sábado, 1 de setembro de 2018

Pintura: Casa de Formação Santo Afonso

Casa de Formação Santo Afonso, com nova pintura, após quase cinco anos da inauguração (30/10/2013). Arrojado e inigualável projeto, motivo de orgulho de todos nós, paroquianos, do arquiteto Aurério Simões.
Fotos: Padre Geovane Saraiva - 1º de agosto de 2018.
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, casa, céu e atividades ao ar livre
A imagem pode conter: casa, céu, nuvem e atividades ao ar livre
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, casa e atividades ao ar livre
A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, casa, céu e atividades ao ar livre
A imagem pode conter: carro e atividades ao ar livre

sábado, 25 de agosto de 2018

Pe. Geovane Saraiva na Revista digital mais completa do Brasil

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, em pé, montanha, grama, atividades ao ar livre e natureza
A imagem pode conter: 1 pessoa, sentado, mesa e área interna
ttp://www.domtotal.com/noticia/1123654/2017/02/dom-helder-nasceu-ha-108-anos/





sábado, 18 de agosto de 2018

Deus, alimento e remédio

Padre Geovane Saraiva*

No capítulo 6 do Evangelho de São João, já no seu início, vemos o milagre da multiplicação dos pães. Em seguida, na continuação do texto, logo é indicada a revelação do verdadeiro sentido dos sinais divinos do Filho de Deus, contemplando-o como o pão vivo descido do céu e que dá vida ao mundo.

Sempre na minha vida de sacerdote, agora rendendo graças ao bom Deus pelos 30 anos (14/08/2018), guardei o inquestionável sentido metafórico do bom pelicano do deserto, jamais me esquecendo do belíssimo comentário de São Jerônimo: “Sou como um pelicano do deserto, aquele pássaro bom que fustiga o peito e alimenta com o próprio sangue os seus filhotes”.

Quanta simbologia, manifestada na radical obediência e entrega do Filho de Deus! Essa obediência nos convida, com Ele, a nos configurar, deixando claro que temos de abraçar o indizível mistério, evidentemente numa atitude totalmente solidária, deixando-nos conduzir pelo Espírito de Deus, a apontar o caminho da glória.

Deus nos convida a sermos instrumentos do seu projeto de amor, nunca virando as costas aos que o procuram, cumulando-os das graças necessárias para a caminhada do dia a dia, quando se experimenta a doçura da Eucaristia. É Deus sempre conosco, atraindo-nos com infinita misericórdia, a ponto de propiciar-nos acolhida e convívio, sobretudo convencendo-nos do futuro, que será na plenitude eterna.

Com o fogo do amor de Deus, no alimento eucarístico, é possível perceber os sinais do Reino de Deus já aqui na terra, no seguimento de Jesus de Nazaré, contudo em um desejo ardoroso de colocar lenha na fogueira desse mesmo amor, para que o fogo, aceso por Cristo, possa arder sempre e cada vez mais no nosso mundo.

Jesus faz-se alimento no deserto da vida humana; ele é o enviado do Pai, comprometido com o alimento dos seus irmãos em peregrinação, dando-lhes força para superar todos os percalços, inerentes à vida e à missão. Ensina-nos que a verdadeira solidariedade se ratifica somente quando não se espera nada em troca, ou seja, na certeza de que a recompensa vem de Deus, no alimento capaz de nos tornar incansáveis, além de nos vivificar e nos fortalecer diante dos desafios da vida. Amém!

*Padre, Jornalista, Colunista e Pároco de Santo Afonso, Parquelândia, Fortaleza-CE. Da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza geovanesaraiva@gmail.com

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Imagens comprovam: Maria também foi uma mãe “normal”

VIRGIN

A Rainha dos Anjos também passou pelos mesmos perrengues que todas as mães enfrentam no dia a dia

Na celebração da Assunção de Maria de corpo e alma ao céu, lembramos que ela é a rainha dos anjos e santos.
Por causa disso e de toda a sua sagrada trajetória, fica difícil imaginá-la como uma mãe comum, que enfrenta dificuldades como qualquer outra na Terra. Mas ela foi uma mãe normal. As imagens abaixo provam isso. Confira! 
Clique em “Abrir a galeria de fotos” na imagem abaixo. 

Comitê da ONU determina que Brasil garanta Lula na eleição

URGENTE

Jornal GGN – O Comitê de Direitos Humanos da ONU acolheu nesta sexta (17) um pedido formulado pela defesa de Lula e determinou que o Estado Brasileiro tome as “medidas necessárias” para garantir a participação do ex-presidente na Eleição de 2018. “Diante dessa nova decisão, nenhum órgão poderá apresentar qualquer obstáculo para que Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado” em relação ao caso triplex, afirma a defesa.

A decisão reconhece a existência de violação ao art. 25 do Pacto de Direitos Civis da ONU e a ocorrência de danos irreparáveis a Lula na tentativa de impedi-lo de concorrer nas eleições presidenciais ou de negar-lhe acesso irrestrito à imprensa ou a membros de sua coligação política durante a campanha.

Por meio do Decreto nº 6.949/2009 o Brasil incorporou ao ordenamento jurídico pátrio o Protocolo Facultativo que reconhece a jurisdição do Comitê de Direitos Humanos da ONU e a obrigatoriedade de suas decisões.

Diante dessa nova decisão, nenhum órgão do Estado Brasileiro poderá apresentar qualquer obstáculo para que o ex-Presidente Lula possa concorrer nas eleições presidenciais de 2018 até a existência de decisão transitada em julgado em um processo justo, assim como será necessário franquear a ele acesso irrestrito à imprensa e aos membros de sua coligação política durante a campanha.

FAÇA O QUE DIGO E FAÇA O QUE EU FAÇO

Carlos Delano Rebouças*
O dito popular não é bem o que aparece no tema, todos percebem, porém, “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” e “Faça o que digo e faça o que eu faço” podem ter muitas semelhanças na estrutura frasal, nos verbos usados, todavia, a troca das conjunções altera por completo o seu sentido e seus reflexos, bem menos que as razões que levam a sua reflexão.

Convivemos com pessoas, em sociedade, interagindo com o mundo, sob os mais diferentes interesses. Sempre traçando objetivos e estabelecendo metas para conquistá-los. Muita gente não analisa e reflete sobre as atitudes tomadas para chegar ao êxito de suas investidas, pecando muitas vezes na palavra, pondo em dúvida valores humanos, principalmente caráter e personalidade, tão importantes para qualquer pessoa.

Filhos são orientados pelos pais pelas mais variadas maneiras, corretas ou não, pelo ponto de vista social, o qual é enxergado como pertinente a uma perfeita formatação de uma imagem respeitada na sociedade. Interesses prevalecem, absolutamente, e vêm tornando-se um grande vilão na educação das crianças e adolescentes.

Ninguém quer assumir a responsabilidade sobre as consequências de uma educação mal desenvolvida. Cada vez mais o Estado, os pais ou responsáveis, a escola e a sociedade apresentam suas explicações nada justificáveis sobre os reflexos comportamentais, tidos como fracassos da criança e do jovem brasileiro. É muito mais fácil olhar para o lado e escolher o culpado.

Hoje, ensina-se roubar, enganar e como sair-se ileso, sem muito trabalho e esforço, de diversas situações. Vimos e vemos isso com bastante frequência nos diversos setores da vida e da sociedade. Tornou-se uma explícita apologia à falta de ética e respeito, e aos bons costumes.

Pais descaradamente ensinam e orientam seus filhos a adotar atitudes nada convencionais, injustas, fora de uma ética, que os distanciam do mais alto nível da dignidade humana. Compartilham seus interesses mundanos, absolutamente, estimulando ainda mais um comportamento interesseiro, distante de valores morais e humanos, que certamente irão prevalecer na formação de um caráter reprovável pela sociedade.

Antes, pensava-se assim, mesmo se tratando de um absurdo: “Penso e faço errado, mas não ensino e nem quero que meus filhos ajam da mesma forma que eu. Deus me livre!”.

A televisão todos os dias mostra posturas inadequadas e colabora no ensinamento de outras mais reprováveis. Personagens de novelas, representando pais, dão dicas de como se dar bem na vida de forma ilícita, e que é uma situação vantajosa; Políticos se divertem à custa da nação, com o dinheiro público, flagrados em discursos temperados, mas que visivelmente sabemos que são demagogos; líderes religiosos vendendo uma verdade que são somente suas, e que na prática, redunda em enriquecimento próprio, favorecendo aos mais próximos, e que se dane a massa ludibriada! O dom da oratória é a ferramenta usada e parece trazer excelentes resultados.

Vergonha de dizer como se deve fazer e agir, não se têm mais. Filhos, alunos, eleitores, cidadãos e sociedade já sabem bem disso; Escutam e veem, a todo instante, diversos exemplos. O espanto em relação à conduta humana e no processo de educação e formação humana ficou no passado. Hoje tudo é normal e querem que pareça natural.

Particularmente, pareço-me parado no tempo. Estagnado num pensamento, de uma época, em que se pregava a ética, valores, e que deveriam ter continuidade, pelas gerações; que somos responsáveis pela formação dos mais novos e pela transformação de todos, independentemente da idade, mas que prevaleçam a ordem, a verdade, a ética e a moral. 

 Torçamos, então, que esse pensamento de que “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” fique no passado, e que a camuflada “faça o que digo e faça o que eu faço” seja totalmente abolida da mentalidade humana, e que valores humanos sejam priorizados, a fim de que uma nova sociedade seja lapidada, sem velhos costumes.

*Professor de Língua Portuguesa e redação, conteudista, palestrante e facilitador de cursos e treinamentos, especialista em educação inclusiva e revisor de textos.

Amazónia: «Ainda hoje se repetem as histórias do início da colonização das Américas» – Padre Bruno Franguelli

Sacerdote jesuíta destaca desafio de lutar pela dignificação dos povos indígenas nesta região
Foto: Padre Bruno Franguelli

Lisboa, 16 ago 2018 (Ecclesia) – O padre jesuíta Bruno Franguelli, atualmente a trabalhar no Peru, diz que ser missionário na Amazónia implica “aceitar viver uma vida simples, anónimo e escondido”.

Em entrevista ao portal informativo Ponto SJ, da Companhia de Jesus, o sacerdote brasileiro realça desafios como o choque “cultural” e a luta pela dignificação dos povos indígenas, num território permanentemente cobiçado pela riqueza dos seus recursos naturais.

“A situação na Amazónia é muito complexa. Parece que ainda hoje se repetem as histórias do início da colonização das Américas”, aponta o jovem padre, aludindo a situações como a exploração dos povos indígenas, por parte das multinacionais estrangeiras.

Atualmente, são várias as “empresas mineiras” que se valem da “ingenuidade” de comunidades e famílias para conseguirem os seus intentos, ocupando indevidamente as terras das pessoas e explorando os seus territórios para a extração de metais preciosos e outros bens.

De acordo com o padre Bruno Franguelli, “tribos inteiras são obrigadas a migrar em busca de sobrevivência”.

“É preciso preparar os povos da Amazónia para resistirem e trabalharem para que os interesses de multinacionais, muitas vezes favorecidos pelos nossos países, não se sobreponham aos destes nossos irmãos, que durante séculos têm sofrido por apenas defenderem quem são e o que lhes pertence”, frisa o sacerdote.

Vir para este contexto, como missionário, implica antes de mais “uma boa preparação psicológica e uma motivação consistente que se enraíze gradualmente na missão”.

O padre jesuíta salienta ainda como  “indispensável que o missionário deseje aprender a língua nativa local para compreender desde dentro a cultura, o seu modo de pensar e os seus costumes”.

Sobre o trabalho de evangelização, este missionário destaca um ambiente marcado pela “disseminação de seitas evangélicas” e ainda muito vincado pela “superstição”, que favorece situações de “exploração” mas também de conflito.

“A forte superstição que existe entre os indígenas traz consequências gravíssimas na qual se acusam uns aos outros de bruxaria e famílias inteiras tornam-se vulneráveis diante das discórdias e guerras internas”, explica o mesmo responsável.

O padre Bruno Franguelli está no Peru desde 2013, e é atualmente  vice-reitor do Santuário Nacional de São José de Anchieta.

No âmbito do seu trabalho apostólico, foi também designado para a missão do colégio de alunos internos ‘Fé e Alegria’ de Yamakayentsa, onde serviu como professor de religião, e também como catequista, “mais de 200 adolescentes e jovens indígenas”.

Um trabalho feito em conjunto com o padre espanhol Carlos Riudavets, recentemente assassinado.

Foto: Padre Bruno Franguelli com o sacerdote 
Carlos Riudavets, assassinado há dias no Peru

“Quando lá cheguei, naturalmente tudo era uma grande novidade. O facto de morar dentro da Amazónia é muito atrativo num primeiro momento, mas depois, o dia a dia torna-se muito exigente, num quotidiano escondido e com poucos recursos. Neste sentido, eu admirava a persistência do padre Carlos”, conta o sacerdote brasileiro, que lamenta a tragédia que ensombrou a pequena comunidade jesuíta ali presente.

“Todos os dias, na pequena capela ao lado da nossa casa, celebrávamos a Eucaristia. Ali, num pequeno altar ornado segundo a cultura indígena, o padre Carlos erguia o cálice onde se derramava o sangue de Cristo. Mas nenhum de nós poderia imaginar, que depois de alguns anos, o  seu próprio sangue seria derramado naquele mesmo lugar”, realça Bruno Franguelli.

O jovem sacerdote jesuíta recorda a memória de  um homem simples, reto, firme em suas decisões e muito concentrado na sua missão”.

“Era diretor do colégio, mas era muito mais que isso. A ele recorriam os alunos quando estavam doentes ou precisavam de algum conselho. Não media esforços para se levantar até de madrugada para preparar algum remédio para um aluno doente. Além disso, era um homem pacífico, respeitado e querido por todos”, lembra o padre Bruno Franguelli.

O padre Carlos Montes Riudavets, de 73 anos, era missionário jesuíta no Peru desde 1969 e encontrava-se a viver na Amazónia há quase 40 anos.

De acordo com a Companhia de Jesus, o sacerdote foi encontrado morto no dia 10 de agosto, em “circunstâncias violentas”, um caso que está agora a ser investigado pelas autoridades.

JCP

Padre Renato: Santidade é o sentido maior do existir humano

Luz do sol nas montanhas
 Luz do sol nas montanhas 

Não obstante todas as nossas debilidades humanas, não desanimemos da possibilidade de construir um bonito projeto de santidade. Toda a vida é missão, diz o Papa.
Padre Renato dos Santos, SDB - Cidade do Vaticano

Com muita frequência nos perguntamos sobre o sentido da nossa existência neste mundo. Os grandes pensadores, a começar por Aristóteles, fizeram e fazem esta pergunta essencial: “Por que existimos?” O por quê?  nos remete, consequentemente, a um para que? Se formos coerentes, devemos nos perguntar, também: Para que existimos? Destas indagações, importantes e oportunas, nasceram reflexões belíssimas sobre o sentido do existir humano. Certamente, se Deus nos deu o dom de existir, devemos existir para alguma finalidade...

Todavia, numa dimensão cristã, não serão somente os nossos recursos culturais, adquiridos com anos de estudos, bebidos nas grandes universidades, que nos darão o entendimento maior do sentido e da finalidade da nossa existência neste mundo.

Ouça a meditação
São Paulo, que na Carta aos Efésios nos diz que por revelação recebeu o conhecimento dos mistérios, afirma categoricamente que o Espírito Santo revela aos santos apóstolos e profetas o que antes não fora manifestado aos filhos dos homens. Paulo quer nos dizer que é possível, sim, com o auxílio do Espírito Santo, “compreender perfeitamente qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade” do o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus! (Efésios 3,18-21)
Como consequência deste raciocínio, podemos até afirmar que só cresceremos na santidade se formos capazes de entender o amor de Cristo que age em nós pela ação do Espírito Santo. Este conhecimento, este aprendizado, certamente, não o obteremos nos bancos escolares.
Santo Agostinho, grande filósofo e teólogo, talvez ancorado na Carta aos Colossenses, tentando responder a estas indagações, diz que “tudo o que existe deve sua existência ao Deus criador”. (Cf. Santo Agostinho, De genesi contra Manichaeos, 1, 2, 4: PL 36, 175) Portanto, se recebemos o dom da vida, é para corresponder à vocação para a qual fomos chamados. Aqui, desponta como luz o grande chamado à santidade: "Sede santos, assim como vosso Pai celeste é santo". (Mt 5,48). Santidade será, sem sombra de dúvidas, a medida alta do nosso existir.
Lemos na Exortação: “O desígnio do Pai é Cristo, e nós n’Ele. Em última análise, é Cristo que ama em nós, porque a santidade «mais não é do que a caridade plenamente vivida».Por conseguinte, «a medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, desde quando, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a Sua». Assim, cada santo é uma mensagem que o Espírito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e dá ao seu povo”. (GE 21)
“ Santidade não é um “momento” na vida, mas, toda a vida... ”

É muito significativo entender que santidade não é um momento na vida de uma pessoa, mas, toda a vida da pessoa, ainda que tenha tido fraquezas, erros, quedas, decepções, momentos de deserto, etc. Isso deve nos encorajar ainda mais a não desanimar no caminho de santidade, que se constrói na totalidade da nossa existência. Jamais esquecer que santidade é construção. Deus, mesmo, fala através da vida de um(a) santo(a).
Sobre isso, diz-nos o Papa na Exortação: “Para identificar qual seja essa palavra que o Senhor quer dizer através dum santo, não convém deter-se nos detalhes, porque nisso também pode haver erros e quedas. Nem tudo o que um santo diz é plenamente fiel ao Evangelho, nem tudo o que faz é autêntico ou perfeito. O que devemos contemplar é o conjunto da sua vida, o seu caminho inteiro de santificação, aquela figura que reflete algo de Jesus Cristo e que sobressai quando se consegue compor o sentido da totalidade da sua pessoa”. (GE 22)
Portanto, não obstante todas as nossas debilidades humanas, não desanimemos da possibilidade de construir um bonito projeto de santidade. Toda a vida é missão, diz o Papa. E, Deus, continua sinalando coisas importantes para todos nós... Basta que O escutemos...
Afirma o Pontífice na Exortação: “Tenta fazê-lo, escutando a Deus na oração e identificando os sinais que Ele te dá. Pede sempre, ao Espírito Santo, o que espera Jesus de ti em cada momento da tua vida e em cada opção que tenhas de tomar, para discernir o lugar que isso ocupa na tua missão. E permite-Lhe plasmar em ti aquele mistério pessoal que possa refletir Jesus Cristo no mundo de hoje. (GE 23)

O mais sagrado na possibilidade de construir santidade é, decididamente, não voltar atrás.
Para refletir:
1.     Somos agradecidos a Deus pelo dom da nossa existência?
2.     Temos deixado espaço para Deus construir em nós o seu projeto de amor?

Na próxima semana continuaremos a reflexão sobre a Exortação Apostólica Gaudete et Exultate.

Juventude(s) com fé; com religião, talvez

domtotal.com
A busca religiosa por parte dos jovens advém de uma necessidade de cultivo particular, não necessariamente de uma necessidade de pertença religiosa.
A estética religiosa está sendo ressignificada, adaptada aos novos contextos e os novos contornos que a fé vai ganhando na pós-modernidade.
A estética religiosa está sendo ressignificada, adaptada aos novos contextos e os novos contornos que a fé vai ganhando na pós-modernidade. (Reprodução/ D&G)
Por Gustavo Ribeiro*

Não há momento histórico anterior a este que tenha experimentado maior gama de opções de experiências religiosas como assistimos acontecer agora. Nunca existiu antes uma multiplicidade tão grande e em evidência de um “mercado religioso” como o que vivemos atualmente. Este mercado religioso é farto e produtivo, gerando capital e riquezas para um grupo seleto e cada vez mais pujante. É, por isso, muito interessante notar que, justamente, em uma época em que se alcança o máximo da escolarização vista até hoje, no momento em que as pessoas mais frequentam as Universidades e Centros Acadêmicos, é que se encontra uma profunda “sede por espiritualidade”, sobretudo nos jovens; talvez não tanto por religião, mas, sim, por religiosidade.

Leia também:

Juventudes e sensibilidade religiosa
“Em tudo o que faço, procuro ser a presença de Cristo”
“Só posso rezar ao que desconheço”
É justamente porque a intriga colocada entre fé e razão pela modernidade não prosperou, como se esperava e como conceituavam os pensadores modernos, que é tão evidente a necessidade atual da busca religiosa. O término do “século breve” e a derrocada das “grandes narrativas”, deram lugar, por sua vez, às micronarrativas, à possibilidade de uma “escrita” individual, surgida, sobretudo, de uma subjetividade cada vez mais alimentada pelo mercado capitalista, que se motiva e cresce a partir da oferta do consumo de experiências, estilos de vida, ao invés de meramente a venda de produtos materiais. Claro, o referencial é a materialidade, mas não o que ela enseja de forma concreta, e sim o que inspira através da forma, o que leva ao deleite de uma experiência prazerosa e não puramente utilitarista.

Os jovens são o público no qual estas mudanças são mais evidentes, porque já nasceram neste “novo mundo”, imersos nas realidades pós-analógicas (não totalmente virtuais); e mesmo que tenham herdado, de alguma maneira, centelhas de uma consciência do século XX, advindas de seus pais, parentes e professores, não possuem a experiência necessária para que se ancorem no pensamento e no modus vivendi do século passado. Estão na corda bamba que a pós-modernidade nos depositou, equilibrando-se entre o novo e novo-ainda-em-construção, nesse devir perene sempre com ares futuros, não na posteridade, porém já agora.

Ao se indagar sobre a situação da fé no contexto atual, é preciso considerar uma infinidade de movimentos simultâneos que estão em atuação em nossa sociedade. A complexidade tamanha que se configura como normalidade nos cenários sociais é a mesma que complexifica os cenários religiosos. A liquidez destes novos tempos levou, por exemplo, apenas para citar posturas de lideranças religiosas, os bispos católicos do Brasil a afirmarem que “vivemos uma época de transformações profundas. Não se trata apenas de uma ‘época de mudanças’ mas uma ‘mudança de época’” (Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019, n. 19).

A pós-modernidade não se consolidou tal como em épocas anteriores. Não estabeleceu um status quo nem nivelou as diversas realidades que a compõe, porque é justamente esta uma de suas características modulares. A pós-modernidade é a conjunção de diversas confluências, que não se resumem, que não se anulam e muito menos se desintegram; pelo contrário, elas se fundem e produzem ainda mais diversidade de pensamentos, posturas, gostos e opções, gerando sempre novas perspectivas de mudanças e dando fluidez aos processos, às relações, às buscas, sobretudo à busca existencial dos indivíduos. Vive-se ainda sob a égide da permanente construção, erigida sobre os “escombros” da modernidade, porque nada está concretamente estabelecido, dando a sensação, às vezes, de se estar sempre andando sobre uma linha tênue. As mudanças são constantes e repentinas. O movimento é o princípio nodal da sociedade pós-moderna.

Se analisamos os dados do Censo do IBGE de 2010, encontramos algumas pistas de onde tem caminhado o interesse da juventude brasileira no que tange os conceitos/as compreensões de fé e religião. Os índices apontam um crescimento da população evangélica, que chegou à 22,2%, dos quais 9,2 milhões são jovens que se identificam como “evangélicos não determinados”, ou seja, que a experiência pentecostal lhes motiva, mas não há uma denominação específica que lhes garanta uma pertença fixa, havendo a possibilidade de transito entre uma igreja e outra, dependendo dos interesses e do que é oferecido em cada uma delas em contextos específicos. Os jovens Católicos, de 15 a 24 anos, continuam sendo maioria, embora tenham sofrido decréscimo nos últimos anos, assim como toda a denominação católica, se somada todas as faixas etárias. Mas o índice que mais cresceu é o dos jovens “sem religião”, que somam 8,0%, que no senso de 1991 eram 7,4%. Os jovens sem religião cresceram mais que os jovens que se denominam evangélicos pentecostais, mais até que os já citados “evangélicos não determinados”.

O que se percebe é que a busca religiosa por parte dos jovens advém de uma necessidade de cultivo particular, não necessariamente de uma necessidade de pertença religiosa. Por isso, a não necessidade de um espaço/lugar ou de um culto específico para uma prática religiosa propriamente, porque a associação da fé com a religião já não é automática, uma vez que os jovens se sentem portadores da possibilidade de acesso ao sagrado, ou seja, não precisam de mediadores para o cultivo da fé.

Um processo lento, mas perceptível de desinstitucionalização e, também, o acesso a conteúdo religioso através das mídias sociais torna a prática religiosa mais flexível e ligada sobretudo a experiências pontuais e/ou momentâneas. E nessa flexibilização a associação de práticas religiosas distintas que somadas dão forma a um modo muito particular de cultivo da fé, que parte da experiência e não da “racionalização”/institucionalização do contato com o sagrado. A socióloga francesa Danièle Hervieu-Léger chamou este fenômeno de “bricolagem”, porque “a crença não desaparece, ela se desdobra e se diversifica, ao mesmo tempo em que rompem, com maior ou menor profundidade, de acordo com cada país, os dispositivos de se enquadramento institucional”[1].

Se cresceu entre os jovens a identificação com a fé, por outro lado diminuiu a procura pela religião, mas não se abandonou a religiosidade. A estética religiosa está sendo ressignificada, adaptada aos novos contextos e os novos contornos que a fé vai ganhando na pós-modernidade; basta observar a coleção “DG Millennials” da grife italiana Dolce&Gabbana, por exemplo, que usa e abusa de imagens sacras e de elementos litúrgicos da Igreja Católica e que geraram inúmeras referências para o mercado da moda, que se desdobra até as lojas de departamento, maior foco do consumo da maioria da população jovem.

Essa flexibilização da vivência da fé para além dos espaços formais de culto não indica, porém, que não haja momentos de participação, às vezes até contínua. Mas a questão não é a presença e sim a identificação. Permanecer por um tempo não significa pertencer, mas estar para experimentar. Possibilitando estar aqui, ali e lá de acordo com a necessidade e com a experiência que é fornecida naquele momento e em como se está subjetiva e afetivamente naquele momento. O apelo às sensações e aos sentimentos são o grande mote da experiência religiosa neste momento histórico. Não é uma deliberação racional, mas a necessidade de uma catarse emocional, para ajudar a lidar com as angústias e o vazio palpável desta época tão povoada, mas solitária. Ser jovem neste tempo é árduo. Ser é uma tarefa hercúlea.    

Os jovens são um questionamento permanente às Religiões, sobretudo às Igrejas Cristãs tradicionais - e entre elas a Igreja Católica-. Eles são o ponto de interrogação, uma vez que não apenas questionam de forma vazia a dogmática, a eclesiologia e a práxis cristã, mas questionam a partir de quem são e dos anseios que trazem. Os jovens já não olham para elas não como um dever, como no passado, quando se devia ser cristão, porque a moral cristã moldava as posturas; mas olham com uma procura, como busca de algo que lhes surge desde dentro, a partir de uma necessidade, de um desejo; e o desejo é excesso e não falta.

Como responde cada grupo religioso aos anseios e buscas dos jovens é o que determina a presença e a pertença deles, mas não por muito tempo se não dialogar e se adaptar de acordo com as transformações do mundo juvenil, que está sempre em movimento e não cessará, mas permanecerá interrogando.

[1] HERVIEU-LÉGER, Danièle. O Peregrino e o Convertido. A Religião em movimento. Petrópolis: Editora Vozes, 2015. p. 44.

*Gustavo Ribeiro – Mineiro de São Vicente de Minas, residente, por ora, em Belo Horizonte. É bacharel em Teologia pelo Instituto Santo Tomás de Aquino; pós-graduando em Gerenciamento de Projetos pela PUC Minas. Atua como coordenador de pastoral do Centro Franciscano de Defesa de Direitos e coordenador pedagógico da Rede Educafro Minas. E vive na tentativa de ser poeta, mas isto só quando sobra tempo, e quase nunca sobra.

Juventudes e sensibilidade religiosa

domtotal.com
A sede pelo infinito e o desejo de uma vida cheia de significados e de sentido são situações que as juventudes vivem.
Jovens saúdam papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia.
Jovens saúdam papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude em Cracóvia. (AP)
Por Felipe Magalhães Francisco*

As juventudes fazem parte importante do interesse das religiões. As religiões proselitistas, sobretudo, têm investido e pensado em estratégias para atrair jovens para suas fileiras. Há uma variedade de novas congregações cristãs, com uma dimensão mais jovial, para atrair justamente esse público. As igrejas cristãs mais tradicionais, se querem alcançar as juventudes, precisam entrar numa dinâmica criativa, pois como instituições, elas são apenas mais uma opção no variado leque de possibilidades disponíveis no mundo.

A participação e a pertença religiosas já não são mais pressupostas, por influências familiares. Já na adolescência, a busca por autonomia se mostra evidente e as opções religiosas são feitas, em geral, independentes das posições familiares. A juventude é justamente o momento em que o mundo se descortina como possibilidade: não uma possibilidade na qual os pais decidem quais caminhos os filhos devem trilhar, mas é ocasião em que o assumir a própria vida é uma exigência que faz parte do processo do amadurecimento pessoal.

A secularização não extinguiu a sensibilidade religiosa. Ao contrário, trouxe novas possibilidades de que as pessoas vivam a religiosidade de maneira mais autônoma e criativa. As instituições religiosas continuam a ter importância, mas, de modo geral, já não têm a mesma influência sobre a vida das pessoas. O desejo de autonomia do sujeito moderno alcançou, também na religião, seu lugar: o ser humano pós-moderno vive, criativamente, sua religiosidade, muitas vezes, aquém da religião instituída. As juventudes, sobretudo, experimentam esse novo modo de viver a dimensão religiosa, muitas vezes até sem Deus, mas não menos interessada no mergulho profundo com o próprio interior e na descoberta de novas possibilidade de ser.

Trazendo um olhar mais analítico para o contexto em que vivemos, Gustavo Ribeiro propõe o artigo Juventude(s) com fé; com religião, talvez. No texto, o autor propõe um olhar sobre a realidade atual, que oferece uma surpreendente gama de opções de experiências religiosas. Nascidas nesse “novo mundo” pós-moderno, as juventudes são as que mais revelam essa variedade de experiências e expressões religiosas, muitas vezes de modo desinstitucionalizado, ao mesmo tempo em que são um extrato social que questionam, permanentemente, as religiões, sobretudo as majoritárias, em suas estruturas e dogmas. Pertencer ou não a essas tradições religiosas diz muito mais das respostas que elas são capazes de oferecer às juventudes, que uma questão de escolha ou fé, simplesmente.

A sede pelo infinito e o desejo de uma vida cheia de significados e de sentido são situações que as juventudes vivem, e que as religiões podem contribuir com uma oferta responsável. Uma coisa a ser levada em conta é que os jovens buscam construir, ativamente, a própria vida, e nenhuma instituição, tampouco as religiosas, podem se assumir no direito de assumir esse papel. As religiões têm uma proposta a ser oferecida e essa proposta precisa fazer sentido aos apelos mais profundos das juventudes, sem a tentação de alienar o justo direito de que trilhem os próprios caminhos.

Também as religiões têm muito a aprender com as juventudes e essa é uma coisa que não se deve desconsiderar. O mundo não está acabado e as juventudes são expressão dessa construção do mundo e da história. Nessa perspectiva, entrevistamos duas jovens, a respeito de suas sensibilidades religiosas e que nos apontam, de certo modo, o contexto sociocultural no qual estamos inseridos, no contexto da temática juventudes e sensibilidade religiosa em nossa contemporaneidade. Numa perspectiva inside, isto é, desde um olhar de quem está integrada a uma tradição religiosa, entrevistamos Elisa Kemmer: “Em tudo o que faço, procuro ser a presença de Cristo”. A segunda entrevista, agora na perspectiva outide, temos a conversa “Só posso rezar ao que desconheço”, feita com Diana Guerzoni.

Boa leitura!

*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com.

Irlanda dará boas-vindas a Francisco?

domtotal.com
Após enfrentar a crise da igreja chilena, o papa visita o país que rendeu muita dor de cabeça a seu antecessor. Em fase de reestruturação, o catolicismo na Irlanda espera que Francisco seja um agente dessa retomada que, a duras penas, começa a acontecer.
Papa Francisco com o ex-primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny.
Papa Francisco com o ex-primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny. (Alessandra Tarantino/EPA)
Por Mirticeli Dias de Medeiros*

Papa Francisco se prepara para sua 24ª viagem internacional. A visita apostólica à Irlanda, que se realizará de 25 a 26 de agosto por ocasião do IX Encontro mundial das famílias, será bastante desafiadora. João Paulo II foi o último papa a aterrissar na ilha esmeralda em 1979 e, de lá para cá, muita coisa mudou. Em 1997, o divórcio passou a ser legal na Irlanda. Em 2015, a união civil entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada através de referendo. Este ano, o aborto foi descriminalizado com 66,4% de votos favoráveis. E, neste mês, o ministro da justiça, Charlie Flanagan, apresentou proposta para rever a lei contra a blasfêmia religiosa, algo que está intimamente ligado à tradição católica local. “É o curso natural das coisas”, alguém pode dizer. No entanto, tais aberturas surpreendem porque provêm de um país apontado como um dos mais conservadores do continente, em se tratando de catolicismo. Basta ver o histórico de resistências às mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II, por exemplo.

O que muitos desconsideram é que, nos últimos anos, o catolicismo na Irlanda quase entrou em colapso. Uma constatação fatídica feita Bento XVI em uma reunião privada. Não é para menos, afinal, foi justamente durante o pontificado de Ratzinger que a igreja irlandesa enfrentou uma das maiores crises da sua história. Em meados de 2009, quando vieram à tona milhares de casos de pedofilia e violência contra menores envolvendo sacerdotes e religiosos, Bento XVI escreveu uma carta apostólica à Igreja na Irlanda, cujo tom foi duríssimo. Nela, ele responsabiliza bispos omissos e alfineta os envolvidos:

“Traístes a confiança que os jovens inocentes e os seus pais tinham em vós. Por isto deveis responder diante de Deus onipotente, assim como diante de tribunais devidamente constituídos”, disse.

As medidas após a publicação desse documento foram radicais. Dada a proporção dos escândalos, foram enviados inspetores do Vaticano para todas as 26 dioceses da Irlanda, incluindo visitas a todos os seminários e a todas as congregações presentes no país. Nunca na história da igreja uma operação do tipo havia sido executada. Um dos enviados especiais do Vaticano à época foi o cardeal arcebispo de Boston (EUA), Seán Patrick O’Malley, atual responsável pela comissão vaticana de combate à pedofilia. Esta semana, ele divulgou que não participará do Encontro Mundial das famílias. Sem alegar os motivos oficialmente, tudo leva a crer que ele prefira ficar nos Estados Unidos para lidar com a crise que, atualmente, também atinge a igreja americana.

Na Irlanda, Papa Francisco se deparará com uma igreja que tenta se reerguer após os escândalos. Não será nada fácil, uma vez que ele irá ao encontro de um povo que não dá à instituição a devida credibilidade, tão em alta no século XX.

“Nós precisamos reconhecer os aspectos obscuros da história de nossa Igreja que vieram à tona especialmente nos últimos anos, um clericalismo que acabou confundindo poder e ministério, o abuso sexual de menores por clérigos e religiosos que causaram danos incalculáveis às vítimas, o tratamento violento e repressivo por parte de representantes da igreja”, afirmou o bispo da diocese irlandesa de Limerick, Brendan Leahy, em homilia proferida esta semana.

E nada como um evento internacional para desviar a atenção do problema, o que pode ser positivo se o objetivo for dar aos irlandeses a vivacidade e a renovação que Francisco tem a oferecer. Por outro lado, é possível que o papa argentino trate da questão para atender justamente àqueles que clamam por um pronunciamento oficial da Santa Sé desde que ele assumiu o pontificado. O que pode acontecer de maneira sutil durante a viagem ou de maneira mais concreta após a visita apostólica. Em entrevista ao jornal Irish Times, a irlandesa Marie Collins, ex-membro da comissão de combate à pedofilia instituída por Papa Francisco, que saiu do grupo após afirmar que a estrutura engessada do Vaticano impede progressos em relação à proteção de menores, alegou que Francisco deve, sim, não só se pronunciar, mas assumir que o Vaticano errou na hora de tratar da situação do país. 

 “Ele deveria assumir a responsabilidade do Vaticano diante dos eventos que ocorreram na Irlanda e definir, concretamente, como vai tratar da questão dos abusos em outras partes do mundo católico”, ressaltou.

*Mirticeli Dias de Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre primordialmente o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália, sendo uma das poucas jornalistas brasileiras credenciadas como vaticanista junto à Sala de Imprensa da Santa Sé.

O vício nas redes sociais

SMARTPHONES SOCILA MEDIA
By GaudiLab | Shutterstock

Compartilhe este artigo para ter a chance de ganhar uma peregrinação a Roma
Compartilhar 19 Compartilhei 0 Compartilhamentos 43878
Facebook e Twitter foram criados intencionalmente para agir como “cocaína”, segundo documentário da BBC
Segundo um novo documentário da série “Panorama”, da BBC, as empresas de mídia social se esforçam para nos deixar viciadas em seus serviços.

A reportagem, que foi ao ar recentemente, tenta decifrar por que as pessoas estão cada vez mais grudadas em seus smartphones e consumidas pelas redes sociais.

Entrevistas com pessoas que trabalharam nesse setor revelam como as companhias desenvolveram deliberadamente tecnologia de formação de hábitos para atrair usuários, e investigam como a ciência comportamental tem sido usada para manter as pessoas sempre checando seus telefones.

Por exemplo, características como rolagem infinita e o botão “curtir” fazem com que os indivíduos permaneçam ligados nas redes sociais por mais tempo do que o necessário, bem como alimentam suas inseguranças.

Rolagem infinita
Um dos entrevistados é Aza Raskin, que já trabalhou para a Mozilla e a Jawbone, criador da “rolagem infinita”, recurso que permite que um usuário deslize pelo conteúdo infinitamente sem ter que clicar em nada.

“Se você não der tempo ao seu cérebro para ele alcançar seus impulsos, você continua rolando”, explicou à BBC.

Raskin não pretendia deixar as pessoas viciadas, mas se sente culpado pelo impacto de sua inovação. No entanto, esse é agora apenas um dos vários elementos que as plataformas de mídia social usam para atrair usuários.

“É como se [as plataformas] espalhassem cocaína comportamental por toda a sua interface, e é isso que faz você voltar e voltar e voltar – disse. Por trás de cada tela do seu telefone, geralmente há, literalmente, mil engenheiros que trabalharam nela para tentar torná-la mais viciante.”

Curtir sem curtir
Outra entrevistada do documentário é Leah Pearlman, cocriadora do botão “curtir”, do Facebook, ao lado de Justin Rosenstein.

Ela admitiu à BBC que, como outros usuários, também ficou viciada no serviço de mídia social ao buscar curtidas em suas postagens. “Quando eu preciso de validação, eu vou verificar o Facebook. Se estou me sentindo sozinha, vejo o meu telefone. Se estou me sentindo insegura, vou checar meu telefone”, contou.

No ano passado, Rosenstein declarou que o botão “curtir” levara a um aumento no “clickbait” (também chamado de “caça-clique”, esse termo se refere ao conteúdo da internet destinado à geração de receita de publicidade online, geralmente às custas da qualidade e precisão da informação).

Rosenstein fez ainda uma outra crítica ao recurso, insinuando que ele criou um problema de “distribuição” de tempo: “Mesmo que as pessoas ‘curtam’ coisas, não é necessariamente tempo bem gasto”, disse.

De propósito?
Enquanto algumas redes sociais se recusaram a fazer comentários, o Facebook e o Instagram negam que seus serviços sejam deliberadamente projetados para ser viciantes.

“As alegações que surgiram durante o processo de produção do Panorama da BBC são imprecisas. O Facebook e o Instagram foram projetados para aproximar as pessoas de seus amigos, familiares e das coisas de que gostam. Isso pode ser se conectar com pessoas queridas que moram longe, ou se juntar a uma comunidade de pessoas que compartilham seus interesses, ou apoiar as causas mais importantes para você. Esse propósito está no centro de todas as decisões de projeto que fazemos, e em nenhum momento queremos que algo seja um fator viciante nesse processo”, disse um porta-voz das mídias sociais.

No início de 2018, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, fez alterações na rede social para aumentar o “tempo bem gasto” no site, mas o próprio encarregado do “News Feed”, Adam Mosseri, já admitiu que a empresa ainda está “tentando entender” exatamente o que isso significa.

Santa Beatriz da Silva, difusora da Imaculada Conceição




REDAÇÃO CENTRAL, 17 Ago. 18 / 05:00 am (ACI).- Santa Beatriz da Silva foi uma religiosa católica portuguesa que fundou a Ordem da Imaculada Conceição (Concepcionistas Franciscanas), dedicada à oração contemplativa.


A santa nasceu em 1426 em Ceuta, cidade do norte da África, que naquela época estava sob o domínio da coroa de Portugal.

A mãe de Beatriz, seguindo a tradição familiar, era muito devota da Ordem de São Francisco e, por isso, encomendou a educação religiosa de seus onze filhos aos padres franciscanos, que semearam em suas almas um amor especial pela Imaculada Conceição.

O quinto dos irmãos de Beatriz, chamado João – mais tarde Beato Amadeu da Silva –, tomou o hábito de São Francisco e fundou a associação chamada “amadeístas”.

Beatriz chegou a Castela em 1447, acompanhando como donzela de Isabel de Portugal, que partia de seu reino para contrair matrimônio com o rei de Castela, João II.

Entretanto, passado certo tempo, como sua beleza provocava a admiração dos nobres ou, talvez, porque a própria rainha temia ver nela uma perigosa rival, Beatriz abandonou a corte real que estava em Tordesilhas (Valladolid) e ingressou no mosteiro cisterciense de Santo Domingo de Silos, em Toledo, no qual duramente 30 anos dedicou-se unicamente a Deus.

Depois desses quase trinta anos de dedicação a Deus, decidiu fundar um novo mosteiro que foi a primeira sede da Ordem da Imaculada Conceição.

Em 1489, a pedido de Beatriz e da rainha Isabel a católica, o Papa Inocêncio VIII autorizou a fundação do novo mosteiro e aprovou as principais regras. Entretanto, antes que começasse a vida regular no novo mosteiro, Beatriz faleceu em 1492.

A nova família religiosa se difundiu rapidamente por diversas nações europeias e depois também na América. Atualmente, é formada por cerca de 3 mil religiosas que vivem em 150 mosteiros espalhados por todo o mundo.

O culto a Santa Beatriz foi confirmado por Pio XI em 28 de julho de 1926, com o título de Beata. Foi canonizada em 3 de outubro de 1976 pelo Papa Paulo VI e seus restos mortais se conservam para veneração pública na Casa Mãe de Toledo, na Espanha.