo, na visão de Modino: 1) “a Igreja da Amazônia deve escutar o povo, sobretudo os moradores originários, as populações tradicionais. Pôr em funcionamento a colegialidade que o Papa Francisco propõe”; 2) “Tem que ser um Sínodo que brote do chão amazônico e que mesmo celebrado em Roma não respire os ares contaminados da Cúria e sim os ares puros das florestas que os povos indígenas trouxeram até nós.”
Com 46 anos de idade, Modino está no país desde os 35, em 2006. É padre diocesano de Madri e missionário Fidei Donum, e coordenador para o Brasil da Obra de Cooperação Sacerdotal para Hispanoamérica (OCSHA), organismo da Conferência Episcopal Espanhola.  Durante nove anos esteve na diocese de Ruy Barbosa, no interior da Bahia, antes de instalar-se em São Gabriel da Cachoeira.
Uma prática de seu trabalho pastoral são as itinerâncias, visitas que ele realiza –de barco- às comunidades da diocese, à beira dos rios Negro e Xié, que duram em geral uma semana. As fotos que acompanham a entrevista são todas de Modino, durante as breves viagens. Ele é jornalista, correspondente no Brasil de Religión Digital, o mais relevante site católico progressista em língua espanhola do mundo, com mais de três milhões de visitas/mês.
É uma união interessante essa, a do sacerdócio com o jornalismo: “Como Igreja somos chamados a dar a conhecer aquilo que a gente do povo  vive. Uma vez escutei uma afirmação que me marcou: aquilo que não é conhecido não existe. Como comunicador, penso que minha missão é mostrar ao mundo a realidade dos povos e das pessoas com quem convivo e da natureza maravilhosa que nos cerca. Escrever e fotografar é um jeito de evangelizar, de ajudar as pessoas a refletir sobre situações muitas vezes desconhecidas.”
Leia a seguir a entrevista com Luis Miguel Modino:
Como você recebeu a notícia surpreendente da convocação do Sínodo sobre a Amazônia?
Recebi de fato como como uma grande surpresa e enorme alegria, pois  pode mudar decisivamente a presença da Igreja na Amazônia. Agora cabe à Igreja da Amazônia não deixar passar esta oportunidade que a história e o Papa Francisco estão nos oferecendo.
Quais devem ser, na sua visão, os temas do Sínodo?
Em primeiro lugar, é preciso um Sínodo que escute o grito da floresta e seus povos. Tem que ser um Sínodo que brote do chão amazônico, que mesmo celebrado em Roma não respire os ares contaminados da Cúria e sim os ares puros das florestas que os povos indígenas trouxeram até nós. Espero que sejam abordadas questões gritantes que hoje estão presentes na Igreja da Amazônia, como a celebração eucarística sem a presença de um ministro ordenado e uma maior e melhor presença nas comunidades indígenas.
Os povos indígenas devem estar presentes em Roma?
Não imagino um Sínodo sem a presença dos povos indígenas. O Papa Francisco nunca ia deixar isso acontecer. Ele tem cheiro de ovelha e suas ovelhas na Amazônia são os povos indígenas, em quem recentemente ele reconhecia no discurso aos bispos da Colômbia, uma “arcana sabedora”. Espero que a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) e as dioceses da região cuidem de garantir essa presença.
E como será a preparação do Sínodo na Amazônia?
A Igreja da Amazônia deve escutar o povo, sobretudo os moradores originários, as populações tradicionais. Pôr em funcionamento a colegialidade que o Papa Francisco propõe.
Quando você chegou ao Brasil?
Cheguei ao Brasil pela primeira vez em 1999, acompanhando um grupo de jovens de uma paróquia de Madri, para visitar nossa paróquia irmã, Senhora Santana de Serrinha, Bahia, onde trabalhava como missionário um sacerdote de Madri. Após aquela experiência pedi ser enviado como missionário para o Brasil, o que finalmente aconteceu em 26 setembro de 2006, quando cheguei na diocese de Ruy Barbosa, no interior da Bahia, onde fiquei mais de nove anos.
Qual foi o impacto dessa mudança radical, da Espanha para o interior da Bahia?
Foi um tempo em que descobri outro jeito de ser Igreja, diferente daquele que vivi na Espanha. Conheci uma Igreja onde a teologia do Vaticano II se faz presente numa Igreja Povo de Deus, com protagonismo laical, uma Igreja inserida na realidade, nas questões cidadãs, que luta por vida em abundancia para todos, organizada em redes de comunidades, onde as decisões das Assembleias são assumidas também pelo bispo.
Nesses anos coloquei como prioridade do trabalho missionário a formação dos leigos, sempre visando uma maior autonomia que faça possível uma melhor caminhada das comunidades. Um bom animador de comunidade faz que ela se torne instrumento do Reino na vida do povo, pois são os leigos os grandes protagonistas do trabalho cotidiano das comunidades, onde o padre não consegue estar presente no dia-a-dia.
Como é essa diocese encravada no coração da Amazônia?
Moro em Cucuí, um distrito de São Gabriel, na beira do Rio Negro, bem na fronteira entre o Brasil, a Colômbia e a Venezuela, acompanhando comunidades indígenas espalhadas pelos rios Negro e Xié. A maioria do povo pertence às etnias baré e werekena.
Navegar pelos rios ajuda a descobrir a grandiosidade da Amazônia e de uma floresta preservada excepcionalmente ao longo dos séculos. Tradicionalmente, os povos indígenas da região foram mestres em preservação ambiental, o que atualmente está em perigo. A ameaça das mineradoras está chegando. O atual prefeito de São Gabriel da Cachoeira foi eleito em base em promessas de que a chegada de mineradoras que iria trazer trabalho para o povo, o que se torna uma grave preocupação, pois nada pior poderia acontecer do que isso.
E a Igreja, diante dessa realidade?
Como Igreja somos desafiados a dar respostas mais firmes contra essas situações, a nos pronunciarmos e deixar claro que existem realidades que não podemos aceitar como cristãos. Muitas vezes a gente sente que existe certo medo na Igreja local a adotar uma postura firme, a falar alto e claro. A Igreja deve ser voz de um povo tradicionalmente oprimido e dominado por pequenos grupos de poder. Preocupar-se mais com o que acontece fora da sacristia.
O que são suas “itinerâncias”?
Um dos grandes desafios é nos fazermos presentes nas comunidades do interior. Visitando esse povo, uma das queixas é a pouca presença dos padres no meio deles. Se aparece pouco e quando a gente vai é com muita pressa, o que é totalmente contrário ao jeito de entender a vida desses povos indígenas. O povo se empenha em acolher e muitas vezes não valorizamos esse esforço, conformamo-nos com sacramentos celebrados às carreiras, enquanto o povo procura conversa, ser escutado, partilhar a vida.
Outro dos grandes desafios é a formação. Acabei de voltar de uma visita de doze dias nas comunidades do Rio Xié, onde a gente fez um encontro de formação de catequistas. Há cinco anos não acontecia um encontro desses.
Como é sua vivência na Igreja hoje?
É triste, mas é preciso constatar que o espírito capitalista tem invadido nossa Igreja. Parece que só interessam os números, e não as pessoas. Gastamos muito em estruturas e pouco naquilo que muda a vida das pessoas. No nosso caso aqui: parece que é muito mais grave deixar o povo da catedral um domingo sem missa do que deixar as comunidades do interior abandonadas durante dois anos.
E o Brasil?
Vivemos numa sociedade onde cada vez mais se privilegiam os que integram os grupos de poder. A desigualdade é cada vez maior e estamos voltando a situações que provocam angústia nos mais pobres, que aos poucos estão tendo que se preocupar em como dar um prato de comida para seus filhos no dia seguinte. Escuto o governo falar que a crise está sendo superada e me pergunto: eles pensam que ainda tem gente que acredita em suas mentiras?
Diante desta situação me questiona a passividade do povo, que não reage diante de tamanhas injustiças que sofre cada dia. Tem-se instaurado um sentimento de “não tem outro jeito” cada vez mais preocupante.
A Igreja brasileira tem tido uma posição mais firme nos últimos tempos…
Sim, tenho me surpreendido muito positivamente com a firmeza do episcopado brasileiro diante desta situação. Os pronunciamentos têm sido firmes e deixam claro de que lado a Igreja está, sobretudo a Presidência da CNBB, o que tem incomodado, e muito, ao governo. Posso dizer que a Igreja do Brasil tem voltado aos tempos pós-concilares, com bispos profetas, que despertam gratas recordações em muitos de nós. Mas ao mesmo tempo não podemos esquecer que no Brasil também há grupos de católicos totalmente contrários a esse espírito manifestado pelos bispos.
Uma coisa é que noto, desde que cheguei no Brasil, um renascimento, talvez com outras características, do jeito de ser Igreja que vive nas comunidades eclesiais de base. Acho que esse jeito, em que se une fé e vida, está tomando corpo de novo no Brasil, segmentos expressivos do episcopado vão reconhecendo que tantas críticas contra esse modo de viver o cristianismo eram injustas.
É esse o norte do Papa Francisco, não?
O Papa Francisco nos mostra o que significa viver desde a confiança em Deus e seu projeto, um Deus que se faz gente e caminha no meio do povo, que não tem medo de enfrentar os poderosos e ser voz dos pobres e oprimidos, com quem se identifica até no modo de viver. Isso incomoda dentro e fora da Igreja. Na Igreja  estão os verdadeiros inimigos de Francisco, gente que se aproveitou e aproveita da estrutura para ter vida boa enquanto ignora o sofrimento dos pobres.
Você é padre e jornalista. E revelou-se um fotógrafo dos bons. Como é esse jeito de unir sacerdócio e jornalismo?
Como Igreja somos chamados a dar a conhecer aquilo que a gente do povo  vive. Uma vez escutei uma afirmação que me marcou: aquilo que não é conhecido não existe. Como comunicador penso que minha missão é mostrar ao mundo a realidade dos povos, das pessoas com quem convivo e da natureza maravilhosa que nos cerca. Escrever e fotografar é um jeito de evangelizar, de ajudar as pessoas a refletir sobre situações muitas vezes desconhecidas.
Tiro fotos dos lugares por onde vou. Na Amazônia, acho que isso ajuda a mostrar como os povos indígenas têm preservado e cuidado da Casa Comum. É uma forma de assumir as propostas e o espírito da Laudato Si e de promover a conversão ecológica. Na era da imagem, essas fotos ajudam as pessoas a se encontrarem com o Deus Criador e a agradecer porque existem pessoas, os povos indígenas, que pensam no cuidado como atitude vital.

Caminho para casa
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'Guerras e mudanças climáticas não são uma doença incurável'

domtotal.com
O papa destaca que 'reduzir é fácil, compartilhar, ao contrário, implica uma conversão, e isto é exigente'.
'Frente ao aumento da demanda de alimentos, é preciso que os frutos da terra estejam à disposição de todos'.
'Frente ao aumento da demanda de alimentos, é preciso que os frutos da terra estejam à disposição de todos'. (AFP)
Por Iacopo Scaramuzzi

“É claro que as guerras e as mudanças climáticas provocam a fome, então, evitemos apresentá-la como uma doença incurável”. O papa Francisco visitou a sede da FAO (Food and Agriculture Organization da ONU) e, em um longo discurso em espanhol, solicitou uma melhor distribuição de alimentos no mundo, destacando que “reduzir é fácil, compartilhar, ao contrário, implica uma conversão, e isto é exigente”. Uma alfinetada implícita do papa em Donald Trump, a respeito do acordo do clima de Paris, do qual, “infelizmente, alguns estão se distanciando”, e uma exortação a “boa vontade e diálogo para frear os conflitos e um compromisso total em favor de um desarmamento gradual e sistemático”. Um forte chamado a favor das pessoas que migram fugindo da fome: “Não poderão ser detidas por barreiras físicas, econômicas, legislativas, ideológicas”, disse Francisco, que pediu à diplomacia não “entrincheirar-se por trás de sofismas linguísticos que não honram a diplomacia, reduzindo-a de “arte do possível” a um exercício estéril para justificar os egoísmos e a inatividade”.

Apoiando o pacto mundial promovido pela ONU para uma migração segura, regular e ordenada, o papa concedeu à sede romana da FAO uma estátua do pequeno refugiado síria Aylan, que morreu em uma praia sem poder concluir sua viagem à Europa. “Seria exagerado – perguntou-se – introduzir na linguagem da cooperação internacional a categoria do amor, conjugada como gratuidade, igualdade de tratamento, solidariedade, cultura do dom, fraternidade, misericórdia?”.

“É claro que as guerras e as mudanças climáticas provocam a fome, então, evitemos apresentá-la como uma doença incurável”, disse Francisco, acusando as “especulações” sobre os recursos alimentares, que “favorecem os conflitos e o esbanjamento” e fazem com que aumente “o número dos últimos da terra que buscam um futuro distante de seus territórios de origem. Diante desta situação podemos e devemos mudar o rumo. Frente ao aumento da demanda de alimentos, é preciso que os frutos da terra estejam à disposição de todos. Para alguns, bastaria diminuir o número de bocas a ser alimentadas e, desta maneira, se resolveria o problema; mas esta é uma falsa solução, caso se considere o nível de desperdício de comida e os modelos de consumo que dissipam tantos recursos. Reduzir é fácil, compartilhar, ao contrário, implica uma conversão, e isto é exigente”.

Após ter mencionado a decisão de se criar a FAO, no dia 16 de outubro de 1945, o papa afirmou que é necessário renovar, na atualidade, esse compromisso que lhe conferiu o nascimento, porque “a realidade atual reivindica uma maior responsabilidade em todos os níveis, não só para garantir a produção necessária ou a equitativa distribuição dos frutos da terra - isto deveria se dar por certo -, mas sobretudo para garantir o direito de todo ser humano a se alimentar segundo suas próprias necessidades, fazendo parte, além disso, das decisões que o afetam e da realização das próprias aspirações, sem ter que se separar de seus próximos queridos”. E mesmo que agora a cooperação esteja “cada vez mais condicionada a compromissos parciais, chegando-se inclusive a limitar as ajudas nas emergências”, é muito urgente “encontrar novos caminhos para transformar as possibilidades de que dispomos em uma garantia que permita a cada pessoa encarar o futuro com fundada confiança, e não só com alguma ilusão”.

Assim, o cenário “das relações internacionais manifesta uma crescente capacidade de dar respostas às expectativas da família humana, também com a contribuição da ciência e da técnica, que, estudando os problemas, propõem soluções adequadas. No entanto, estas novas conquistas não conseguem eliminar a exclusão de grande parte da população mundial: quantas são as vítimas da desnutrição, das guerras, das mudanças climáticas? Quantos carecem de trabalho ou dos bens básicos e se veem obrigados a deixar sua terra, expondo-se a muitas e terríveis formas de exploração?”.

“A relação entre a fome e as migrações – afirmou duramente o papa – só pode ser enfrentada se vamos à raiz do problema. A este respeito, os estudos realizados pelas Nações Unidas, como tantos outros realizados por Organizações da sociedade civil, concordam em que são dois os principais obstáculos que é preciso superar: os conflitos e as mudanças climáticas”.

“Como é possível superar os conflitos?”, perguntou Francisco. Antes de tudo, referiu-se, por exemplo, a “populações martirizadas por guerras que já duram dezenas de anos e que poderiam ter sido evitadas ou ao menos detidas. No entanto, propagam efeitos tão desastrosos e cruéis como a insegurança alimentar e o deslocamento forçado de pessoas. Necessita-se – indicou Jorge Mario Bergoglio – boa vontade e diálogo para frear os conflitos e um compromisso total em favor de um desarmamento gradual e sistemático, previsto pela Carta das Nações Unidas, assim como para remediar a funesta praga do tráfico de armas. O que adianta denunciar que por causa dos conflitos milhões de pessoas são vítimas da fome e da desnutrição, se não se atua eficazmente em prol da paz e do desarmamento?”.

Em relação às mudanças climáticas, afirmou o papa, “vemos suas consequências todos os dias. Graças aos conhecimentos científicos, sabemos como os problemas devem ser enfrentados; e a comunidade internacional também foi elaborando os instrumentos jurídicos necessários, como, por exemplo, o Acordo de Paris, do qual, infelizmente, alguns estão se distanciando”, disse o papa se referindo evidentemente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “No entanto, reaparece a negligência para com os delicados equilíbrios dos ecossistemas, a presunção de manipular e controlar os recursos limitados do planeta, a avidez do lucro. Portanto, é necessário se esforçar em favor de um consenso concreto e prático, caso se deseje evitar os efeitos mais trágicos, que continuarão recaindo sobre as pessoas mais pobres e indefesas. Somos chamados a propor uma mudança nos estilos de vida, no uso dos recursos, nos critérios de produção, até no consumo, que em relação aos alimentos apresenta um aumento das perdas e o desperdício. Não podemos nos conformar em dizer que ‘alguém irá agir’”.

“Por isso - continuou -, faço a mim mesmo, e também a vocês, uma pergunta: Seria exagerado introduzir na linguagem da cooperação internacional a categoria do amor, conjugada como gratuidade, igualdade de tratamento, solidariedade, cultura do dom, fraternidade, misericórdia? Estas palavras expressam, efetivamente, o conteúdo prático do termo ‘humanitário’, tão utilizado na atividade internacional. Amar aos irmãos, tomando a iniciativa, sem esperar ser correspondidos, é o princípio evangélico que também encontra expressão em muitas culturas e religiões, convertendo-se em princípio de humanidade na linguagem das relações internacionais. É imperativo que a diplomacia e as instituições multilaterais alimentem e organizem esta capacidade de amar, porque é a via mestre para garantir não só a segurança alimentar, mas também a segurança humana em seu aspecto global. Não podemos atuar só se os demais atuam, nem nos limitar a ter piedade, porque a piedade se limita às ajudas de emergência, ao passo que o amor inspira a justiça e é essencial para realizar uma ordem social justa entre realidades distintas que aspiram o encontro recíproco. Amar significa contribuir para que cada país aumente a produção e chegue a uma autossuficiência alimentar. Amar se traduz em pensar em novos modelos de desenvolvimento e de consumo, e em adotar políticas que não piorem a situação das populações menos avançadas ou sua dependência externa. Amar significa não continuar dividindo a família humana entre os que gozam do supérfluo e os que carecem do necessário”.

A comunidade internacional, explicou Francisco, tem consciência sobre o perigo das armas de destruição massiva, mas “somos igualmente conscientes dos efeitos da pobreza e da exclusão?”, perguntou. “Como deter as pessoas dispostas a arriscar tudo, a gerações inteiras que podem desaparecer porque carecem do pão cotidiano, ou são vítimas da violência ou das mudanças climáticas? Deslocam-se para onde veem uma luz ou percebem uma esperança de vida. Não poderão ser detidas – afirmou – por barreiras físicas, econômicas, legislativas, ideológicas. Só uma aplicação coerente do princípio de humanidade pode conseguir isso. Ao contrário, vemos que se diminui a ajuda pública ao desenvolvimento e se limita a atividade das Instituições multilaterais, ao passo que se recorre a acordos bilaterais que subordinam a cooperação ao cumprimento de agendas e alianças particulares ou, simplesmente, a uma momentânea tranquilidade. Pelo contrário, a gestão da mobilidade humana requer uma ação intergovernamental coordenada e sistemática, de acordo com as normas internacionais existentes e impregnada de amor e inteligência. Seu objetivo é um encontro de povos que enriqueça a todos e gere união e diálogo, não exclusão e vulnerabilidade”.

“Aqui – acrescentou com ênfase o pontífice –, permitam que eu me una ao debate sobre a vulnerabilidade, que causa divisão em nível internacional quando se fala de imigrantes. Vulnerável é o que está em situação de inferioridade e não pode se defender, não tem meios, ou seja, sofre uma exclusão. E está obrigado isso pela violência, pelas situações naturais ou, ainda pior, pela indiferença, a intolerância e inclusive pelo ódio. Diante desta situação, é justo identificar as causas para atuar com a competência necessária. Contudo, não é aceitável que para evitar o compromisso, se busque entrincheirar por trás de sofismas linguísticos que não honram a diplomacia, reduzindo-a de “arte do possível” a um exercício estéril para justificar os egoísmos e a inatividade. O desejável é que tudo isto seja levado em conta no momento de se elaborar o ‘Pacto mundial para uma migração segura, regular e ordenada’, que atualmente está sendo realizado no seio das Nações Unidas.

“Ouçamos o grito de tantos irmãos nossos marginalizados e excluídos: ‘Tenho fome, sou estrangeiro, estou nu, doente, recluso em um campo de refugiados’”, disse o Papa. “É um pedido de justiça, não uma súplica ou um chamado de emergência. É necessário que em todos os níveis se dialogue de maneira ampla e sincera, para que sejam encontradas as melhores soluções e se amadureça uma nova relação entre os diversos atores do cenário internacional, caracterizada pela responsabilidade recíproca, a solidariedade e a comunhão. O jugo da miséria gerado pelos deslocamentos muitas vezes trágicos dos emigrantes pode ser eliminado mediante uma prevenção consistente em projetos de desenvolvimento que criem trabalho e capacidade de resposta às crises ambientais. É verdade, a prevenção custa muito menos que os efeitos provocados pela degradação das terras ou a contaminação das águas, flagelos que açoitam as principais regiões do planeta, onde a pobreza é a única lei, as doenças aumentam e a expectativa de vida diminui”.

O papa concluiu expressando seu desejo (que gerou uma aclamação entre os que escutavam seu discurso) de que “cada um descubra, no silêncio da própria fé ou das próprias convicções, as motivações, os princípios e as contribuições para infundir na FAO, e nas demais Instituições intergovernamentais, o valor de melhorar e trabalhar incansavelmente pelo bem da família humana”.

O papa havia visitado a FAO em 2014. Agora, retornou para participar do Dia Mundial da Alimentação, dedicado nesta ocasião ao tema: Mudar o futuro da migração. Investir em segurança alimentar e no desenvolvimento rural. Francisco chegou pouco antes das 9h, foi recebido pelo diretor geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, e voltou ao Vaticano às 10h15. Jorge Mario Bergoglio concedeu à sede romana da FAO uma escultura de mármore, do artista italiano Luigi Prevedel, que retrata Aylan, o pequeno refugiado sírio que se afogou na praia de Bodrum, na Turquia, em outubro de 2015, imagem símbolo da tragédia das migrações.


Vatican Insider, 16-10-2017.
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D. Esmeraldo: "Alegria dos missionários brasileiros é notável"

2017-10-17 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - Dom Esmeraldo Barreto de Farias, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB e Padre Maurício da Silva Jardim, Diretor nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM), encerram quarta-feira (18/10) sua visita a Moçambique.

A visita se realiza no âmbito de uma parceria com a Conferência Episcopal de Moçambique, no sentido de ajudar com o envio de material e pessoas para a formação para a missão e a iniciação à vida cristã.

Os representantes da CNBB e das POM se reuniram com os missionários brasileiros (leigos/as, religiosos/as e padres diocesanos) da Diocese de Pemba e da Arquidiocese de Nampula.

O contexto social de Moçambique é um grande campo de trabalho para os missionários. Entre as dificuldades enfrentadas na missão, estão a exploração em minas de ouro, rubis, grafite, mármore e a realidade das injustiças sociais, especialmente ligadas à desvalorização da mulher, ao descaso na saúde e na educação e a falta de saneamento básico e acesso à água.

Em entrevista à RV, Dom Esmeraldo destaca os sinais de esperança e alegria na missão, agradece Dom Luiz Fernando Lisboa e Dom Inácio Saúre e fala sobre os encontros, as escutas e as visitas a seminaristas e comunidades:

 Ouça aqui a entrevista na íntegra:

“Foi um momento muito importante de escuta do trabalho que aqui realizam,  do significado de sua presença e ao mesmo tempo, das realidades  em que vivem e dos desafios que encontram.

Tivemos também a oportunidade de visitar seminaristas e algumas comunidades. A alegria dos missionários que vieram do Brasil é notável. Agradecemos muito a Deus pela disponibilidade de cada um destes missionários e missionárias que aqui se colocam a serviço do Evangelho, proclamando sempre a presença de Jesus Cristo que nos ama e que nos convida a construir o Reino de Deus.

Queria ainda destacar a alegria do povo, que no meio de todas as dificuldades e sofrimentos, sempre manifesta alegria: no olhar, nos cantos, danças e como rezam.

Os missionários e missionárias brasileiras que aqui se encontram não só acolhem, mas vão mostrando aos jovens a importância de descobrirem o chamado de Deus para o ingresso no Seminário e também o trabalho de formadores de comunidades com os ministérios e outros serviços, no sentido que cada pessoa possa descobrir que a partir do batismo,  é chamada a ser discípula e missionária de Jesus Cristo”.
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Pe. Geovane Saraiva

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